Três Príncipes, Três Princesas
33 Presentes
Notas iniciais
The Forkian Times — Sábado
Princesa Isabella, de Forkian, conquista Angeuls no casamento do século.
The Angelus Journal- Sábado
Príncipe Edward e Princesa Isabella são ovacionados pelos súditos e se tornam os preferidos, do povo, ao trono.
Jasper
Os dois toques me irritavam, onde estava um funcionário quando se precisava dele?
— Alô, Heidy?
Finalmente ela atendeu.
Sou eu, Jasper. Eu tenho um trabalho para você. Tânia Cullen é seu alvo agora. Tome cuidado, porque ela está sob a proteção de minha vó. Porém, seja severa e a faça entender que com Isabella Cullen ninguém mexe. Deixe minha priminha irreconhecível e no final mande minhas lembranças e votos de boa estadia na casa da rainha. Obrigada e me ligue assim que o serviço estiver concluído.
Fui prático e sucinto, sem chances para refutações e reclamações. Era assim que agia um rei. Ele mandava e os outros obedeciam.
Desliguei o telefone e o atirei em algum lugar. Heidy,era uma de minhas melhores agentes do serviço secreto de Angelus e estava acostumada a prestar alguns serviços em meu nome. Tânia aprenderia uma bela lição. Isabella é benevolente, eu sou justo. Simples assim. Um casal perfeito.
— Jasper você vem?
— Já vou, Alice.
Peguei o paletó, que eu disse que havia esquecido, e vesti. Era hora de dar a minha linda esposinha uma lua de mel inesquecível. E que desse sacrifício acontecesse à única coisa de que preciso dela.
Porque logo que isso acontecesse, os planos mudariam.
E que meu irmãozinho se preparasse para a luta e para a derrota.
Edward
Devagar, bem devagarzinho, puxei meu braço esquerdo que estava debaixo do pescoço de Bella. Silenciosamente, arrastei minhas pernas para fora da cama e só então me levantei.
Como uma olhada para o lado me certifiquei que minha linda esposa ainda dormia.
Aproveitei os poucos instantes que tínhamos antes de viajar para deixar que ela dormisse mais um pouquinho, ela merecia depois de ser tão maravilhosa ontem.
A caminho do banheiro peguei o telefone, no criado mudo. Eu tinha algo a fazer.
Dois números e Charlote já me atendia, esbaforida.
— Edward? Tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
— Bom dia, Charlote.
— Bom dia ou boa tarde, você quer dizer?
O quarto estava, relativamente, escuro, por causa das cortinas fechadas. Mas, o banheiro estava bem claro. Ou seja, já estava bem tarde. Porém, eu nunca admitiria isso. Eu adorava implicá-la.
— Acabei de acordar, Chay. Então ainda é bom dia. Agora pare de chamar minha atenção e, por favor, peça para trazerem nosso café daqui a uma meia hora. Pode ser?
— Claro que pode. Vou ajeitar isso agora. Só não se atrase, porque vocês têm hora pra voar e você ainda tem muito que fazer até lá.
— Okay. Estou ciente disso. Peça para que tragam leite e achocolatado, Bella gosta. Ah! E também, frutas tropicais e pão e...
— Ah, garoto! Você está parecendo àquela velha que está por aqui, achando que manda na minha cozinha. Não me ensine a fazer o meu serviço. Eu não sei o porquê, tiveram que trazê-la. Eu poderia muito bem cuidar das princesas, sozinha.
Respirei audivelmente. Eu disse a Esme que isso aconteceria.
— É claro que você poderia, Charlote. Mas, Bella e Alice merecem um mimo, como presente de casamento. Mas, eu amo mais você. Pode ter certeza.
— Mimo! Que mimo mais chato vocês foram arrumar. Ainda bem que você me ama. Onde já se viu? Já não basta a sua avó achando que sou culpada pelos descontroles de sua prima. Agora mais essa. E não adianta me bajular. Eu estou muito brava e pare de me atrasar e vá cuidar da sua vida, garoto.
Com a orelha ardendo, e fazendo uma nota mental de conversar com vovó depois, deixei o aparelho em cima da bancada da pia. No relógio ali posto, marcava dez horas. De acordo com o plano de voo que Charlie e eu havíamos traçado, ao meio dia partiríamos. Então, era questão de correr contra o tempo.
