Notas iniciais
Capítulo grandão para minhas leitoras gulosas.

Em algum momento durante o fim de semana

— Eu quero saber o que você vai fazer a respeito disso, Elizabeth? Percebe como essa lei idiota está acabando com nossa família? É a vida dos nossos netos. Pense em como “essa merda” que vocês chamam de “tradição de família” pode fazer mais estragos pela frente?

— Eu sei Marie, eu sei.

As duas mulheres mais poderosas dos reinos e, porque não dizer do mundo, se olhavam e praticamente duelavam uma com a outra.

Ao mesmo tempo em que era bonito de se ver, era aterrorizante também.

A luta pelo maior domínio pairava no ar como uma fragrância rara desejada pelos melhores químicos do mundo.

— Só não entendo o que você quer que eu faça? Isso acontece há milênios. Sempre foi assim. Aconteceu com meus filhos, agora acontece com meus netos e depois acontecerá com...

— Meus bisnetos?

O raciocínio delas que sempre era completado pela outra, tipo essa coisa de melhores amigas, agora se manifestava de uma maneira nada legal.

Marie estava fervendo.

— Você só pode estar louca se acha que vou deixar minha família acabar por causa de uma coisa idiota dessas. Estamos falando de nossos bisnetos, criancinhas lindas que vamos mimar e estragar até irritar nossos filhos e nossos netos, para depois vê-los se engalfinhando até a destruição, por causa de uma lei que vocês chamam de tradição. Você pode até ficar aí no seu trono de braços cruzados achando tudo muito bonito, mas, eu não vou. Eu já vi Charlie errar com Bella ao criá-la diferente das irmãs e Carlisle só não fez isso porque vocês sabem dessa estupidez e não podem revela-la até que seja a tal hora certa, porém, com meus bisnetos não será assim. Vocês mudarão isso. Não me importa o que farão. Só façam...

Marie se levantou e deu às costas a rainha de Ângelus. Eu nunca a havia visto com tanta raiva. Perder o controle não era muito de sua índole.

— Marie? Marie? Espere, por favor.

Elizabeth correu até ela e a segurou pelo braço, porém minha rainha não se virou.

— Por favor, minha amiga, por favor, releve. Eu não posso fazer isso. Colocaria o reinado dos Cullens em risco, isso também está na lei idiota.

Elizabeth derramava lágrimas, enquanto Marie, ainda de costas, também levantava os ombros ritmadamente, também chorando.

— Eu sei o que está sentindo, passei isso com meus filhos, estou passando com meus netos e peço a Deus que me deixe viver para que possa ver isso com nossos bisnetos, mas amiga, não está em minhas mãos, nem nas de Carlisle. Só uma geração com força de vontade e destemida é que vai enfrentar todas essas ideias retrógadas até muda-las e enfim, dar paz a gerações e gerações passadas e futuras de Cullens.

— Maldito seja o dia em que Carlisle pressionou meu Charlie, Elizabeth. Maldito seja o dia...

— Eu sei, eu sei...

Agora chorando alto, as duas se abraçaram e misturaram seu sofrimento.

Era sufocante estar de fora sem poder opinar ou gritar para que elas parassem de falar de pessoas como mercadoria.

Emmett e Rosie estavam livres, sempre estiveram.

Jasper e Alice, a trancos e barrancos e por capricho de Deus, também estavam fora, por enquanto.

Restava Edward e Isabella, que por brincadeira do destino, agora encabeçavam a lista de possíveis...

— Ei John?

— Oi?

Sai da minha posição de espectador e encarei as duas mulheres que agora limpavam o caminho de lágrimas deixado nos rostos bonitos.

— Vamos embora? Temos três netas para mimar e já estou cansada de ficar abraçando essa velha nada inteligente.

— Abraçar a minhas netas? Só se for por cima do meu cadáver. Você quer é convencer Alice a dar seu primeiro nome a minha garotinha, mas isso não vai acontecer. Ela mora em meu reino. Você não terá essa honra e...

Abri o maior de meus sorrisos e caminhei atrás delas para fora.

Assim era essa família, eles brigavam e brigavam, mas no fim se juntavam para as batalhas diárias de todos.

Assim era a minha família.

Edward

— Pronto?

Desci os últimos degraus que me separavam da figura imponente, toda vestida de preto, o que fazia com que ele ficasse mais impressionante ainda.

— Pronto.

Não parei para cumprimentá-lo, não precisávamos dessa formalidade para o que estávamos indo fazer.

Só continuei caminhando para a saída com ele em meu encalço.

— Bá, Bella está dormindo e ninguém tem autorização de acordá-la. Charlie e eu precisaremos nos ausentar por algumas horas, mas logo estaremos de volta. Já liguei para minha mãe e ela está a caminho para ficar com minha mulher até que eu chegue. Certifique- se de que o andamento do almoço corra tudo bem. O dia está ensolarado e Bella quer servi-lo a beira da piscina. Qualquer dúvida recorra a Esme, insisto que Bella não deverá ser incomodada.

Enchi a mulher, que abria a porta para nós, de questões.

