Notas iniciais
Este capítulo é narrado por Jenny.

Há dias eu estava com medo. Não um simples medo, aquele que te faz ficar acordada durante a noite, não aquele que te faz gargalhar quando te assustam, não aquele medo divertido ou infantil. O que eu sentia talvez fosse ainda mais do que medo. Medo de sair de casa, medo de andar na rua, medo de falar com as pessoas, se é que eram pessoas. O fato é: eu estava sendo perseguida há muitos dias e isso estava tirando meu sossego.



Moro em Columbus há alguns anos junto com meu pai, um cientista louco. Nossa casa era maluca e diferente de todas as outras. Nas janelas, portas, em tudo havia algo mecanizado com vários parafusos e mecanismos esquisitos, era engraçado. Naquela manhã, eu observava meu pai mexendo alguns pequenos frascos. Suas mãos e braços fortes manuseavam os utensílios com firmeza e rapidez. Seus cabelos escuros como os meus caiam de leve em seu rosto e seus óculos quadrados estavam levemente tortos. Não sabia o que ele fazia, mas era fascinante. Ele não me deixava mexer na internet ou utilizar o celular, o que me deixava entediada o dia inteiro sem nada para fazer.



– Pai?



– Sim, querida – ele respondeu sem tirar os olhos dos frascos de vidro.



– O que está acontecendo? – Perguntei depois de um tempo.



Ele deu uma pausa. Passou alguns segundos encarando o líquido vermelho no vidrinho como se fosse responder ou estivesse apenas procurando as palavras, mas desistiu e continuou o que estava fazendo.



– Como assim? – Ele perguntou.



– Ah, pai... Eu tenho sido perseguida por pessoas esquisitas com escamas e mais de dois braços. Recebi umas cartas de um tal Dillan dizendo que me ajudaria, não posso usar internet ou celular, não posso sair de casa sem ser atacada... Está acontecendo alguma coisa.



Ele olhou para baixo se lembrando de algo e balançou a cabeça.



– Filha...



– Não pai! Você tem que me dizer! Eu estou ficando louca! Nós morávamos em Miami e estava tudo bem, mas começamos a ser perseguidos e nos mudamos para cá. Eu perdi um amigo, sabia? Eu não queria tê-lo abandonado! E agora estou sendo atacada em cada esquina! Eu tenho que saber! – Não sei de onde me vieram essas palavras, mas elas precisavam ser ditas. Faz muito tempo desde que eu pergunto o que estava havendo, mas ele nunca explicava. E não vou nem comentar sobre o assunto “quem é minha mãe”.



Ele soltou os frascos e veio até mim.



– Olha... Eu queria mesmo te explicar isso, mas não sou a pessoa certa – seus olhos transmitiam tristeza.



– E quem é a pessoa certa? – Perguntei com a voz suave.



– Sabe esse Dillan? O que tem te mandado as cartas dizendo pra você algo sobre te salvar? – Balancei a cabeça em afirmação. – Então, ele é a pessoa certa, Jenny.



Há pouco menos que duas semanas, esse Dillan me mandava cartas se apresentando e dizendo que ficaria tudo bem, que eu seria resgatada e coisas do tipo. Eu não tinha idéia de quem ele era, mas meu pai parecia confiar nele, o que era suficiente para mim. A última carta que recebi, dizia que ele chegaria hoje.



Abracei meu pai e deixei que ele voltasse ao trabalho, então me dirigi a porta junto com Ross, meu cachorro.



Fiquei algum tempo ali observando tudo, pronta para qualquer ataque esquisito de novo. Ao longe, avistei alguma coisa. Era como algo voando. Instintivamente, peguei um bastão ao lado da porta e fiquei segurando enquanto aquilo se aproximava.



Cerrei os olhos na esperança de ver melhor. Era diferente de todas as loucuras que tinha visto durante esses meses. Era maior, era mais bonito, era quase brilhante. Um Pégasus. Suas asas grandiosas batiam contra o vento se aproximando de casa. Não hesitei, fiquei a sua espera. Chegando mais perto, vi que haviam duas pessoas montadas no Pégasus.



Eles pousaram na frente da minha casa (ainda bem que moro longe do centro). Um homem alto e bronzeado, cabelos loiros e olhos castanhos desceu das costas do garanhão. Ele poderia ser razoavelmente bonito se não fossem pelas pernas de bode, mas depois de tanto tempo vendo criaturas inimagináveis, eu não estava tão surpresa. Atrás dele, um menino mais baixo, cabelos castanho-claros e olhos azuis.



– Oi! Eu sou Dillan. – O das pernas de bode falou.



Não respondi.



– Desculpe chegar assim... Bem, eu sou o homem das cartas... Este aqui é Henrie. – Dillan continuou.



Henrie? Esse garoto me era familiar. Eu o conhecia... Henrie continuou a alguns passos atrás de Dillan e parecia me analisar, como se também me conhecesse. Mas espere... Henrie? Era ele! Nossa, como cresceu... Henrie é o garoto, meu velho amigo de Miami. Eu esperava nunca mais encontrá-lo, mas ali estava ele e aqui estou eu e nós estávamos ali, juntos novamente. O que ele tinha com toda essa história esquisita?



– Podemos entrar? – Dillan perguntou depois de algum tempo.



Olhei para meu pai e ele afirmou, então com um gesto, os convidei para entrar.



Nos sentamos na sala e Dillan começou a contar uma história sobre magia, deuses gregos e semideuses. Era tudo muito irreal. Mas o pior de tudo isso, era que Dillan afirmava que eu era semideusa. Aquela história não era assim tão inacreditável, se fosse comparada com os monstros que eu encontrei.



– Então eu sou uma semideusa, minha mãe é uma deusa do olimpo e aquelas coisas que me perseguiam eram monstros que não morrem nunca? – Perguntei para ter certeza que estava entendendo tudo de uma vez.



– Não é que eles não morrem. Eles podem ser mortos, mas não morrem – Dillan esclareceu. Sim, de certa forma, aquilo fazia muito sentido.



– Preciso levá-los ao acampamento. Acampamento Meio-Sangue é onde vocês vão morar a partir de hoje, lá vocês serão acolhidos e estarão em segurança.



Henrie escutava tudo com muita atenção e assim que Dillan terminou, ele voltou a me analisar, dizendo por fim.



– Eu... Eu conheço você.



Notas finais
Oi gente! Essa é a minha segunda fic, estou escrevendo junto com o BlueDemiGod, espero que vocês gostem e comentem pra gente saber como está indo, ok? Obrigada :)