Notas iniciais
Ai, dessa vez m soltei e esse cap ficou um pouco maior kkk Lembram do que eu disse sobre pontos de vista? esse aqui fala mais sobre o Poseidon.. mas depois muda, então é tudo uma loucura mesmo haha Divirtam-se!

“De fato, eu deveria ter escrito alguma coisa mais explicativa naquela carta... Isso ia tornar tudo beeeem mais fácil agora.”

Pensamentos como esse habitavam a cabeça de Poseidon desde o dia anterior. Ele imaginava que grande parte da raiva de Percy vinha disso, da carta que mandara no ultimo verão contendo só uma palavra (qual é, queriam o que? Que ele escrevesse a Bíblia? Ele não era o deus da escrita).

Enquanto caminhava até o apartamento de Sally para encontrar os outros, no domingo de manhã, Poseidon revia todas as suas atitudes com o filho, tentando descobrir o que fizera de tão errado. Percy não via nem convivia com o pai desde muito pequeno, mas a maioria dos deuses sequer vê os filhos depois que nascem. Claro, o semideus não sabe e de preferencia nunca saberá disso, mas Poseidon quebrou algumas regras bem antigas e rígidas por ele.

Ao chegar ao apartamento, foi um nem um pouco solícito Percy quem atendeu à porta, o que tornou o clima entre eles bem mais pesado. Poseidon estava com dor de cabeça já de tanto pensar em alguma estratégia para melhorar isso, mas estava bem difícil. Pela cara pouco amigável do garoto, seria um longo dia.

— Bom dia, senhor. – disse Annabeth, que estava sentada no chão escrevendo num caderninho com canetas vermelhas e azuis – Acabamos de chegar do antigo apartamento também, a senh... A Sally está lá dentro do quarto dela junto com a Thalia e o Grover.

— Bom dia... Posso te chamar de Annie? Eu tenho um sério problema com dizer nomes inteiros, preguiça pura – disse Poseidon, com entusiasmo – E pode me chamar só de Poseidon, Netuno, até Yemanjá se quiser, embora esse seja meio ofensivo, mas tudo, menos senhor.

— Como quiser, senh... Poseidon. – riu Annie.

— Assim está melhor. E então, quais são as nossas tarefas para a semana? – perguntou o deus, tão animado que estava quase brilhando.

— Eu estou preparando isso agora mesmo – disse ela, apontando para o caderninho – Mas é surpresa, todos só vão ver depois que eu terminar.

— Mas pode ter certeza que ela tá deixando tudo mais difícil pra gente – enfim Percy se prounciou, fazendo Poseidon se assustar. Ele estava tão quieto que nem parecia que estava no recinto também.

— Ah, mas nós somos demais, vamos ganhar isso fácil – respondeu o pai, piscando para o filho na maior cumplicidade.

— Se você diz...

— Não sei, Poseidon, o seu filho pode ser bem lento para entender as coisas, então nós contamos com a vantagem da velocidade – cutucou Annie, só para deixar Percy bravo mesmo.

— E nós contamos com a vantagem de que mulheres simplesmente não estão programadas para tomar decisões sem antes passar por todas as opções três vezes – rebateu Poseidon, defendendo sua cria.

— E nós somos super fortes e musculosos... – completou Percy, defendendo sua raça.

— E bonitos... – disse Grover, que acabara de chegar à sala, acompanhado de Sally e Thalia.

— Que diferença faz a beleza aqui? – disse Thalia, revirando os olhos.

— Ah, vocês vão ficar distraídas diante de maravilhas da natureza masculina como nós. – sorriu Percy.

— Vai sonhando – rebateu a filha de Zeus – quem sabe se você pelo menos tivesse a mesma altura que a gente, né?

— Ah, mas Zeus é mais baixo que eu, então seguindo as lógicas da genética, Percy será mais alto que você... – comentou Poseidon, mais uma vez em defesa de seu filhote.

— Sempre há essa esperança, pai – disse Percy, melancólico – sempre há.

— Annie, querida, você já terminou a lista? – perguntou Sally, completamente alheia ao orgulho ferido dos homens.

— Só falta mais um item na lista e já estará pronto... Diz respeito ao quarto do Percy... – começou Annie – Eu coloquei como nossa tarefa pintar todas as paredes, mas não sei se você – ela apontou para o Percy – não vai querer arrumar seu próprio quarto.

— Por mim tanto faz, eu não ia fazer nada de especial mesmo... – disse o garoto, e nesse momento A Grande Ideia surgiu na mente de Poseidon. Santas algas, se esse plano desse certo...

