Notas iniciais
Bom, como prometido capítulo enorme. Espero que gostem. Semana que vem, não tem capítulo por dois motivos: O primeiro é que uma da funcionárias da loja está de férias e isso significa trabalho dobrado. O segundo motivo é que o próximo capítulo será trabalhoso e preciso de tempo para me dedicar a ele, ok? Pronto, avisos dados. Espero que apreciem sem moderação.

Alice

— Acabando, filha. Só mais um minutinho. Será o último, mamãe promete. Fique quietinha, sim?

Resmunguei baixo, respirando fundo e soltando devagar o ar enquanto o bebê se mexia e comprimia minhas costelas e pulmões.

Era óbvio que ela estava reclamando da minha posição, afinal, fazia quase cinco horas que eu não me levantava dessa maldita cadeira.

— Só mais um, amorzinho. Mamãe já está terminando aqui... Entre!

Gritei para o infeliz que batia na porta e irritantemente tirava minha concentração de meu último croqui da manhã.

— Princesa, lamento incomodar. Mas... O príncipe continua sentado na recepção. Ele diz que só vai embora depois de falar com a senhora. Já faz uma semana que isso se repete. As pessoas estão comentando e...

— Droga!

Soltei o lápis, com força e me levantei...

— Tá filha! Mamãe já entendeu. Estamos de pé agora. Pode ficar quietinha outra vez.

Fechei os olhos e alisei a barriga de 31 semanas. Meu corpo, muito cansado, dando sinais claros de que precisava de um tempo.

— Alteza, o príncipe... O que faço com ele, porque as pessoas...

— Droga, mulher! Cale-se! Parece um rádio velho e estragado com essa “chiadeira” constante. Já falei que não quero vê-lo. Se for desejo dele ficar plantado aí fora, que seja! Não me incomode com isso.

Dei alguns passos testando o quanto dava conta: os pés estavam inchados e o grande tempo na mesma posição fazendo estragos em minha coluna.

— Eu sei, princesa. Sei de tudo isso. Mas, as pessoas estão falando. E logo as notícias vão vazar, talvez até fotos, não podemos controlar todo mundo. E você enlouquecerá se isso acontecer. Será um escânda-lo. Você não pode falar com ele. Mandar que saia daqui. A situação está ficando fora de controle.

Calma, Alice! Calma! Pense com clareza. Você é uma princesa, criada para manter o controle em qualquer situação. Dê um jeito nisso. Não grite. Não se altere. Respire fundo.

— Ok, vamos resolver isso de uma vez. Dê-me dois minutos para que eu possa lavar o rosto, depois mande o príncipe entrar.

— Sim, senhora. Obrigada, senhora, e...

— Desapareça!

Rugi, fazendo a pobre coitada da mulher sumir porta a fora.

Eu sabia que não era a melhor das patroas, porém isso não me incomodava. Bella era a benevolente da família. Rosie e eu éramos as futuras rainhas.

Situações adversas não seriam capazes de desaparecer com velhos hábitos dos quais fomos criadas para seguir.

— Olha filha, sei que está um pouquinho agitada hoje, mas mamãe precisa que você se comporte. Tem um homem feio aí fora que fará qualquer coisa para amolecer nossos corações. Não se engane, nem se deixe levar por aquela beleza e aqueles olhos verdes, que se Deus quiser, você herdará, ele é mau. E nós não cairemos na lábia dele, ok?

Usei o sanitário enquanto alisava a barriga e conversava com a bebê.

— Se comporte para que a mamãe possa se livrar dele logo. Lembre-se de que vovô e vovó já chegaram de Forkian e que hoje saberemos se você ganhará priminhos ou priminhas. Então fique boazinha e logo sairemos daqui. Ok, cobinado?

Acho que para me provar que entendia tudo que eu falava, ela me chutou mais uma vez.

Tá, bela maneira de se responder a uma mãe. Começamos bem.

— Vamos dar um jeito nesse cabelo agora.

Passei um pente pelos cabelos curtos, cortados na semana anterior, escovei os dentes, passei um batom, alisei o vestido e por fim saí de meu abrigo e últimos minutos de sossego.

Eu sabia o que me esperava quando encontrei Jasper parado de frente a minha mesa com minha foto, sensual de grávida, na mão.

Um embate.

— Jasper, por que não se senta?

Mantive a postura, ignorando displicentemente o “O” de sua boca embasbaca. Eu só não sabia se pela foto que segurava, por eu o tê-lo recebido ou pela minha aparência.

Eu chutava na terceira opção: batons mate fazem milagres em rostos pálidos. Não que eu estivesse tentado ficar bonita para ele, não, aquilo era por mim.

— Estou bem de pé e...

— Sente-se.

Ordenei chegando até minha cadeira e me sentando. Ele não teria a palavra final em minha sala, aliás, em minha vida. Nunca mais.

— Ok.

Colocou o porta retrato no lugar, puxou, levemente, a calça, bem cortada do terno escuro, e então se sentou, puxando logo em seguida a perna esquerda para cima da direita.

Uma pose perfeita de príncipe herdeiro que tinha a situação sobcontrole.

Doce ilusão!

Oh dó!

— Pois não, queria falar comigo? Estou com o tempo contado. Então, seja breve.

Tirei os olhos daquele verde hipnotizante e alinhei algumas folhas, canetas e lápis, tentando disfarçar ao máximo o quanto ele me afetava.

— Tenho tentado falar com você por muito tempo, Alice. Você tem sido difícil.

— Eu sei. E não me desculpo por isso. Estou correndo contra o tempo, por isso escolho as prioridades.

Encostei- me na cadeira e coloquei a mão direita por cima da barriga. Os olhos dele acompanharam, brilhosos, meu ato.

Ah não, Alice! Desvie o olhar, desvie...

— Não sou uma prioridade, não é?

— Não! Você não é!

Continuei usando a frieza que adquirira ao longo dos últimos tempos de sofrimento.

— Ela é.

Ele continuava hipnotizado pela minha barriga.

— O que quer aqui, Jasper? Preciso sair. Dá para ir direto ao ponto?

Usei a acidez e foi certeiro. Ele voltou à atenção para meu rosto. Eu não o queria falando do bebê.

— Quero muitas coisas, Alice. Quero te implorar perdão, quero retomar meu casamento, quero saber da minha filha...

Foi demais. Ouvir aquilo foi demais para mim.

— Rá! Tenha paciência! Sua filha? Sua filha? Como tem a audácia de falar dela? Você queria um menino, lembra? Esse bebê é meu. Somente meu. Não existe essa de, sua filha.

Ele levou a mão aos cabelos e os puxou com muita violência e raiva.

— Eu estava errado, Alice. Fora de mim, para ser sincero. Perdi-me em algum momento. E percebi isso e não quero pensar que seja tarde demais. Por favor, princesa. Eu imploro seu perdão. Deixe-me mostra-la o Jasper que estava adormecido e...

