Notas iniciais
Boa noite, meninas. Bom, em primeiríssimo lugar, gostaria de agradece e dedicar esse capítulo a ChammaCullen, por ter alegrado meu fim de semana com uma recomendação lindíssima. Estou boba até agora. Já são 15, obrigada pelo carinho de vocês, meninas. Como avisado anteriormente, esse é meu último capítulo antes da pausa de Julho. Espero que me entendam. Espero vocês em Agosto para entrarmos no auge e finalização da fic. Obrigada a todos os comentários lindos que recebi e sejam muito bem- vindas, leitoras novas. Sintam-se em casa. Espero que gostem do capítulo. Beijinhos e até breve.

Esme

Sem conter mais a raiva que se apossava de mim, levantei-me e fui até a janela. Observei atentamente enquanto o último carro se afastava rumo aos portões.

— Isso é o cúmulo. Olha aonde fui colocar meus filhos. Como eles ousam a nos deixar sozinhos, a mesa? Essa refeição ainda não acabou.

Pronta para a briga, virei- me e sinalizei para que os empregados nos deixassem a sós.

Voltei para onde estava anteriormente, porém longe o bastante de algum objeto cortante e consequentemente, da garganta de meu marido.

Firmei as duas mãos no móvel e o fuzilei com o olhar.

— O cúmulo, mas o cúmulo mesmo, é você agir como um soberano idiota e tirano que não sabe se portar, muito menos reinar. Você tem consciência da burrice que acabou de cometer Carlisle?

— Eu não sei do que está falando e baixe o tom de voz, você não está falando com um dos empregados.

Inundada de incredulidade e ódio pelo que ele vinha fazendo, bati as mãos na mesa e aumentei, mais ainda, a voz.

— Por isso, que posso e vou gritar, não estou falando com meus bons colaboradores, estou falando com um rei idiota que acabou de destratar e constranger a esposa do filho caçula recém-casado e ainda pior, na frente dos pais dela.

— Ora, Esme! Não seja tão dramática. Eu não fiz nada disso. Somente coloquei aquela garota insolente em seu lugar. Ou então ela achará que conseguirá tudo que quiser, somente porque é casada com Edward. Onde já se viu isso?

Num ímpeto de exasperação, ele se levantou e passou a caminhar de um lado para o outro.

— Dramática? Oh Deus! O que fiz para merecer isso? De insolente Isabella não tem nada, seu soberano de “meia tigela”. Você tem certeza de que estamos falando da mesma nora?

Levantei as mãos para o alto e depois apontei para ele.

— Você ainda não viu nada, Carl. Drama eu vou fazer quando ligar para sua mãe e relatá-la das atrocidades que o herdeiro dela vem fazendo. Drama, eu vou fazer para um juiz, se Charlie rebocar minhas noras e meus filhos para Forkian. Porque eu te garanto, “Senhor da Verdade” que se isso acontecer, eu os sigo imediatamente e ainda arranco de seu reino o máximo de dinheiro que puder para que meus netos tenham um futuro tranquilo e se lembrem do quando a avó paterna os amava.

— Deixe de sandices, Esme. Jasper e Edward não irão embora, não quando o futuro deles é aqui. E além do mais, meus netos crescerão junto de nós, como futuros herdeiros de Ângelus.

Resignada e pronta para dar o golpe final, empertiguei o queixo, consertei a postura e apontei-lhe o indicador em riste. Era a rainha que falaria agora.

— Eu não contaria com isso se fosse você. Isabella é “a garota dos olhos de Charlie” e se ainda não percebeu, de seus filhos mais novos também. E te garanto, que se ela estalar os dedos, os dois a seguirão até o inferno se ela assim o desejar. E pode confiar, que Charlie não perderá essa oportunidade que você lhe deu, ele tentará levar as filhas para casa. E aí, meu rei...

O encarei com intensidade e rigidez na voz.

