Notas iniciais
Primeiramente, gostaria de me desculpar pela demora pra postar. É que eu comecei a trabalhar de dia e estudar a noite, e ficou realmente difícil escrever e postar e tal, tava tudo uma correria. Mas agora os horários estão melhores, então I'm back! kkkk Como uma forma de me redimir, pretendo postar 3 caps essa semana, e esse é o primeiro. Espero que gostem ^^

Enquanto via o pai colocando com tanta habilidade os pisos brancos no chão da cozinha, Percy se perguntava onde ele havia aprendido a fazer aquilo. Quer dizer, quando se é um deus e pode fazer as coisas acontecerem magicamente, por qual motivo você se preocuparia em aprender a colocar manualmente pisos?

— Filho, passa mais um pouco de cimento pra cá...

Ao passar o balde com o tal cimento, o garoto se questionou também se eles estavam fazendo isso (sendo pai e filho normais) certo. Era estranho ter Poseidon tão perto e agindo tão comumente com ele, e na maior parte do tempo Percy não sabia muito como proceder. Se o deus estava tão descontraído e tentando deixar o clima o mais leve possível, Percy também deveria agir assim? Ou deveria ser mais distante, mais na dele?

— Então – disse ele, tentando puxar assunto – Que tradição é essa de você com a mamãe?

— Ah, é algo que nós fazíamos quando... – Poseidon parou abruptamente, como se tivesse mudado de ideia no meio da frase – quando você ainda não tinha nascido e tal. Sempre reformávamos o antigo apartamento de vocês e o chalé de Montauk.

— Mas eu pensei que vocês só estiveram juntos por um verão e que você nunca tinha estado no nosso antigo apê. – disse o garoto, confuso – A mamãe falou uma vez algo sobre isso, eu acho...

— Então, não foi bem assim... a sua mãe te contava essa história porque ela não podia te falar como realmente aconteceu, pois havia o risco de você desconfiar de algo. – começou o deus, com muito cuidado, enquanto media uma área da cozinha com uma trena para ver de que forma poderia encaixar os pisos ali – Na verdade, a gente se conheceu quando ela era bem nova, e só fomos “namorar” vários anos depois. E aí ficamos juntos por... um tempo considerável.

— Como assim? Por quanto tempo? Quantos anos ela tinha? – Percy nesse momento virou uma metralhadora de perguntas, esquecendo completamente do cimento que estava preparando. Sempre tivera curiosidade para saber como seus pais haviam se conhecido.

— Calma, criança, uma pergunta de cada vez – disse Poseidon, com um riso meio nervoso. – Deixe-me ver... a primeira vez que vi sua mãe e fui apresentado a ela, Sally tinha cerca de 15 anos.

— Mas... – o menino estava completamente estupefato, essa história não fazia sentido – Mas quando eu nasci a mamãe tinha 20 anos, como...?

— Filho, essa é uma história realmente longa e complicada...

— Sério, pai, eu sempre quis saber como vocês se conheceram – insistiu Percy, usando seu olhar de foca bebê que teve seu peixe roubado por leões-marinhos valentões – Conta, vai, por favor.

A situação não estava tranquila e muito menos favorável ao nosso querido Poseidon. A história era, de fato, BEM longa e BEM complicada, e havia coisas que ele não poderia contar ao filho, pois envolviam um certo desrespeito a lei antigas da parte do próprio Poseidon, e se Zeus viesse a saber, isso poderia encrencá-lo ainda mais. Mas havia também o fato de que ele não conseguia negar nada ao Percy, isso era seu maior ponto fraco. Talvez por ele ser muito apegado ao semideus, talvez por Percy ser muito persuasivo, talvez pela carinha de foca bebê, o deus sabia que ia acabar contando.

— Certo, eu conto. Mas você tem que prometer que não ficará me julgando nem nada parecido depois.

— Ah, prometo, relaxa.

— Então, como eu tinha dito, me apresentaram a sua mãe quando ela era uma adolescente. Quem nos apresentou foi o tio dela, com quem ela morava, o Rich.

— Esse tio Rich não tinha morrido? De onde você conhecia ele?

— Na época, ele ainda era vivo. Era um homem incrível, Percy, queria que você tivesse conhecido ele. Veja bem: durante alguns anos no começo da década de 90, eu era um adolescente. Você sabe, nós, deuses, podemos mudar nossa aparência ao que melhor reflete nosso estado, e esses foram os anos da juventude. Jovens do mundo todo estavam se agitando e se afirmando perante a sociedade, e eu acompanhei isso como um garoto de cerca de 17 anos. Ia muito à praia de Montauk, e foi lá que conheci o tio Rich. Ele era um excelente pescador, e ficou louco quando conheceu um adolescente que também pescava.

