Notas iniciais
Bom, capítulo dedicado, totalmente a Kathe Booth, que me presenteou com a minha décima recomendação. Vocês não tem noção do quanto estou feliz. Agora, duas coisas importantes que preciso dizer sobre a fic: Primeiro, lembrem-se de que Bella é muito nova. Ela é muito inteligente, mas maturidade se alcança com experiência, não com QI. Por isso, paciência com minha princesa. Eu a amo e vocês ainda se surpreenderão com ela. Segundo: A história dará uma avançada no próximo capítulo, que será o da formatura e então depois já passaremos para o casamento. Ok? Espero que gostem. Bem- vindos leitores novos. E obrigada a cada um que comentou. Beijos e boa semana a todos.

Memórias On

Chovia... E Deus... Como chovia.

Raios de todos os formatos cortavam o céu de Forks para todas as direções. Trovões de todas as intensidades inundavam meus ouvidos e retumbavam ao longe no horizonte.

Eu não tinha medo, apreensividade talvez, mas medo não. O aconchego do carro e o calor da mão de papai me mantinham firme.

Eu amava a chuva, eu amava Forks, portanto, tempestades eram normais para mim. Eu já tinha me acostumado com o barulho.

No entanto, naquele dia, algo mudaria minha opinião para sempre...

— Então será assim Bella, papai e mamãe vão para o México e voltamos na Segunda. Alice e Rosie não vêm pra casa nesse final de semana. Então serão só, você e Donna. Combinado?

Bem que eu pensei em fazer birra. Eu estava cansada de ficar sozinha, mas papai sempre dizia que era por uma causa justa e eu entendia de causas justas.

— Tudo bem, papai. Eu entendi.

Me lembro que ele ainda me falou mais algumas coisas sobre tomar cuidado, não conversar com estranhos e não me afastar de Bá, por lei nenhuma. Todavia, eu não prestei atenção. A escola já estava à vista e eu queria mais era entrar e ver se Ângela me emprestava uma daquelas capas azuis bonitas que todas as meninas estavam usando. Menos eu, claro.

Eu nunca havia usado uma. Elas pareciam tão bonitas e sequinhas e azuis. Acho que Alice nunca aprovaria.

— Pronto, querida, chegamos. Tome cuidado. Papai te ama. Segunda, estaremos de volta.

Lembro também de ter corrido para a proteção do prédio, assim que beijei papai no rosto. Mamãe havia ficado em casa terminando de ajeitar as malas, por isso não nos acompanhou.

Sei também que uns pingos teimosos atingiram meu rosto, e que fui para o banheiro afim de me secar.

E acho que foi aí que minha opinião a respeito da chuva mudou.

O banheiro que costumávamos usar estava fechado, em manutenção, se não me engano. E buscando uma solução para meu problema, fui até a parte mais afastada do prédio, uma que inclusive passava por reformas e que naquele momento parecia absurdamente mais vazia que o normal.

Lembro que assim que coloquei meus pés lá dentro, eu sabia que não sairia em pune dali. Leah Clearwater e mais duas amigas, maiores do que eu, também se secavam. E ao me verem, sozinha, foi um deleite para elas. Eu sofreria mais uma vez da ira daquelas garotas.

— Olhe quem está aqui? A filhinha do papai veio se secar.

Eu nunca entendi a implicância de Leah comigo, na verdade em algum ponto até achei que seríamos amigas. O papai dela, Harry Clearwater, era amigo e conselheiro do meu papai e eles sempre frequentavam a minha casa. Todavia um dia ela chegou na escola estranha e mal- humorada e então nunca mais ousou a me tratar bem.

— A chuva teve o desplante de te molhar? Oh súdita chuva! Você não sabe quem é essa menina? Você não pode molhá-la. Ela conta pro papai dela se você a desagradá-la.

Naquele dia ela parecia pior. Os olhos estavam raivosos e sua ira era toda direcionada a mim.

Lembro-me de ter tentado me afastar, correr ou gritar, mas lembro- me melhor ainda, que foi impossível. Leah me agarrou pelos cabelos, me jogou dentro de uma das cabines dos sanitários e me trancou ali.

Lembro-me de ter gritado, chorado, esmurrado a porta e por fim, vencida pelo cansaço ter me deitado ao chão.