— Adeus filhos, adeus netos, adeus Esme e adeus reino, porque para onde eles forem, eu irei E aí quero ver como você se comportará sozinho e ainda tendo explicar a sua mãe todas as burrices que vem cometendo. Portanto, trate de consertar as coisas, antes que seja tarde demais. Essa foi a segunda vez que você destratou Isabella, Carlisle. Que não haja uma terceira.

Deixando-o de boca aberta comecei a me afastar quando então, fingi me lembrar de algo.

— Ah! Seu travesseiro e cobertor de “menino mau” estarão a sua espera no sofá do closet. E que você aproveite esse tempo longo de solidão para colocar as ideias no lugar e repensar suas ações. Escolha suas prioridades e preveja as consequências, meu rei. Porque, suas oportunidades estão se esgotando. E aí não há quem te salvará.

Carlisle

Droga! Droga!

Ingeri de uma vez o restante do uísque que permanecia em meu copo. A bebida âmbar, desceu “rasgando” e queimando minha garganta, mas nem me importei. Eu tinha preocupações muito maiores do que estas, no momento.

Já se passava das duas da manhã e a casa continuava vazia. Nem Esme e seus sermões eu tinha mais. E Deus! Isso me atormentava tanto. O silêncio era ensurdecedor. Quase como um prelúdio do que me aguardava se eu não concertasse o mal entendido com a filha de Charlie.

Ora! A quem estou querendo enganar? Não havia mal entendido algum. Eu irritara e instigada Isabella, de graça. Se bem que eu achava a minha justificativa plausível: doce demais, boa demais, educada demais.

E isso seria a ruína de meu reino, se eu não colocasse Jasper nos eixos. A garota havia enredado meus dois filhos e eu era o único que via isso dando em merda. Claro, que um pouco da culpa era minha, ninguém além de “meus botões” sabia que o motivo de minha implicância com a garota era para que Jasper percebesse que ela não é nada de tão especial assim. E quando digo Jasper, é porque sei que Edward é um caso completamente perdido. Ele já era todo Isabella. Frouxo! Quando que eu deixaria uma mulher me dominar dessa maneira? Nunca!

Respirei fundo ao ouvir o barulho da chave em contato com a maçaneta, eles estavam chegando e era minha hora de modificar as coisas, antes que Esme me dedurasse para Elizabeth.

— Ah! Você só pode estar brincando, filha. Essa garota não pode ter feito isso com você.

— Não, pai. É verdade. Bree é totalmente organizada, mas às vezes ela se perde no meio de suas próprias anotações e...

Voltei minha atenção para a entrada, quando risadas altas e conversas animadas tomaram conta de minha sala. Para meu desgosto, Isabella estava bem à frente, na proteção dos braços do pai.

Avaliando bem, eles não pareciam tristes, aliás, pareciam bem alegrinhos. Quem estava prestes a se mudar ficaria chateado, não ficaria? Creio que isso era um bom sinal. Esme, como sempre, estava fazendo uma tempestade num copo d’água.

— Boa noite.

Quebrei o silêncio ao perceber que nenhum deles deu mais um passo ou falou alguma coisa, quando deram por minha presença. Talvez puxando assunto eu já começasse a abrandar as coisas.

Ledo engano! Ninguém me respondeu.

— Bom, já que parece que será um monólogo e que nenhum, nos dará o conforto de uma conversa em particular. Eu queria que você me desculpasse, Bella.

Desconfiado de minhas ações, Edward passou por todos e postou-se do outro lado da esposa. Ainda percebi Jasper franzindo o cenho, porém ele ficou na dele. Junto de Alice. O que aqueles moleques estavam pensando que eu faria? Eu não era um monstro.

— Eu passei dos limites hoje. Estou preocupado com tantas coisas e Emmett e Rósalie ainda me pegaram de surpresa. Se já estávamos loucos com segurança, agora surtaremos. Minha cabeça deu voltas e eu não soube assimilá-las e controlá-las e usei você, filha, como “bode expiatório”, me perdoe por isso.

