Três Príncipes, Três Princesas
24 Palavras ao vento
Notas iniciais
Charlie
— Sabe Charlie eu ficaria muito feliz se você se concentrasse na nossa dança e deixasse as meninas em paz, só por um minuto. Será que temos um acordo?
Pego de surpresa, voltei meus olhos para minha esposa.
— Perdão, minha rainha. Mas é que eu ainda não me conformo.
Renée olhou para trás e também observou os seis belos jovens que conversavam descontraidamente.
— Nós já conversamos sobre isso, meu rei. Você sempre soube que seria assim. Por favor, se contenha ou logo sua mãe virá a seu encontro. Já perdi as contas de quantas vezes John a deteu. Marie não vai deixar que nada estrague o momento das meninas.
— Nem eu quero isso. Mas eu não posso evitar. Você já percebeu o tamanho deles? Aquelas mãos grandes e atrevidas me tiram do sério. Elas são apenas minhas garotinhas.
Voltei a encarar. Rósalie estava encostada no peito de Emmett. Bella e Edward se mantinham abraçados e ele,, a todo momento acariciava suas costas e sem falar na boca que nunca abandonava os cabelos de minha filha. Somente Alice e Jasper se comportavam, apenas as mãos se tocavam.
— Não estou vendo suas garotinhas pedindo socorro. Pare de fazer cara feia para seus genros. Foi você que os escolheu. Eles merecem um voto de confiança.
Respirei fundo e fechei os olhos. Eu tinha mesmo que me acostumar com a ideia.
— Você está certa esposa. Vamos aproveitar nossa noite.
Voltei minha atenção para a dança. Renée e eu rodopiávamos cadenciadamente, acompanhando a balada calma que a banda tocava. Ao nossa lado Carlisle e Esme também se divertiam. A noite era especial e merecia ser comemorada.
— Charlie você acha que elas serão felizes?
— Hã?
— Digo... Nós sabemos das dificuldades de um casamento arranjado. Você acha que elas conseguirão passar por todos os obstáculos? Rosie estará sob nossa supervisão. Agora Alice e Bella estarão por elas mesmas em Forkian.
Era a vez dela, observar nossas filhas, que particularmente, estavam impecáveis essa noite.
— Estou depositando todas minhas esperanças nisso. Carlisle sabe dos meus termos. Uma reclamação, de qualquer uma delas, e tudo estará desfeito. Eu não aceito menos que isso. Eles estão ganhando mais do que eu nesse acordo, por isso têm que me recompensar de alguma maneira. Eles terão que fazê-las felizes.
— Eu sei. Mas tenho medo. Nós somos exemplo de que nem sempre as coisas acontecem do jeito que planejam para nós. E hoje, Alice parece tão aérea, nada que me lembre a garota animada de um mês atrás. E ainda tem Bella, ela é tão nova, tão pequena.
— Pare!
Puxei seu rosto para mim. Ela não tinha o direito de me encher de dúvidas agora. Ou tinha?
— Não vai acontecer com eles o que aconteceu conosco. Eu a proíbo de pensar nisso para nossas filhas e além do mais, eu não sou seu pai, eu os mato antes que eles pensem em...
— Majestade?
Antes que eu terminasse minha fala e ferisse mais Renée, Paul nos interrompeu. Eu teria que o agradecer pela intromissão na hora exata.
— O que foi Paul?
Os olhos dele não deixavam nada transparecer, mas eu o conhecia muito bem, tínhamos um problema.
— Preciso que o senhor nos acompanhe.
— Seja o que for, resolva. É noivado das minhas filhas, se você não percebeu. Não posso e não vou sair daqui.
— Senhor...
— Não!
Voltei a abraçar Renée e nos balancei de novo no ritmo.
— Nós tentamos nos livrar do problema, no entanto, “o problema” está ameaçando fazer em escândalo no portão e tem muito jornalista lá fora senhor.
Voltei a encara-lo.
— Diga o nome Paul. Eu sou sua rainha. Não me tomes por idiota. E pelo que parece Charlie ainda não entendeu a gravidade do assunto.
Antes que ele pronunciasse em voz alta todos os meus pelos se arrepiaram.
— Sue e Leah Clearwater...
Soltei Renée e comecei a caminhar rumo ao portão.
— Eu já volto minha rainha. Nossa conversa ainda não acabou.
