Notas iniciais
Boa noite, Lindas. Espero que estejam todas bem e prontas para voltarmos a rotina. Obrigada pela paciência de vocês e por serrem tão compreensivas comigo. Capítulo dedicado a Danii, Ariadna e Suelen que não me deixaram esquecer do porque eu devia voltar. E só para alertar vocês de uma coisinha, como muitas de minhas leitoras já sabem, Edward será o principal problema do casamento deles.Ele terá grandes dificuldades para se adaptar e cometerá ainda três grandes burradas, que farão com que as coisas peguem fogo. Mas, Bella é persistente. Sejam como ela, ok? Beijos e boa semana a todas. Aguardo os comentários.

Edward

— Mais uma?

Perguntei, enquanto entrava esbaforido e me acomodava em meu lugar, na sala de reuniões. Minhas mãos tremiam e minhas costas pareciam carregar o peso do mundo.

Eu só me perguntava quando isso tudo ia acabar. Será que nunca teríamos um minuto de paz?

— Veja você mesmo.

Jasper, muito tenso, por sinal, apontou para o monitor que Amun mantinha a sua frente.

— Sim, senhor. E mais uma vez apontam as princesas como prováveis alvos de suas atrocidades.

Olhei de relance para Stephan. A preocupação exibida por ele, nem chegava perto da que me carcomia, dia e noite.

— Alguma sugestão do que faremos agora?

Voltei minha atenção para Jasper, enquanto tentava apagar de minha mente o homem encapuzado que apontava uma faca para a imagem de minha esposa e minha cunhada. Somente Jasper, o apaixonado, seria capaz de entender o que se passava comigo.

— Eu acho que temos que parar de brincar. Devemos pegar pesado e retaliar cada ameaça deles e...

— Sugestão? Retaliação? Eu estou ouvindo bem? Vocês enlouqueceram? Podem ir parando por aí.

— Mas, pai...

— Pai nada, Jasper. Continuam sendo ameaças. Nada muda. Isabella e Alice estão cercadas de proteção e ninguém vai conseguir se aproximar delas. Deixem de paranoia. Continuaremos a caçá-los indiretamente, enquanto nada de concreto acontecer.

O que ele queria dizer com “algo de concreto”? Um arrepio ruim me fez temer pelo futuro. Papai não parecia estar levando o assunto a sério. Já Jasper e eu...

— A propósito, vocês é que precisam se cuidar mais. Amum, desloque dois homens de sua confiança. Edward e Jasper terão mais uma pessoa para acompanhá-los agora.

No canto da sala, Stephan fechou a expressão e cruzou os braços, em desagrado a novidade.

Jasper parecia tão atônito quanto eu. Carlisle só podia estar enlouquecendo. Não tem outra explicação.

— Majestade, longe de mim querer indagar suas decisões, o senhor é o rei e sabe o que faz. Mas, dessa vez os príncipes estão com a razão. Essas ameaças, estão ficando sérias demais e...

— Chega! Bobagem.

Lembrando o ataque de alguns dias atrás, ele bateu as duas mãos na mesa e nos encarou com uma fúria estranha e injustificada.

— Façam o que eu mando. Nada vai acontecer. Perdi as contas de quantas vezes interceptamos esse tipo de ameaça a sua mãe, a vocês a até a mim. E ninguém nunca foi atacado e muito menos morreu por conta disso. Agora parem de bancar os bebês chorões, que são, e vamos logo almoçar. Eu estou faminto.

E sem esperar por mais ninguém ele se levantou e deu a reunião por encerrada.

E como bem mandados, os seguimos, em silêncio. O respeitávamos, porém nada nos obrigava a concordar com suas decisões.

No estacionamento subterrâneo, cada um rumou para seu carro. O que era um alívio. Eu precisava ficar sozinho para pensar.

— Edward?

Merda!

Com o pé já dentro do carro, levantei a cabeça e prestei atenção no que aquele déspota queria. Tinha certeza de que não era coisa boa.

— Vai almoçar em casa?

Acenei afirmativamente já esperando e me preparando, psicologicamente, para a próxima pergunta. Era sempre assim agora.

— Vai pegar Isabella no hospital? Ou ela vai direto?

Olhai para o relógio e instintivamente, levei a mão ao cabelo, nervoso.

Saí inteiramente do carro e me virei para ele, o encarando. Só assim eu seria capaz de enfrentar o que estava por vir.