Todos me olhavam com assombro. O rei não pedia desculpas, muito menos assumia seus medos e fraquezas.

Hum! Eles é que não sabiam meus reais motivos e onde eu passaria a noite.

— Fui duro e cruel. Disse coisas que não concordo e não acho. Perdoe-me por isso também. Quero que coloquemos uma pedra nesses incidentes e comecemos de novo. Somos uma família e me orgulho das duas filhas a qual fui presenteado por Charlie e meus filhos. Perdoe-me também, por ter sido tão intransigente e desumano. Não penso nada do que disse e para provar isso, já liguei para Aro e lhe informei das mudanças que faremos quanto aos custos dos tratamentos pediátricos. E me refiro a todos os tratamentos, não só neuropediátricos.

Vi com gosto, os olhos dela se abrindo em incredulidade e um sorriso se formando em sua face e na de meus filhos.

Bingo! Eu havia acertado. Sou demais.

— Tome essa atitude como um pedido de desculpas formal pelo meu comportamento e também como forma de valorização pela sua preocupação e serviços prestados ao HoCedeA e ao reino.

Também abri um sorriso e arriscando, me aproximei e estendi a mão direita para ela.

— Você pode me perdoar, querida? Pode dar uma segunda chance a esse velho que acabou de fazer o papel de sogro chato?

Charlie continuou me encarando com olhos duros. Eu ainda ouviria dele. Certeza!

— Eu te perdoo, meu rei. Todos temos o direito de nos estressar, às vezes. Eu não o julgaria por isso.

— Bella, não...

— Edward. Fique quieto.

O mantive fora da conversa. Eu sabia que ainda teria que enfrentá-lo, porém não seria agora. E naquelas condições, ele só atrapalharia nosso acerto.

Aproveitando a mão dela na minha a puxei para meus braços. Eu não disse? Boazinha demais, doce demais. Eu estava pronto para implorar a noite toda se fosse preciso.

— Vamos começar outra vez? Eu prometo que isso nunca mais se repetirá, querida.

— Eu sei, Carlisle. Eu sei.

Edward e Jasper tinham a sobrancelha levantada. Eles seriam mais difíceis de convencer das minhas boas ações. Mas, isso não me impediria de tentar. Eu precisava recobrar a confiança deles ou Esme nunca me perdoaria.

— Ok. Agora que tudo já foi esclarecido. Que tal, se fossemos nos deitar? Rósie e Bella já tiveram o bastante por uma noite.

— Acho que a mãe de vocês está certa. Vão para a cama.

Uma por uma, Rosie, Alice e Bella passaram pelos pais e lhes pediram a benção, eles, finalizando o ato as beijaram na testa.

Uma coisa eu tinha que confessar: aquele velho havia feito um grande trabalho com aquelas garotas.

— Você não vem, amor?

— Daqui a pouco, Renée. Carlisle e eu tomaremos uma bebida antes.

Acenei em concordância e fiz sinal com a mão para que os meninos também se afastassem. Eles pareciam ressabiados em deixar-nos na presença um do outros. Porém, não havia como evitar nosso embate.

— Vão descansar. Está tudo bem.

Edward e Emmett nem se preocuparam. Um mais ciente das condições e do cuidado com a esposa. O outro, mais querendo era que Charlie me partisse em dois, afinal, eu havia ferido sua companheira. O que seria um problema a mais para a lista de Edward. Porque pelo que parecia, eles ainda não haviam feito às pazes.

— O que quer beber, Charlie?

Perguntei, para começar o assunto, quando todos desapareceram escada acima.

— Seu sangue. Eu uma taça de prata, de preferência.

Abaixei a garrafa e voltei minha atenção para ele, era melhor não beber.

— Olha, Charlie eu já me desculpei e...

Com dois passos largos ele se colocou a minha frente e agarrou o colarinho de minha camisa e pôs-se a sacudir-me com tanto ódio e afinco que lamentei a ausência de um de meus filhos. Se bem que duvidei se algum deles ficaria do meu lado.

