Notas iniciais
Bom, só mais esse e teremos o resgate, Ok? Como todas sabem, trabalho no comércio e estamos chegando no mês em que trabalho demais. Mas, sei que não posse deixar vocês, mais de um mês, com um capítulo como esse. Então rezem aí para que eu consiga terminar o próximo capítulo antes da pausa de Dezembro, ok? Beijinhos.

Bella

— Como ela está?

A voz vinha de algum lugar bem perto. Eu quase podia sentir o respirar de meus algozes.

Era assustador.

Mas, não me permitir fraquejar. Permaneci imóvel, quietinha. Apenas concentrada nas contrações que agora estavam em intervalos muito menores.

Deus! Eu tinha sair dali, antes que o pior acontecesse e colocasse a vida de meus filhos em risco.

— Da mesma forma de quando chegou: Silenciosa e estacada. Se eu não ouvisse sua respiração ofegante, de vez em quando, juraria que está morta.

Eu não sabia quem era quem naquele lugar. Porém poderia apostar que aqueles dois que me cercavam eram importantes.

Sempre que eles chegavam para me checar o restante sumia e as vozes ao redor desapareciam também.

— Acho que vou até lá. Quem sabe ela não “se abre” comigo?

Prendi a respiração, a voz do homem parecia maliciosa e ameaçadora.

— Parado aí, Caius. Ninguém vai tocar nela. Pelo menos não por enquanto. Não vamos correr o risco de que você se deixe levar pela vingança. Essa mulher é nossa passagem direta para a liberdade. Espere que consigamos o que queremos do marido dela e depois... Ela poderá ser toda sua.

— Você está se tornando um frouxo, Marcus. Será que os brilhantes olhos castanhos o conquistaram também? Deixou-se seduzir foi? Ela nem é tão bonita assim.

— Não seja idiota, irmão. Somente não posso deixar que você estrague o rostinho bonito antes de esgotarmos todas as nossas chances com Edward.

Eles ficaram em silêncio por alguns segundos e até imaginei que tivessem se afastado, quase cheguei a respirar aliviada, porém...

— Eles já começaram a retirar as tropas?

— Não. Acabei de vir de lá de fora. O cessar fogo aconteceu, mas as tropas continuam paradas no mesmo lugar. Eles nos encaram com uma intensidade, como se soubessem que ela está aqui.

— Não seja idiota, irmão. É óbvio que eles sabem que ela está aqui. Fomos seguidos, lembra? Agora, Marcus, se eles não querem ceder acho que teremos que incentivar nosso principezinho a nos dar ouvidos e mostrar que não estamos de brincadeira.

— Como assim? Não! Caius, espere! O que vai fazer?

Senti o coração parar e, se possível, me encolhi mais numa bola de medo e proteção quando ouvi o barulho da corrente, que fechava minha sela, sendo puxada e o cadeado aberto.

Ele estava entrando.

— Ai...

Gemi de dor e de horror quando fui puxada pelos cabelos e obrigada a me levantar. Eu conhecia aquele puxão era o mesmo que me arrancou de meu carro.

— Olha, ela não é muda. Ei princesa, tudo bem? A estadia está sendo satisfatória?

O medo me paralisava.

O homem branco de cabelos claros grandes e bem penteados me encarava e quase tocava seu nariz no meu.

Os olhos dele eram ferozes e me causavam arrepios.

— Vamos conversar um pouquinho? Sabe, eu sempre quis saber como é “comer” uma “piranha” da realeza usurpadora. Ainda mais se ela estiver grávida. Dizem que é excitante. Acho que vou experimentar. O que acha? Prometo que será lento e muito divertido.

“Não vomite, Isabella! Não vomite!” entoei o mantra me lembrando das palavras e do sacrifício de Stephan.

Contudo, quando o nojento, desceu a língua por minha bochecha foi quase que impossível me segurar.

— Hummm! Meio sujinha, meio salgada, mas aceitável. Imagino como é gosto lá embaixo. Fale comigo, gostosa. Quero ouvir o com dessa voz doce.

Trinquei os dentes e fechei os olhos. O asco vinha forte.

