Traídos Pelo Desejo.
22 Final
Notas iniciais
Cap.22 – Epílogo.
A campainha tocou e Jasper correu para atender na esperança de que sua esposa tivesse criado juízo e voltado para casa, mas quem estava à porta era sua irmã e o marido. Ao vê-la puxou-a para si abraçando-a fortemente.
—Ai, Jazz assim você me machuca...
—Desculpe. É que eu estava com saudades.
—Eu também.
—Como vai Jasper? Disse Edward estendendo sua mão para o cunhado.
—Bem. Estou feliz em ver vocês dois.
—Temos mais uma coisinha para lhe contar...
—Coisa boa eu espero.
—Sim. Bella está esperando um filho meu. Em breve você será tio.
O olhar de Jasper foi de um ao outro emocionado.
—Eu já sabia. Ela me contou mais cedo... Minha irmãzinha vai ter um bebê...
—Sim. Só não sabemos exatamente com quanto tempo ela está. Vamos marcar uma consulta com o ginecologista ainda hoje.
—Está sozinho? Bella indagou enquanto Jasper convidava-os para entrar.
—Sim.
—Alice ainda não voltou?! Puxa desta vez a coisa deve ter sido feia realmente... Jasper revirou os olhos contando até vinte mentalmente.
—A Alice... Ela acha que eu estava tendo um caso com a Lauren, mas isso não é verdade! Terminei tudo com ela assim que descobri que a Alice estava grávida!
—Mas você não tem facilitado as coisas para ela Jazz.
—Mulheres! Juro que jamais vou conseguir entendê-las... Edward ouvia a tudo calado sem querer intrometer-se. Sua opinião não fora pedida e aquela era uma conversa entre irmãos. Depois de uma hora e vários conselhos, Bella e Edward saíram deixando um Jasper pensativo e taciturno para trás. Bella esperava ansiosamente que daquela vez seu irmão desse o braço a torcer e corresse atrás de sua melhor amiga, convencendo-a a voltar para casa. Eles então se dirigiram para a casa de Bella, onde ligaram para o médico agendando uma consulta para o dia seguinte à tarde. Edward sabia que havia encontrado sua alma gêmea e que dali em diante tudo seria diferente, afinal de contas eles estariam juntos para resolverem os problemas e enfrentarem as adversidades da vida. Era o início de uma nova vida para ela e para Isabella.
—--
No outro dia Jasper voltou e se acomodou a uma das mesas. De esguelha, observava Alice servir os outros fregueses. O café estava mais movimentado que nunca e ele então deduziu que a notícia de seu confronto com a esposa devia ter se espalhado como um rastilho de pólvora atraindo todos os curiosos e bisbilhoteiros. Nada como um show grátis para atrair as pessoas, pensou suspirando contrariado.
A Queria de volta. Queria vê-la perambular com seu andar saltitante pela casa toda fazendo mil e uma coisas para torná-la mais habitável e acolhedora. Queria voltar a vê-la sorrir, aquecê-lo com seu calor nas noites frias. Precisava ouvi-la dizer que o amava e que preferia estar com ele a qualquer outro lugar do mundo. Mas a verdade o atingiu como um soco no estômago: O que Alice queria hoje era se distanciar dele, concluiu engolindo em seco.
Recordando tudo o que lhe havia dito sentiu um aperto do coração. Com certeza Alice também recordava de cada palavra. Ela bem lhe avisara que se arrependeria do que estava dizendo, mas a raiva no calor do momento o impedira de raciocinar. Ela poderia ter saído de Forks e ido para alguma outra cidade, mas para ter ficado era porque gostava de viver ali tanto quanto ele. Alguns minutos depois, ela voltou com a cafeteira para servir-lhe um café, enchendo sua xícara. Ela a fitou carinhoso.
—Obrigado.
—Não tem de quê. Aceita uma torta de morango? Ela sabia exatamente do que ele gostava.
