Traídos Pelo Desejo.
21 Bônus
Notas iniciais
Capítulo 21 – Bônus
Alice estava com seu coração sangrando, mas disposta a cumprir seu intuito de fazê-lo pagar por tudo o que a fizera sofrer. Ela sabia que o marido iria encontrar com Lauren hoje e até o momento não parecia empenhado em fazer o casamento dar certo. Sempre era a vontade dele que prevalecia e ela não suportaria mais tal atitude. Se Jasper até agora não aprendera por bem, aprenderia por mal. Muito em breve ele levaria uma boa e inesquecível lição. Decidida deu uma última olhada na casa que fora seu lar nos últimos meses, pegou a valise com uma das mãos, a chave do seu carro com a outra e saiu sem olhar para trás. Não ia mesmo muito longe e logo ele a encontraria. Dentro de poucos dias, com certeza. Então, quando a encontrasse teriam uma conversa definitiva. Se tudo desse certo estaria de volta à Mansão Swan antes da próxima consulta ao médico, mas se não o seu plano falhasse pediria a Jasper que a levasse a Port Angeles para a próxima consulta. Seu intuito não era abandoná-lo e muito menos afastá-lo do filho.
Havia um quarto no andar superior a boutique da Rose que estava para alugar e a loira agora estava abrindo um café ao lado da loja de roupas o que serviria perfeitamente já que não havia ninguém em Forks que precisasse usá-lo. Alice foi até lá e estacionou diante do café, num lugar bem visível, já que não pretendia esconder-se do marido nem de ninguém e como as notícias ali na cidade não corriam, elas voavam logo mais todos saberiam que ela estaria morando e trabalhando no centro.
Ao entrar, não viu ninguém atrás do balcão.
—Rose? Há alguém aí?
—Já estou indo! Era a voz de Rose vindo da cozinha. Instantes depois, ela surgia na porta. –Oi Alice Bom dia! Quer só café ou algo para comer?
—Bom dia. Não quero comer. Eu quero alugar o quarto do andar superior. Rose franziu o nariz, preocupada, fitando o ventre crescido da amiga.
—O que houve? Algum problema?
—Preciso de um lugar para ficar.
Os olhos da Loira arregalaram-se em choque.
—Mas e o Jasper?! Vocês terminaram?! Meu Deus Alice... Alice deu um sorriso triste enquanto acariciava o ventre no local onde o bebê remexia-se inquieto.
—Não Rose, mas o meu marido teimoso precisa muito levar uma lição. Foi a vez de Rose dar um amplo sorriso
—Nunca conheci um homem que não fosse teimoso.
—Pois é...
—Ele sabe que veio para cá?
—Não, mas logo vai saber. Não estou tentando me esconder. Deixei o meu aqui carro na frente para que ele me encontre facilmente. Acho que ainda hoje o Jasper vai entrar bufando por aquela porta, cuspindo fogo pelo nariz, mas eu não volto enquanto ele não aprender uma lição.
—Qual?
—Primeiro: que eu não sou um brinquedo. Sou uma mulher e tenho sentimentos. Segundo: que em um casamento tem que haver diálogo, respeito e confiança mútua. Estou farta de pagar pelos erros que não cometi.
—O quarto é seu, Alice. Sempre gostei de mulheres fortes. Assim como eu. Imagine que o Emmett só faltou ter um ataque quando falei que além da loja iria abrir este café. Ele acha que porque estou grávida sou feita de açúcar e posso me quebrar inteira. E nós nem estamos casados ainda...
—Homens!
—Acho que todos são iguais só mudam de endereço, completou simpática. -Como estou começando agora vou precisar de toda ajuda possível. Você prefere cozinhar ou servir as pessoas?
Alice pensou bem e sugeriu:
—Tenho prática de cozinha, mas ultimamente me canso rápido demais, porém posso servir as mesas. Nunca trabalhei nisso, mas sei que posso me virar.
—Então seja bem vinda amiga, falou estendendo a mão para sua mais nova funcionária e inquilina. -Você está bem de saúde? Não quero vê-la o dia todo de pé, servindo mesas se correr o risco de perder o bebê.