No trajeto, passei pelos noivos. E meio atormentado segurei Edward pelo ombro.
— Edward, venha comigo, só um minuto, por favor.
— Pai...
— Só um minutinho querida. Eu já o devolvo para você.
Desvencilhei- me dos braços que Bella estendia para mim.
Meu genro percebendo meu estado e humor me acompanhou, sem pestanejar. Ele era um bom garoto. Eu tinha que admitir.
Assim que nos afastamos o bastante, me virei para ele.
— Entretenha Bella. Terei que me afastar por um momento. Em hipótese alguma, permita que ela se desvencilhe de você e venha até o portão. Não a perca de vista.
— Precisa de reforços, majestade? Quer que eu o acompanhe? Emmett pode segurar Bella por mim. Ou minha mãe, se preferir.
— Dessa vez não filho. É assunto meu. Só mantenha Bella longe, e já estará ajudando muito.
— Sim senhor.
O soltei e voltei a minha missão. Era hora de enfrentar mais uma vez, as consequências de erros do passado.
Eu só me perguntava até quando conseguiria esconder isso de Isabella.
Bella
Olhei para onde meu pai e Edward se afastavam. Algo não estava certo. Charlie parecia apreensivo demais.
— O que deu nele?
Perguntei. Rosie e Alice trocaram um olhar comprometedor, mas nada disseram.
— Relaxe, Bells. Não aconteceu nada. Papai só deve estar querendo apresentar Edward a algum puxa- saco. Isso tudo é ciúme? Não se preocupe. Logo papai devolve seu noivo.
Ignorei Rosie e voltei a encarar o lugar por onde eles haviam sumido. A cumplicidade deles me fez pensar se era algo em relação a Jacob.
— Isso mesmo, Bella. Não se preocupe. Por que não esquece esses dois e nos conta como anda as coisas com suas pesquisas na faculdade?
— Eu também queria saber, Lice. Porém desde o acidente minha especialização e consequentemente minhas pesquisas estão paradas. Não sei nem se Jake continuou com o projeto. Papai não me deixa falar com ele.
— Muito justo. Não é Bella? Seu amigo não foi muito legal com você da última vez.
— Eu sei, Emmett. Eu sei.
Mas isso não significava que eu ia aceitar aquela situação por muito tempo. Eu precisava de Jacob para terminar a especialização. Eu precisava de meu amigo em minha vida.
— Ei! Pare de pensar naquele idiota. Por que não dança comigo enquanto meu irmão não vem? Eu posso te entreter. Eu prometo.
Olhei para a mão estendida de Jasper e imediatamente encarei Alice, ela estava ansiosa pela resposta que eu daria. Eu sabia que algo estava acontecendo com eles.
— Nem em seus melhores sonhos irmão. Eu já estou aqui. Minha noiva dança somente comigo.
Edward me abraçou possessivamente, por trás, e segurou firme minhas mãos. Respirei aliviada por não precisar dançar com o noivo de minha irmã.
— Ora irmão. Não seja tão ignorante é somente uma dança entre cunhados e futuros irmãos. Nada de mal pode acontecer.
— Não teste minha paciência Jasper.
— Edward...
Adverti, quando percebi que ele começava e ficar nervoso.
— Isso irmão. Se acalme. Porque não deixa que sua noivinha responda o que acha da ideia.
Olhei de novo para Jasper e tremi. Seu rosto angelical estampava um sorriso cínico, de puro deboche. Ele não se importava com o que Edward ou Alice estavam sentindo. Ele só queria provocar. Eu não ia jogar o jogo dele.
— Venha princesa. Dance comigo?
Observei de novo a mão estendida.
— Obrigada, príncipe Jasper. Mas eu passo a minha vez. Não sou muito boa de dança e já esgotei a minha cota de hoje com meu noivo e meu pai. No entanto, sua noiva é muito boa nisso. Porque não aproveita esse seu ímpeto e a cansa na pista. Agora se me permitem, eu vou conversar com minha mãe. Com licença.
Edward
Sem poder perder Bella de vista, fui atrás dela. Maldita promessa feita a Charlie.
Mesmo que minha vontade fosse ficar e partir a cara de Jasper ao meio. Ele tinha dado o primeiro indício de que mudaria de tática, mas com o mesmo objetivo de conseguir se aproximar de minha noiva.