— Pare de atormenta-la, Caius. Se essa mulher entrar em trabalho de parto estamos enrolados. Porque se ela morrer, adeus reinado, adeus liberdade, adeus sonho. Largue-a agora.

O homem que me segurava, que agora eu sabia, se chamava Caius, resmungou em desaprovação por ser interrompido. Porém não discutiu.

Eu ainda não era capaz de identificar quem mandava em quem ali.

— Você é um estraga prazeres, Marcus. Acho que eu e o principezinho temos os mesmos gostos: As bravas e obstinadas são as mais apetitosas. Posso sentir o gosto na ponta da língua, só de imaginar... Mas, como não estou com fome agora e sou bonzinho, vou deixar para fazer o lanchinho mais tarde.

Sem que eu pudesse prever, ele se afastou com brusquidão quase me levando ao chão. Depois voltou a me segurar pelo cabelo.

— Agora, deixe de moleza e traga a tesoura, irmão. Vamos mandar um recadinho ao futuro rei de Ângelus dizendo que nossa paciência é curtinha e que ele está demorando demais para começar a retirar as tropas. Aproveite que vou mandar um presentinho e informe-o também a nossa verdadeira reivindicação já que, pelo que parece, ele ainda não foi inteligente o bastante para deduzir.

Tremendo, fechei as mãos em punho e segurei o grito. A contração se misturava ao tormento que me assolou quando o brilho do metal da lâmina da tesoura foi tingido pela luz da lanterna que o tal Caius segurava.

Deus do céu, o que ele faria?

Edward

Eu não devia estar aqui. Droga!

Eu não queria estar aqui.

Esse hospital em tudo me remete a Isabella. Eu deveria estar agora debruçado em um plano de ação para trazê-la para casa. Não preso em um hospital a procura de notícias de meu melhor amigo que infelizmente também pagava por mais um de meus erros.

Eu não devia estar aqui, porém eu necessitava estar aqui. Tinha que ver por mim mesmo.

— Edward...

— Tio...

Ofereci a mão a ele e surpreendentemente fui puxado para um abraço rápido de conforto. Não possível prever e assim evitar o ato.

— Ela ficará bem. Conheço aquela garota. Nada a abala tão facilmente. Tenha fé nela.

Eu tinha, claro que tinha. Se ele conhecia Isabella o que restava para mim? E fé era a única coisa que me restava no momento.

Confesso, fraquejei quando percebi que devia sair de casa e vir até o hospital para ver com meus olhos o que estava acontecendo com meu amigo, se é que ele ainda estava aqui e não num necrotério. Enfim, sair de casa fora um martírio. Eu ansiava por notícias e, nossa equipe, jurava que logo, logo os sequestradores entrariam em contato. Eu queria estar lá... Eu precisava estar lá...

No entanto, não seria merecedor de Isabella se não viesse pessoalmente atrás de notícias do homem que dera o melhor de si por ela, o herói: Stephan.

Agora chegar aqui, fora outra história.

Como o sequestro acontecera na rua, várias pessoas o testemunharam. Então, não havia como esconder do povo e da imprensa o que estava acontecendo.

As ruas, de Ângelus, estavam uma loucura. Jornalistas do mundo todo faziam plantão na porta de nossa casa, do hospital e do palácio Celeste em busca de notícias.

Contudo, esse não fora o maior motivo de nossa dificuldade em sair de casa e dirigir até aqui.

O motivo fora o povo.

Um conglomerado de centenas de milhares de Angelinos, Forkianos e outros tantos de várias nações, estavam de vigília em nossa rua e nos arredores do hospital, aguardando noticias, fazendo orações ou somente expressando seu amor por minha esposa.

Era belíssimo e, ao mesmo tempo, angustiante olhar pela janela e contemplar o caminho iluminado por velas e acenos de apoio a nossa dor.

Mandei que mamãe liberasse um comunicado de agradecimento através da imprensa e também um pedido para que as pessoas voltassem para suas casas.

Estávamos à borda do inverno e já começava a esfriar muito no fim da tarde. Eu não queria que Bella encontrasse seu povo doente quando retornasse para nós.

Fui completamente ignorado... As pessoas se recusaram a me obedecer.

Ninguém arredaria pé, até que sua princesa amada estivesse a salvo em nossa casa.

