Três Príncipes, Três Princesas
82 O Plano
Notas iniciais
Edward
“Sem ouvir mais nada e sem querer ver mais nada. Tapei a caixa e a guardei no meu armário ao lado da escrivaninha".
— “Edward? Irmão? Aonde vai”?
“Peguei a arma que guardava no cofre dentro do armário, e passei por eles apressado”.
— “Buscar minha mulher, Jasper. Eles querem é a mim, não a ela. Bella não merece passar por isso. Vou eu mesmo busca-la“...
— Quê? Enlouqueceu?
Temendo meus atos, Emmett pulou ao meu lado e segurou-me pelos braços num aperto de ferro.
— Se eu enlouqueci? Claro, óbvio que enlouqueci. Olhe aquela caixa Emm, leia aquele bilhete. É minha mulher, meus filhos... Deus...
— Filho, por favor, eu imploro...
— Eu que imploro, mãe. Por favor... Não vou ficar aqui esperando a próxima encomenda. Leiam as ameaças. Eu... Eu...
E foi então que eu fraquejei... Minhas pernas tremeram e meu corpo pesou uma tonelada.
Deixei que as lágrimas rolassem soltas e cedi, sem forças, aos braços de Esme que correu em meu socorro.
Literalmente, desabei no ombro dela. Desabafei, em forma de choro, toda angústia engasgada dentro do peito e aprisionada em meu coração.
— Isso meu querido, chore. Pode chorar. Ninguém irá te julgar. Você está em família todos te entendemos.
— Um rei não chora, mãe.
— Chora sim, filho. Olhe para Charlie, olhe para Jacob, olhe para seu pai...
Meu sogro sustentava Renée, Rosie e Alice em um abraço conjunto. Seus olhos estavam rasos de água.
Jacob, distraidamente, deslizava o indicador por uma foto de Bella, do dia de nosso casamento, que ficava num lindo, porta- retrato, em cima de minha mesa. A expressão do amigo de minha mulher era sofrida e incrédula.
Carlisle, estava no meio da sala, com a mão estendida em minha direção, como se quisesse me confortar também.
— Respire, filho... Isso... Devagar... Se acalme... Você precisa estar são. Bella espera por você. Não se entregue agora.
— Mamãe está certa. Vamos pensar juntos, irmão. Não é hora de agir por impulso. Não podemos correr o risco de “trocar os pés, pelas mãos”.
— Não dá, Emm. Não consigo. Não há coerência em mim agora. Só quero ir até lá e trazer Bella para casa. Quero que esse pesadelo acabe. Não aguento mais.
Lamentei ainda soluçando nos braços de mamãe.
— Então deixe que eu faça isso, irmão. Deixe-me te ajudar. Sei que errei demais. Quero, preciso e posso redimir. Compreendo que não confie em mim, mas irmão, essa é minha especialidade. Permita que eu tome a frente da situação. As emoções estão nublando sua percepção. Deixe-me ajudá-lo, Edward?
— Jasper está certo, filho. Ele tem, sempre teve, habilidades estratégicas fora do comum. Sei que minha palavra não conta, mas, só para você saber, eu confiaria a vida de sua mãe a ele.
— Edward, Jas está mudado. Se ele diz que pode trazer Bella para casa, ele pode. Eu quero minha irmã aqui. Por favor...
— Edward, ele não agirá sozinho. Tudo terá que ser aprovado por você, por mim... Filho...
Tanto Alice quanto Charlie sabiam que só a palavra de Jasper e Carlisle não me convenceriam por isso intercederam.
Porém, Carlisle havia dito algo que me fez ponderar. Ele não teria me convencido a deixar Jasper ajudar se tivesse dito que confiaria a vida de qualquer um de nós, seus filhos. Contudo, se tinha uma coisa que nunca duvidaria na vida, era de seu amor por Esme.
Por isso...
— Tudo bem, Jasper. Você tem a minha autorização para tomar frente no plano de resgate. Mas, quero participar, quero saber de cada passo do que fará.
— Eu não tinha dúvidas disso, irmão. Amum...
O clima de tristeza imediatamente se dissipou, dando lugar a seriedade, pressa e euforia.
Eu e todos voltamos a nos aproximar da tela quando ele e Amum tocaram mais alguns comandos nela.
— Bella está aqui, nesse ponto. O que parece ser uma das galerias mais baixas e distantes de qualquer uma das duas entradas, identificadas por nossas imagens de satélite.
Jasper apontava para o mapa, na tela, a cada descrição do plano. Amum acenava afirmativamente e fazia objeções e anotações rápidas sempre que necessário.
— Não dá para atacá-los diretamente. Eles alcançariam a princesa antes de nós e seria catastrófico. Não podemos correr o risco.
— Então o que faremos?
Emm atravessou o falatório de Jasper no mesmo instante que vovó Marie e Elizabeth voltaram ao escritório.
Elas se juntaram as mulheres e foi um burburinho de soluços, resmungos e comoção quando Rosie mostrou-as a caixa.
— Malditos! Como ousam? Eles não têm noção de com quem estão se metendo.
— Vamos torturá-los demais quando os pegarmos. Eles se arrependerão de terem mexido com um dos nossos.