— Deixa o quarto do Percy pra mim. – disse Poseidon, muito firme

– O que? – Percy e Grover olharam pra ele com cara de “Why, god, why?”.

— Eu tive uma ideia de algo para fazer lá, mas isso é coisa minha só. Deixa o quarto dele de fora da contagem de tarefas, aquilo lá é meu departamento.

— Você não vai inundar o quarto, né? – perguntou Percy, nervoso.

— Vou, não pode?

— Sei lá, acho que mamãe não ia gostar muito e tal...

— Não, não pode – disse Sally, confirmando as suspeitas de Percy.

— Droga, Sally, você é uma estraga-prazeres. – reclamou Poseidon, embora não parecesse nem um pouco decepcionado. Lembra-se do que eu disse sobre estar tão animado que quase brilha? Então, agora ele estava definitivamente brilhando.

— Então, — disse Annie, desviando o olhar, nervosa, da radiante luz que emanava do deus e se dirigindo à entrada do apartamento – a lista está pronta, vou colar agora nas costas da porta de entrada as tarefas de cada grupo. Assim que o grupo terminar uma tarefa, sendo as escritas em cor azul dos meninos e vermelho das meninas, essa tarefa se apagará magicamente da lista, truquezinho de uma amiga minha filha de Hécate.

— Desde quando você tem outras amigas além de mim? – perguntou Thalia, seriamente ofendida.

— Amiga, você é única e exclusiva, as outras são resto – brincou Percy, do jeito mais irritante possível.

— Amiga, você é única e exclusiva, as outras são resto – afirmou Annie, tentando limpar sua barra.

— Não, eu sou o único e exclusivo aqui porque eu tenho pés de bode e etc, vocês são resto – replicou Grover, como uma verdadeira diva faria.

— Eu só acho que sou mais do que suficiente para todo mundo aqui, ninguém precisa de mais amigos – disse Thalia, mostrando que é bem possessiva na vida.

— Relaxa, sobrinha, você é única e exclusiva. – disse Poseidon, recebendo logo depois O Olhar do Mal de Thalia – Credo, você faz igualzinho ao seu pai, ele também olha assim pra gente quando não gosta de algo.

— Sempre funciona, melhor tática.

— Vocês me dão medo – confessou Sally, que, durante o tempo em que eles discutiam, tinha lido a lista e ido até a cozinha fazer sei lá o que. – E nós estamos oficialmente na frente, meninas!

No momento em que ela disse isso, todos olharam pra lista. O item “Separar os materiais necessários para cada cômodo” estava se apagando magicamente. Embaixo das listas, apareceu um placar mágico que dizia “Meninas 1 X 0 Meninos”.

— Mas que? – gritou Poseidon, desesperado, enquanto as meninas comemoravam e se cumprimentavam com high five— Os materiais não estão cada um em seu cômodo, não entendi!

— Claro que não, eu deixei tudo na cozinha, separados em montinhos com uma plaquinha na frente indicando qual o cômodo correspondente – explicou Sally, triunfante.

— Isso não é justo!

— A vida tem dessas, querido, você já devia ter se acostumado.

Poseidon não respondeu o desaforo, pois estava ocupado demais lendo a lista e pensando no que fazer. Agora era uma questão de honra ganhar aquela disputa.

— Certo, meninos, reunir – disse ele, dando início à primeira reunião estratégica do Esquadrão da Testosterona. Eles se juntaram do mesmo jeito que faz um time de futebol americano antes de um jogo – Elas estão ganhando, — admitiu ele, pesaroso – mas nós vamos virar esse jogo! Grover, você sabe fazer quais itens da lista?

— Deixe-me ver... posso “Lixar/pintar/envernizar os móveis de madeira” ou pelo menos começar isso, acho que é um dos mais demorados da lista...

— Então você fica com esse, eu e Percy vamos fazer os outros itens e depois vamos te ajudar a terminar.

— Ok. Madeira antiga, aí vou eu! – gritou ele, suspeitamente feliz, se dirigindo ao quarto de hospedes, onde estavam a maioria dos móveis de madeira.

— Nem pense em comer nossos móveis! – gritou Percy.

Enquanto isso, as meninas também estavam se organizando. Sally e Annabeth estavam separando os pincéis e rolos para começarem a pintar o quarto de Sally, enquanto Thalia estava checando a fiação e as tomadas e lâmpadas do apartamento (como Percy e Poseidon tinham muita relação com água e Thalia tinha facilidade com energia elétrica, mesmo sem usar os poderes, Annie havia achado melhor deixar esse trabalho com ela).