—Sim, obrigado, disse agradecendo achando uma boa desculpa para demorar-se na lanchonete um pouco mais. Tinha uma pilha de coisas para resolver no escritório, mas nada era mais importante que a sua mulher e o seu filho. Comeu toda a fatia de torta esperando que ela se aproximasse novamente. Quando isso aconteceu Alice abriu um largo sorriso e foi falando:
—Bella e Edward estiveram aqui ontem à noite. Estou muito feliz por eles.
—Eu também. As crianças nascerão próximas uma da doutra e poderão crescer juntas.
—É verdade. Vai ser bom para eles ter esse companheirismo, falou recolhendo o prato de sobremesa vazio, virando-se para sair.
—Espere!Ele pediu. -Sente um pouco e descanse. Você está de pé desde que cheguei aqui e já faz... Consultou o relógio. -Duas horas.
—A manhã está bem movimentada. Você não para de cuidar do escritório só para descansar, não é? Jasper não pôde deixar de rir daquela comparação.
—Sente-se um pouco. Não vou brigar com você.
—Tudo bem, ela murmurou e se acomodou na cadeira em frente a ele. Cansada, esticou as pernas para apoiá-las na cadeira vaga ao lado do marido, porém ele as segurou pousando-as em seus joelhos, massageando-as com habilidade. Alice se retraiu e tentou puxá-las, mas ele a impediu.
—Relaxe. Não acha que está passando muito tempo de pé? Ela deu de ombros.
—Não mais do que passaria na sua casa. Estou me sentindo bem. Gravidez não é doença.
—Nossa casa, corrigiu enquanto ela fechava os olhos deliciando-se com a massagem que ele fazia nas pernas cansadas. Jasper respirou fundo e tomou coragem para falar em alto e bom som:
—Quero que volte para casa comigo.
—Minha resposta é a mesma: dê-me um bom motivo para voltar e poderei considerar a proposta.
—O meu argumento também é o mesmo: você está esperando um filho meu, que merece crescer junto do pai.
—Não levei o bebê para longe daqui. Nem sequer para longe da cidade. Ele terá você e acesso a tudo, mas, não é preciso que eu também more lá.
—Srta. Alice eu gostaria de mais um café, pediu um dos fregueses. Imediatamente ela encolheu as pernas, levantou-se e foi servi-lo, toda sorridente. Jasper frustrado acabou desistindo e saiu para o escritório. Trabalhou o dia inteiro mecanicamente, mas ao voltar para casa rolou insone, a noite toda, pensando nos seios de Alice sentindo falta daquelas pernas perfeitas enlaçadas em sua cintura, do movimento sensual de seus quadris... Droga! Aquilo o estava matando aos poucos. Tinha de encontrar um jeito de fazê-la voltar.
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No consultório médico...
—Estão ouvindo o coraçãozinho? O Dr. Marcus Perguntou.
—Sim, disse Bella emocionada.
—Bate tão rápido... Isso é normal?
—Sim, respondeu o médico sorrindo complacente. Estava acostumado com pais de primeira viagem. –Você está aproximadamente com oito semanas de gestação, Bella, mas eu vou solicitar todos os exames para ter certeza. Desejam saber o sexo?
—Sim. Quero fazer o quarto de acordo com o sexo do bebê, ela respondeu contente.
—O que você prefere amor?
—Tanto faz. Só quero que tenha saúde.
—Eu também. Os dois se entreolharam com uma cumplicidade mútua e um amor imenso. O coração de Bella se aqueceu assim como a sua pele. Sempre seria assim com Edward e ela.
Depois de mais alguns minutos Bella ergueu-se da maca e caminhou até o banheiro indo trocar sua roupa. Edward continuou esperando-a enquanto tirava algumas dúvidas com o ginecologista. O restante do dia passou rapidamente.
—--
Ao entrar no café no dia seguinte Jasper foi alvo de todos os olhares dos que ali estavam, o que o deixava totalmente constrangido, afinal, não era nenhum marginal para que as pessoas o fitassem daquela maneira. Nesta manhã Jacob e Jéssika Stanley também haviam escolhido tomar o café da manhã ali. Revirou os olhos resmungando baixinho sobre a vida e as fofocas numa cidade pequena. Ele acomodou-se em um das mesas do canto esperando que ela se aproximasse, observando o ambiente à sua volta.
