Três Príncipes, Três Princesas

83 O depois ainda não é sinônimo de alívio


Notas iniciais
Oiiii! Bom, um Natal e dois "balanços" depois, estou de volta. Demorei, mas será compensador, porque o capítulo está enorme. Capítulo dedicado a Ana_raposo, que assim como eu, fez Níver ontem. Parabéns para nós, Ana! Veiga, seja bem-vinda e obrigada por comentar em quase todos os capítulo. Prometo que, aos poucos, vou responder todos. Beijinhos e vamos lá.

Bella

— Um acesso. Preciso de um acesso venoso. Rápido... Pelo amor de Deus... Jacob...

— Cuide aí, Angela. Estou tentando aqui . Tentando... Vamos Bella, vamos... Ajude-me.

Ajudar como, Jake?

Eu ouvia as vozes, claro que ouvia. O problema era que o topor era maior e melhor. Impedindo-me de distinguir se aquilo era verdade ou só mais uma ilusão de minha mente, louca para fugir daquele inferno.

— Pulsação fraca, doutora. Muito fraca... Ela não vai conseguir sozinha.

— Ora, cale-se! ... Adrenalina... Vamos, Bella. Vamos... Jacob, como está aí?... Quero o respirador, agora...

— Vamos, “cadê vocês”?... “Cadê”?... Se mostrem para mim. Estão seguros agora. É o titio Jacob aqui. Não façam isso comigo. Se mostrem, vamos lá...

As picadas em meus braços, o ar que se forçava em meus pulmões, o gel gelado que deslizava por meu ventre, o desespero de Âng e Jake, não pareciam uma mentira, um sonho.

Será que eu estava mesmo sendo resgata e cuidada pelos meus?

— Ela está com contrações. Merda!... Medicação... Temos que parar isso, rápido... Um bebê está em posição pélvica. Preciso que ela espere até que cheguemos ao hospital. Jacob...

— Calem-se! Agora! Preciso de um minuto de silêncio. Ouçam...

No meio da escuridão Jacob gritou. Gritou tão alto que fez minha cabeça latejar mais ainda.

E então, um silêncio aterrorizador tomou todo o lugar para só depois um sonzinho baixo, lindo, ser ouvido.

— Ehhhhh!

— Calem-se, porra! São dois bebês. Preciso encontrar o outro.

Meu amigo, com uma voz tensa e ao mesmo tempo emocionada, conteve uma pequena comemoração.

E mais uma vez o silêncio claustrofóbico era tudo que se ouvia.

— “Cadê você, cadê você”? Vamos... Tão teimoso quanto seu pai. Aparece para mim, vai. Sou amigo de sua mãe, só amigo, eu juro. Pode se mostrar para mim, vai e... Ahh, aqui...

E então outro retumbar baixinho se fez ouvir. Eram eles, os dois. Meus amores estavam bem.

— Batimentos, temos batimentos. Estão meio fracos, mas já vou ajeitar isso.

Uma sensação boa, quente, de alegria, de dever cumprido me tomou. Eles estavam bem, meus bebês estavam bem. Eu havia conseguido.

Eles chegariam em segurança para o pai.

Eu podia descansar agora... Estava tão cansada!

— O quê? Não! Parada cardíaca! Parada cardíaca!... Não faz isso comigo, Isabella!

Era tarde demais, eu já havia feito...

Edward

— Filho, por que você não se senta? Ficar andando de um lado para o outro não fará o avião chegar mais rápido.

Parei e, com violência, esfreguei a mão nos cabelos, os revoltando e puxando, ao mesmo tempo.

Eu queria mesmo era gritar e mandar todos sumirem para que eu pudesse me desesperar em paz.

No entanto, igual fiz tantas vezes desde que Bella foi sequestrada, me contive.

— Jasper?

— Irmão, Jasper te disse, há dois minutos, que o avião já entrou no espaço aéreo de Ângelus. Se acalme.

Ignorei Emmett e levantei as sobrancelhas para Jasper, que, não me contrariando, tirou o celular do bolso e consultou, via programa avançado de localização, onde o avião se encontrava.

— Estão bem perto do aeroporto, já se preparando para pousar.

— Tio Aro...

Voltei-me para meu tio, recusando-me a sentir alívio com a informação de meu irmão. Bella ainda não estava em meus braços.

— O helicóptero já está pronto. Assim que eles pousarem, Bella será transferida e em cinco minutos estará aqui. Se acalme, sobrinho.

Eu queria mandar que eles enfiassem o “se acalme” em algum lugar não nomeável.

Estava exausto de me pedirem aquilo. Será que não entendiam ou faziam para me irritar?

— Ela vai pousar e não estarei lá. Isso é inadmissível. Vou para lá...

Doce ilusão. Não fui capaz de dar dois passos. Charlie se colocou a minha frente e me encarou irritado.

— Não! Você vai sentar e se acalmar. As vias de acesso ao aeroporto estão fechadas. O próprio aeroporto está fechado. Barreiras foram feitas para que ninguém veja ou fotografe Isabella. Jasper tomou conta de tudo. Sua ida até lá só atrasará a chegada dela aqui e, consequentemente, o socorro necessário. Você esperará aqui, com sua família. Controle-se, Edward. Você fez o que podia, agora deixe os médicos trabalharem.

De novo, eu quis gritar, juro que quis. Se aquela intromissão tivesse sido de Carlisle eu teria feito, certeza.

Mas, era Charlie. Eu não queria que Bella chegasse e nos encontrasse brigados. O que não impediu uma tensão palpável entre nós.

— Pousaram, pousaram... Agora está perto, irmão.

Irritado e no limite, afastei-me de meu sogro e acenei para Jasper, que mantinha uma mão no celular e outra no ombro de Alice, consolando-a.

Emmett, não fazia muito diferente com Rosie, ela estava escondida em seu pescoço, soluçando baixo, enquanto ele esfregava suas costas e beijava seu cabelo.

Eu os invejava.

— Venha aqui...

Olhei para a cadeira, ao lado de minha mãe, e estava pronto para lhe negar o pedido quando “o levantar de sobrancelhas” de Charlie me fez retesar e então ir ao encontro daquele assento.

As mãos de Esme se encontraram com as minhas assim que sentei.

— Ela está bem. Eles estão bem. Abrande seu coração, querido. Ângela e Jacob não vão deixar você vê-la se você não se controlar.

Ela estava bem, esse era meu mantra, ela estava bem.

Foram quarenta e cinco minutos de desespero desde que o avião decolou de Volterra até a tripulação entrar em contato.

Não falamos com Ângela ou Jacob, eles estavam ocupados prestando socorro a minha mulher. Porém, uma enfermeira nos colocava a par de tudo que estava acontecendo.

Bella estava ferida, desnutrida, desidratada e exausta. Não tinha aberto os olhos nem falado com ninguém. Passara um susto na equipe médica, mas agora estava estável.

Eu não sabia o que realmente queria dizer “passara um susto”, mas creio que não seja nada bom, porque tio Aro prendeu a respiração ao ouvir aquilo.

E fora só. Ninguém nos deu mais informações.

E era isso que me deixava mais insano. Eu precisava saber como eles estavam.

— Oi? Jacob?

Pulei de pé, quando o telefone de Aro tocara. Em duas passadas eu já estava a seu lado.

— Ok... Eu entendo... Já está pronta... Os melhores... Ortopedista? Tá, vou chamar... Está fechada... O andar está isolado... Terei um problema com isso... Eu sei, eu se. Viro-me aqui... Ok... Estamos aguardando.

— Tio, o que foi? O que ele queria?

Mal ele desligou o telefone, eu já o atordoava de perguntas.

Charlie, Renée e as meninas também o cercaram.

Vovó Elizabeth e Marie ficaram quietas em seus lugarem, elas pareciam rezar.

Aro já discava outro número.

— Eles estão chegando. Jacob me pediu nossa melhor sala de cirurgia. Bella precisará de uma cesárea de emergência. Ele também pediu um ortopedista, parece que ela tem alguns dedos quebrados...

Alguns? Deus do céu!