— Tarde demais! Não confio em você. Não nos ama e sei disso. Só está desesperado porque Bella está grávida e totalmente fora de seus planos de conquista. Não sou uma segunda opção, Jasper.

— Eu sei. Pelo amor de Deus, eu sei. Não coloque sua irmã nisso, não tem nada a ver com ela. O amor dela e de meu irmão é algo inatingível e, se depender de mim, continuará assim. Estou aqui implorando por nós, princesa. Implorando para que me perdoe, que me deixe ser o marido que merece, o pai que nossa filha merece.

Por meio segundo meu coração acelerou e um sentimento há muito esquecido ameaçou me dominar.

Porém, retomei o controle e os ignorei.

— Não! A resposta é não. Você teve todas as oportunidades do mundo para mudar e não o fez. Agora não dá mais tempo. Saia! Suma! Está me atrasando.

— Alice, por favor, princesa. Só uma chance. Uma perspectiva então. Uma luz. O que preciso fazer para que você me perdoe? É só dizer princesa.

Sem me conter e perder a oportunidade, abri meu maior sorriso, me coloquei de pé, peguei minha bolsa e olhei-o de cima, pois ele continuava sentado.

— Nasça de novo.

— Alice...

— Agora se me dá licença, tenho um encontro com Edward, Bella e nossas famílias. Os bebês deles se mostrarão para nós hoje. É dia de festa e você não estragará isso.

— Eles... eles... O quê?

O que quer que ele fosse falar ficou preso em sua garganta.

De repente Jasper perdeu todo ar de decido que estampava até minutos atrás, e uma face de extrema curiosidade e medo assumiram o lugar.

A curiosidade quis me dominar.

Por que tamanha mudança? O que eu havia falado de errado?

— Senhora, lamento incomodar, mas seu pai a espera na portaria.

— Ok, diga a ele que já vou.

Dirigi-me a porta. Jasper não se mexeu. Parecia petrificado.

— Eu preciso ir e...

Então a cabeça dele se virou para mim e com estranheza percebi que seus olhos estavam marejados.

— Eu precisava de mais tempo, Alice. Queria eu mesmo te contar o motivo de minhas loucuras. Mas, não dará tempo, Alice. Tarde demais! Estou perdido. Completamente perdido. Vocês nunca entederão.

— Jasper...

Por instinto, levantei a mão para ele, para logo abaixa-la. Ele parecia perdido e arrependido.

— Vá, Alice. Seu pai odeia atrasos. Vá aproveitar o momento com sua família.

Assenti e me virei para sair. Porém, do corredor ainda ouvi as últimas palavras dele.

— Por favor, meu Deus, que ela me perdoe e me deixe ser pai da minha filha. O Senhor é testemunha de que é isso e só isso que eu quero agora.

E confesso, foi quase impossível não me compadecer com as palavras e aparente sofrimento dele.

Edward

— O que ela faz aqui?

Resmunguei para Sam, que somente deu de ombros.

Ignorando os murmúrios, olhares de espanto e cochichos, desviei de algumas pessoas, educadamente, até chegar ao lado dos seguranças de minha esposa, e me sentar.

— Causando, hein chefe!

— O que fazem aqui? Não deveriam estar lá embaixo vigiando a porta, pelo menos um de vocês?

Retifiquei no final percebendo como a galeria estava cheia.

Por precaução, me inclinei para frente e toquei o vidro, que separava os demais de Jacob, Bella e a equipe médica, testando sua espessura e resistência.

— Não, não deveríamos. Olhe para aquela porta.

— Estou olhando...

— Pois bem, saiba, sua alteza, que sua esposa somente tem permissão de usar essa sala de cirurgia em seus procedimentos. Depois que assumi a segurança dela cuidei de algumas mudanças.

Voltei-me para ele absorvendo tudo que podia, pois Stephan murmurava baixo, para que só eu e Zafrina ouvíssemos suas palavras.

— A porta, foi trocada. A anterior não oferecia segurança nenhuma. Já aquela, é a prova de balas e com um sistema de proteção acionado somente por mim. O que não permite que ela se abra pelo lado de fora depois que toda equipe já está posicionada, sem que eu autorize.

Acenei em corcondância permanecendo calado, só ouvindo e observando minha mulher e Jacob trabalharem meticulosamente em um crânio de um adolescente.

— Este vidro, também é novo. Praticamente inquebrável. Somente Zafrina e eu sabemos seu ponto fraco para eventuais emergências. Não há perigo. Ela está segura aqui. Porém, não baixamos a guarda. Preferimos cuidá-la ao alcance dos olhos. Não que ela concorde com isso...

Fingiu um suspiro de indignação.

— Porque chefe, vou te falar uma coisa, Sam é um santo. Sua mulher é osso duro de roer. Não tem medo de nada, não vê maldade em ninguém. Isso dificulta demais nosso trabalho. Já tentei argumentar com ela sobre isso, mas é em vão. Ela é de opinião.

Rá, disso eu sabia! Não era novidade para ninguém que Bella odiava superproteção.

— Tá bom, Stephan. Já entendi. Vou falar com ela.

— Hum! Como se fosse adiantar alguma coisa. Acha que não sabemos que ela o tem nas mãos?

Retrucou com um “muxoxo” baixo, voltando logo a seguir, total atenção para o que quer que fosse aquilo que faziam lá embaixo.

— Aqui é sempre cheio assim?

Ele correu os olhos pelo lugar e depois deu de ombros.

— É sim. Internos, residentes e médicos quase se estapeiam para estar aqui quando ela e ele estão operando. Tirando uns poucos curiosos, é um hospital escola, Edward. E, convenhamos, Bella e Jacob são brilhantes juntos. Uma sintonia inexplicável. A taxa de insucesso deles é baixíssima. Todos querem observar e aprender com a dupla estrela. Aliás, como entrou aqui? Seu tio anda restringindo o acesso.

Guardei aquela informação, eu precisaria falar com tio Aro sobre aquilo. Será que ele estava sabendo de algo que eu não sabia?

— O hospital é meu, inteligente. Faço o que quiser e quando quiser aqui dentro.

— Oh, me perdoe, sua alteza, que nada em dinheiro. Não está mais aqui quem falou. Só porque ganhou um “carrozinho popular à toa” acha que está podendo, não é?

— Ora seu...

— Oh, achei um lugar! E cheguei bem na hora. Fiquem calados, eles vão fechar. Os alunos precisam se concentrar nesse momento.

Ângela, a obstetra "bocuda", se aproximou e nos repreendeu enquanto, na sala de cirurgia, Bella e Jacob trocavam de lugar.

A testa franzida dela, era sinal claro de concentração e preocupação.

— Sabia que ela é americana? E que o pai também é médico e chefe de cirurgia em um dos hospitais mais conceituados de lá?

— Não, não sabia.

Voltamos a falar baixo.

— Pois é, andei investigando os funcionários daqui. Procurando pontas soltas, sabe? O que já adianto, não encontrei. Seu tio é bem cuidadoso nessa parte.