— Imagino – disse Percy, rindo e voltando parcialmente ao cimento (que já estava endurecendo) enquanto ouvia a história.

— Rich e Sally iam todo verão pra Montauk, e ficavam no mesmo chalé que vocês ficam. Seu tio havia me encontrado durante uma pescaria, e como me disse que gostou muito de mim, marcou um final de semana para pescarmos juntos de novo. E, no dia marcado, ele apareceu com a Sally. Ele me apresentou a ela falando: “Olhe, Sally, aqui está um rapaz que vale a pena conhecer, diferentemente desses jovens de hoje em dia que só querem saber de farra”.

— Ual, realmente sutil.

— Pois é, esse era seu tio – riu Poseidon, ao se lembrar do homem que ele tanto respeitava. – Sua mãe era uma criança de tudo, pouco mais velha do que você agora, e ficou muito vermelha quando ele disse isso. Desde esse dia, nós nos tornamos amigos, ela era como uma irmã mais nova pra mim.

“Nos dois verões seguintes, ela e o Rich vieram para Montauk, e eu tive o cuidado de me encontrar com eles sempre com um ano a mais na aparência, pra eles não estranharem. No ano em que sua mãe ia completar 17 anos, quando estavam em Montauk, o tio Rich já aparentava fraqueza, e eu me lembro de no ultimo dia deles no chalé ele me chamar de canto enquanto sua mãe mexia na bolsa dela e falar: “Filho, meu tempo de pescaria está acabando, eu sinto isso, e tenho um pedido muito importante para te fazer: a Sally ainda é muito moça, não sabe nada da vida, e você é a única pessoa em quem eu confio para tomar conta dela. Eu sei que vocês só se encontram em Montauk, mas será que tem como você ficar um pouco mais próximo, caso ela precise de algo após eu partir, só até ela completar 18 anos? Não peço que você mude para NY nem nada do tipo, só... sabe, dê algum apoio a ela...”. “

— Pai, esse piso não vai caber aí – alertou Percy, interrompendo a história bem na hora legal – tem que cortar, acho. Mas vocês eram tão próximos assim?

– Certo, me passa o negócio para cortar – disse Poseido, rindo internamente da incapacidade do filho de se concentrar em só uma coisa. – Sim, nós éramos. Sempre que eles vinham nós ficávamos juntos, e eu e Sally éramos como unha e carne. Assim que eles voltaram para NY e ela completou 17 anos, o tio Rich faleceu. Eu havia deixado um número de telefone com ela, e ela me ligou chorando assim que recebeu a notícia. Fui na hora socorrê-la, e no funeral do seu tio havia apenas eu, ela e os funcionários da funerária.

— Nossa, que triste... – comentou o garoto, pegando um piso na caixa e indo na direção em que o pai estava – Posso colocar também? O cimento já tá todo feito.

— Pode sim, você faz assim, passa o cimento e coloca no chão assim – disse Poseidon, mostrando como se faz o trabalho pro garoto — E, pelo que eu conhecia do seu tio, ele preferiria assim mesmo. Era um homem peculiar, e tenho certeza que se importava mais com o reconhecimento sincero de duas pessoas que realmente o amavam do que com a presença de mil pessoas que sequer o conheciam.

— Ele parecia ser um cara bem legal – disse Percy, após pensar um pouco e encaixar seu primeiro piso da vida – Isso tá certo? É assim mesmo?

— Está sim, você fez direitinho.

— Show... mas e essas frestas, ficam assim mesmo? Não tem que por cimento aqui também?

— Isso é depois que colocarmos todos os pisos, aí passamos o rejunte, que é tipo uma massinha pra fechar essas frestas, pode continuar colocando sem se preocupar com isso.

— Certo – e continuou colocando por mais alguns minutos – E então você e mamãe começaram a namorar?

— Não, mas nos aproximamos mais depois disso. Na verdade, ficamos o ano seguinte nos vendo pouco, Sally começou a trabalhar ainda mais para conseguir se sustentar sozinha, e eu tinha meus compromissos também. Mas ela me ligava sempre pra conversarmos, e quando chegou o verão ela foi pra Montauk novamente. Lá nós começamos a ficar mais juntos, e começou a rolar um clima.

— Vocês são bem lentos, nossa – porque “Ousadia” é o segundo nome do Percy.