Lembro e tremo de pensar, que em algum momento os trovões aumentaram e que a água começou a entrar por debaixo da porta e que em poucos minutos já molhavam metade das minhas pernas.

Lembro-me de ter começado a me desesperar, lembro-me de ter subido no aparelho sanitário. Lembro-me de ter rezado para que a água parasse, que os trovões parassem e que os clarões dos raios, parassem.

Lembro também de não ter mais força. Lembro-me de escorregar e de sentir o baque da água na minha barriguinha. Eu lembro demais do frio.

Ah! Como eu me lembro do frio!!! Era cortante. Era doído. Lembro-me de meus dentes batendo um no outro.

E a água? Ela vinha de todas as partes, eu era jogada para um lado e para o outro. Tinha água em tudo que é lugar, nos meus pés, nos meus olhos, nos meus ouvidos e principalmente na minha boca e no meu nariz.

Lembro também de, já exautas, desistir. De não tentar levantar mais, de não tentar empurrar a cabeça para cima. Eu estava cansada.

E então, eu me lembro da voz... Nítido como um lindo dia de sol... Uma doce e agradável voz.

— Aqui... A Bella está aqui. Socorro! A Bella está aqui. Eu sabia que ela tinha vindo pra aula. Salvem-na, por favor..

Jacob era um garotinho moreno. De cabelos lisos e riso fácil, mas que estava muito contrariado e preocupado naquele dia.

Lembro também dele chutando a porta e me estendendo a mão. Lembro-me dele me aconchegando no peito, enquanto os outros buscavam cobertores e ligavam para uma ambulância.

E principalmente, lembro-me dele, do lado de meu leito no hospital, me prometendo de que tudo ficaria bem.

— Leah nunca mais vai te fazer mal Bells. Eu prometo. E se um dia ela tentar, saiba que estarei ao seu lado para que possamos lutar contra ela. Nos iremos nos vingar, Bells. Eu juro pra você.

Leah não mudou sua postura depois daquilo, no entanto, eu nunca mais a enfrentei sozinha. Eu sempre tinha meu amigo Jake comigo.

Eu não me lembro de muita coisa naquele dia, mas uma coisa que nunca vou me esquecer, é que a partir daquele incidente eu nunca mais gostei de chuvas, raios ou tempestades. Muita água me dá pavor e a sensação de estar sozinha quando esse fenômeno começa, me deixa travada e completamente vulnerável.

Eu nunca mais amei a chuva depois de Leah Clearwater.

Memórias off

Bella

Desci as escadas ainda sentindo o peso dos pesadelos, da noite mal dormida e do fatídico Domingo. Eu havia me recusado a sair do quarto depois daquela discussão toda. Eu estava com vergonha e angustiada.

Essa era Bella Swan, a mulher que não grita, que não se rebela, que não faz escândalo. Bella Swan é uma mulher que chora, que acumula, pra depois desabar tudo de uma só vez. E aí? Sai de baixo.

E confesso, eu estava a ponto de explodir. Só não fiz isso ontem, porque meu noivo, graças a Deus, estava comigo.

Edward se manteve o tempo todo ao meu lado e em certo momento Esme se juntou a nós se desculpando pelas atitudes, segundo ela, impensadas de Jasper.

Eu não estava nem aí pra ele e suas atitudes. O que incomodara mesmo. era Charlie. Ele nem parecia meu pai quando agia daquela maneira. Ele lembrava o antigo Charlie que vovó tanto temia. O Charlie eu só queria que seus interesses fossem colocados em cheque. Pessoas e seus sentimentos não tinham importância.

Por isso o evitei, e evitarei enquanto puder. Só dei as caras para me despedir de vovó e John. E quando tive que também dizer “até logo”, para Edward e a família, o que, diga-se de passagem, foi mais difícil que o habitual. Eu queria a paz dos braços dele a minha volta, pelo restante dos meus dias.

Alice e Rosie haviam partido também e agora éramos só nós três, naquele palácio, outra vez. Em outra ocasião aquilo não me incomodaria, eu amava a companhia de meus pais, no entanto agora... eu não me sentia assim. O silencio e o vazio eram sufocante.