Meus filhos não estavam no tempo certo ainda. Como aquilo poderia dar certo?

O ar parecia difícil de entrar agora. Quando aquele pesadelo acabaria?

— Disse também para fechar a galeria e isolar o andar para que não tivéssemos problemas e...

— E o que?

Deus! Tinha mais.

— Ângela e ele chegaram à conclusão de que ninguém poderá vê-la antes da cesárea e que, infelizmente, você não poderá acompanha-la na cirurgia também.

— Quê? Como assim? Tio, nos preparamos para isso. Era combinado que eu estaria com ela quando os meninos nascessem.

Era grave! Deus, era muito grave. Eu não era tão leigo assim a ponto de não saber o que uma proibição daquela significava.

Renée se pôs a chorar nos braços de Charlie, ela também entendia a gravidade da situação.

Tio Aro, estendeu a mão, pedindo que nos calássemos e começou a dar ordens, como um louco, a alguém no telefone.

— Alô, aqui é Aro. Quero o doutor Ben na sala de cirurgia 1, agora. Avisem a ortopedia também. As UTIs neonatais estão livres, não é? Como eu mandei?

Ele não voltou a se dirigir a nós, continuou falando ao telefone enquanto se afastava.

Eu estava travado, escutando choros e lamentações a minha volta.

Eu a perderia... Deus! Eu perderia meu mundo... Por culpa minha...

— Edward? Filho? Aonde vai?

Saí cambaleante, desnorteado. Eu queria fugir. Correr dos problemas, do medo, da perda...

— Deixe-o, Esme. Ele precisa ficar sozinho agora. Precisa digerir, respirar.

Acho que Carlisle segurou mamãe. Pelo menos para alguma coisa de útil ele serviu.

Eu queria mesmo me isolar e chafurdar em minha dor.

Sem rumo, andei até o fim do corredor, virei à direita, subi três degraus e dei mais alguns passos até que um vitral com uma luz brilhante tomou minha visão.

Era tão bonito... Tão atrativo e parecia me chamar.

Empurrei a pesada porta de madeira e só depois de cruzar o pequeno corredor e me sentar num banco rústico, estreito e entalhado, foi que me dei conta de onde estava:

Na capela...

Não sou um homem de religião, tenho que admitir, nesse ponto Bella sempre fora mais assídua que eu.

Claro que eu rezava, como bom Cristão que era.

Porém, nunca consegui decorar palavras e balbuciá-las todos os dias. Eu era mais do tipo que, a caminho do trabalho entregava a Deus, meu dia, de minha família e de meu povo. E a noite O agradecia pelo milagre que era minha vida com os meus.

Então, eu não sabia bem o que falar, mas algo me impelia àquele ato.

Por isso, fechei os olhos, respirei fundo e tomado por lágrimas, entreguei ao Todo Poderoso e a seus intercessores, todos os meus maiores medos.

— Senhor, meu Senhor... Por favor, por favor, não nos abandoneis agora. Sei que esteve conosco durante esse martírio, só isso explica Bella e meus filhos estarem vivos ainda.

Então, por favor, me permita ser um pouco mais egoísta: Não nos deixe a mercê.

Afaste a desesperança de mim e dos nossos familiares. Segurai Bella e nossos bebês nos braços e guie as mãos, os atos e as decisões de Ângela, Jacob e toda equipe médica, para que eles tomem as decisões que o Senhor, médico dos médicos, tomaria.

Bella precisa de Ti, meu Deus, não a abandone. Ela não merece essa situação.

Esteja com ela, por favor.

No fim de meu diálogo silencioso com Deus, eu já estava ajoelhado e contemplava a parte da frente do presbitério.

Então, de repente, bem calmo e tranquilo, como se ouvisse meu clamor e...

Não!

Como se ouvisse, não... Certeza de que, ouvindo meu desepero, um raio de sol iluminou o vitral da pequena igreja e brilhou bem por cima de minhas mãos postas. E como se isso não bastasse, uma brisa fresca, suave e mansa, fez-se sentir em meu rosto, afastando as lágrimas e trazendo uma sensação de leveza e paz.

Era um sinal, o meu sinal... As janelas e a porta frontal estavam fechadas, não havia por onde o ar entrar.

— Obrigada, senhor. Eu entendi, eu entendi... Vou ali, mas prometo que volto logo. Esse será o primeiro lugar que meus filhos visitarão. É uma promessa...

Olhei, pela última vez para o raio de sol refletido em minhas mãos unidas em forma de oração, e então me coloquei de pé e corri para divulgar a decisão que havia tomado.

— Edward, onde estave? Eles chegaram. Bella já foi anestesiada, está se preparando para a cirurgia e...

— Jacob?!

Ignorei tio Aro e mais toda a “comoção” que envolveu minha chegada e a de Jacob ao mesmo tempo.

— Se acalmem, por favor. Eles estão estáveis. Estou indo me lavar. Tem uma pessoa responsável em atualiza-los de minuto a minuto sobre tudo o que acontecer. Tenham fé, vai dar tudo certo. Bella é forte. Agora se me dão licença, Ângela espera por mim e não podemos perder tempo.

— Vou com você.

Impus minha vontade ao modo médico dele.

Várias, para não dizer todas, cabeças se viraram em minha direção.

— Edward, eu te entendo, juro que entendo, é desesperador. Mas, não temos tempo para uma confusão agora. Ângela acha melhor só a equipe médica lá, caso algo fuja de nosso controle.

— Não estou criando confusão. Só estou dizendo que vou com você. Minha mulher ficou tempo demais sozinha, doutor Black. Ela precisa saber que tem alguém ao lado dela, ajudando-a a passar por aquilo.

— Ela já está sedada, Edward. Seja coerente, irmão.

— Está sedada, não morta, Emmett. Ela poderá me sentir, tenho certeza. E também, cansei de ser coerente. Meu coração é que comanda agora e ele está me mandando para lá.

Encarei cada um deles, torcendo para que me retrucassem. Estava mesmo a fim de extravasar um pouco a raiva.

Ninguém o fez.

Pelo contrário, Charlie, mamãe, dona Marie e vovó sorriam para mim?

— Edward, Ângela não aceitará isso e...

— Vamos logo, Jacob. A doutrora Weber não manda aqui, eu mando. Estamos perdendo tempo com essa discussão.

Concordando comigo o “bip” dele começou a apitar como um louco.

— Ela está pronta.

— Então, o que estamos esperando?

Comecei a andar obrigando-o a me seguir de perto.

— Agora sei por que Bella te encolheu, Cullen. Você é turrão como uma porta.

Deixei que aquela sensação de paz, sentida na capela, me dominasse e, por fim, fui capaz de sorrir para ele.

— Ela gosta de uma teimosia de vez em quando, só de vez em quando. Esse gosto é de família, algo genético que Charlie passa para as filhas?

Ele segurou meu braço e me fez encara-lo, nós não paramos de caminhar.

— Pelo amor de Deus, Cullen... O que pensa que está fazendo?

— Seu medo devia ser de minha mulher, não de mim. Ela te pegará pelo pescoço. E vou estar lá para assistir isso. Talvez eu até compre pipoca...

Ele respirou fundo, ignorou minha tentativa de brincadeira, e fez o comentário final, antes de começarmos o processo de esterilização.

— Você precisa me ajudar quando essa hora chegar, Edward.

Fez sinal para que uma pessoa me trouxesse as vestes e sapatos adequados.

— Salve minha mulher e meus filhos e prometo que penso numa maneira de fazer Bella te perdoar antes do próximo século.

Ele esboçou o sorriso tão falado por Bella.

— Vou fazer o que puder, mesmo sem qualquer promessa fajuta sua. Eles sairão dessa. Confie!

Mal ele sabia que eu não estava blefando, se Ângela e ele salvassem meus amores, ter-me-iam na mão por todo o sempre.

— Agora venha, vamos enfrentar “a fera”.

Trocamos um olhar conciliador e foi o que bastou para selarmos nosso acordo.

O segui quando, de costas, sem tocar em nada, ele abriu a porta da sala de cirurgia e entrou.