— Senhoras! Não precisamos de Edward e Jasper desconcentrados. Podem parar com o falatório ou querem se retirar?
Charlie, rispidamente, pediu que elas se calassem e ordenou que Jasper voltasse a falar.
— Vamos resgatá-la primeiro, vovó. Depois Edward decidirá como eles pagarão pelas dores que estão infringindo a toda nossa família.
Jas tentou abrandar a “braveza” de Charlie. O problema é que estava ficando sem paciência também.
— Explique, Jasper.
Parei com os planos de vingança deles, tínhamos coisas a resolver primeiro.
— Vou deixar que Amum faça isso, irmão. É sobre a equipe e o treinamento dele que vamos falar agora.
Amum trocou de lugar com Jasper, minimizou o programa de rastreamento e abriu outro que alias, eu não conhecia.
— Apresento a vocês os “Anjos Negros”.
— “Anjos Negros”? Que porra é essa?
— Sim, Emmett. O projeto ultrassecreto “Anjos Negros” foi criado há algum tempo, mais ou menos na mesma época da criação do projeto de rastreio e quando as ameaças dos Volturi começaram.
Apontou para o colar no pescoço de mamãe.
— Os “Anjos Negros” são uma equipe de 21 homens treinados, dia e noite, para serem letais, precisos, impiedosos, sorrateiros e invisíveis.
Enquanto falava ele mostrava fotos e vídeos dos tais Anjos Negros em seu treinamento. Pude identificá-lo em várias delas.
Amum era um deles.
— O principal objetivo desse projeto era atuar, exatamente, numa situação como essa, onde não há alternativa a não ser a vítima, o sequestrado, sair sã e salva do cativeiro.
— Como eles atuarão? Como será o resgate? Estamos perdendo tempo com demagogia e propaganda. Deixe para receber ou “louros” quando Bella estiver aqui.
Intervi na apresentação, frustrado e irritado pela demora. Não tínhamos tempo para ficar vendo “videozinhos”. Poderíamos gratificá-los quando o tal plano funcionasse.
— Obrigado por sua brilhante explicação, Amum. Deixe-me explanar nossa estratégia agora. Estamos ficando mesmo sem tempo.
Amum, não muito feliz por ser interrompido, se afastou.
Jasper voltou a ampliar a tela que mostrava as montanhas de Volterra.
— Bom, como os Volturis deixaram claro em seu bilhete, estão ansiosos para a retirada de nossas tropas de suas, supostas, terras. Então pensamos em usarmos isso como artifício em nosso benefício.
— Como?
Charlie, que havia se livrado dos braços da esposa e das filhas, se aproximou mais. Também muito interessado.
— Simples, sogro. Daremos a ordem para que as tropas se preparem, para “bater em retirada”. Podemos até mandar que alguns homens deixem o lugar mesmo. Dar veracidade nos ajudará.
— Espera, deixa ver se entendi direito. Você está propondo uma encenação? Isso não é perigoso? E se eles descobrirem?
— Eu chamaria de distração, Emm. Deixe-me esplicar: Enquanto Caius, Marcus e sua corja estão concentrados em comemorar sua “suposta” primeira vitória, parte da equipe dos Anjos Negros, “silenciosamente”, invade a montanha pela segunda entrada, resgata Isabella e sai sem maiores danos. A segunda parte da equipe cobrirá a retaguarda e só entrará em ação caso algo saia do controle.
Quando Jasper se calou dando a entender que o plano acabava ali, um silêncio assustador invadiu a sala. Ninguém ousou concordar ou discordar daquilo.
Por dentro eu estava tremendo. Um medo súbito de que algo não funcionasse tão bem como ele desenhava me assustava demais.
Parecia tudo tão simples, tão fácil.
— E para quando será esse resgate?
— Bom, pai, partindo do pressuposto de que o rastreador tem só mais um dia de bateria e que Isabella não será capaz de segurá-lo mais do que amanhã, essa madrugada seria o momento ideal para atacarmos de surpresa.
— E se minha irmã já tiver expelido o rastreador e os sequestradores o tiverem encontrado? E se for uma armadilha?
— Eu duvido que isso tenha acontecido, mas se sim, então partimos para o plano B, Rósalie.
— Que é?
Indaguei.
Minha mente processava as “pontas soltas” do plano dele, porém não encontrava nada.
— Se Isabella não for achada no ponto em que o equipamento indica primeiramente os Anjos farão uma varredura minuciosa na montanha até encontrarem-na. Se, mesmo assim, não a descobrirem partirão em busca de um dos irmãos, Caius ou Marcus, e o trarão para nós. Aqui, “a moda antiga”, faremos com que “falem doce” tudo que queremos.
— Se ela não estiver na montanha, infelizmente, será mais complicado. E teremos que começar a pensar que buscamos um corpo, não...
— Cale-se, Amum.
Ordenei me recusando a pensar naquela hipótese. Eu não aceitaria aquela hipótese.
— Ela está lá. O primeiro plano dará certo. Meu instinto de mãe me diz que minha filha está naquele local.
Renée, também desesperada com aquela suposição, apontou para “o piscar vermelho” que mostrava minha mulher.