— Bella não poderá almoçar conosco, pai. Ela está completamente envolvida em uma cirurgia complicadíssima de seis horas.

A olhos vistos, a expressão dele se fechou mais e sua postura se tornou ainda mais altiva.

— Você tem consciência de que ela não tomou café conosco hoje também, não tem? Aliás, são raras as vezes que podemos nos deliciar da doce presença de sua mulher nas refeições. Isso sem mencionar, que você compareceu sozinho a dois eventos de extrema importância para o reino. O que tem a dizer em defesa de sua mulher agora, príncipe?

Nada! Pensei comigo. Eu não tinha nada a dizer sobre aquilo. Os plantões e horários desregulados estavam acabando comigo. A falta de rotina de Bella me irritava ao extremo, contudo eu estava “engolindo” tudo. Ela merecia isso de mim neste momento. Eu não podia exigir mais dela agora. Podia?

— Pai...

— Engravide sua mulher, Edward. Ela precisa de um filho para sossegar. Seus irmãos já estão trabalhando duro nisso. Siga o exemplo deles e tudo nessa sua vida se aquietará.

Ainda tinha isso agora. Carlisle insistia, dia e noite, que Rose, Alice e Bella deveriam engravidar ao mesmo tempo. Chegava a ser doentio essa loucura dele. Não que não quiséssemos ser pai, porém, queríamos tanta coisa primeiro.

— Pai, por favor. Nós já conversamos sobre isso.

Há um mês essa conversa, entre papai e eu, não estaria acontecendo. Ele esperaria que ela chegasse do hospital e desabaria nela um sermão sobre horários, refeições, família, filhos, tradições e compromisso com o reino. No entanto, depois de sofrer as consequências da ira de minha mãe e meu sogro, Carlisle havia mudado de alvo.

Ele não mais batia de frente com minha esposa. Muito pelo contrário, agora, em sua frente e dos demais, ele a idolatrava e exaltava não somente seu caráter, sua pessoa, como também sua profissão. O que, graças a Deus, acalmou os ânimos dos protetores de Isabella. Porque até Marie havia ameaçado deixar seu paraíso para ensinar boas lições ao rei.

Até aí tudo bem, porém, eu não tinha como me safar das insinuações dele agora. Foram inúmeras às vezes, que fui chamado à atenção por causa do que, meu pai chamava de “falta de interesse e compromisso” de minha mulher.

Carlisle não escondia o desejo de que eu confrontasse Bella sempre que ela fugia a suas regras retrógradas e infundadas. Eu, claro, não fazia isso.

— Pai, dê um tempo a Bella. Ela é uma médica, não uma futura rainha. Seus horários são complicados. Eu também estou sentindo os efeitos disso. Mas, o que o senhor quer que eu faça?

Minhas palavras, minhas dúvidas e a confissão de minha fraqueza somente serviram para inflamar ainda mais a sua raiva.

— Tudo bem. Não faça nada. Vá concordando com tudo. Continue a mimá-la ao extremo e deixe que ela mande mesmo no casamento de vocês. Só que depois, arque com as consequências de seus atos, sozinho. Não conte comigo ou sua mãe para consertar suas burrices. Se vire.

E com essa, e sem me dar a oportunidade de réplica, ele entrou no carro e partiu.

E coube a mim, mesmo frustrado e muito irritado, segui- lo. Pois, se me atrasasse seria mais um motivo para ele implicar sobre a má influência de Bella sobre mim.

— O “arcar com as consequências, sozinho”, seria um sinônimo para “não envolva sua mãe e seu sogro nesse nosso assunto”? Se eu fosse você faria questão de ter uma conversa dessas na presença de um deles. Você precisa ver como ela muda de figura, quando Esme ou Charlie estão fervendo e no comando.

— Ok, senhor bisbilhoteiro. Vou pensar nisso da próxima vez. Agora, cale a boca e me leve para casa.

— É pra já, chefe. E só pra constar, já que terei um parceiro de trabalho, que seja uma parceira bem gostosa, daquelas que se veem nos cinemas. Não aceito menos do que isso.

— Dirija, Stephan.

Ignorando o bom humor dele, deixei que minha mente viajasse pelos acontecimentos recentes do último mês, enquanto deslizávamos pelo trânsito caótico, do horário de pico, em Angeles.

Dois dias depois da conversa que Bella e eu tivemos sobre Jacob, a decisão dela foi testada.

