Três Príncipes, Três Princesas
53 Surpresa
Notas iniciais
Jacob
— Conseguiu? Falou com Isabella?
Levantei as sobrancelhas com desconfiança e entreguei a Leah o copo com água que ela me pedira para buscar, quando eu tentava, pela milésima vez, falar com Isabella.
Esse interesse repentino de minha esposa por minha amiga ainda me deixava “com os dois pés atrás”.
— Não, não consegui. Mas, pelo menos falei com Edward e ele me disse que ela acabou de chegar em casa e que agora está dormindo.
Dobrei o corpo sobre a cama e voltei a me deitar ao lado dela. Ainda era cedo e eu queria aproveitar, um pouco mais, o frio de nossa casa de campo.
— Isso é bom, não é? Pelo menos ela não está mais enfurnada naquele bendito hospital.
— Leah, você tem certeza de que quer falar sobre isso?
— Claro que quero. Eu te prometi, Jake.
Busquei mentira no olhar dela. Porém, como vinha acontecendo desde que nos acertamos de vez, não encontrei.
Leah estava me surpreendendo. Eu só não sabia se isso era bom ou ruim.
— Está certo. Sim, isso é ótimo. Médico nenhum resiste a três plantões, direto e apenas uma folga de 24hs. Ainda mais Bella. Ela é focada e responsável demais. Ela não descansa, não respira. Se doa como ninguém. E situações como a que estão passando pode ser muito perigoso para a sanidade mental de qualquer profissional da área da saúde.
Firmei a cabeça na mão e continuei a olhando intensamente. Eu queria decifrar os pensamentos dela.
— Você tem certeza de que não quer ir para lá? Eu posso entender se tiver mudado de ideia. Podemos adiantar a nossa volta.
Ah eu queria! Deus, como eu queria!
Contudo, essa não era mais minha função e agora eu entendia e lutaria para prosseguir com essa ideologia.
Eu fiquei insano quando descobri dos atentados. Foi por pouco que não abandonei Leah aqui e corri para junto de Bella.
No entanto, respirei fundo algumas vezes e agi com coerência.
O que não me impedia, óbvio, de me inquietar. Bella poderia estar morta...
— Não, obrigado! Estou muito bem aqui. Ângelus tem estrutura e profissionais para lidar com esse problema. Só estou um pouco preocupado com Bella. Mas, Edward já me garantiu de que ela está bem. Então agora, vamos deixar eles de lado. Porque eu tenho um assunto muito mais interessante para tratar com você.
Tirei o copo das mãos dela, coloquei-o no criado mudo e logo me deitei por cima de seu corpo, cobrindo-a com o meu e encarando admirado o castanho de seu olhar doce e apaixonado.
— Eu te amo, Jacob Black. Te amo por nós dois.
Beijei seus lábios a fazendo sorrir de satisfação.
— E por enquanto, eu te agradeço por isso...
Edward
Apertei mais os punhos junto ao corpo e trinquei os dentes disfarçando o mau- humor que me consumia.
Eu não queria estar ali. Bella estava em casa. Eu só queria ir até ela.
— Esse é Demetri, Edward. Seu novo segurança. A partir de hoje ele e Stephan o acompanharão a qualquer lugar.
Jasper, papai e Amun, chefe da nossa equipe de segurança, tinham outros planos para nossa manhã. Eles me queriam aqui.
— Seja bem- vindo a nossa equipe, Demetri.
Estendi a mão e cumprimentei o homem.
Ele era bem afeiçoado demais para um segurança. Que Stephan não me ouça dizer isso, nunca!
— Obrigado pela confiança! Será um prazer trabalhar para o senhor, alteza.
— Edward, me chame apenas de Edward.
Ele sorriu, entendendo que tais formalidades ali, eram desnecessárias e dispensadas, pelo menos para mim.
Stephan, em sua pose de sério, concordou com minhas palavras acenando afirmativamente, com a cabeça.
Éramos uma equipe, não patrão e empregados.