E eu o espancaria até a morte, antes que ele conseguisse.
Encontrei Bella junto a meus pais e minha sogra. Eles tinham emendado uma conversa sobre obras de caridade e necessidades do povo. Logo me habituei. E interagi.
Não me permiti sair de seu lado, nem por um minuto, primeiro por causa de Jasper. Depois pelas atitudes suspeitas de meu sogro.
Charlie escondia alguma coisa e a prova disso é sumira o restante da noite e perdera todo o final da festa. Sobrando para Renée e Marie a atenção e desculpas a todos os convidados.
“Um mal estar”, foram o que disseram que havia acometido meu sogro. Bella não acreditou, porém não discutiu.
E por fim quando a deixei na porta de seu quarto, pouco depois da uma da madrugada, eu estava completamente exausto pelo confuso dia que nos acompanhou e mesmo assim não conseguia impedir o sorriso bobo no rosto: Bella era, quase, totalmente minha agora.
Bella
Às três horas eu já me sentia exausta de tanto rolar para lá e para cá na cama. Eu não conseguia dormir. Um turbilhão de coisas passava por minha mente.
Por isso, atirei o cobertor para o lado e me levantei. Vesti um roupão de Plush rosa, por cima do pijama e me arrastei para fora do quarto.
Desci as escadas, entrei na biblioteca. Tudo estava silencioso e os cheiros dos livros me concediam a tão sonhada paz de que precisava.
Liguei o computador, abri a última gaveta e tirei de lá os livros que vinha pesquisando e também todos os gráficos e rascunhos de meu artigo final.
Já no computador, abri o arquivo e reli as últimas linhas que Jacob e eu havíamos redigido.
“Recentes pesquisas, estudos e testes comprovam que o apoio familiar, principalmente de parentes de primeiro grau, contribuem gradativamente para a recuperação e cura completa, de lesionados neurologicamente”.
Estava bom, eu sabia que sim. No entanto eu havia perdido muitas aulas e também não havia comparecido ao hospital recentemente. O medo de não conseguir terminar a especialização era palpável
Fechei meus olhos e forcei os dedos nas temporãs. A cabeça começa a doer.
— Você sabe que não devia estar aqui. Não sabe?
Charlie estava de volta. Perguntei-me aonde ele se enfiou a noite toda. Mamãe parecia muito contrariada no final da festa.
Abri os olhos. Uma caneca de leite com chocolate estava bem a minha frente.
Beberiquei o líquido quente e saboroso e assenti positivamente. Apresar de me repreender, meu pai tinha os olhos brilhantes e as feições gentis. Não parecia, nem um pouco, doente. Como elas tinham dito aos convidados como desculpa.
— Eu precisava estudar um pouco, segunda volto para universidade e para o hospital.
Charlie esticou a mão por sobre a mesa e limpou o “bigode de leite” que se formou em mim.
— Porque você não descansa mais uns dias? Posso conversar com o reitor e com o seu coordenador da residência. Você ainda não está totalmente recuperada.
Atravessei a sala, descansei a caneca de volta na mesa e desabei nos braços já abertos para me receber.
— Eu já estou bem, pai. Não aguento mais ficar trancada em casa e além do mais o casamento é em menos de dois meses, mesmo prazo que eu tenho pra me formar. O senhor sabe disso.
Deitei a cabeça em seu peito enquanto ele alisava meu cabelo e beijava minha cabeça.
— Não me lembre de que meu prazo está acabando, querida. Eu vou retardar isso o máximo que puder. E ainda tem sempre a opção de pedirmos ao Carlisle para adiar a cerimônia. Se você acha que não conseguirá lutar contra o tempo, nós podemos resolver.
— E comprar uma briga com Alice e Rose? Não paizinho, eu passo. Obrigada! Prefiro me esforçar. Jacob vai me ajudar com isso.
Propositalmente adentrei no assunto que vinha protelando.
Charlie me afastou do peito e encarou meus olhos.
— Esqueça isso! Jacob está proibido de entrar em Forkian. Eu o expulsei daqui e não voltarei atrás.
— Expulsou? Como assim expulsou? Pai ele é filho do seu melhor amigo. E além do mais, eu preciso dele pra finalizar minhas pesquisas.