Imitei suas ações e passos.

— Ah, Deus! O que ele faz aqui? Que parte do “não quero familiares na sala, nem na galeria” você não entendeu, doutor Black?

Ângela esboçou a reação que esperávamos.

— Não me culpe. Ele, teoricamente, é nosso chefe. Não podia, simplesmente dizer não para o homem, Ângela. O cara, paga o meu salário e o seu. Então, tragam logo uma banqueta para o senhor Cullen. Coloquem-na ao lado da cabeça da paciente.

— Na minha sala, mando eu, Jacob. Não me importa quem ele seja. Eu não quero ninguém que não faça parte da equipe médica aqui.

— Não sou parte de sua equipe médica, doutora Weber. Tenho dois pacientes nessa sala e digo que quero o pai deles aqui.

De repente, uma batalha de olhares e vozes se formou. Ninguém ousava interferir. Era uma disputa de “quem podia mais”.

Até a enfermeira que segurava a banqueta, parou com ela na mão, sem saber a quem obedecia.

— Isabella é minha amiga, minha paciente e eu decido as coisas até ela ter condições para isso.

— Os bebês, que são dois, são meus pacientes. Sabe que o pai deles será o futuro rei de Ângelus? E que o avô deles, que está lá fora, é rei de Forkian e por acaso, é meu tio. Quer mesmo saber quem manda?

— Ora seu...

— Chega! Parem imediatamente! O que pensam que estão fazendo?

Sibilei irritadiço. Parando e calando os dois.

— Doutora Weber, o doutor Black não tem culpa, eu o obriguei a me colocar aqui dentro. Como eu o disse, minha mulher e meus filhos já ficaram tempo demais sozinhos. Quero estar com eles. Não me peça para sair, por favor.

Pedi a última parte sussurrando humildemente, obrigando-a a olhar para mim e contemplar meu desespero e lamento de dias sem noticias.

Eles voltaram a ficar mais meio segundo em silêncio. Até que ela respirou fundo e tomou a decisão.

— Ok, Cullen. Você fica, mas ao menor sinal de problema ou de descontrole por sua parte, você sai. E é melhor que seja espontaneamente, ou então peço que o arrastem para fora daqui. Temos um acordo?

— Temos um acordo.

Acenei afirmativamente selando o pacto.

Ok, vamos trabalhar. Essa mulher nessa mesa, não é a princesa de Ângelus ou Forkian. É a nossa doutora Cullen, a que cuida e ama as criancinhas desse hospital. Deem o melhor de si, porque precisamos dela sã e salva para continuar com o trabalho lindo que faz. Conto com vocês, contem comigo. Que Deus nos guie.

Ela sorriu para sua equipe, olhou para Bella, com a cabeça, me mandou sentar no lugar posicionado e então deu início a cesárea.

Jacob, e algumas pessoas, se afastaram para o fundo da sala. Onde mais uma série de profissionais se mantinha quieta. Reconheci alguns, inclusive o doutor Ben. Eram especialistas prontos para ajudar, se fosse preciso.

Se Deus quisesse, eles não precisariam.

— Bisturi...

Bradou Ângela me tirando da inércia e me trazendo para minha missão.

Sentei-me no banquinho, o puxei para frente. E foi só aí que pude observar completamente o rosto de minha princesa.

— Oi, meu amor...

Abaixei a cabeça e a apoiei em seu ombro devagar, não colocando peso, eu não sabia se ali tinha uma contusão.

— Agora somos só nos dois...

— Pressão estável doutora, batimentos também...

Eu ouvia tudo que se passava a minha volta, mas me recusei a lhes dar atenção. Eu precisava focar em Bella.

— Você está em casa, princesa. Nossos filhos estão prestes a chegar ao mundo. Você foi incrível, como sempre.

Eu falava baixinho, fechado em meu mundo e dela. Não me importava se alguém estava reparando ou ouvindo. Eu só queria que ela ouvisse a mim, a meu coração.

Lentamente, e com peso de uma pluma, acariciei seu rosto, pelo menos na parte que a máscara de oxigênio deixava.

— Controle esse sangramento aqui. Isso... Isso...

— Sabia que você é uma guerreira? Não ouve momento algum em que duvidei que voltaria para mim, como nossos filhos. Se fosse eu, não conseguiria. Mas você não, você é forte. É nossa princesa de Ângelus e Forkian. Será a minha rainha. A que me manterá no caminho para que eu consiga ser um bom rei e um ótimo pai. Porque sim, serei as duas coisas, como seu pai. Sabia que ele está te esperando lá fora? Aliás, toda nossa família está, nosso povo...

— Entrando... Entrando. Jacob se prepare...

— Precisa ver como todos anseiam por sua volta. Você não imagina como sentiram sua falta. Eu então... Nem se fala.

O rosto dela estava sereno e aparentava calmaria. Os lábios estavam levemente inchados e muito ressecados, como se não bebesse nada há dias. Os braços estavam com escoriações arroxeadas e as mãos como cortes e feridas nas palmas e nos dedos.

Os cabelos estavam quase tão curtos quanto os de Alice. A diferença é que a desigualdade e a falta de cuidado de quem os cortaram eram evidentes.

Malditos Volturis!

Eu não sabia o que ela havia passado, mas dava para supor, pelos ferimentos, que fora muito, mas muito sofrido.

— Meu coração ainda está quebrado e sangrando por tudo isso, meu amor. Contudo, eu jurei que te traria para casa. Eu sabia que conseguiríamos. Eu sabia...

— Vem pra titia, vem querido... Sua mamãe está te esperando. Seu pai chato também.

— Porque nossa família precisa de você, princesa. Eu preciso, nossos filhos...

E então, sem que eu estivesse preparado e tirando completamente minha linha de raciocínio, um choro forte invadiu a sala.

— Está ouvindo, princesa? É ele. Escute...

— Jacob, é todo seu.

Incontrolavelmente, levantei a cabeça enquanto Jacob o pegava das mãos de Ângela.

— Ei garotão, venha aqui. Não precisa desse “berreiro”, sabemos quem é você. Sou seu tio, sabia? Pode começar a me respeitar e parar de gritar? Vamos aqui perto para sua mãe ouvir o que a espera.

Jacob, do outro lado de Bella, de frente para mim, se aproximou e encostou nosso bebê no rosto da mãe.

Ele era lindo, o sinônimo da perfeição...

— Essa é sua mãe. Ela está preguiçosa agora, por isso está dormindo, mas logo, logo estará acordada para conhecer vocês. Agora, aquele cara ali é seu pai. Ele tem essa cara feia mesmo, mas não morde. Sua mãe o protegerá, pode ficar tranquilo.

Involuntariamente, abri um grande sorriso. Deixei que uma lágrima caísse e apertei, de leve, os dedos nos rosto de Bella.

— Quer pegá-lo?

Imediatamente, neguei a proposta dele.

— Não sem ela. Ela será a primeira de nossa família.

— Garantirei isso.

Jacob se afastou com meu filho para uma bancada.

Com muita dificuldade, tirei os olhos dele e voltei a me inclinar para Bella.

— Chegando ao segundo...

— Ele é lindo, princesa. Você precisa ver. Tem o choro forte, nos dará trabalho à noite. Não dá para saber com quem se parece. Ele está sujo e inchadinho. Acho que quando vestir aquele macacãozinho azul escuro, que sua vó deu, ficará lindo e então saberemos mais com quem se...

— Jacob... Rápido... Ele não chora. Venha! Vamos... Vamos... Não está respirando...

Uma movimentação me fez ficar em alerta e prender a respiração.

— Pressão da paciente subindo. Doutrora...

Fechei meus olhos, impedindo que o caos nos atingisse. Eu estava ali para uma missão. Eu confiava em Deus.

— Mamãe fez Bá faxinar todo o quartinho deles. Ela abriu as janelas para que o sol entrasse e inundasse lá de vida. O som dos pássaros preenche o ambiente, de manhã, assim como imaginamos que seria e...