— Pai, esse é...
E então Jasper continuou com suas apresentações.
Devido aos ataques, da semana passada, ficou acordado em uma reunião de emergência, que cada membro de nossa família, que contava somente com um segurança, ganharia mais um imediatamente.
Também intensificamos a vigilância em casa, nos palácios, no ateliê de Alice, no HoCeDeA, nas fronteiras do reino e nos portos e aeroportos. Qualquer medida de proteção era válida e muito bem aceita.
Ainda tentamos designar mais dois seguranças para cada uma das princesas, os prováveis alvos de futuros ataques, porém, mudamos de ideia quando Alice e Bella torceram “aqueles narizinhos arrebitados e lindos” delas.
Eu como eu andava “In Love”, com minha princesa, aceitei a “birra” dela. Contudo, também ficou decidido que quando ela ou a irmã se deslocassem para algum lugar diferente de suas rotinas diárias, aí sim seriam acompanhadas por mais dois agentes para cada uma.
Disso Jasper e eu não abriríamos mão. E graças a Deus, elas concordaram sem maiores complicações.
— Onde está Isabella? Nós precisávamos dela aqui para conhecer a nova equipe.
— Bella está dormindo e ninguém tem autorização para acordá-la. Desde que chegamos ela tem trabalhado incessantemente, no socorro dos feridos do atentado. Hoje, que eles conseguiram tranquilizar a situação no hospital. Minha mulher vem de três plantões, deixem-na descansar. Depois a atualizo quanto às novidades daqui.
— Tudo bem, filho. Não precisa se irritar. Foi somente uma pergunta. Eu sei o quanto Bella se esforçou nesses dias. Ela merece descanso. Eu só fiquei preocupado.
Pontuou meu pai, para minha surpresa.
Esme me olhou com aquele semblante tranquilo de quem sabe o que se passa e se orgulha por isso. Contudo, não me convenci. É bem verdade que papai estava bem mudado em relação a minha esposa. Agora era “minha nora querida”, “minha filha”, “nossa princesa”.
Só que eu não estava convencido de “tal mudança”. Mesmo que acredite no poder de convencimento e nos castigos de mamãe, Carlisle ainda não era digno de esperança e confiança.
É verdade que ele andava bem mais compassivo com minha princesa, isso eu tinha que aceitar.
Quando retornamos da fazenda, na segunda de manhã, depois de pousarmos em uma pista particular na área rural de Ângelus, Bella foi direto para o hospital.
Aquilo estava um caos. O atentado deixou um rastro de catorze mortos, incluindo os dois homens- bomba, e muitos, mais muitos feridos, pois, as explosões foram tão grandes, que atingiram parte da área de embarque e desembarque, que estava lotada naquele momento.
Gerando assim, um tumulto em todos os hospitais da cidade e consequentemente, um tumulto na vida e nos horários de todos os seus funcionários. E como Bella era Bella, isso explicava o motivo de tanta correria em sua vida nos últimos dias.
E para nossa surpresa e alívio, Carlisle não havia implicado nenhuma vez com as ausências de Bella.
E graças a Deus, eu também não. Meu gênio estava bem controladinho e quietinho em seu canto. I
sso era um bom sinal. Não era?
— E Alice?
— Alice está lá em cima, com Rósalie. Bella ainda não quer que ela fique sozinha ou seja importunada com assuntos sérios.
— Emmett ligou?
Papai fazia um apanhado geral de nossa família. Era visto que estávamos “com os nervos a flor da pele” depois do último acontecido.
— Emmett liga toda hora. Ele está surtando lá em Forkian. E enquanto Rósalie não voltar para casa teremos que aguentá-lo.
Emmett era outro de nossos problemas. Com o susto levado no domingo, Rosie teve alta de pressão, passou mal e teve que ser hospitalizada. No entanto, remédio nenhum e procedimento nenhum fizeram com que o quadro dela se estabilizasse. Ela continuava nervosa, chorando e implorava pelos cuidados da irmã.
