Três Príncipes, Três Princesas
7 Quando um anjo intercede a tendência é...
Notas iniciais
Narrador
Esme sentia a nuvem negra pairando sobre sua família. A rainha- mãe conhecia suas crias. E desde que Emmett, Jasper e Edward entraram, praticamente, se enfrentando, ela previu que algo de muito ruim atingiria sua família.
Previsão essa que se confirmou quando um furioso Charlie cruzou seu caminho em algum momento daquela tarde.
E como prezava sua vida e dignidade, somente coube à rainha de Angelus “esperar, rezar, esperar, rezar e esperar e rezar, de novo” até que os gritos e gemidos de frustração do soberano de Forkian cessassem e então, só assim ela pudesse entrar naquele escritório e intervir, mais uma vez, em função de seus amados filhos.
Assim sendo, tão logo Charlie saiu e desapareceu no andar de cima, Esme começou sua “Via Crucis” de espera...
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Começou a contar.
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Respirou fundo e continuou contando...
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Pronto! Pensou ela. Já dera tempo dos homens de sua vida se acalmarem ou, se matarem de vez.
Era chegada a hora dela entrar em ação.
Assim sendo, entrou sorrateiramente no escritório, já pronta pra enfrentar a ira do marido.
– Você só pode estar louco, garoto. Se o Charlie desistir desse acordo é melhor que você suma de uma vez dessa casa, desse país, desse mundo, pois eu não respondo por mim. Eu vou enforcar esse seu pescoço, não melhor, vai queima-lo em praça pública, não melhor ainda, vou decapita-lo e dar sua cabeça de presente de casamento ao filho de Billy Black.
E a tempestade estava mesmo muito feia. Por isso, a rainha- mãe, não perdeu tempo, atravessou o local e intencionalmente se postou ao lado dos filhos e com uma olhar fulminante enfrentou o marido.
– Componha-se Carlisle. Ou você pretende que todas as pessoas desse castelo saibam o tamanho de nossos problemas?
– Problemas? Que problemas, mulher? Não estou vendo nem sabendo de nenhum problema aqui, a única coisa que estou vendo é um “filho da mãe” de um garoto mimado, que acabou de partir o coração da ex- futura- esposa. E “fodeu” com meus planos para com o pai dela, isso é a única coisa que estou vendo aqui. Simples, não é? E por isso, somente por esse, pequeno contratempo é que eu vou matar esse “bastardo” que você chama de filho, Esme. E disso você não tenha dúvidas. Eu vou matá-lo.
O rei de Angelus já não mantinha a compostura e gritava a “todos pulmões” tamanha sua ira.
– Eu tenho uma guerra pra vencer Esme. Os terroristas estão nos cercando, de todas as maneiras. Eu não aguento mais tantas ameaças, eu preciso do apoio de Charlie para derrota-los, eu preciso das forças armadas e da equipe de inteligência dele, se quiser ganhar essa guerra. E esse seu filho acabou com a melhor e única oportunidade que eu tinha de conseguir o apoio do meu “pacífico” amigo.
Esme não quis “dar o braço a torcer”, no entanto entendeu de imediato a gravidade da situação.
– Pois bem, então se acalme homem. E vamos pensar em algo pra resolver esse pequeno contratempo, Carlisle.
– Acalmar-me? Acalmar-me? Ora quem é você pra me dizer isso, mulher? Ponha-se no seu lugar. Você não faz ideia do que esse rompimento vai me causar e custar. Saia daqui de uma vez, antes que eu vire a minha ira pra você. Suma daqui, ande, desapareça, eu preciso pensar e com você aqui eu não consigo fazê-lo. Suma de uma vez ou...
Esme fechou o semblante, deu um passo à frente e destemidamente ameaçou seu marido com o dedo em riste.
– Auto lá, “senhor todo poderoso” de Angelus! Fale baixo comigo, Calisle! Você não está falando com seus súditos, muito menos com seus conselheiros “bundões”. Eu sou sua rainha e esposa e por isso, exijo respeito. E se você é incapaz de raciocinar e conversar civilizadamente, ao mesmo tempo, então “abaixe esse topete” e deixe que eu o faça.
Carlisle assustado com o que, erroneamente, havia acabado de falar e com o rompante da esposa, “murchou” as orelhas, abaixou a cabeça e deu dois passos para trás.
– Muito bem! É assim que eu gosto de ver. É assim que deve ser. Aprendam essa lição meus filhos e tenho certeza que os casamentos de vocês serão duradouros e felizes, assim como o meu.
Carlisle trincou os dentes para o comentário, todavia a rainha-mãe já havia voltado toda sua atenção para seus filhos.