— Parem, vocês não sabem o que estão dizendo. Ele está respirando sim. Agora chore, chore alto, vamos rapazinho. Sua mamãe precisa te ouvir. Vamos... Ele está bem, Bells. Está bem. Deixe-me só limpar aqui e... Sonda... e...

Chore, filho. Chore para sua mãe... Faça isso por ela. Ela fez demais por vocês. Por favor...

Clamei em pensamento, sem deixar de falar com Bella. Eu precisava distrai-la e me distrair também.

Ele ficaria bem, precisava ficar bem.

— Eu estive pensando, princesa, podemos trazer sua cadela lá da fazenda. As crianças vão gostar. Sua avó disse que pode providenciar isso. Já pensou como ela latiria alto com os pássaros? Os meninos ficariam encantados com o som. Nós precisamos prencher aquele terreno. Aliás, seus jardins estão florindo. Sua mãe está encantada, disse que estão mais bonitos que os dela e...

Chore, filho. Chore... Por favor. Por sua mãe.

— Preparando para suturar. Pressão controlada... Jacob, como está aí. Ele não...

— Vamos... Vamos... Agora... Isso...

E então ele chorou.

Baixinho e cheio de choramingos lamentosos no meio. Mas, era o som mais bonito e aliviador que alguém poderia ter feito.

— Eu sei, sei sim. Não é sua mãe, não é? É por isso que já está fazendo manha? Ela está ali. Vamos senti-la um pouquinho?

— É seguro, doutor Black? Ele não precisa ir imediatamente para a incubadora?

— Cuide de Isabella, doutora Weber. Sei o que estou fazendo. Esse garotão aqui precisa sentir a mamãe dele por um minuto. A doutora Cullen e eu temos estudos publicados, patenteados e homenageados, comprovando essa teoria.

E como se quisesse concordar com Jacob, assim que colocado perto do rosto da mãe, o bebê esticou a mãozinha, como se quisesse se segurar nela.

— Aquele “ser babante” ali na nossa frente, é seu pai. Ele não é tão bonitão como seu titio aqui, mas você se acostuma. Sua mãe tem mau gosto para homens. Fazer o quê?

Jacob falava, falava e brincava como se para entrete-lo. Mas seus olhos e sua mão esquerda tateavam em busca de algo errado, que graças a Deus, ele não encontrou.

— Agora se despeça porque vamos tomar um banho e vestir uma roupa de bebê legal. Você não vai querer encontrar sua linda mãe com toda essa gosma no cabelo, não é? E as gatinhas do berçário? Elas não vão achar isso nada atraente. Seu irmão já está pronto para o banho. Você quer que ele conquiste todas antes de você? Ei, não precisa chorar. Já, já te devolverei para a mamãe, ela só precisa se preparar também.

Assim que tirado de perto da mãe, o bebê voltou a chorar. E dessa vez alto e forte, mostrando a todos o quão contrariado estava se sentindo por ser separado dela.

Alguém me entendia... Eu também quis gritar, chorar e espernear em todos esses dias de ausência forçada.

— Muito bem, equipe. Muito bem. Acabamos aqui. Vocês foram incríveis.

A sala foi tomada por palmas e um clima de alívio.

Mais uma vez, não segurei as lágrimas. Nós estávamos a salvo.

— Acabou, princesa. Acabou...

Beijei sua testa e deixei que minhas lágrimas escorressem pelo rosto dela.

— Agora você precisa mesmo sair, Edward. Vamos terminar de limpa-la e a levaremos para fazer algumas radiografias e tomografias. Nossa equipe quer checar órgãos internos e ossos. E vamos aproveitar que ela está sedada. Será melhor por causa da situação que ela passou. Não quero que ela se sinta claustrofóbica.

Assenti em concordância, era esse o combinado. Eu tinha que sair quando ela achasse que fosse a hora.

Porém não conseguia tirar as mãos dela. Eu precisava sentir que estava tudo bem, que estava viva e não me deixaria de novo.

— Está tudo bem, Edward, eu juro. Isabella não vai a lugar algum. Em, no máximo uma hora, você estará com ela no quarto. E se as previsões de Jacob se concretizarem, logo, logo, com seus filhos nos braços.

Ângela forçou as mãos nos meus ombros me forçando a levantar.

— Vamos dar as boas novas a sua família. Tio Charlie deve estar louco de preocupação.

Sabendo que precisava sair, mas, inconscientemente, morrendo de medo de deixá-la e algo acontecer, num último gesto, me inclinei e encostei, delicadamente, meus lábios nos dela.

— Vou só ali acalmar nossas famílias. Encontro-te daqui a pouco. Prometo que nunca mais ficará sozinha, meu amor. Não se preocupe, já, já, estaremos juntos.

E fazendo a coisa mais difícil, que já fiz desde que fui presenteado com minha princesa, a deixei aos cuidados de terceiros.

Jurei para mim mesmo: seria a última vez que Isabella e eu seríamos separados. Eu era dela e ela era minha e eu garantiria que nada mais atrapalhasse esse nosso compromisso.

Bella

Ai. Ai. Ai. Mil vezes ai. Tudo doía. Cada ponto do meu corpo doía. Em alguns pontos as dores eram mais concentradas tipo, cabeça, mãos, pés e abdômen. Acho que isso era bom, não era? Dor significava que eu estava viva... Não estava?

— A respiração está se alterando. Vou chamar a doutrora.

Claro que minha respiração estava aumentando, tinha a porcaria de um respirador jogando mais ar em meus pulmões que eu poderia respirar.

Eu precisava tirar aquilo. Mas estava tão bom aqui... Não havia calor, abafamento, claustrofobia, sede, fome, ratos, aranhas, escuro, Marcus, Caius... Só meus filhos, eu e um irritante bip, bip ao fundo me impedindo de continuar a dormir.

— Na sua hora, meu amor. Na sua hora... Pode descansar, se não for agora. Estou aqui e não a deixarei.

Edward, meu Edward. Ele estava aqui, seja onde quer que fosse “o aqui”.

Ele me mandava descansar, mas a ansiedade e a angústia eram indisfarçáveis em sua voz. Ele precisava que eu voltasse.

Mas, estava tão bom...

— Ela acordou?

— Não, não acordou. Só a respiração que acelerou e as pálpebras tremeram um pouquinho também. Ângela, o que está acontecendo?

Ah, o bip, bip... Eu estava no hospital. Graças a Deus. Sempre amei aquele lugar. Era como uma segunda casa.

O estetoscópio frio encontrou meu peito quente, abrasador.

— Batimentos e pulsação normais... Diminuam o respirador, eu quero que ela não force os pulmões e não que morra sufocada por ele.

Um residente havia levado bronca. Âng os odiava. Ela se esquece de que já foi uma. E bem incompetente, diga-se de passagem.

— Dá para se afastar só um pouquinho, Cullen. Está atrapalhando os exames.

Animosidade? Por que ela estava irritada com meu marido? Se bem que Âng andava irritada com o mundo. Se ela não resolvesse essa sua história com Ben logo, se tornaria tão rabugenta quanto Jéssica.

— Bells, você pode me ouvir? Precisamos de você aqui. Por que não força mais um pouquinho e abre os olhos? Preciso que me ajude, quero te ajudar a se livrar das dores que deve estar sentindo, mas não posso fazer isso enquanto você não sair dos efeitos da anestesia.

Bells, somente meus amigos de Forkian me chamavam assim. É assim que papai e Jacob me chamam.

— Ficar aí no “limbo” não é legal, doutora. Diga a ela Cullen...

— Amor, você está em casa. Está segura. Pode abrir os olhos se quiser, se estiver pronta.

A tensão entre eles era palpável, então era melhor eu acordar antes que se engalfinhassem de vez.

— Isso... Abrir os olhos... Isso... Devagar...

Pontos brilhantes brancos e azuis pipocavam para todo lado, era complicado...

— Abaixem a luz... Ela ficou muito tempo sem vê-la. Isso está incomodando.

Isso, meu amor. Estava incomodando.

— Oi...

Finalmente consegui focar na imagem de Ângela a minha frente.

— Você já dormiu demais e nos assustou demais. Trate de manter sua cabeça e mente bem aqui, doutora.