— Eu já entendi, Edward. Pode ficar tranquilo. Tudo correrá bem em sua ausência.

— Donna?...

Charlie, com o olhar desconfiado, também se reportou a ela.

— Contenha minha mãe. Ela quase deixou as meninas loucas ontem. Não permita que ela mime demais as três. Precisaremos das meninas fortes e concentradas, não temendo o que as espera no futuro.

— Sim, senhor.

Terminamos a conversa assim que passamos pela porta e entramos no carro. Stephan já nos esperava.

— Você vai me contar o que estão escondendo, Edward? Eu conheço cada uma de minhas filhas e sei que não é só Alice que não está bem.

Em silêncio, me virei para a janela pensando em tudo que andava acontecendo em nossas vidas.

É lógico que Charlie desconfiaria de algo, ele não seria o pai que é, se não descobrisse que algo estava errado. Contudo, ele não tiraria nada de mim, pelo menos ainda não.

— Tudo bem, não vou te pressionar se não pode falar. Só me responda se Bella está bem. Não quero fazer o que vamos fazer com essa dúvida em mente. Tenho medo de me perder se estiverem me escondendo algo mais sério.

Respirei fundo, porém continuei olhando para as ruas e os pedestres por quem passávamos. Por que será que eles acordavam tão cedo em pleno domingo?

— Ela está bem, mais que bem, aliás. Não precisa se preocupar. Deveria falar com ela. Bella sente sua falta.

— Eu já estou falando. Ainda hoje colocarei tudo em pratos limpos. Também sinto falta de minha garotinha.

A garotinha dele, teria bebês. Acho que se ele soubesse disso não estaria aqui nessa calmaria conversando comigo.

Ah, se ele soubesse...

Depois desse pequeno diálogo ficamos em silencio e pude então deixar que os momentos tensos do dia de ontem repassassem por minha cabeça.

Em algum momento depois do almoço Alice acordou e dona Marie e John chegaram.

Foi uma choradeira quando as irmãs Swan’s se reencontraram. E não ouve uma pessoa naquela sala que não se emocionasse. Até a pequena Lizzie, acho que pressentindo, o sentimento que dominava a mãe e as tias, se pôs a berrar em alto e bom som.

Dizer que Charlie e dona Marie ficaram bravos era um eufemismo. Eles estavam raivosos e fora de controle.

E estudaram horas a fio, de portas fechadas, uma maneira para o que, segundo eles, era um problema de Alice.

Contanto, que não voltassem sua ira para meu casamento, eu não me importava com o que fariam. Eu só queria que eles fossem embora logo e que, de preferência, levassem Alice para que Bella pudesse se acalmar.

Que ela não saiba nem imagine que penso isso....

Passamos o restante do dia a relembrar o terror da segunda-feira e cada uma dava uma opinião diferente.

A tensão fez a pressão de Alice voltar a subir e ondas de enjoos dominarem Bella, o que era inaceitável para mim. Por isso, fiz com que mamãe levasse Alice para descansar e fiz o mesmo com Bella, garantindo que ninguém chegasse perto delas depois que nos recolhemos.

Eu garantiria que ela tivesse uma gravidez calma.

— Chegamos. Você tem a chave, Edward?

Baixei o vidro e assim que o porteiro me viu liberou a entrada do carro para a garagem subterrânea.

— Tenho. Pode estacionar assim que entrar lá, não teremos problema.

Apertei a haste de metal entre os dedos me lembrando de uma época em que a amizade era o forte de meus irmãos e eu.

— Vamos fazer isso de uma vez.

Desci do carro e fui logo para o elevador.

— Nos espere aqui, Stephan. Não nos demoraremos.

Ele concordou se encostando no carro.

Adentrei o elevador e destravei, com a chave em mãos, a subida que nos levaria ao exclusivo décimo quinto andar, um duplex na cobertura.

— É um lugar bonito e caro. Para que vocês mantêm isso aqui?

Charlie avaliava atentamente tudo a seu redor e eu podia jurar que sabia o que se passava pela mente dele.

Rá! Se ele pensa que éramos com ele, estava completamente enganado. Nem Jasper em sua completa canalhice.

— Emmett tem um, Jasper outro e eu o meu. É som um lugar onde podemos ser nós mesmos. Sem títulos ou pompa. Foi um presente de vovó.

— Tá. Não precisa se explicar tanto. Vou fingir que acredito nessa conversa barata.

Ele ficou mais sisudo ainda, mas ignorei. Eu não estava com humor para dar- lhe mais do que aquilo.

— Chegamos.

As portas se abriram e nos vimos no hal de entrada, já dentro do ambiente requintado, mas que no momento, fedia a álcool, sujeira e vômito.

— Ah, que ótimo!

Adentrei pulando pilhas de roupas e garrafas de uísques espalhadas ao longo do caminho que nos levaria a sala.

Como Jasper estava vivendo ali?

— Isso está um nojo.

Charlie tampou o nariz com a mão. Quanto mais adentrávamos mais forte a bagunça e os odores mal- cheirosos nos alcançavam.