Apressei os passos, desci os últimos degraus e parei na sala de Estar. Tudo estava quieto e sombrio. Mas também, não passava das seis horas da manhã. Quem eu espera encontrar por ali?

E sim, eu estava saindo na surdina. Eu não queria ver meus pais essa manhã. Eu não queria outro embate.

Hoje eu só precisa de uma dose, extra forte, de universidade, com aulas intensas. E depois um plantão de 12hs, na emergência do hospital. E para finalizar, uma madrugada de amanhã recheada de estudos e silêncio na biblioteca de casa.

Era isso! Eu precisava da minha rotina de volta. Um turbilhão de coisas pra fazer e pensar.

Edward

Mudei mais uma vez a posição dos braços e batuquei insistentemente a caneta no monte de pastas a minha frente. Eu estava ansioso e sem um pingo de paciência.

Em algum lugar em minha mente, algo me dizia que aquela reunião era muito importante, mas não adiantava, eu não conseguia me concentrar. Já passava das nove da manhã e eu só trocara um “bom dia”, com minha noiva, por mensagem de texto. A preocupação exalava de mim.

Deixar Bella em Forkian, havia sido a pior experiência de minha vida. Ela estava frágil e chorosa e eu odiava a todos que haviam a levado para aquele extremo. Eu queria muito ficar, todavia, papai me convenceu de que eles precisavam daquela experiência. Charlie logo não teria Bella debaixo de suas asas e, segundo Carlisle, ele precisava aproveitar o máximo dela. Eles precisavam “aparar as arestas”. E se eu estivesse lá é óbvio, que não deixaria que ele se aproximasse dela.

Eu abominava ver Bella chorando. Aquilo corroia minha alma e machucava meu coração. Eu queria enforcar, todos que a fizessem derramar uma lágrima.

E nessa lista incluo meu irmão, outro que estava entalado. E digam e pensem o que quiserem, eu conheço Jasper, o objetivo dele era que Charlie repensasse a respeito de uma troca de noivas. “O maldito” logo daria o próximo passo e eu estaria preparado para enfrenta- lo.

Na verdade, eu estava contando os minutos para pegá-lo sozinho.

— Então Edward, já que você está muito concentrado na nossa reunião, diga-nos em que ponto acha que estamos falhando.

Parei o barulho e olhei para meu pai, ignorando a risada sarcástica de Jasper, bem a minha frente. Eu estava desatento, é verdade, mas sabia exatamente do que eles falavam.

— Eu acho pai, que devemos reforçar as fronteiras. E a rigidez nos aeroportos e portos, também deve ser aumentada. Os terroristas não estão de brincadeira e devemos nos precaver o máximo possível.

E esse era o ponto, estávamos reunidos com os principais conselheiros e chefes de devesa, analisando as últimas ameaças que nosso reino e consequentemente, nossa família haviam recebido.

— Oras! Não seja um mau monarca, Edward. Isso nós já fazemos. Acho que temos que unir nossa força com a de Charlie e atacar por todos os lados. Eles nem perceberão quem os atingiu. “A melhor defesa é o ataque”.

Cerrei os punhos e trinquei os dentes, Jasper era assim, ele só pensava em aniquilar.

— Eu concordo com Edward. Atacar diretamente levaria a muitas mortes de civis. Sem falar que eles revidariam e não quero colocar nem nosso povo nem os “Forkinienses” em risco. Ainda mais agora, que as duas nações preparam tantas comemorações públicas por causa dos casamentos. Não precisamos que nada manche essa data para nós e para as meninas.

— Vocês são dois “bundões”, isso sim. Charlie está é enrolado com genros como vocês.

Emmett se levantou e eu fechei a cara. Jasper começara cedo.

— Chega, Jasper. Não tente ninguém aqui. Seus irmãos pensam de um jeito e você de outro. Quero que os três tracem uma estratégia em defesa de seu ponto de vista e dentro de três dias discutiremos de novo. Agora saiam daqui que eu tenho muito que fazer, pra ficar aturando briguinhas de meninos mimados. E Edward?

Vire-me para ele, ainda exalando nervosismo.

— Mantenha o foco, você está muito disperso hoje. Se seus testes começam agora, trate de passar por eles. Você pode não perceber, mas Charlie está de olho em cada passo seu.

