Notas iniciais
Durante o fim de ano fiz uma mini coletânea de fics natalinas ;33 Está foi a primeira com o tema: Visco de Natal. Betagem da Meggie_novis Projetos: ACNProject e AffinityProject

“Não há detalhe mais bonito do que a atenção.”

Autor desconhecido.

A cafeteria estava cheia, mas não barulhenta. O som era morno, confortável — xícaras tocando os pires, conversas baixas, o cheiro de café misturado à canela e aos salgados recém-saídos do forno.

Pela janela, a praça começava a se iluminar, enfeites e pisca-piscas decorando todo o ambiente; fios dourados desenhavam contornos suaves nas árvores despidas pelo inverno.

Em uma mesa próxima à janela, Gaara acenou para a dupla que chegava silenciosamente. O mais alto era seu cunhado, Uchiha Itachi, e ao lado dele estava seu melhor amigo, Hyuuga Neji. A cortesia de entrelaçar as mãos e guiar o Hyuuga entre as mesas sempre os deixava em pura agonia, não de maneira negativa, apenas temia que todos soubesssem que existia um sentimento ali que não era dito.

— Desculpem o atraso — disse Neji, sentando e sendo acompanhado por Itachi.

— Tudo bem, Neji-san. Chegamos há pouco tempo também. — Gaara apertou a mão de ambos, olhando de relance para o marido, quase o obrigando a fazer o mesmo.

Sasuke revirou os olhos, mas ergueu a mão para cumprimentar a dupla.

Itachi guardou a risada ao ver o irmão obedecendo o ruivo, correspondendo ao aperto em sequência.

— O trânsito para o centro da cidade é péssimo no fim da tarde — disse, ajeitando o cachecol do amigo. — Quase não achei vaga para estacionar.

— Natal — Sasuke respondeu, seu olhar buscando o garçom mais próximo. — As pessoas ficam estranhamente… sociáveis.

Neji concordou, sorrindo para o Uchiha que pegou o cardápio.

— Já fizeram o pedido? — perguntou Itachi, vagando os olhos entre as opções.

— Estávamos esperando vocês para pedirmos juntos. — Gaara pegou o outro cardápio e o entregou ao moreno ao seu lado.

O Uchiha mais velho acenou, apontando algumas sugestões para o Hyuuga enquanto Sasuke já tinha em mente o que o marido gostava de comer e beber, então apenas esperou o irmão terminar.

Pouco depois, o garçom foi chamado e os pedidos realizados calmamente. Na opinião do ruivo, havia algo reconfortante em compartilhar daquelas decisões simples. Embora fossem amigos e família há bastante tempo, certas manias permaneciam, como Itachi cochichar algo para Neji ou seus dedos se entrelaçarem enquanto olhavam coisas distintas.

Sasuke sabia que Gaara tinha uma grande admiração por amores discretos, afinal eles começaram assim. Mas a diferença que observava, era que Itachi nunca foi o homem que gostava de falar suas vontades e desejos abertamente — para ele, estava tudo bem ser apenas aquilo, uma amizade cheia de e se 's.

Logo que o garçom retornou com os pedidos prontos, Sasuke tomou a função de repassar os pratos do marido: um café forte, sem açúcar, acompanhado de uma fatia de torta de chocolate amargo; para si era apenas um cappuccino cremoso e um sanduíche quente. Itachi fez o mesmo, repassando o café com leite e o pão doce polvilhado de açúcar e canela para o Hyuuga, depois serviu-se de seu chá preto com especiarias e um croissant amanteigado, empurrando discretamente o prato na direção de Neji quando percebeu seu olhar curioso.

— Quer um pedaço? — sussurrou, pegando a faca para cortar o croissant.

Neji pensou em negar, mas conhecia o moreno o suficiente para saber que a pergunta era mais uma formalidade do que realmente uma opção.

— Só um pedacinho — sussurrou de volta.

Itachi sorriu, cortando o salgado e o colocando no prato ao lado do pão doce. Tal ação não passou despercebida pelo casal à frente, porém, o Uchiha mais novo preferiu fingir que não viu nada, já Gaara continuou olhando até notar o rubor leve nas bochechas do perolado.

— Tome seu café, querido — chamou Sasuke, pegando a xícara e colocando nas mãos do ruivo. — Se esfriar, não ficará bom.

Gaara sorriu sem graça, dando um gole singelo na bebida.