– Muito bem agora que já decidimos quem manda, será que alguém tem a decência de me explicar o porquê de tanta gritaria na minha casa? Ainda mais quando estamos recebendo visitas tão aguardadas e importantes? Essa foi à educação que dei a vocês?
Edward encarou a mãe. Ele era o único que não temia fazê-lo.
– Eu cometi um erro, mãe. E por isso Charlie está levando as princesas de volta e rompendo com o acordo que assinou com papai.
Esme ouviu Carlisle trincar os dentes mais uma vez e antes que ele recomeçasse com o “destempero” a matriarca resolveu se pronunciar outra vez.
– E o que foi que você fez, querido?
E então, um angustiado Edward relatou a rainha todo o fatídico episodio a qual ele e a princesa haviam protagonizado mais cedo.
Esme ouvia a tudo contrariada. Ela conhecia cada um de seus “rebentos” e sabia que um casamento arranjado nunca fora do agrado de seu caçula, no entanto, ela também sabia que Edward nunca magoaria a filha de Charlie propositalmente.
– E foi isso mamãe. Agora não só Isabella quanto Charlie e papai estão realmente decepcionados comigo.
– E o que você pretende fazer para consertar essa situação, querido?
– Ah ele vai consertar. Se vai, ou então eu vou....
– Carlisle! Você não vai nada. Cala-te, “homem de Deus”.
Esme voltou de novo seu olhar feroz para o marido, fazendo assim com que ele se calasse imediatamente, outra vez.
– Eu vou me desculpar, mãe. Vou implorar a ela que me de uma segunda chance.
A cabeça da rainha dava voltas e mais voltas. Ela precisava encontrar uma solução para aquela bagunça. O olhar triste de Edward falava por si só, ele precisava de ajuda. Isabella havia mexido verdadeiramente com sua criança. Por isso, pensou, pensou, pensou e por fim tomou uma atitude digna de uma “mãe leoa”, que era.
– Você está certo, meu amor. Você vai mesmo se desculpar, você deve isso àquela família. No entanto eu vou ter uma conversinha com Isabella, de mulher pra mulher, antes disso.
Os quatro homens Cullens estremeceram.
– Mãe, Esme...
Disseram todos ao mesmo tempo.
– Agora se vocês me permitem.
E sem mais espera e nem “dar moral” aos argumentos de seus familiares, Esme foi saindo para o compromisso, que tinha acabado de marcar com uma inconsolável e onisciente Isabella.
– Ah! E antes que eu me esqueça. Carlisle, hoje você dorme no sofá, senhor meu marido.
Pov Bella
Renée disfarçava, mas a vontade que tinha de ir para casa já estava a dominando. A rainha não sabia mais o que fazer para conter as lagrimas silenciosas de sua doce Bella.
– Pare de chorar, amor. Já passou, seu pai vai resolver tudo isso e logo nós estaremos em casa. Você nunca mais vai passar por isso, anjo. Eu garanto! Agora vamos, pare de chorar, princesa.
Minha mãe e minhas irmãs tentavam me consolar, mas estava muito difícil, eu não conseguia me controlar, as palavras do príncipe iam e voltavam a todo instante em minha cabeça.
– Seus olhos já estão um horror, Bellinha. Se você continuar a esfregá-los assim, nem eu conseguirei dar um jeito no estrago.
– Suma daqui, Alice.
– Bella!
Eu estava insana. Despejei minha raiva na minha irmã e me arrependi na mesma hora, Alice não merecia, não era ela que havia sido rude comigo.
– Desculpa Ali..., Mas, por favor, eu quero e preciso ficar sozinha. Eu vou ficar bem, eu só preciso pensar um pouco.
Mamãe e minhas irmãs se retesaram. No entanto, elas me conheciam. Isabella Swan precisava “lamber suas feridas” sozinha. Por isso, mesmo que a preocupação as corroesse, elas saíram, não sem antes me darem, cada uma, um delicioso beijinho na testa, Alice mais teatralmente, como só ela sabia fazer.
Eu queria pensar.
Pensar em como me enganei, em como imaginei que as coisas seriam diferentes. Eu não estava sofrendo porque Edward achara que eu era uma criada, lógico que não, afinal, que problema há em ser uma criada?
Na verdade, eu estava sofrendo porque ele me julgara sem me conhecer. Logo eu, que nunca fora adepta a aparências. Nem em meus sonhos me passou a possibilidade, de renega-lo, caso ele fosse feio, ou coisa assim, eu realmente aprendi a contemplar o interior das pessoas. Jake havia me ensinado muito nesse sentido.