Eu não iria brigar. Nunca! Isso só pioraria a situação, porém eu precisava que alguém esfriasse seus ânimos. Edward ou Isabella, seriam uma boa pedida.

— Guarde suas desculpas esfarrapadas e bem ensaiadas para o bom coração de sua mulher e minha filha. Eu não caio nessa, Carlisle.

Com um solavanco maior ele me atirou no sofá.

Coloquei-me de pé imediatamente. Ainda me restava um pouco de orgulho.

Com o dedo em riste e uma fúria, nunca antes vista por mim, Charlie passou a verberar alto.

Pelo canto do olho observei Stephan, atento do outro lado do corredor. Não gostei de saber que era o segurança de Edward que nos acompanhava, porém, fiquei agradecido por não estar sozinho com Charlie.

— Você está brincando com fogo, Carlisle. Você não imagina do que sou capaz por Isabella. Machuque-a outra vez, pelo menos levante a voz de novo para minha filha, e te prometo que acabo com sua raça e com sua família. Não me subestime, homem.

Levantei as mãos em rendição. Charlie falava muito sério. Seus olhos pareciam injetados de sangue e raiva.

— Eu errei, Charlie. Eu lamento. Isso não vai se repetir.

— Ah, mas num vai mesmo! Porque, se eu pelo menos imaginar que Bella está infeliz por sua culpa, eu nem sei do que sou capaz. Não me teste, Carlisle. Não me teste. Você não me conhece. Eu não faço ameaças, eu as cumpro. Basta Bella estalar os dedos. Por isso, se mantenha bem longe dela ou arque com as consequências. Eu não vou deixar passar da próxima vez.

E sem mais uma palavra, Charlie se foi. Ele já havia dado seu recado e eu o havia compreendido.

Esta virando moda nessa família, deixar palavras ao vento e subentendidas.

Pelo menos o pior já havia passado. Claro, que eu ainda precisava mostrar a Jasper que Alice era o melhor para ele, contudo, aprendi que um ataque direto a Isabella só me colocaria em uma posição ruim com o próprio Jasper, Edward e o pior, o soberano de Forkian.

Eu precisava mudar de tática. E já sabia como fazer isso. Eu apelaria para as fraquezas de meu próprio filho.

Satisfeito com meus próximos passos e sem ter mais o que fazer, fui para meu quarto. Stephan a muito já havia abandonado seu posto de “vigia de reis brigões”.

Quando adentrei meu lugar de descanso me deparei com Esme lendo um livro atentamente. Não me surpreendi. Era óbvio que ela não deixaria passar a oportunidade de me ver pagar por meus atos..

— Pode se acalmar, agora. Já pedi desculpas e aceitei as coisas.

Aproximei-me e comecei a desabotoar a camisa. Imaginando de talvez, só talvez, dessa vez ela fosse mais condescendente.

— Bom para você.

Quanta ilusão!

Para me jogar de vez no inferno que foi essa noite, ela fechou o livro, apagou os abajures, se deitou e puxou o edredom até o pescoço.

— Se você sentir frio tem um cobertor sobressalente na parte de cima do closet. Tenha uma boa noite, Carlisle.

Merda!

Minha rainha virou para o outro lado e fechou os olhos, suspirando audivelmente.

A conversa havia acabado e eu estava fadado e dormir, sabe-se lá quantas noites, naquele maldito sofá.

Bem feito, quem mando irritar a soberana de Ângelus. Agora era arcar com as consequências. Afinal, eu era o rei e estava preparado para passar por qualquer situação. Por mais complicadas e injustas que elas fossem.

Alice

— Ande, Alice. Venha logo para cama.

— Já vou.

Gritei tentando ganhar tempo. Jasper já havia tomado banho e me esperava em nossa cama. Eu o havia ludibriado dizendo que estava cansada demais e que só trocaria de roupa e me deitaria.