Tio Aro o chamou aqui e fez-lhe a proposta oficial de integrar o corpo clínico do hospital, mais especificamente, na equipe de Bella.

Por insistência minha, consegui estar presente na tal reunião deles e pude testemunhar que Jacob nem olhou a proposta financeira. Suas únicas exigências foram que: pudesse clinicar somente duas vezes por semana, devido os compromissos como príncipe herdeiro. E que também liberássemos algumas vagas em nosso hospital, de casos específicos, que necessitassem da interferência dele e de Bella, para que pacientes de Pushian fossem tratados aqui. Pois, sabiamente pressupôs que eu nunca liberaria Bella para clinicar lá, nem uma vez por semana, quanto mais duas.

Condições justas, condições aceitas.

Depois de tudo acertado e assinado, a parte mais complicada da conversa veio.

Jacob nos reentregou seu convite de casamento e agradeceu Bella por ter repensado e aceitado ser sua madrinha.

Foi bom e ao mesmo tempo estranho, presenciar a frieza com que Bella repeliu seus toques e abaixou a cabeça, quando ele a encarava em busca de respostas ou tentando entender o porquê da mudança de comportamento dela.

Havíamos conversado melhor, e decidido que deixá-lo no escuro sobre nossa conversa seria o certo. Ele não poderia persuadi-la de algo que não sabia.

Funcionou. Bella não cedeu.

Apesar de estar em êxtase pela mudança no envolvimento deles, tenho que confessar que doeu saber do tamanho sofrimento que estava infringindo em minha esposa.

Não que ela deixasse isso transparecer. Não! Pelo contrário, Bella fazia questão de sorrir e sempre respondia que estava tudo bem, quando eu a indagava.

Contudo, eu a conhecia.

— Vai precisar de mim hoje a noite?

— Ahn? Quê?

— Ei, Edward! Acorde, cara. Você está bem? Dormiu aí foi?

Sacudi a cabeça e respirei fundo. Havia voltado tanto aos fatos passados que nem me dera conta de que havíamos chegado.

— Perdoe-me, Stephan. Estou bem. Só um pouco cansado. Que você perguntou mesmo?

— Hum, sei. Se concentra aí, chefe. Perguntei se vai precisar de mim hoje à noite?

Eu, na verdade, tinha planos para noite. Queria fazer uma surpresa a Bella.

— Não, não vou precisar de você. Deixe-me no hospital a tarde e estará liberado.

Sam e Zafrina nos acompanhariam. Stephan estava mesmo precisando descansar. Talvez a ideia de arranjar outro segurança não seja tão estúpida assim.

— Isso é bom, muito bom.

Encarou-me e comemorou enquanto descíamos do carro.

— Seja discreto, Stephan. Não saia aprontando por aí. Você tem uma reputação e um emprego a zelar.

— Que isso chefinho? Confie no papai aqui.

Folgado como só ele sabe ser, jogou o braço por cima do meu ombro e me abraçou de lado.

— Só vou levar Bree para tomar um chope lá no Arn. Não tem perigo lá. Não vou fazer nada demais.

— Bree? Bree Tuner?

— Essa mesma. Chefe, aquela garota está me fazendo perder o juízo. Ela e aquelas pernas gostosinhas dela. Você já percebeu como ela é deliciosa e quando anda o rebolado dela faz assim e...

Abismado com os gestos que ele fazia com as mãos e o corpo, me afastei e lhe apontei o dedo ameaçando com toda minha vontade.

— Não seu maluco, eu não percebi. Aliás, quantos anos Bree têm? Ela é mulher? Stephan, por uma acaso você já presenciou meu sogro irritado, muito irritado?

Atônito pela minha mudança repentina de assunto, ele demorou dois segundo para que respondesse com coerência.

— Vi. Claro que vi. É uma visão do inferno. Seu pai que o diga. Mas, o que isso tem a ver comigo e com Bree?

— Pois bem, seu idiota, lembre-se que Bella, que por acaso é minha mulher, chefe de Bree e sua patroinha, é filha de Charlie. E que das três é a que mais se parece com o pai. Agora, imagine se ela pelo menor sonhar que ando observando os atributos de Bree? Eu sou um cara morto, Stephan.

O retardado riu de minha explicação mais que lógica.

— E além do mais, brinque com Bree e verá do que uma Swan é capaz. E juro, que se preciso for, te seguro para que Bella o escalpele.