Rose, sempre me criticou por pensar assim e por me deixar influenciar, por meu melhor amigo. Minha estonteante irmãzinha prezava uma boa aparência e títulos, e agora eu via que ela não era a única que pensava assim.
– Filha?
Meu pai se sentou ao meu lado, pegou-me no colo e aninhou-me junto ao peito, exatamente como fazia quando eu era criança e chorava por medo dos trovões.
– Não chore, Florzinha. Vai passar. Ninguém vai te obrigar a fazer algo que você não queira. Agora durma, descanse um pouquinho e quando você acordar já estará melhor e então estaremos prontos para partirmos pra casa.
Acenei em silêncio, me aconcheguei mais em seu corpo protetor ainda gemendo e suspirando baixinho. O calor e o acalento de Charlie sempre seriam minha melhor cura para qualquer doença ou problema.
Em algum momento me deixei dominar pelo cansaço do choro e estresse do dia e simplesmente apaguei.
Foi um sono agitado, sem sonhos, mais inquietante. Em algum momento percebi que papai me colocava na cama, me beijava e me cobria, mas nem isso me fez acordar.
Só sei que dormi, dormi e dormi...
E quando acordei, já devia ser bem tarde, pois o quarto estava quase que todo escuro, apenas o pequeno abajur dava uma certa claridade ao ambiente.
Eu ainda revirava na cama, pensando na possibilidade de fingir que dormia, quando dei pela presença de alguém me encarando da poltrona próxima a janela.
– Assustei você? Perdoe-me, não era a minha intenção.
Fiz menção de levantar para reverencia-la, no entanto, a linda rainha de Angelus não permitiu.
– Não se incomode, querida, fique bem aí. Eu não estou aqui como a rainha Esme, eu estou aqui como a mãe Esme. E por isso, formalidades são desnecessárias. Será que podemos conversar um pouquinho antes de você levantar?
Quem era eu para negar alguma coisa a uma senhora que me pedia algo tão docemente.
– Tudo bem majestade.
Sentei-me na cama e escorei as costas na cabeceira de dossel. E então, ela começou a falar a que veio.
– Sabe Isabella, ou melhor, Bella. É assim que gosta de ser chamada, não é? Eu também posso me referir a você, assim?
– Claro que pode, alteza. Pra mim seria uma honra.
– Esme, me chame de Esme, querida. Se estamos estreitando os laços, eu quero que tenha comigo a mesma liberdade, que eu terei com você. Estamos de acordo?
Pensei no que ela me disse, e concordei, apesar, de eu ter certeza de que meu pai e minha mãe não aprovariam nada, nada, essa aproximação toda.
– Pois bem, querida. Eu estava na cozinha, fiscalizando se as coisas andavam em ordem para o jantar, quando percebi que meus filhos “trotavam feitos leões feridos” para a “toca“ do pai, e como uma mãe preocupada, que sou, fui ao encontro deles e então me pus à parte de tudo que aconteceu, hoje mais cedo.
Prestei mais atenção nela. Eu estava mesmo interessada em saber como ela se posicionaria nessa situação.
– A princípio, eu pensei que todos os gritos eram porque Edward, infantilmente, não havia comparecido à recepção de vocês, afinal Emmett e Jasper ficaram encantados pelas irmãs “Swans” e era bem provável, que “crucificariam” o irmão, por medo de que Charlie rompesse o acordo. Mas, então Edward me olhou nos olhos e me contou que, infelizmente, havia cometido um dos maiores erros de sua vida e que temia que fosse tarde demais para corrigi-lo.
Eu ouvia tudo o que ela dizia, mas minha mente não conseguia raciocinar onde ela queria chegar.
– E tudo querida, só piorou quando Charlie, quase pôs esse palácio abaixo e com razão, é claro, eu no lugar dele faria a mesma coisa, ou melhor, eu estou fazendo a mesma coisa...
– Eu não estou entendendo rain..., Esme.
– Então eu serei mais clara Bella. Eu estou aqui, querida, fazendo a mesma coisa que seu pai, eu estou aqui, defendendo a minha cria... Depois que seu pai saiu do escritório do meu marido, Carlisle ainda gritou mais uma meia hora com Edward, mas não se preocupe, essa parte eu resolvo, meu marido anda achando que pode tratar os filhos como trata seus empregados, deixa aquele homem comigo, essa noite eu ensino boas maneiras a ele.
Ri de seu comentário, a rainha de Angelus estava me confessando, “na cara dura”, que mandava na relação.
– Sabe o que me incomodou de verdade, Bella?
Neguei com a cabeça.