À frente, Neji agradeceu Sasuke silenciosamentepela ajuda. Ainda que soubesse que o Sabaku apoiava-o como par de Itachi. A maioria de seus amigos os consideravam o “casal perfeito”, além de Gaara, é claro, só não diziam abertamente por não quererem estabelecer uma estranheza entre eles — o que via como um cuidado e respeito muito grande por parte dos amigos.

Porém, ele preferia que não existisse essa fixação em olhá-los.

Logo as conversas surgiram, perguntas básicas sobre trabalho e faculdade, alguns comentários avulsos de situações engraçadas ou marcadas da semana. Sasuke era o mais teatral entre eles, reclamando abertamente das peripécias de Naruto dentro do escritório. Gaara riu das expressões do marido com clara paixão, ao passo que Neji sentia pena do moreno por conviver com alguém tão imperativo.

Enquanto as conversas seguiam animadas ao redor, Neji manteve as mãos envoltas na xícara, buscando no calor morno um ponto de ancoragem. Gostava daquele ambiente vivo; mesmo barulhento, carregava o conforto que apenas o Natal trazia.

Ainda assim, sentia o coração acelerar sempre que recebia um olhar mais demorado de Itachi ao seu lado. “Ele sempre fica assim quando está perto de mim”, pensou, sem conseguir decifrar se aquilo era cuidado — ou apenas seu próprio coração se iludindo.

Itachi, por sua vez, observava Neji de soslaio. O jeito como ele se recolhia um pouco quando o ambiente ficava cheio, como os dedos se apertavam em volta da xícara quente. Seu desejo era envolver as mãos menores com as suas, aquecê-las e beijá-las, mas sabia que não poderia agir daquela forma.

“Mas ele está com frio…”, sussurrou para si mesmo, como sempre fazia quando tentava se encorajar.

— Aquele safado do Hatake fez uma árvore de Natal de adesivo, e adivinha quem ele colocou como a rena do Papai Noel?! — Sasuke esbravejou, seu olhar quase assassino ao mencionar o grisalho.

Gaara ria baixinho, porém, a dupla do outro lado não prestou a atenção merecida.

— Está bonito este ano — Neji comentou, olhando para fora, onde os flocos de neve se acumulavam na beirada.

— Acho que é porque as pessoas parecem desacelerar mais para apreciar o tempo — respondeu Itachi, a ponta de seu mindinho encostando na pele fria do Hyuuga. — Posso? — sussurrou, quase gaguejando; quase.

O toque foi pequeno, mas o arrepio que percorreu o perolado quase lhe fez pular no banco. As pérolas olharam as mãos próximas e depois o rosto maduro do moreno, perguntando-se se era realmente isso que ele estava propondo — aquecer suas mãos. Itachi sorriu, pequeno, quase tímido.

Tal iniciativa bastou para que sua própria timidez permitisse aquela brecha em público.

“Ele percebeu”, pensou, sentindo aquele aperto familiar no peito. Tão suave quanto o pedido, suas mãos se entrelaçaram mais uma vez, os dedos largos e ásperos do Uchiha protegendo as mãos finas e macias do Hyuuga, trazendo o calor que o café não poderia transmitir.

Parecia que o mundo diminuía naquele toque, seus olhos fixos um no outro acompanhado de sorrisos pequenos, mas cheios de sentimentos não ditos. Gaara e Sasuke continuaram a preencher o espaço com conversas, ainda que os amigos não compartilhassem do assunto, trocando olhares frequentes, atentos ao momento singelo entre o par. Sasuke, em especial, observava o irmão, esperançoso.

Quando todos terminaram, Gaara fez um sinal discreto para o marido, apontando para a praça. O Uchiha acenou enquanto Itachi já se levantava para ir ao balcão pagar a conta.

— Vamos juntos — disse Sasuke, puxando a carteira.

O irmão não reclamou, apenas encarou Neji por alguns segundos — uma explicação muda para se afastar. E que foi respondida com um sorriso tímido e um balanço leve de cabeça. Assim que o par de irmãos se afastou, Gaara mexeu no pequeno enfeite de Natal que estava na mesa.

— A praça está bonita, não? — perguntou.

— Sim. — O brilho dos pisca-piscas refletia nas íris peroladas. — Gaara-san, também gosta de decorar?

O Sabaku riu baixinho, seu olhar mudando para algo mais suave.

— Gosto, gosto muito — respondeu, com um tom doce.

— Sasuke não reclama? — Neji indagou, lembrando do moreno como alguém pouco ativo nas comemorações.

— Você acha que ele teria a coragem de me impedir? — Uma nova gargalhada, essa muito mais divertida do que as anteriores. — Ah… ele parece muito ranzinza né? — completa.