—Não se preocupe, eu estou ótima, fui ao médico na semana passada e ele disse que tanto eu como o bebê estamos bastante saudáveis.
—Então, o emprego é seu. Venha, vou lhe mostrar o quarto. Não é grande coisa, mas é bem quentinho e aconchegante. E tem banheiro privativo.
—Ótimo. As duas subiram as escadas. O quarto era limpo e arrumado. Havia uma cama, um sofá de dois lugares, uma mesinha quadrada com duas cadeiras e, junto, um o banheiro de azulejos azuis e brancos, recém reformado.
—E então o que acha?
—É perfeito Rose. Muito Obrigada.
—Não tem de que. Vou sair para que você se acomode. Estou lá embaixo na cozinha lhe esperando.
—Ok, obrigada. Desço em alguns minutos. Depois de pendurar as roupas e guardar seus pertences no guarda roupas embutido, Alice calçou uma confortável sapatilha de couro, desceu para o café, pôs um avental e assumiu seu posto de nova garçonete.
—--
Ao voltar para casa aquela noite Jasper estava cansado, irritado, preocupado com sua irmã e morto de fome. A conversa com Lauren fora desgastante. Ele deixara claro que não estava mais interessado nela, que agora era um homem casado e que muito em breve seria pai de família. Ela gritara, chorara e o ameaçara. Mas fora na hora em que ela abrira a boca e ameaçara Alice e o seu filho que ele ficara fora de si. Tinha chutado e quebrado diversos objetos no restaurante da periferia e é lógico dado um polpudo cheque ao proprietário para que cobrisse todos os prejuízos. Jasper tornara-se violento e ameaçador a tal ponto que Lauren tivera medo. E ele viu o medo estampado nos olhos castanhos escuros dela. Ordenou em alto e bom som que ela sumisse da cidade e que nunca mais falasse com ele naquele tom ou se arrependeria para o resto de sua vida. Ela assim que pode saiu correndo do bar e entrou no carro acelerando ao máximo. As pessoas presentes o conheciam o suficiente para esquecerem tudo o que tinham visto e presenciado. Depois disso ele comeu qualquer coisa e foi para o escritório onde teria que enfrentar três reuniões maçantes, mas necessárias. E assim o seu dia passou rapidamente.
Jazz levou um duro golpe ao ver que sua casa estava toda escura e que o carro de sua mulher havia sumido. Engoliu em seco. Um medo sombrio o dominou. Deus...Será que havia acontecido alguma coisa?! Era como se alguém tivesse lhe dado um murro no peito, roubando-lhe o ar. Num misto de medo, insegurança e dor fitou as janelas escuras, o terreno, o jardim, a garagem e correu os dedos pelos cabelos. Fechou os olhos, desolado com a constatação de que Algo ali estava muito errado. Tirou o celular do bolso e discou. Caixa postal. Merda! Correu a mão por entre seus cabelos loiros cacheados, frustrado e caminhou a passos firmes em direção à porta da frente. Forçou-se a entrar na casa, mas seus pés pareciam resistir por vontade própria. Não havia aquele cheirinho bom de comida sendo preparada e o único ruído ali era o da geladeira nova na cozinha. Apesar de tudo, ele agarrava-se a uma esperança absurda de que Alice tivesse precisado sair por algum motivo e houvesse deixado um bilhete sobre a mesa da cozinha.
Ansioso, olhou em todos os cômodos, mas não encontrou nada. Nem sinal dela. No quarto principal, o quarto que ambos dividiam desde a noite do casamento encontrou as gavetas da cômoda vazias e nenhum pertence dela no armário do banheiro. Fechou os olhos, aturdido e incrédulo. Alice havia ido embora... Aquilo foi um tremendo choque. E o pior de tudo; ela levara consigo o seu bebê.
—Droga! Maldição!
Era uma traição dez vezes maior e mais grave do que qualquer outra coisa que já lhe tinha acontecido na vida. Justo agora que ele estava decidido a ceder mais, a dar ouvidos ao que ela lhe falava, agir de forma menos impulsiva, escutar o que ela dizia... Já pensando em termos dos próximos anos futuros e não apenas de alguns meses. Inferno! Ela agira de propósito! Só podia ter sido de propósito. Inclusive a gravidez tinha sido proposital!
