Três Príncipes, Três Princesas
60 O aniversário
Notas iniciais
Edward
— Está tensa?
Apertei, o quanto pude, a cintura de Bella junto a mim. Esperava que esse gesto a relaxasse, a acalmasse. Se bem que...
— Não estou tensa. Somente um pouco ansiosa. Esses eventos não me assustam mais. Não quando tenho você comigo.
Foi impossível não me embebedar com o sorriso delicado e cheio de promessas que ela me proporcionou.
O que, diga-se de passagem, também foi um deleite para os fotógrafos que nos cercavam, nos impedindo assim de entrarmos rapidamente no salão de festas do Palácio Celeste, onde seria servido um almoço, com todos os conselheiros e secretários do reino, em homenagem ao aniversário de minha pequena e admirável esposa.
— Então nunca mais tensão amor. Porque sempre estarei contigo. Isso é uma promessa.
O sorriso de princesa reluzia tanto quanto o conjunto, exagerado, de diamantes que o pai mandara para ela, por meio de Renée, e que agora descansava em seu pescoço e orelhas.
Gesto esse que seria comentado, como nunca, pela imprensa amanhã.
Bella se recusara, terminantemente, a receber algum presente. Quando as acessórias dos conselheiros e os amigos mais próximos começaram a especular nosso serviço de imprensa quanto ao que presentear minha esposa, Bella fora categórica em recusar qualquer coisa que fosse. Preferiu que os presentes fossem revestidos em valores e estes repassados para uma conta corrente especial em nome de uma, entre tantas, as entidades que mamãe apoia.
Um gesto maravilhoso e completamente ignorado por meu sogro.
Então, se ele podia eu também podia. Se bem que meu presente...
Mas, enfim...
Graças ao bom Deus, Charlie não estava aqui. Com o adiantamento da gravidez de Rósalie, Emmett andava meio paranoico e com isso mais preso em casa. O que o impedia de viajar para longe em visitas oficiais. O que voltara a ser missão de “meu querido sogro”.
Juro que pediria a meu irmão que engravidasse a esposa mais vezes, porque, pelo amor de qualquer coisa, ultimamente Charlie andava mais chato que de costume.
E que Bella nunca me escute dizer isso. Amém!
— Entrem. Vocês já deram o show que eles queriam. Já está bom. Não podemos deixar que se exponham tanto.
Sam tocou-nos de leve, instruindo-nos a seguir em frente.
Ele, Stephan, Dimitre e Zafrina eram nossas sombras hoje, o que não era novidade. Porém, quando confessei a eles do quanto andava inquieto e com um pressentimento ruim, eles intensificaram sua vigia e agora nada lhes passava despercebido.
Pois, da última vez que me sentira assim um avião explodira no aeroporto de Ângelus.
— Sam, você se preocupa demais. Relaxe.
— É meu dever princesa.
Segurei o impulso de retirar a mão dele das costas dela. Quem poderia condená-lo?
Enquanto se mantivesse em silêncio, eu também me manteria.
Só me pergunto se Bella nunca se deu conta desse fato ou se fingia, simplesmente para não colocar a convivência deles numa situação constrangedora.
Dúvidas, dúvidas...
— Vamos, amor. Todos estão nos esperando.
A puxei para a esquerda e voltei a guia-la pelo caminho. Afugentando assim esses pensamentos. Bella não merecia que os deixasse me dominar.
Não! Minha princesa não merecia. Ela andava se superando tamanha força e autocontrole. O almoço que tivemos com vovó Elizabeth fora exemplo claro disso.
Bella não me desapontou, pelo contrário, se portou com força e coragem. O que fez um brilho estranho aparecer nos olhos da rainha.
Eu ainda tentava decifrá-lo ao relembrar o ponto alto do nosso encontro.
— Você foi fantástica, querida. Um pouco imprudente, é bem verdade, mas fantástica. Aquele acidente merecia ser atendido por alguém como você.
— Não fiz nada demais, minha rainha. Só exerci o que prometi. Fui presente onde precisavam de mim. Quanto à imprudência, Sam e Zafrina estavam comigo o tempo inteiro. Não corri riscos.
Vovó somente concordou e sorriu. E como poderia não ser assim quando Bella falava com tanto simplicidade de um ato considerado heroico por toda imprensa nacional e internacional?
E não parou por aí, quando Tânia tentou irritar Bella, ela não deu oportunidade. Se saiu bem e sem perder a compostura.
— Edward não quis vir sem você. Ele está se saindo um marido muito grudento, não acha, Isabella? Isso não é legal para um relacionamento. Parece-me meio doentio. Ou seria falta de confiança em seus sentimentos mesmo?