O Hyuuga pensou na devoção silenciosa do Uchiha e nas histórias que o próprio Itachi tinha contado da época do namoro dos dois, “é como dizem, Gaara é amado aos gritos” e riu junto ao ruivo.

— Um pouco — respondeu, abafando as risadas.

— Ele é o famoso: frio por fora e quente por dentro. — Gaara encarou a aliança com carinho, a ponta do dedo tocando no item dourado. — Mas penso que cada Uchiha tem uma forma diferente de demonstrar esse carinho incondicional, não acha?

Neji parou de observar as luzes para encarar as íris esverdeadas do amigo. — Está falando de Itachi?

— Meu cunhado é um pouco retraído, não me leve a mal — explicou, mexendo nos sachês de açúcar. — Só que eu percebo como ele cuida de você, de uma maneira muito diferente de como ele trataria Kisame ou Deidara, se eles estivessem aqui.

As palavras do Sabaku tiraram de Neji uma respiração. As bochechas ganharam um toque vermelho enquanto ele desviava o rosto mais uma vez. Seu olhar fugindo de revelar o quanto ansiava que fosse verdade.

— Gaara-san vê demais — murmurou, mordendo o lábio fortemente. — Itachi só é mais cuidadoso porque sabe que não gosto de estar perto de muitas pessoas e locais barulhentos.

— Você prefere ver dessa forma? — perguntou, mesmo sabendo que o Hyuuga se negava a aceitar sua opinião.

Neji não respondeu, ignorando a presença do ruivo até o par voltar. Alguns minutos depois, quando retornam, Sasuke foi o primeiro a notar o silêncio estranho na mesa, encarando o marido em busca de respostas, recebendo apenas um olhar resignado.

No fundo, porém, Sasuke já esperava esse resultado.

— Vamos dar uma volta pela praça — sugeriu, sua expressão neutra no processo. — Ainda temos tempo antes de escurecer de vez.

Itachi concordou ao lado. — Podemos tirar algumas fotos e enviar para a mamãe.

— Hum, ela vai gostar.

Sasuke logo pegou a mão do marido, guiando-o por entre as pessoas que entravam, acompanhado do irmão que fazia o mesmo com o parceiro. Quando saíram da cafeteria, o frio os envolveu de imediato. Neji puxou o cachecol para cima, cobrindo parcialmente o rosto para proteger a pele descoberta e antes que percebesse, Itachi ajustou-o com cuidado. O toque foi breve, mas o arrepio que percorreu sua espinha incendiou seu corpo, fazendo a ação parecer muito mais importante do que antes, ao passo em que ouvia as palavras de Gaara sussurrando em sua mente.

“Itachi… você…?”

A pergunta não foi concluída, pois outra parte dele se encolheu com a possibilidade de se machucar caso acreditasse no que foi dito pelo ruivo.

— Obrigado, Ita — murmurou, sorrindo por trás do cachecol vermelho.

Itachi assentiu, voltando a entrelaçar suas mãos.

— Se sentir mais frio, me diga — sussurrou ele.

— Ok. — Neji deixou-se ser guiado, aproveitando que o outro estava focado no caminho para que o rubor em seu rosto passasse despercebido pelo trio.

A praça era extensa, com um teatro no centro e vários restaurantes nas bordas, onde um caminho entre as árvores formava um pequeno corredor de luzes com festões se cruzando acima das cabeças, criando um arco improvisado e colorido. No centro exato, pendia um visco, discreto, mas quase impossível de ser ignorado no meio do verde–escuro.

Sasuke viu primeiro.

Gaara percebeu logo depois.

Mas nenhum dos dois disse nada.

Itachi observava a decoração, às vezes parando para tirar algumas fotos das partes que achava mais interessantes. Em outros instantes, capturava imagens com o grupo e enviava para sua mãe, deixando algumas para admirar em outro momento — como as imagens em que estavam de mãos dadas; nas que Neji sorria para um enfeite em formato de flor ou quando pararam para tirar uma só deles próximos a um local cheio de presentes.

Não houve necessidade de conversas durante o percurso. As luzes pendiam baixas, flutuando próximo deles em fios dourados, projetando sombras suaves no chão coberto pela neve pisada e folhas secas. O ar ali parecia diferente, mais silencioso, mesmo com crianças e outras famílias passeando em volta, era quase uma sensação de desaceleração naquele trecho. Deixando uma percepção de que o tempo não estava prestes a terminar.

Quando perceberam, estavam mais próximos do centro.

