Três amigas e o amor.

12 Ana - uma pequena chama de esperança


Depois daquela noite, precisava muito conversar com alguém, por isso na primeira folga que teve, Ana ligou para Raquel, mas o telefone estava fora de área, então, ligou para Sílvia, caiu na caixa-postal, ela deveria estar em aula, deixou um recado, pedido que para retorna assim que pudesse, o que fez meia hora depois.

— Oi. Ana! Tudo bem? Aconteceu alguma coisa? Por que tanta urgência? — Sílvia indagou, preocupada, com o recado que amiga deixou na sua caixa-postal, pedido para ela retornar com urgência.

— Sim, Silvia, aconteceu – Ana revelou com um misto de excitação e receio.

— Coisa boa ou ruim? Fala logo! Daqui a pouquinho tenho quer voltar para a aula. – Silvia ordenou, impaciente.

— Não sei ainda. Lembra do Marcelo, que nos deu carona no dia da festa?

— Sim, o cara bonito — Sílvia recordou, pois, estava com sono, mas não cega.

— Esse mesmo, ele me convidou e nós saímos ontem — Ana explicou em um só folego.

— Garota de sorte! Ele é um gato! E aí, foi legal?

— Foi incrível! Ele é bonito, inteligente, divertido e como beija bem!

— E aí?

— Só isso, parou aí! Era só o primeiro encontro, Silvia — Ana concluiu, sabendo onde a amiga queria chegar.

— E vocês combinaram de se ver de novo?

— Ainda não, mas isso foi ontem

— E você vai ligar para ele? Você está precisando tirar umas teias de aranha — Sílvia brincou pelo longo tempo, que a amiga não tinha ninguém na sua vida.

— Que isso! Não faz tanto tempo assim! E olha quem está falando, a mulher que só transou com um cara a vida inteira! — Ana replicou, mas ela sabia que Silvia estava certa, os últimos caras que se envolveu eram uns idiotas, egoístas, com relacionamentos que nunca durava pouco tempo, porque não se apaixonava.

— Tudo bem! Mas, o meu caso é diferente, eu encontrei o homem da minha vida muito cedo. Preciso ir agora, acabou o intervalo, tenho que dar uma aula agora. Até mais e me ligue depois para continuar essa conversa — E desligou, apressada.

Durante todo o fim de semana, Ana esperou em vão por alguma notícia de Marcelo, tentou se concentrar nos casos que levou para casa para trabalhar, mas estava ansiosa demais e toda vez que o telefone tocava, dava um pulo na cadeira, primeiro foi sua mãe a convidando para o almoço de domingo, depois, Raquel para saber do encontro.

— Oi, Ana! Estou morrendo de curiosidade. Não pude ligar antes, tive problemas no trabalho.

Ana já estava meio desanimada e desiludida, achando que Marcelo nunca mais ligaria e, por isso, resolveu não contar para amiga, com quem havia sido o tal encontro.

— Foi muito bem! A noite foi maravilhosa, o filme era bom e engraçado, o restaurante excelente, a conversa ótima, o beijo incrível. Ele é tão bonito e sexy! — Ana começou empolgada, mas sua voz mudou de tom — Foi tão bom e tudo parecia estar tão bem quando nos despedimos, mas ele não ligou mais – finalizou, demonstrando toda a sua decepção.

— Calma! Só foi há 3 dias atrás, talvez ele esteja só fazendo um pouco de charme, bancando o difícil. Quem sabe, ele quer que você ligue primeiro, quem sabe, esteja um tanto inseguro — Raquel tentou consolá-la, talvez, ainda houvesse esperança.

— Não, mas eu não vou ligar. Se ele quiser, que ligue –respondeu, com firmeza, porém estava morrendo de vontade de ligar para ele, mas não tinha coragem, com medo de ser rejeitada.

— Você quem sabe, Ana.

Durante o resto do fim de semana, para não cair em tentação de pegar o telefone ligar para ele, resolveu se ocupar, aproveitou o seu tempo para lavar roupa, arrumar o apartamento, tentou ler e ver TV, ainda mantendo uma pequena chama de esperança, mas Marcelo não ligou.

Na segunda–feira, Ana já estava decidida a esquecer toda aquela história, não ia perder seu tempo sonhando com alguém que não se interessou por ela. Na hora do almoço, foi ao pequeno restaurante de sempre, sem prestar muito atenção ao que acontecia a sua volta, por isso assustou-se ao ouvir seu nome.

— Ana?! – Ela ergueu os olhos na direção da voz, um sorriso brotou no seu rosto, ao ver aquele rosto conhecido.

— Alberto, não acredito! Você por aqui! – Ela se ergueu para beijar o rosto do seu antigo namorado de faculdade.

— Atualmente, eu trabalho em um escritório aqui perto. E você?

— O escritório em que eu trabalho fica na outra quadra.

— Posso fazer companhia a você? – Alberto pede

— Claro que pode. Sente-se aí!

Alberto pousou sua bandeja e ocupou o lugar na frente a ela. Ela reparou que ele estava mais magro, sua expressão mais séria.

— E como vai, Júlia? – Ana quis saber sobre esposa dele, já que eles casaram há um pouco mais de um ano.

— Infelizmente, não deu certo. Nós nos separamos há alguns meses – relatou com ar de pesar.

— Eu lamento muito, Alberto.

— Às vezes, as coisas não dão certo, só quando moramos com uma pessoa, no dia a dia, revelamos nossas verdadeiras personalidades – Seu tom era amargo.

— Talvez, simplesmente, vocês não combinassem.

— Não é tão simples assim, Ana. Júlia me deixou por ele por um cara do trabalho dela.

— Puxa, Alberto! Eu sinto muito!

— Mas, vamos mudar de assunto! E você, como está?

— Eu estou bem – ela deu de ombros, indiferente.

— Não tem ninguém? – quis saber, com o olhar curioso e Ana reconheceu o antigo Alberto, que muitas vezes, falava demais.

— Não, nada sério.

— E você ainda vê Raquel e Sílvia?

— Claro que sim! Elas são minhas melhores amigas.

— Podíamos combinar de sair algum dia desses, só para recordar os velhos tempos, rir um pouco – ele propôs, de um jeito mais animado.

— Eu não sei...

— Jura, Ana. Não vou dar em cima de você, será só como amigos para conversar – Esse era um velho hábito de Alberto, adivinhar seus pensamentos.

— Tudo bem? – Ana ficou mais empolgada.

— Você ainda tem o meu telefone? – Alberto perguntou e Ana assentiu com a cabeça.