— Olhe só para isso?

Charlie apontou para um canto, onde amontoados de cacos de vidro se acumulavam. Acima um espelho completamente despedaçado jazia como uma queima de arquivo de algum crime muito cruel e descabido.

— Olha, tenho visitas. O esquadrão demorou. O que foi, já se cansaram de secar as lágrimas de minha esposa incapaz e agora resolveram que seria a hora da vingança? Podem vir, estou preparado.

Jasper estava sentado no sofá, com um copo na mão, e como a mesma roupa que eu o havia visto pela última vez. Isso explicava os odores.

Seu cabelo parecia uma bagunça completa, seu corpo cambaleante, para frente e para trás, e as palavras trôpegas me certificavam de que ele estava muito bêbado a essa hora da manhã.

Mentalmente agradeci a Deus por mamãe e papai não terem vindo com a gente. Ninguém merecia, ver um filho que fora criado com tanto esmero, nesse estado deprimente.

— Na verdade, eu vim mesmo acabar com você. Mas, infelizmente você chegou primeiro. No que se transformou, Jasper?

Ele deu de ombros e levantou o copo em direção a Charlie.

O rosto, do lado esquerdo, completamente inchado e sujo de sangue seco, onde eu havia o acertado.

— Bem vindo ao meu mundo novo, sogrinho. O fundo do posso...

Ele bebeu mais uma dose e tentou ficar de pé, desistindo logo que as pernas cambalearam. Uma risada longa e sem sentido foram expelidas por ele.

— Aqui é legal, sabe. Não tem Edward, o predileto de mamãe. Nem Emmett, o futuro rei de Forkian. Muito menos Alice, a menina fútil. Nem Isabella, a tentação em pessoa.

— Você está fora de si, garoto. Precisa, urgentemente, de um banho e uma internação.

— Eu preciso do meu filho, Charlie. O meu filho que a sua filha não foi capaz de me dar.

Aproximei-me do pai de minha esposa, temendo que ele perdesse a cabeça. Porém, Charlie sempre me surpreenderia.

— Você precisa rever sua vida, seu idiota. Olha o que você fez? Tinha uma vida, uma família. E agora está aqui jogado, esquecido. Com um cheiro podre e se juntando aos insetos. Seus pais não merecem isso. Olha o que está fazendo?

Jasper não estava em condições de entender nada. Ele estava aéreo e completamente bêbado. Porém, Charlie não parecia se importar ou entender isso, ele precisava desabafar.

— Eu te dei meu maior presente. Uma filha, Jasper. Uma filha linda, saudável e feliz. É assim que você me retribui?

Sem que eu pudesse impedir, ele atravessou o cômodo e pegou Jasper pelo colarinho da camisa e o colocou de pé.

Eu estava ali, somente para que ele não extrapolasse, contudo não o impediria de ter seu momento de fúria. Jasper merecia, a ressaca moral era a pior de todas.

— Ela não é saudável, está esperando uma menina, garotas saudáveis não geram meninas. Eu quero devolvê-la.

Charlie arrastou Jasper até a parede mais próxima e bateu com a cabeça dele na parede.

Meu irmão soltou um gemido e soltou uma lufada grande de ar.

Aquilo deve ter doido como o inferno.

— Devolvê-la? Não. Você está enganado, seu bastardo, completamente enganado. Você não irá devolvê-la porque eu a estou reivindicando de volta. Minha filha voltará para casa comigo hoje e você nunca mais colocará seus olhos nela ou em minha neta.

Um sorriso amedrontador tomou a face de Jasper. Porém, Charlie não havia acabado.

— Porém, ela não te dará o divórcio. Você nunca terá a chance de recomeçar, porque sempre será casado. Você já perdeu e perderá mais todas as regalias que tem como herdeiro, porque exigirei que seu pai assim o faça. Será constantemente vigiado e impedido de sair de Ângelus. Acabou, seu monstro. Eu farei de sua vida um inferno, exatamente como você fez com minha filha.

Charlie continuava a bater meu irmão na parede. Porém, a risada insana não o abandou em momento algum.

— Eu já estou no inferno, alteza. Isso aqui é vida para você? Porque para mim, não é. Já estou no inferno.

Sem saber mais o que fazer, Charlie o arremessou, com toda força que podia, na porta que dava acesso a varanda da cobertura.

Ele já havia acabado e agora se dirigia como um touro enfurecido para fora.

O segui ouvindo Jasper voltar a rir como um maluco.

— É melhor sairmos daqui, Edward, ou não responderei por meus atos.

Minha cabeça estava um nó, as palavras de Emmett retumbavam em minha mente.

Imagens de Esme, e seu amor de mãe, perpassavam por mim.

A docilidade de Bella tentava me alcançar.

Eu teria que dar um jeito de nenhum deles chegar perto de Jasper, porque se isso acontecesse, eu sabia que eles dariam um jeito de buscar ajuda, uma cura para a insanidade que tomava conta de Jasper naquele momento.

E para mim era fim de conversa: Jasper não merecia compaixão, nem tinha solução.