— Nem uma coisa nem outra, Tânia. Ele fez exatamente o que eu faria. Casamento é isso, um pensando no outro, como um todo. Você não será capaz de entender enquanto não encontrar seu companheiro de alma. Quem sabe um dia, não é?
Tânia só pode bufar irritada, e não ousou falar mais nada depois que vovó a olhou com uma intensidade significativa.
Era maravilhoso ver como Elizabeth a mantinha sobre controle. Parecia um poodle controlado e adestrado.
— Você não está aqui. O que se passa, Edward?
Segurando a risada que quis sair, ao me lembrar do poodle, voltei toda minha atenção para Bella e seu momento.
— Estou bem aqui, amor. Só estou pensando se vai gostar do meu presente.
A “faneca” dela me divertia e me descontrolava ao mesmo tempo. Ela conseguiria o que quisesse de mim com aquele gesto. Eu só pedia a Deus que nossos filhos não herdassem aquilo. Ou eu estaria em “maus lençóis”.
— Eu não quero mais presentes. Você já me deu a nossa casa. O que mais uma mulher poderia querer?
Rá! Se ela imaginasse que o presente era mais para mim do que para ela, aposto que não pensaria assim.
— A casa já é passado. Hoje é seu aniversário, posso te mimar o quanto quiser. Isso é lei, senhora Cullen. Agora esqueça tudo e vamos logo curtir esse almoço que “promete”.
Respondi cínico ao olhar para o salão tomado de pessoas, que em sua maioria, não conhecíamos.
Eu nem sabia o porquê de estarmos ali. Mas, Carlisle e Esme insistiram dizendo que era de praxe comemorar os aniversários dos herdeiros com os conselheiros.
Não me convenceram com essa balela, mas, pelo menos consegui dissuadi-los da ideia inicial do jantar.
A noite seria somente minha e de minha princesa, eu tinha tudo planejado.
E, ao mesmo tempo em que me sentia ansioso também me sentia pesaroso, porque teria um momento mágico com Bella, porém ao raiar do dia a perderia para Forkian, pois amanhã, bem cedo, minha esposa partiria para acompanhar os dias finais da gravidez da irmã.
Alice
— Feche a boca, baby. Seu irmão vai perceber sua baba escorrendo pela minha irmã. E como sabemos, está faltando pouquinho para ele perder a paciência com você.
Com prazer, vi Jasper fechar a expressão em uma carranca de desgosto e raiva.
— Nem estava olhando para ela. Mulherzinha mais irritante e petulante essa sua irmã.
É óbvio que ele estava, não tinha como negar.
Bella estava linda, como sempre.
Num vestido curto, creme sem mangas, justo até a cintura e com três saias em degrade sobrepostas e com bordados florais delicados no busto. Um primor de “Alice Swan- Cullen”, desenhado exclusivamente para esse dia e para ela.
Meu presente.
— Sei...
— Ora! Cale-se, Alice. Ou você deseja começar outra discussão aqui?
Cochichou torcendo o guardanapo nas mãos.
— E envergonhar minha família por culpa de sua loucura? Nunca! Fique aí. Vou me sentar perto de vovó. Seu cheiro está me causando náuseas.
Deixando-o mais embasbacado ainda, cheirando a lapela e as mangas do paletó, me levantei e sentei ao lado de vovó Marie e John.
Eles sim eram companhias agradáveis.
— Alice...
Ignorei Jasper e como vinha fazendo com frequência, saí de perto.
Jasper andava mais insano que o normal. Há duas semanas atrás ele fizera um escândalo astronômico no hospital e seus pais e Edward ainda estavam se segurando para não “enforca-lo em praça pública”.
Tudo começou quando fomos fazer uma Ultra e Bella e Esme nos acompanharam.
O doutro Riley se sentiu incomodado e pressionado pela presença de minha irmã, porém manteve o profissionalismo.
O problema mesmo foi quando Bella disse que nosso bebê estava numa posição impossível de se identificar o sexo.
Jasper pirou. Disse que ela estava interferindo. E quando Riley comentou que ela estava certa, foi um pandemônio.
Meu marido surtou. Gritou “a quatro ventos” que Bella não queria dizer que era um menino e ainda insinuou que ela estava intimidando o trabalho do doutor Riley.
Foi uma loucura. Bella e mamãe ficaram constrangidas e se retiraram imediatamente. O que fez com que papai e Edward se derramassem em gritos e “sacolejos” a meu marido.
Uma porcaria de dia que tinha tudo para ser mágico, mas que agora eu só queria esquecer.
— Está tudo bem, querida? Quer que John ensine boas maneiras a esse “energúmeno” que você insiste em chamar de marido?