— Algumas tradições nunca morrem — comentou Gaara, quebrando o silêncio ao observar um casal alguns metros à frente, que tentava ajustar o celular para uma foto. — Mesmo quando ninguém lembra mais de onde elas vieram.

— São detalhes que fazem essa época ser tão… nostálgica — respondeu Sasuke, sorrindo para o outro.

— Me lembrou o tio Madara tentando se disfarçar de papai noel, mas aquele cabelo de rapunzel dele impediu a touca de ficar certa. — Itachi riu baixinho.

O comentário fez todos rirem com a imagem da cena, ao passo que Neji apenas sorria para acompanhar a alegria alheia. O foco de sua atenção eram os dedos que permaneciam entrelaçados aos de Itachi, e ele sentia, de vez em quando, o polegar do Uchiha roçar sua pele de maneira distraída, quase inconsciente. Aquilo fazia seu peito apertar de um jeito morno — bom, mas perigoso.

“Ele faz isso sem perceber ou…?” ele se perguntou internamente, não deixando que seus pensamentos transparecessem muito.

Itachi, por sua vez, estava atento a cada reação de Neji — e era justamente essa proximidade que o desarmava. O frio que roçava suas mãos não era capaz de afastar o calor que percorria seu corpo, mas mesmo assim, conteve-se, temendo que qualquer gesto mais claro rompesse o encanto daquele momento.

Foi quando Sasuke diminuiu o passo por um instante, ação que não chamou a atenção do restante, de início. Então ele apenas levantou o queixo, apontando de forma quase desinteressada para cima.

— Olha… ainda colocam viscos por aqui.

Neji ergueu o olhar por reflexo.

No centro exato do arco formado pelos festões, pendia um visco delicado seguido por outro mais à frente no caminho, onde um casal de idosos se beijava com felicidade boba. No entanto, aquele parecia mais recente, suas folhas verdes com um laço vermelho vivo se destacavam entre as luzes quentes, impossível de ser ignorado agora que havia sido notado.

O coração do Hyuuga falhou uma batida, ele conhecia aquela tradição.

“Só pode ser uma piada”, sussurrou para si mesmo, desacreditado que a pequena planta estava acima deles. Abruptamente, sentiu a mão de Itachi tensionar levemente na sua e, por um segundo, pensou que o Uchiha soltaria seus dedos — que daria um passo para o lado, e fingiria não entender o que significava aquele pequeno galho.

Mas Itachi não se afastou.

— É… — murmurou, os olhos escuros ainda presos ao pequeno ramo. — Dizem que traz sorte para o resto do ano.

Sasuke sorriu de canto, discretamente.

— Um beijo vale um mundo inteiro — sugeriu, erguendo a mão do marido e beijando-a suavemente. — Que tenhamos um Natal e um Ano Novo próspero, Gaara.

Suas palavras ecoaram no silêncio que se formou, não era constrangedor, apenas cheio demais. Ao mesmo tempo que Gaara se permitiu ser abraçado, recebeu um selinho breve nos lábios seguidos de risadas cheias de ternura.

Neji sentiu seu rosto aquecer, parte dele queria rir da situação, chamá-la de bobagem. A outra, porém, não conseguia ignorar a mão que segurava a sua com firmeza, do cuidado constante de Itachi — e as palavras de Gaara, insistentes, ecoando em sua mente.

“E se for verdade?”

“E se não for só cuidado?”

“E se… Itachi também quiser?”

As perguntas ecoavam na mente do perolado como um sussurro persistente.

O casal já tinha se separado e caminhando para mais longe, dando a privacidade que eles precisavam. Ao mesmo tempo que o visco pendia acima deles, balançando suavemente com a brisa gelada, luzes piscavam em um ritmo lento, transformando o cenário em algo mais íntimo.

Ele sentia a mão do moreno ainda entrelaçada à sua, firme o suficiente para não deixá-lo escapar e suave o bastante para permitir que se afastasse se quisesse. E todas essas percepções o faziam duvidar se deveria dar o braço a torcer.

Itachi desviou o olhar do pequeno ramo verde e pousou em Neji. O caos de seus pensamentos não transpareciam em seu rosto, mas seu coração pulsava com força contra suas costelas. “Eu deveria…?” Ele se perguntava, receoso. Outra voz, mais tranquila, falava que não havia pressa. Nem desespero por um beijo — apenas atenção.

— Neji… — chamou em voz baixa, como se temesse quebrar o silêncio que os envolvia. — É só uma tradição de Natal, não precisamos… fazer nada, okay?

