Três amigas e o amor.
19 Ana - Sem cerimônia
— Oi, Marcelo – Sua voz soou um tanto impaciente e irritada.
— Oi, Ana. Desculpe não ter ligado ou falado com você direito nesses últimos dias, mas as coisas andaram muito complicadas na empresa, não tive tempo para mais nada. Mas, estou morrendo de saudades — Ele parecia sincero.
— Sei, muito ocupado... não teve tempo de nada mesmo? – Sua voz soou cínica — Nem pode dar um telefonema? — Queria permaneceu zangada, resolvida que ele não a envolveria assim tão rapidamente, de novo.
— Parece inacreditável, mas é verdade. Você está com fome? Já jantou?
— Não, comi um sanduíche há algum tempo. Por que? – Ficou surpresa com a mudança repentina de assunto.
— Porque comprei jantar para nós dois – ele revelou, de um modo casual.
— Jantar para nós dois. Espere! Onde você está?
— Bem aqui embaixo do seu prédio — Marcelo respondeu de forma divertida e mal acabou de falar, o interfone do apartamento tocou.
Não acredito! Ela titubeou, sem saber o que fazer, por fim abriu a portaria e saiu correndo para colocar o primeiro vestido que viu pela frente e arrumar o cabelo. Mal teve tempo, porque a campainha tocou logo em seguida, ainda não acreditava, que ele veio, sem avisar. Porém, através do visor da sua porta constatou que lá estava Marcelo, vestido com um terno grafite, que deveria custar mais que todo o salário de um mês de trabalho dela. Ela abriu a porta e ele sorriu, dando-lhe beijo como se nada tivesse acontecido, mais parecendo como uma cena cotidiana de um marido voltando do trabalho, em uma das mãos havia uma sacola de papel pardo e na outra uma garrafa de vinho.
— Como você aparece assim, de repente, sem avisar, depois de uma semana, sem dar notícias? — Ela o interpelou, cruzando os braços na frente do corpo.
— Desculpe! Estamos no meio de uma grande transação, mas a negociação está pesada e difícil, tenho reuniões o tempo todo – Marcelo tinha o ar fatigado — Vamos comer? — E mostrou a sacola e o vinho.
— Só isso? – Ela ainda não estava convencida.
— Eu não estou mentindo, Ana. Se eu pudesse não sairia mais de perto de você, por isso, o primeiro tempo livre que eu tive corri para vê-la. Você nem imagina como senti saudades.
Ana respirou fundo, era aceitar asa desculpas ou não. Então, se decidiu não perguntou mais nada, já que Marcelo não parecia disposto a dar detalhes, assim ela pegou a sacola e foi para cozinha, tirou o pacote do seu interior, colocou em cima da pia, foi até o armário pegou taças, pratos e talheres e um jogo americano e entregou a ele.
— Arrume a mesa! — Ana ordenou, ainda aborrecida, ele foi sem hesitar.
Ela colocou o conteúdo do pacote em uma travessa, era um lindo prato de canelone, ainda quente, e levou para mesa, já posta. Eles sentaram e ela serviu os dois e ele derramou vinho nas taças e começaram a comer ainda quase em silêncio. A comida e o vinho estavam deliciosos, Ana começou a se sentir leve com a presença dele ali.
— Isso está muito bom ou eu estou com muita fome? — perguntou, de um jeito mais relaxado.
— Não, realmente, está muito gostoso — Ana concordou, assustada com aquela cena parecia tão familiar.
— Hoje, praticamente, não comi nessa última semana, estou vivendo de café e sanduíches, com todas aquelas reuniões — Marcelo se queixou, saboreando o jantar, feliz.
— Por que tantas reuniões? — Ana em saber mais daquele homem, que invadia sua vida, sem cerimônia, e depois desaparecia.
— A empresa está em negociação para um novo empreendimento. É um negócio bem grande, com muita gente envolvida. Temos que ir com cuidado para que ninguém saía perdendo.
— Perdendo? Como assim?
— Algumas pessoas poderão se sentir prejudicadas e, talvez, sejam mesmo, por isso, estamos tentando fazer da melhor forma possível. Mas, não quero mais falar sobre isso agora. Estive pensando, eu queria compensar você.
— Me compensar? Por que?
— Por essa semana, que andei afastado. Que tal uma viagem de fim de semana?
— Viagem? Nós mal nos conhecemos! — Ela não podia acreditar, achava que era muito cedo para isso.
— É isso! Poderíamos nos conhecer melhor, ficar um fim de semana inteiro, juntos, apenas eu e você.
— Não sei, preciso pensar – Ana hesitou.
— Então, pense! Você tem até amanhã — Marcelo deu um ultimato
— Até amanhã? Para quando você está pensando em fazermos esta viagem? — Ela estava cada vez mais atônita, com aquela conversa.
— Amanhã — ele falou naturalmente, serviu-se de mais vinho, depois tomou um gole, a encarando por cima da taça, vendo a reação dela.
— Amanhã!? Você quer viajar amanhã? Tão rápido assim. Por que? — Ana questionou, aflita.
— Sim, gosto de improviso, além do mais, tenho apenas este fim de semana completamente livre, e não sei quando terei outro, então pense rápido, Ana.
Ana ficou meio atordoada pela proposta dele, mal conseguia pensar. E, quando eles acabaram de jantar, tiraram a mesa e lavaram a louça, em uma cena bem doméstica e Marcelo parecia gostar daquela brincadeira de casinha. Enquanto, ela acabava de guardar os pratos, Marcelo se aproximou por trás, afastou cabelos de Ana para o lado, beijou sua nuca, seus ombros, sentiu seu perfume, um arrepio percorreu o corpo de Ana, as mãos dele escorregaram em um abraço, deslizou seus lábios pela curva do pescoço dela, suas mãos desceram até cintura, seus quadris, levantou seu vestido e passou a mãos em suas coxas, sua barriga e nos seus seios, seu sexo, ela já mal conseguia respirar, sentido ele roçar nas suas costas, rígido, o corpo ficando lânguido, seu desejo a flor da pele.
— Se pensa que fazendo isso, eu vou perdoar você, está enganado, Marcelo – ela afirmou, com um fio de voz, ofegante, enquanto as mãos deles trabalhavam rápido, descendo zíper, tirando o vestido, até ela ficar completamente nua.
— Mas, você não vai poder me acusar que eu não tentei – ele sussurrou no ouvido dela, que já não estava mais zangada, sabia o que queria agora, o resto ficaria para depois. — Você não imagina como senti sua falta, Ana – continuou falando junto a sua pele e a acariciava – Como eu desejava ter você assim nos meus braços, poder sentir sua pele, seu cheiro, mergulhar no seu corpo e me perder de mim – Assim, ele o fez, ali mesmo, apoiados no balcão da cozinha.
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