Traçados
29 A rosa e o escorpião
Notas iniciais
Tinham criado uma relação no espelho, agora precisavam criar no mundo real. Mais uma vez tomou a única decisão que conseguiu. Scorpius se encaminhou para o lago.
Era quase pôr-do-sol.
Rose tinha o direito de escrever o rumo de sua história literalmente. Por isso sentou-se de frente ao lago Negro, esperava o espetáculo laranja, seu príncipe que não era encantado e talvez o beijo.
Mas nada aconteceu. Ele não apareceu. Estava quase desistindo.
Parecia clichê demais, principalmente para ela.
O céu se escureceu e ficou nebuloso. Estava frio e ela estava sem um casaco. Começou a chover.
— Ótimo! Minha chuva particular direto dos desenhos para a vida real. – Rose suspirou sentindo as gotas frias.
Estava quase indo embora quando sentiu um casaco sendo depositado nos seus ombros ao mesmo tempo que um guarda-chuva a protegia daquelas gotas geladas.
Seu coração disparou quando olhou o rosto do protagonista de sua história.
Assim que viu o contraste entre os cachos vermelhos e o verde do casaco nos ombros da menina. Tudo fez sentido. Não precisavam mais de máscaras, nem de desenhos, os traçados haviam ganhado vida e eles definiriam os passos a seguir sem plateia.
— E o beijo? – Murta estava indignada espiando-os.
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