Concordei com a cabeça e voltei a especular sobre Ângela antes que ele perdesse o foco principal da conversa.

— E como ela foi parar em Forkian?

Olhei para a obstetra.

— Pelo que consegui averiguar, quando a princesa se decidiu por medicina, o rei Charlie investiu milhões em equipamentos, aprimoramento de pessoal e pesquisas, para que Bella fosse bem treinada e instruída naquilo que escolhera. E isso chamou a atenção de muitos interessados na área, em todo mundo. Sendo até preciso uma seleção mais minuciosa de candidatos às vagas restantes do programa. E eis que aparece Ângela Weber, a última peça do trio fantástico.

Olhei de Ângela para Jacob e Bella.

— Trio fantástico?

— Eles são conhecidos assim aqui.

— Tá.

Murmurei fechando a expressão. Eu sabia com eles eram bons juntos, não precisava que meu amigo ficasse repetindo isso a cada instante.

— Isso! Parabéns!!!!

Assustando-nos, Ângela começou a bater palmas e “cutucar” o vidro.

— Agora saia daí Swan. Sua família deve estar enlouquecendo minha sala de espera. Você está atrasada.

Algo me dizia que Bella não podia ouvi-la, porém quando o olhar dela encontrou o meu, tudo fez sentindo e instintivamente, tocou a barriga.

— Vamos lá, Cullen. Vamos ver esses bebês.

Bella

— E aí, hoje é o grande dia?

Retirei as luvas, a máscara e a roupa cirúrgica e atirei tudo na lixeira. A touca foi para o bolso.

— Grande dia?

Ajeitei os cabelos e lavei, demoradamente, as mãos e braços.

— Vão saber o sexo dos bebês?

Esperei que Jake terminasse de se lavar e saímos indo em direção a minha sala.

— Esse é o objetivo, 18 semanas. Nossas famílias estão ansiosas, todos já devem estar aqui. Mas, não sei se conseguiremos, tentamos no início da semana e foi em vão. Estão nos dando um momento difícil.

— Hum...

Paramos em frente à sala dele, porém o olhar de Jacob estava no fim do corredor. Edward, Stephan e Zafrina vinham em nossa direção.

— Oi. Pronta? Seus pais já nos esperam na sala de Ângela, que nesse momento já tem tudo preparado para nós. Estamos atrasados.

Edward segurou meus ombros, encostou os lábios nos meus e em seguida me bombardeou com seu falatório ansioso.

Antes de responder levantei, sugestivamente, as sobrancelhas em direção a Jacob, fazendo-o se tocar.

— Ah, perdão! Oi, Jacob. Perdoe-me a falta de educação. Estou ansioso demais.

— Tudo bem, eu entendo. Esperem só um minuto, tenho uma coisa para você.

Jacob desapareceu atrás de sua porta, dando a Edward um novo momento para me abordar com seu entusiasmo.

— Vi o finalzinho de sua cirurgia. É incrível, um pouco nojento, mas incrível.

— Não tem nada de nojento. É fascinante e lindo. Você tem que pensar no poder que tem nas mãos e no resultado que seus atos podem ocasionar.

— Hum, você falando assim, como uma médica, me faz ter ideias nada certas para o meio de um corredor de hospital.

Aproximou-se mais e voltou a puxar seus lábios para os meus.

— Você de branco já me deixa maluco, agora imagina como fiquei quando te vi naquela concentração, naquele uniforme e comandando uma equipe inteira?

Insinuamente, ele se esfregou em mim, provando como ficou.

— Ah, chefe! Isso não é uma boa ideia. Estamos indo ao encontro de Charlie Swan, se ele te pega nesse estado...

Gargalhei baixo e coloquei as mãos no peito de Edward o impedindo de continuar o que havia começado.

Stephan estava certo.

— Vou trazer Sam de volta para você. Não aguento Stephan e suas opiniões fora de hora.

Só para provocar, mordi seu lábio inferior.

— “Nem morta”! Estamos nos divertindo aqui, não é Steph?

— Steph? Steph? Você deu um apelido carinhoso a ele?

Escondi uma risada perante a indignação dele.

— Se conforme, chefinho. Sou o amante de sua mulher. Ela me adora.

— Ora seu... Seu...

Quando Edward se virou para responder Stephan como se devia, Jacob saiu da sala.

— Aqui, Bells. Para você...

— Hum! Que delícia! Obrigada, Jake.

Peguei a barra de chocolate que ele me estendia. Era meu preferido. Ao leite com nozes, confeccionados artesanalmente em uma pequena chocolataria do centro de Forkian.

Seja o que for que Edward fosse dizer a Stephan ficou esquecido, quando desembrulhei o chocolate e o abocanhei com vontade.

— Chocolate? Ela não pode. Ângela disse que...

— Ah, Cullen, não seja tão rigoroso e não leve tudo o que a doutrora Weber diz “ao pé da letra”. Chocolates causarão um pequeno frenesi em “suas crias” e uma sensação de satisfação em sua mulher. Ficará mais fácil para poderem observá-los melhor. Aposto que eles se revelarão hoje.

Edward não se convenceu e a carranca, de ciúmes, que eu conhecia melhor do que ninguém, desceu imediatamente. Eu só não sabia se era por causa de Jacob, o apelido de Stephan ou os dois.

— “Senso Comumente” testado.

Adicionei.

Jake só deu de ombros e abriu seu maior sorriso.

— Princesa, precisamos ir. Amum já está me ligando.

Assenti para Zafrina. Enquanto Stephan observava Jacob com atenção e um interesse inexplicável.

— Quer vir conosco, Jake?

Por um instante ele titubeou e quase disse sim, no entanto, quando cruzou os braços e respirou fundo, mudou de ideia.

— Não, obrigado. Tenho que dar alta a alguns pacientes e depois vou para casa. Leah e eu temos um jantar com alguns investidores. Mas, me mantenha informado. Quero saber de todos os detalhes.

— Certo. Te ligo assim que souber, se souber, não é?

— Saberá. Jacob Black nunca se engana.

Tocou na cabeça com o indicador e apontou para Stephan.

O que era aquilo?

— Trapaceiro!

Stephan devolveu ácido.

— Quê isso? Não estou entendendo vocês hoje.

Indaguei Stephan em seu súbito ataque a meu amigo.

— Não é nada, princesa. É melhor irmos mesmo.

Não dando maior importância a aquela implicância de garotos, me coloquei, na ponta dos pés, beijei Jacob rosto e o agradeci mais uma vez. Ele somente sorriu e retribuiu o ato.

— Se cuide e qualquer coisa me ligue.

— Ok.

— Até mais, Edward.

— Até.

Secamente, meu marido se despediu. Depois segurou minha mão e passou a me guiar para longe de meu amigo e a caminho da sala de Ângela.

— Tem alguém com ciúme aqui, chefinha. Se cuide.

— Só se esse alguém for muito idiota. Já passamos dessa fase. Edward e eu sabemos que Jacob e eu somos bons amigos. Que ele é casado e que eu também sou muito bem casada.