— Alice, o que você está procurando? Precisa de ajuda?

— Não! Só um minuto, amor.

Gritei exasperada, rezando para que ele não viesse até mim, e rapidamente voltei a revirar a bolsa a procura do que queria.

— Onde? Onde? Eu tinha certeza de que estava aqui. Droga.

Perdendo a paciência e correndo contra o tempo, virei todo o conteúdo da bolsa em cima da bancada. Eu precisava ser mais organizada com minhas coisas.

— Aqui. Achei.

Saltitei de alegria.

Agarrei o que precisava e coloquei no bolso do roupão. Agora era só ir até Bella e deixar que ela fizesse o restante.

Vasculhei com os olhos a enorme bancada que abrigava uma infinidade de produtos de beleza até encontrar um álibi.

— Perfeito.

Confiante de que precisava ser uma boa atriz voltei para o quarto e me preparei para atuar.

— Demorou. Se encontrou o que precisava deite-se agora, mulher. Às vezes acho que você é louca, Alice. Já percebeu que fala sozinha e murmura coisas inteligíveis?

Ah, sim! Todo mundo em casa e no ateliê já haviam me alertado para essa peculiaridade. Eu nem me importava mais. E fazia até sem perceber.

— Não seja bobo, Jas. Pessoas criativas falam sozinhas. Isso é comprovado cientificamente. Pode pesquisar se quiser.

O beijei nos lábios tentando fazê-lo esquecer daquele assunto, porém, me afastei rapidamente quando suas mãos tentaram me alcançar.

— Onde pensa que vai? Volte aqui.

Mostrei-lhe o tubo de creme que carregava nas mãos.

— Bella me disse que o dela acabou. Vou fazer um agrado a minha irmã. Depois da noite de hoje ela merece.

Por um minuto achei que ele iria retrucar, contudo, isso não aconteceu.

— Não demore.

Funcionou, agradeci a Deus. Usar o nome de minha irmã tinha lá suas vantagens.

— Não durma.

Exigi sorrindo sedutora enquanto saia do quarto.

Eu parecia uma fugitiva da polícia quando bati a porta de minha irmã, ao longe pude ouvir a voz alterada de nosso pai, no andar de baixo. As coisas para Carlisle não terminariam bem. Quase tive pena do rei. Eu conhecia, muito bem, a força da ira de nosso pai.

— Alice? O que faz aqui? Aconteceu alguma coisa? Nossos pais, eles...

— Ai, Edward. Se acalme. Não aconteceu nada, pelos gritos eles ainda estão vivos. Eu só preciso de um minuto com minha irmã. Ela ainda está de pé?

Esquadrinhei o quarto a procura dela, Bella não estava em lugar alguma.

Edward permanecia vestido da mesma maneira que eu o havia visto agora a pouco, somente seus cabelos estavam mais revoltos. Pelo visto, meu cunhadinho ainda não havia concertado a burrice que Bella nos contara que ele fizera.

— Ela está se preparando para um banho. Ande rápido e a encontrará antes que ela se coloque de molho lá.

Típico dela, remoer as frustrações na água quente.

Assenti e entrei quando ele abriu mais a porta. Falar das manias de minha irmã já colocava um sorriso bobo em seu rosto. Bella era uma sortuda.

— Bella, você está aí? Posso entrar?

Bati de leve e enfiei a cabeça no banheiro. Os cheiros de hortelã e morango, juntamente com a o vapor da água quente era convidativos.

— Aqui, Alice. O que foi?

— Não é nada relacionado a papai e Carlisle, pode se acalmar.

Ela estava sentada na borda da grande banheira. Os cabelos presos para o alto enquanto um macio roupão branco cobria seu corpo de modelo.

Minha irmã era mesmo linda.

— Preciso de um favor.

Retirei o frasco e a seringa e os entreguei a ela.

— Há essa hora? O que é isso, Alice?