Assenti para meu pai e sai dali. Eu precisava me concentrar.

Em minha sala eu pensaria com mais clareza e ainda ligaria para Bella, eu necessitava ouvir sua voz, saber como ela está.

Contudo “o vento não estava em meu favor”.

— Meu príncipe, me perdoe. Eu tentei impedir a entrada dele, mas ele insistiu em esperar ai. Eu não pude impedir. Ele é grande e faz cara feia quando contrariado.

Meio atônito passei pelo meu secretário e encontrei ninguém mais, ninguém menos que Jacob Black, tranquilamente instalado bem em frente a minha mesa. Só podia ser “os finais dos tempos mesmo”.

— Tudo bem, Riley. Deixe-nos a sós.

Assim que a porta se fechou levantei meu olhar pra ele.

Jacob estendeu a mão em minha direção. A ignorei displicentemente.

— Eu dispenso as formalidades. Fale logo o que quer e se retire daqui. Você não é bem vindo em meu reino, muito menos em minha sala. Eu não tenho tempo para você.

Ele não se intimidou, voltou a se sentar, descansou uma perna sobre a outra e sorriu de um jeito nada legal.

— Acredite, estar aqui é a última coisa que eu queria. Se ainda me lembro bem, da última vez que nos vimos, você tinha o punho travado no meu nariz e queixo.

— E se eu também me lembro bem, da última vez que nos vimos, você havia abandonado a minha mulher, a própria sorte, em uma beira de estrada para morrer na chuva.

Uma ponta de arrependimento cruzou o olhar dele. É aquilo o feria.

Dei a volta na mesa e me sentei. Se ele queria falar, eu iria ouvir. Só não me responsabilizaria pelos meus atos depois daquilo.

— Isso é passado, Edward. Eu estava fora de mim. Mas, agora consigo pensar com mais clareza, por isso estou aqui.

— E o que eu tenho com isso? Você que resolva seus problemas.

Perguntei, me curvando para frente. Eu queria intimida-lo e dependesse do que ele falasse eu descontaria nele toda minha raiva acumulada do final de semana.

— Eu preciso da sua ajuda.

Sem me conter, soltei uma risada. Uma gargalhada alta.

— Minha ajuda? Você só pode estar de brincadeira. Você tem a minha mulher enjaulada a sua volta, a manipula, a magoa, a decepciona e ainda tem o disparate de dizer que precisa de mim? Você só pode estar louco.Saiba que eu não sou Isabella, Jacob. Eu não tenho um coração tão grande como o dela. Eu não perdoo fácil.

Mudei de postura e lhe dirigi um olhar duro. Eu queria passar veracidade em minhas afirmações. Mais uma vez, ele não se intimidou.

— Sabe, Edward. Eu sei que você não é ela, se vocês fossem pelo menos parecidos, seria tudo mais fácil. Agora acredite, eu não estaria aqui se tivesse outra maneira de fazer isso. Infelizmente, eu preciso me rebaixar a você. E você vai me ajudar.

— Fazer o que? O que você está tramando Black? Bella me disse que você tem um plano pra conseguir o perdão de Charlie. Se isso me inclui, pode desistir. Meu sogro confia em mim. Eu nunca me aliaria ao inimigo.

— Sejamos verdadeiros, você não se aliaria a mim e nem eu me aliaria a você. Contudo, por Bella, eu só preciso te deixar a par de algumas coisas e quero que faça uma coisa por mim depois. Você me deverá isso.

E de repente ele também mudou. O jeito mudou,o clima se tornou mais sério. Jacob se aproximou e postou as duas mãos em minha mesa. Também me levantei. Nos encarávamos como duas feras.

— E o que o faz pensar que eu faria alguma coisa por você?

— Seu sentimento por Bella. Eu sei que você a ama e que faria qualquer coisa por ela.

Disso ele tinha razão. Ele havia pegado meu ponto fraco.

— Fale.

Rosnei.

Contudo eu não estava preparado para o que, aquele maluco, tinha em mente.

— Eu vou me casar com Leah Clearwater.

— O que?

Frustrado e já com minha inteira atenção, ele voltou a se sentar e levou a mão, a revolta de cabelos em sua cabeça.

