Três amigas e o amor.

23 Raquel - Aquele cara muito esquisito


Em uma manhã, no momento em que Raquel saiu de casa, para ir à academia, e percebeu que a porta do elevador começou a fechar, assim, trancou, rapidamente, seu apartamento e correu para alcançar o botão, quando a porta se abriu, Otávio estava lá dentro.

— Bom dia, Otávio! – Raquel disse, ao entrar, em um tom animado, feliz por revê-lo.

— Bom dia — Otávio respondeu, impassível, com um grunhido, quase inaudível, e sua postura estava rígida, olhando direto para a porta.

— Como vai Jujuba? – Raquel quis saber, tentando amenizar o clima e para puxar conversa.

— Bem – Otávio respondeu, secamente, ainda sem olhar para ela.

Notando que aquele estranho e sufocante clima de mal-estar preencheu o cubículo, Raquel ficou quieta, sem saber o que falar ou como agir, sentindo-se desconfortável, achando aquele homem muito esquisito, pois, em um momento, ele abria o coração e fala sobre toda a sua vida para ela e, em outro, mal a cumprimentava, tratando-a desse modo arrogante e prepotente. Quando o elevador parou no térreo e a porta se abriu, eles saíram cada qual para o seu caminho, despedindo-se com um rápido tchau, como dois meros desconhecidos. Raquel deu de ombros, fingindo não se importar com a indiferença dele, mas passou o resto do dia incomodada com aquela atitude.

No decorrer da mesma semana, Vitor apareceu no apartamento dela e demorou um pouco mais de tempo do que costume, pois tinha uma novidade para contar.

— Raquel, tenho uma notícia um pouco desagradável para contar a você — ele começou a falar em tom brando, quando ainda estavam deitados na cama, ela se apoio no cotovelo para o olhar melhor e ergueu a sobrancelhas em interrogação, preparando-se para o que viria. — Vou fazer uma viagem em breve.

— Outra viagem! Quando? Por quanto tempo? — questionou, desanimada, deixando-se desabar no travesseiro, apesar de já estar acostumada com os longos períodos de ausência dele, devido as suas rotineiras viagens de férias com a esposa.

— Por cerca de 20 dias. Vera vem me perturbando nesses últimos tempos, ela quer viajar, ir a Londres e, depois, a Paris, fazer compras. Está dizendo que precisa de férias, uma mudança de ares. Uma chatice! – Vitor respondeu, sem disfarçar sua irritação, detestava ficar tanto tempo longe de casa, do trabalho e, consequentemente, de Raquel.

— Vinte dias sem você? — Raquel gemeu, com um ar tristonho, fazendo beicinho, Vitor adorava isso.

— Eu sei que é ruim, querida. Também não gosto de ficar longe de você, mas vinte dias passarão bem depressa – ele a consolou, pegando sua mão e dando um suave beijo nos lábios.

— E quando você vai?

— Em duas semanas, tenho que deixar tudo em ordem na empresa até na lá.

— Vou ficar com muitas saudades! — Ela se aconchegando na curva do braço dele.

— Eu também, querida — Vitor a beijou, a envolvendo em um abraço, apertando-a contra o seu peito – Vou sentir saudades dessa sua boca – ele a beijou nos lábios. — Desse seu corpo maravilhoso – disse, passando por sua cintura, a acariciando. – Desse seu cheiro delicioso – mergulhou o nariz no pescoço, inalando o perfume dela. – Não sei como vou ficar sem você por tanto tempo, Raquel – declarou, enquanto subia e pesava sobre ela.

Nas duas semanas seguintes, que antecederam a viagem, as visitas de Vitor se intensificaram, tornaram-se mais frequentes, ele estava muito mais excitado do que de costume, querendo-a mais e mais, talvez, para compensar o tempo que estariam afastados. Em uma dessas vezes, Raquel o flagrou com um comprimidinho azul na mão.

— O que é isso, Vitor?

— Nada – desconversou, colocando-o na boca e engolindo com uísque.

— Mas, não vai fazer mal? E o seu coração? – Raquel quis saber, preocupada.

— Não, é só para deixarem as coisas melhores – ele respondeu, com um sorriso malicioso.