Surpreendedo-me, Edward parou a minha frente e me beijou com força e ímpeto.

Os lábios dele eram exigentes, as mãos dominavam minhas costas, meus cabelos e meus ombros.

Ele parecia desesperado.

— Odeio como vocês se completam, odeio como você foi feita para ele, odeio como são perfeitos juntos. Odeio como ele sabe o que você precisa.

Sem saber como parar com aquilo, coloquei os dedos em seus lábios, restringindo sua fala, depois acariciei seus cabelos e encostei sua testa na minha.

— Pode ir parando com isso, minha vida. Desde que nasci sou sua. Fui destinada a você quando nem sabia o que era isso e quando entendi, escolhi ser sua. Jacob e eu nos completamos como amigos, como profissionais. Você e eu nos completamos como marido e mulher, como pais, enfim, nos completamos em tudo. Não faça isso, não fique com ciúmes. Já falamos sobre isso, te amo, Edward. Só você. Quer prova maior disso?

Puxei a mão dele para minha barriga. Ele não podia sentir, ainda, mas meus “peixinhos” estavam se mexendo. Não era nada muito palpável, era mais como um tremorzinho, por dentro do útero. Como para confirmar de que concordavam com minha opinião.

— Eu sei disso. Desculpe-me por ser tão idiota. O problema não é você ou Jacob.

Ele esfregou o rosto e o cabelo. Num gesto marcante dos irmãos Cullen.

— Ando ansioso e preocupado e isso me deixa insano. Tem algo me incomodando, só não sei o que é, amor. Perdoa-me?

Beijei seu rosto delicadamente.

— Eu perdoo. Só se acalme, tá? Preciso de sua força para seguir até o final.

O abracei forte e alisei suas costas.

— Ok, casal, agora que está tudo bem, vamos de uma vez. Sam também está me ligando.

Acenamos em concordância e então voltamos a caminhar para nosso destino, que foi logo alcançado.

— Até que enfim... Estão atrasados.

— Pai, não comece.

— Não Edward, seu pai está certo. Perdoe-nos, Carlisle. Tive uma cirurgia e ela se estendeu mais do que o esperado.

Ignorando a carranca do rei, caminhei para os braços de meu pai, não dando brecha para que uma discussão se formasse.

Deus, eu estava morrendo de saudades de meu pai.

— Não precisa se desculpar, querida. Sabemos como funciona sua vida.

Charlie olhou sugestivamente para meu sogro enquanto fechava os braços em volta de mim.

— Tudo bem com você, filha?

Renée esfregou, carinhosamente, minhas costas.

Charlie ainda me mantinha em seus braços.

— Um pouco emotiva demais, mãe. Sentindo ondas de calor e com azia de morrer. Tirando isso...

Dei de ombros sem dar importância para aquilo.

O beijo dela em minha testa foi tão acalentador que me fez esquecer meus pequenos desconfortos.

— Irmã?

— Oi Rosie. Onde está a princesinha dessa família?

Abracei-a.

— Vovó Elizabeth a sequestrou assim que pousamos. Ela está na casa de mamãe e papai nos esperando, louca de curiosidade, assim como nós.

Emm respondeu por Rosie, porque ela estava preocupada demais em acariciar meus bebês.

— Pesados? Tem conseguido dormir?

— Tenho sim.

— Tem mesmo, Rosie. Umas quatro horas por noite, no máximo.

Fiz careta para Edward e só não estirei a língua porque era infantil demais. Mas, ele mereceu, eu não queria minha família se preocupando exageradamente comigo.

— Irmã... Irmã ainda falta muito tempo. Não pode ficar acordada desde já.

— Como se fosse fácil, Lice. Gosto de dormir de bruços e isso, infelizmente, não me pertence mais.

Reclamei com Alice que estava quietinha em um canto da sala.

Era impressão minha ou ela estava vermelha? Parecia ter chorado?

— Tudo bem, Bella, vamos falar sobre isso. Agora vamos a essa ultra. Quer trocar de roupa?

— Não precisa, Âng.

Olhei para a calça e blusa de uniforme que vestia, eram folgados e dava para levantar e abaixar.

— Tudo bem, então se deite aqui. Já foi pesada hoje, não foi?

— Fui sim. Passei aqui mais cedo. Sua assistente me pesou e mediu a circunferência da barriga.

Tirei os sapatos e segurei na mão que Edward me estendia para que apoiasse ao subir na escadinha e me deitar.

— Já dei uma olhada. Está tudo bem com o tamanho da barriga. O peso está bom também, apesar de que acho que você pode engordar um pouquinho. Não precisa se controlar tanto, Bella. Não pode exagerar, mas não pode refrear tanto também.

— Viu? Eu disse...

Deitei-me na maca e respirei fundo.

Como se a azia me deixasse comer. E agora também estava na época dos sangramentos do nariz e das gengivas. Minha boca não perdia o gosto horroroso de sangue.

— Não comece.

Murmurei desgostosa, sentindo Ângela levantar minha blusa e baixar um pouco minha calça.

O gel geladinho me fez tremer um pouquinho.

— Bem, então vamos lá.

Devagarzinho, ela deslizou o aparelho por minha barriga.

Automaticamente, a mão de Edward veio para a minha.

Olhei para os lados vendo todos ao redor com olhos concentrados no monitor.

— Bom, vamos as observações básicas antes do principal, que sei que é o que vocês mais querem.

Edward se sentou e encostou a cabeça na minha, era o jeito dele de dizer que estávamos compartilhando o mesmo sentimento.

— Então, o tamanho deles está na medida, um com 21 cm e outro com 20. O peso está um pouquinho abaixo do normal para uma décima oitava semana, bebê 1 pesando 135g e bebê 2, 140. Por isso, quero que se preocupe com a alimentação sadia. São dois Bella, eles dividem tudo. O certo era que estivessem pesando 150g cada, então quero que preste atenção nisso.

Os olhos de minha médica foram de Edward para Esme. O que será que ela estava querendo dizer com aquilo? Por que olhara para eles e não para mim? Estava mandando-os cuidar disso?

Ah, eles me enlouqueceriam depois dessa. Certeza!

— Os batimentos estão normais. Ouçam...

O “Tum, tum, tum” de cada um se fez ouvir e foi preciso Charlie amparar mamãe.

Emm, pareceu fascinado. Já Rosie e Alice absorviam cada informação, porém concentradas e não surpresas.

Esme e Carlisle se mantinham de mãos dadas olhando o monitor com um interesse inexplicável.

— Como conversamos semana passada, já pode senti-los, não pode?

— Bem de leve.

— É assim mesmo e... Oh, esperem... Vejam isso.

Com deleite e num gesto hipnotizante, um dos bebês abriu a boquinha e se mexeu lentamente, esbarrando no outro, que logo se sentiu incomodado e franziu a testinha.

— Oh, filha, ele faz faneca, como você.

— Os dois fazem, sogra. Semana passada parecia até uma competição de caretinhas.