—O que vai querer?
—Café e um pedaço de torta.
—Tem de coco. Pode ser?
—Sim.
Alice afastou-se em seguida para buscar o pedido. Quando retornou...
—Como está se sentindo hoje?
—Muito bem. Aliás, é a primeira pergunta que todos me fazem assim que me vêem. Ficar grávida é uma coisa muito comum, mas parece até que as pessoas daqui nunca viram uma moça esperando bebê.
—Como o bebê é meu, acho que tenho o direito de ficar preocupado.
Esticando um braço, segurou-lhe a mão esquerda e acariciou-lhe os dedos finos. Ela continuava usando a aliança e ele, também. Era o único adorno que jamais usara, mas gostava do contraste da aliança fina em seu dedo grosso e bronzeado. Calado, girou a aliança dela várias vezes e pediu:
—Venha para casa comigo. Sempre o mesmo pedido, e a mesma resposta.
—Eu disse e repito Jasper: Dê-me um bom motivo para voltar.
—Volte porque me ama, suplicou apertando-lhe os dedos com força para reforçar sua afirmação. Alice deu um sorriso triste.
—Eu sempre te amei, desde os tempos do colégio; isso não é novidade. Se meu amor não foi suficiente por que eu deveria voltar? Você disse com todas as letras que não me quer. Ela o fitava com aqueles exóticos olhos castanho amarelados e Jasper sentiu uma enorme dor no peito ao perceber que sua tática mais uma vez não funcionaria. Nenhum argumento iria convencê-la a voltar. Há dias vivia alimentando esperanças de que Alice cansasse daquele joguinho e acabasse voltando, mas a possibilidade parecia cada vez mais remota.
“Oh, Deus, será que arruinei o que de melhor já me aconteceu?”, Pensou consigo mesmo.
Ele se levantou e deixou umas notas na mesa, mas Alice recolheu-as e as devolveu.
—Pode deixar que eu pago. Jasper então a fitou com olhos brilhantes de desejo e não se conteve: enlaçando-a pela cintura, beijou-lhe a boca com paixão. Surpresa com o súbito e inesperado contato Alice arregalou os olhos e em seguida fechou-os, deliciando-se com o beijo. Ele obrigou-a a arquear as costas sobre seu braço e aprofundou o beijo, comprimindo-lhe os lábios com mais pressão ao mesmo tempo em que insinuava a língua no vão macio entre eles. Ela não ofereceu resistência e os separou para recebê-lo. Ambos se conheciam bem, sabiam das preferências um do outro e o beijo agradou aos dois. Alice gemeu baixinho e também introduziu a língua na boca do esposo do modo como sabia que ele gostava.
Se estivessem sozinhos com certeza teriam terminado na cama fazendo amor. Era sempre assim quando se aproximavam. O café mergulhou num silêncio total enquanto os fregueses assistiam à cena, embevecidos. A briga entre Jasper Whitlock e a esposa era a maior atração da pacata Forks nos últimos tempos. Até mesmo a vitória de Edward sobre Bella no tribunal havia ficado para trás.
—Humpf!
Jasper ergueu a cabeça e viu Rose diante da porta da cozinha com ares de quem viera proteger sua Amiga e garçonete.
—Vejo que estão se entendendo. Se for voltar para casa e me deixar na mão Alice, por favor, avise-me com antecedência. Ainda recuperando-se do beijo devastador, Alice empertigou-se afastando do marido e olhou diretamente para sua amiga: — Não vou a lugar nenhum, Rose.
—Ok, assim está bem, respondeu desaparecendo cozinha adentro.
Alguns dias depois...
Jasper entrou na lanchonete atraindo todos os olhares curiosos sobre si, detendo-se no meio do saguão. O movimento continuava grande, provavelmente por causa da presença de Alice que servia as mesas sempre com um sorriso e muita simpatia. Como sempre, todos se calaram ao vê-lo entrar. Sua esposa estava atrás do balcão enxugando umas louças enquanto conversava com Claire, assistente de sua irmã no escritório. Ao vê-lo se aproximar, fixou o olhar em Jasper e deteve-se.