Passei meus braços em volta do pescoço de minha avó e lhe abracei com força. Era maravilhoso se sentir em casa, sem brigas, sem discussões, sem acusações.
Onde eu estava com a cabeça quando me deixei levar por sentimentos mesquinhos? Eu tinha tudo o que precisava bem ao alcance de minhas mãos.
— Não, vovó. Apesar de tentador, hoje não. Não vamos estragar o dia da Bella. Veja como ela está feliz.
A mão de John veio para meu cabelo enquanto vovó Marie observava Edward e Bella cumprimentando a todos os convidados.
Minha irmã, levemente corada, resplandecia de tanta felicidade.
— E você, minha querida, está feliz? Porque, isso é o mínimo que esperamos que aconteça com nossas crianças.
Segurei as lágrimas que se acumularam nos cantos dos olhos. Um bolo se formando no estômago e ameaçando desabar a qualquer minuto.
Eu estava tão cansada!
— Eu vou ficar, John. Não se preocupe. Amanhã Bella e eu iremos para casa. E então será pelo menos um mês e meio de volta aos velhos tempos e isso é tudo de que preciso agora.
— Assim que Lizzie nascer, pense na ideia de passar uns dias conosco, Alice. Você está abatida e exausta. Isso não é bom para o bebê, meu amor. E não pense naquele idiota do seu marido, cercamos cada canto daquela fazenda o impedindo de entrar e se isso não bastar soltamos Maia no encalço dele. Mas, perto de você ele não chega enquanto você não quiser.
Continuei nos braços dela. A ideia era tão boa...
Porém, se eu fizesse isso, Jasper culparia minha irmã e faria da vida dela um inferno.
E isso eu não poderia aceitar mais.
Contudo, vovó não precisava saber desses detalhes.
— Vou pensar, vovó. Prometo. Agora deixemos de melancolia. Hoje é aniversário de Bella e temos mais é que comemorar.
Me soltei deles e coloquei meu melhor sorriso no rosto. Pude notar que Esme e Jasper mantinham sua atenção em nós, mas, não me importei. Eu estava “em casa” e ali ninguém seria capaz de me alcançar e machucar.
Isso era plenitude.
Dona Marie
— Vovó!
Rapidamente e indisfarçadamente Bella virou às costas para um conselheiro gordo e puxa saco que teimava em dizer para ela o quanto havia aumentado à fortuna dos Cullens, em apenas um ano. Como se minha neta se importasse com isso. Como se ela precisasse disso.
— Oi, gracinha da vovó. Tem um tempinho para a “plebe agora”?
A salvei, mas como não posso perder o costume, dei uma alfinetadinha.
E como bela filha de meu filho, torceu o nariz e revirou os olhos em uma “faneca” perfeita.
Eu pedia a Deus para que os filhos dela herdassem aquele gesto, era uma lindeza.
— Ano que vem vamos comemorar na casa da senhora. Somente você, John, Edward e eu. Não sei para quê tudo isso. A futura rainha é Alice. Ela que se vire com essa badalação toda.
Levantei as sobrancelhas e encarei Esme e como a covarde que era, ela desviou a atenção de nós.
Malditos reis e seus segredos de merda.
Isso ainda os levaria a ruína.
— Vou cobrar a promessa, filha.
Fechei meus braços em volta dela e matei a saudade que tanto me atormentava nos últimos meses.
— Tudo bem, vovó?
Os olhos dela demonstravam tanto amor que chegou a me sufocar. Eu entendia Charlie e seus medos, se um dia Bella não nos olhasse daquele jeito seria nossa perdição.
— Melhor agora. Você está fantástica hoje. Senti sua falta. Você sumiu de nossa casa. Se o culpado é esse seu marido que não te deixa viajar, é só me contar que corto as orelhas dele.
Brinquei para desanuviar para onde os pensamentos iam.
— Se atreva, sua velha. Ninguém encosta, no meu neto. E agora largue a garota porque tem pessoas muito mais importantes aqui esperando para parabenizá-la.
— Mesmo? Quem?
Perguntei brincando e olhando em todas as direções.
Provocar minha melhor amiga Elizabeth, sempre seria meu melhor passatempo nesses eventos tediosos. E algo me dizia que era o dela também.
— Além de surda é cega agora? Eu, ora essa!
— Além de cega está senil? Ah minha amiga! Preciso te levar num geriatra urgentemente. Me sugere algum, minha neta?
Bella e Edward seguravam uma risada.
— Vocês duas estão chamando atenção demais. Porque não se aquietam? O aniversário de Isabella é importante para os negócios, não é uma atração ou encontro de famílias.