— De fato, demoramos três anos para começarmos a pensar em namorar, isso é praticamente um recorde pra mim. – riu Poseidon, enquanto se sentava num banquinho para descansar – Mas posso dizer em minha defesa que sua mãe era diferente das outras garotas com quem eu fiquei. Ela era minha melhor amiga, também, e eu tinha (e tenho ainda) um apreço por ela que não tem tamanho. Não queria estragar as coisas sendo um idiota, e também havia o juramento. Até aquele momento, eu tomava todo o cuidado de não me envolver, porque as coisas ficariam complicadas se eu não prestasse atenção.

— Entendi... – disse Percy, ficando um tanto fechado do nada. Essa coisa do juramento quebrado era um assunto que ele não gostava de se lembrar. “Você não devia ter nascido” era a frase de seu pai que mais ferira o semideus, mesmo ele sabendo que era verdade.

Poseidon percebeu essa mudança no filho, e se xingou mentalmente. Tudo estava correndo muito bem, parecia que o menino estava enfim aceitando melhor o pai, e lá vai ele estragar tudo de novo.

— Sobre o que vocês dois estão falando? – perguntou Sally, entrando na cozinha toda suja de tinta branca, seguida de perto de uma sorridente Annabeth – vocês só fizeram isso durante toda a manhã? Jura? Ah, nós vamos acabar com vocês!

— Quem você pensa que é pra pisar no nosso chão? Nem pense em botar os pés aí, criatura, o cimento ainda não secou! – reclamou Poseidon, repentinamente alerta.

— E, pra vocês saberem, nós já colocamos os pisos da lavanderia e dos banheiros, só falta mais esse aqui – disse Percy, colocando o ultimo piso que faltava para completar a cozinha de modo teatral – e pronto, menos um item da nossa lista. – disse, muito satisfeito consigo mesmo.

— Na verdade, menos três itens da nossa lista – riu Poseidon, adorando a cara de horror das meninas ao ouvirem suas palavras.

— Mas o que...? – e as duas correram pra lista de tarefas pregada na porta. Os itens “Colocar os pisos do banheiro”, “...da cozinha” e “...da lavanderia” se apagavam magicamente da parte dos meninos. Ao mesmo tempo, o item “Checar a fiação elétrica e etc” também se apagava da lista delas, enquanto uma Thalia extremamente animada aparecia por uma porta. O placar no final da lista indicava “Meninas 2 X 3 Meninos”.

— Ué, mas quando que eles fizeram três itens que eu não vi? – perguntou Thalia, se desanimando um pouco ao ver o placar – Ah, dane-se, só gostaria de acrescentar que o sistema elétrico desse apê está LINDO, uma obra-prima, vocês não podiam ter achado melhor profissional pra esse trabalho. Estarei essa tarde respondendo às perguntas e autografando fotos dos fãs mais entusiasmados.

— Pode relaxar, Thalia, só falta mais o quarto de hóspedes pra gente pintar pro item “Pintar os quartos” sumir, e vamos fazer isso logo depois do almoço. Garanto pra você que no fim do dia estaremos na frente deles – disse Annabeth, confiante.

— Veremos, mini Atena, veremos – desafiou Poseidon, que assistia tudo da porta da cozinha.

— Cara, onde está a comida e tal, já é hora do almoço, vocês tem certeza que querem que eu passe fome? Porque aqueles móveis pareciam realmente gostosos, eu fui muito forte de não cair na tentação, mas se eu não for alimentado logo... – reclamou Grover, aparecendo na sala, abatido.

— Ceeeerto, Grover, querido, nós vamos lá pro nosso antigo apartamento para comer, já que alguém – Sally olhou acusadoramente para Poseidon – não permite que a gente entre na cozinha daqui.

— Não vai entrar, nem adianta me olhar assim – disse Poseidon, firme, ao se dirigir à porta de saída – Bom, eu tenho que ver algumas pessoas, acertar umas coisas, encontro com vocês aqui uma da tarde, pode ser?

— Ah, tudo bem. Vamos também, meninos? – respondeu Sally, chamando os semideuses e o sátiro, que conversavam entre si sobre suas habilidades como ajudantes de pedreiro, carpinteiros, pintores e eletricistas. Em uma só manhã já haviam feito muitas coisas que nunca imaginaram fazer, e suas cabeças começavam a imaginar o que aquela tarde os reservaria.

Notas finais
Boatos de que comentar é uma atitude muito legal a se tomar, vamos aderir à essa moda e tornar o mundo melhor?