Como já estava sem roupas, me dirigi para a ducha. Um banho me acordaria.
Em outra ocasião eu ficaria chateado de tirar o cheiro, de Bella, que me impregnava de cima abaixo, no entanto, isso nunca mais aconteceria. Porque ela estava bem ali. Do outro lado da porta. Na minha cama. Languida, cansada, exausta, da noite que lhe proporcionei.
Pensar nisso causava reações exageradas em meu corpo. Reações que eu trataria de apaziguar logo, logo. Porque, agora que eu havia provado da felicidade e do paraíso chamado de Isabella, era impossível voltar atrás. Só Deus sabe, o quanto me custou pensar nela na noite passada. Porque se dependesse de mim, das minhas necessidades e vontades, eu estaria lá, em cima dela, até agora. Porém, para o melhor de minha esposa, eu me refreei. E será assim até que seu corpo esteja totalmente acostumado a minha invasão.
Ajustei a temperatura do chuveiro e me joguei lá dentro.
Enquanto esfregava o cabelo e o corpo, fui repassando o roteiro do dia de hoje. Também seria corrido e cansativo. Uma viajem de 10 horas não era fácil. Ainda bem que Charlie havia cedido o avião. Mais conforto e economia de tempo, isso fora o que ele dissera quando tentei recusar a oferta.
Jasper e Emmett haviam utilizado os aviões particulares de Angelus, e se eu não quisesse submeter Bella a um voo convencional e a, no mínimo, duas escalas, teria que levar a proposta de meu sogro em consideração. E foi exatamente isso que eu fiz.
Pensando no relógio, saí do banho, me enrolei na toalha e fui até o closet. Quatro malas, devidamente, arrumadas estavam postas ao fundo. Nossa bagagem já estava pronta.
Sequei-me rapidamente, vesti uma roupa qualquer. Calcei meias e sapatos. Escovei os dentes, dei uma ajeitada no cabelo e então voltei ao banheiro.
Tapei o sistema de soltura d’água, ajustei a temperatura, quente e fria, na medida exata. Despejei uns sais de banho de uma essência agradável e então voltei ao quarto.
Era hora de acordar minha garota.
Bella continuava na mesmo posição que deixei agora a pouco. De bruços. Os lindos cabelos descendo pelas costas que, diga-se de passagem, estavam descobertas e completamente nuas. A mercê de minha boca e meu toque.
Sem consegui conter-me, me sentei ao lado dela e bem delicadamente, levei a boca e nariz àquele corpo tão desejoso.
— Huum!
Gemeu, quando meu toque se transformou de pequenos beijos para grandes sugadas e fungadas.
— Bom dia!
— Bom dia, nada. Eu ainda estou dormindo. Deixe-me.
Eu já havia sido alertado, por mais de uma pessoa, que minha esposa não era nada matinal.
— Eu lamento, meu amor. Mas, você precisa levantar agora. Temos que tomar café antes de irmos ao aeroporto. Tem uma banheira fumegante esperando por você logo ali.
Voltei a passar o nariz e a beijar suas costas. Meus instintos diziam que eu deveria parar, porém nunca fui muito obediente. Além do mais, era uma tortura deliciosa.
— Só mais dois minutinhos?
Resmungou, implorando, ainda de olhos fechados.
— Não, nada disso. E se você não se levantar vou te carregar até o banheiro. Vamos dorminhoca, abras os olhos para mim.
Bella
— Ah não, Edward!
Exclamei. Porém nem me mexi. A cama estava tão boa. Os carinhos dele em minhas costas me causavam arrepios e estavam tão gostosos. Levantar e viajar para quê?
— Vamos, amor. A banheira vai derramar se você não for para lá agora. Vamos inundar a casa toda.
— Então desligue. Fácil assim.
Seguindo meu conselho, senti quando ele se levantou. O barulho da porta do closet, me certificou de que ele havia voltado para o banheiro. Voltei a me aconchegar e suspirei de prazer. Eu ia dormir mais um pouco. Só um pouquinho.
— Ah!
Gritei de susto quando fui, bruscamente, virada na cama e pega no colo.
— Menina manhosa, paro banho agora.
— Ah, seu chato! Marido chato!
Escondi o sorriso.
Passado o susto, a situação era hilária e divertida. Mas, que não virasse costume esse modo de me acordar. Acho que teria que comprar um despertador na nossa volta. Eu não teria mais Bá para me chamar, de cinco em cinco minutos, toda manhã.