Deixei-o pasmo, e entrei pelo acesso da garagem que dava diretamente na cozinha de casa.

— Eu preciso que Bella crie vínculos em Forkian, Stephan. Eu preciso que ela faça “amigas” aqui. E Bree é minha predileta a esse cargo inicialmente. Minha esposa a adora. Não estrague com tudo, por causa de um capricho. E isso é uma ordem.

Percebendo que a brincadeira acabara e que agora eu falava como seu patrão, ele não me decepcionou na resposta.

— Sim, senhor.

Aliviado, fechei a porta atrás de mim.

Era hora de enfrentar mais uma refeição sem minha mulher.

E que Deus me ajudasse, porque eu começava a me sentir cansado de tanta pressão.

E Edward Cullen, cansado e pressionado, era certeza de burrada a vista.

Bella

— Limpe. Isso. Devagar, bem devagar. Assim. Pronto. Agora está bom.

Esperei que a enfermeira se afastasse, para olhar atentamente o monitor em busca de resquícios do pequeno tumor que retirávamos da cabecinha de Nessie.

— Então doutora Cullen, o que me diz?

Jacob e eu havíamos decidido pela retirada por sucção, o que requeria a leveza de minhas mãos e a segurança das dele. E graças a Deus, havia tudo ocorrido bem e agora finalizávamos o processo cirúrgico.

Nossa pequena guerreira havia vencido mais uma batalha. Como nos exames, na preparação e no processo todo, não havia titubeado, nem temido qualquer etapa. Era um exemplo a ser seguido.

— Eu digo que, fizemos um bom trabalho, doutor Black.

— Vamos fechar.

O processo de fechamento também era mais delicado que num processo cirúrgico normal. Como abríamos um pouquinho a caixa craniana, depois de todo procedimento tínhamos que fechá-la e isso não era fácil.

— Pronta?

— Pronta.

Enquanto eu acertava a estrutura óssea e colocava o couro cabeludo, agora completamente raspado, no lugar, Jacob vinha com um “grampeador cirúrgico” e unia as duas partes. Era agressivo, ainda mais em se tratando de crianças, porém era preciso e mais eficaz do qualquer outro método de sutura.

— Pronto! Terminem de limpá-la e levem-na para a UTI. Nessie precisa descansar. Arrumem uma poltrona confortável ao lado de seu leito para que um de seus pais possa acompanhá-la. Eu vou tranquilizá-los. Obrigado, doutro Black e obrigada equipe. Vocês fizeram um excelente trabalho.

Nessie, ficaria alguns dias na Unidade de Terapia Intensiva, mas não ficaria sozinha. Essa era uma das características de meus estudos e de Jacob, acreditávamos e provávamos que a recuperação rápida e completa de uma criança devia-se e muito do quão cercada de amor e proteção ela tivesse no pós-operatório e tratamento em geral.

— Vocês estão dispensados agora.

Graças a Deus! Pensei quando entrei na sala ao lado e retirava todo o aparato cirúrgico a qual estava envolvida e vestida.

O pior já havia passado e Nessie resistido Bravamente. A linda garotinha era forte e tenho certeza, passaria também pelas radioterapias e logo, logo estaria 100% recuperada.

— Precisa de mais alguma coisa, doutora?

Descrevi no prontuário de Nessie como deveriam proceder até que eu fizesse a próxima visita a ela, no final da tarde.

— Entregue isso ao plantonista da UTI e diga a ele que qualquer dúvida ou alteração é só me bipar. Estarei em meu consultório até as seis.

— Sim, senhora.

Despedi-me do restante de, minha exausta, equipe e fui até a sala de espera. Os pais de Nessie deviam estar ávidos por notícias.

— Ah, doutora! Que boas notícias. E quando poderemos vê-la?

Respondi com termos simples todas as dúvidas deles e os aliviei ao máximo quanto às preocupações.

— Ela está sendo encaminhada para a UTI agora, um de vocês pode ficar com ela, o outro terá que esperar e se tudo correr como espero, poderá visitá-la no final da tarde. Porém, devo alertá-los de que ela está sedada e permanecerá assim algum tempo. Não quero eu Nessie se esforce desnecessariamente.

— Certo. Obrigada, doutora. Muito obrigada. A senhora é um anjo mesmo, nossa linda princesa de Angelus. Obrigada. Seremos eternamente gratos Posso ver minha filha agora?

