Tragedia Peccaminoso
2 Capítulo 1
Notas iniciais
E fora o meu colégio, que monopoliza a vida dos alunos nos estudos APESAR de eu não fazer nada e passar todas as aulas escrevendo fanfics e tal.
Desculpem-me pelo cap curtinho, mas o negócio começa mesmo no próximo.
Mas enfim, tá aqui o cap 2, esquero que gostem.
Beijinhos!
- Padre, há um fiel que quer se confessar agora — um jovem coroinha, de apenas quinze anos que agora me ajudava em tarefas simples, avisou-me entrando na pequena copa na parte de trás da igreja.
— Diga-lhes que em cinco minutos esteja me esperando.
— Claro, Padre Gerard — ele abaixou a cabeça e antes de deixar o local, juntou sua mãos e falou:
— Com sua benção.
— Deus lhe abençoe criança.
Logo terminei o café que uma senhora que cuidava da parte da limpeza e de caridades da igreja havia acabado de passar e fui em direção aos confessionários. Beijando meu crucifixo, pedindo bênçãos e proteção ao meu Criador, entrei em uma das cabines e sentei no pequeno e simples banco. Arrastei a porta de correr de madeira e pude ver uma sombra se movendo em direção ao confessionário. A madeira retalhada e vazada que separava-me do fiel, dava-me uma visão embaçada e não certeira dele.
— Que o Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós — ele respondeu e respirou forte.
— Queres se livrar do pecado?
— Sim.
— Pois conte-me todos, sem distorções.
— Eu acho que estou me desviando do caminho do Senhor — ele disse acanhado, mas logo o encorajei a continuar a falar. — Eu sei que o que sinto neste momento vai contra tudo o que Deus prega, mas eu não consigo me controlar. Eu tento, rezo, rogo para que Deus leve estes pensamentos errados de minha mente, mas eles insistem em me assombrar, me perseguir. Eles vêem quando menos espero, quando mais preciso de concentração. Eu sei que é errado, mas ao mesmo tempo, não sei o porquê de ser.
— E o que sentes?
— Eu... Eu gosto de meninos.
Num primeiro momento senti minha mente ficar confusa, como se tal fato fizesse um nó em minha mente. Eu sempre soube que a mulher fora criada para o homem e vice-versa. O sagrado matrimônio era a prova concreta disto. Sendo assim, o amor entre homens ou entre mulheres não seria válido, já que nenhuma criança viria ao mundo sendo fruto do amor entre os dois.
— Eu sei que isto é errado, mas não consigo afastar isto de mim. Sei que minha família ficaria completamente desapontada se eu não lhes desse netos e tivesse uma boa esposa, mas eu sinto que não é este meu destino.
— Quantos anos tens?
— Dezesseis.
— Não achas que já deveria estar com o casamento em seus planos de futuro próximo?
— Como lhe disse, eu não vejo razão em fazê-lo — ele disse aflito. — Deus prega que a união seja baseada em amor puro, e não há moça nenhuma que possa ser minha esposa e que ey poderia oferecer este sentimento.
— Eu não vejo como lhe ajudar a não ser ter fé. Reze muito. Reze por você, reze pelos seus pensamentos e reze pelos que tu desejas. Apenas reze com a fé mais verdadeira que tiver — aconselhei. — Reze com o coração, não diga apenas palavras cruas e ocas, sem significado nenhum. Reze com fé.
— Quantos terços devo rezar?
— Quinze estão de bom tamanho — falei finalmente encarando atentamente a figura à minha frente. Um garoto de cabelos escuros na altura da nuca, feições harmoniosas e infantis. Estava usando uma camisa branca de manga longa e um colete de lã bege sobre ela. Tinha uma boina nas mãos e pude perceber que um desenho diferente enfeitava a parte superior de seus dedos. Tatuagens eram o nome destes desenhos na pele? Uma vez eu ouvira falar que estes eram uma afronta a Deus, mas não vejo o porquê de ser assim. Os desenhos apenas transformavam a pessoa em uma obra de arte viva, o que era incrível. Eu também ouvira falar que elas eram sofridas de ser feitas pois utilizavam uma espécie de máquina com uma agulha na ponta que injeta a tinta na pele para que a mesma seja permanente. Os desenhos do garoto pareciam letras e infelizmente não consegui identificar a palavra completa. Depois de observá-lo, falei:
— Mas sabes que a quantidade não significa nada, o que importa é a intensidade da fé que pões em cada palavra que sai de tua boca.
— Sim, Padre — ele suspirou desajoelhando-se e fazendo o nome da cruz. — Amém.
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