Tradição - 初日の出

1 Primeiro amanhecer do ano


Notas iniciais
Gente, vcs não sabem a reviravolta que foi pra criar essa fanfic. Passei dias escrevendo um outro plot no estilo Feitiço do Tempo, pra no final acabar vindo com essa aqui que escrevi hoje mesmo, mas que amei tanto quanto. Aqui eu cito algumas tradições do Ano Novo no Japão, como o próprio Hatsuhinode, que é ver o primeiro amanhecer do ano. Como também o Oniyouzu, que é soltar pipas que simbolizam se libertar dos demônios, Hamaya que são flechas de proteção, dentre outros que li neste site https://skdesu.com/ano-novo-no-japao/ Espero que gostem da história ♥

Katsuki não era um japonês tradicional. Em costumes e aparência. Para ele os roteiros não precisavam ser seguidos a todo momento e certos hábitos apenas se mostraram inúteis ao longo do tempo. Quando era mais novo até ia com a família a templos fazer orações, tirar a sorte e todos os pormenores que envolviam o Ano Novo ou qualquer outra data importante para o restante do Japão. Ajudava seu pai a soltar Oniyouzu acreditando realmente que estavam se livrando dos demônios do ano passado, assim como até chegou a ter uma coleção de Hamaya.

Mas com o passar do tempo ele deixou de acreditar nessas coisas. O primeiro sonho do ano tinha tanto significado quanto qualquer outro, ler a sorte não mudaria o fato de ter que se esforçar sozinho para conseguir o que queria. Não havia diferença em deixar o passado para trás no primeiro dia ou durante a metade do ano. Todas essas tradições eram apenas isso: só mais uma forma das pessoas se enganarem, deixando as responsabilidades da própria felicidade nas mãos de outrem.

Já Izuku era todo seu oposto.

O rapaz vestia roupas tradicionais, ia todos os anos para o templo próximo de onde moravam. Comia todas as comidas tradicionais, queimava os amuletos antigos na fogueira e pegava outros novos, via o primeiro nascer do sol. Todos os anos. Sua animação para com as tradições era admirável e estúpida ao mesmo tempo. E ele sempre conseguia fazer com que fossem juntos. Todos os anos.

Sua indiferença para com as tradições era enorme, mas seu amor por Izuku sempre foi maior.

Se conheceram quando tinha quatro anos, moravam no mesmo bairro e frequentavam a mesma escola. Talvez até se conhecessem de antes, mas a primeira memória que tinha com ele era de quando tinham quatro. Katsuki era um babaca já nessa idade e estava implicando com um garoto aleatório no parquinho do bairro, Izuku desafiava babacas já nessa idade e não ficou calado mesmo quando já estava machucado e sujo de terra. Sempre foram muito diferentes, chegava a ser engraçado ver como os dois se deram tão bem após essa primeira briga. Ou como continuaram amigos após tantas outras.

Eventualmente, entre uma briga e outra, entre um Ano Novo e outro, Katsuki se apaixonou perdidamente pelo amigo. Ainda se lembrava com nitidez do dia em que se confessou e de quando Izuku disse que sentia o mesmo. Abriu seu coração no dia 1 de Janeiro de quando ainda tinham quinze anos, estavam no mesmo parquinho em que se conheceram esperando o sol aparecer.

Ei, nerd, eu preciso te falar uma coisa. Foi dessa forma que ele começou, enquanto o céu ficava mais claro e as estrelas sumiam. Diga, Kacchan. Foi o que Izuku disse sem tirar os olhos do céu, com aquela voz tranquila e o apelido tão íntimo que fingia não gostar.

Eu gosto de você.

Eu também gosto de você, Kacchan.

Não, seu nerd de merda, eu gosto gosto de você.

Ah.

Só de lembrar, Katsuki já sentia a mão suar frio e o coração acelerar. Havia ficado tão ansioso por uma resposta, qualquer uma, que até sentiu um alívio momentâneo quando Izuku disse que sentia muito. Foi nesse momento que ele teve certeza que amuleto nenhum traria sorte no amor.

Mas ele se esforçou, sabe. Realmente amava Izuku e queria ficar com ele, com ou sem amuleto de sorte. Eventualmente ele conseguiu. Foram dois anos de trabalho duro, sofrimento e ciúmes, mas ao menos conseguiu.

Foi no primeiro dia do ano, de quando tinha dezessete, no mesmo local enquanto faziam a mesma coisa. Logo iriam para a faculdade e pela primeira vez estariam longe um do outro. Talvez tenha sido esse medo de perder o contato que fez Izuku se tocar que também gostava dele mais que apenas um amigo, mas Katsuki preferia acreditar que foi seu trabalho duro em estar ao lado do moreno em todos os momentos, mesmo não sendo a melhor pessoa na maioria deles.

Ei, Kacchan, eu preciso te falar uma coisa. Foram as mesma palavras, Katsuki apenas sorriu sem tirar os olhos de Izuku, que encarava o céu em degradê e tinha todo o rosto corado. Você é muito lerdo, nerd. Foi o que respondeu enquanto entrelaçava os próprios dedos com os do moreno.

Katsuki não era um japonês tradicional, mas tinha sua própria tradição envolvendo Ano Novo. Qualquer coisa importante que envolvesse seu relacionamento com Izuku, tinha que ser dita no primeiro dia do ano, enquanto assistiam o nascer do sol. Não porque ele acreditava que o dia trazia sorte ou algo do tipo, era apenas porque era a data favorita de Izuku. Katsuki não era o melhor namorado do mundo, mas ele era esforçado.