Acenei afirmativamente, sorri timidamente, lhe disse para onde ir e fugi logo depois. Eu não entendia porque tanta gratidão quando eu estava fazendo somente a minha obrigação.

— Bella? Doutrora Cullen?

Parei meu percurso, porém não me virei. Eu não tinha coragem de enfrentar Jacob. Não quando eu estava mentindo e evitando-o.

— Que pressa é essa Bella? Até parece que está fugindo de mim.

Disfarcei uma careta. Oh percepção!

— Fugindo não, doutor. É que Bree já me bipou. Tenho um paciente me esperando. Estou atrasada.

Menti deliberadamente.

— Jake, Bella. No máximo Jacob, para você. Deixe de formalidades. Cancele esse paciente. Você precisa comer e eu queria muito conversar. Venha almoçar comigo?

Ele estendia a mão e seu olhar suplicava.

Titubeei... Mas, não cedi. Eu havia feito uma promessa e a cumpriria.

— Não vai dar mesmo, Jacob. Esse paciente já foi remarcado. Eu não estou com fome, como qualquer coisa depois. Agora eu preciso mesmo ir. Fica para uma próxima.

Rapidamente e formalmente, dei-lhe dois tapinhas no seu braço, virei e saí. Era o certo a se fazer, mesmo que Edward não estivesse ali ou ficasse sabendo. Eu faria minha parte.

— Eu só queria saber o que está acontecendo? O que eu fiz para que você se afastasse assim de mim? Se errei, e não me lembro, preciso que me diga para que possa me desculpar, Bells. Por favor, fale comigo?

Desacelerei o passo, levantei a mão e lhe acenei, mas continuei sem olhá-lo. Eu não podia.

— Não está acontecendo nada. Deixe de paranoia. Eu só ando muito ocupada ultimamente, Jake. Largue de bobagens, vá almoçar e depois volte para casa, doutor Black. Te vejo semana que vem.

— Você é uma péssima mentirosa, Swan. Uma péssima mentirosa. E saiba que mais cedo, ou mais tarde descobrirei o que aconteceu.

— Bla, bla, bla...

Brinquei, no entanto, não retruquei, ele estava certo. Mas, por mais que doesse esse afastamento, era necessário e estava dando certo.

Há um mês, Edward e eu não brigávamos. Ele estava feliz e se ele estava feliz eu daria um jeito de ficar também.

Eu o amava mais do que tudo e sempre o escolheria e não importa quem saísse perdendo, nem mesmo eu.

Edward

— Pode ir, Stephan. Voltaremos com Zafrina e Sam.

Apontei para a Land Rover preta, estacionada na vaga de Bella, no estacionamento do hospital.

— Tem certeza? Eu posso esperar. Bree entenderia.

— Tenho sim. Pode ir.

Desci do carro e fechei a porta. Bella ainda não havia saído do hospital.

— É um belo carro.

— Lógico que é. Eu ajudei a escolher.

Um carro que havia gerado uma carranca minha. Porque Bella teimara que não queria depender de mim para trazê-la e buscá-la no trabalho, todos os dias. Como se isso fosse um incomodo. E como usar o presente do pai, para esse fim, não era opção. Decidimos que ela precisava de um carro. Até aí tudo bem. O problema foi quando, depois de optarmos por um modelo, grande, seguro e confortável, tínhamos que pagá-lo. E como tenho uma mulher teimosa demais, não consegui convencê-la a me deixar pagar pela aquisição, nem mesmo dividi a despesa, eu consegui.

Bella dizia que o carro seria dela e para ela e que precisava pagar por ele. E assim foi feito.

Também quase tive uma síncope quando ela resolveu que queria dirigi-lo da concessionária até nossa casa.

Imaginem: pequena, frágil, quebrável, doce, minha, em um carro enorme, de um peso imenso? Fiz questão de ir a seu lado, enquanto Zafrina e Sam sentaram atrás.

Nunca os vi se divertirem tanto, ainda mais quando Bella ameaçou parar o carro e me fazer descer se eu ma dissesse outra vez, para ir mais devagar. Fui a diversão de meus empregados aquele dia. Era o fim dos tempos mesmo.

— Até amanhã, Edward.

— Até amanhã. Se divirta com moderação, Stephan.

O idiota sorriu. E se afastou a toda velocidade. Algo me dizia que ele nunca seguiria meu conselho.