E como meu sogro estava a ponto de ter um ataque lá também, porque até então, não tinha visto Isabella, não tinha a estreitado em seus braços para comprovar que a filha estava bem. Ele, sem pensar duas vezes, embarcou Rosie em uma UTI aérea e trouxe para cá.
O que quase gerou uma síncope nervosa em Emmett e contrastou com o alívio de Bella, que agora poderia cuidar da irmã pessoalmente.
E, apesar da atitude impulsiva de Charlie, acabou por ser a melhor decisão, porque somente minha médica preferida, conseguiu estabilizar o quadro da irmã e, consequentemente, acalmar a todos nós.
O problema é que mesmo depois de recuperada ninguém conseguiu fazer com Rosie voltasse para a casa dela junto com os pais e o marido.
— O que me consola é saber que ele está infernizando Charlie também. Isso fará com que ele pense melhor da próxima que decidir separá-los.
— Ah vocês! Parem de agir como duas fofoqueiras. Deixem esse assunto comigo. Hoje mesmo levo Rósalie para Forkian.
Stephan se virou para a parede segurando uma risada. Eu quase o imitei. Esme era fenomenal. Eu entendia o desespero de Emmett perfeitamente.
— Você vai para Forkian? Não posso viajar hoje, Esme. Estamos atarefados aqui.
Jasper e eu trocamos um olhar, era agora que mamãe entrava em ação. O interessante era que, imaginar meu pai sem ela não era nada agradável e possível. Carlisle ficava emburrado e muito mal- humorado.
— Eu vou, não você. Parto hoje a tarde, durmo lá e volto amanhã de manhã. Você não morrerá se passar esse tempinho sem mim, Cal.
— Tem certeza disso? Já passei tempo demais sem você nos últimos tempos.
Mamãe sorriu para ele. Era a prova de que papai também estava perdoado.
Estava explicado todo cuidado dele com minha esposa, papai estava no paraíso, mas ainda com medo de voltar ao inferno.
Eu entendia o que era isso também.
— Pronto então? Essa reunião já acabou? Alice e eu temos um compromisso agora.
Jasper cortou o clima de romance deles O que foi bom, porque eu também estava pronto para me retirar.
— Só mais um minuto. Amun, alguma notícia sobre a identificação dos terroristas?
— Sim, senhor. Terminamos as avaliações das câmeras de segurança do aeroporto. Cruzamos imagens e dados e confirmamos a hipótese de que os terroristas são quem pensamos a princípio.
Amun abriu uma pasta em cima da mesa. Logo a foto, de dois homens, apareceu.
Senti de imediato um arrepio ruim. Aqueles malditos quase nos pegaram.
— Pois bem. Passemos a fase dois da estratégia. Mas, isso fica para amanhã. Tenho um compromisso inadiável com Alice e já estamos atrasados.
Seguindo o exemplo de Jasper, também me levantei já me dirigindo para a porta, eu queria estreitar Bella entre os braços. Eu precisava confirmar que ela estava bem. Há três noites não dormíamos na mesma cama. Bella havia quase se mudado para o hospital.
Três plantões, direto? Ninguém merece.
— Vocês estão dispensados então, amanhã voltamos a nossa rotina diária. Edward, esteja no palácio cedo, temos uma reunião com o ministro da defesa. Precisamos definir como agiremos a partir de agora.
— Sim, senhor.
Eu já sabia qual passo seguir. Eu queria uma retaliação. Não uma que ferisse civis, porém uma que caçasse esses bandidos e os fizessem pagar por cada inocente que mataram e feriram. Eu queria o chefe. E nisso Jasper e eu concordávamos, não dava mais para ficarmos quietos esperando, tínhamos que contra- atacar. Afinal, “a melhor defesa é o ataque”.
— E então, como anda a construção? Bella nem desconfiou?
Esme cruzou seu braço no meu, enquanto nos afastávamos rumo ao andar de cima, me tirando totalmente de meus pensamentos sombrios de vingança.