Estava morto.

Bella

— Me deixe entrar, sua velha. Essa casa é minha. Eu exijo saber como e esposa de meu neto está.

Respirei fundo, já sabendo que era hora de levantar.

— Me perdoe, majestade. Mas essa casa não é sua. E Edward exigiu que Bella descansasse enquanto pudesse.

— Isso, Donna. Mostra para essa velhota quem manda.

Merda!

Abri os olhos, forçando minha mente a se acostumar com a claridade, joguei o edredom para o lado e me sentei.

— Velhota é sua mãe, sua senil. Quando deixou que essa mulher petulante criasse suas netas? Eu exijo que você saia da porta. Minha nora também está aí e eu vou entrar. Ou você quer que eu chame os seguranças?

— À vontade, dona Elizabeth. Todos nessa casa têm ordens diretas quanto a incomodar, minha menina. Agora, porque a senhora não para de gritar? Edward ficará furioso se a menina Bella acordar antes da hora.

Surpreendi-me ao perceber Esme perto da porta dando risadinhas curtas para o diálogo louco que se passava do lado de fora do quarto.

— Já se passa das onze, mulherzinha chata. Já está na hora dela levantar. Alice já levantou. Eu preciso vê-la também.

— Bella vai acordar quando quiser e estiver pronta. Ordens são ordens.

— Ah! Eu desisto. Vamos encontrar algo para beber, Marie. Antes que eu esqueça de minha compostura e parta para cima dessa mulher.

— Bom trabalho, Donna. É por isso que eu a contratei anos atrás. Você zela pelas minhas netas. Espere por um bônus maior no Natal desse ano.

Levantei as sobrancelhas e passei os dedos quando minha sogra voltou a olhar para mim, ela pareceu surpresa e chateada, ao mesmo tempo.

— Ah, minha querida! Perdoe-me. Elas te acordaram, não foi? Dessa vez não teve como evitar os gritos. Minha sogra está impaciente com esse almoço misterioso. Donna fez o que pôde, mas já é a quarta vez que elas aparecem aqui na porta. Donna está sofrendo com essas duas. Edward terá que recompensa-la.

— Tudo bem, Esme. Já estava mesmo na hora.

Levantei-me, vesti um roupão, de seda, por cima do pijama. E caminhei para o banheiro.

— Você está bem? A manhã não começou muito boa.

— Estou bem. Foi só um enjoo. Estresse e pressão causam isso.

— Sei.

Esme sorriu, de lado, sabendo que eu mentia descaradamente, porém ficou em silêncio.

Logo que Edward saiu e minha sogra chegou eu acordei e me debrucei sobre o vaso sanitário.

Ela não podia fazer nada, porém só de segurar meus cabelos e secar minha testa com uma toalha molhada, já serviram para me passar a segurança e o conforto de que precisava.

— Quer que eu te ajude com o banho?

— Não precisa, sogra. Estou bem. Pode descer. Logo me junto a vocês.

— Tem certeza?

Assenti.

— Então tá. Vou descer antes que minha sogra e sua avó coloquem fogo na cozinha. Tranque a porta ou é bem capaz que elas invadam aqui e a interrogarem durante o banho.

— Tudo bem. Acho que preciso mesmo de uns momentinhos de sossego antes de enfrentar as feras lá embaixo.

Sorrimos uma para outra enquanto a acompanhei até a porta, prometendo não demorar mais do que o necessário.

— Esme? Edward já chegou?

Ela já se afastava quando consegui sua atenção de volta. Porém, a dor que estampou sua face, naquele instante, me fez arrepender-me de minhas palavras.

— Não, querida, ele não chegou ainda. Mas, não se preocupe com isso, deve estar a caminho.

Acenei afirmativamente e fechei a porta trancando todos aqueles sentimentos ruins do lado de fora. Aquele era nosso dia e nada estragaria o momento especial que compartilharíamos.

— Isso. Seja otimista, Bella. Otimismo é tudo.

Passando pelo closet escolhi um vestido de malha, justo na parte de cima, mas que se abria em evasê na saia. Ele era de cores pastel, meio bege, meio perolado com estampas floras e coloridas na saia.

Usá-lo foi uma escolha programada, já que supunha que várias mãos tocariam minha falta de barriga naquele dia. Talvez com ele, a ilusão a saliência tão ansiada, fosse mais evidente.

Voltei para o banheiro e evitei contato visual com a banheira, ou acabaria me rendendo. Eu amava como a água quente se moldava a meus ombros enquanto eu me deitava naquele objeto lindo e projetado especialmente para meu banheiro.

Só que Edward não estava ali, e contemplar um banho de banheira sem ele, era quase que uma profanação.

Eu teria que esperar por isso para mais tarde e ele teria que me recompensar, por não poder desfrutar de seu corpo delicioso logo pela manhã.

Então, ducha quente seria a solução do momento.

— Ahhh!

Gemi de contentamento quando os jatos fortes atingiram minhas costas e meus cabelos.