— Ora Bella! Expulsei, expulsando. Esse reino é meu e eu mando aqui. O que ele fez não tem perdão e quanto a Billy ele é que se entenda com o filho. Se ele concorda com todas as atrocidades que Jacob fez naquele dia, então é melhor que repensemos nossa amizade. É Pushian que precisa de Forkian, não o contrário.
Abruptamente me levantei do colo dele e nervosamente passei a mão pelo cabelo, andando de um lado para o outro.
— Pai, o senhor, não está entendendo. Todas as pesquisas, estudos de casos, escritas, anotações, do artigo que estamos produzindo, foram feitas a dois. Eu preciso do Jacob para terminar. Eu não fecho o meu trabalho sem ele. Eu preciso dele em Forks na segunda feira.
— Vai ficar precisando. Aquele moleque não pisa mais aqui. Se vire! Arrume outro parceiro. Modifique os textos. Eu já disse, falo com o reitor o coordenador e até o papa se precisar. Mas Jacob Black não é mais uma opção. Se conforme.
— Me conformar? Pai não é tão simples assim. São estudos de quatro, cinco anos. Não dá tempo de modificar. Logo estarei de mudança para Angelus. Por favor, seja racional.
— Não, eu não serei racional e não adianta fazer drama. Jacob está proibido de entrar nessas terras e pronto. Ele que tivesse pensado nisso antes de colocar sua vida em risco.
Charlie se levantou de uma vez e veio em minha direção, suas feições estavam bravas e seu rosto completamente vermelho agora.
— E que ele e você não me desobedeçam. Se eu ficar sabendo que ele está em nosso território, nossos seguranças o trarão para mim. E eu não serei bonzinho dessa vez.
— Zafrina e Sam nunca farão isso. Eu não permitirei.
— Zafrina e Sam não são mais seus seguranças.
— O que?
Perguntei.
Agora quem estava furiosa era eu. Nem o dedo em riste de Charlie me amedrontou.
— Zafrina e Sam são manipuláveis demais. Por isso foram remanejados. A partir de segunda você terá novos seguranças.
— Não vou. Não quero.
— Vai sim. Não tem que querer. Como eu já disse, eu mando aqui. Esse reino é meu e de Rosie. Você não manda nada aqui. Então enquanto morar debaixo do meu teto. Seguirá as minhas ordens.
Eu odiava essa merda de herdeiros. Charlie sabia disso. E sabia que tinha falado demais, pois assim que terminou, eu vi arrependimento nele.
Mas eu não deixaria aquela afronta passar batido. Palavras machucavam demais.
— Ok, vossa majestade. O senhor venceu. Agora se me der licença eu vou chorar em paz no meu quarto, ou melhor, no seu quarto, já que tudo aqui é seu.
Fiz uma mesura. Ele odiava quando um de sua família se curvava para ele. Todavia não me importei, se ele estava agindo com um rei tirano eu agiria como vassala obediente.
— Bella? Bella?
Ignorei os gritos e sem olhar para trás fui para meu quarto.
Chegando lá, tirei o roupão e me joguei de qualquer jeito na cama. As lágrimas escorriam e uma raiva inexplicável me dominava. Eu odiava chorar, eu odiava a sensação de fraqueza que as lágrimas me davam.
Eu sabia que meu pai estava certo, em partes. Jacob merecia um castigo, é óbvio que merecia, mas acho que cabia a mim, decidir qual seria. E quanto a Sam e Zafrina? Eu os queria comigo, eles me conheciam a vida inteira, temos uma história de confiança, proteção e amizade juntos.
Eu falaria com Edward a respeito deles.
— Argh! Pare de chorar, Isabella.
Arrastei minha cabeça para debaixo do travessei e tapei a cabeça. Se antes eu já não conseguia dormir, agora é que a coisa ficaria feira. Estaria com olheiras enormes no domingo. Vovó ficaria preocupada.
Sem pensar muito bem no que estava fazendo, peguei o telefone ao lado da cama e disquei números já conhecidos.
— Bells? É você?
Ele atendeu em menos de três toques. A voz grossa e rouca, sintomas de que eu havia acabado de acorda-lo. Não me senti mal por isso.
— Fale comigo, Bella. Eu te liguei tantas vezes. Seu celular não completa a ligação e na sua casa ninguém me deixa falar com você.
Eu já imaginava que minhas chamadas estavam sendo interceptadas.