— Não sou chato. E você me ama. Agora tome seu banho, enquanto ajeito nosso café.
Com delicadeza e presteza, fui colocada sentada em cima da bancada.
Da primeira gaveta do armário da pia, ele tirou um elástico e então, pois-se a juntar meu cabelo para logo em seguida amarrá-lo em eu rabo alto e totalmente desalinhado.
— Não lave o cabelo, porque nossos minutos estão contados. Porém o banho relaxante está no cronograma, aproveite.
— Acho que você está me mimando demais. Depois, quando eu me acostumar, não reclame.
— Não irei reclamar. Você merece esse mimo.
Aproveitando que ele estava bem perto, levantei a cabeça e o beijei. Que se dane o bafo matinal. Ele também teria que se acostumar com isso, porque era questão de necessidade que eu o beijasse sempre que pudesse.
— Amor...
Gemeu alto, quando fechei minhas pernas em volta dele. Eu, totalmente nua e ele completamente vestido.
— Vai princesa, estou tentando fazer o certo aqui, mas, se você não contribui, teremos um problema.
Um belo e grande problema.
Com carinho, ele tirou as mãos de meu pescoço e descruzou minhas pernas de sua cintura.
Um arrepio de insegurança me tomou. Edward estava lindamente bonito essa manhã. Camisa polo azul, calça caqui, sapatos pretos e cabelos domados e cheirosos. Um Adônis.
Ele havia se afastado. Eu estava completamente nua a sua frente e ele havia se afastado. As dúvidas do erro e da inexperiência me alcançaram. Eu não havia o satisfeito como devia? Como eu poderia saber disso?
Envergonhada e não querendo encará-lo, abaixei a cabeça e cruzei os braços sobre os seios.
— Ei! Ei! O que essa cabecinha está tramando aí? Olhe para mim e me devolva meu sorriso. O que foi?
Os dedos dele vieram para meu queixo. Respirei fundo. Eu prometi que aprenderia. Então que essa insegurança fosse para o inferno.
— Perdoe-me pela noite de ontem. Eu não queria ter chorado e você merecia mais que uma vez e...
— Ah, Bella!
E com força e rapidez, voltei para seus braços.
— Pare de paranoias, princesa. Só Deus sabe o quanto estou me esforçando para não tomá-la bem aqui, ou naquela banheira.
— Está?
— Claro que estou.
E para comprovar seu ponto, ele me deu um sorriso safado e se esfregou com ímpeto em mim.
Ele estava excitado. Eu já havia notado isso.
— Eu desejo você, demais até, para o seu próprio bem. Porém, meu amor, nós estamos sem tempo e sei que deve estar desconfortável e meio dolorida. Quando eu estiver dentro de você, de novo, Bella, quero que seja calmamente e em um lugar bem afrodisíaco. É só por isso que estou me controlando, princesa. Porque seu conforto e prazer são meus objetivos finais. Agora pare de fazer biquinho e tome logo seu banho, porque se demorar mais, a água vai esfriar e, além disso,...
A boca dele veio a meu ouvido e mordeu de leve o lóbulo, enquanto sussurrava.
— Você está cheirando a Edward e a sexo. E seu pai vai pirar se ao te abraçar na despedida sentir isso em você. Então...
E lá estava eu nos braços dele de novo.
— Banho, mocinha.
— Edward!!
Exclamei exasperada. Ele estava dizendo que eu estava fedendo?
— Não que eu me importe. Porque saber que esse seu cheiro é mérito meu, me deixa louco de orgulho e vontade de te possuir de novo.
O apertei mais quando ele se ajoelhou e me fez entrar na água morna.
— Tem um degrau bem ali. Pode se sentar. Tome seu banho, tranquila. Vou preparar nosso café e já volto.
E com um beijo de despedida ele se afastou.
Um sorriso bobo despontou de mim enquanto o via sair. Edward era lindo em vários sentidos e isso me desestabilizava e encantava demais.
Sentei-me onde ele havia mostrado, relaxei a cabeça para trás, fechei os olhos e deixei que as lembranças e os requícios da noite passada me inundassem.