Ela tentava sorrir, mas o alívio era claro nas feições e nos olhos marejados dela.

— Pode falar? Preciso que me diga onde dói mais.

Tentei falar, mas som algum saiu.

— A garganta deve estar seca, posso dar um pouco de água para ela?

— Não, Edward. Infelizmente ela tem que esperar os efeitos da anestesia passarem por completo, antes de tomar água. Não quero que tenha cefaleia forte. Ela já deve estar sentindo dores demais.

Ah não! Eu precisava de água, só de um pouquinho.

— Águ... Agu... por fav...

Tentei falar, tentei levantar a cabeça. Grande erro. Meu corpo não me respondia.

— Calma, calma. Não force. Edward, pegue um copo, molhe o algodão e passe nos lábios dela. Servirá pelo menos para refrescar.

Aquilo não serviria de nada, Ângela. Eu quero um copo, um copo bem grande, de 500 ml pelo menos, de água pura e bem gelada.

Será que ela sabe o que é ficar tanto tempo sem ter nada para beber?

— Aqui. Posso fazer isso?

Ângela somente fez um movimento simples com a cabeça e logo senti o algodão molhado em meus lábios.

Consciente de que o veria, forcei minha cabeça para o outro lado.

— Oi... É bom te ver. Amo você demais, sabia?

Os olhos dele se encheram de lágrimas, assim como os meus, a diferença é que as dele escorreram pelo rosto bonito, desceram até o queixo e pingaram nos lençóis de meu leito, formando um “plic, plic” constante e libertador.

— Não chore, princesa. Não chore. Está tudo bem agora.

Ele me consolava quando era ele que precisava que alguém segurasse sua mão.

Onde estava Esme?

— Você está segura, nossos filhos estão seguros e...

Filhos?!

Assustada, tentei puxar a mão e tocar a imensa barriga, porém, foi impossível. Elas estavam envolvidas em grandes faixas brancas que pesavam horrores.

— Fil... levanta... Por fav... Âng...

Meus bebês, eles se aquietaram no último dia na caverna. Eu estava apavorava por mim e por eles. Eu queria toca-los, eu queria ouvir os coraçõezinhos.

— Droga, Cullen. Precisava assustá-la? Bells, olhe para mim, para mim. Escute, se concentre...

Com medo de tirar os olhos de Edward e ele desaparecer, com um esforço héculeo, puxei o que um dia foi minha mão esquerda e forcei por cima da dele que estava ao lado da cama.

Eu não queria perder contato.

— Seus filhos estão bem. Fizemos uma cesárea de emergência. Eles estão com Jacob agora. Fique calma. Eles são saudáveis. Choram, ou melhor, berram como bezerros. São bonitos demais, e vão causar uma guerra entre as garotas do berçário assim que forem levados para lá. Agora se acalme, se concentre. Preciso que se recupere antes que eu os traga para conhecê-los.

Mais consciente agora e forçando meu corpo a acordar de vez, assenti em concordância.

— Não ligue para ela, princesa. Eles choram porque querem a mamãe linda deles.

— Você os, os... Viu?

Preocupado, ele voltou a embeber o algodão na água e a encostá- los em meus lábios. Os suguei, sem a mínima vergonha. Não tinha culpa de estar sedenta.

— Só de longe. Não os peguei. Ninguém de nossa família ainda os viu, ordens minhas. Você será a primeira. Lutou por eles, tem esse direito.

— É, é... Por isso que choram. Sentem falta... Do calor humano. Você precisa pega-los.

— Pare de clinicar, doutora Cullen. Eles não estão chorando assim. Estava brincando. Jacob está com eles, não sairá de lá até que esteja recuperada para vê-los.

— Eu, eu... Quero me levantar. Por favor, Âng.

— Levantar você quer dizer a cama, não é? Por que ficar de pé, ainda é meio cedo, Isabella.

Era a cama, eu não era louca de me forçar a ficar de pé. Estava fraca demais, eu sabia.

— Assim está bom?

Ela levantou a cabeceira um pouco, só um pouquinho, e logo Edward estava sentado a minha frente acariciando meu rosto e pescoço.

— Como está? Senti sua falta. Eu te amo, sabia? Nunca mais sairá debaixo de minhas vistas.

Eu não podia falar a ele sobre o horror, eu só queria me jogar em seus braços e chorar. Chorar até que toda aquela lembrança ruim desaparecesse.

— Eu também te amo. Era isso que eu dizia todos os minutos. “Eu preciso voltar, preciso voltar para meu amor”. Mas a todo o momento eu me lembrava de Stephan e... Stephan ele, ele...

Apressado, meio sem jeito, mas com cuidado ele me sentou e me puxou para seu peito.

Todo corpo ardeu em dor, porém eu não lhe disse isso, era uma dor boa.

— Shii, shii. Graças a você que instruiu Zafrina, Stephan está bem. Está de repouso, se recuperando e já perguntou por você. Logo estará aqui nos importunando.

— Nossas famílias?

— Estão lá fora, cada um mais ansioso para te ver que o outro. Seu pai e sua mãe encabeçam a fia.

Cuidadoso, ele se afastou e me soltou um pouco e foi o bastante para que eu pudesse me ver e ver ao redor melhor.

Eu estava um caos, mãos enfaixadas, braços com hematoma e coberta até os pés o que impedia de ver o estrago abaixo. Infelizmente, não impedia de senti-los doer também.

— Dói em algum lugar?

— É melhor eu dizer onde não dói. O cabelo para ser mais exata e...

E foi aí que o clima mudou completamente. Era como se uma onda fria invadisse o quarto e congelasse tudo ao redor.

A lembrança me atingiu e atingiu com força fazendo com que eu ameaçasse cair num despenhadeiro de lágrimas e dor.

Cabelo... Essa palavra os fez pararem de respirar também e trouxe a minha mente uma inundação de pensamentos e pavores... Tinham cortado meus cabelos... Edward odiara o ensaio, ele achara vulgar... Achara-me feia... Imagina agora... Sem os cabelos que ele e papai amavam...

— Alice... Eu quero ver Alice...

Encolhi-me, quando, apavorado, ele tentou voltar a me tocar. Levantei as mãos, até a que sustentava o soro, e coloquei por sobre a cabeça, tampando tudo que podia.

Eu não queria que ele olhasse para mim, não daquele jeito.

— Bella, se acalme. Ou vou sedar você. Respire, respire... O que foi? O que está te apavorando? Está sentindo alguma coisa.

— Não, não estou sentindo nada. Só saiam daqui. Eu quero Alice... Por favor...

— Princesa, está tudo bem. Não vou a lugar nenhum. Você está segura. Têm seguranças na porta, no hospital inteiro e isolamos o corredor. Você está segura. Eu estou aqui.

— Não!

Gritei e mais uma vez fugi de sua mão que tentava me tocar. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo. Só sabia que não queria que ele me tocasse ou me visse daquela maneira. Alice daria um jeito.

— Alice... Por favor... Saiam... Eu quero Alice.

Choraminguei. Eu queria que eles a trouxessem. Eu precisava que eles a trouxessem.

— Tudo bem, tudo bem. Respire. Edward e eu estaremos do lado de fora enquanto você fala com sua irmã. Isso dará tempo do ortopedista e do seu clinico terminarem de avaliar seus exames. E aí voltamos. Agora se acalme. Se continuar ofegando sedarei você.

Respirei lentamente e concentrada fiz meu coração desacelerar.

— Edward... Vamos.

— Eu não vou sair. Falará com Alice comigo aqui. Já perdi demais de você, Isabella.

— Por favor, por favor. Só alguns minutos.

Lamuriei mais, deixando que toda aflição dos horrores passados aflorassem. Ele não podia me ver falar com Alice, ele não precisava presenciar uma esposa fraca que estava apavorada por causa de um tanto de cabelo.

— Estaremos do lado de fora. Junto com toda sua família que também anseia em vê-la.

Ângela o pegou pelo braço.

— Não, agora não. Só Alice, por enquanto, por favor...

