Três amigas e o amor.

26 Ana - Para o amanhã nunca chegar


No momento em que se aproximaram do hotel, já na hora do almoço, o aroma irresistível da boa comida feita, espalhava-se ao longe, invadindo suas narinas, despertando a fome. Ana insistiu e eles almoçaram no pequeno e aconchegante restaurante, com mesas e cadeiras de madeiras em tons natural, toalhas alvas e enfeitados com vasinhos de flores locais. Escolheram uma das mesas junto a janela, que descortinava para o campo verdejante e o céu claro e límpido, podiam ver as árvores as montanhas à distância, refastelando-se com a excelente refeição e um bom vinho. Após o almoço, veio aquela sensação de indolência, uma moleza no corpo, uma vontade de se aconchegar naquela cama convidativa que os esperava, então Ana propôs irem para o quarto, pois a longa caminhada matutina e a comida lhes encheram de preguiça.

— Pode ir, eu já vou – ele avisou e indo em direção a recepção, Ana não entendeu, imaginou que precisaria dar um telefonema, já que os celulares não tinham sinal naquelas bandas, mas, também, não perguntou, sentia-se muito sonolenta, para aquele tipo de conversa, só queria cochilar um pouco.

Encontrou o quarto já arrumado, a cama refeita, com as toalhas e roupões limpos, macios e cheirosos sobre ela, o aroma do verde e o ar fresco invadiam o recinto pela janela aberta. Ana tirou os tênis e as meias e se atirou na cama, ainda vestida, esperando por Marcelo, acabou adormecendo, para despertar com a leve batida na porta, meio zonza de sono, ela o recebeu, notando sua expressão travessa, com um vidro na mão com algo verde dentro.

— O que é isso? – Ficou curiosa.

— Quando estava lá embaixo, tive uma ideia. Vou fazer uma massagem em você com este óleo — Marcelo comunicou, com um sorriso maroto, sacudindo o vidro no ar, que Ana o pegou da mão dele.

— Mas, isso não é óleo de massagem, é azeite aromatizado com alecrim para colocar na salada. Onde você conseguiu isso?

— Lá embaixo, perto da recepção, tem uma lojinha com produtos fabricados aqui, na região. Faz de conta que somos gregos, que usamos azeite para tudo. Então, vamos a massagem — propôs, achando graça.

— Gregos?! — Ana não podia acreditar naquilo, deu uma gargalhada, mas aceitou a sugestão.

— Vamos, Ana, tire a roupa, deite-se e relaxe! Deixe tudo nas minhas mãos mágicas – brincou, mostrando e mexendo os dedos.

Rindo, Ana obedeceu, tirando toda roupa e deitou-se de barriga para baixo sobre a cama, ele ficou sobre ela, um joelho de cada lado, abriu o vidro, esfregou o óleo na mão e começou a massagear suavemente as costas delas, o cheiro do alecrim era forte e gostoso, as mãos deles quentes, suaves e macias, passeando por todo o seu corpo, mais caricias que massagem, começando pelos ombros descendo pelas costas, parando na cintura.

— Eu sou um bom massagista? — Marcelo sussurrou no seu ouvido.

— Excelente – respondeu, lânguida, sentindo um calor crescente entre suas coxas, enquanto mãos dele desciam pelos seus quadris, morosamente. Demorou mais tempo, entre as suas pernas, o que fez Ana suspirar, o desejo dele também crescia, rígido nas suas costas.

— Marcelo! – murmurou, como um pedido, ele a puxou contra o seu quadril e mergulhou dentro dela, até caírem saciados e vencidos pelo cansaço.

O resto tarde passou, entre carícias, conversas e cochilos, até a noite, só saíram do quarto para jantar, mas voltaram depressa, querendo aproveitar cada minuto juntos, porque, no dia seguinte, eles que ir embora.

No domingo, acordaram tarde, o sol já ia alto, no entanto, sem pressa e tomaram café na cama, mais uma vez, onde ficaram lá quase até a hora de partir

— Vou guardar esse momento para sempre – Ana declarou, debruçando sobre o peito de dele, desenhando pequenos círculos com o dedo, suavemente. – Foi um dos melhores fins de semana da minha vida.

— Da minha, também – Marcelo confessou, olhando nos olhos dela. – Queria que o tempo parasse aqui e agora, para o amanhã nunca chegar.

— Por que você teme tanto assim o amanhã, Marcelo? Somos livres e jovens, não há nada que nos impeça de fazermos o que quisermos das nossas vidas – Ana afirmou, surpreendendo a si mesma.

— Gostaria que tudo fosse assim tão fácil. Poderíamos fugir, moraríamos em uma pequena ilha, em um lugar onde ninguém nos conheça.

— Por que precisaríamos fugir, Marcelo?

— Foi só uma brincadeira boba – respondeu, com um sorriso que não chegou aos seus olhos.

Enfim, o sonho acabou, esse pensamento deu a Ana um certo sentimento nostálgico, por isso queria ficar cada segundo junto a ele, como se fosse o último. O retorno foi tranquilo, infelizmente, a estrada estava vazia e chegaram cedo na sua casa. Em frente a portaria do edifício onde Ana morava, Marcelo se despediu com um longo beijo, ele também parecia triste.

— Foi um fim de semana incrível, Ana! Como eu disse antes, um dos melhores da minha vida — reafirmou, acariciando o rosto dela e olhando nos seus olhos.

— Não, pelo que você me contou, deve ter tido muitos fins de semanas incríveis na sua vida — ela rebateu, em tom de brincadeira, mas feliz por ter ouvindo aquilo.

— Não se menospreze, pois, esse fim de semana foi muito especial, porque você é muito especial. É inteligente, engraçada e sexy – Marcelo parecia sincero nos elogios.

— Ah! Obrigada. Você sabe levantar a autoestima de uma mulher – Ana disse sorrindo, um tanto sem jeito, por não estar acostumada a escutar elogios assim.

— Não, é mesmo verdade. Você parece desanimado.

— Está tudo bem, só estou cansado da viagem — Marcelo disse já, saindo do carro e pegando a mala dela.

— Não quer que eu ajude a levar isso até lá em cima? — Ele se ofereceu, Ana se sentiu tentada a dizer que sim, mas resistiu.

— Não precisa, a não ser que você queira subir — Ela torcia para ele querer.

— Querer eu quero, mas preciso ir. Eu ligo para você, Ana — Ele se despediu e a beijou, mais uma vez, suavemente.

— Até breve, Marcelo! – Entrou no prédio, mas se virou para ver carro dele ir embora, imaginado quando o veria outra vez. Esperava que fosse em muito breve.

Ao abrir a porta de casa, Ana se sentia muito leve e feliz, a sua relação com Marcelo parecia estava indo pelo caminho certo, apesar de uma pequena sensação incomoda que havia algo errado nessa história. Conferiu seus recados, eram muitos.

Sua mãe ligara várias vezes, para saber se ela já tinha ido e, depois para saber se tinha voltado, Sílvia para conversar e um colega de trabalho com uma dúvida sobre um documento, Raquel e, até mesmo, Alberto.

— Ana, é Raquel. Cadê você? Liguei para você, o fim de semana todo. Precisamos conversar. Vamos combinar um almoço qualquer dia. Me liga. Beijos – Escutou o recado da amiga, mas não queria falar com ninguém, naquele momento, sem querer quebrar a magia daquele inesquecível e sensacional fim de semana.