Deixei que a água lavasse todos os medos e angústias dos dias passados. Eu precisava me libertar desses sentimentos e recomeçar.

Por meus filhos...

Despejei uma grande quantidade de sabonete liquido na mão e alisei o abrigo de meus bebês, querendo que a segurança e meu amor chegassem até eles.

— Hoje é um grande dia, amores. Apresentaremos vocês a nossas famílias malucas. Não se assustem, tá? Papai e mamãe estarão aqui e nada vai acontecer. Só deixem que eles inundem vocês com o de melhor que cada um possui. Certo? Mamãe promete que logo eles irão embora e que vocês poderão descansar de toda confusão desses dias.

Acariciei-me mais um pouco sentindo a maravilha de tê-los junto a mim.

Porém, não me demorei demais.

Aprontei-me, calcei sapatos baixos e logo fui ao encontro de todos.

A casa estava silenciosa demais, ninguém a vista. Então meu instinto me levou até nossa área de lazer, e sim, estavam quase todos ali.

Esme havia conseguido.

— Bella! Até que enfim.

Fui abraçada e beijada por todas as mulheres e também por Emm e John. Carlisle só me abraçou de lado, porque seus olhos não saiam lá de baixo à procura de algo ou alguém, que imaginei serem Edward e meu pai. Sam estava ao seu lado e a todo o momento varria o perímetro com olhos de águia.

Edward deixaria a todos malucos com sua, mais nova, mania de proteção.

Quando ele me disse, ontem à noite, que sairia com papai hoje e que eles resolveriam um assunto de homem, eu quis argumentar, porém fiquei quieta, eu imaginava, como todos naquele recinto, onde eles estavam, mas não me intrometeria. Jasper era assunto deles.

— Querida se junte a nós. Rosie está nos contanto das peripécias de Lizzie a noite.

Rosie e Lizzie estavam sentadas embaixo de um enorme guarda sol, a bebezinha mamava, com gosto, o peito da mãe. Os olhinhos arregalados tentavam acompanhar cada uma das mulheres que falavam a sua volta.

— Bom dia, meu amor. Deus te abençoe.

Aproximei-me e beijei a testinha delicada, já pensando em pedir a Alice que desenhasse o mais lindo vestido de batizado para nossa pequena gracinha.

— Essa garota tem acabado comigo, Bells. Ela teima em ser uma criança da noite. Isso não estava no manual de instrução.

Todas sorriram e vovó acariciou as bochechas rosadas com as pontas dos dedos.

— Ela não é uma criatura noturna, querida. Só está trocando o dia pela noite. Isso é normal. Você tem que deita-la para “os pés” no berço. Isso é, tiro e queda.

— Não dê atenção a essa velha. Os métodos dela já estão ultrapassados. Você tem é que dar uma chuquinha de chá de erva- doce para ela à tarde. Aí ela se acalmará e dormirá como um anjo. Meu Aro era desse jeito e foi assim que o curei.

O sono de Lizzie foi o que desencadeou a primeira conversa alta do dia, ver vovó e dona Elizabeth se estranharem já era normal, agora mamãe e Esme foi novidade.

— Isso não funciona. Com as meninas, era só dar um banho quente à noite. Não tem solução melhor. Ela vai relaxar e dormir a noite toda. Eu já te disse isso.

— Ah Renée, tenho que discordar de você, banho só alertava meus filhos. O certo é abraçá-la até que ela se aqueça e sinta o cheiro de um de vocês. Isso a deixará tranquila e então ela dormirá.

— É mesmo e mimará a menina. Levando-a a dormir só no colo.

— Ei, você está insinuando que meus filhos são mimados, Renée?

— Não. Quê isso...

Mamãe usou do sarcasmo e Esme fez careta e acalorou a discussão.

— Chega! Parem de gritar!

Rosie, que não era conhecida por sua maior paciência, esbravejou mais alto que todas, assuntando a Lizzie, a Alice e a mim também.

— Bells, o que acha? A profissional aqui é você.

— Hum...

Sai de perto de mamãe, fui até ela e me posicionei a suas costas, firmando a mão no encosto da cadeira que ela ocupava.

— Acho que isso é fase. Lizzie só está se acostumando com o mundo fora do útero, já que ela é totalmente saudável e não tem motivos para o choro. O que não significa que vocês precisarão sofrer até que ela se acostume. Porque você não faz assim, dê um banho quente nela lá pelas seis horas, depois um chazinho bem gostoso de erva-doce, depois a abrace com gosto para que ela relaxe um pouquinho e por fim, a coloque ao contrário no berço. Todas são ótimas ideias e não devem ser descartadas.

Rosie sorriu e colocou sua mão por cima da minha. Alice se aproximou e juntou sua mão a nossa.

— Você está fazendo um ótimo trabalho. Assim como Alice fará. Crie seus métodos, fortaleça os laços com sua filha e logo ela saberá e você também o que é melhor para as duas.

Ouvi vários suspiros, porém não levantei a cabeça para ver. Era o nosso momento irmãs fortalecendo os laços.

— Estamos atrapalhando a seção meiguice?