Frio... Deus do céu! Ela dever estar com frio. Bella é friorenta.

— Edward? Está ouvindo? Você está bem?

Não, eu não estava bem. Instintivamente esfreguei as mãos nos braços, como que implorando a Deus para que aquele gesto aquecesse minha mulher e meus filhos.

— Eu vou ficar bem se o senhor me disser que Stephan e Zafrina estão a salvo, tio. Por favor, me diga que seus médicos deram conta disso.

Continuamos a caminhar pelos corredores. Ninguém me olhava duas vezes nos olhos. Baixavam a cabeça em sinal de pena ou respeito, sei lá.

— Zafrina está bem. Não teve ferimentos físicos. Já a mandamos para casa. Mas, ela se recusa a sair daqui.

Respirei parcialmente aliviado.

— E Stephan?

Fora a vez dele, respirar longamente, antes de me responder.

— Stephan, é um pouco mais complicado. Quando eles chegaram aqui no hospital, graças à equipe que os resgatou segundos depois de Isabella ser levada, o quadro era preocupante. Ele fora atingido no ombro, no pescoço e sangrava demais.

Continuamos a andar, mas ele tinha minha total atenção.

Eu sentia gotículas de suor se acumulando em minha testa. Não estava preparado e não aceitaria notícias ruins.

— Zafrina mantinha as mãos no pescoço dele, pressionando o ferimento, e não falava coisa com coisa, só se ouvia “a princesa mandou... O pescoço. A princesa mandou”. Então o socorremos com urgência. Ele foi examinado, depois enviado para a sala de cirurgia.

— Tio, por favor...

— Graças a Deus, a Isabella, que descobrimos depois, instruiu Zafrina, e a Jacob que estava na emergência na hora exata ele chegou, e se recusou a deixa-lo, dada a importância que Stephan tem para sua esposa, descobriu-se que seu segurança é um “filho da puta” sortudo. A bala do ombro atingiu o Acrômio, um osso do ombro, nada que repouso e fisioterapia não resolvam. Nossa preocupação maior era com o pescoço, esse tipo de ferimento costuma ser fatal, porém, a bala que o atingiu, pela misericórdia de Deus, pegou em cheio somente musculatura, para ser mais exato, o escaleno. Bem perto da jugular interna, o que sim, seria o fim se fosse atingida.

Paramos de frente a uma porta e pela primeira vez naquele dia, respirei aliviado e agradeci a Deus sua tamanha misericórdia. Eu não me perdoaria, se por culpa minha, algo pior tivesse acontecido a meu melhor amigo.

— Graças a Deus! E onde ele está? Posso falar com ele?

Tio Aro abriu a porta e um quarto grande, branco e muito bem equipado se mostrou para mim.

— Parecem duas viúvas de marido vivo, não parecem? Não sei qual chorou mais quando ele estava longe do alcance delas, sendo atendido.

Bree estava perto da cabeceira da cama e Zafrina na mesma posição, só que do outro lado.

Stephan jazia ali, pálido, desacordado, mas o melhor, vivo.

— Senhor Cullen, eu... Lamento tanto. Não pude fazer nada. Eles estavam armados e...

A segurança de Bella veio até mim e como nunca fizera antes, tocou minha mão.

Ela segurava uma bolsa, que se não me engano era de minha esposa, junto ao peito como se o objeto fosse uma tábua de salvação.

— Não foi sua culpa, Zafrina. Está tudo bem. Vamos encontra-la. Se acalme. Você já viu um médico?

Ela usava uma roupa de hospital, o que imaginei ser porque estava suja do sangue do meu próprio amigo, quando chegou aqui.

— Eu estou bem, senhor. Não preciso de ajuda. Stephan e a princesa é que levaram a pior. Na hora tudo virou uma loucura ele mandou a princesa engolir o rastreador, ela tirou as joias. Ele saiu do carro e...

— Se acalme, Zafrina. Se acalme... Você não está dizendo coisa com coisa. Se acalme a aí conversaremos.

Bella havia engolido o rastreador? O que ela estava dizendo?

Tentando acalma-la, levei-a até o sofá, no canto da parede direita, e a sentei. Depois voltei para perto de Stephan.

Bree tinha os olhos fundos e cobertos de lágrimas.