Caminhei até a recepção, acenei para algumas pessoas e fui para o consultório de Bella. Eu odiava como todos, ainda me olhavam com devoção quando eu passava. Eu odiava ser o centro das atenções, isso era missão para Emm e Jas.

— “Ela é bonita demais. E a educação? Cara, eu nunca pensei que uma princesa fosse assim. Ah se ela me desse moral”.

— “Ah tá! Deixe de ser bonzinho. Fale do corpo dela, agora. Ela é desenhadinha. Gostosinha demais”.

Mas, isso era muito pior. Agora eu evitava entrar, preferia esperar por Bella no carro, com Stephan. Porque ver os grupinhos de enfermeiros, à toa, falando de minha mulher, era um saco, um inferno e sempre me deixava de mau- humor.

— Boa tarde, Bree. Bella está aí?

— Sim, senhor. Ela já está trancando a sala para ir.

— Obrigado.

Será que havia alguma maneira de eu transferir meu escritório para cá? Ou levar Bella para clinicar o palácio? Ou então fazê-la parar de trabalhar, como meu pai queria? Isso, dela atrair atenção por onde passava me deixava estressado.

— Hum. Tenho companhia para casa, hoje?

Ela veio até mim, assim que abri a porta. A bolsa já estava no ombro e a maleta na mão, junto com o jaleco, pronta para partirmos.

Graças a Deus, porque meus pensamentos estavam me levando para um rumo nada legal.

— Você só não tem companhia todos os dias, porque não quer, princesa.

— Edward, por favor, nós já falamos sobre isso.

— Eu sei. E eu, bobamente, concordei que você precisava mesmo, de um carro, por causa dos seus horários malucos. Desculpe-me por isso, estou exausto. Será que podemos ir para casa? Quero você? Estou com saudades de minha esposa.

— Humm. Tá manhoso é?

— Muito, muito manhoso.

Puxei sua cintura para junto de mim, levei minha mão a seus cabelos e trouxe sua boca para a minha. O toque de seda, das mãos dela em meu peito, era o encaixe certo, como uma forma e seu molde.

— Amo beijar você. Amo como você reage a cada toque meu. Espero que isso nunca acabe ou mude.

— Não vai acabar. Meu corpo responde a seu dono, meu amor.

Capturei seus lábios dum jeito forte e profundo. Minha língua traçava, buscava, sugava a dela.

Ah! Se esse consultório não lembrasse tanto a crianças, eu pegaria Bella aqui mesmo.

— Ah! Perdoem-me interromper, doutora, mas é que...

— Tudo bem, Bree. Tudo bem.

Nos afastamos, enquanto eu escondia uma risada, Bella se avermelhava, de vergonha, por ter sido pega no meio de um amasso.

— Eu já estou indo, doutora. Tudo está trancado e revisado. Até segunda.

— Até segunda, Bree. Tenha um bom final de semana.

— Obrigada. Para a senhora também. Então... Tchau.

Acenei para a garota de Stephan. Ela parecia mil vezes mais envergonhada que Isabella.

— Seu tarado. Agora me diga como vou ter coragem de olhar para ela na segunda feira?

— Ah! Com essa mesma carinha linda! Ou talvez devesse olhar com cara de quem sabe que ela “aprontou” com o segurança de seu marido. Agora vamos que quero te levar a um lugar, ante de tirar sua roupa.

— Espera. Como assim? Stephan e Bree? Eles...

— Aparentemente sim. Venha, eu te explico no caminho. Ou prefere ficar nua aqui?

— Edward!

Gargalhei enquanto esperava que ela terminasse de fechar a sala.

Sam e Zafrina estavam na ante- sala, nos aguardando pacientemente e atentamente.

No estacionamento, pedi a Sam as chaves. Eu ainda não havia dirigido o carro e aquela seria a oportunidade perfeita, porque eu não queria lhes dizer aonde iríamos. Queria surpreender Bella já chegando diretamente lá.

Consegui entretê-la com as novidades, sobre Bree e Stephan, até metade do caminho, o restante foi todo usado pedindo para que tivesse paciência e esperasse, porque não se arrependeria.

— Que lugar é esse?

Perguntou, quando entrávamos por uma entrada subterrânea que dava na garagem de um luxuoso condomínio.

— É um lugar.

— Ah, Edward! Deixe de ser engraçadinho.