— É isso que você ouviu. Eu vou me casar com Leah Clearwater.

Pontuou.

— Como assim? Por quê? Você enlouqueceu?

— Eu cometi um erro, Edward. Eu coloquei Bella em perigo quando eu mesmo, prometi cuidar dela para sempre. E agora, pago por esse erro. Tudo ficou mais complicado ainda. A minha ausência causará transtornos irreparáveis. E eu não posso mais deixar pontas soltas. Um dia Bella vai descobrir a podridão por baixo do tapete e vai sobrar pra todo mundo e quanto mais eu puder segurar Leah, pelo menos por enquanto, eu farei e melhor será.

Eu sabia que havia algo estranho. E que era mantido longe de minha noiva. Eu havia intimado Charlie a respeito disso e ele disse que me contaria no momento oportuno.

— Eu prometi a Bella que cuidaria dela. Eu pensava em fazer isso de outra maneira, mas aí, você chegou. Todo bonitão e cheio de charme pra cima dela e levou minha garota de mim.

— Minha garota! Bella sempre foi minha.

— Que seja. Se ela não tivesse se encantado por você, era um problema fácil de resolver. Acordos são quebrados todos os dias. Mas, infelizmente, ela se derreteu pelo príncipe mal- arrumado. Típico dela...

O olhar dele quando se dirigia a ela era admirado e sonhador. Jacob Black amava minha noiva. E eu agradecia a Deus, por ela ter encontrado algo de bom em mim.

— E então eu perdi o rumo. Fiquei apavorado de medo de perdê-la e meti os pés pelas mãos e agora nem a companhia dela posso ter mais. Mas, eu vou consertar isso, ainda hoje. Tenho um encontro com tio Charlie e o convencerei a me deixar voltar.

— Casando com Leah?

— Casando com Leah.

Respondeu amargo.

— Você sabe que Bella ficará muito irritada por saber que você vai casar com o desafeto dela, não sabe?

— Sei. Mas eu conheço minha amiga, Edward. O coração dela é enorme. E se eu a fizer acreditar que estou completamente apaixonado pela “Madame mau- humor”, ela me apoiará. E então farei duas coisas boas, Edward.

— Que seria?

— Terei controle sobre cada ato estúpido de Leah e ainda terei minha amiga de volta.

— E sua felicidade não conta?

— Estarei feliz, vendo que Bella está bem e segura.

Um medo me inundou. Bella iria saber que ele estava sendo altruísta. Bella amaria a atitude dele.

— E o que você ganha com isso, Jacob?

Ele olhou para além de mim. Algum lugar que só ele e minha noiva já tinham alcançado,

— Ganho meu padrinho de volta, meu lugar seguro. Minha amiga. E ganho também a chance de tê-la comigo de alguma maneira.

— E isso é o suficiente? Você está selando seu destino antes do de Bella. Você tem noção de que se casando com Leah, nunca mais terá a chance de pelo menos, lutar pelo amor dela? Não sabe?

— Eu sei quando perdi, Edward. Eu sei “tirar o time de campo”. Eu só preciso, como eu disse, que faça uma coisa por mim. E você me deve isso depois de tudo o que te falei e farei.

— Então diga de uma vez. O que quer?

Ele voltou a se levantar, deu a volta na mesa e se postou de novo a minha frente com a mesma mão estendida.

— Não tire a amizade que eu e Isabella temos. Eu estou desistindo de todos os meus sonhos e expectativas, mas ainda preciso dela para seguir em frente. Por isso, não a tire de mim. Nós temos uma vida juntos. Temos estudos, interesses e pesquisas. Afasta-la de mim, seria desastroso e catastrófico para nós dois. Me prometa isso.

— Então você quer que eu seja conivente com o seu sentimento pela minha mulher?

— Não! Eu só quero que você permita que sejamos amigos. Você não é obrigado a me suportar nem eu te suportarei. Só deixe que participemos da vida um do outro. E te prometo que não interferirei na vida amorosa de vocês, nunca mais.

Olhei pra mão que ele me estendia. Era uma proposta. Bella ficaria feliz se chegássemos a um consenso. Mas será que eu seria capaz de me sentir feliz tento ele tão próximo?