— Ele está bem mesmo tio?

— Está.

Sem que tio Aro respondesse, Jacob entrou. Ele estava todo de branco e com um jaleco também.

Como eu raramente o via assim, ele se mantinha sério e com expressão de dar medo.

— Os ferimentos foram superficiais. Fizemos uma cirurgia de reconstrução do osso, mas o resto está tudo bem. Só repouso, medicação e depois fisioterapia. Posso garantir que será uma recuperação lenta e sofrida. Mas no fim, tudo voltará ao normal com os movimentos dele.

— Obrigado.

Estendi a mão incapaz de pensar em algo mais concreto para lisongeá-lo. Eu estava não só agradecendo por me colocar a par, mas por tudo que havia feito por nós.

— Não me agradeça ainda, Cullen. Não foi de graça. Quero ir para sua casa e participar ativamente das investigações. Você me deve isso. E eu quero saber como posso ajudar a resgata-la.

Eu queria gritar com ele, e dizer que não, que não o queríamos lá, porém nem forças para isso eu tinha.

Além do mais, se tinha que começar a mudar, pelo bem de minha mulher e meu casamento, começaria por Jacob também.

— Tudo bem, estou voltando para lá agora. Você pode vir comigo se não for mais necessário aqui. Só que antes disso, preciso falar com Stephan. Tem como acorda-lo, Jacob?

— Não sou mais o médico dele. Só fiz os primeiros atendimentos, depois o encaminhei para especialistas e acompanhei, de perto, cada procedimento. Ele ainda está sobe efeito de anestesia e medicação forte, não acordará até amanhã de manhã eu presumo.

Voltei a sentir uma vertigem e tive que segurar na beira da cama, para que não fosse com tudo, ao chão.

— Edward? Edward? O que foi?

— Stephan... Stephan... Não temos tempo, tio... Cada minuto conta.

Jacob me entregou um copo com água e esfregou minhas costas com movimentos circulares.

— Desembucha, Cullen. O que está acontecendo? Por que Stephan é tão importante? Mesmo que o acordemos ele terá um longo caminho pela frente. Ou seja, literalmente, “fora de combate” por algum tempo.

Fechei os olhos e puxei os cabelos com violência.

Quando Deus começaria a cooperar comigo?

— Não é isso, não o quero acordado para atuar em nosso auxílio agora. O problema, nem sei se posso chamar isso de problema, mas enfim, Bella possui um rastreador. Mas, só posso acioná-lo com o código de acesso do meu chefe de segurança. E por Deus, Jacob, meu chefe de segurança está inconsciente nessa cama. Vocês precisam acorda-lo.

A compreensão e o terror tomaram a face dele, que logo tirou o celular do bolso e ligou para alguém.

Jacob se afastou e começou a discutir e falar rápido quando foi atendido.

— Se acalme, sobrinho. Também vou ver o que posso fazer.

Tio Aro saiu às pressas, em busca de outra solução.

Só me restou esperar e rezar para que eles conseguissem algo, e rápido.

— Ele vai ficar muito bravo quando acordar e souber que não pode ajudar vocês a trazerem a princesa para casa. Vocês a trarão para casa, não trarão, alteza?

Com fé, deixei que Jacob me ajudasse tentando falar com as pessoas certas e voltei para perto de Stephan.

Fui outro lado da cama, bem de frente a Bree, que alisava o cabelo dele com tanto carinho e cuidado que me causou inveja.

Eu queria acariciar os sedosos cabelos de Isabella. Eu amava as cascatas chocolates que desciam por suas costas.

Sou Deus sabe como me sentia quando a via nua sobre a cama, com os cabelos espalhados sobre os lençois de seda macia.

— Ele vai gritar e esbravejar muito, Bree. E quando se cansar vai fazer questão de dizer onde errei em cada passo do resgate de minha Bella. E sim, nós a traremos para casa.

— Ele ama você, Bree. Ama com todas as forças. Ele mandou que eu te dissesse isso.

Zafrina soluçou, mais uma vez, e se intrometeu na conversa.