Elizabeth e eu olhamos, ao mesmo tempo, para um Carlisle lívido de tão vermelho.
Ah se ele fosse meu filho!!!
— Você disse alguma coisa, querido? O “zum, zum, zum” dos abutres que você convidou está atrapalhando a conversa de nossas famílias. Aliás, acho que você quer mesmo me dizer alguma coisa. Venha, me acompanhe até alguma daquelas salas em você finge que usa para governar. Também tenho algumas coisinhas para falar com você.
Com prazer vi minha amiga se enganchar no braço do filho e o arrastar para algum lugar.
Porém, ainda não havia acabado...
— Sabe Esme, acho que você anda utilizando pouco o “acessório para maridos mal- educados” em seu closet. Precisamos resolver isso. Agende um almoço para mim durante essa semana. Precisamos discutir a respeito.
— Como queira, minha rainha.
— E você, Marie, aproveite a aniversariante porque quando eu voltar... E não deixe que esse almoço se torne enfadonho para ela. Que a diversão comece cedo nesse dia.
Carlisle estava rígido em posição de defesa. E se eu conhecia bem minha amiga, e eu definitivamente conhecia, ele levaria uma bela bronca agora. Gostaria de ser uma formiguinha só pra ouvir o rei gemer e lamuriar feito um bebê.
— Vá educar seu filho e deixe que eu cuide das coisas aqui. Só não demore porque o bolo é pequeno e esses esfomeados dos convidados de vocês vão traçá-lo em um minuto.
— Marie!
— O quê, John? Não me chame à atenção. É verdade, homem. Olhe para eles.
Olhamos para todas as direções. Pessoas estranhas se empanturravam de comer e beber. Ninguém estava ali pela importância da data. Estavam ali por causa da comida e bebida de graça e pela curiosidade e importância do evento.
Os que queriam, de verdade, o bem de minha neta, se resumiam a nossa mesa.
Puxas- sacos de uma figa.
— Quanto a você, meu amor. Sente-se aqui, perto de Alice, quero que me contem com anda, de verdade, a vida de vocês.
Levantei o olhar para Edward, que até o momento somente sorria e se mantinha, firme, com a mão envolta de minha neta.
Creio que era um bom sinal.
O garoto resplandecia felicidade igualmente a Bella. O que era um alívio. Sinal claro de que pelo menos dois casais, dessa ideia idiota de casamento arranjado, seriam felizes.
— Ah, vovó! Como eu estava com saudades.
— Eu também, meu amor. Eu também...
Bella
A tarde passou voando. Entre almoço, fotos e muita risada, graças às rainhas dos reinos.
E quando dei por mim já era crepúsculo e já estávamos nos despedindo, porque pelo que parece, Edward ainda tinha planos.
— Acho um absurdo me hospedar na sua casa nova sem você lá. Esse seu marido não está fazendo as coisas do jeito certo e você o está acobertando.
— Vovó, por favor...
— Ah querida, não se preocupe com essas lamúrias de sua avó. Vá para onde quer que seja que Edward tenha planejado. Amanhã vocês estarão de volta e depois, em Forkian, matarão todas as saudades. Agora deixe que meu neto acumule um pouquinho de você nele, para que não surte nos próximos dias.
Elizabeth estava certa. Apesar de meu coração doer por não recepcionar vovó e John em casa, Edward e eu passaríamos uns dias longe. Então precisávamos nos preparar psicologicamente primeiro.
— Odeio quando essa velha está certa. Perdoe-me por colocar dúvidas em sua cabeça, meu amor. Vá, descanse e aproveite. Amanhã você será só dos Swans e então aproveitaremos demais.
— Obrigada por entender, vovó. Bá já está com tudo pronto para vocês. Descansem.
A abracei e beijei seu rosto. Edward estava a uma distância segura cochichando com Sam e Stephan.
— Amanhã...
Sorri para todos e apertei os dedos de Alice. Ela andava tão chateada e triste que eu tinha medo de que algo mais sério acontecesse.
Jasper estava mais louco que o normal.
— Pronta?
— Sim. Sam e Zafrina não vão conosco?
Meu segurança estava do outro lado sendo acalmado por uma Zafrina também nada contente.
— Não. Stephan e Dimitre nos acompanharão. É bem perto, seguro e já tenho tudo ajeitado. Quero um pouco de privacidade.
Sam não estava feliz com esse estratagema, isso era óbvio. Mas, de todas as maneias, estaríamos seguros. Então...
— Ok. Vamos passar em casa? Se vamos dormir fora preciso de uma pequena mala.
— Não se preocupe com nada, Bella. Bá já deixou organizou. Tenho duas mudas de roupa no porta malas. Só relaxe.