O clima foi quebrado pela voz austera de papai.

— Claro que não, junte-se a nós, amigo.

Carlisle e papai se encaram, contudo, um aceno de cabeça foi o que bastou para que ambos se entendessem e decidissem que não falariam, em nossa presença, sobre a saída misteriosa dele e de Edward.

— Como estão minhas mulheres?

— Bem. Todas muito bem.

Mamãe respondeu por nós, mas papai só se contentou ao beijar cada uma e isso inclui a Alice e sua barriga grande.

— Dormiu bem?

Os dedos dele traçaram, o que imaginei, serem olheiras em meu rosto.

— Dormi, como um anjo. A pressão de Alice está mais controlada. A presença de vocês aqui, fez milagre.

— A força de vocês é que faz milagre. Sou um pai orgulhoso, meu amor. Um avô de meninas, orgulhoso. O mais orgulhoso.

Papai se abaixou sobre Rosie e tocou a mãozinha de Lizzie, enquanto a outra continuava a acariciar a barriga de Alice. Eu estava ao seu lado. Ele nos tinha a sua volta. Era sua maneira de dizer que meninas eram importantes e que ele se importava.

— Pode deixar comigo, Bá. Pode agilizar o almoço? Charlie e eu estamos famintos.

Edward que subia os últimos degraus da escada, conversava atentamente com Bá que vinha com um copo nas mãos.

Em que mundo eu estava que não ouvi o carro chegar?

— Aqui isso é para você.

Olhos nos olhos. Castanho com verde. Eu estava me deliciando com a imagem dele de banho tomado, cheiroso, com roupas informais e estendendo um copo com algo colorido, de aparência nada agradável, para mim.

— Hum! Posso passar? Essa coisa verde não me parece nada apetitoso. Que tal uma copo extra- grande de coca- cola, com limão e bastante gelo?

O sorriso que ele abriu iluminaria uma cidade inteira. Nada em suas feições denunciavam o que eles haviam acabado de fazer.

— Hum, você não pode passar, princesa. Mas talvez eu possa fazer com que o suco de Bá fique mais saboroso. Quer testar?

— É?

Peguei o copo e segurei o canudinho, sentindo a intensidade com que ele me devorava com os olhos. A atração era mútua. Sabíamos o que o outro queria e insinuava só de olhar.

— É. Está pronta?

Assenti, sorrindo como uma idiota e ignorando tudo e, todos, a nossa volta.

— Você provoca demais, gatinha. Isso será nossa perdição, senhora Cullen.

— E você gosta.

— Amo.

Ele diminuiu o espaço entre nós, segurou minha nuca e trouxe sua boca para minha.

Beijando-me, me devorando, saboreando tudo que o oferecia.

— Ei, ei!!! Dá para pararem? Tem crianças nesse recinto, seus pervertidos.

Edward e eu sorrimos em meio ao beijo e foi impossível continuar.

Era o primeiro momento tranquilo e divertido que compartilhávamos nos últimos dias.

E ver Emm brincando era prova de que logo nossa vida encontraria uma maneira de se adequar ao momento.

— Emm tem razão. Parem de se exibir. Isso não é elegante.

— Não se preocupe, querida. Beije muito, aproveite. Essa velha só está com inveja porque não tem ninguém para lhe esquentar os pés nas noites de inverno. Não dê atenção a ela, se exiba mesmo. Seu marido é bonitão e parece quente.

— Marie!

— Vovó!

— Mãe!

Papai, John e Rosie a repreenderam, porém, vovó sorria orgulhosa de sua observação.

Dona Elizabeth também sorria. Lá no fundo ela sabia que vovó estava certa, todos precisavam de alguém para lhe esquentar o pé.

Contudo, eu duvidava que a rainha de Ângelus conseguiria isso.

Era testosterona demais se intrometendo em sua vida.

— Beba e sorria.

Edward me abraçou por trás e, assim como quem não quer nada, descansou as duas mãos sobre minha barriga.

— Eles estão felizes ou estão fingindo?

Perguntou-me baixinho enquanto beijava meu pescoço, fazendo-me arrepiar e os dedos dos meus pés de dobrarem de ansiedade e desejo.

— Não sei. Parecem bem, porém estão evitando o assunto Jasper, só porque Alice está aqui. Ela não vai quebrar. Eles precisão entender isso.

— Dê tempo a eles, minha vida. Foi uma semana conturbada.

— Eu sei, mas...

— Não dá para visitar sua instituição amanhã, Esme. Voltaremos para casa bem cedo. Charlie comunicou o comandante ontem à noite.

— Mas assim tão rápido?

Edward e eu nos calamos, só ouvindo onde aquele assunto nos levaria. Mamãe e Esme pareciam “pisar em ovos” uma com a outra, mas a tensão que as rodeava era palpável.

Eu entendia Esme, Jasper era seu filho, mas também entendia e apoiava Renée. Uma de suas crias havia saído machucada por causa do filho da outra.

— Vocês não poderiam adiar a volta? Seria bom para Alice e Bella se os pais ficassem mais um pouco com elas e...