— Amum não sabe o que está falando, irmão. Ele não conhece a força de sua mulher. Mas Edward, preciso que me autorize a seguir em frente. Tem que ser agora.
Não era só o instinto de Renée que dizia aquilo. O meu também gritava em afirmativo.
Porém, o medo de algo desse errado e que Bella saísse prejudicada, era maior que minhas esperanças e certezas nos meus instintos.
— Eu... Não posso... Eu... Jasper, eu lamento... Eu... É perigoso demais. Emm tem razão.
— Filho...
Notando meu estado abalado e se sentindo mais confiante, Carlisle se colocou a minha frente, segurou meus ombros e olhou-me com uma intensidade que a muito eu não via.
—... Sei que não fui um bom pai, aliás, sei que não sou um bom pai. Tanto que sou obrigado a ver que uma amizade tão bonita que você e seus irmãos compartilhavam, não existir mais. Vocês desconfiam um do outro e é tudo culpa minha. Dei tudo pelo reino e, só Deus sabe, o quanto me arrependo. Porém Edward, de uma coisa eu sei, fui e sou um bom regente. Percebo quando um plano é bom e suas chances de dar certo. Por isso filho, te peço, não condene Jasper pelos meus erros. Confie nele. Ela sabe o que faz, é o melhor nisso. Não aja com praticidade, como Emmett faria. Não deixe só as emoções falarem, como você próprio faria. Deixe que a estratégia vença essa por você. Se entregue nas mãos de seu irmão. Ele sabe o que faz.
Rá! Em outras épocas, quando admirava Carlisle como rei, eu teria lhe dado ouvido e me rendido a seu apelo inflamado.
Só que hoje, agora... Eu tinha elegido outro rei como exemplo. E era a oponião dele que valia.
— Meu rei?
Dirigi-me a meu sogro e bastou um pequeno gesto, de positivo, com a cabeça para que eu tomasse a decisão.
— Está certo, Jasper. Siga em frente com o plano, você tem meu consentimento. Só prometa que trará minha mulher sã e salva para casa.
— Eu prometo, irmão. Obrigado, muito obrigado por confiar em mim. Não vou decepciona-lo. Amum...
Jasper pareceu aliviado e, sem perder tempo, começou a conversar com o chefe de segurança sobre o plano.
Por outro lado, Carlisle, claramente decepcionado, voltou a encostar-se ao canto mais distante da sala, perto da janela.
Excepcionalmente, para ele, eu ainda não estava covencido de sua súbita redenção.
— Vocês disseram que tem uma pista de pouso clandestina perto dessas “tais montanhas”. Sabe se ela suportaria uma UTI aérea?
— Quê? Para quê?
O terror e o choque me tomaram ao imaginar para quê Jacob queria aquilo?
Ele, muito pelo contrário e apesar de parecer tenso e muito preocupado, não se abalou com aquele pensamento.
— Simplesmente porque Isabella estava com contrações espaçadas ontem, quando esteve no hospital e antes de todo estresse que está passando. Imaginem como deve estar agora? Pelo relato de Zafrina, ela foi retirada e jogada num carro com violência. E por fim, pelas desigualdades das mechas, dá para supor que quem cortou seu cabelo não tenha sido nada delicado. Então, precisamos antecipar e prever o pior. Esperem para começar a invasão e o resgate quando tivermos uma maneira de socorrê-la adequadamente.
Ela pode estar seriamente ferida, não morta, ele tinha razão.
Ah, Deus!
— Eles fugiram em um avião de pequeno porte. É bem provável que suporte sim uma UTI. Vou ligar para tio Aro e mandar que providencie tudo e...
— Deixem que eu faça isso no caminho. Também preciso avisar Ângela e mais uma tripulação de prevenção e confiança. Partimos em, no máximo, meia hora. Vocês têm mais com o que se preocupar.
— Partimos? O que está dizendo? Você vai?
Jacob olhou-me com tanta veemência que deu certo medo de que diria algo que nenhum de nós desejaria ouvir.
Porém, como médico, ele não tinha escolha...
— Ângela é obstetra dela, Edward. Acompanhou cada fase da gestação, que infelizmente, já se enquadrava num grupo de risco. Mentalize agora? Eu, sem querer ser presunçoso, mas já sendo, sou o segundo melhor pediatra dentre três reinos. E sabemos que a melhor, não está disponível no momento. Por isso, eu vou sim. Isabella e os bebês terão mais chance comigo e com Ângela por perto.
— Entendo você e aceito seus argumentos. Mas é um herdeiro real, Jacob. Não podemos aceitar que coloque sua vida em risco assim?
— Não estou pedindo sua autorização, Jasper. Se não puder ir, em um avião daqui, tenho dois reinos à minha inteira disposição. Só perderemos um tempo sagrado que minha amiga e os filhos dela não têm, mas darei um jeito.
Irritado ele olhou para Charlie que meneou, com a cabeça, em afirmação ao que ele dizia.
— Agora, respondendo você, se não quer colocar minha vida em risco, não coloque. Ângela, eu e o restante da tripulação médica não sairemos do avião. Esperaremos até que Bella seja resgatada e levada até nós. Imagino que os “Anjos Negros” tenham técnica e treinamento em primeiros socorros e traumas, não é?
— Eles têm.