— Certo, agora nós dois – começou Poseidon, se dirigindo à Percy – O que você acha de nós separarmos alguns itens grandes para trabalharmos juntos e durante a semana cada um faz outros itens menores separadamente?

— Pode ser.

— Então vamos ver... “Colocar carpete nos quartos e sala”, esse é melhor deixar para depois que todas as paredes e móveis estiverem prontos, senão suja tudo.

— Esse a gente deixa para fazermos juntos, então. E vamos “Colocar os pisos/azulejos do banheiro, cozinha e lavanderia” juntos também, mas agora.

— Boa ideia, eu vou pegar os pisos e você pega o cimento... (papos de homem sobre colocação de pisos)

E cada um dos nossos seis jogadores foi para um lado, fazer alguma coisa, correr contra o tempo. Exceto Percy, Poseidon, Annabeth e Sally, que estavam trabalhando em duplas.

*No quarto da Sally...*

— Oh, meus céus, de que cor a gente vai pintar esse quarto? – perguntou Sally à Annie, exasperada.

— Não sei, de que cor você gosta? – riu Annie – E não me diga azul. O quarto do Percy e provavelmente a casa toda já vão ser azuis, seu quarto tem que ser diferente...

— Ah, mas eu gosto de azul! – reclamou Sally, realmente sentida – é a nossa cor.

— Sim, mas é o SEU quarto, ele deve ter a SUA cor, certo?

Sally pensou, então. Pelo que se lembrava, nunca tinha tido uma cor favorita até começar a história do azul. Na verdade, ela tivera sim, mas isso foi há muito tempo. Antes de o Percy nascer, antes até de conhecer o Poseidon, sua cor favorita era verde. Ela não sabia por que, mas simplesmente amava o verde do mar. Esse foi um dos motivos de Poseidon ter chamado a sua atenção, o fato de ele ter nos olhos o resumo de suas cores favoritas. Mas verde agora, para ela, era a cor DELE, assim como azul é a cor do Percy. Se pessoas fossem resumidas em uma cor, essas seriam suas cores.

“Então qual é a minha cor?”, perguntou-se ela. E entristeceu-se ao pensar que ela não tinha cor alguma. Não era vermelho, nem laranja, nem amarelo. Nem roxo, nem verde, nem seu tão amado azul. Não era pink, nem ao menos preto ou cinza, nem marrom. Era uma pessoa sem cor, que se voltava apenas a admirar a cor dos que a rodeiam.

– Oh, meus deuses, por que você está chorando? – o desespero era nítido na voz de Annabeth.

— Porque acho que não tenho uma cor, Annie. – de fato, as lágrimas se acumulavam em seus olhos, que agora, devido à luz, exibiam íris cinzentas.

— Claro que você tem! – disse Annie, confusa.

— Não, não tenho! Quero dizer... Percy é azul, Poseidon é verde, Grover é marrom, Thalia é prata, você é marfim. Mas eu... eu não tenho cor, sou neutra, indiferente, vazia.

— Sally, por favor, venha comigo – disse Annie, levando a amiga (futura sogra) até o banheiro, onde havia um espelho no canto pronto pra ser instalado (lista dos meninos!) – Olhe aqui, e me diga qual é a cor dos seus olhos – perguntou enquanto segurava o espelho para Sally se ver.

— Querida, meus olhos, como eu, não tem cor – afirmou Sally, mirando as íris que agora haviam ficado cor de mel – Eles só refletem a luz predominante no meio.

— Não, Sally, olhe bem. – insistiu a menina – Seus olhos não tem SÓ uma cor. Eles tem TODAS as cores.

— O que você está querendo dizer com isso?

— Que você não sabe qual é a sua cor porque você não tem só uma, você tem todas. Tem momentos em que você é azul, verde, vermelho, rosa, preto, cinza, marrom... Você não é uma cor, você é a mistura delas.

— Já pensou em ser poetisa? Você é bem boa nisso...

— Foco, Sally – riu Annabeth

— Só pra descontrair – replicou ela – você quer dizer que eu sou branca?

— Sim, você é branco, a mistura de todas as cores, a representação da luz.

— Ah, querida... – e se abraçaram, e choraram, e voltaram pro quarto e pintaram-no de branco. E assim ficou, o quarto sendo a macro representação de uma tela ou uma página em branco, pronto para refletir todas as luzes, para se tornar todas as cores, para se dividir e se misturar em todos os tons e nuances possíveis.

Notas finais
Eu diria que sou vermelho escuro, bordô, mas meus amigos afirmam que sou roxo, vai entender kkkk e vcs, quais são suas cores? Comentem aí embaixo!