— Eu vou aliviar o trabalho dele, Bree. Eu prometo. Stephan acha que não pode ter um relacionamento sério agora, porque precisa se dedicar inteiramente a nós. Mas, eu prometo, daremos um jeito. Bella já havia me pedido isso. Como sou dependente de alguém de inteira confiança como ele, venho protelando. Mas, isso vai mudar. Vamos encontrar um meio termo.

— Ah! Ele não vai aceitar. Ainda mais agora com esse ataque e que será padrinho de um dos meninos. Ele ficará insuportável de tanto cuidado. Ele ama vocês, Edward. A vinda de Isabella foi um presente para ele. Stephan a idolatra como um irmão. Às vezes ele passa minutos e minutos me contando como ela tem piedade, como ama os bebês que cuida, como ela alivia os pais e como dribla a burocracia financeira do hospital, só para tratar quem não tem condição. Como se eu não soubesse de tudo isso, como se eu não trabalhasse com ela. Ele a admira e...

— É isso. Deus é isso! Como eu não atinei. Jacob pare!

Assustando a mim, a Bree e a Jacob, Zafrina se colocou de pé e começou a falar uma coisa depois da outra, insanamente.

— Ele é demais. Ele me disse. Onde eu estava com a cabeça? Devo ter batido ela, só pode. É uma informação essencial, o reinado depende disso. Os bebês e minha rainha dependem disso...

Se não bastasse a falação, passou a andar de um lado para outro.

Será que aquilo era efeito do estresse pós-traumático?

— Ele disse para não esquecer, mas aí caiu em minhas mãos e a princesa me manda parar o sangramento dele. O que queriam que eu fizesse? Ele vai me matar se souber que demorei tanto para contar e...

— O que está acontecendo aqui? Da para ouvir a falação lá do corredor.

Jacob e eu demos de ombros para tio Aro que voltara com uma médica loura como companhia.

Ninguém estava entendendo nada.

— Ela está enlouquecendo?

— Não, senhor Aro. Não estou enlouquecendo. Vocês não precisão acordar Stephan. Deixem que ele descanse, eu...

— Ah! Era sobre isso que eu queria falar, Edward. A doutora quer que esperemos mais algumas horas, para diminuir a sedação. Se o acordamos agora é bem provável que ele esteja com tanta dor que não seja capaz de raciocinar direito.

— Mas...

Jacob se aproximou e já ia se intrometer, quando Zafrina disse algo que fez o mundo parar.

— Não precisam acorda-lo, é isso que estou tentando dizer. Ele me disse a senha, ou melhor, me deu a dica. Era para eu já ter te contado, mas aí virou uma confusão e...

— Fale logo, mulher.

Sem me conter fui até ela e a sacudi pelos ombros.

— Antes de dar uma de herói, Stephan fez com que Bella engolisse o rastreador, pois presumiu que os sequestradores se livrariam das joias delas. Ele ainda a instruiu a mantê-lo dentro dela, a qualquer custo. Então vocês têm no máximo três dias para trazerem-na de volta. E por fim, ele me mandou te dizer que “o dia em que você conheceu a princesa é o dia mais importante das vidas de vocês”. Acho que isso é a senha, se não for é algo próximo ou que tenha referência, porque ele me ordenou veementemente que te dissesse isso. Eu acho que...

Sentimentos estranhos tomaram conta de mim, primeiro a euforia por conseguir a senha, segundo o medo de não conseguirmos resgata-la a tempo. Eu só tinha três dias e já estava no fim do segundo.

Era uma corrida contra o tempo.

Eu precisava agir agora.

— Tio Aro, entrego meus dois melhores seguranças em suas mãos. Faça com que Stephan e Zafrina sejam atendidos e cuidados, como se fossem um de nós. Eu preciso ir. Jacob...

— Edward, espere. Filho...

— Senhor, a bolsa. A princesa guardou algo importante aí.

Não dei ouvidos a Aro. Só peguei das mãos de Zafrina a bolsa de minha mulher e então, sai do quarto sem me despedir.

Jacob me seguiu.

Eu tinha a chave, agora era só correr e resolver tudo.

— Para onde, senhor?

— Para casa, Demetri. Eu preciso estar lá com urgência. Trace a menor rota e corra tudo que souber e puder.

— Sim senhor.

Obedecendo-me, ele colocou o carro em movimento assim que fechamos as portas.