— Então temos um acordo? Partiremos o mais rápido possível. Espere até que entremos em contato, de lá, para iniciarem um ataque. Edward...
Jasper o encarou sem dizer nada. E eu não podia ficar inerte aquilo, se Charlie concordava que a ideia era boa, eu também concordava.
— Você tem a minha autorização. Vamos salvar, Bella. Custe o que custar.
Encarei Jasper instigando-o a me desautorizar perante nossa família.
Ele não ousou me contestar. Somente assentiu e seguiu com o pensamento adiante.
Era um bom plano e eu rezava a Deus para que eles estivessem enganados e que Bella não precisasse de nada daquilo, mas, por via das dúvidas...
— Vá. Designarei um oficial da força aérea para levá-los. Ele saberá se portar melhor se algo não funcionar como planejamos.
— Ok, Jasper. Estou indo. Vocês tomaram a decisão certa.
— Ei, espere.
Corri até Jacob quando ele começou a se encaminhar para a saída.
— O que foi, Cullen? Não temos tempo para despedidas ou recados e...
— Eu vou junto.
— Como?
— Quê?
— Enlouqueceu de novo?
A indignação veio de várias pessoas de nossas famílias.
Não parei para pensar especificamente em quem. Estávamos correndo contra o tempo agora.
— É minha mulher e meus filhos, quero estar lá quando forem resgatados. Se algum dia isso acontecer há algum de vocês saberão como me sinto.
— Filho...
— Edward...
Ignorei os choramingo de Esme e vovó e segui Jacob. Porém, eles insistiam em me negar o que eu desejava.
Porra!
— Não! Você não vai.
Trinquei os dentes, de ódio, quando Carlisle se interpôs entre meu objetivo e eu.
Quem ele pensava que era?
— Saia!
Rosnei baixo, mas ameaçadoramente.
— Não!
Retrucou, desafiadoramente, com o mesmo perigo.
Um sentimento louco e ruim se apossou de mim e eu seria capaz de esganá-lo se não saísse de minha frente logo.
— Saia, agora!
— Não! Pode gritar, esbravejar. Até me bater ou mandar me prender se quiser. Mas, você não sairá daqui. Só passando por cima de mim.
Aproveitando a pequena distração do drama familiar, Jacob nos deu as costas e saiu para cumprir sua parte no plano.
— Black, volte aqui! “Que merda, Carlisle”! O que pensa que está fazendo?
Deis dois passos em sua direção, pronto para fazer o que ele tinha me dado ideia.
Eu estava cego, dominado pela fúria.
— Estou cuidando do reino. Vocês não dizem que vivi e vivo em função disso? Então?
— Pai!
— Edward!
Jasper e Emmett, sabiamente, se intrometeram e me seguraram quando entendi as duas mãos rumo ao pescoço dele.
Minha gana era tanta...
— É minha mulher! Soltem-me. Ele não se importa. Nunca se importou. Charlie!!!
Gritei desesperado me mexendo tentando me libertar de meus irmãos.
Lá fora um ronco de motor de carro se ouvia: Jacob.
Eu queria tanto estrangulá-lo.
Nem Charlie me ajudou. Todos pareciam atordoados com aquela confusão imprevista.
Será que minha ideia era tão insana assim?
— Eu sei, filho! Deus, como sei! Ainda não entendo como está de pé. Eu já teria desabado há tempos.
Aquela afirmação me deixou confuso.
E de repente os olhos dele pareceram cansados, piedosos e muito tristes. Sua voz baixou e quase se tornou terna, se é que Carlisle sabia o que era ternura.
Aquilo me surpreendeu. Acho que nunca o vira parecer tão vulnerável.
— Mas, infelizmente, ainda sou o rei e você, para nossa desgraça nessa situação, é o herdeiro direto. Não posso permitir que se coloque em risco. Não quando o próximo herdeiro da linha de sucessão já está em risco. Se não acredita em mim, pergunte a mamãe, ela sabe disso.
Vovó, como os olhos tomados de lágrimas, concordou silenciosamente.
— Tenho obrigações, normas e tradições, que nem sempre são boas, mas que sou forçado a cumprir. Você sabe disso. Vou passa-las a você em breve para que já vá se habituando.
— “Dane-se, porra”! Fiquem com essa “merda” de reino. Eu só quero Isabella e meus filhos em segurança.
Mais indignado ainda, voltei a me remexer, me livrando dos braços de meus irmãos.
Emmett e Sam foram para porta, talvez para me impedirem de sair correndo atrás de Jacob.
— Não vou colocar minha vida em risco. Espero no avião também. Só quero estar lá quando ela chegar, quando for resgatada. Preciso vê-la, senti-la. Por favor, pai? Vocês não entendem...
Clamei baixo, me acalmando mais, e apelando para o bom senso e piedade dele.
— Não posso, filho. Não posso... Tenho que cumprir com a lei, ou Eleazar se aproveitará da situação, sem pensar duas vezes. Tânia o influenciará a isso. É uma zona de risco. Alias, falando nisso, você sabe por que Sam o trouxe para casa em vez de ajudar Stephan?
— Por que é um covarde que não sabe cumprir ordens? E não mude de assunto, Carlisle. Minha situação com Sam resolverei assim que Bella estiver segura aqui.