Durante os últimos meses ela cuidara da casa com a ajuda de Emily, cuidara dele, cozinhara, lavara as roupas, organizara tudo em seu escritório no andar de baixo, até pintara o quarto que seria do bebê. Então, de repente, apunhalava-o pelas costas. Era um pesadelo... Um maldito e fodido pesadelo. E pela segunda vez. Na primeira foi na morte dos seus pais. Vira-se sozinho, com medo, inseguro e com uma irmã adolescente e rebelde para criar e agora o mesmo medo e a mesma sensação desagradável de abandono o tomava por completo. Pela segunda vez.
Apesar da dor e do desespero, foi em todos os cômodos da casa de um por um. Era como se precisasse de mais provas ainda para poder acreditar que Alice havia realmente partido. Como um cão que, não achando o dono, farejasse toda a casa a sua procura. Nada.
Desceu até a lavanderia e encontrou a fileira de cabides intactos com as suas blusas de seda, os tailleurs de linho, calças justas e outras peças de roupa que ela não estava usando no momento devido à gravidez. Ao mexer nas roupas o movimento trouxe até ele o cheirinho do perfume dela, impregnado nas peças e Jasper começou a suar frio.
Confuso, desceu para a sala, onde viu todos os livros dela nos mesmos lugares, as fotos do casamento nos porta retratos espalhados sobre alguns móveis e sua esteira de ginástica. Ela partira, mas deixara muitas coisas para trás, o que significava que pretendia voltar. Talvez voltasse durante o dia, achando que ele estivesse fora, e então pudesse levar o resto de seus pertences embora.
Sentou no sofá arrasado, destroçado, sua mente confusa, seus pensamentos embaralhando-se num turbilhão. O que faria?! Iria procurá-la sem dúvida, mas por onde começar?! Seu estômago roncou e ele caminhou até a cozinha. De barriga cheia pensaria melhor no que fazer. Encontrou dois sanduíches do dia anterior na geladeira e engoliu. Em seguida foi até a adega e pegou uma garrafa de uísque cara e antiga. Faria algo que há tempos não fazia; nem mesmo quando os pais faleceram. Iria tomar um porre homérico! Só assim conseguiria dormir sem sentir o corpo macio da sua mulher ao seu lado.
Na manhã seguinte Jasper acordou péssimo. Sua cabeça doía, o estômago ardia como se tivesse bebido ácido puro. Ainda assim conseguiu levantar-se e arrastar-se até o banheiro. Após o banho olhou-se no espelho e viu que estava péssimo. As olheiras escuras sob os olhos azuis inchados denunciavam a noite terrível que tivera. Suspirou e resolveu ligar para Bella. Talvez sua irmã tivesse notícias dela. Ouviu o barulho de panelas na cozinha e sorriu. Emily já havia chegado, mas com toda certeza não sabia nada sobre a Alice. Respirou fundo, sentou na beirada da cama e ligou. Bella atendeu no terceiro toque.
—Alô.
—Bells.
—Que voz é essa, Jazz? Perguntou preocupada.
—A Alice. Eu...
—Oh meu Deus, ela está bem?! O que houve? Mas ele não conseguiu responder. O choro veio forte e ele permitiu que as lágrimas descessem soltas. Bella estarrecida e preocupada escutava, abismada, o seu irmão soluçar do outro lado da linha. Ela nunca havia visto Jasper chorando. Sabia que ele chorara na morte dos pais, mas ele nunca permitira que ela o visse dessa forma tão vulnerável.
—Ela foi embora, conseguiu dizer engasgado.
—O que?! Mais que besteira é essa?! Como assim a Alice foi embora?! O que houve Jasper?! O que você aprontou desta vez?!
—Nada Bella, eu juro! Eu não sei o que aconteceu! Eu saí ontem pela manhã e ela estava deitada. Quando retornei à noite ela não estava mais aqui... Acho que vou enlouquecer...Ela levou o meu filho...