A princípio foi preciso andar devagar e quase ziguezagueando tamanho o número de pessoas ainda concentradas em frente ao hospital. E só para saber, era início de noite. Quase trinta horas depois que Bella fora sequestrada.

Com o coração em frangalhos e me sentindo um invasor de intimidade, abri a bolsa e comecei a procurar o que Bella tinha de tão importante que não queria que os sequestradores pegassem.

Celular. Uma cópia, em tamanho pequeno do último ultrassom, onde se via nossos bebês formadinhos. Carteira. Brilho labial. Espelho. Um pequeno kit médico e por fim, num compartimento pequeno, discreto e bem escondido, as alianças e os anéis que ela fez questão de guardar.

Os retirei de lá, com cuidado, e guardei no bolso de dentro de meu paletó. Eles ficariam ali, junto a meu coração, até que pudessem voltar para sua verdadeira dona e, juro, nunca mais sairiam de lá.

— Eles a amam, não é?

Jacob falava das pessoas em vigília do lado de fora.

— E quem não a ama?

Devolvi a pergunta sem muita vontade de conversar.

Minha mente tentava, a mil por hora, encontrar a maneira mais fácil e segura de trazer a alegria de volta a minha vida e vida de nosso povo: Isabella.

— Vamos, Demetri. Vamos...

Quando alcançamos a rodovia ele pode atender meu pedido.

Ao nosso lado e atrás de nós dois carros também aceleraram. A segurança havia sido reforçada, de novo.

Minha família quase teve uma crise quando os informei que viria, eu mesmo, ver Stephan. Todos tentaram me persuadir, dizendo que não era seguro, que não era hora.

O que eles não entendiam era que os terroristas já tinham minha mulher. O que mais eles poderiam querer? Minha vida já estava nas mãos deles.

E além do mais, eu carecia ver Stephan. Era como se só assim me certificasse de que ele sairia dessa vivo. Por nós, eu precisava dele vivo.

— Eu quis matar você ontem, quando Bella chegou ao hospital.

Jacob voltou a quebrar o silêncio frio que assolava o interior do carro.

— Eu quis e ainda quero me matar por ontem.

Não o lembrei de que ele também colocara a vida dela em risco no passado. Jacob já fora perdoado por aquilo.

Eu tinha um longo caminho pela frente...

— Stephan é um bom amigo.

Mudou de assunto prevendo que ir por ali não seria legal se pretendia conviver comigo nas próximas horas.

— Ele “rosnou” para mim e quase “me mordeu”, quando fiquei brincando e me insinuando para Bella ontem. Eu só queria distraí-la e acalma-la.

De novo, engoli o amargor do ciúme. Eu queria gritar com ele já imaginando como foram essas “tais brincadeiras”.

Contudo, mais uma vez lembrando, se eu tinha que mudar por meu casamento não só Jasper, como também Jacob, entravam nessa lista de pessoas que eu teria que suportar.

— Ela o ama. Ele será padrinho de um dos meninos.

— Eu sei. Por que acha que não saí de perto dele? Quase morri de ciúmes quando ela me contou que ele batizaria um dos filhos de vocês. Acho que até impliquei com isso e...

Jacob falava e falava com o intuito, tenho certeza, me entreter e mostrar que teríamos um futuro. Só não podia perder a fé e a esperança.

Porém não estava funcionando e quando estava a ponto de manda-lo calar a boca, graças a Deus, fomos interrompidos pelo toque de seu celular.

— Alô? Amor? Está tudo bem?

Presumi que ele falava com Leah.

— Não, não vou para Pushian hoje também. Estou com Edward. Estamos chegando na casa dele.

Eu só ouvia o que ele respondia, mas era óbvio que ela estava preocupada com ele.

— Não. Não temos novidades. Eu sei, Leah, eu sei. Ela saberá também, algum dia. Fique calma. Vamos encontra-la.

Era impressão minha ou ela perguntava sobre Bella?

Grande falsidade!

— Prometo que te atualizo quanto às novidades. Não! Fique aí! Eu sei, Leah. Tá bom! Te ligo mais tarde. Beijo. Tá! Também te amo. Se cuida.

A intimidade me fez virar o rosto e encarar a escuridão pela janela.