— Estamos na pior parte, mãe. O acabamento. O trabalho não rende. O mestre de obras jura que estão fazendo seu melhor, eles trabalham o dia todo, mas não vejo progresso. Estou louco para mostrar a Bella, mas quero fazer isso quando estiver pronto. Outro dia, ela deu de tomar um ar na varanda, à noite, e voltou a perguntar pelos tapumes, que estão mais altos agora. Desconversei, obviamente. Mas é complicado. Estou mentindo para ela, mãe. E jurei que não faria mais nada que colocasse nossa paz em risco. E Bella não é boba, ela já percebeu que tem algo estranho nessa história, mãe.
Passei nervoso, a mão pelo cabelo.
— Você parece “estar pisando em ovos”, Edward. Acalme-se. Seu casamento não é tão frágil assim. É um presente, uma surpresa. Não uma mentira. Pare com isso, filho. Não tenha medo de ser feliz. Bella entenderá quando chegar o momento.
— Eu não tenho medo, mãe. Muito pelo contrário. Estamos tão bem, que temo é perder isso.
Parei, baixando a voz, quando estávamos na porta de meu quarto. Esme me abraçou e acariciou meus cabelos, me acalmando, exatamente como fazia quando eu era pequeno.
— Estou orgulhosa de você. Bella se dedicou demais ao hospital nesses dias. E você se manteve ao lado dela sem titubear. Isso é um passo, em momento algum se colocou entre ela e a profissão. Parabéns, querido.
— Eu nem podia, mãe. Fácil não é, mas, Bella ama o que faz. E o hospital precisava dela. Eu tenho que aprender a dividi-la.
— Você está no caminho, querido. Agora vá vê sua mulher e tranque a porta assim que entrar. Estou indo dizer a Rósalie que ela vai pra casa hoje e não quero que ela tenha um ataque e corra para cá, a fim de reclamar com Bella. Rosie precisa dominar esses hormônios, ou Emmett enlouquecerá.
— Boa sorte, mãe.
Beijei seus cabelos e me afastei.
Seguindo seu conselho, tranquei a porta atrás de mim.
O quarto estava quente, confortável. As janelas e a porta da sacada estavam fechadas, as cortinas também. A penumbra tomava conta do ambiente, dando uma impressão maravilhosa de aconchego.
Minha linda mulher, estava pequena, relaxada e quase escondida no meio das cobertas e lençóis, estava frio hoje.
Não resistindo ao impulso e a saudade, retirei as roupas e me deitei ao seu lado.
— Hum! Que delícia! É um sonho?
O gemido de satisfação dela quando encaixei nossos corpos, foi direto para minha libido.
— Nossa realidade é um sonho mesmo, meu amor. Então, pode voltar a dormir. Porque, seu príncipe estará aqui quando você acordar.
— Isso é bom.
— Isso é maravilhoso.
O sorriso dela era minha essência de vida. Eu iria ao inferno por ele.
Beijei seu ombro e baixei minha cabeça no travesseiro, encostada na dela.
Eu queria que ela descansasse em meus braços porque, ali era o lugar certo para isso.
Somente na companhia um do outro é que podíamos esquecer o mundo e sermos somente “o Edward da Bella e a Bella do Edward”.
Jasper
Assim que terminamos a bendita reunião e mamãe conseguiu, milagrosamente, retirar Rósalie de perto de Alice, agarrei minha esposa e saímos rapidamente, sem alarde.
Estávamos a ponto de confirmar algo que mudaria nossas vidas e eu não estava com paciência para esperar que os ataques de Rósalie passassem.
Emmett precisava ser mais severo com aquela mulher dele.
— Sua irmã não desconfiou?
Passei os dedos acariciando levemente por cima do hematoma roxo que hoje, um dia depois de aparecer, já estava bem mais claro.
Alice era muito branquinha, qualquer coisa já a marcava. Agulha então...