—Ela deixou um bilhete, vocês brigaram... Pense Jazz!
—Não e sim. Temos brigado com muita frequência, mas...
—Jasper, pelo amor de Deus a Alice está grávida! Ela vai ter um filho seu e você está brigando com ela?!
—Bella, por favor... As coisas já não estão sendo fáceis para mim...
—Para mim também não, mas eu sei o que quero e eu quero o Edward na minha vida e quero também o nosso bebê. Imediatamente ele sentou todos os seus sentidos em alerta.
—Nosso bebê?!
—Sim, eu estou grávida. Não é maravilhoso?
—Sim, é uma ótima notícia, meus parabéns, mas quero saber agora quando vão se casar. O Cullen me prometeu isso quando esteve aqui! Vai ter que honrar a palavra!
—Já casamos Jazz.
—O que?!
—Estamos no aeroporto de Seattle esperando o vôo para voltar para casa.
—Como assim?! Quando foi isso?! Por que não me contou?! Sua voz refletia mágoa, mas Bella tentou ignorar. Ela já estava bem crescidinha para tomar suas próprias decisões.
—Ontem à noite. O Edward tem um grande amigo que é juiz aqui e bastou um telefonema para tudo estar resolvido. Pegamos um avião ontem à noite, fomos até o Fórum civil, casamos no gabinete do Alec com sua esposa Kate como testemunha e estamos voltando para casa agora. Sua irmã agora é uma respeitável senhora casada.
—Nossa... Ainda estou tentando digerir isso tudo...
—Fique feliz por mim.
—Eu estou. Muito. Mas acho que devemos fazer um jantar ou uma pequena recepção aqui na cidade para anunciar a novidade.
—Por mim tudo bem. Estou chegando aí daqui a umas cinco horas. Vá atrás da Alice e quando eu chegar com o Edward nós vamos direto para aí.
—Certo. Assim que chegar nós conversaremos. Diga ao Edward que eu mandei os parabéns para ele também e que é melhor ele andar na linha e te fazer feliz senão...
—Eu também te amo Jasper. Tchau. E desligou em seguida. Jasper fechou o aparelho e desceu as escadas em direção à cozinha.
—Bom dia Emily.
—Bom dia menino. Os ovos estão do jeitinho que você gosta então coma tudo. Ele aproximou-se dando um beijo na cabeça da velha senhora e sentou sem fome, mas obrigando-se a comer ao menos um pouco da saborosa refeição. Assim que acabou de comer a metade dos ovos mexidos, duas torradas de pão integral e meio copo de suco de laranja, ele levantou-se se preparando para sair. Emily cruzou os braços sob o peito e fitou-o com desgosto.
—Posso saber por que o carro da sua esposa está estacionado em frente ao café novo da Rosálie Hale?! Os olhos dele arregalaram-se em choque.
—No café da Rose?! É lá que ela está?!
—Sim. Você sabe como o povo daqui adora uma fofoca. Estão dizendo que ela saiu de casa porque você não a tratava bem e que vai morar e trabalhar lá de agora em diante para poder se sustentar!
—Mas só por cima do meu cadáver! Esbravejou furioso. -Eu não vou deixar isso acontecer de jeito nenhum!
—Humpf! Vá atrás da sua mulher e traga ela de volta para casa. Hoje de preferência.
Ele mal escutou as últimas palavras da Emily. Saiu correndo em direção ao seu carro, entrou e dirigiu no limite da velocidade até chegar ao centro da cidade. A primeira coisa que viu ao passar pelo café da Rosálie foi o carro de Alice estacionado. O Porshe amarelo reluzia sob o sol da manhã. Seu coração disparou e formou-se um nó em seu peito: ela havia buscado um lugar para ficar, mas não tinha ido embora da cidade como ele havia pensado. Observou bem o carro tamborilando os dedos sobre o volante. A raiva, que havia cedido durante a noite, voltou com força total arrancando-o daquela aparente indiferença.