– Foi à reação de Jasper e Emmett. Seu pai ameaçou levá-la de volta, incluindo Alice e Rosálie no pacote. E mais uma vez, eu não o condeno, eu também não teria coragem de separar vocês. A união de vocês é linda, assim como a de meus filhos era e se tem uma coisa que eu me orgulho, Bella, é de nunca ter presenciado uma discussão séria entre meus filhos, mesmo depois deles terem se afastado tanto.
– Está me acompanhando, querida?
– Sim, majestade. Ou melhor, Esme.
E eu estava mesmo. Na minha cabeça já borbulhavam imagens de Rose e Alie, chorando e indo para casa a contra gosto. Minhas irmãs não mereciam passar por isso, por minha culpa.
– E hoje Bella, eu posso te garantir, que se vocês forem embora dessa casa, a minha família sofrerá as consequências. Não por causa de acordos, reinados e tudo mais que Charlie e Carlisle tenham assinado, mas sim por causa da reação de meus filhos. Emmett e Jasper, já deixaram claro, que Edward é o culpado e eu sei que isso é só o começo. Meus “mais velhos” gostaram muito de suas irmãs. Eles sonhavam com o dia em que conheceriam- nas, eles não querem se afastar delas logo agora, e é por isso que estou aqui Bella. Pra te pedir, ou melhor, pra te implorar, que não deixe que os meus filhos briguem, entre si que, por favor, não deixe que a minha casa, “que foi construída sobre a pedra”, desabe.
Eu não sabia o que responder, eu não entendia como poderia ajudá-la, mas a aflição dela era tanta, que estava me deixando completamente angustiada.
– Eu te entendo, Esme. Somente não compreendi ainda como poderei ajudá-la a solucionar seu problema.
Ela me encarava com aqueles olhos de rainha. Será que eu, ou alguém, algum dia, conseguiria negar alguma coisa a ela? Tenho minhas dúvidas.
– Você pode me ajudar, Bella. Fique aqui, querida! Não vá para casa! De uma chance a meu Edward, para que ele se explique. Vocês ainda não se conhecem Bella. Ele é um garoto de ouro, meu filho, brincou com você sem saber quem você era. Meu garoto é humilde, carinhoso, educado, de uma chance a ele, Bela. Ele se encantou por você, mesmo achando que era uma dama de companhia, isso prova ele não é tão ruim assim. Edward é, de todos os meus filhos, o mais amoroso. A mulher que o conquistar será uma sortuda. Seja essa mulher Bella.
Ignorei a última parte da fala dela. Eu não queria pensar nisso agora.
– Eu não me importo dele ter me confundido, Esme. Eu estou realmente magoada, é dele ter me julgado sem nem me conhecer, ele nem se interessou em saber como eu era, o que fazia? Só pensou que, eu era uma ”patricinha, metida, cheia de querer”. E isso, Esme é uma coisa que minha família não suporta. Eu não sei como posso te ajudar, meu pai nunca muda de ideia, e ele já disse que partiremos ainda hoje. Eu lamento...
Ela suspirou profundamente, levantou-se da poltrona e sentou-se na cama, a meu lado, fazendo assim com que me sentisse mais intimidada ainda.
– Se você não me ajudar Bella, ninguém mais o fará. Eu conheço Charlie, há muito tempo, e eu sei do poder que você tem sobre ele. Por favor, querida, tente. Fique pelo menos essa noite, jante conosco e de a Edward uma chance de se explicar e se depois disso você tiver a certeza de que não quer mesmo ter ele como esposo, eu juro que “lavo as minhas mãos” e vocês então poderão partir com a consciência tranquila.
Avaliei tudo o que eu tinha a ganhar e a perder. Pensei em Rose, Alie e em mim. Ponderei, seria apenas uma noite e se aquele imbecil, ousasse, pisar na bola outra vez, amanhã mesmo eu estaria, definitivamente, livre dele e desse compromisso idiota.
– Tudo bem, Esme. Eu vou tentar, mas não comemore, não te garanto nada, o rei às vezes é intransigível com as suas decisões.
E então a bela rainha de Angelus abriu um sorriso que seria capaz de iluminar o reino inteiro.
– Eu confio em você, querida. E te prometo que você não vai se arrepender e pode acreditar, você já tem meu filho nas mãos, exatamente com tem seu pai.
E depois dessas palavras enigmáticas, ela me beijou na testa e saiu. E então, só restou a mim me levantar da confortável cama e ir ao encontro de duas fortes aliadas que me ajudariam a concretizar o pedido de Esme.
E que Deus nos ajudasse, pois Charlie Swan seria “osso duro de roer”.
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