Tragédia romântica.
1 Prólogo
Já era quase noite quando Mirela passava pela porta de sua casa, vazia, lembrou-se que passara pela caixa de correspondência sem checa-la. Pegou todas as cartas que lá se encontravam, olhando-as enquanto se dirigia para dentro de sua casa, percebeu que havia uma carta incomum (depois de muito tempo recebendo apenas contas) de cor azul, esboçou um sorriso, ficara feliz já que era sua cor favorita e imaginou que seria algo bom. Ligou as luzes da casa e pensou imediatamente em ler a misteriosa carta, mas estava exausta e preferiu ir tomar um banho. Já no banho acidentalmente derrubou shampoo nos olhos.
–Oras — pensou enquanto jogava água em abundância em seu rosto
Depois do pequeno acidente, terminou o banho e vestiu-se, estava exausta e preferiu não fazer o seu jantar (claro que a ansiedade para ler a carta era maior que qualquer cansaço) e foi em direção à mesa onde deixara o envelope azul misterioso, abriu-a ali mesmo, mas resolveu ler em sua cama devido ao cansaço. Chegou em seu quarto, ligou o ventilador e sentou-se na cama, já ia se deitando quando alguém resolve bater na porta de sua casa
–Só pode ser brincadeira — disse em voz baixa. Sua voz era suave, pensou em ignorar as batidas na porta, mas resolver ir atender assim que percebeu que a visita não iria embora até que fosse atendida. Abriu a porta, era Cristian, um amigo que morava em frente de sua casa, se conheciam desde crianças, mas quando adultos o trabalho tomou todo o tempo de Mirela, então quase nunca conversavam. Ele vestia um casaco preto e uma calça jeans, tinha o cabelo castanho, Mirela estava com um pijama totalmente vermelho. Ela estava muito ansiosa para ver a carta e então disse:
–Estou muito cansada, Cris (apelido de infância) Me desculpe mas...
–É eu sei — disse Cristian interrompendo-a — Tenho algo para te dizer e é importante — disse em uma velocidade rápida, dando á entender que estava empolgado com algo.
–Tudo bem, mas seja breve.
–É que hoje mais cedo tinha um cara vestido todo de preto olhando sua casa, te juro, ele ficou muito tempo olhando e saiu um pouco antes de você chegar.
–Ele deixou alguma carta na caixa de correspondência?
–Eu não vi, queria saber se está tudo bem, sabe? Sinto sua falta.
–Estou bem, me desculpa não tenho tempo agora eu estava...
–Tudo bem — interrompeu-a novamente — você nunca tem tempo, é só trabalho, trabalho, trabalho. Vou indo nessa, até mais. Te ver não é o suficiente — foi logo saindo sem esperar uma despedida dela.
Mirela voltou para o quarto e deitou-se na cama, e hesitou antes de começar a ler, esperando que algo acontecesse, nada aconteceu, e então começou a ler em pensamento.
''Há quanto tempo, queria muito te ver e sei que isso não vai ser possível, então resolvi escrever isso... que é o que sinto por você e que nunca senti por mais ninguém, não sei explicar, eu te amo, isso resume tudo.
Você não sabe desse amor, se entregou ao trabalho e me abandonou, desde então te ver não é o bastante e até me causa dor. Essa dor não é de você quase esquecer de minha existência, mas sim pela falta de vida na sua existência, de não te ver feliz, de não te ver sorrir nem falsos risos. Foi uma bela infância, nossas brincadeiras e risos, isso me fez querer que minha vida toda fosse ao teu lado, por isso eu moro tão perto de você. Sua infelicidade abre um buraco em meu peito, me dói muito te ver desse jeito, e por isso estou partindo para longe, se não for para te ver feliz, não adianta nada te ver, espero que um dia você esteja feliz, é tudo que eu quero, ou quando estiver lendo... foi tudo que eu quis. Eu te amo, espero que seja feliz.
Atenciosamente, O dono da casa que pega fogo em frente da sua.''
Mirela foi correndo olhar pela janela, que dava visão da casa de Cristian. Já com lágrimas nos olhos, foi correndo para fora e ficou chorando ajoelhada enquanto via a casa de Cristian sendo tomada pelo fogo.
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