Várias partes doloridas de meu corpo, me diziam que eu devia estar, no mínimo, tensa. Porém, não era tensão que eu sentia. Meu coração e minha mente me diziam que eu estava feliz, muito feliz. E que rezavam para que esse sentimento só aumentasse.
Pensando assim, e já morrendo de vontade de estar com ele outra vez, deixei para relaxar depois. Lavei e esfreguei o corpo com rapidez e logo me enxaguei na ducha.
Eu estava limpa e revigorada, pronta para um novo dia, uma nova vida.
Agora já acordada de verdade e bem disposta, parei alguns segundos e admirei o belo banheiro e closet. A riqueza de detalhes, a suavidade das cores, a delicadeza dos entalhes dos móveis, o jogo de luzes, tudo contribuía para que meu sonho de princesa se tornasse mais real.
Extasiada, vesti o roupão que, misteriosamente, havia aparecido em cima da bancada da pia e passei para o closet, a fim de procurar algo adequado para vestir.
Como Edward disse na noite anterior, todas as minhas coisas já estavam bem guardadas e organizas. Então, foi só o trabalho de abrir algumas gavetas e fechar outras até que encontrasse uma calça preta risca de giz, de alfaiataria. E uma blusa de renda e mangas compridas, vermelha. Nos pés optei por um sapato, também vermelho, porém de salto grosso e bem confortável. Eu não imaginava para onde iríamos, mas se fosse uma viajem longa, eu estava bem vestida e confortável, o que é o mais importante.
Dei uma ajeitada no cabelo, com a escova e os dedos, e decidi por deixá-los soltos, já que, graças ao intenso tratamento que receberam ontem, continuavam limpos, macios e brilhantes. E ainda tinha o fato de que Edward os amava assim.
No rosto, também fiz algo simples, prático e rápido, que somente disfarçassem os amassados deixados pelo travesseiro em meu rosto. O batom? Deixei para depois, afinal, eu ainda iria tomara café.
Com uma última conferida no espelho e agradando do que via, voltei para o quarto que, diga-se de passagem, já estava completamente arrumado. Nem uma lembrança da noite passada sobrara. Se elas não estivessem tão vívidas em minha mente e corpo eu poderia acreditar que foi tudo fruto de minha imaginação fértil.
— Será que essa linda dama não quer se juntar a esse humilde cavalheiro?
Edward estava encostado no batente da porta da sacada. Um gracioso sorriso iluminava seu rosto quase tanto quanto os raios de sol que atingiam suas costas, formando uma aura angelical e luminosa ao seu redor. Uma visão de embasbacar e tirar o fôlego.
— Sim. Essa dama teria o maior prazer de acompanhar esse bonito senhor, aonde quer que ele queira ir.
Caminhei até ele e sem me conter o agarrei com ímpeto.
— Hum! Agora sim. Isso é que é bom dia que se preze, esposa.
Acariciei sua nuca e o beijei, sem dó nem piedade. Minha língua buscava pela dele. Eu queria mordê-lo, sugá-lo, saboreá-lo. Eu queria tudo que ele pudesse me oferecer.
— Hum! Pare de me distrair, linda esposa. Porque, eu devo alimentá-la agora. Seu pai vai conferir, pelo seu dedinho, se eu ando cuidando de você direito. Então, faça a sua parte e colabore comigo.
Gargalhei da justificativa dele. Mesmo que seu corpo dissesse que queria continuar de onde paramos, Edward não se rendeu. O homem tinha um autocontrole invejável.
— Venha.
Ele afastou-se, me segurou pela mão e me guiou até a sacada.
Uma mesa farta e bem posta nos aguardava.
— Sente-se aqui, princesa.
Acomodei-me no lugar indicado por ele. E continuei o observando.
Edward emanava amor, contudo a postura corporal gritava posse e poder. Um belo exemplar de príncipe.
E meu. Todinho meu.
— Café, leite ou chá?
Perguntei, enquanto ele se sentava. Se eu não me distraísse faria uma loucura.
— Café.
— Com leite, açúcar ou mel?
— Puro, por favor.
O servi. Tentando ao máximo o retribuir, um pouquinho, por tanto carinho e presteza.
— Você não precisa fazer isso. Eu posso, muito bem, me servir sozinho.
— Eu sei.
Sorri matreira, bebericando meu próprio café. Como se eu fosse somente receber sem doar.
— Isso é para você...
Uma caixa retangular, pequena e de veludo preta, foi posta bem na minha frente.