— Por favor, Bella. Fale comigo. Eu preciso ouvir a sua voz.
Permaneci em silêncio. Eu não conseguiria falar sem chorar. E ele merecia sofrer um pouquinho.
— Você não vai falar? Vai ser um monólogo então?
Um sorriso ameaçou despontar de mim. Eu estava com muitas saudades de Jake.
— Então tá. Eu só preciso que você me escute. Olhe, eu preciso mesmo te pedir perdão. Eu me ajoelho se você quiser. Eu anuncio no rádio, eu vou à televisão. Eu faço o que você desejar, eu só quero ouvir que você me perdoa, Bells.
Ele soava angustiado e pude imaginar sua feição triste. Jake não ficava triste fácil, e difícil alguém tirar aquele sorrisão de seu rosto.
— Eu sei que fui um idiota. Mas, Bells, eu não posso perder a única coisa que ainda tenho com você, nossa amizade. Eu preciso de pelo menos isso com você. Perdoe-me, anjo? Por favor, eu imploro.
A voz dele também estava engasgada.
— Meu pai...
Não consegui falar. Um bolo se formava em minha garganta. Eu só queria chorar.
— Ah Bella! Como é bom ouvir sua voz. Não chore, por favor, não chore princesa.
— Tive uma briga com meu pai. Ele nem quer saber de ouvir seu nome. Dessa vez você passou do limite, Jake.
— Eu sei. Tio Charlie me odeia e seu noivo não fica atrás. Mas não se preocupe, Bells. Papai e eu resolveremos isso. Papai já tem a solução. Logo estarei de volta em sua vida e vou precisar que confie em mim. Os meios para chegar até você não serão os mais fáceis. Mas, um dia você entenderá. Eu prometo.
— Não estou entendendo o que quer dizer.
Ou minha mente estava aturdida eu ele parecia soar confuso e melancólico.
— Um dia, princesa. Um dia. Só se acalme. Segunda meus pais e eu estaremos aí para conversar com tio Charlie. No máximo na terça estarei de volta a universidade e ao hospital. Aí poderemos conversar direito e eu te pedirei desculpas devidamente. Ok?
— Vai me contar o que está acontecendo?
Ele ficou em silêncio por tempo demais. Porém se decidiu.
— Sim. O que eu puder contar contarei. Agora vá dormir. Imagino que tenha tido um dia muito cheio. Tem que descansar pra podermos pegar firme de volta nos estudos.
— Tudo bem, Jacob. Falamos-nos depois então. Durma bem.
— Durma bem, Bells. Eu amo você, nunca se esqueça disso.
— Durma bem, Jake. Durma bem...
Edward
— Vamos lá garoto. Acorde. Você não será um bom esposo para minha filha se dormir tanto. Ela tem insônia sabia?
Meio grogue virei de lado e encontrei Charlie ao lado de minha cama. Mesmo na penumbra pude ver que algo estava errado.
— O que houve?
Logo me sentei, totalmente alerta.
— Levante-se e vá até o quarto de Bella.
— Aconteceu alguma coisa? Bella está bem?
Eu já estava de pé e calçava o chinelo. Não precisei me vestir, porque havia escolhido um comportado pijama de algodão na noite passada.
Charlie me avaliou de cima a baixo e pareceu feliz com meus trajes.
— Bella e eu acabamos de discutir e creio que ela não esteja bem agora. Vá até ela. Eu mesmo faria isso se não tivesse sido tão rude agora a pouco. Creio que seja a última pessoa que ela queira ver no momento.
— Não entendo, Charlie. Eu a deixei na porta de seu quarto. Ela estava cansada. Acreditei que ia dormir logo.
— Insônia crônica, filho. Bella não dorme com muita frequência. Quase todas as madrugadas eu a encontro estudando na biblioteca. Sempre que estou aqui, levo um leite quente para que ela relaxe e logo a coloco na cama. Quando estou viajando, Donna faz isso por mim. E hoje esse ato se repetiu. Porém os ânimos de exaltaram e acabei falando demais. Minha filha está chorando e eu odeio que isso aconteça. Vá até ela e a console até que ela durma Cullen.
— Sim senhor.
Já na porta do quarto de Bella, ele me segurou pelo braço.
— Não brinque com minha confiança.