Edward comentou sem tirar os olhos do monitor. Completamente alheio ao olhar fascinado de mamãe.

— Você as fazia desde o útero também, princesa.

Meus pais estavam derretidos e inundados de memórias.

— Isso não é legal. Significa que elas vão precisar de cirurgia plástica desde cedo. Igual a você, cunhadinha.

Fiz menção de levantar só para dar um sopapo em Emmett, porém Edward me segurou no lugar.

— Elas?

— Claro, pai. São duas meninas, certeza. Edzinho tem que pagar pelos pecados dele. Por que só Jasper e eu seremos castigados?

— Cale-se, Emm. Ser pai de meninas não é um castigo. Deixe que a doutora continue.

— Não foi isso que disse, mamãe. Sou agradecido por Lizzie em nossas vidas. Estou dizendo que será um martírio quando ela tiver trinta anos e começar a namorar. Edward precisa passar por isso também.

— Emmett, fique quieto. Você já falou besteiras demais por hoje.

— Impossível, Esme. Ele veio no avião discutindo com papai sobre o sexo dos bebês. Emm, tem certeza de que são meninas. Papai, Stephan e Jacob apostaram em meninos.

Ah, Deus! Não!

— Apostaram?

Perguntei vendo Ângela esconder uma risada.

— Você não sabe? Ah, Emmett Cullen...

— O quê? Não me julgue. Stephan me ligou semana passada e perguntou se eu não queria participar do bolão aqui do hospital. Convidar seu pai foi questão de honra. Quanto mais apostas, mais dinheiro vou faturar.

— Ang? Pai?

Voltei à atenção, indignada, para ela.

— Ah, Bella, não pire. A nossa brincadeira é inocente. Você deve se preocupar é com as grandes apostas que estão rolando pelos dois reinos e até fora deles. Isso sim é preocupante. Tem um bolão numa rede social que já passa de um milhão de dólares para quem acertar o sexo e os nomes dos bebês.

— Ah, Deus! Por isso Jacob estava tão solícito e até me trouxe um chocolate. Edward, você sabia sobre isso?

Coloquei a mão sobre os olhos e balancei a cabeça em incredulidade.

— Amor, não se preocupe com isso agora.

Meu marido disfarçou me deixando na dúvida quanto a sua inocência perante aquela situação.

— Deixe que eles se matem sozinhos, princesa. Não é problema nosso. Vamos nos concentrar no que viemos fazer, ok?

— Tudo bem. Mas, não pense que essa história será esquecida, Emmett Cullen.

Emm sorriu safado e sínico para mim e como forma de repreenda ganhou um beliscão de Rosie.

— Então, vamos voltar ao assunto... O que tem sentido além dos sangramentos, do calor e das azias, que já adianto são normais.

— Eu não...

— Os seios estão mais sensíveis, até doloridos às vezes. Aferimos a pressão, duas vezes em uma noite em que ela não dormiu, e descobrimos que estava alta.

— Não tão alta. 13x9, Âng. Edward está exagerando.

— Não é exagero, é cuidado, princesa.

Abri a boca para reclamar quando Ângela voltou a deslizar o aparelho por minha barriga.

— A pressão não pode passar disso e você sabe. Não vou ficar aqui dando uma aula de cuidados médicos para uma médica. Os seios sensíveis é resultado da preparação para a amamentação, então também não é preocupante. Já estão indo as reuniões de “pais de primeira viagem”?

— Não, a primeira é na quinta.

— Certo. Quero que a acompanhe, Edward. Será bom para que aprendam técnicas de relaxamento e preparação para o parto. Falando em parto, já estão conversando sobre isso.

— Sim.

— Não.

Respondemos ao mesmo tempo, tirando uma risadinha de nossos familiares.

— Edward!

— Tá. Tentamos falar sobre o assunto, mas ele morreu quando ela sugeriu que queria esperar pelo parto normal.

— Nomal, o que há de errado com ele? Ângela diga a ele que é seguro. Fiz um em Rosie. É lindo, Edward.

Fechei a expressão.

— Lindo, só na sua concepção, irmã. É doloroso e sofrido. Eu não faria, se em algum mundo alternativo, engravidasse de novo.

— Viu, sua irmã tem juízo.

Olhei para Ângela pedindo socorro.

Meus pais e meus sogros se mantinham quietos perante aquela decisão.

— Bom, Bella, sou totalmente a favor do parto normal e em situações diferentes eu até o indicaria, porém...

— Não! Nada de, porém. Eu quero o parto normal.

Cortei-a.

— Não é questão de querer. É perigoso, Bella.

— Não é.

Resmunguei.

— Infelizmente, vou ter que discordar de você, Bella. Edward está certo. Você é muito pequena, a pressão tende a subir até o final e ainda temos os poréns, de serem gêmeos. Sei que odeia isso, mas temo que não tenha espaço aí para forçarmos um parto. Terá que ser cesárea mesmo, amiga.

— Tirando que vou ficar louco quando você começar a sentir dores, princesa. Não me submeta a isso, por favor.

— Eu carrego. Minha decisão.

Respondi estressada. Era eu que sofreria as dores.

— Filha...

— Não, mãe. Não fique do lado deles. Não você. Preciso de alguém que me apoie. Alice?

— Não conte comigo, irmã. Já agendei minha cesárea com Ângela. Odeio sentir dores.

Fechei mais a expressão e gemi de desgosto. Era para eles ficarem do meu lado.

— Doutora, porque não deixamos essa decisão mais para frente. Eles ainda têm tempo, só estão no quarto mês. Deixe que pensem mais um pouco, que a gravidez se desenrole mais. Tenho certeza, que no fim, minha filha escolherá pelo melhor. Bells nunca colocaria sua vida e a dos bebês em risco, não é amor?

Peguei a mão de Charlie e a trouxe aos lábios, beijando delicadamente, meus olhos e os dele estavam lacrimejando...

Ele sabia como me dobrar. Imposição não, conversa sim.

— Charlie está certo. Falaremos disso quando chegar a hora. Pode continuar, Âng, por favor..

Edward se acalmou e voltou a me acariciar.

Alguma coisa estava acontecendo com ele, os nervos estavam aflorados. Eu só não entendia o porquê.

— Bom, como já disse, e desenvolvimento deles está dentro da normalidade. Já se mexem, ouvem os sons mais próximos e logo poderão senti-los também.

Edward voltou a sorrir em expectativa. A discussão passada completamente esquecida. Sentir os bebês era tudo que ele mais queria no momento. Creio que era seu meio de se sentir mais ativo na gravidez.

— Ok, Ângela, tudo muito bom, tudo muito lindo. Mas, vamos direto ao que nos trouxe aqui? Nossa família está na terceira gestação, sabemos de tudo isso que está dizendo. Agora, pare de enrolar e nos diga o que já sabe.

— Direta e educada, como sempre, não é Rosie?

Uma trocou um olhar ácido com a outra. As duas se estranhavam desde que se conheceram. Rosie sempre se sentira ameaçada pela minha amizade com Âng.