— Ah, Edward! Você tem que parar com isso em algum momento. Está passando dos limites. Eu não preciso ganhar presentes todos os dias. Eu já ganhei tanto desde que nos conhecemos.
Eu precisava, urgentemente, mudar de atitude. Quem presenteia, sempre gosta de ser presenteado também.
— Não é bem um presente. Abra-o e verá.
Forcei a parte inferior da caixa, com uma mão, para frente e então puxei a superior para cima, com a outra mão.
— Uau!
Exclamei, incapaz de encontrar um adjetivo mais adequado para tamanha beleza.
Com os dedos, tracei os delicados fios de ouro que sustentavam as minúsculas pérolas negras. Na metade da peça, um pingente em formato de brasão, dos Cullen, em ouro branco fixado em um brilhante também negro, dava o toque final.
A joia era linda, luxuosa e delicada.
— É uma tradição que todas as mulheres de um nobre Cullen, usem algo que represente a quem elas pertencem.
Abismada com aquelas palavras, tirei os olhos da peça e o encarei, enquanto ele dava a volta na mesa e vinha até mim. Não havia sinais de brincadeira em sua expressão.
Santo Deus! Em que século estávamos?
— Meio primitivo, eu sei. Mas, você tem que concordar que não deixa de ser romântico.
— Romântico? É como marcar um gado. Acho que temos uma visão e noção meio diferente desse termo.
— Eu sabia que você não ia aceitar isso de bom grado. Não seria você se pensasse assim. Por isso que já comprei a briga antes mesmo de ver sua reação.
— Como assim?
Perguntei vendo-o retirar a joia da caixa e se dobrar em um joelho, a meus pés.
Será que eu era tão encrenqueira e teimosa como todos diziam?
— É lei que a peça seja como uma segunda pele para a mulher e que sempre fique em algum lugar, ao alcance dos olhos dos súditos.
Fiz uma careta e levantei a sobrancelha, aquilo só podia ser brincadeira.
Ignorando minhas “caras e bocas” ele pegou meu pé esquerdo, tirou o sapato e então o descansou por sobre sua perna.
— Mamãe e vovó tem um colar simples e delicado no pescoço. Por outro lado, Alice ganhará uma gargantilha, cujo pingente é do tamanho de uma moeda. Rose se safou. No entanto, estou torcendo para que essa também seja uma tradição em seu reino. Porque, eu vou amar ver Emmett encoleirado com o brasão de Charlie.
Muito delicadamente, ele abriu o fecho central e deslizou a tornozeleira em volta de minha perna, fechando-a logo em seguida e admirando o efeito que ela causara.
— Eu, como sei que você odeia demonstrações exageradas de posse e usando sua profissão como desculpa, porque todos sabem que não se usa joias em salas de cirurgia. Convenci meu pai e o conselho de que uma tornozeleira seria o ideal para meu amor.
Fiquei sem palavras. E para finalizar o momento, e me convencer de que estava certo, ele levou meu pé à boca e o beijou.
— Creio que nunca tenha tido uma ideia tão boa e que nos representasse tão bem.
Respirei fundo.
Edward agora firmava a testa em minha perna. Completamente inclinado a minha mercê.
— Depois de ontem, eu estou incrustado e exposto em seu corpo, enquanto você, tem-me a seus pés, a sua disposição.
Incapaz de retribuir tamanha doçura com palavras joguei-me em seus braços e o beijei com fervor.
Somente Edward seria capaz de transformar uma demonstração de machismo puro em um ato de amor.
— Eu amo você. Amo você para sempre, Edward Cullen.
Os dedos fortes me seguravam firmemente enquanto eu me derramava de amores por ele. Beijar, abraçar, acariciar, nada parecia o bastante para recompensá-lo por tanto carinho e amor.
— Eu também te amo, princesa. Amo demais e por isso, preciso que me prometa uma coisa.
E de repente o olhar dele se tornou ansioso. Suas mãos antes em minha cintura, agora estavam firmes em meus ombros, já doloridos por causa da noite de ontem.
— Qualquer coisa...
Murmurei com intensidade, tentando passar veracidade e implorando para que aquele olhar desaparecesse da face de anjo.
— Não tire a tornozeleira. Nunca. Por motivo algum. Prometa-me que não se esquecerá dessa regra e principalmente do meu pedido. Nunca deixe ela fora de seu corpo. Prometa-me, Isabella.