Acenei afirmativamente e devagarzinho adentrei o quarto. Bella soluçava baixinho enquanto segurava o telefone.
— Durma bem, Jake. Durma bem...
Senti uma pontada de decepção ao ouvir a despedida. Ela procurava conforto no amigo, não comigo.
Ignorei esse sentimento e me aproximei sentando devagar ao lado da cama.
Bella se assustou e virou rapidamente de uma vez.
— Shiii, sou eu princesa. Sou eu. Está tudo bem agora. Pode se acalmar, meu amor.
— Ah Edward!
A abracei enquanto alisava seus cabelos.
— Meu pai, meu pai ele...
— Tudo bem, meu amor. Tudo bem.
Deitei-a na cama e me juntei a ela, trazendo seu corpo para junto do meu. Consolei-a com palavras de amor e afagos carinhosos até que ela se acalmasse e parasse de chorar, para só então começar a especular o que havia acontecido.
— Quer me contar o que houve?
Bella levantou a cabeça e encontrou meus olhos. Ela estava apreensiva por falar de Jacob comigo. E apesar de estar me corroendo de ciúmes, eu queria a confiança dela.
Beijei seu lábios e com esse ato demonstrei tudo que sentia por ela.
— Você pode me contar qualquer coisa. Eu sei que seu pai e você discutiram por causa de seu amigo.
— Você sabe? Como?
— Seu pai foi até meu quarto. Ele estava angustiado e preocupado. E sabia que você não ia querer ele aqui. Quer me contar o que aconteceu? Prometo que serei um bom ouvinte.
E então ela voltou a chorar baixinho e me contou todo o impasse que teve com o pai por conta de Sam, Zafrina e Jacob. E com ela em meus braços a escutei e beijei cada lágrima que escorria. E ainda descobri que uma das maiores virtudes de minha princesa, era a bondade.
— E então Jacob me disse para ficar calma. Que ele e o pai tinham um plano e que logo as coisas de ajeitariam.
Me empertiguei um pouco. O “cachorro” estava tramando alguma. E isso não cheirava nada bem.
— Então princesa. Ele irá resolver. Se acalme. Seu amigo arrumou essa confusão, deixe que ele conserte.
— Mas, Edward. Se papai não o desculpar. Eu não conseguirei terminar a especialização. O casamento terá que ser adiado.
Nunca! Pensei comigo.
— Você não está nesse sofrimento por causa dos estudos, Bella. Eu sei disso. Não precisa tentar apaziguar a situação para mim. Eu sei que isso tudo é por causa da sua amizade com Jacob e além do mais, o rei nunca permitirá que você saia prejudicada por suas decisões. Confie em seu pai, meu amor. Ele te ama.
E eu também.
— Papai está estranho. Ele está mais nervoso do que o normal, saiu de nossa festa sorrateiramente, depois gritou comigo e praticamente me disse que não sou herdeira de nada. Não perdoou Jake e ainda me tirou Sam e Zafrina. Eu não sei o que está acontecendo. Ele não parece meu pai agindo assim. eu estou confusa.
Ela voltou a soluçar. Trouxe sua cabeça para meu peito a voltei a acalenta-la. O sono viria logo. Ela estava exausta.
— Seu pai só está nervoso porque levaremos vocês daqui. Ele está inseguro. O perdoe. Você sabe que ele não quis dizer aquelas palavras. Quanto a Jacob, espere que ele aja. E quanto a Zafrina e Sam eu mesmo falarei com seu pai. Agora se acalme, feche os olhos e durma. Eu ainda quero aproveitar o meu domingo com você.
Bella respirou fundo, em minha camiseta e depositou um leve beijo ali.
— Obrigada, Edward. Eu te amo.
— Eu também te amo, amor.
Meu subconsciente, já meio adormecido, em alertou que aquilo era muito melhor que um “durma bem”. Isso era um bom sinal.
Bella
Acordei por volta das oito e meia da manhã. Eu estava sozinha na cama e minha cabeça doía, como um inferno.
Arrastei-me para o banheiro, liguei a ducha no máximo, ajustei a temperatura d’água, me livrei do pijama e me joguei debaixo do jato.
A água morna me alertou e aliviou um pouco o mal estar da madrugada.
Não me demorei. E dez minutos depois eu já estava devidamente vestida e levemente maquiada, pronta para o café da manhã.