— Porém, está certa. Tenho mais duas pacientes ainda hoje. Então vamos lá... Aqui, só mais um minutinho...

Reposicionou o aparelho e ampliou a imagem.

— Eles cooperaram hoje. Estão bem posicionados. Aqui... Só mais um segundo... Agora sim... Já pode ver, Bells?

Assenti em afirmação, sentindo um bolo se formar em minha garganta e as lágrimas começarem a descer pelo meu rosto.

Instintivamente, Edward apertou meus dedos e papai tocou meu braço.

— Digam pelo amor de Deus.

Emm esbravejou.

— Faça as honras, Bella.

Agradeci a Deus por ser minha amiga ali, outro médico não perderia a chance de dizer as duas famílias reais o sexo de dois de seus herdeiros.

Tirei os olhos do monitor e voltei minha total atenção a meu marido.

— Meninos, meu amor. São dois meninos, fortes e sadios.

Uma comoção geral tomou conta da sala.

Ângela rapidamente me limpou e desceu minha blusa, pois Edward já me puxava para seus braços.

— Ah, Deus! Obrigado! Obrigado, princesa. É uma notícia maravilhosa. Sei que amaríamos do mesmo jeito se fossem meninas, mas dois meninos para começar, é um presente de Deus, significa que me ajudarão a cuidar das futuras irmãs que terão e também da mãe linda que ainda me dará muito trabalho.

Os olhos verdes e lacrimosos intensos, nos meus me deixou completamente sem palavras. Só fui capaz de abraça-lo e chorar em seu ombro.

— Nossos meninos, amor. Lindos e inteligentes como o pai.

Solucei em meios as palavras.

— Por favor, por favor... Não quero atrapalhar o momento de vocês, mas me deixe abraçar minha filha, Edward. Eu preciso ter meus braços em volta dela agora.

Edward, com relutância, me soltou e se afastou minimamente. Uma mão ainda permanecia em minhas costas, como que me sustentando.

Aparentemente Charlie não sem importou com isso, porque logo também fechou os braços em volta de mim.

— Eu não sou um amaldiçoado, querida. Não sou! Obrigado por isso. Muito obrigado. Ser avô é três vezes melhor do que ser pai. Vou poder mimar e estragar o quanto quiser. A parte chata, das broncas e educação, ficará por conta de vocês. Obrigado, amor. Muito obrigado.

Charlie chorava em meu ombro também e acariciava meu cabelo. A emoção dele se misturava a minha. Era fascinante notar como a postura de rei dele era esquecida quando a situação era tomada de seu controle.

— Dois de uma vez só, filha? Você não poderia desaforar sua mãe em doses homeopáticas, não? Tinha que ser de uma vez?

— Não vou me desculpar por isso, mamãe.

Sorri em meio às lágrimas. Renée se juntou a nosso abraço como deu, porque Edward e Charlie não se afastaram nem meio centímetro.

— Ah, eu perdi, Bells. Você é uma bandida. Fez isso só para me desaforar. Grande cunhada você é.

Emm se aproximou e colocou a mão em meu ombro, diga-se de passagem, o único lugar em que sobrara em todo meu corpo.

— Estamos aqui para satisfazê-lo, Emm.

Sorrimos um para o outro. Por trás da brincadeira e do sorriso emocionado, algo mais se fez presente. Parecia orgulho, satisfação? Não sei.

Mas, que tinha algo ali, isso tinha.

— Pai, você a está sufocando. Deixe Rosie e eu nos aproximarmos.

Papai me beijou no rosto e se afastou, dando espaço para que mamãe também se aproximasse e também me beijasse antes de se afastar.

Edward não me soltou.

— Parabéns, irmã. Eu sabia que seria você a realizar o sonho de nossa família, nada mais justo. Parabéns, Bells. Parabéns, Edward.

— O sonho de nossa família é uma casa cheia de crianças, Lice. E nisso estamos nos saindo muito bem. Parabéns para nós, então.

Acariciei a barriga dela. Edward secou suas lágrimas com um lenço que Ângela nos estendia.

— Se prepare, irmã. Agora papai surta de vez. Acho até que agora ele entrega o reino a Emmett e se muda de vez para cá. Será impossível segurá-lo lá, quando você carrega os tão sonhados garotos dele.

— Nossos garotos, Rosie. Serão companheiros de sua filha e da de Alice. Seremos uma família de crianças felizes e amadas, assim como fomos.

Abracei as duas ao mesmo tempo.

— Ei, irmão, isso é verdade. Parabéns. Dois meninos são o certo. Eles nos ajudarão quando chegar a hora das meninas começarem a sair. Ah, Edward! Você pensa em tudo.

— Sou o máximo, Emm, pode dizer. Terei dois garotos e ainda fiz com que você perdesse a aposta.

— Ei, não se gabe. Jacob e Stephan ganharam. Terá que conviver com isso.

Emm e Edward se abraçaram de lado e trocaram farpas “carinhosas”.

Estávamos em nossa bola de emoção, quando levantei os olhos e encontrei os de minha sogra.

Esme parecia aturdida e meio sem ação.

Devagar, me soltei de minhas irmãs e de Edward e fui até ela.

— Esme?

Chamei quando parada a sua frente. Ela nem parecia me ver.

— Esme? Você está bem?

Toquei seu ombro e foi então que ela pareceu acordar de um sonho.

— Ah, querida!

Esme me estreitou em seus braços e chorou copiosamente alto. Os soluços me sacudiram tanto que Edward voltou a me segurar nas costas.

— Eu sabia. Eu sabia. Eu avisei tantas vezes. Eu sabia. Deus fez o certo. Ele fez.

Meu marido e eu trocamos um olhar, sem entender do que ela falava.

— Mãe...

— Ah, filho! Parabéns. É uma notícia maravilhosa. O povo vai adorar. Eles merecem isso. Vocês merecem isso.

— Mãe, é uma notícia incrível. Estamos todos felizes. É claro que comemoraremos e...

— Não, filho. Vocês não estão entendendo. Essa notícia, ela faz com que vocês sejam os...

— Esme! Aqui não. Fique calada!

Assustando-nos, Carlisle se fez valer sua autoridade de rei gritando.

Minha sogra se encolheu e se calou.

— Mas, Carlisle nos...

— Então, temos novidades?

Aro entrou sem ser anunciado interrompendo o que quer que fosse que minha sogra diria.

Edward, sem esperar, se colocou a meu lado e encarou o pai com fúria.

Edward

— Vamos para casa. Todos para nossa casa, agora!

Voltou a dizer o rei. Tenso, parecendo inerte a notícia de que nossos bebês eram meninos, dois meninos, os primeiros da família, seus primeiros netos.

Tio Aro e ele se olharam em acordo, entendendo-se sem palavras.

O que estava acontecendo ali?

— Pai, pare! Não vamos para casa. Vamos sair para comemorar.

— Comemorem depois. Temos assuntos mais importantes a resolver.