Abri sua porta e ajudei a descer.

— Então deixe de ser curiosa e venha de uma vez.

Ignorando seu biquinho frustrado e com nossas mãos entrelaçadas a guiei até o elevador. Zafrina e Sam nos acompanharam atentamente. Stephan já os havia deixado a par de meus planos.

— Cobertura?

— Sim, mocinha ansiosa.

A abracei e beijei sua testa. Eu queria chegar logo. Estava louco para colocá-la numa banheira quente e tirar dela todo o cheiro de hospital que mascarava a fragrância original dela.

— Aqui.

Entreguei-lhe a chave, quando o elevador parou bem na porta de nosso destino final.

— Uau.

Disse admirada, passando pelo hall de entrada. Estava tão acostumado aquele lugar que nem me surpreendia com mais nada.

— Ali.

Disse baixinho, apontando para Sam e Zafrina, uma porta a esquerda. Que era o lugar deles. Um quarto construído estrategicamente para seguranças. Vovó havia pensado em tudo.

Agora estávamos completamente a sós.

— Que lugar é esse?

Perguntou ao observar a sala ampla e as escadas transparentes de vidro e ferragens negras, que levavam ao andar superior.

— Esse é um presente de vovó Elizabeth, quando fiz dezoito anos. Aqui é o lugar onde sou Edward Cullen, o neto dela, filho de seu filho Carlisle e sua nora Esme. Aqui não tem nada que lembre nosso título. Tudo que é colocado aqui é puramente comprado ou ganhado para mim, o homem Edward Cullen, não o príncipe.

— Nossa! Isso parece fora da realidade.

— E é fora da realidade.

Peguei sua mão e a arrastei escada acima. Teríamos tempo para ela explorar o restante depois. Agora eu precisava mesmo, arrancar aquele uniforme dela.

— Emmett e Jasper também tem um. Não sei onde fica. Exatamente como eles não sabem a localização do meu. Papai e mamãe desconhecem esse lugar. O intuito de vovó era que tivéssemos um canto para sermos nós mesmos. Sem pressão.

— Gostei dessa ideia. Tenho que agradecer sua avó em algum momento. Aqui é lindo.

Ela estava exagerando. O duplex, era muito masculino e sem vida. Eu esperara que ela desse seu retoque em algum momento. Só ela, nada de Alice. Eu também queria que ali fosse algo nosso.

— Você já trouxe alguém aqui?

Perguntou tímida, enquanto eu a colocava, sentada, na bancada do banheiro e virava de costas para ligar a banheira.

— Não, minha linda. Ninguém além de você, Charlote e a moça da limpeza já entraram aqui. Ninguém foi importante o bastante para merecer isso. Só você, somente você.

Encarei seus olhos para que ela visse certeza ali.

Desabotoei sua calça e a arrastei para suas pernas a livrando daquilo.

— Quero que esse lugar seja nosso santuário. Nosso lugar seguro onde possamos ser simplesmente Edward e Bella, nada de títulos ou profissões. Somente eu e você.

— Por que nunca trouxe uma de suas conquistas aqui?

Absurda demais. Ela ainda tinha dúvidas.

Esfreguei meu nariz ao dela enquanto passava a regata branca por sua cabeça. Apenas duas peças mínimas a cobriam agora.

— Porque elas eram apenas conquistas, ninguém importante o bastante para que eu desejasse dividir meu espaço. Esse mérito é só seu minha linda esposa.

— Hum. Muito bom ouvir isso.

Fechei os olhos ao sentir o toque de suas mãos no botão de minha calça. E depois na barra de minha camiseta. Os sapatos e as meias? Eu já havia tirado quando adentrávamos o quarto.

— Pronta para desaparecer por um final de semana?

Ela hesitou por um minuto, eu sabia que ela queria ir a Forkian, ver os pais e Rose, mas estávamos precisando tanto de um tempo. Porém, não a pressionaria, faria o que ela quisesse.

No entanto, como não sou santo a puxei para o chão e empurrei meus quadris em sua lisa barriga. Eu já estava sedento e isso seria um incentivo a mais para que ela decidisse ficar.

— Pronta. Para você eu sempre estarei pronta.

Algumas horas mais tarde em Forkian

Emmett

— Podemos dormir agora?

Olhei para o relógio da cozinha. Três horas da manhã. Eu parecia um zumbi de tanto sono e cansaço.