Não a deixaria sair de casa sem lhe dar ao menos uma explicação. Ele não havia feito nada. Absolutamente nada para ela partir assim, sem mais nem menos. Nem que precisasse enfrentá-la em todos os tribunais do país, não abriria mão nem da esposa nem do bebê. Ela carregava um filho seu, que iria ser criado ali em Forks, nem que para tanto tivesse de prendê-la ao pé da cama todos os dias antes de sair de casa.
Com uma determinação de aço, desceu do Jipe e foi até o café. Seus passos duros ecoavam pela calçada estreita. Abrindo a porta entrou e olhou pelos quatro cantos, reparando em cada mesa, em cada banquinho. Nem sinal de uma moça linda, mignon, de cabelos curtos, desfiados pernas torneadas e sorriso fácil, apenas uns moradores nos banquinhos juntos ao balcão. Ele notou que todos eram homens.
De repente, a porta da cozinha se abriu e a mulher que procurava surgiu vestindo um avental, trazendo numa bandeja dois hambúrgueres imensos cercados de batatas fritas e bacon. Ao vê-lo, ela nem sequer pestanejou e continuou no mesmo passo, com a mesma expressão simpática para os fregueses.
—Aqui está Ben e também o seu, Félix, disse Alice pondo os pratos diante dos fregueses sentados ao balcão. -Se quiserem sobremesa ou um café expresso, é só me falarem. Rose hoje fez uma torta de limão deliciosa. Jasper observava a tudo com as narinas frementes, a respiração descompassada e a postura tensa. Sua raiva era quase palpável. Em seguida Alice virou-se para o marido com um olhar absolutamente calmo. — O que vai querer Jasper?
Os rapazes que trabalhavam na oficina mecânica da cidade se viraram para saber com quem ela falava e um deles pigarreou ao ver quem era. Todos ali sabiam que eles eram casados. Jasper era muito conhecido na região, onde morava desde que nascera. Assim como todos também conheciam a Alice. Garotas bonitas como ela, Bella e Rosalie não passavam despercebidas na cidade. Os rapazes viram a expressão dura dos olhos de Jasper e se entreolharam.
—Um café, falou num tom absurdamente calmo que em nada denunciava a tempestade em seu íntimo. Depois do pedido ele foi sentar-se a uma das mesas. Alice imediatamente providenciou o café e um copo d'água. E abriu um sorriso postiço:
Deseja mais alguma coisa? Jasper não respondeu então Alice deu-lhe as costas e já ia saindo quando o sentiu agarrá-la pela cintura e detê-la.
—Sente-se, falou com a voz baixa e ameaçadora. Ela lhe deu um olhar cético e frio.
—Preciso trabalhar.
—Eu disse sente-se, repetiu. Com cuidado para não feri-la nem ao bebê, ele a obrigou a sentar na cadeira diante da sua. Alice continuava com olhos castanho amarelados distantes e indiferentes.
—Que raios você está fazendo aqui?! Perguntou furioso, indiferente aos olhares que atraía.
—Eu trabalho aqui Jasper.
—Desde quando?! E por que diabos você veio trabalhar aqui?!
—Para me sustentar é claro. O que esperava que eu fizesse? Ele inspirou profundamente antes de responder. Paciência nunca fora o seu forte mesmo...
—Esperava que ficasse em nossa casa se cuidando e preparando as coisas para a chegada do nosso bebê em dois meses, como eu lhe pedi! Bufou irritado.
—E por que eu deveria ficar num lugar onde não sou bem quista?! Pra escutar você dizendo que não queria casar comigo, que fez isso apenas para dar um nome ao nosso filho porque sabe quais são as suas responsabilidades?! Não obrigada. Estou muito bem aqui.
Com grande esforço ele conseguiu contar mentalmente até vinte e controlar a raiva e a impaciência que cresciam em seu íntimo. Talvez Alice estivesse agindo daquela forma de propósito, para que os outros o vissem gritando com ela.
—Alice você não está sendo razoável...
—Cansei de ser razoável Jasper.
—Onde você está morando? Perguntou mesmo sabendo qual seria a resposta, mal disfarçando o esforço que fazia para falar baixo.
