Notas iniciais
Já sabem o esquema, tem review, tem post rápido. Não tem, autora entra em depressão.
Enfim, voltei rs

(Gerard POV)

Quatro de setembro de mil novecentos e trinta e sete. Hoje, completo meu quinto ano como morador da Itália e meu primeiro mês como presbítero da paróquia da cidade em que moro. Catanzaro, localizada na província de Calábria, ao sul da Itália, tem sido minha casa há cinco anos, quando vim para cá junto de Madre Rose.

Madre Rose era minha mãe que eu nunca tive o prazer de conhecer. Disseram-me que quando eu era praticamente uma criança de colo, de no máximo dois anos, fui encontrado sozinho, envolto por uma manta de lã em um lugar chamado de "roda dos expostos". Este é um lugar, sempre fixo e público, aonde pais ou até mesmo desconhecidos colocam crianças abandonadas ou órfãs para serem recolhidas pela igreja. A cada noite, um grupo de madres visita o local e acolhe os infantes que ficam perambulado pela praça e as leva para o convento, aonde abriga, cuida e oferece comida e educação. Quando me acolheram, eu sequer fazia noção de o porquê ter ido para o convento, mas depois que completei meus doze anos, curioso sobre meu passado que insistiam em negar me contar, implorei a madre Tereza que me contasse como eu fora parar no abrigo. Então disseram-me que meus pais, por algum motivo que nunca conheceram, foram perseguidos e mortos pelo governo. Então, para poupar a vida de um ser puro e jovem como eu, me colocaram as escondidos na roda dos expostos e fugiram.

Quando soube da história toda, fiquei em choque. Mas depois, analisando calmamente, percebi que apesar de meus pais estarem mortos, ser recolhido pela igreja foi uma das maiores bênçãos que Deus pôde me dar. Desde pequeno fui ensinado a amar a Deus sobre todas as coisas e posso jurar que em nenhum momento — até meus dezoito anos — desobedeci sequer um dos dez testamentos.

O problema era quando eu completara dezoito anos. A partir desta idade, os garotos são proibidos de morar juntos das freiras e madres por motivos que de inicio, recusaram a me contar dizendo que meu destino era servir a Deus e que esta informação não teria proveito nenhum em minha vida. O frei da cidade, John, disse-me que alguns garotos com esta idade tornam-se seres agressivos, impulsivos, impuros e cedem aos prazeres mundanos e deixá-los cercados de mulheres não era aconselhado. Na época, eu não entendia o porquê.

Pois então, quando completei dezoito, tive que deixar o convento de Madre Rose e fui morar junto de Frei John. No monastério só haviam homens e demorei a me adaptar. Pudera, diferentes das madres, eu era apenas mais um coroinha entre mais uns vinte rapazes, no mínimo. Porém, eu sempre fora muito dedicado aos estudos religiosos e também me empenhava em aprender a dominar o latim, o italiano e o francês, fora o inglês. Frei Domenico dava-me aulas de italiano, francês e tentou iniciar-me em alemão,sendo que a gramática não cheguei a ter grandes problemas, mas a pronúncia era quase impossível para mim. Eu apenas formava frases simples, porém com sentido compreensível e completas. O que eu realmente aprofundei-me em aprender fora o italiano e o francês. E por causa disto, quando o padre Jeremy, o presbítero chefe do monastério fora convidado para ser bispo em uma cidade ao sul da Itália, ele precisara levar consigo um novo padre, um diácono e um coroinha para a cidade em que iria. E para a minha surpresa, o escolhido entre todos os outros coroinhas fora eu, já que eu dominava o italiano, o que facilitaria a adaptação no novo país.

Dois anos depois de mudar-me para Catanzaro, o diácono que fora em nossa companhia adoecera abruptamente e logo eu fora nomeado diácono da igreja principal da cidade. Eu ainda não podia realizar missas, mas eu poderia e coordenava batizados e liturgias. Ao mesmo passo que a cidade crescia, uma nova igreja estava sendo construída num área mais afastada do centro, na periferia de Catanzaro. E a cada dia que se passava, padre John lançava mais e mais conselhos para mim de como ser um bom e fiel padre. Logo correram boatos e burburinhos de que eu, o jovem e inexperiente diácono, seria nomeado o novo presbítero da igreja secundário de Catanzaro e os diáconos anciãos se revoltaram. Disseram que eu não saberia como administrar uma paróquia e que eu a levaria à ruína. Por fim, a autoridade máxima na cidade, Padre John, após a finalização da igreja, acabou por nomear-me presbítero, mas para eu experiência, deixou que um padre local rezasse as primeira missas para que eu o observasse e soubesse o que fazer e me familiarizar com o lugar e o cargo.

— Como este é teu primeiro mês como um servente de Deus que evangeliza e leva a liturgia as massas, quero que fique com o multidão de confissões — Padre John disse tocando meu ombro direito sorrindo. — Já que ainda nunca teves a oportunidade de rezar uma missa, começar tua missão através da confissão e do perdão dos fiéis será um grande avanço.

— Claro, farei isto com toda a dedicação, fé e discrição possível — concordei.

— Gerard, quero que saiba que tu fois um de meus melhores aprendizes — ele sorriu. — Que teu coração é puro e que tenho certeza de que teu destino é levar a salvação aos pecadores. Ensinar-lhes que os pecados e os bens materiais não levam a nada. Que acreditar nas palavras que Jesus professou em Terra é a coisa certa a se fazer.

— Amém.