Edward estava misterioso ao extremo. Com uma cara sapeca de quem andava aprontando. Porém, não especulei, nem me importei. Meu marido andava se comportando lindamente e merecia qualquer coisa que quisesse de mim.
Então eu ficaria quieta.
— Tire para mim, por favor?
Pedi assim que nos sentamos no banco detrás da Suv. O colar estava machucando e eu não aguentava mais.
— Te machucou. Odeio isso. Odeio que te deixem marcas.
Ele passou a peça para o banco da frente e entregou a Stephan que prontamente a colocou no bolso.
Os dedos fortes, imediatamente, traçaram círculos nos músculos tensos e sobre o hematoma.
— Foi o atrito. Nada demais.
— Foi o peso e a extravagância, isso sim.
— Atrito, peso. Retirando as joias. Sugiro que esperem até chagarmos ao túnel para que Bella retire o vestido porque a película desse carro não é tão escura.
— Volte. Quero Sam. Quem te disse que poderia dar folga a eles?
Foi impossível ficarmos calados. Todos gargalharam para o diálogo que Stephan e eu travávamos.
— Não precisa se preocupar, princesa. Nosso trajeto é curto. Prometo que o infortúnio será bem pouco.
— Infelizmente Dimitre está certo. Não dá tempo de fazerem nada, nem uma rapidinha, portanto, se mantenham vestidos.
— Ignore Stephan, amor. Eu o ignoro, na maior parte do tempo.
— Rá!...
Creio que ele tenha falado mais alguma coisa, mas, Edward puxara meu rosto para o seu e me distraíra com beijos suaves e olhares intensos.
Olhares quentes e apaixonados.
— Para onde vamos?
— Pergunta errada, princesa. Estou tentando te distrair. Faça sua parte, por favor.
— Não está funcionando totalmente.
— Então terei que ser mais criativo e você mais solícita. Concorda?
— Plenamente.
Acompanhado dos beijos vieram os toques, as carícias. Todas cadenciadas e em lugares aceitáveis, pescoço, orelhas, braços, ombros, rosto. Mas, a pressão que ele usava nos dedos prometiam coisas demais.
— Lamento interromper casal. Chegamos.
Suspirei e então me soltei de Edward. Não me surpreendi, estávamos no heliporto e a aeronave de sua família a mais ou menos uns dez metros de distância, já totalmente ligada e com as portas abertas a nossa espera.
— Peguem as bagagens, por favor.
Edward me ajudou a descer do carro e quando firmei os pés no chão ele já me segurou firme pela cintura.
— Abaixe-se.
Nos abaixamos, segurei o vestido junto ao corpo e demos uma pequena corrida até o helicóptero.
— Altezas, boa noite. Já estamos autorizados a decolar. Assim que o senhor desejar poderemos alçar voo.
— Ok, comandante. Estamos prontos.
Afivelamos o cinto e logo que Stephan acomodou a mala nas últimas poltronas, demos início aos procedimentos de decolagem.
Eu odiava a parte de pousar e decolar. Meu estômago nunca deixava de revirar nessas ocasiões.
— Está tudo bem. Estou aqui. Só relaxe e logo estaremos voando.
Acho que a intenção dele era me distrair, mais uma vez, pois nunca que eu prestaria atenção em outra coisa quando a boca dele estava tão perto do meu ouvido, causando arrepios intensos em todo meu corpo.
— Você está sensível demais hoje, senhora Cullen. Isso é muito, mas muito bom mesmo.
Gemi baixinho quando uma mordidinha carinhosa encontrou o lóbulo de minha orelha.
— Casal, casal... ainda estamos aqui. Se queriam privacidade devíamos ter vindo de avião. Aquele quarto faz parte das minhas maiores fantasias. Imagino Bree e eu fazendo...
— Ai, Stephan. Não! Não preciso ficar me lembrando dessa conversa toda vez que olhar minha secretária a partir de hoje. Ainda dá tempo de descermos no palácio? Você não entende, Edward. Sam e Zafrina mal me dirigem a palavra durante o dia. Quero-os de volta.
— Melhor que seja assim mesmo.
— Quê?
— Nada, princesa. Stephan, quer parar? É aniversário dela. Fique quieto e mantenha suas piadinhas só para você.
— Ok, chefe.
Ele se endireitou e voltou sua atenção para frente. Eu poderia contar os segundos até que voltasse a nos atormentar.
— Vem. Deite-se aqui. Temos duas horas de voo e quero que descanse, porque depois...
Voltando ao modo “marido perfeito”, Edward desafivelou os cintos e me puxou para o conforto de seus braços.
