Traição.

7 Hora de reagir.


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Andrew me deixou no apartamento, e quando eu entrei, parte de mim esperava que os dois pulassem em mim me chamando de boba e me pedindo pra ser a madrinha do casamento, mas ninguém veio. Eu fui direto para o quarto, e lá estava ela, deitada com o rosto enterrado no travesseiro.

– Zi, você quer alguma coisa? – eu perguntei, e ela fez que não com a cabeça.

– Quer conversar? – eu perguntei novamente, e ela repetiu o gesto – quer ficar sozinha?

Ela se sentou, e jogou o cabelo todo cacheado pra trás. Estava usando um vestido preto e sapatos de salto, coisa que ela não gostava muito. Sua maquiagem estava borrada abaixo dos olhos, e linhas pretas contornavam suas bochechas. Lágrimas.

– Hey – eu disse e me sentei com ela na cama, abraçando –a. Ela não estava chorando, só fungando.

– Eu não consigo parar de passar tudo o que a gente conversou, tudo que eu fiz, pra tentar achar um motivo pra ele ter feito isso. Eu devo ter feito algo Jess, não é possível.

– Não foi sua culpa – eu disse, abraçando a mais forte e me segurando pra não ir atrás do Dinozzo e fazer picadinho dele – talvez foi só uma briga, e não um término.

Ela se levantou e abriu o armário de roupas. De um lado, suas roupas todas penduradas, e do outro, cabides vazios. Com certeza foi mais que uma briga. Ela se sentou novamente na cama, tirando uma sandália, mas não teve força o suficiente pra tirar a outra sem começar a chorar. Meu coração se partiu em mil pedaços enquanto eu via aquela cena. Me levantei, e tirei pra ela. Depois peguei lenços umedecidos no banheiro e comecei a tirar sua maquiagem, só que o choro começou a borrar ainda mais. Achei um moletom no armário e dei pra ela, ela o colocou por cima do vestido mesmo, e eu não disse pra fazer do contrário. Vi sorvete na geladeira, agarrei o pote e me deitei na cama com ela.

– Vamos assistir um filme, você vai dormir. Eu vou dormir depois e amanhã vamos trabalhar. É isso que vai acontecer.

– Ela assentiu e comeu uma colherada de sorvete. Assistimos um filme de guerra, sem nenhum tipo de romance envolvido. Pessoas morrendo, sangue... Era exatamente o que ela precisava. Ela acabou dormindo antes do filme acabar, então eu desliguei tudo e fui dormir no sofá. Pude ouvi-la acordando, e se virando. Ela procurou por ele do outro lado da cama por um segundo, e depois virou-se bruscamente pro outro lado, encolhida. Eu pensei em me levantar e ver se ela estava bem, mas quando eu ficava triste, não gostava que perguntassem ou que ficassem em cima. Só que ficassem ali. Eu estava ali por ela, e ela sabia disso.

Na manhã seguinte, eu me levantei, me arrumei e tentei convence-la a ir trabalhar, mas ela disse que não conseguiria encara-lo.

– Não quero que todos me encarem, então por favor, não diga nada a ninguém. E não pergunte nada a ele, por favor.

– Não contarei nada a ninguém, mas preciso saber o porque dele ter feito isso, Ziva.

– Por favor, não brigue com ele. Ele não tem culpa, foi melhor assim. Eu só não vou trabalhar hoje, mas amanhã juro que tudo voltará como era antes.

Eu não tentei força-la. Chamei um taxi e o caminho inteiro fiquei preocupada em deixa-la sozinha, mas ela parecia bem melhor quando saí. Assim que cheguei, Abby veio me falar que conseguiu um estágio para Andrew no NCIS, coisa que ele teria que fazer antes de se formar. Eu esqueci por um minuto de todo o drama e fiquei feliz por ele. Ele estava no laboratório, o que significava que eu o veria mais vezes.

– Onde está Dinozzo? Eu tenho que agradecê-lo! – Abby disse, quando fiquei em silêncio por um segundo – e por que a Ziva não veio hoje?

– Ela não está se sentindo muito bem, Abs. Mas por que agradecer o Dinozzo? – eu perguntei, jogando minhas coisas em cima da mesa e indo a caminho do elevador. Eu precisava me desculpar com Andrew por simplesmente tê-lo deixado sozinho na noite anterior.

– Ele achou as evidências, parece que a novata assinou e mandou para o lugar errado. Ridículo! – ela disse, dando de ombros – eu tenho que ir para o laboratório também – ela entrou no elevador comigo.

Quando chegamos ao laboratório, pude ver Andrew de costas. Ele vestia um jaleco idêntico ao de Abby. Ele estava no computador, digitando algo, e de repente riu. Eu estranhei, e quando passei pela porta, pude ver com quem ele estava conversando. Victoria.

– Com licença? – eu disse, entrando e indo em direção a ele – fiquei sabendo, parabéns amor! Eu o abracei e beijei. Ela saiu andando no mesmo instante.

– Obrigado – ele disse, estranhando minha atitude. Ele sabia que eu era realmente contra qualquer demonstração de afeto no local de trabalho.

– Eu vou pra outra sala, preciso analisar isso aqui antes que Lauren ou Gibbs desça. Esses dois juntos me dão medo – ela foi para a outra sala, que era separada por uma porta de vidro.