— Não. Graças a Deus, ela não anda tendo tempo. Nem a vi direito ontem. Somente quando passou em casa para tomar banho e mesmo assim foi rapidinho e, além disso, eu estava com uma blusa de manga comprida. Sua mãe é que me olhou meio de lado, quando recusei o café de todos esses dias.
— Nada escapa do olhar de águia de dona Esme.
— Tentei disfarçar, mas, café não está dando para suportar mesmo. Só o cheiro já me causa arrepios e ânsia.
Esfreguei os braços dela e beijei sua testa. Eu estava feliz. Alice, pela primeira vez desde que nos casamos, havia feito algo muito certo. Tudo estava seguindo no ritmo que eu traçara.
E nem a reconciliação melosa de Edward e Isabella serviram para estragar meu humor.
Era passageiro, eu sabia,
— Prometo que não vai precisar esconder mais. Deixe só confirmarmos nossas suspeitas, Alice. Depois será só festa e comemoração.
— Ainda bem. Estamos mesmo precisando de algo para comemorar. Só tenho medo de que Bella fique chateada pelo que fiz. Eu não quero me indispor com ela.
— Ela não vai ficar chateada, fique tranquila. Eu assumo a culpa. Ninguém vai ousar magoar você, eu prometo. Ainda mais agora. Meu pai e eu te protegeremos de qualquer coisa.
— Você diz isso porque não conhece Charlie Swan. Meu pai se transforma quando o assunto é Bella.
— Seu pai também vai ficar em êxtase com nossas novidades. Vamos realizar o sonho dele.
— Vou rezar para que esteja certo. Estou querendo levar isso com tranquilidade e paz.
Acenei em confirmação, enquanto ela se recostava em mim e fechava os olhos descansando.
Minha Alice, estava coberta de razão, o atentado havia desgastado demais a todos.
Só de imaginar que Bella poderia estar naquele aeroporto, fico descontrolado.
Felizmente, Deus fora misericordioso comigo e com Charlie. Ela estava sã e salva. Miseravelmente cansada é bem verdade, mas sã e salva.
E eu sempre seria grato a Ele por isso. E um pouquinho por meu irmão estar a salvo também. Afinal, Esme sofreria horrores se algo acontecesse com ele. E eu não queria minha mãe triste. Ainda mais agora...
Minha mãe era meu modelo de mulher perfeita. Acho que isso explica um pouco minha tara por Isabella. Elas se pareciam demais.
E também era óbvio que eu não queria Edward morto.
Deus! Certamente que não! Ele é meu irmão e o amo por isso. Nós sempre fomos amigos e nos demos muito bem. O único erro dele é estar com o que me pertence.
Porém, isso seria resolvido logo. Isabella seria minha e ele não poderia fazer nada contra. E duvido também que tente. Edward “come” não mão da mulher e quando ela lhe disser que ama a mim e que quer ficar comigo, creio que ele se rebelará de início, mas depois cederá. Meu irmão nunca obrigaria a esposa a ficar com ele sendo infeliz e amando a mim.
E isso é fato, Isabella amará a mim.
Essa reconciliação deles, estava com os dias contados. Por isso, eu nem me irritei mais do que o normal. Edward poderia aproveitar enquanto podia.
Porque, no “felizes para sempre” Isabella estaria em meus braços, meu trono e minha cama.
— Senhora Cullen, o médico a espera.
Fui retirado de minha visão do futuro, por uma secretária, mais velha, e muito educada.
Alice se levantou e, apesar de abatida, por causa do início dos enjoos, acertou a postura e levantou a cabeça.
Postura essa, de rainha esnobe, que se acha melhor do que qualquer um. Isso era uma das coisas que me irritava tanto nela.
— Vamos logo com isso. Preciso acabar com essa aflição e ansiedade, para que possa relaxar e aí sim, pensar em uma boa desculpa para dar a minha irmã. Bella ficará decepcionada, tenho certeza.
Ela, insistentemente, voltava ao assunto.
— Vamos à consulta. Pensamos em sua irmã depois.