Olhei amargo para o homem que se portava na entrada da sala, mas se recusava a me olhar nos olhos. Ele sabia a “merda” que tinha feito.
— Não, filho. Não seja tão duro com ele. Sam só cumpriu o que lhes é imposto quando se comprometem a cuidar de vocês.
Ele estava me chamando de filho com tanto cuidado, que quase seria capaz de me comover.
— E essa situação mudou, ficou mais rígida, quando veio à tona, entre nós, que você e Bella serão os próximos reis. Sua equipe passou, secretamente, por inúmeros treinamentos mais pesados e várias seções de palestras também. E foi numa dessas que foram informados de que numa situação de risco, você e Bella devem ser separados e cada um, enviado a um lugar seguro e distante. Funciona exatamente como numa situação de um presidente e seu vice, Edward. Sam não tinha escolha. Ele precisava seguir o protocolo.
— Um deve ficar vivo.
Sussurrei.
— Isso.
Assimilei aquela informação por alguns segundos.
— Da próxima vez, salve Isabella. Ou melhor, como sei que não cumpre uma ordem, direi isso a Stephan, ele sim, faz qualquer coisa por ela. E se espera por um pedido de desculpas? Pode morrer esperando. Eu, no seu lugar, teria ficado e lutado, que se danassem as regras. Ela está grávida, “porra”!... Ainda te acho um covarde e duvido dessa “merda” de sentimento que acha que sente por minha esposa e...
— Edward, você está sendo cruel, filho. Sam não pode ser o alvo de sua raiva. Tenha calma. Vamos trazê-la para casa.
Charlie me puxou para longe de todos e me sentou ao fundo da sala.
— Você ainda não me viu com raiva, Charlie. Juro que você ainda não viu.
Aceitei o copo, de uísque, que Rósalie trouxe para mim. Nos olhos dela eu via que ela me entendia.
— Vamos esperar. É só o que podemos fazer. Se acalme.
Engoli a bebida de uma vez. Era dose única. Eu tinha uma madrugada pela frente e queria estar sóbrio para enfrentar o que estivesse pela frente.
Bella
Um, dois, três... Dez... Vinte... Trinta... Quarenta... Quarenta e cinco.
Uma!
Um, dois, três... Dez... Vinte... Trinta... Quarenta... Quarenta e cinco.
Duas!
Um, dois, três... Dez... Vinte... Trinta... Quarenta... Quarenta e cinco.
Três!
Droga, Bella! Não empurre. Não empurre!
Não vomite! Não vomite!
Deus me ajude!
Cerca de três contrações em dez minutos, com quarenta e cinco segundos de duração.
Deus do céu! Eu estava em trabalho de parto.
— Socorro! Socorro!
Falei baixinho e era o máximo que minha voz alcançava. Eu estava com fome, sede, frio, dor e muito, muito cansada.
Minhas costas latejavam, minha cabeça girava e meus olhos tinham dificuldade em focar em algo por mais de cinco segundos.
Eu estava sendo vencida...
Fechei-me mais em posição fetal e trinquei os dentes, de dor e medo, quando outra pontada veio de uma vez.
Eu sabia que era observada, o tempo inteiro, porém ninguém se compadecia e me ajudava.
— Olha! Ela fala!
Era ele.
Era o monstro que cortara meu cabelo e me jogara contra o chão. Minhas costas e minhas mãos se lembrariam dele por muito tempo.
— Caius, precisamos fazer alguma coisa. Essa mulher vai morrer aqui e não teremos chance nenhuma se isso acontecer.
— Ela não vai morrer, Marcus. É mulher e médica. Saberá o que fazer, é instintivo. Estou mais interessado em descobrir se é menina. Será que é? Adoro menininhas. Quanto mais nova melhor.
Senti a bili na boca, o asco vinha forte e era quase impossível conter, mas me recusei a vomitar. Eu não lhe daria essa satisfação. Não cederia aquela tortura psicológica.
Eles sabiam que eu podia ouvi-los. Eu só não entendia porque não me deixavam em paz. Que mal eu havia os feito?
“Não vomite, Bella, não vomite”. A voz de Stephan me mantinha naquela missão. E, juro, se isso acontecesse, se fosse impossível segurar o vomito por mais tempo, se expulsasse o rastreador, o engoliria de novo.
Eu precisava que me encontrassem. Era minha única chance.
— “Ela está grávida de gêmeos, Caius. Isso é domínio público. Essa mulher não vai conseguir ter dois bebês de parto normal”.
O tal Marcus tentava colocar alguma coerência no alucinado irmão, mas parecia em vão. Ele não cederia.
— “Não? Mesmo? Nossa! Não sabia disso. Então terei que ajuda-la. Tragam-me uma faca”.
— Não! Pelo amor de Deus! Socorro! Socorro!
Voltei a clamar quando os barulhos das correntes na grade fizeram barulho.
Ele entraria e cortaria a mim. Tiraria meus filhos à força e nos mataria.
— “Grite, vadia. Grite mesmo. Quero ver se alguém vem em seu socorro”.
— “irmão, espere. Ela...”
— “Senhor, senhor... As tropas estão se retirando. Nós vencemos. Os Cullen vão negociar”.