—No quarto em cima do café. A Rose me alugou.
—Vá buscar as suas coisas. Vamos voltar para casa já, exigiu num tom que não admitia discussões..
—Não, ela respondeu calmamente cruzando os braços sob o peito. Ele estreitou os olhos em fenda fitando-a perigosamente.
—O que foi que disse?
—Eu disse N-Ã-O; Jasper. Isto é, não. Não quero voltar para casa com você. Estou trabalhando e morando aqui. Ele respirou profundamente disposto a pô-la no colo e beijá-la sem parar até convencê-la a voltar para casa com ele.
—Vou fazer de conta que não ouvi suas últimas palavras. Não vou concordar com isso, Alice, respondeu já mais alterado. –Quero que suba agora e vá buscar todas as suas coisas. Ela girou na cadeira e levantou-se antes que ele pudesse impedi-la. Quando estava em segurança, atrás do balcão voltou-se na direção dele. Os outros clientes os fitavam com uma expressão divertida no olhar.
—Dê-me um bom motivo para eu ir buscar minhas coisas! Retrucou fuzilando-o com o olhar.
—Como assim um bom motivo?! Você é minha esposa e está carregando um filho meu! Esbravejou, pondo-se de pé.
—Você disse que pouco se importava comigo e que se arrependeu de ter me escolhido como esposa. Portanto, que bobagem agora é essa de querer que eu volte? Para você isso não faz diferença nenhuma.
—Mudei de ideia.
—Azar o seu. Você também falou que eu não sou o que você quer e não sirvo para ser sua esposa.
—Eu estava com raiva droga! Nisso um dos rapazes se manifestou:
—Cara eu não acredito que você teve a coragem de dizer isso!
—Meta-se com a sua vida! Jasper esbravejou irado, vermelho de raiva; Jasper virou-se para o sujeito com um olhar letal e os punhos cerrados.
—Alice, para mim você parece perfeita. Se não der certo com esse daí eu juro que vou te convidar para sair ok? Como três passos Jasper alcançou o rapaz e segurou-o pelo colarinho da camisa, erguendo-o do banco onde estava sentado.
—Se não calar a boca agora mesmo vai sair daqui com os dentes na mão! O homem pigarreou e insistiu, mas, desta vez teve que tentar duas vezes antes de conseguir falar.
—Eu só estava fazendo um comentário.
—A conversa aqui é entre mim e minha esposa. Félix deixou duas notas sobre a mesa, apanhou o chapéu e voltou-se para o amigo:
—Vamos Ben.
—Não acabei de comer ainda. Pode ir se quiser — o outro falou, tirando uma garfada do hambúrguer.
Segundo depois Rosálie saiu da cozinha e surgiu na porta com uma expressão azeda e uma espátula de bolo na mão.
—Mas o que está acontecendo aqui afinal?! Disse colocando pela primeira vez naquele dia a cara para fora da cozinha.
—Jasper.
—Como vai Rose?
—Enjoada e irritada com toda essa gritaria aqui no meu café, retrucou. Ele ficou vermelho.
—Desculpe-me pelo transtorno, mas eu vim para buscar Alice e levá-la para casa. O olhar de Rose foi do rosto de Jasper para Alice.
—Você quer ir com ele?
—Não.
—Ela é minha esposa, cuspiu sentindo a raiva correndo-o por dentro.
—Jasper, ela está feliz aqui trabalhando no balcão e servindo os clientes. O que você tem a oferecer é melhor do que isso? Questionou a loira cruzando os braços e fitando-o diretamente.
—Está brincando Rosalie?! Olhe só para ela! Está grávida de quase sete meses! Não pode ficar aqui andando de um lado para o outro servindo mesas e fazendo este tipo de trabalho! O lugar dela é na minha casa, se cuidando e cuidando da saúde do nosso filho!
—Você quer dizer na sua cama.
—Também! Gritou sentindo que estava a ponto de explodir de ódio. Ele bem poderia jogar a esposa sobre o ombro e carregá-la para fora ali sem mais uma palavra, mas se continha para não usar de força física no estado em que ela se encontrava. Além do mais queria que Alice voltasse por vontade própria. Porém, a julgar pela sua fisionomia, isso estava longe de acontecer.