– Me desculpe por ontem.

– Tudo bem, eu tinha planos pra nós. Bons planos – ele sorriu – mas podemos falar disso mais tarde. Como ela está?

– Mal. Mas vai ficar bem. Ela sempre fica bem. Por favor não fala pra ninguém, ninguém além de nós sabe. Ela não quer que sintam pena.

– Sem problemas. Bom amor, acho melhor você subir antes que seu chefe desça pra te buscar. Aqui – ele me deu uma pasta – as digitais não são do pai do garoto.

– Não são? – eu abri e realmente, o teste dera negativo – droga. Ok, então eu realmente tenho que trabalhar – dei um beijo em sua bochecha e acenei para Abby, do outro lado do vidro, mas ela não viu.

O elevador estava demorando muito, então resolvi subir pelas escadas. Quando passei do primeiro lance, vi Dinozzo encostado em um canto, conversando no celular. Foi estranho olhar pra ele, pois apesar dele ser o culpado por fazer minha melhor amiga estar mal, ele era meu melhor amigo. Ele salvou minha vida inumeras vezes, e eu não poderia simplesmente parar de falar com ele por causa do término. Não conseguiria. Comecei a subir as escadas devagar, ele não me viu.

– Eu disse pra ela que não era homem de uma mulher só. Que não ia querer trai-la, então terminei. Foi isso que aconteceu. NÃO, não precisa. Sério, eu entendi.

Meu estômago se revirou. Quando eu vi, já tinha derrubado o celular de sua mão, com o tapa que eu dei em seu rosto.

– Jess?? – ele disse, se abaixando pra pegar o celular. Eu o empurrei e ele caiu sentado, sem revidar.

– Você me dá nojo, Anthony! – eu disse, gritando – como pode fazer isso com ela?

– Eu não tenho culpa, sou um Dinozzo, você sabe!

– Sabe o que eu sei? Que Ziva David não é uma mulher comum. Ela não é uma pessoa que confia em qualquer um. Mas ela confiou em você. Ela tinha tanto medo, mas sabia que você não a machucaria. E agora você simplesmente terminou com ela porque não sabe se vai conseguir ficar com ela sem trai-la? Vai se foder, Dinozzo.

Eu disse isso e comecei a subir a escada. Ele segurou minha perna, não forte o bastante pra me fazer cair, mas pra me fazer parar.

– Eu realmente a amei.

– Se fosse amor, não ia ter acabado do dia para a noite – eu disse e puxei minha perna bruscamente para cima. Ele continou sentado, colocando as mãos atrás do pescoço, como se estivesse pensando.

Quando terminei de subir as escadas, meus olhos estavam cheios de lágrimas. Eu ainda amava o Tony. Ele era meu melhor amigo, não poderia deixar de gostar dele. Mas aquilo foi demais. Gibbs estranhou me ver subindo pela escada e não parou de me encarar até que eu me sentei em minha mesa. Lauren estava digitando quieta do outro lado, então ele veio até mim e ficou me olhando sem dizer nada. Logo Dinozzo também subiu, com o rosto vermelho, pegou suas coisas e foi embora. Uma lágrima saiu sem que eu pudesse contê-la.

– Eles terminaram.

– Como você sabe? – eu perguntei, atônita. Não era possível que ele soubesse de tudo. Pude ver Lauren se virando rapidamente para checar, e quando percebeu que era pessoal, tratou de desviar a atenção.

– Eu ouvi Dinozzo falando no celular com alguem, sobre ter “resolvido o problema”. Ziva não veio. Você parece alterada. E aquela mão marcada no rosto dele é pequena demais.

Eu olhei para Gibbs. Seus olhos azuis estavam convictos. Não teria como negar.

– Sim. Por favor não... – eu ia dizer, mas ele me interrompeu.

– Não direi nada.

– Espera, problema? – eu repeti, um pouco alterada – problema? Ele pensa que está falando de quem? – eu me levantei rapidamente para tirar satifações, talvez se eu corresse o alcançaria no estacionamento, mas Gibbs segurou meu braço.

– Hey, hey, hey – ele disse, juntando as sobrancelhas – ele partiu o coração dela. Sim. Mas talvez ele não tenha tido escolha. Talvez tenha sido o melhor para ambos.

– Gibbs, ela...

– Eu sei. Ela o ama. E talvez ele não tenha amor suficiente para corresponde-la. Acredite em mim, fui casado 4 vezes, e já parti 3 corações. Mas hoje estão casadas, felizes, e uma tem até uma filhinha. Então, talvez ele tenha feito isso pensando no bem dela. Não esqueça disso.

– Vai ser dificil pra eles trabalharem juntos, né?

– Vai ser estranho – ele deu de ombros – regra #12.

Eu assenti e me levantei, mas dessa vez pra ir embora. Ele me deu espaço pra passar, e eu o abracei. Passei no laboratório pra dar um abraço em Andrew, antes de ir pro apartamento da Ziva novamente. Eu tinha que fazer com que ela visse esse lado da coisa.

Ela estava assistindo TV, comendo chocolate. Fez sinal para que eu entrasse. A pia estava com seis potes de sorvetes vazios. Seis potes em um dia.

– Ok Ziva – eu disse, puxando o cobertor dela – chega disso. É hora de reagir.