Uma terceira pessoa chegou gritando e fez com que meu agressor parasse o que tinha em mente, pelo menos por enquanto.
Graças a Deus!
Edward estava se rendendo, e por incrível que pareça, aquela informação não me trouxe alívio. Eu sabia que não adiantaria. Nada faria com que eles me devolvessem, com vida, para minha casa.
O bom é que pelo menos eu morreria somente com meus filhos sem nenhum trauma maior.
— “Se livrou, por enquanto, vadia. Segure aí. Já venho te ajudar com seu problema. Só preciso, ver com meus próprios olhos, os Cullen se rendendo ao poder dos Volturi”.
E então se afastou e um silêncio bem vindo dominou o lugar. Eu já podia me render ao topor.
— Perdoe-me, Edward. Eu não consegui...
Pensei ter dito antes de mais uma dor potente atordoar meus sentidos e nublar minhas ideias.
Eu estava morrendo...
Edward
— Sua mãe me disse que te encontraria aqui, ela nunca erra... Tomou um banho, isso é bom.
Devagar e saindo de um mundo inerte em que o presente não existia, desencostei a cabeça da poltrona de amamentação e encarei meu sogro que me estendia uma caneca fumegante.
— Não é justo.
Deixei que o vasilhame quente aquecesse meus dedos e aspirei o cheiro:
Chocolate quente.
Ele estendeu a mão e pegou de mim o urso de pelúcia que eu abraçava com todo ardor.
— O que não é justo? Que eu queira que o pai dos meus netos esteja forte o bastante para segurar o dois ao mesmo tempo? Engano seu. Acho isso muito justo.
Ele colocou o artefato dentro de um dos berços e passou a perambular pelo lugar prestando atenção em cada detalhe do quarto. Ninguém, além de mim, Bella, Bá e agora ele haviam o visto todo pronto.
Sorvi a bebida e não contive um gemido de satisfação.
— Ela deve estar faminta.
O peso na consciência fez meu estômago se revirar e querer expelir o líquido dali.
— Isso está acabando. Tenha fé. Falta pouco agora. Logo, logo teremos que nos revesar na missão de fazer chocolate quente. Porque aposto que meus netos serão viciados nele, como a mãe.
Displicentemente olhei para meu relógio de pulso: Duas e quarenta da manhã.
O avião de Jacob devia estar próximo de pousar agora.
— Ficou lindo o quarto. Acho que estou tão acostumado a rosa e lilás que um dessas cores me deixa fascinado: marrom, bege e branco. Tão discreto quanto ela. Se fosse Alice ou Rosie seria tudo muito azul, laranja, verde. Mas não minha Bella...
— Renée, mamãe, vovó e sua mãe quase a enlouqueceram. Todas queriam algo diferente. Um dia cheguei aqui e ela estava tão irritada dizendo que colocaria ursinhos azuis com coroas vermelhas.
Sorri ao me lembrar de que naquela noite foi preciso muito de mim para distraí-la de pensamentos raivosos de “como se livrar de parentes intrometidos”.
— Eu imagino.
Charlie andou mais, devorando cada detalhe e traçando com os dedos o que de mais delicado que encontrava pela frente.
— E como chegaram a esse?
— Rá, isso é um mistério. Só me lembro de acordar com Bella se levantando e ligando para a decoradora em plena madrugada. Se dormir já era uma missão para ela, pense fazer isso com dois menininhos “serelepes” dentro de si.
Charlie sorriu. Simplesmente sorriu para a ilusão de uma imagem de uma cena que eu descrevia.
— Aposto que nenhuma das outras mulheres aprovaram a ideia.
— Nem elas, nem a decoradora. Que insistiam demais em algo mais... como elas diziam? Ah! Digno da realeza. Certeza que fiquei alguns “mils” mais falido só por minha esposa ser discreta e econômica. A decoradora desperdiçou ideias demais para Bella chegar e dizer que queria coroas mínimas. Cores pastel e pelúcias artesanais.
Ele parou do lado do outro berço e apoiou as duas mãos em sua lateral, admirando seu interior como se um dos meninos já estivesse ali.
— Já contratam alguém para ajudá-los?
— Contratamos. Bella e mamãe fizeram algumas entrevistas e chegaram a um nome.
— Um?
Ele fizera a mesma pergunta que eu quando Bella me contou da babá.
— Sim, só um. Bella não quer “terceirizar” os cuidados de nossos filhos, palavras dela. Disse que precisa de uma ajudante, só isso. Que quer fazer a maior parte das coisas, inclusive acordar de madrugada.
O quarto era de frente ao nosso e eu juro que já sonhava em ter que levantar a noite para busca-los para a mãe, para nossa cama.
— Seguranças?
— Stephan já cuidou disso. A princípio ele vem treinando um rapaz desde que descobrimos da gravidez. A partir do momento que crescerem mais, aumentaremos profissionais a nossa equipe.
Como se depois de tudo pelo que estávamos passando eu fosse deixar algum deles sair de casa. Eu manteria Bella e os meninos sob minha vigilância. Ninguém, jamais, os faria mal.
Ele assentiu e continuou a vistoriar todo o quarto.