Na sala de jantar, todos já estavam em seus lugares e o clima parecia meio silencioso para um pós- noivado.
— Bom dia!
Cumprimentei, por atacado. Eu não estava com ânimo para bajular Charlie hoje. Somente Edward mereceu um olhar amoroso e agradecido.
O anel dele reluzia em meu dedo.
— Bom dia, filha. Nós achamos que você iria dormir mais um pouco. Por isso começamos sem você.
— Tudo bem, mamãe.
— Oi, querida. Trouxe um suco de tamarindo pra você. É bom pra anemia. Tome tudo. Quer comer alguma coisa em especial?
Peguei as mãos de Bá e as beijei. Elas cheiravam a massa de bolo de chocolate. O meu preferido.
— Não, Bá. Obrigada. Parece que está tudo muito apetitoso aqui.
A imensa mesa estava coberta de pães quentes, biscoitos, bolos e bolachas.
— Mas é muito amor com essa Bá. Acho que teremos que leva-la conosco para Angeles. Não é, querida?
Olhei esperançosa para Esme e sorri abertamente para ela. Será que ela me permitiria isso? Mas aí me lembrei de que...
— Seria um sonho, Esme. Mas Rosie é herdeira de Forkian e Alice de Angelus eu não tenho direito algum sobre as coisas e as pessoas. Sou somente a filha caçula do grande rei.
— Isabella...
Charlie me repreendeu alto.
Baixei os olhos e encarei o copo de suco. Um silêncio constrangedor tomou a mesa.
— Está tudo bem, Bella? Você se sente bem?
Vovó Marie e John me avaliavam. Eu não queria que ela soubesse da discussão de ontem à noite.
— Está vovó. Tudo bem. Não se preocupe.
— Hum. E já que estamos falando em herdeiros e herança...
Jasper começou a falar e de repente o clima se tornou mais tenso ainda. Edward, Emmett, Alice, Carlisle e Esme prenderam a respiração.
Jasper sorriu cínico, como se nada o abalasse e continuou.
— Posso saber com quem você entrará na igreja Bella? Pois pelo que sei, Rósalie entrará com seu pai, herdeiros de Forkian. Alice entrará com meu pai, herdeiros de Angelus. E você entrará com quem? Já que não tem nada para herdar?
Por que ele havia levantado aquele assunto àquela hora? Ele queria me ferir? As palavras de papai pareciam tão frescas em minha memória agora.
— Jasper.
— O que mãe? É só uma curiosidade.
Edward tentou se levantar, mas foi seguro por Emmett.
— Em então Bella? O que me diz?
Todos os olhos se voltaram para mim, respirei fundo e tentei me desvencilhar.
— Eu não sei, não havia pensado sobre isso ainda. Mas acho que... entrarei com John, ele é...
— Nem por meu cadáver. Você só pode ter perdido o juízo, garota.
O barulho retumbante do punho de Charlie sobra à mesa, ecoou pelo ambiente. Eu me assustei com o tom voraz e mordaz.
— Você não vai envergonhar a memória de meu pai assim. Eu me recuso a aceitar isso.
John, abruptamente se levantou e saiu. Vovó fuzilando papai e Jasper com o olhar foi atrás dele.
— Parece que sua primeira opção não foi bem aceita. E agora? Quem é o próximo da lista.
— Jasper! Pare! O que acha que está fazendo?
— Ora, pai. Não estou fazendo nada demais. Eu só quero saber. Afinal o casamento é meu também.
Tentando apaziguar o clima. Voltei ao assunto.
— Eu realmente não pensei nisso. Tem também meu padrinho Billy, eu o amo e...
— Nunca! Você ouviu bem Isabella. Nunca que você irá entrar com o pai de Jacob Black na igreja. O que deu em você hoje? Tirou o dia pra me afrontar? É tudo por causa da nossa discussão? Ou é capricho de menina rica mesmo?
Charlie voltou a bater com força na mesa.
Pensei por alguns segundos, perante o silêncio constrangedor e então voltando meus olhos, já inundados de lágrimas, para meu pai, desabei toda minha ira.
— Acabo de me decidir, Jasper. Eu vou entrar sozinha na igreja. Uma terceira filha, não tem direito a nada a não ser, ser uma boa filha. Agora se vocês me dão licença, eu perdi o apetite.
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