Nesse momento, estupefato, olhei para minha esposa, Bella parecia pálida e prestes a desmoronar perante tanta falta de entusiasmo.

— Não temos não e não vamos para sua casa. Façam o que quiser, minha esposa, meus filhos e eu iremos comemorar tão boa notícia.

— Não, vocês não vão. Sei que não me obedece como pai, mas agora sou seu rei e estou ordenando que vá para minha casa imediatamente.

— Não vamos, porcaria nenhuma!

Esbravejei já guiando Bella para a porta. Charlie, imediatamente se colocou a meu lado. Stephan entrou assim que escutou o aumentar de minha voz.

Meu descontrole dando o ar da graça.

— Edward, irmão, se acalme. Papai está certo. Pelo amor de Deus, faça o que ele diz. Ele tem seus motivos.

— Emmett, ele está louco. Está estragando a nossa grande notícia.

Voltei minha atenção para meu irmão que também se aproximava.

Rosie e Alice pareciam confusas. Renée e mamãe sem saber como se comportar.

— Não estou estragando nada, garoto mimado. Só vá para casa. Quanto antes você chegar mais rápido será liberado e aí fará o que quiser o restante do dia e da noite. Só me obedeça e venha para casa.

— Não vamos nada.

— Amor...

Bella segurou minha mão me impedindo de recomeçar a gritar e socar meu pai pelo que ele estava fazendo.

— Vamos até lá. Parece urgente. Olhe para ele e sua mãe.

Esme parecia em transe e muito feliz, já Carlisle estava fora de si.

— Emmett ligue para Jasper e diga para ele se dirigir para nossa casa também.

— Quê? Jasper? Agora é que não vamos mesmo.

— Ah, vocês vão! Vão, porque estou mandando. Se não forem por bem, irão por mal. Amum...

Sem esperar mandar duas vezes, o chefe de segurança também entrou e se colocou a nosso lado. A sala estava tão cheia que eu podia ver a respiração de Bella começar a ofegar.

Eu estava pronto para me rebelar de novo quando mamãe se pronunciou.

— Parem já com isso! Estão assuntando Alice e Bella. Amum, se afaste, agora!

Relutantemente, o segurança se afastou. Stephan e ele se encarando com olhares duros. Zafrina e Sam já estavam na porta esperando só por um chamado.

— Filho, se acalme. Jasper não fará nada com vocês. Seu pai precisa de vocês seis lá em casa agora. Faça isso por seus filhos e por mim, por favor.

— Não, mãe. O grande rei está estragando nosso momento. Ele podia pelo menos disfarçar. Se mostrar um pouco entusiasmado. Quero ver se fosse Jasper lhe dando dois netos.

— Edward...

Charlie colocou a mão em meu ombro e segurou com firmeza.

— Obedeça a seu rei, filho. Estaremos com vocês. Ninguém chegará perto, nem fará nada com meus netos ou minha filha. Prometo-te isso. Vamos até lá, ouvimos o que ele tem a dizer e depois comemoraremos na casa de vocês.

Apertei os dedos de Bella entre os meus, respirei fundo e então fiz um esforço hercúleo para me acalmar. Eu precisava tira-la dali.

— Se algo sair do controle, pego Bella e nos mudamos para Forkian, e culparei você.

Apontei o dedo para Carlisle, que só respirou fundo e também se acalmou. Se voltando para meu tio logo depois.

— Assumo as consequências. Aro...

— Eleazar já está de sobreaviso, irmão. Mamãe já está lá. Creio que ela já desconfiava que fosse hoje. Podem ir. Estaremos logo atrás de vocês.

Um nó se formou em minha cabeça. Do que eles estavam falando? Meus tios também iriam para a casa de meus pais?

— Certo! Doutora Weber eu gostaria que nos acompanhasse, por favor.

— Sim, majestade.

Ângela, tão confusa como nós, começou a juntar algumas coisas em uma maleta.

— Pai, o que está acontecendo? Está nos assustando. Bella não pode ficar nervosa. Por favor...

Baixei o tom e implorei para que ele me dissesse o que estava acontecendo.

— Não está acontecendo nada, filho. Só venha para casa conosco. Precisamos ter uma conversa definitiva com Emmett, Jasper e você. Pode fazer isso por mim?

Não fui capaz de respondê-lo. Tanta coisa se passava por seus olhos e eu não era capaz de entender nenhuma.

— Estou feliz, Edward. Muito feliz. Perdoe-me por não poder demonstrar nem comemorar isso agora. Farei isso assim que conversar com você e seus irmãos. Dois garotos estão a caminho para me provar como fui um pai e um rei idiota. Só espero que você, sua esposa e a família dela me perdoem por isso.

Sem esperar por uma resposta, ele agarrou a mão de mamãe e a guiou para fora.

Amum, Emmett e Rosie o seguiram.

— Vamos lá. Leve Bella. Alice vai conosco.

— Certo. Sam os acompanhará. Ele está com as chaves de meu carro.

Charlie, Rennée e Alice se despediram de Bella, com um abraço, e então saíram.

Meus sogros não escondiam a felicidade. Ato que eu esperava demais de meu pai.

Ele precisava demonstrar assim, que preferia filhos homens, de Jasper? Isso magoava.

— Também já vou, preciso acertar com minha secretária o cancelamento de minha agenda. É capaz de cuidar dela até eu chegar?

Assenti para a amiga de minha mulher. Minha mão fechada com força em volta da dela.

— Posso cuidar de mim. Não vou quebrar. Querem para com isso?

Manifestou-se irritada já saindo da sala.

Zafrina a seguiu. Stephan também.

— Assim que chegarem, peça uma água para ela e pingue cinco gotas disso nela, sem que ela veja. Porque a conheço, se notar que é um calmante não tomará.

— Isso a dopará?

Preocupado, peguei o frasco que ela me estendia e coloquei no bolso de dentro do paletó.

— Não. Só a acalmará e segurará sua pressão no lugar. Não podemos brincar, Edward.

— Tá certo. Vejo-te em casa, então. Não demore, por favor. Não sei o que está se passando. Mas, parece ser bem sério. Bella e Alice precisarão de você. Ainda mais porque Jasper estará lá.

— Ok. Peça para que Stephan dirija com calma e enrole, se puder. Me dará tempo para resolver minhas coisas e Bella se acalmar um pouco.

Assenti e então nos afastamos.

Corri pelo hospital, atraindo muitos olhares, mas só fui capaz de alcançá-los quando já entravam no carro.

Entrei no banco detrás, ao lado de Bella. Stephan e Zafrina nos da frente.

— Meninos, hein? Eu sabia. Isso!

Stephan comemorou já colocando o carro em movimento. Olhei-o com profundo entendimento, fazendo-o entender imediatamente o que eu queria.

Lentidão.

— Quem te contou? Ah, esposa! Você não podia ter compartilhado com ele nosso segredo.

Sorri para Bella e beijei sua testa tentando minimizar o clima e a situação. Stephan era o melhor para me ajudar com isso.