Os dedos dele estavam cravados em minha pele. O aperto exagerado e a clemência pela promessa, quase me fizeram prolongar o assunto. Havia algo que ele não estava me contando.
— Eu prometo. Nunca tirarei. Eu prometo.
O alívio veio de imediato.
Ele voltou a me abraçar, enterrou o rosto em meu pescoço e então suspirou profundamente, como se um fardo tive sido arrancado de seus ombros.
Minhas dúvidas ficariam para depois porque, o que importava agora era que tinha lhe dado uma paz momentânea.
— Agora voltemos ao café, porque o tempo urge.
Levantamos-nos e voltamos a nossas posições iniciais. O clima bom de mais cedo havia sumido. Algo escuro pairava por ali, a espreita, pronto para nos dar o golpe, em algum momento.
Eu só pedia a Deus que esse tempo fosse longo, para que até lá Edward e eu pudéssemos fortalecer nosso casamento, nossa relação. Porque depois disso, vendaval e tempestades nenhuns seriam capazes de abalar nossas estruturas.
Edward
Minutos depois, nós descíamos para as despedidas. A tensão causada por um simples presente ainda pairava por ali, porém ignorada, por nós dois.
Esse era um assunto acabado para mim e que, se Deus me permitisse, eu nunca teria que usá-lo.
Depois do café Bella voltou ao banheiro e quando saiu de lá, a vontade de mordê-la quase me venceu. A boca, tão venerada por mim, estava coberta por um batom claro e com cheiro bom.
Corri também para o banheiro, enquanto ela terminava de organizar a bolsa. Eu precisava me afastar, antes que perdesse a cabeça. Bella era desejável demais.
Só fui capaz de voltar para perto dela depois de refrescar bastante o rosto e as ideias, debaixo da torneira da pia.
— Olha! Até que enfim, achei que tinham desistido viajar.
Nossa família estava toda acomodada na sala de estar. Papai, Charlie e John, cada um com um jornal na mão. Mamãe, dona Marie e Esme mantinham uma conversa baixa e de aparência calma.
— Não, vovó. Nós não desistimos. Edward só teve alguns probleminhas leves para me acordar.
Bella se soltou de mim e foi para os braços de Charlie, que a abraçou avaliando seu corpo e rosto de cima abaixo. Rezei para que ele não procurasse demais. Porque, como diz o ditado “quem procura acha”.
— Se acostume, querido. Bella tem problemas com o sono, mas quando dorme. Deus nos acuda.
— Charlie já me avisou, sogra.
Gargalhamos quando ela nos deu língua parecendo uma criança.
— Filho, os seguranças e a governanta nova, que cuidaram de Bella e Alice, já estão disponíveis. Vou chamá-los para que você os apresente a sua esposa.
Minha mãe me olhou com intensidade enquanto se afastava.
Bella, depois de cumprimentar a todos, se voltou para perto de mim.
A tensão voltando a seus ombros.
Automaticamente, minhas mãos voaram para lá.
— Eles já estão vindo.
Concordei com Esme e então virei Bella para mim.
— Amor, estamos indo para um lugar calmo e muito bonito. Lá não é isolado. Ficaremos em um resort, porque será o melhor para nosso conforto. Apesar, de eu achar um exagero, papai e seu pai me fizeram prometer que levaríamos pelo menos três seguranças conosco. Stephan, claro, e mais dois. E já pensando que você precisaria mesmo de acompanhantes novos quando voltássemos, resolvemos que seria melhor levá-los conosco para que você já vá se habituando. Okay?
Elas repirou fundo e com força. Somente eu sabia, o quanto Bella demorava a se adaptar a novidades. Sem falar no carinho que sentia pelos antigos seguranças e amigos.
— Tudo bem.
Eu amava como ela tentava olhar as coisas pelo meu lado. Bella estava se esforçando.
Sem deixar que ela sofresse mais a virei, colocando-a de frente para seus velhos conhecidos.
— Sam! Zafrina! Bá!
Gritou ela se jogando nos braços deles. Era uma cena linda. A simplicidade e o amor de Bella pelas pessoas era algo de encher os olhos e o coração.
— Ei, não grite, garotinha. Não foi essa a educação que lhe dei.