A preocupação com Isabella até que tinha fundamento.
Desde que suspeitamos que Alice pudesse estar grávida, corremos para uma clínica particular mais discreta e fizemos o exame. E agora estávamos aqui, somente esperando a consulta com o ginecologista para que ele confirmasse nossas suspeitas.
Isabella não era especialista nisso. Porém esse detalhe não importava quando o assunto era a saúde dos que ela ama. Isso explica o porquê de Rósalie estar debaixo de suas asas e longe de meu irmão.
Isabella superprotegia demais os Swans.
Contudo, além dela estar muito atarefada nestes dias, preferimos fazer isso, sozinhos.
Eu queria surpreender e todos, principalmente Esme. Porque Carlisle já estava ciente de que eu vinha trabalhando com afinco no projeto de ter um filho, mas para Esme seria uma surpresa. Um golpe nos seus sonhos de ver Edward como...
— Boa tarde. É uma honra receber o casal real em meu consultório. Sentem-se, por favor.
Cumprimentamos o homem, que aparentava quase a nossa idade. E nos acomodamos a sua frente.
— Obrigada por nos receber, doutor. Ficamos imensamente agradecidos por ter encontrado uma brecha em sua agenda para nós.
Nisso Alice tinha razão. Quando decidimos por esconder de Isabella nossas suspeitas, procuramos pelo melhor especialista de Ângelus, aliás, o segundo melhor, porque o primeiro era companheiro de trabalho de minha cunhada no HoCedeA.
Então, foi assim que nos deparamos com o currículo do doutor Riley Biers.
O problema era que o homem estava atolado de trabalho e para piorar um pouquinho mais a situação, possuía uma secretária incompetente e intragável. Foi preciso muita persuasão até que me deixasse falar pessoalmente com o doutor.
Eu odiava o tal de “você sabe com que está falando”? Porém, usei-o sem dó.
E pelo visto surtiu efeito porque não esperamos muito quando chegamos, fomos direcionados a uma sala reservada e muito menos encontramos com a “tal sujeitinha mal- educada” na recepção.
— O prazer é todo meu, alteza. Perdoem-me contratempo. Prometo que não se repetirá.
Eu deixaria Alice levar a situação, ela adorava achar que estava no controle. Enquanto isso, observei atentamente o brilho de satisfação e ambição no olhar do homem. Ele estava em êxtase por estarmos aqui.
Imagino só o quanto fará comércio em cima disso.
Porco nojento! O mundo precisava de mais médicos como minha Isabella.
Só espero que nossa decisão não traga uma imagem negativa para ela e o HoCedeA. Isso não era mesmo, nossa intenção.
— Podemos ir direto ao ponto. Eu não tenho o dia todo.
Os cortei quando a conversa começava a se distanciar do objetivo final. Eu odiava bajuladores.
— Oh sim! Perdoem-me. Eu sei que a vida de vocês é complicada e...
Como eu disse: bajulador de merda.
— Então, vamos lá.
Esperei com expectativas, enquanto ele afastava minimamente a cadeira para pegar o resultado do exame na penúltima gaveta de sua mesa.
— Aqui está...
Com uma paciência, dos infernos, ele rasgou o lacre do laboratório. Leu alguma coisa, folheou outras tantas, para somente depois passar para o resultado final, que obviamente e todo mundo sabia, estava nas linhas finais da última página do relatório laboratorial.
— Ah sim! Muito bom.
Fechei os punhos em irritação. Se ele demorasse mais dois segundos eu o partiria em pedaços e mandaria fechar aquela espelunca.
— Meus parabéns príncipe Jasper. Sua esposa está muito grávida. O herdeiro do trono está a caminho.
Não tive outra atitude a não ser sorrir e visualizar, de novo, o que o futuro me reservava.
Alice, por outro lado, se jogou em meus braços chorando. E somente então, soltei o ar, que nem havia percebido que prendia. O alivio, bem vindo, imediatamente me tomando.
O primeiro passo estava dado...
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