— Você é linda, princesa. Eu já disse isso hoje?
Ele traçava o contorno de meu rosto, se demorando mais, no nariz, nas sobrancelhas e na boca.
Edward andava tão romântico, tão intenso.
— Só hoje de manhã, umas cinquenta vezes, creio eu.
— Mesmo? Só isso?
Sorri boba e confirmei.
— Preciso concertar esse erro. Feche os olhos e relaxe enquanto te digo o quanto te acho linda, cheirosa, maravilhosa, delicada, minha princesa, minha rainha doce...
A voz dele se tornava cada instante mais baixa, me levando diretamente para onde ele queria.
O que me remetia para nosso início de dia, quando ele me acordara, bem cedo, e de uma maneira indecentemente carinhosa, provocante e prazerosa.
Lembranças on
— Hum!
Deus do céu o que era aquilo? Eu tentava desanuviar a neblina de sono que me envolvia.
Eu sentia que já amanhecera. Estava claro e quente. Aliás, quente era um eufemismo para explicar o que aquele quarto estava.
Parecia era que o mundo estava pegando fogo mesmo.
— Delícia! Gostosa demais você, meu amor. Venha para cá, vai. Pare de gemer tão gostoso e traga sua consciência para mim. Quero que saiba quem está fazendo isso com você.
Ah, mas eu sabia! Claro que eu sabia. Quem era a única pessoa que me levava aos céus toda vez que me tocava?
— Hum. Delícia. Minha delícia.
A boca dele estava em minha barriga. Lambidas provocantes, gemidos baixos e chupadas leves me alertavam para onde ele estava se encaminhando.
Para o ponto culminante do fogo.
— Por Deus, Edward. Você vai me matar.
— Ah isso, princesa. Abra esses olhos para mim. Preciso ver neles o que demonstro nos meus.
Amor, desejo, vontade, saudade? Como, se fizemos amor uma boa parte da noite?
— Se entregue as sensações. Sinta o que faço e o que quero de você.
Depois disso ele não voltou a falar, a boca e os dedos ocupados demais em me tocar, morder, chupar.
Eu estava tão inebriada que só conseguia, observa-lo, gemer e segurar sua cabeça no lugar, incentivando-o a me dar o que eu tanto necessitava.
— Amor, eu, eu...
Forcei os quadris para cima e sentindo que eu estava mais próximo, um dedo foi acrescido aos demais. A boca, frenética, se tornou mais árdua em torno do clitóris inchado.
— Deixe vir, princesa. Deixe vir para mim.
E então eu fui arrebatada. Com força e muita intensidade.
— Ah delícia! Que delícia, meu amor!
— Edward, por favor. Venha até aqui.
Sussurrei quando os espasmos diminuíram por um instante. A sensação de desejo, porém, ainda estava presente. Eu queria mais.
E pressentindo isso, ele arrastou o corpo pelo meu, beijando cada parte que alcançava e logo estava frente a frente comigo.
— Oi. Bom dia. Parabéns, princesa. Mudou de ideia quanto ao presente? Ainda posso providenciar o que tinha em mente para você.
Aquele seria um belo de um presente. É seria, se Edward não me acordasse quase todas as manhãs assim. Ele descobrira, a duras penas, que eu não era uma pessoa matinal, então arranjara um meio de tornar a árdua função de me acordar em algo prazeroso e lucrativo para ambas as partes.
— Hum! Muito bom dia. Já tenho você, não preciso de mais nada.
Mudei o foco da conversa.
—Hum! Parece que tem alguém com muita fome essa manhã.
Levantei os braços e segurei em sua nuca, aproximando perigosamente nossas bocas, enquanto remexia os quadris em busca de algo que queríamos.
— Muita fome. Muita mesmo.
E ao mesmo tempo em que me penetrava, a boca veio para a minha.
Mau hálito matinal? Não, não éramos dessas frescuras. Ainda mais depois de ter me saboreado inteira.
— Linda demais. Você resplandece, Bella. Te amo demais, amor.
— Resplandeço porque estou em seus braços. Te amo, Edward.
E com juras de amor, regadas a sexo tranquilo e cheio de desejo e sentimentos, passamos a manhã, trancafiados no quarto.
Era nossa maneira de nos presentear. Era nossa maneira de dizer que sentiríamos demais a falta um do outro, era a nossa maneira mais atraente de dizer que nos amávamos.
Lembranças off
— Delícia, sabe que se esse sorriso não for para mim ou por mim, vou ficar muito bravo, não sabe?
Hã? Deus! Não é que eu havia dormido mesmo.
— Eu dormi?
— Como um anjo. Acho que o dia foi meio exaustivo. Espero que tenha descansado, porque tenho planos para nossa noite...