O Hyuuga ergueu os olhos devagar, encontrando o olhar escuro do Uchiha. Aquela frase, simples e honesta, fez a brecha em sua defesa se expandir ainda mais. Não era uma tentativa boba de se aproveitar dele, nem uma tradição impondo nada. Havia apenas Itachi oferecendo uma escolha de algo.

— Eu sei — respondeu, seu olhar indo do visco para o moreno. — Sasuke só… quis implicar com a gente.

Por um instante, nenhum dos dois se moveu.

Itachi sabia que o irmão tinha se distanciado, que o comentário tinha um fundo de intenção, mas não comentou — Sasuke era desavergonhado demais para coisas que precisavam de tempo para acontecer. Ao mesmo tempo, Neji pensava em tudo o que poderia perder se interpretasse errado, como já tinha acontecido outras vezes. Pensou, também, em tudo o que já vinha ganhando sem nunca ter pedido — a presença, a constância, o cuidado, o carinho, a atenção, o silêncio sem eco.

Ele tinha tudo que uma pessoa apaixonada poderia querer de seu parceiro e, no fim, só faltava um detalhe pequeno para dizer que eram um par. Um que faltava coragem para se fazer presente.

“Se ele realmente me corresponde, então…”

Ele então respirou fundo, seu olhar fixado no rosto do Uchiha.

— Mas… — começou, apertando levemente os dedos do outro. — Eu gostaria… que nós tivéssemos uma boa sorte.

Itachi piscou, a surpresa durando apenas uma fração de segundo. Depois sorriu, pequeno, contido, como se tivesse esperado por aquilo sem jamais acreditar que ouviria tais palavras serem verbalizadas além dos seus sonhos mais secretos.

— Tem certeza? — perguntou, ainda querendo proteger aquele momento tanto quanto o próprio Neji.

Uma parte dele se aqueceu mais, o sorriso se iluminando em seu rosto.

— Tenho.

Itachi inspirou, o coração acelerado. Devagar, ergueu a outra mão, subindo pelo maxilar até encher a palma com a bochecha macia; sentindo o calor do rubor em sua pele. Suas mãos ainda estavam unidas enquanto ele se inclinava lentamente, dando tempo para qualquer recuo — porque ele jamais forçaria algo que Neji não quisesse, que não estivesse seguro. Mas não havia nenhuma distância. Neji prontamente deixou seu rosto ser erguido, as pérolas admirando o homem diante de si iluminado pelas luzes de Natal.

“Itachi…”, o nome voou em sua mente, firme e certo, como sempre esteve. E, no último instante, fechou os olhos, sentindo o toque suave dos lábios do Uchiha nos seus — doce, quase tímido. E, naquele segundo, tudo ao seu redor perdeu a importância, Neji sentiu apenas Itachi e Itachi sentia apenas Neji.

Um selinho.

Lábios que se tocaram para finalmente descobrir o começo de algo tão esperado. Paciente tanto quanto no começo. Respirações se misturando, dedos agarrados um no outro até o fim. E quando se afastaram, o mundo parecia um pouco diferente.

Neji abriu os olhos primeiro, encontrando o sorriso discreto de Itachi, um que raramente mostrava em público. O vermelho sutil nas orelhas, o brilho nos olhos negros. Acima deles o visco se balançava como vento e os flocos de neve grudavam em seus cabelos. O som retornava e as pessoas pareciam borrões de fundo. Era como acordar de um sonho.

— Espero que nossa boa sorte esteja… garantida — Neji murmurou, sentindo o rosto aquecer novamente.

Itachi acariciou a pele rosada. — Eu tenho certeza que será — sussurrou.

O Hyuuga riu baixo, o tom da voz cheia do mesmo carinho que o outro. — Bobo.

Alguns passos à frente, Sasuke desviou o olhar para outro lado, fingindo não ter visto nada, enquanto Gaara sorria abertamente, satisfeito.

— Acho que já podemos comemorar — comentou o ruivo, pegando um taiyaki recheado. — Mikoto-san ficará feliz.

— Não vamos nos intrometer mais, Gaara — disse, pagando o doce e levando o marido para mais longe do casal. — É capaz de Itachi me fuzilar depois.

— Mas Sas-

— Deixe como está, eles já fizeram um avanço, o resto é do tempo.

Dito isso, pegou o pequeno doce e colocou na boca do marido, calando-o pelo resto do caminho. Enquanto Itachi e Neji, alheios ao grande cupido Gaara sendo reprimido pelo marido, apreciavam o cenário com uma leveza muito mais suave, trocando olhares apaixonados e sorrisos tímidos ao fundo.

Fim…

Notas finais
Obrigado por ler ❣️
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!