— Acordo feito. Você se casa com Leah, Bella continua sua amiga e você nos deixa viver em paz.

Apertamos nossas mãos e no minuto seguinte ele já se retirava dizendo que ia para Forks. Nosso assunto havia acabado.

— Ah, Edward? Só mais uma coisa.

Voltei a encara-lo. O que mais ele queria?

— Não cometa erros. Fazer Bella feliz é sua obrigação. Se em algum momento eu perceber que ela não o é, eu jogo tudo pra cima, e volto ao objetivo inicial. Porque como eu te disse, acordos foram feitos para serem quebrados.

E então ele sorriu sínico e saiu. E por incrível que pareça, eu não estava preocupado, não mais. Jacob havia cavado sua sentença de morte.

Uma amizade?

Eu podia conviver com isso.

Errar com Bella?

Não! Eu nunca erraria com minha princesa.

Charlie

— Bom dia, Donna. Sirva-me um café forte e sem açúcar.

— Sim, senhor.

Sentei a ponta da mesa. Renée estava a minha frente muito concentrada em uma revista. Desde ontem que ela não trocava um mínimo olhar comigo.

— Aqui, majestade.

Beberiquei a bebida e deixei que o amargor me inundasse. Minha cabeça estava fervendo. Eu estava fervendo.

— Donna, acorde Isabella. Ela vai chegar atrasada.

— Bella já saiu, senhor. Paul me disse que não era nem seis direito quando ela foi pra universidade.

Fechei meus olhos e cocei a fonte. Essa era a notícia que eu não queria ouvir. Bella estava furiosa comigo e descontava em seu corpo sua ira.

— Ela comeu alguma coisa Donna?

Perguntou Renée mal disfarçando o desgosto e já sabendo a resposta.

— Não senhora. De madrugada tentei levar o leite dela, mas a porta da biblioteca estava trancada e agora de manhã a cozinha amanheceu da mesma maneira que deixei.

Eu também havia tentado levar o leite de madrugada.

Minha filha estava com fome. Ou melhor, sem fome. Sem sono, sem fome. Onde a minha ignorância nos levaria?

— Tudo bem, Donna. Prepare algo para Bella e peça para Paul que mande Zafrina e Sam para o campus, a fim de permanecerem com minha filha.

— Sam e Zafrina, estão suspensos. Paul mesmo fará a segurança de Bella.

Ignorando minha palavra, Renée atirou sua revista de lado e me encarou já se levantando.

— Zafrina, Sam e Donna estiveram para minha filha quando nós não tínhamos tempo. Você não vai tira-los dela. E além do mais, Zafrina a convencerá a comer.

— Você está passando por cima da minha palavra.

— Estou. Estou mesmo. Mas dessa vez não Charlie! Eu não vou deixar que seus problemas interfiram na vida de nossa filha mais uma vez.

Renée passou por trás de mim e pela última vez falou com Donna.

— Diga a Zafrina e Sam que eles têm seus cargos de volta e que ninguém pode tira-los deles a não ser eu, minha filha ou minha sogra a rainha e dona desse reino, por direito.

Era uma afronta, eu sabia que era. Todos estavam irados comigo, na verdade até eu estava irado comigo, no entanto eu não conseguia olhar as coisas pelo lado certo. Eu era o rei e mandava naquele lugar. Era a minha palavra que valia ali. E até Isabella teria que prender isso.

Ninguém intimidava Charlie Swan.

Nervoso e completamente fora de mim, fui para o palácio. Eu tinha muito que trabalhar e só então mais tarde pensaria em como resolver minha situação com Bella.

Se bem, que se eu conhecia minha filha direito, eu teria muito tempo pra repensar até que ela me desse à oportunidade de vê-la e falar com ela de novo.

Por isso, deixando todas as preocupações de lado, me afundei no trabalho.

Tranquei-me no escritório, tive reuniões e mais reuniões. Não almocei. E só fui interrompido quando fui surpreendido pela presença surpresa de Billy e Jacob em minha sala.

Eu não queria vê-los. Eu queria os expulsar dali. Contudo Billy me persuadiu dizendo que eu devia muito a ele.

E devia mesmo!