—Você não precisa de mim na sua cama. Já tem Lauren Mallory ocupando este lugar!
—O que?!
—O que?!
Questionaram Bem e Rose ao mesmo tempo.
—Mas que raio de conversa é essa?! Quem foi que lhe disse tal absurdo?!
—Ninguém me disse nada Jasper. Eu escutei a conversa de vocês ao telefone. E você estava marcando um encontro com ela, portanto...
—Para bom entendedor, meia palavra basta, Rose emendou. Jasper cerrou os dentes e saiu dali antes que fizesse uma grande besteira. Mas ao atravessar a porta de entrada olhou para trás e falou:
—Isabella e Edward casaram-se em Seattle ontem à noite. Eles estão chegando hoje à tarde aqui em Forks. E Lauren foi embora da cidade depois da minha conversa com ela ontem pela manhã... Achei que gostaria de saber.
—Obrigada Jasper. Estou muito feliz pela Bella e pelo Edward. Ele acenou com a cabeça e saiu; a sua mente fervilhando em busca de um plano que lhe possibilitasse convencer Alice a voltar para casa com ele em breve. Se ela não acreditava que Lauren era uma página virada em sua vida, ela a convenceria disso. Nem que precisasse estar no café de manhã e a noite.
—---
Aliviada Alice soltou o fôlego. Mas, conhecendo bem o marido, sabia que ele era mais teimoso que uma mula e que, mais cedo ou mais tarde, voltaria. Rosalie contente apertou as duas mãos de Alice, sorrindo.
—Esposa um, marido zero, concluiu satisfeitíssima.
—Será que ele está falando a verdade sobre a Lauren? Ela realmente foi embora da cidade?! Sua voz continha um fio de esperança.
—Vamos descobrir querida, disse pegando o telefone e discando para o Emmett que apareceu quinze minutos depois, todo afobado.
—O que houve? Você está bem? E o bebê? Está sentindo alguma coisa? Perguntou de uma só vez detendo-se ao dar de cara com a Alice.
—Então é verdade mesmo?
—O que?!
—Que você e o Jasper estão separados, emendou.
—Claro que não! A Alice só está aqui para dar uma lição ao marido. É temporário. Emmett sorriu aliviado.
—Puxa que boa notícia. Gosto muito de vocês Alice e quero que sejam felizes juntos. Assim como eu e a Rose.
—Isso se você não der um chilique cada vez que eu te telefonar, Disse a loira revirando os olhos.
—Eu te amo e estou apenas sendo cuidadoso, amor... retrucou puxando-a para si.
—Edward e Bella casaram.
—Eu sei. Ele me ligou hoje cedo. Estou super feliz por eles. Agora só falta o nosso casamento.
Ela lhe deu um olhar atravessado.—Ainda não estou preparada Emm.
—Rose...
—Que tal discutirmos isso depois?! A Alice precisa de um favor seu.
—Que favor?
—Descobrir se a Lauren Mallory foi embora da cidade, Alice disse. Emmett sorriu ainda mais.
—Isso é fácil. Ela foi embora ontem depois do almoço. Eu soube que ela e o Jasper tiveram uma briga feia e que ele quebrou o restaurante inteiro onde eles estavam.
—Que restaurante?
—Nos arredores da cidade. Acho que vocês não conhecem.
—Nossa... Pelo jeito a coisa deve ter sido feia mesmo.
—Tem certeza disso Emmett?
—Absoluta. A mãe dela ligou para o juiz Black perguntando se ele ainda tinha algum apartamento desocupado para alugar em Chicago. Disse que ela tinha conseguido um emprego lá.
—Bom, então a Lauren é carta fora do baralho Alice. Só falta agora ele admitir que ama você.
—Espero que esteja certa Rose.
—Eu estou amiga. Pode apostar nisso.
—Ok. Obrigada Emmett. Obrigada aos dois.
—Não tem de que, Alice. Você sempre será muito bem vinda.
—---
CONTINUA....
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