Não faço ideia do que Edward viu em meus olhos, só sei fizeram sua face ser tomada de piedade, e foi isso que o fez seguir minha médica.

Eu sabia que era questão de minutos, nada o seguraria lá fora por muito tempo. Então eu precisava que minha irmã fosse ágil.

— Bells, irmã? O que está acontecendo?

— Preciso da sua ajuda.

Porque ela era a única, devido a sua profissão e a sua trágica história com Jasper, que entenderia o que estava se passando em meu íntimo.

Edward

— Ângela, o que está acontecendo? Estava tudo tão bem.

Ela me agarrou pelo braço e me puxou até a bancada onde havia uma unidade de informação e atendimento.

— Bip o melhor psicólogo do hospital, diga que o espero com urgência no leito da doutora Cullen.

— Sim, senhora.

Psicólogo?

Ela voltou a me arrastar até a sala de espera daquela ala, onde nossas famílias nos aguardavam.

— Como ela está?

— Podemos vê-la?

— A anestesia já acabou?

— Ela acordou?

— Filho, o que ouve?

Fomos cercados e atordoados de perguntas. Ângela ignorou todas e se dirigiu a Alice.

— Bella quer vê-la. Vá, mas não a estresse de maneira nenhuma.

— Eu? Ela quer me ver?

Alice estava tão surpresa quanto o restante da família. Rosie pareceu magoada.

— Ela está lúcida, mas algo que fizemos ou falamos a acordou e despertou algo que não deciframos. Descubra o que é, para o psicólogo saber como começar a tratá-la. Não a deixe nervosa e qualquer coisa saia do quarto, estaremos nos sofás do corredor, bem perto de vocês. Vá... Não quero que ela fique sozinha mais do que o necessário.

Não precisou falar duas vezes, Alice e Jasper trocaram um olhar de cumplicidade e logo ela desaparecia porta a fora.

— Vamos, vamos esperar do lado de fora.

Todos a seguimos enquanto, tanto ela quanto eu, narrávamos como Bella está.

— E por que você acha que ela se apavorou?

Emmett fez a minha pergunta, a pergunta que se eu não tivesse tão atordoado pelos fatos também teria feito.

Interrompendo-nos o celular de Jasper tocou, ele verificou quem era e então se afastou para atender.

— Transtorno- pós- traumático. Não sabemos o que se passou naquele lugar. Ela quis tapar a cabeça, não sei se pensou que estava desfigurada, não sei. Prefiro esperar que o psicólogo fale com ela.

— Ok, vou providenciar. Não precisa chorar, princesa. Só me dê cinco minutos. Não vou deixar, eu prometo.

Jasper encerrou a ligação, porém logo em seguida começou a falar com outra pessoa dizendo que ele precisava estar aqui urgentemente.

Não entendi... Mas, não perguntei também. Em seguida ele se juntou a nós outra vez e o assunto foi esquecido.

Só que o olhar dele de cinco em cinco segundos para o relógio devia ter me alertado de que algo não estava certo.

— Ângela, fisicamente ela está bem?

Charlie estava tão angustiado quanto eu. Dona Marie e Renée, se mantinham ao seu lado segurando e sendo amparadas por seus braços.

— Ela tem muitas escoriações, as mãos estão imobilizadas e logo, logo saberemos se estão quebradas. Os pés, os joelhos e os tornozelos estão em piores estado e creio que seja porque abrangeram suas quedas, mas não estão quebrados. O problema agora é o psicológico e...

Passos no corredor nos alertou para um estranho acompanhado de Amum. Eles pareciam apressados e ofegantes.

— Aqui, senhor Jasper. Foi ele que a princesa Alice pediu.

— Espero ser muito bem remunerado, eu estava com três clientes agendadas e tive que largar tudo e sair. Esse homem é um troglodita e...

Estranho, cheio de trejeitos, parecia contrariado de estar ali.

Quem era ele? O que estava acontecendo?

— Pagarei todo o seu prejuízo. Agora, cale-se e faça seu trabalho sem nenhuma gracinha. Creio que não queira virar inimigo de duas coroas reais, não é?

A ameaça e o olhar inquisidor de Amun o fizeram calar e somente assentir.

— A princesa Alice e a princesa Isabella estão te esperando, não faça gracinhas e obedeça.

Quê?

— Bella o está esperando? Quem é esse homem, Jasper?

— Só um minuto, irmão. Alice já está me ligando de novo.

Jasper acompanhou o homem até a porta, abrindo-a e fechando-a para ele. Amun se colocou de frente a mesma, impedindo qualquer um que fosse, de entrar ali.

— O que está acontecendo, Jasper? Quem era aquele? O que Bella e Alice querem com ele?

— Um cabeleireiro, pai. Aquele homem está aqui por causa do cabelo de Isabella. Ela se apavorou e chorou com Alice quando se lembrou do horror que foi quando o cortaram. Ela não quer que ninguém a veja antes que tentem concertar o estrago.

O Cabelo... Aquele tinha sido o gatilho para o ataque. Bella estava preocupada com a aparência.

— Ângela...

Perguntei sentindo meus olhos se arregalarem.

— É bem possível que seja por causa do cabelo, Edward. Ela ficou toda arredia e começou a se descontrolar quando falou do cabelo e depois quando você tentou toca-los... Deus... Eu volto já.

Ângela retirou o celular do bolso e começou a caminhar corredor a fora. Logo não estava mais sob nossos olhos.

— Minha criança... Deus como vamos lidar com isso?

— Pare de lamentar, Renée. Ela está bem. Só ficou apavorada por causa do maldito cabelo. Bella sempre teve problemas com autoestima e creio que os últimos acontecimentos tenham a afetado mais do que imaginamos.

Dona Marie olhou, com amargura para mim.

— Mas, ela é forte. Alice a ajudará agora e nós faremos nossa parte depois.

Num pulo me coloquei de pé, Jasper também se levantou interpretando errado meus atos.

— Desculpe-me, irmão. Mas, não posso te deixar entrar. Alice disse que está apavorada que alguém mais a veja com o cabelo como está. Eu não quero isso, não agora quando estamos recomeçando, mas não posso permitir que passe por essa porta antes que elas autorizem. Alice disse que Bella está nervosa.

Charlie e Emmett também se levantaram e nos rodearam imaginando que começaríamos uma batalha ali.

— Não vou entrar, irmão. Não sem que ela permita. Eu devo isso a ela. Bella só está assim por minha culpa.

— Ela está assim por culpa de Marcus e Caius, não se culpe, querido.

Vovó Elizabeth me interrompeu, mas não me convenceu.

— Preciso que controle a imprensa maldosa, Jasper. Sei que não temos esse direito. Então peça educadamente, mande um comunicado em meu nome e peça, ou melhor, exija que eles peguem leve com Bella. Ela está frágil, irmão. Comprovei isso. Não permita que eles deixem-na pior.

— Vou resolver isso. Fique tranquilo. Vamos cerca-la de cuidado enquanto pudermos.

Ele voltou a se afastar, outra vez com o celular nas mãos.

Voltamos a nos sentar e Esme veio para meu lado e segurou minhas mãos impedindo que eu arrancasse o resto que me faltava de meus cabelos também.

— Podemos ver os meninos agora?

Fechei os olhos sabendo que os feria com meus atos, mas...

— Ainda não, mãezinha. Esperem só mais um pouquinho. Deixem que Bella tenha esse prazer. Só esse.

Encostei a cabeça na parede e fechei os olhos orando a Deus para que aquele pesadelo acabasse logo.

— Como eles são, querido? Não se parecem com a velha rabugenta da bisavó deles, não é?

Vovó Elizabeth comentou querendo acabar com o clima de tristeza.

Eu tinha, rapidamente, os informado de como fora a cesárea e depois corrido para o quarto onde Bella ficaria.

— Rabugenta é melhor do que gagá, sua anciã. E é lógico que meus bisnetos se pareceram com os Swans. Pergunte a seus netos quem são mais bonitos os Swans ou os Cullens?

Bingo! Ponto para dona Marie.

Foi impossível não sorrir e, obviamente, não concordar com o ponto de vista dela.