— O que fizeram com todas as coisas que ganharam?
— Grande parte Bella doou, em segredo, a uma instituição. Os especiais estão no quarto ao lado que será de um dos meninos quando forem maiores e cada um quiser seu próprio lugar.
O outro quarto também estava abarrotado de brinquedos, roupas e acessórios. A maioria, presentes de nossos familiares e amigos. Bella mesmo, tinha comprado pouca coisa.
— Tudo já está pronto?
Ele apontou para as três malas em cima da cama auxiliar, que pertenceria a babá.
— Está. Ângela nos alertou para que deixássemos tudo pronto. Renée ajudou Bella a escolher cada coisa, um dia antes do sequestro. Ela estava empolgada, e apavorada ao mesmo tempo. Imagina como está agora?
Apertei mais a caneca entre as duas mãos encarando seu fundo vazio e imaginando o que poderia estar acontecendo com minha mulher.
— Conheço minha cria, como você conhecerá a sua, ela pode estar com medo, porém lutará enquanto puder. Não perca a fé. Creio que estamos ajudando mantendo as esperanças. Creio que bons pensamento e otimismo viagem e cheguem a ela. Então não perca isso, por favor. Não fraqueje, não desanime eu preciso que esteja são para que eu fique também.
Assenti em concordância sentindo o aperto da mão dele em meu ombro.
— E os nomes? Não podemos continuar chamando herdeiros Swan- Cullen de bebês e...
— Oi sogro, Edward. Não queria atrapalhar, mas irmão, o avião de Jacob já pousou. Jasper só está esperando sua autorização para começarem.
— Vamos lá.
Num pulo, e salvo por Emmett de entregar a surpresa de Bella, me coloquei de pé e corri para o escritório. Era chegada a hora.
— Como estamos, Jas.
— Como combinado. O avião já pousou e as tropas estão começando a dar sinas de retirada Como prometido, fiz com que alguns caminhões deixassem o lugar dando a impressão de que estamos mesmo nos rendendo.
Peguei das mãos dele um fone e coloquei. Ele e Amum também estavam com um.
— Estamos em contato ao vivo, com Peter o comandante da equipe dos Anjos. Eles nos ouvem nitidamente e nos narrarão tudo que acontecer de agora em diante. Vamos testar para você ver.
Concordei.
— Amum...
Jasper ordenou ao chefe de segurança que desse início a chamada.
O escritório continuava cheio, mas ninguém falava nada, era uma hora de muita tensão.
Somente dona Marie e Renée balbuciavam algo em voz baixa segurando, cada uma, um rosário entre as mãos, elas rezavam.
— Peter, aqui é Amum. Estamos na escuta. Por favor, nos atualize da situação aí. O que vê?
Amum clicou em um comando do programa dos Anjos e depois de um chiado, uma voz baixa, mas limpa, se fez ouvir.
— Bom, chefe, aqui está muito escuro. Somente os faróis dos carros no acampamento das tropas podem ser visto. Estamos na parte detrás da montanha, na estrada secundária pelo qual regataremos a princesa.
Jasper apertou a mesma tecla e tomou frente da situação.
— Peter, vocês já sabem se a primeira parte do plano funcionou? Os rebeldes já se deram conta de que estamos “nos retirando”?
Mais um chiado e depois...
— Positivo, alteza. Pelos equipamentos de visão noturna, nossos olheiros acabaram de identificar Caius e Marcus na entrada principal das montanhas apreciando o que acham ser nossa rendição. Estamos prontos para a segunda parte do plano, só esperando a ordem.
Jasper e Amum me olharam. Não tínhamos muito tempo até que Caius e Marcus se cansassem do espetáculo.
Apertei a tecla.
— Vocês tem autorização para seguir com o plano, Peter. Resgatem minha mulher agora. Não desligue o comunicador. Quero saber tudo que está acontecendo.
— Sim, alteza. Vamos entrar agora.
No segundo seguinte só ouvimos ofegos e respirações baixas, de vez em quando alguém cochichava alguma coisa, porém tudo corria bem.
— Verificou a frequência, Jasper? É um canal seguro? Não precisamos que algum deles intercepte o sinal de vocês.
— É um canal decodificado, pai. Não sou inexperiente. Quanto a isso, estamos protegidos.
— Estamos entrando, senhor. Ali... Ali...
Um estampido baixo foi ouvido, depois outro e outro: três a menos.
Fechei os punhos, a ansiedade me impedia até de respirar direito.
— Estamos no corredor principal, encontramos com algumas pessoas fazendo a segurança, mas já cuidamos disso. O ar aqui está abafado e quanto mais descemos, mais frio fica. Deve estar uns quinze graus aqui em baixo.
Como vinha fazendo muito, esfreguei as mãos nos braços, gerando uma pequena fonte de calor.
Deus! Ela estava com frio.
— Peter, ande logo. Temos que tirar proveito da escuridão.
— Estamos indo Amum, o terreno é muito acidentado, difícil de caminhar estamos no último declive. Agora com mais cuidado, segundo o rastreador a princesa está à esquerda no fundo da galeria. Nosso sensor de calor nos mostra quatro pessoas mais a frente e duas no fim do corredor. Precisamos de cuidado extra. Não podemos nem queremos assustá-los.