E o pior era a proposta que aqueles dois tinham para mim. Eu não queria acreditar. Eu estava completamente boquiaberto. Eles eram insanos. Ninguém merecia os “Clearwaters” em sua vida.

— Vocês só podem estar de brincadeira. Isso é uma maluquice, Billy. Jacob fez uma burrada e agora a quer consertar com outra. Eu não aceito isso.

Eu já gritava.

— Não! Ele não voltará a frequentar o meu círculo e nem a minha casa. Se ele quiser se casar com aquela maluca, o problema é dele, mas não envolvam minha Bella nisso. Eu não deixarei que Leah se aproxime, ainda mais. Eu não darei corda a ela.

— Charlie, escute o garoto. Ele só está pensando em uma maneira de consertar as coisas. E olha o que ele está colocando em jogo. A felicidade dele. Dê um voto de confiança para o meu filho. Olhe tudo que ele já fez e está se propondo a fazer?

Respirei fundo e cocei o bigode. Eu queria matar aquele garoto estúpido.

— Edward não vai aceitar essa amizade.

— Eu já falei com o Edward, padrinho. Ele está a par de tudo.

— Bella vai odiar você. Ela e Leah não se suportam.

— Eu resolvo com a Bella. Por favor, padrinho, em nome de tudo que já fiz por Bella. Deixe-me voltar e consertar as coisas. Ficará mais fácil manter Leah sob controle tendo-a debaixo do mesmo Teto.

— Você me deve isso, Charlie. E fará isso por mim. A atitude do garoto é nobre e merece ser levada em conta.

Grunhi em desaprovação, Billy estava me ameaçando. Eu era o alvo de chantagem para todos os lados.

— Ok. Façam o que quiserem. Contudo, não me envolvam nisso. Eu não quero meu nome no meio de Leah e Sue. Eu já tenho problemas demais pra resolver com elas. Já basta a briga que terei que comprar com Renée. E você, garoto?

Apontei o dedo para ele e enfatizei.

— Não erre outra vez. Se você colocar a vida de minha filha em risco, de novo, eu vou mandar prender e torturar você e depois ainda te entrego a Sam. Aquele maluco está doente de vontade de colocar as mãos em seu pescoço. E agora sumam daqui, que diferente de você, Billy, eu tenho um reino pra comandar.

E sem me despedir, os deixei ali. A raiva que eu sentia de mim era demais. Havia brigado com minha garotinha e queria a todo custo arrumar um jeito de consertar as coisas.

E para isso eu me sujeitaria até, a deixar que as ideias de Jacob me ludibriassem.

Eu só precisava que Bella sorrisse para mim outra vez. E que Deus me ajudasse, pois a tarefa não parecia das mais fáceis.

Bella

Terça Feira

Era terça feira à tarde quando cheguei de volta à faculdade. Desde ontem que eu estava me esquivando de casa, passando por lá só quando sabia que meus pais não estariam.

Todavia, evitar estava se tornando impossível. Eu só tinha mais uma reunião com meu coordenador de residência e depois, inevitavelmente, teria que ir para lá. Afinal, banho demorado e sono, também estão na lista de prioridades de uma princesa.

Para melhorar um pouquinho minha vida e meu humor, Charlie havia começado a me mimar. Zafrina e Sam, estavam de volta a meu lado. Eles me confidenciaram que fora tudo obra de mamãe, mas eu conhecia Charlie muito bem e se ele não quisesse que meus seguranças voltassem, acreditem, eles verdadeiramente não voltariam.

Charlie estava procurando uma maneira de levantar a bandeira branca. Todavia, dessa vez, eu o castigaria mais um pouco. Ele merecia por ser tão cruel.

— Quarenta minutos, Zafrina. Só vou conversar com o professor Caius e depois poderemos ir para casa. Vocês também precisam descansar.

— Fique tranquila, princesa. Nós já descansamos demais por esses dias. Resolva seus problemas e depois partiremos.

Acenei afirmativamente e entrei na sala. Caius, meu professor já me esperava e para meu deleite e alegria, Jacob estava sentado ao seu lado, com seu melhor sorriso aparecendo.

— Eu disse que estaria de volta na terça.

Notas finais
Louca pra saber o que acharam... Beijinhos e boa semana!!