Eu precisava encontrar minha mulher.

— Leah também está preocupada com a...

— Não! Não fale a palavra. Você sabe que terá problemas quando Bella descobrir e deduzir que você sempre soube de tudo, não sabe?

— Eu sei. Mas o que me consola é que tem gente demais com essa preocupação. Inclusive você.

A voz dele mal- disfarçou um leve temor. Claro que ele sabia do perigo que corria.

— Eu não senhor. Não sei nada dessa história e faço questão de não saber.

— Posso mudar isso agora mesmo.

Pela primeira vez desde que o encontrei hoje, uma ameaça do sorriso brincalhão que Bella tanto elogiava, apareceu.

Já estávamos em nossa propriedade e parávamos na garagem de casa. Estava escuro, silencioso e frio.

Jacob conseguira me distrair o caminho inteiro.

— Não! Você não fará isso. Bella precisará de apoio quando tudo vier à tona. E não aceitará qualquer um que soubesse da história e se recusou a conta-la. Por isso, não! Muito obrigada! Quero estar lá para ela. Vou descobri os detalhes dessa sujeirada junto com ela.

— Garoto esperto! Mais um motivo para ela ter escolhido você e não a mim.

Sem comentar a insinuação dele, agradeci a Demetri e guiei Jacob para o interior de casa.

Somente Esme veio a nosso encontro.

— Graças a Deus que chegou, eu já estava preocupada. Stephan e Zafrina?

Esquivei-me dos braços que queriam me abraçar.

Estava frio, eu sentia frio. Bella devia estar com frio.

Mas, ela não estava recebendo abraços confortantes e calorosos, eu também não os receberia. Não agora.

— Zafrina está bem, só um pouco abalada. Stephan perdeu muito sangue e precisa descansar. Não corre risco de morte, só precisa descansar.

Jacob, diferente de mim, fez uma pequena mesura, abraçou e beijou minha mãe no rosto.

— E quando ele acordará? E o rastreador? Edward, converse com sua mãe, filho.

Não dei importância a ela, continuei a passos rápidos rumo ao escritório.

Ela e Jacob me seguiam de perto.

— Stephan disse a Zafrina a senha antes de ser baleado, mãe. Ele foi incrível e pensou em tudo. Esteve lá por Bella até o fim. Agora pare de falar que está atrapalhando.

Terminei as palavras já em meu destino encarando Sam com fúria e colocando todos a par da situação.

Deus, como eu queria apertar minhas mãos no pescoço dele.

— Tudo certo, irmão? Stephan está bem? Você parece um pouco nervoso.

Emmett olhou, com piedade, para Esme que havia se encolhido no sofá ao lado de Renée. Eu quis me repreender por agir com ela daquela maneira, mas não podia. Eu estava a ponto de ficar mesmo fora de mim.

— Ele ficará bem, Emm. Graças a Deus ele ficará bem.

Jasper olhou-me atentamente e, sem precisar de uma só palavra, foi até a tela plana e acessou o programa de rastreamento. Era bom saber que nossa velha sintonia não havia se perdido em meio aos conflitos passados.

— Alice?

Perguntei enquanto ele e eu destravávamos cada etapa do programa pesado e de confuso acesso.

— Foi até nossa casa alimentar o bebê. Depois ela e Rosie vão para a capela do palácio. Estão se sentindo culpadas por terem convencido a irmã a fazer o ensaio.

— A culpa não foi delas, foi minha.

Ele colocou a mão em meu ombro e apertou de leve, confortando-me.

— Não, não foi. A culpa foi de Caius e sua corja. Vamos dar um jeito nisso e vamos começar agora. Digite a senha de Stephan, depois a sua.

Rezando para que desse certo digitei a data em que meus olhos contemplaram a visão do céu pela primeira vez.

O sistema abriu para o próximo acesso. Graças a Deus a senha de Stephan estava correta.

Coincidentemente, repeti a sequência de números quando foi minha vez de digitar minha senha. Sem saber, meu amigo e eu havíamos pensado na mesma numeração.

— Graças a Deus!

Charlie murmurou e se aproximou mais de nós. Emm o seguiu. Carlisle ficou onde estava, no canto mais afastado do lugar, bem longe do meu alcance.