A voz dele ficou bem mais baixa e cuidadosa. Mais dois estampidos.
— Invasão! Invasão! Estamos sendo invadidos. Avisem a Caius!
— Peter? Quem é esse? Matem-no antes que estrague tudo. Peter?
Jasper, Amum e eu nos concentramos nos sons que ouvíamos ao fundo.
Mais dois estampidos.
— Calma, chefe. Está tudo sobe controle, um dos nossos foi ferido no braço, mas pegamos o bastardo antes dele pegar o comunicador. Agora só falta um mais ao fundo. Todas as armas estão com silenciadores, ninguém ouviu nada. Estamos vendo o lugar com mais clareza agora. É um conglomerado de selas. Todas estão vazias. Tem uma pessoa de guarda na entrada da última cela, que é onde o rastreador aponta para a princesa. Chegaremos lá em dois segundos.
Enquanto ele narrava Amum recebeu outra mensagem do comandante da segunda equipe, a que ficara de fora.
— Peter, tire Isabella daí imediatamente. Caius e Marcus então entrando. Isso é uma ordem, sejam rápidos.
— Dane-se o silêncio. Agora!!!!
— Ahhh!
Mais um estampido e um grito. Logo depois o som de grades e correntes em atrito.
— Peter? Está tudo bem? Isabella está aí? Ela está bem?
Atropelei as palavras e se pudesse teria entrado pelo rádio e o sacudido para que me respondesse rapidamente.
— Peter? Responda?
Mais dois segundos de silêncio e ansiedade.
Por que ele não nos respondia?
— Deus! Chegamos ao interior. É ela, senhor. É ela. Está viva. Está gelada e os batimentos estão fracos, mas está viva.
— Saiam daí, peguem-na e saiam daí. Não comecem os primeiros socorros. Nesse momento os rebeldes já devem ter identificado que algo está estranho. Saiam daí, é uma ordem.
— A princesa está nos meus braços, senhor. Estamos saindo, estamos saindo...
Dali para frente ele quase não narrou mais nada, estava com Bella no colo, tinha que poupar forças e oxigênio.
Ouvimos sinais de luta e tiros ao fundo, mas nada fez com que a equipe de Amum e meu irmão parassem.
— Estamos vendo a saída, senhor... Estamos saindo... Vou colocar a princesa no jipe de apoio agora. Dan a levará para o avião. Aguardo ordens de como proceder.
Ele voltou a ficar em silêncio.
— “Edward... Os bebês... Edward... Ajude-nos”...
Era ela, era o sussurro dela.
Vários clamores foram ouvidos de nossa família.
— “Estou aqui, meu amor. Você está vindo para casa. Aguente firme”...
Eu não sabia se ela nos ouvia, eu só queria expressar aquilo em voz alta para que se tornasse real.
— O príncipe nos mandou até aqui, princesa. Você está indo para eles. Não se preocupe. Tudo ficará bem agora. O príncipe está cuidando de você. Vá Dan, vá...
Ela não respondeu ou se o fez, foi bem baixo e não ouvimos, só ouvimos o barulho do motor do carro.
— Peter nos atualize.
— Princesa no carro. Já, já estará no avião. Como quer que procedamos agora, Amum?
— Caius e Marcus?
Foi a pergunta que todos ansiavam.
— Dentro das cavernas, senhor. As duas estradas estão sob nosso controle. Eles não podem sair. O que quer que façamos?
E de repende senti o peso da responsabilidade sobe minhas costas.
Jasper e Amum ficaram em silêncio me olhando com ansiedade. Era minha decisão.
Eu estava cansado, exausto.
Bella estava ferida e eu ainda não tinha notícias dos meus filhos. Alguém tinha que pagar por tanto sofrimento.
— Senhores, o avião está levantando voo. Posso ouvir daqui. O que fazemos agora?
— Edward, eu acho que...
Estendi e mão em direção a Emmett o mandando ficar calado. Ninguém tomaria aquela decisão por mim.
— Peter, aqui é Edward, sou seu príncipe e serei seu futuro rei, quero que façam exatamente o que eu mandar.
— Sua ordem será seguida, vossa alteza real.
Deixei que o ódio e a raiva me dominassem, repirei fundo e ordenei.
— Bombardeiem a parte de cima das entradas, eu as quero lacradas. Ninguém entra e ninguém sai.
O silêncio voltou a dominar meu escritório.
— E depois, alteza?
— Depois...
Passei por minha cabeça os últimos três dias de inferno. Eu precisava que eles sentissem na pele. Aquilo era vingança e eu não estava nem um pouco triste por agir assim.
— Depois armem acampamento perto das entradas e se certifiquem de que ninguém sairá daí de dentro. Quero que todos eles sejam enterrados vivos. Quero que passem frio, fome, sede e que desejem a morte antes de qualquer coisa. Vou providenciar para que tudo que sua equipe precise chegue a vocês. Só não deixe que ninguém escape, com vida. Voltamos a nos falar em dois meses.
— Será um prazer, meu senhor.
Sem mais um palavra, arranquei os fones, peguei minha carteira e as chaves do carro e corri para fora.
Ei iria esperar Bella no hospital.
A missão estava acabada.
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