Sai dos braços dele e ajeitei a postura olhando, pela janela, para onde ele apontava.
— Patrão, coloquem os cintos. Vamos pousar.
— Um haras? Estamos num haras?
Perguntei meio insone, enquanto ele tomava o cinto de minhas mãos e o fechava no lugar certo.
— Hum, não é bem um haras. É mais como um hotel fazenda, mas com pista de equitação e tudo. Eu o fechei para nós e vamos descer bem ali.
Apontou para o centro da pista.
— É lindo, Edward. Vou poder cavalgar e saltar?
— Rá, você vai e se vai...
Stephan gargalhou na poltrona da frente e somente então notei como Edward havia dado um toque de malícia à resposta.
Olhei para ele numa pergunta muda, ele só se dignou a dar de ombros.
— Não me olha assim. Só respondi sua pergunta. Os mentes sujas aqui são Stephan e você.
— Tá bom. Eu sei.
O clima de sedução se instalou em nosso meio e quando o helicóptero pousou e descemos, foi que pude observar o quanto o lugar era bonito e grande.
— Nos despedimos aqui, senhor. Aproveitem a noite e qualquer coisa nos chame pelo rádio, estaremos nos lugar combinado.
Dimitre entregou a Edward o que parecia, um daqueles rádios comunicadores.
— Vamos logo, homem. Ele não nos chamará. Pode relaxar e aproveitar sua folga. Temos um hotel inteiro, e uma tela plana de sessenta polegadas a nossa espera. Esqueça esses dois.
Stephan passou o braço pelo pescoço do amigo e o arrastou para um prédio de uns cinco andares a uma distância segura de nós.
A aeronave que nos trouxe já se preparava para subir outra vez.
— Não se preocupe com eles. Estarão bem distantes de nós. Vamos ficar ali.
Mais abaixo uma infinidade de chalés se fazia visível.
— Creio que o hotel fosse mais confortável para você, Bella. Mas, pensei em nossa privacidade e em como estaríamos mais isolados aqui, perto da pista, do lago e da baia.
Íamos caminhando enquanto ele apontava para cada lugar. Aquele, sem dúvida se tornara um de meus lugares favoritos em Ângelus.
— É lindo aqui. Como descobriu esse lugar.
Nossos dedos estavam entrelaçados. Sua outra mão arrastava uma pequena mala de rodinhas.
— Meu pai nos trazia aqui para pescar quando vovó e vovô ainda eram os responsáveis pelo reino. Depois, vovô faleceu e aí as coisas se complicaram. Carlisle nunca mais teve tempo e tivemos que nos desapegar das coisa, que para ele, eram insignificantes.
Eu podia perceber a melancolia dele ao narrar como sentira falta desses momentos de intimidade com o pai.
— E você não absorveu bem a ideia de perder esses momentos.
— Não é que eu não tenha assimilado bem. Porém, eu era um moleque de doze anos, Bella. Emmett e Jasper tiveram que tomar lugar no posto deles de príncipes herdeiros. Então, eu fiquei sozinho me fechando em minha raiva de ter perdido meu avô, meu pai e meus irmãos, tudo de uma vez. Acho que foi daí que se iniciou minha amargura pelo casamento arranjado.
Eu o entendia. Aqueles fatos também aconteceram comigo a diferença é que ele tinha doze anos, enquanto eu, sempre estivera longe de meus pais e das futuras herdeiras dos tronos. Ah se não fosse Bá e vovó...
— Faremos diferente com nossos filhos. Você sabe disso, não sabe?
— Sei. Eles terão uma mãe maravilhosa que nunca me deixará agir como um pai idiota e mesquinho. Alie-se isso ao fato de que não seremos herdeiros de nada, acho que nos sairemos bem.
— Concordo.
Me aconcheguei em seu braço o restante do caminho até que paramos em frente ao maior dos chalés em volta.
Ele era todo de tijolinhos vermelhos e janelas em madeira, altas e marrons. Parecia saído, diretamente, de alguma história dos irmãos Grimm.
— Espero que goste.
Destrancou a porta e me deixou entrar. Me deslumbrando, imediatamente, com tamanho aconchego.
O lugar era pequeno, exato para duas pessoas, três no máximo.
Quatro cômodos somente. Uma pequena cozinha, uma sala com lareira, sofás e tapete felpudo e convidativo. Um banheiro com um chuveiro e uma banheira toda em madeira e por fim, um quarto quente, com um acanhado guarda- roupa no canto contrastando com uma enorme cama de casal, entalhada na madeira, bem ao centro.
— É...
— Minúsculo? Por isso, achei que preferiria o hotel, mas aí pensei em...