— Vamos lá, Bella. Vamos lá... Por favor, amor... Por favor.

Entoei, implorando a Deus para que ela não tivesse expelido o rastreador e que o tivessem localizado.

Seria o fim para ela se isso acontecesse.

— Aqui, irmão. Aqui...

Emm apontou para o ponto luminoso vermelho que piscava bem abaixo da tela.

Renée soluçou ao fundo.

— Espere, Edward. Você está tremendo. Deixe-me aproximar a imagem devagar e teremos a localização exata.

Cruzei os braços e deixei que Jasper cuidasse daquilo.

Um bolo se formava em minha garganta e insanamente senti vontade de acariciar o pequeno ponto luminoso somente para me sentir mais perto dela e de meus filhos.

— Só mais um minuto, só mais um... E... Aqui.

Amum, que também estava ali, resmungou com desgosto.

— Como prevíamos ela está na montanha mesmo. O bom do rastreador é que sabemos o local exato. Agora é só decidirmos como atuaremos e resgata-la.

— Só tínhamos três dias. A bateria do rastreador acabará depois desse tempo, não tem luz do sol lá para que ele recarregue automaticamente. Isso se eles não o acharem primeiro. Como ela foi raptada ontem, nos resta menos de 24hs.

Omiti a informação de que Bella o havia engolido. Eles não precisavam saber disso. Precisavam?

— Nossos homens já estão prontos, Edward.

— Os nossos também.

Jacob e Charlie se pronunciaram.

— Irmão, não pode ser assim. Não dá para invadir e atacar com toda força que temos. Isso os alertará e colocará a vida de Bella em risco. Eles não hesitarão em mata-la se forem desafiados. Precisamos ser cautelosos e tira-la de lá primeiro. Depois faremos com que paguem pelo que estamos passando.

— Jasper tem razão, senhor.

Minha cabeça latejava e a tensão de ter o futuro de Bella nas mãos me fez querer vomitar.

— O que tem em mente, irmão?

— Eu acho que devíamos...

— Senhor? Senhor?

Paramos todos de súbito quando Paul, chefe de segurança de Charlie, e que participava ativamente dos nossos planos de resgate, invadiu o escritório com uma caixa nas mãos.

— O que foi, Paul? O que é isso?

Charlie tomou o pacote dele e o colocou em cima de minha mesa.

Temendo o pior me aproximei também.

— Essa encomenda acabou de ser entregue na sede do jornal “The New Ângeles” e está destinada a Edward. Não tem explosivos, a equipe anti-bombas já vistoriou.

No automático, retirei o envelope de cima da caixa. A escrita ali me fez temer mais ainda.

Nesse momento Alice e Rósalie entraram num rompante.

Parece até que previram que algo de mais sério ainda estava acontecendo.

Li em voz alta antecipando o futuro interrogatório.

Edward

Percebemos que as tropas ainda estão no mesmo lugar. Então achamos que talvez você precise de um pequeno incentivo para perceber que não estamos para brincadeira.

O próximo, prometemos, irá com as cabeças de seus filhos grudadas neles.

Nos dê a independência declarada, ou perderá muito mais do que isso.

Você tem 24hs antes de cabeças começarem a rolar.

Atenciosamente.

Caius e Marcus Volturi

Um silêncio amedrontador tomou a sala e foi preciso que eu usasse toda a minha força para ter coragem de levantar a tampa da caixa.

— Meu Deus!

Exclamei alto de horror.

— O que foi?

Uma roda se fez em volta mim.

— Isso é... Isso é...?

— Cabelo, Alice. Os cabelos castanhos de nossa irmã. Todo ele, sem nenhum cuidado ou piedade.

Sem ouvir mais nada e sem querer ver mais nada. Tapei a caixa e a guardei no meu armário ao lado da escrivaninha.

— Edward? Irmão? Aonde vai?

Peguei a arma que guardava no cofre dentro do armário, e passei por eles apressado.

— Buscar minha mulher, Jasper. Eles querem é a mim, não a ela. Bella não merece passar por isso. Vou eu mesmo busca-la...

Notas finais
Tenho alguns comentários para responder ainda, faço isso essa semana, Ok? Beijos a todas e aguardo ansiosamente os comentários.