— Eu não contei.

— Nem precisou. Charlie sorria tanto, que é bem capaz de ter iluminado a Chuvosa Forks daqui mesmo. Ele, Jacob e eu ganhamos uma bolada.

— Temos que falar sobre qual instituição receberá essa bolada, Steph. Apostando meus filhos? Eu não esperava isso de você.

Franzi a testa e passei o braço pelo ombro dela a puxando para mim.

Será que aquele apelido perduraria ou era só para me irritar? Quase apostei na segunda opção.

Sem bem que apostar...

— Nem "fodendo", Bellinha. É muito dinheiro. E tudo honesto.

— Honesto nada. Bella está certa. Vocês apostaram meus filhos, seu bastardo. Ou doa esse dinheiro ou perde seu emprego.

Coloquei a mão no ventre dela e a acariciei.

Meus filhos!

— Não trabalho mais para você, chefinho. Não pode me despedir.

— Bella pode.

— Não, não pode. Trabalho para o pai dela agora. Tirando que namoro à amiga dela. Bree ficaria chateada se eu fosse um pedinte desempregado no próximo mês. Como ficam os planos de casamento?

— Dramático!

— Ele tem um ponto.

Bella encostou a cabeça em meu ombro e relaxou.

Eu não disse que Stephan era bom nisso?

— Bells, que tal uma croissant? Está bem na hora em que elas saem do forno. Aquele de muçarela com presunto deve estar uma delícia? Topa? Com um suco de laranja duplo, pode ser?

Ele já estacionava em uma padaria na esquina do hospital mesmo.

Bella quase gemeu ao meu lado.

— Quer um, Edward? Os croissants daqui são famosos. Viciei Stephan e Bree.

— Claro que quero. De frango com catupiry, se possível.

Stephan nos olhou pela janela e somente sorriu em concordância.

Ele era bom no que fazia, nisso eu tinha que concordar. E nesse momento, era o melhor para minha esposa.

— Eles têm essa, chefinho. É a preferida de Bree.

Tempo. Estava nos dando tempo para nos acalmar antes de enfrentarmos o que estava pela frente.

— Já volto.

Puxei minha mão para o cabelo de Bella e os acariciei. Enfiei meu nariz no meio deles e inspirei profundamente, fazendo assim com que o cheiro de morango invadisse meu sistema.

— O que você acha que sua família tem de tão importante para nos contar que não podia esperar?

— Não sei.

Esfreguei o nariz, carinhosamente, em sua cabeça.

— Minha família é cheia de mistério e segredos. Sempre que escutávamos algo que não devíamos ou fazíamos indagações de crianças, éramos “cortados” e diziam que sanariam nossas curiosidades no tempo certo. Creio que o momento certo seja agora.

— Faz ideia do que seja?

— Não. E não quero que se preocupe também. Se for algo que nos preocupe em relação a nossos filhos, seu pai nos amparará e se por acaso ele for de acordo com Carlisle darei um jeito. Recorrerei asilo político a Jacob, se for preciso. Só não quero que se preocupe, darei um jeito.

— Não estou preocupada. Confio em você.

Virou a cabeça para mim e então se inclinou diretamente para minha boca.

— Amo você, Edward. Obrigada pelos meus filhos.

— Eu que agradeço, senhora minha esposa. Você está me dando tanto, que só penso em como poderei recompensá-la um dia, princesa.

— Ah, eu tenho algumas ideias.

Ela levou a mão pequena a minha cabeça e me puxou em direção a sua.

— Acho que vou gostar dessa dívida eterna.

Mordi seu lábio inferior puxando a boca dela para a minha. Provocando-a.

Beijar Bella a melhor parte do dia. A entrega, o sabor dela, a doçura eram algo que me inebriavam de tanto desejo e amor.

Desejei demais que estivéssemos em casa para que eu pudesse ovacioná-la com meu corpo.

— Você é linda demais, princesa. Toda gostosa e fogosa.

— Sou é?

— É.

Voltei a beijá-la. Minha boca, sugando, mordendo, adorando. Minha língua buscava a dela com uma força inexplicável. Era como procurar pelo elixir da vida. Algo que não se vive sem.

— Edward. Isso é castigo. Hormônios em ebulição, lembra?

Gemeu baixo quando desci meus beijos por seu pescoço, já tentando puxar aquela maldita blusa de uniforme.

Por minha visão periférica, observei Zafrina com cara de paisagem observando tudo ao redor, menos nos dois no banco detrás.

— Posso resolver seu problema. Só relaxe...

Falei já tentando puxa-la para meu colo.

— Ah, mas vocês não vão resolver problema nenhum aqui. Não no meu carro, nem no meio da rua em plena luz do dia.

Stephan entrou sem avisar.

Bella se soltou de mim rapidamente e se possível, seu rosto envermelhou mais ainda. Eu só não sabia se por causa de nosso amasso ou de sermos pegos em flagrantes.

— Stephan, alguém já lhe disse que você é inconveniente? E de onde tirou isso de “seu carro”?

— Além de você? Não, ninguém. E é meu carro sim, eu o guio dia e noite. Então, é meu. Aqui, Bella. Tome isso.

Entregou a ela o suco e uma embalagem de papel. Fez o mesmo comigo e Zafrina. Seu copo foi para o console ao lado do cambio do carro.

— Ah, Stephan, amo você! Estão quentinhos.

Levantei uma sobrancelha para ela vendo-a abocanhar, com vontade, a iguaria.

— O quê? Ele me trouxe comida. Se convença, o amo.

Respondeu de boca cheia, enquanto a liga do queijo se espichava de sua mão até a boca.

— Era a mim que você amava agora a pouco.

Ela só foi capaz de sorrir e dar de ombros.

Tomei um gole de meu suco agradecendo a Deus pelo pequeno instante de tranquilidade.

— Então...

Stephan voltou a falar e colocou o carro em movimento. Devagar e com bastante paciência.

— Bom, vamos ao que interessa agora, os nomes dos rebentos. Já tem alguma ideia.

Bella negou com a cabeça, a boca continuava cheia.

— Não. Estávamos esperando que eles se revelassem.

— Ah, como eu já sabia o que eram, já andei pensando em alguns. Vocês podem escolher entre eles.

Sentei mais ereto esperando pelo que estava por vir.

— Fala. Estamos abertos a sugestões.

Bella influenciou.

Ah, Deus! Ela estava mesmo dando esse poder a ele?

— O que acha de Isobello e Stéphano?

— Quê?

Bella e eu gritamos em uníssono. Ela se engasgando e eu “babando” todo o suco que estava bebendo.

Stephan gargalhou do banco da frente, completamente feliz por ter alcançado de vez seu objetivo: Distrair-nos, do que quer que fosse que nos esperava na casa de meus pais.

Mais tarde eu descobriria que teria demais que agradecê-lo por aquilo, porque fora o último momento que sorrimos naquele dia.

Notas finais
Gostaram? Encontro vocês nos comentários. Beijinhos e boa semana.