Pediu Izuku em casamento no dia 1 de Janeiro de quando tinha vinte e sete anos. Estavam há dez anos juntos, há sete moravam juntos. Izuku já era professor universitário e ele dava aula para o ensino médio. História e Matemática. Eram felizes, tinham uma vida estável e um gato amarelo que chamavam de Oru, em homenagem ao herói de uma revista em quadrinhos que os dois ainda eram fãs.

Se casaram no dia 29 de Dezembro do mesmo ano, quando tinham vinte e oito. Mas sempre comemoram a união no dia 1 de Janeiro. Era a data deles, afinal. E continuou a ser mesmo quando passaram a ser quatro.

Eles tinham trinta anos, moravam em uma casa com três quartos e tinham três animais de estimação. Dois gatos, Oru e Maito, porque eles eram esse tipo de pessoa, e um cachorro, Yagi, porque eles realmente eram esse tipo de pessoa. Foram muitos Anos Novos passados só eles dois e ninguém estava achando ruim, mas Katsuki acreditava que já estava na hora de aumentar aquela família. Ele gostava de crianças, Izuku as amava, eles se amavam, por que não?

Dois anos depois a casa passou a comportar sete membros da família Bakugou-Midoriya. Einosuke, de treze anos, e Eisuke, de sete. Os garotos estavam no sistema há cinco anos, ninguém queria ficar com os dois e nem separá-los. Katsuki e Izuku os amaram no primeiro instante. Foi estranho, eles conversaram um tempo depois, pois nenhum deles sabia como seria ao encontrarem a criança que seria deles. Sentiriam algo de cara, levariam anos, se encantaram por cada criança que conhecessem? Eram tantas dúvidas, para no final ser um clique, algo no fundo de suas almas que os fizeram olhar para aquelas duas crianças e pensar “ah, são nossos filhos”. Foi como reencontrar alguém.

Katsuki não era tradicional, nem acreditava em destino. Mas quando viu os filhos ele passou a ter um pouco mais de fé no inexplicável. E o Ano Novo se tornou a tradicional data da família de dar grandes notícias.

No primeiro dia do ano, de quando tinha quarenta, Katsuki e Izuku descobriram que seriam avós. Einosuke estava com medo, era um jovem de vinte anos que mal havia começado a faculdade e não tinha emprego. A namorada tinha apenas dezenove e também estava apavorada. Katsuki guardou o sermão e olhou para o marido, os dois apenas abraçaram o filho e viram o sol nascer enquanto Eisuke dizia que estava feliz que teria um sobrinho ou uma sobrinha.

No ano seguinte, aos quarenta e um, os dois se viram sendo pais novamente. Não haviam adotado mais nenhuma criança, apenas finalmente encontraram sua filha mais nova. Eiko tinha quinze, faria dezesseis naquele ano, e era uma linda garota que passou anos se escondendo dos pais. Katsuki olhou pra filha com orgulho, Izuku a encheu de amor e Einosuke disse que ela continuaria sendo a melhor tia e irmã do mundo.

Katsuki e Izuku passaram juntos por cinquenta e cinco 1 de Janeiro. Ou poderiam ser mais, mas a primeira lembrança que tinha de Izuku era de quando tinham quatro anos. Foram cinquenta e cinco anos lado a lado, vendo o nascer do sol e vivendo tradições que ele não acreditava, mas criando as próprias, as quais ele jamais abria mão.

Einosuke já tinha trinta e oito, três filhos e suas próprias tradições familiares, mas sempre passava na casa dos pais antes do amanhecer do dia primeiro. Eiko tinha trinta e dois, era casada com uma jornalista americana e morava nos Estados Unidos junto com a esposa e cinco gatos, mas todos os anos passava o Ano Novo com os pais.

No dia 31 do que seria quinquagésimo sexto ano, quando tinha sessenta anos, eles deixaram a TV ligada no Kohaku Utagassen. Izuku e Eiko adoravam o programa e fazia parte da tradição. Katsuki fez os pratos de Ano Novo favoritos do marido para comerem. À meia-noite Einosuke ligou para desejar um Feliz Ano Novo e confirmar que em algumas horas estaria em casa para verem o nascer do sol juntos.

Katsuki foi se deitar, já estava velho demais para passar a madrugada acordado. Eiko ainda ficaria um tempo acordada, conversando com a esposa que ainda estava no dia 31. Ele olhou para o lado esquerdo da cama e sorriu para o marido, que também lhe sorria. Um sorriso de quando tinham cinquenta.

Katsuki era um homem de tradições. Havia passado cinquenta e cinco anos vendo o primeiro nascer do sol do ano ao lado homem que amava.

Meia-noite e quinze, do dia Primeiro de Janeiro de quando tinha sessenta anos, Katsuki fechou os olhos em sua cama vazia e sonhou com Izuku, o amor de sua vida. Aquele seria o quinquagésimo sexto amanhecer que veriam e no final das contas ele era um homem ultra tradicional.

Izuku Midoriya partiu no dia 14 de Agosto, quando tinha sessenta anos. No dia 1 de Janeiro, Katsuki Bakugou foi atrás do marido, pois se recusava a ver o primeiro nascer do sol do ano sem ele.

Notas finais
É isso, meu povo! Deixem um feedbackzinho se possível, falem de suas tradições de Ano Novo e sabor de pizza favorita, sei lá aushuashuahsuahush Espero que tenham curtido, pq eu amei ♥ Bejas!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!