— Eles são perfeitos. Jacob disse que para prematuros de 34 semanas, estão muito bem. O bebê 1 nasceu com 40cm e 1,95kg. O bebê 2 com 39cm e 2,05kg. Jacob os levou para a UTI neonatal, mas não precisarão de incubadora. Vão só para o bercinho aquecido. Disse também que vão perder peso, mas que é normal. São magrinhos, mas grandes.

— Isso explica o barrigão, não é?

Sorri para Renée ao me lembrar de como Bella estava nos últimos dias.

Penso e não consigo acreditar que não a deixei saber que estava linda e que eu a desejava com toda minha força. Se tivesse feito isso...

— Com quem se parecem?

— Com ninguém é óbvio, Rosie. Bebês pequenos tem cara de joelho ou cotovelo. Tudo feio e enrugado. Aí...

— Estamos tentando animar seu irmão, Emmett. Não seja um estraga prazeres.

Barulhinhos de risadas invadiram o corredor.

Aquilo era bom. A quanto temos não sorríamos daquele jeito?

— Eles são lindos. Não dá para saber com quem se parecem, porque só os vi de longe. Mas, logo saberemos. Só nos deem mais uns minutos. Eu sei que estão ansiosos, mas... Ela fez tanto. Ele merece e eu queria... Eu queria que ela...

Voltei a baixar a cabeça e esconder o rosto entre as mãos. A angústia me consumia e eu tinha vontade de sair correndo e gritando até todo aquele pesadelo acabasse de vez.

Eu queria pegar meus filhos...

— Se acalme. Respire, querido. Está acabando. Ninguém te julga por suas decisões. Fique tranquilo.

Esme me acalentou e deixei... Não suportava mais. Era para eu ser o elo forte. Mas chega um momento que o mundo desaba sobre nossas cabeças e nada parece fazer sentido.

— Chore se precisar, nós estamos aqui...

— Ela está ferida, mãe. Muito. Quando falou do cabelo... A senhora precisava ver... Parecia um filhote acuado. Não parecia a Bella forte que me enfrenta, que passa por cima de qualquer coisa pelo que acredita. Estou morrendo de medo de quando ela encontrar Charlie correr para os braços dele em busca de proteção. Eu não a julgaria se fizesse isso. Eu não fui capaz de protegê-la, mãe.

— Não, filho. Pare de se acusar. Se Bella fizer isso, é direito dela. Mas se fizer, nós daremos um jeito. Encontraremos uma maneira. Só se acalme, Edward.

Ficamos em silêncio, cada um remetido a suas próprias dores e pensamentos. O consolo de mamãe era tudo que eu precisava naquele momento.

— Ela só está abalada, cunhado. Agora em entendo por que chamou Alice. Ela que se liga mais com essa coisa de aparência. Bella não vai para Forkian, ela te ama. Pode até estar confusa, mas não a ponto de fugir.

— O que faço, Rósalie? Ela é linda. Está linda cheia de machucados e com o cabelo desigual. Como a farei acreditar nisso se piso tanto na bola?

— Atos, Edward. Bella é uma mulher que precisa ver, ouvir, sentir... Só a faça acreditar.

Pensei por uns segundos deixando que minha mente vagasse até o dia que desencadeou o dia de hoje.

— Preciso que faça algo por mim, já que só pretendo sair daqui com Bella e meus filhos.

Inclinei-me e sussurrei para ela o que tinha em mente, a cada palavra dita os olhos dela se arregalavam e brilhavam de surpresa e satisfação.

— Tem certeza? É uma coisa que não dá para voltar atrás depois.

— Tenho.

— Ok, então. E onde está o álbum?

— Estava no quarto, no criado mudo. Mas, Bá deve ter guardado. Pergunte a ela.

Ela concordou e logo começou a mexer no celular, creio que procurando ideias para concretizar minha surpresa para Bella.

Quarenta, sofridos, minutos depois a porta se abriu e Alice e o “tal Cabeleireiro” saíram de lá.

— Foi um prazer atendê-las, princesa. Sempre que precisar pode me ligar. A qualquer minuto.

Ele contava um valor considerável de cédulas de dinheiro.

— Tá, foi mesmo um grande prazer. Agora vamos ali no meu marido que precisamos que assine uns papeis para nós.

Um dos seguranças, que havia saído e chegava nesse mesmo instante, entregou a Jasper alguns documentos.

Ele só balbuciou para minha curiosidade: “termos de confidencialidade”.

Jasper sempre estava um passo adiante.

— Ela que vê-lo.

— Quer?

Perguntei, confuso, a uma Alice que mostrava todos os dentes de... Felicidade. Será que aquele era a começo para a reestruturação da relação delas?

— Quer, seu bobo. Sei que não tenho o direito, mas, posso te dar um conselho de amiga?

Com a cabeça e já de pé pronto para invadir o quarto, concordei.

— Elogie-a. Diga o quanto ela está linda, o quanto é linda e que você a ama pelo que ela é. Acho que é isso que precisa de nós agora.

Ela nem fazia ideia de que Rosie e eu já tínhamos conversado e bolado estratégias para certificar Bella do quando ela era bonita.

— Obrigada.

Dei um pequeno olhar a eles antes de abrir aquela porta e então entrar. Se ela estivesse nervosa, eu sairia e chamaria Ângela. Eu não forçaria minha presença.

— Oi.

— Oi.

Ela estava mais sentada, na cama, agora. Ainda havia fios por toda parte, mas parecia melhor, mais viva.

O cabelo estava curto, do tamanho que Alice usava para menor. Mas estava lindo, moderno.

— Perdão pelo ataque de mais cedo, eu...

Cheguei mais perto e me sentei ao lado dela, bem perto, muito perto. O cheiro de Alice estava impregnado nela. Certeza que minha cunhada usara de seu perfume em minha esposa.

Bolsa de mulher era um grande ministério.

— Não me peça perdão, Bella. Ela nada dessa situação me peça perdão.

— Mas, Edward, eu surtei por causa do cabelo e não é o que se espera de uma princesa e...

— Shiii...

Coloquei os dedos por sobre seus lábios.

— Trauma é uma coisa que se espera de todo ser humano, minha vida. Não se atormente por isso.

Aproveitei que já estava a meio caminho e deslizei a mão por sua bochecha, orelha e por fim, o cabelo.

— Está lindo. Eu aprovei o novo visual. Mais versátil, vai ser mais fácil de cuidar, agora que nosso tempo será regrado com dois “pestinhas” em casa. Você é linda, princesa. Eu te amo tanto. Te amaria careca, sabia?

Olhos nos olhos, carinhos deslizados por minhas mãos.

Me aproximei lentamente para não assustá-la.

— Eu senti tanta saudade. Tanta... Tive tanto medo, vida. Tanto...

Encostei os lábios nos dela. Devagar, lento, só sentindo a textura... Deus! Eu a amava demais.

— Não tem cabeção mais e...

Voltei a encostar a boca na dela e fiz questão de segurar as mechas castanhas curtas, com um pouquinho mais de pressão.

— Ficou mais fácil de fazer pressão... Não vai cair no meu rosto quando estivermos nos amando com você por cima, do jeito que eu amo. Vou poder assistir você em toda sua glória. Eu amei, princesa.

Beijei seu pescoço, mordisquei sua orelha e sussurrei a última parte, causando nela arrepios e um vermelho lindo e tímido em seu rosto, que inflaram meu ego.

Aquilo era momento para aquilo? Não.

Ela estava toda dolorida? Certeza

Eu estava jogando sujo? Bem provável.

Porém, nem me importei, porque ela fechou os olhos e se apertou mais um pouquinho em mim.

— Ei, acho que sua mulher está de resguardo, Cullen. Quarenta dias. Além disso, tem crianças no quarto dá para esperarem para se esfregar depois. Ou terei que chamar tio Charlie.

Atordoados nos separamos, mas não ouvimos uma só palavra do discurso chato de Jacob, nossos olhos estavam ocupados demais em admirar o bercinho móvel que ele empurrava.

As perfeições, em pessoas, estavam ali.