— Alice vai para casa conosco, aliás, ela e Bella também.

— Quê?

Papai foi enfático silenciando a conversa imediatamente.

Ele não estava para brincadeira. Nada parecido com o homem amoroso que nos cercara há minutos atrás.

O rei estava de volta...

— Isso mesmo que vocês ouviram. Ângelus não é capaz de oferecer segurança a minhas filhas e minha neta. Nós estamos voltando para casa amanhã mesmo.

— Eu não vou. O senhor está sonhando se acha que vou deixar meu marido e minha vida só porque acha que não estaremos protegidas. Isso é insano, pai. Fora de cogitação.

Edward me segurou, com mais força, pela cintura, pronto para me jogar nos ombros e fugir comigo para algum lugar.

— Não, lamento te informar, pai. Mas, também não vou para Forkian, pelo menos não agora. Tenho uma vida aqui. Estou no meio de uma coleção e do projeto do fim de ano. Não tem a mínima condição de que eu abandone tudo e corra para debaixo de suas asas, pai. Quanto a Bells, o senhor está doente se acha que meus problemas estragarão a vida de minha irmã e do marido. Olhe para eles. Edward me salvou na segunda feira e ele tem feito isso durante toda semana. Pai, foi meu casamento que não deu certo. O de Rosie e Bella se salvarão, porque eles se amam. Não pense nisso como um todo. Pense em Rosie, Bella e eu. Somos três, papai.

Charlie nos olhou de cima abaixo e para nossa surpresa assentiu sorrindo. Logo voltando sua atenção para Alice.

Era um teste? Ou ele estava aprovando e concordando com as palavras de Alice?

Edward e eu respiramos aliviados. O aperto em minha cintura se afrouxando consideravelmente.

— Você vem comigo, Alice. Não abro mão disso. Sua situação é completamente diferente de suas irmãs. Protegerei e cuidarei melhor de você em casa. Não abro mão disso.

— Desculpe-me, pai, mas não preciso de sua proteção ou cuidado. Preciso de seu apoio, de todos vocês, na verdade. Contudo, não vou desistir de viver, não vou morrer só porque vou seguir com minha vida sozinha. Sou independente, Charlie. Você me criou para isso. Estou quebrada, também é verdade. Mas, estou juntando os cacos. Vou sobreviver, dar a volta por cima e recomeçar. Será que podem me ajudar com isso?

— Isso não está em discussão, Alice.

Charlie se manteve firme. E então foi a vez de Carlisle se manifestar. O rei de Ângelus tinha um brilho indecifrável nos olhos.

— Claro que podemos te apoiar, querida. É para isso que serve a família. Você terá nosso apoio aqui ou em Forkian e seja para o que quiser fazer. Acho que esse reino pode conseguir com que você e sua filha estejam em segurança até que decida por qual caminho seguir.

— Tenho que discordar. Alice deve partir conosco para Forkian. Charlie está certo.

Vovó estava séria, o que não condizia com a vovó que eu conhecia.

Rosie e Emmett, Edward e eu ficamos quietos em nossos lugares, acredito que nenhum queria que a situação se revertesse para nosso lado.

— É claro que Ângelus garantirá o melhor para Alice e o bebê. Ela é uma Cullen, Marie.

— Ela não é uma Cullen, é uma Swan.

— Cullen.

— Swan.

— Cullen, sua velha gagá.

— Swan, sua senil...

Papai e Carlisle negaram com a cabeça, enquanto aquela discussão se acalorava outra fez.

— Lamento, vovó. Mas, pela primeira vez, estou tomando as rédeas de minha vida. Ficarei aqui até terminar os trabalhos que tenho pendentes. Depois, se der tempo, vou para Forkian e por lá ficarei até que o bebê fique maiorzinho. Terei tempo de sobra para pensar e resolver por onde quero começar minha vida. A decisão está tomada. Eu só gostaria que vocês me apoiassem.

— Mesmo que se decida por se mudar, querida, terá nosso apoio. Ângelus já fez estrago demais em sua vida e seria ignorância nossa se te pedíssemos para ficar.

Esme desafiou dona Elizabeth e Carlisle a contradizê-la.

Os dois, baixaram a cabeça e permaneceram em silêncio.

— Obrigada, Esme. A única coisa que sei, no momento, é que vou ficar. O futuro, pensarei depois. Um dia de cada vez é tudo que peço.

Mamãe a abraçou com força ainda lamentado a escolha de Alice.

Charlie não parecia convencido com a ideia. Porém, não parecia disposto a intervir.

Creio que ele preferira dar-lhe opções, não imposições. Algo em meu peito deu um solavanco.

Talvez ainda haja salvação para nossas famílias.

— Bella, posso servir o almoço? Está tudo pronto.

Bá nos tirou de nossa bolha de pensamentos.

— Pode, Bá, eu vou...

Estava pronta para me afastar de Edward quando ele segurou meu rosto e disse alto para que todos ouvissem.

— Não, Bá, espere só um minuto. Bella e eu temos algo a dizer. Fique aqui, por favor.