—Como está se sentindo? — perguntou num tom baixo, porém íntimo, que fez muitas garotas ali suspirarem.
—Péssima. Levantei me sentindo muito mal. Mas já melhorei um pouco.
—Venha para casa e eu cuidarei de você. Alice o fitou fixamente e tornou a insistir:
—Dê-me um bom motivo para voltar. Jasper então encheu os pulmões e diante de uma pequena multidão declarou:
—Volte porque eu te amo e fui um idiota para perceber isso antes. Alice piscou emocionada; as lágrimas descendo livremente por sua face de fada. E antes que ele pudesse se aproximar, ela contornou o balcão e, deixando de lado o pano de pratos, atirou-se em seus braços.
—Já não era sem tempo! Os dois beijaram-se longamente enquanto os fregueses aplaudiam entusiasmados. Rose apareceu sorrindo amplamente. Ela já havia contratado outra garota para ajudar. Uma das moças que morava na reserva. Sabia que a briga entre o casal seria resolvida muito em breve e estava realmente muito feliz com a reconciliação dos dois.
Oito meses depois...
—Ele está cada dia mais lindo, Allie, disse Bella com uma enorme barriga fitando o sobrinho agora com sete meses. Charlie Swan Segundo havia nascido prematuro e assustado a todos, mas graças a Deus desenvolvia-se bem e era uma criança bastante saudável.
—Obrigada. E quanto a você?!
—Nós duas estamos bem, respondeu acariciando o ventre enorme. Ela daria a luz a uma menina. Nesse exato momento Edward entrou no quarto.
—Oi Alice.
—Oi Edward.
—Por acaso você viu minha linda esposa por aqui?
—Hum... É uma moça de cabelos longos e compridos e olhos com de chocolate que parece que engoliu uma melancia inteira?
—Excelente descrição! Bella sorriu dando-lhe um beliscão e os dois se abraçaram sorrindo. Alice então pegou o bebê nos braços e saiu deixando o casal a sós.
—Está tudo bem carinho?
—Sim. E na promotoria?
—O mesmo caos de sempre.
—Ou seja, Edward Cullen dará conta de tudo, retrucou rindo.
—Você me conhece bem, respondeu fitando absorto a paisagem pela janela. Bella então disse com a voz pausada.
—Acho que a nossa filha não quer mais esperar... Assustado ele olhou para a esposa em pânico, os olhos verdes arregalados.
—Tem certeza?
—Sim. Leve-me para o hospital agora!
—Meu Deus! Exclamou pálido. Pouco depois começou o corre-corre. Jasper chegou a casa cinco minutos depois e também entrou em pânico.
—Calma vocês dois! Nós ainda temos tempo.
—Não pretendo correr nenhum risco! Esbravejou Jasper.
—O filho é meu Jasper! Gritou Edward.
—E a irmã é minha!
—Homens! Com essa discussão a única coisa que você vão conseguir é deixar a Bella mais nervosa! Ralhou Alice rolando os olhos entregando o pequeno Charlie para uma Emily sorridente, preparando-se para acompanhar sua cunhada e melhor amiga. Jamais a deixaria ir sozinha com aqueles dois malucos que se olhavam enfezados. Instantes depois o carro saía a toda velocidade com os dois ainda discutindo por bobagens enquanto as duas esposas riam baixinho e discretamente no banco de trás do veículo. Assim que chegaram Bella foi colocada numa cadeira de rodas e encaminhada ao bloco cirúrgico. Ela faria uma cesariana porque as últimas ultrassonografias mostraram que a criança estava sentada. Algumas horas depois Bella deu a luz a uma menina gorda, alva, saudável e de cabelos acobreados como os do pai. A emoção tomou conta de todos ali. Renesme Marie Cullen nasceu esbanjando saúde e era um presente de Deus. Agora sim todos viveriam felizes para sempre.
FIM.
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