Coloquei o dedo em sua boca o impedido de continuar a falar.
Os olhos dele me avaliavam de cima a baixo, procurando por cada reação minha. Eu não duvidava que ele me arrastaria para o “tal hotel” ao menor indício de decepção minha.
O que ele não encontraria ali.
Por Deus! Será que esse homem não me conheceria nunca.
— Eu ia dizer: aconchegante, lindo. Eu amei, amor. É o tipo de lugar que ganha meu coração de imediato. Você acertou em cheio.
Ele respirou fundo e percebi, a felicidade e o alívio retornarem a suas feições.
— Era o que eu esperava.
Ele se afastou e colocou a mala num canto, perto da cama. Então se virou, foi até o guarda- roupa e tirou de lá uma grande caixa preta com um laço em prata por cima, colocando-a em cima da cama, de frente para mim.
— Edward! Nós combinamos.
Arfei em desespero. Porque as pessoas teimavam em me dar presentes?
— Eu não combinei nada. Você combinou, eu só fingi que concordei. E além do mais, seu pai lhe deu um presente. Também tenho esse direito.
Apontou para meu pulso e pescoço, que apesar de livres do conjunto, ainda estavam marcados.
— Meu pai é um teimoso. E você já me deu presente. A nossa casa vale, por no mínimo, os meus próximos quarenta anos.
— Exagerada... Igual ao Charlie mesmo.
Ele veio para perto de mim, me abraçou por trás, jogou meu cabelo todo para o lado esquerdo do pescoço e então, passou a beijar, de boca aberta, bem embaixo de minha orelha. Num ponto que ele sabia, fazia milagres em minha libido.
— Porque você não faz assim: abra essa caixa, vista o que tem aí dentro para mim, e depois me encontre na sala. Enquanto isso, prometo que acenderei a lareira, abrirei um vinho, jogarei todas aquelas almofadas no chão e te esperarei bem esparramado naquele tapete felpudo. Concorda?
Tenho uma ligeira impressão que murmurei em acordo. Minha mente estava focada demais na mão que levantava meu vestido, por trás, e me tocava em lugares muito insinuantes e inusitados.
— E então, só então, discutiremos com mais afinco para quem, de verdade, é esse presente. Tudo bem? Responda-me, Bella. Não ouvi sua voz?
E quem conseguiria falar quando ele me tocava bem ali no...
— Responda-me, amor!
Exigiu, colocando mais pressão no dedo médio e indicador.
Putz! Minha calcinha estava perdida.
— Tudo bem. Você tem um bom plano.
Gemi baixo, empinando mais o corpo de encontro a sua mão e ereção.
— Então tá. Agora eu já vou, princesa. Firme o corpo. Vou te deixar por sua conta, Bella...
Antes que eu pudesse assimilar o que ele estava fazendo, o bastardo, se afastou.
— Edward! Isso não se faz! Você me enganou e me distraiu. Volte aqui e termine o que começou.
Ele gargalhou de algum ponto do chalé.
— Estou acendendo a lareira. Já se vestiu, princesa?
Forçando a mente a focar em caminhar, arrastei-me até a cama e me sentei de frente para a tal caixa.
— Príncipe maldito. Ah! Mas deixa você. Seu aniversário está próximo também. “vingança é um prato que se come frio”, babaca.
— Estou escutando seus resmungos daqui, princesa. E já estou duro só de imaginar essa sua carinha enfezada num biquinho delicioso de morder. Se apresse, Delícia. Ou começarei a festa sem você. E isso, definitivamente, não é legal.
— Ah!!
Gemi esfregando ansiosamente as pernas.
— Você me paga, Cullen!
Odiei cada passo de desembrulhar o que estava ali dentro. Eu lá precisava de mais alguma peça de vestiário? Se ele queria que eu vestisse algo mais apropriado era só ter me colocado a par dos planos, em casa, que eu faria minha parte...
— Ah droga!
Resmunguei ao levantar a tampa e tirar para o lado o papel de seda que encobria o presente.
— Ah! Edward!
Agora em eu entendia a escolha do lugar e a risada de Stephan quando eu disse algo sobre saltar e cavalgar.
O idiota, fizera uma analogia barata, porque meu lindo e pervertido marido acabara de me presentear com: Um traje, preto, novíssimo e completo de equitação, com chicote, botas, polainas, casaca, culote e tudo mais a que eu teria direito.
E o mais quente de tudo isso? Ele esperava, ansiosamente, que eu o vestisse para ele.
— Pervertido de um uma figa!
Murmurei já procurando pelo zíper do vestido.
Ah Deus! Esse aniversário prometia demais...
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