— Agora sim podemos.

Graciosa, como uma “garcinha barriguda”, ela alisou o estômago levemente inchado e me olhou satisfeita.

— Graças a Deus!

Agarrei sua mão e a levei para o quarto antes que ela decidisse tomar outro pote de sorvete de morango com brigadeiro quente, que eu tive que fazer. Logo eu, que nunca ligara um fogão, na vida.

— Emm, você não está agindo como um bom marido.

Alisei seu rosto, e lhe entreguei a escova de dentes já com a pasta. Passei para suas costas comecei a desenrolar os nós de seus longos e sedosos cabelos, com o pente que ela mesma, me estendeu.

Se isso não era ser um bom marido eu não sei o que era.

— É mesmo, amor. Eu tenho sido um garoto mau, muito mau. Venha para a cama e eu cantarei para que você durma. Isso faria com que eu me redimisse e você sorrisse?

Não pensem que sou um “bundão”, só não quero aflorar os hormônios de uma futura rainha espirituosa que mora debaixo do teto de seus pais. Acreditem, eu já havia tido essa triste experiência.

— Emm, você canta muito mal. Não quero que cante, vai assustar nosso bebê.

A deitei, enquanto pensava no que fazer para tirar aquele bico do rosto dela.

Por Deus, eu estava perdido.

— Ok, minha rainha, eu não vou cantar. Só vou te abraçar até que você durma. Pode ser?

De conchinha a segurei forte e alisei seus cabelos, beijando seu ombro e aspirando seu cheiro.

— Durma, anjo. Durma.

Segundos depois, eu me sentia dominado. Estava exausto do trabalho escravo que Charlie me submetia e ainda tinha a gravidez de Rosie que estava me levando à loucura.

— Emm? Emm? Acorda.

— Hum. Hum. Huuummm.

Eu sonhava que era sacudido.

“Mas, que porra”! Será que nem nos sonhos podíamos dormir em paz.

— Emmett. Acorda logo, Emm.

Merda! Não era sonho.

Gemi alto e abri os olhos. Ela havia se virado e me olhava ansiosa e pidona. O que mais ela poderia querer àquela hora?

— Que foi agora, Rose?

— Eu quero falar com a Bella.

Não era possível. Eu estava fudido ao quadrado.

— Ah não, amor. É de madrugada, Bella está dormindo agora. Espere até amanhecer. Sua irmã estará conosco bem cedo e vocês poderão fofocar o final de semana inteirinho.

Bocejei e deitei de novo esperando que ela desistisse dessa loucura.

— O bebê não quer esperar até amanhã. Ele quer ouvir a voz da tia agora. Ligue para Bella agora Emmett.

Nisso ela já estava sentada na cama, escorada na cabeceira e de braços cruzados me encarando em fúria.

— Rosie, Edward vai me matar se eu acorda-los agora. Tenha só um pouquinho de paciência, amor.

Levei as mãos ao cabelo. Eu nem sabia por que discutia, ela sempre fazia o que queria. Me vencia facinho.

— Ora, seu bobão. Eu estou com desejo de falar minha irmã, e se o pai dele não é homem o bastante para conseguir isso para mim, pode deixar. Meu pai será.

Eu só não entendia porque ela mesma não ligava. Me ameaçar usando Charlie era covardia.

— Rosie, seja racional, princesa.

— Peça para seu filho ser racional, Emmett.

Provando que iria atrás do pai, ela levantou e começou a se afastar.

— Ok. Ok. Não precisa ir. Estou ligando. Estou ligando.

Agarrei o celular e digitei os números de Edward.

Rosie agora sorria e voltava a alisar a pequena barriga.

— Viu bebê, seu papai nos ama. Pode ficar tranquilo que nós falaremos com a titia agora.

Fechei os olhos quando o telefone tocou quatro vezes. Eu seria um homem morto quando encontrasse Edward outra vez.

— Emmett! “Seu bastardo de uma figa”, minha mulher tem insônia. Você entende que não pode ligar de madrugada para mim, não entende? Ou terei que enfiar isso à força nessa sua cabeça de melão?

— Edward, eu sinto muito irmão. Mas, é questão de vida ou morte...

Vida ou morte mesmo. Ele que não sabia do que uma Swan grávida era capaz.

Notas finais
E aí? O que acharam? Se preparem porque o próximo vai pegar fogo. Beijos e até lá.