— Agora?

Murmurei baixinho. Eu estava insegura, acho que talvez devêssemos deixar para dar a notícia em outro momento.

Nossa família já teve emoções demais por um final de semana.

— Agora. Olhe só para eles, amor. Todos merecem uma boa notícia. Estão esperando por isso como náufragos esperam por um bote salva-vidas. Estão a deriva. Vamos resgatá-los?

Virei-me e observei como todos nos encaravam com tamanha expectativa. Esme, inclusive, já tinha os olhos marejados.

— Falem de uma vez. Vocês estão nos deixando loucos.

Emm se aproximou de Rosie e a segurou pelos ombros.

— Tá bom. Vamos acabar com isso de uma vez.

Segurei a mão de Edward mais forte, porém fiquei em silêncio eu deixaria que ele desse a notícia. Acho que não tinha psicológico para uma coisa dessas. Dizer em voz alta era tornar tudo real.

— Bella e eu, nós, nós...

— Falem, porra. Estamos preparados. Vocês estão se separando também, é isso? Edward, seu cabeção, o que você fez dessa vez?

Emmett voltou a falar alto.

Vovó Marie e dona Elizabeth se deram as mãos compartilhando algo ou uma emoção inexplicável.

Papai e Carlisle pareciam atônitos e totalmente compenetrados em algo.

— Nós, nós seremos pais. Descobrimos que Bella está grávida e...

Edward não conseguiu completar o raciocínio. Um monte de abraços, gritos e mãos nos alcançaram antes que pudéssemos terminar.

— Grávida? Meu bebê está grávida? Ah Deus!

Vovó me abraçava e alisava meu cabelo.

Edward me segurava pelos ombros temendo que eu caísse de costas.

— Nossos filhos terão quase a mesma idade, irmã. Eles serão amigos e brincaram como a gente fazia.

Rosie, que não sei como levantou-se de sua cadeira e veio até mim enquanto sacudia Lizzie e alisava minha barriga.

— Um neto, mais um neto. Vocês não acham que estão indo rápido demais? O que é isso uma epidemia? Ou um jeito de me envelhecerem mais depressa. Podem parar com isso, rapazinhos.

Dona Elizabeth, tentando esconder as lágrimas para não abalar a fama de forte e mandona, abraçava Edward com força e o felicitava.

— Ah irmã, vocês merecem isso. Edward e vocês serão pais fantásticos. Eu vi isso nessa semana que passei aqui. Estou tão orgulhosa.

Alice permanecia mais afastada por causa da imensa barriga, porém a emoção que demonstrava também era imensa.

— Ela é pequena demais. Deus! Pequena demais. Estou apavorado. Mudei de ideia, vamos para casa hoje mesmo e...

Edward abraçou meu pai o impedindo de pirar.

— Eu vou cuidar deles, sogro. Bella é forte. Conseguiremos fazer isso. Ela não está sozinha.

— Eu também sou pequena, Charlie. Isso não é problema. Oh, querida! Que felicidade, meus parabéns. Um bebezinho. Um bebezinho lindo, para engrandecer ainda mais essa família.

Mamãe me tirou dos braços de Charlie e Edward precisou me segurar, pelas costas, mais uma vez.

— Eu sabia, querida. Todo aquele enjoo matinal. E essa pele que está mais linda do que nunca. Muitos netos, foi isso que pedi a meus filhos. Obrigada Deus! Muito obrigada.

Esme alisava meus cabelos e tentava, sem muita sorte, também acariciar minha barriga. Porém, as mãos de vovó Marie nunca me deixavam.

— Eh, irmão. “Queimou minha língua” eu jurava que tu era gay. Se bem que gays também fazem filhos. Acho que ainda vou ficar na dúvida.

— Parabéns, filho. Você merece esse presente. Amadureceu muito. Agora você saberá o que é felicidade de verdade.

Emmett e Carlisle também felicitavam Edward. Todos, a nossa volta tornava a coisa muito mais confusa do que era.

— Parem, pelo amor de Deus. Deixem- me terminar. Vocês estão sufocando minha mulher. Se contenham, se acalmem e parem de falar todos de uma vez, pelo amor de Deus.

— Sufocando, sufocando? Garoto, gravidez não é doença. Deixe que a gente aproveite nosso momento e...

— Não é doença, dona Marie. Mas, requer cuidado. Bella está grávida de...

— Gêmeos. Dois bebês, duas pessoinhas dentro de mim.

Interrompi meu marido surtando, coloquei a mão no ventre e respirei fundo.

— Dois bebês?

— Vocês tem certeza?

— Enlouqueceram?

— Agora sim, irmaozão!

Calei-me e encarei o céu com intensidade, quando todos voltaram a falar ao mesmo tempo e me apalpar como se eu fosse uma experiência.

Ah, Deus! Esses nove meses seriam um suplício.

Notas finais
Meninas, como a maioria sabe, somos comerciantes, então dia das mães é loucura. Então, nada de capítulo semana que vem. Volto logo, ok. Beijinhos e comentem, por favor.