Bella

Meio ofegante, meio envergonha e grogue por causa do ataque de Edward e, claro, pelo tanto de medicação, me afastei de meu marido e já ia abarrotar Jacob de perguntas quando meus olhos pararam no que ele trazia.

Atrás dele nossa família vinha, com olhares ansiosos e amedrontados, tanto para mim, quanto para meus bebês.

— Quer que eu os coloque para fora? Esse momento é seu.

Fiz sinal de negativo com a cabeça, firmando a mão, toda cheia de bandagens, em sua perna.

— Esse momento é nosso.

— E então como vai ser? Esses garotões tem nome? Por que como vou passar o telefone deles para todas as gatinhas do berçário se não sabemos do que chamá-los?

Sorri, sorri com os olhos cheios de lágrimas. Era impossível controlar.

Jacob se abaixou e pegou um deles nos braços e veio até mim.

Emmett e Alice tinham os telefones em mãos.

— Oi mamãe, esse é o bebê mais velho. Eu peso 1,95 Kg e tenho 40 cm. Já tomei leitinho, e estou saciado, pelo menos por enquanto. Precisamos conversar sobre se você vai amamenta-los.

Ele veio para perto, fazendo voz doce, baixinha e infantil. Então, lentamente, colocou um pacotinho azul em meus braços.

— Ele é lindo. Edward...

Por mínimos segundos desviei os olhos dele, só para ver Edward emocionado e com os olhos marejados também.

— Perfeitos e lindos, como a mãe deles.

— Ah, Cullen! Não seja modesto e bajulador. Espere eles abrirem esses olhinhos e você verá com quem eles se parecem. Tio, perdemos essa bonito.

Meu pai sorriu. Eu não vi, estava deslumbrada demais com meu filho. Mas escutei uma risada meio misturada com choro.

Charlie Swan estava emocionado?

— Oi filho... Seja bem- vindo.

Edward segurou a mãozinha dele e levou aos lábios, no mesmo instante que o levantei e beijei sua testa.

Olhos nos olhos. A nossa cumplicidade e entendimento que não carecia palavras.

— Pai...

Charlie veio para mais perto. E parou ao lado da cama. Seus olhos vidrados em meu pacotinho azul.

— Oh, amor. Diz “oi” para o vovô. Diz para o ele que você é o Andrew Charlie Swan Cullen. O neto tão sonhado, o primogênito do vovô Charlie.

— Ele... Ele... Vocês...

Papai não tinha palavras. Eu nunca tinha presenciado o rei de Forkian, Charlie Swan, num momento como aquele.

— Amor, você pode...

Edward não precisou de mais palavras minhas, pegou o bebê no colo e, também como olhos lacrimejantes, o levou até meu pai.

Instantaneamente, como imas, mamãe se aproximou e chegou a abrir os braços, como se para amparar Andrew, caso papai estivesse dominado pela emoção, e era óbvio que ele estava, mas nunca que meu pai deixaria o neto cair.

— Pegue-o, sogro. Ele é seu neto, Charlie. Tem seu nome. É nosso presente. Meu presente em gratidão por ter me dado seu maior tesouro.

Edward olhou para mim com devoção.

— Mãe, eu não sou um amaldiçoado. Tenho dois netos. Um leva meu nome. Sou avô de dois meninos, mãe.

Vovó Marie, que soluçava emocionada, como todos naquele quarto, se aproximou.

— Claro que não é, filho. Você é abençoado. Ser avô é duas vezes melhor que ser pai, você vai ver.

Edward, mais uma vez, fez menção de lher entregar Andrew. Papai, inusitadamente, negou.

— Mas, filho. Edward, vocês ainda nem o pegaram direito e...

— Ah, tio Charlie, não seja modesto. As coisas aqui terão que ser bem dívidas a partir de agora. Esse rapazinho aí já conheceu a mamãe e o papai, agora é a vez desse aqui.

Edward depositou, delicadamente, Andrew nos braços de papai e voltou a se sentar a meu lado, pronto para presenciar meu primeiro encontro com nosso segundo filho.

— Esse garotão aqui, mamãe, nasceu com 39 cm e pesando 2,05 kg. Dei um pouquinho de trabalho ao titio Jacob, porque me recusei a chorar, mamãe. Eu estava sendo forte por você, mas aí vi que papai ficava te “mimando” fiquei com ciuminho e abri o “berreiro”. Também já tomei leite, tomei banho e estou cheiroso.

Procurei preocupação nos olhos de Jake quando ele disse que meu filho não havia chorado, mas graças a Deus não havia nada lá, só serenidade e felicidade.

— Está tudo bem, Bella. Fiz todos os exames. Ele está saudável, não se preocupe.

Sorri em agradecimento a ele, e então peguei em meus braços meu segundo tesouro.

— Oi filho, mamãe te ama. Pode chorar agora, o quanto quiser. Não precisa ser forte. Nós estamos seguros.

O apertei junto ao peito, deixando que a emoção me dominasse.

Seu cheirinho de bebê, acalentava minhas dores e expandiam meu ser de um jeito inimaginável e inexplicável.

Como era possível amar tanto assim?

— Esse é quem, Bells?

Olhei para Rosie e para todos a nossa volta.

Carlisle parecia perdido e triste em estar ali. Senti um pouco de pena, mas não o bastante para mudar de ideia, ele tinha feito por merecer.

— Venha, meu amor, quero que você conheça alguém...

Suavemente, o afastei um pouquinho e o deslizei para os braços de Edward.

— Oi papai, eu sou Liam Edward Swan Cullen.

Edward parou por uns segundos e me encarou esperando que eu corrigisse meu erro.

Não o fiz!

— Como assim? Nós não tínhamos combinado de que...

Tínhamos.

Tínhamos combinado que ele também receberia o nome de meu pai: Liam Charlie Swan Cullen.

Porém, lá no cativeiro, fiquei pensando que os meninos podem ser nossos únicos filhos e que o pai deles também merecia ser homenageado.

— Os meninos e eu tivemos um tempinho a sós, quando eles ainda estavam dentro de mim, e quando eu disse a Liam como ele se chamaria, ele ficou feliz, mas comentou, assim como quem não quer nada, e com o idioma que somente mamãe entende, que queria ter no nome do papai. Então...

Dei de ombros, como se aquela história não fosse a mais absurda e fajuta do mundo.

— Eu te amo, Isabella Cullen.

— Também te amo, papai Cullen.

Sorrimos um para o outro. Apaixonados e cúmplices.

— Mãe, vovó, venham aqui...

Esme e dona Elizabeth vieram para perto de nós também. Edward colocou Liam nos braços da mãe.

— É meu bisneto, Esme. O bisneto lindo, da bis vovó.

Enquanto Liam era paparicado de um lado, Andrew já estava com vovó Marie, rodeado por mamãe Alice, Rosie e, obviamente, papai.

Emm, e agora Jasper, como seus celulares, não perdiam um só detalhe. Um focado em Liam o outro em Andrew.

— Posso?

Esme olhou para Carlisle e para nós ansiosamente, numa conversa muda.

Edward não respondeu, só buscou meu olhar. Eu daria a resposta e ele concordaria.

— Pode.

Esme levou meu filho até o avô. Foi difícil ver Carlisle o olhar com carinho e beijar a testinha dele.

Eu queria pegar os dois e fugir para algum lugar onde nada de ruim desse mundo os alcançasse.

Contudo, isso não seria o suficiente para protegê-los, por isso escolho, me unir a meu marido para ensiná-los valores para que eles sejam o bom futuro de nosso povo.

— Mas, mas, o que é isso aqui? Festa? Todos para fora. Essa mãe precisa descansar.

Contudo, não seria naquele dia que salvaríamos o mundo.

Porque naquele momento Ângela Weber era a toda poderosa de nossas vidas.

Notas finais
Capítulo dedicado a Ana_raposo, que assim como eu, fez Níver ontem. Parabéns para nós, Ana! Veiga, seja bem-vinda e obrigada por comentar em quase todos os capítulo. Prometo que, aos poucos, vou responder todos. Quero comentários, ok? Precisa saber o que acharam.