A senhora, a abraçava e acariciava seus cabelos. Enquanto Bella a enchia de beijos.
— Ah, Bá! Eu achei que havia perdido você.
— Seu marido e seu pai são bem insistentes quando querem alguma coisa para você.
Bella voltou sua atenção para o pai, que nesse momento sorria bobamente. Esme, mamãe e Marie, tinham os olhos marejados.
— Rósalie terá sua mãe, nada mais justo que Alice e você tenham Bá. Ou então, quem servirá seu leite de madrugada? Papai vai estar a alguns quilômetros de distância agora.
Eu teria que ver isso. Acho que é uma função que gostaria de assumir.
— E Sam e Zafrina? Pai, você deixou que nós nos despedíssemos?
Ela agora estava entre os dois seguranças, que pareciam desconfortáveis com tamanha demonstração de carinho.
— Seu marido pediu segredo. Já estava nos nossos planos pedir a Esme que aceitasse Bá aqui. E justamente quando íamos conversar isso com eles, Edward me ligou e não só concordou com a vinda de Bá, como ainda pediu que liberássemos Sam e Zafrina. Então, méritos de seu marido.
O olhar dela encontrou o meu e ali eu vi tanto carinho e amor, que me deixou sem fôlego. Agradar minha princesa seria minha meta de vida agora.
— Okay, tudo muito bom, tudo muito lindo, mas creio que vocês estejam em cima da hora. O plano de voo vai atrasar se continuarem nessa conversa fiada.
— Papai está certo, princesa. Precisamos nos apressar.
— Charlote peça a alguém que pegue as bagagens deles no quarto e coloque no carro enquanto nos despedimos.
Mamãe dava ordens enquanto Bella já beijava a babá.
Segui seu exemplo e me despedi de todos. Dona Marie e John, brincaram mas, com uma pitada de advertência.
— Traga minha neta sã e salva, porque inteira como foi, duvido que seja possível. Não é, garoto?
— Não deixe que ela se machuque. Nós temos uma competição em breve.
Concordei e ouvi atentamente. Avós sempre sabem o que falam. Minha vó sempre sabia.
Papai e Renée não se estenderam, só nos desejaram boa viajem e pronto. O problema foi quando me despedi de Esme e Bella de Charlie. Minha princesa, escondeu o rosto no pescoço do pai para disfarçar as lágrimas. Aquilo me doeu. Ela não queria demonstrar fraqueza.
E quem disse que choro é sinônimo de fraqueza?
— Deixe-a, filho... é o momento deles.
As mãos de Esme vieram para meu rosto, aproveitei e a abracei.
— Descansem e aproveitem. Esse momento será único na vida de vocês. Faça sua mulher feliz e volte pronto para assumir suas responsabilidades com o reino.
Beijei-a no rosto e inspirei seu perfume.
— O vestido, mãe. Obrigada. Se não fosse pela senhora, nós poderíamos não estar aqui agora. Em meio a tanta felicidade. Obrigada. Eu amo você, mãe.
— Pense pelo lado bom, filho. A sorte que sua vó Elizabeth e eu, tivemos, agora será de vocês. Sejam felizes, amor.
Abracei-a mais um pouco e só a libertei porque Charlie esperava sua vez. E eu sabia, que vinha chumbo por aí.
— Você é um sortudo Cullen, o mais sortudo de todos os seus irmãos. Bella é um presente, uma dádiva que me salvou em mais de uma ocasião, de mim mesmo até. Não me faça me arrepender mais ainda, de tê-la feito cumprir esse acordo. Ame e cuide de minha filha e você terá um aliado e um amigo em qualquer situação. Faça a sua parte e eu farei a minha. Inclusive, ignorando aquelas marcas vermelhas no pescoço de minha garota.
Sorri de lado. Meu sogro sempre seria uma comédia.
— Confie em mim, Charlie. Eu serei um bom esposo.
— O melhor. Não aceito nada menos que isso.
— O melhor. Eu prometo.
E com acenos e choramingos, peguei Bella pela mão e a coloquei no banco detrás de meu carro. Stephan dirigiria e Sam e Zafrina nos flanqueariam em outro carro.
Pensando bem, não estávamos indo para uma lua de mel. Estávamos tirando umas férias em um lugar especial, porque se dependesse de mim, a partir do dia de ontem, nossas vidas seriam para sempre doce, muito doce, como o mel.
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