— Ah, irmã! Achei que reconheceria um anticoncepcional quando visse um, mesmo sendo neuropediatra. Talvez você não seja assim tão brilhante quanto dizem.

Sorri divertida enquanto ela levantava e ia até sua bancada colocando os objetos lá.

— Não se faça de sonsa. Quero saber o porquê de estar pedindo que eu lhe aplique quando poderia muito bem ter feito isso com sua ginecologista ou na farmácia que o comprou.

Ela agora pegava um álcool e um pote de algodão em um dos armários debaixo da pia.

— Ora! Por que eu faria isso se tenho uma médica a meu inteiro dispor em casa?

Tentando disfarçar o nervoso, voltei a brincar.

— Ou você fala a verdade. Ou não lhe aplicarei nada.

Luvas cobriam suas mãos agora. A seringa já se posicionava na ponta do frasco de remédio.

— Ok, você tem um argumento, vou lhe contar. Eu não confio na minha médica daqui. Ela fica o tempo todo me falando de posições, medicamentos e alimentos que facilitam a ovulação. Jasper e ela, estão em contato o tempo todo. E nunca, que ela me daria essa injeção sem comunicar a ele. E eu, simplesmente, não quis tomar na farmácia pelo mesmo motivo de não confiança e também por medo de marcas. Se Jasper descobre que estou evitando uma gravidez ele ficará louco. E sei que suas mãos são leves e não me deixarão marcas. Você já fez isso outras vezes.

Vi que ela não ficou feliz com meus motivos, porém, puxou o conteúdo da pequena ampola para a seringa. Eu sabia que podia contar com ela.

— Alice, você está mentindo para seu marido. Converse com ele.

— Eu vou conversar, Bells. Mas, não agora. Jasper está fissurado com a ideia de ter um filho. Ele não entende que temos que amadurecer nosso relacionamento primeiro. Eu quero me dedicar ao ateliê, ao reino, a ele. Não estou pronta para ser mãe agora, Bells.

Abri o roupão, me deitei no futon delicado e chique, que ela me apontava no fundo do closet. Ele era macio e confortável, exatamente como o que existia em meu closet e no de Rosie também. Um dia eu perguntaria a minha sogra qual a real, utilidades deles, para estarem em um lugar tão escondido e inapropriado.

— Está certo, irmã. Não irei me meter. Você deve saber no que está se metendo. Agora levante a camisola, para que eu possa lhe furar um pouquinho.

Fiz o que ela pediu.

— Linda lingerie. Amo amarelo em você.

— Jasper também.

Gargalhei enquanto o cheiro do álcool inundava minhas narinas. A sensação fria do líquido com a pele era muito boa.

— Não se mexa e relaxe. Senão ficará roxo.

Fechei os olhos e fiz o que ela pediu. Logo senti a picadinha. Leve, muito leve. Era por isso que eu me aproveitava dos dotes dela.

— Pronto.

Esfregou o ponto ferido com o algodão, mas foi por poucos segundos.

— Não ficará marca. Tenho certeza. Só não deixe que seu marido aperte muito aí, deve ficar dolorido por algumas horas.

— Eu dou um jeito.

Sorrimos uma para outra e lhe beijei em agradecimento.

— Obrigada e boa noite, Bells. Pode voltar para seu banho agora.

— Disponha e boa noite, Lice.

Voltei a sorrir para ela e me afastei. Foi quando pensei em sua situação com o marido. Eu queria lhes retribuir o favor.

— Ah! E faça as pazes, Bella. Edward vai enlouquecer ou ficar careca se você o ignorar por mais alguns minutos.

Lembrei-me da expressão e da revolta do cabelo de meu cunhado.

— Obrigada pelo conselho, irmã.

De costas ela estava, de costas permaneceu. Retirando o roupão e repirando fundo, ela entrou na banheira. Bella tinha um gênio e tanto.

— Falou com ela, Alice?

— Falei. Obrigada e desculpe-me pela hora. Prometo que serei mais discreta da próxima vez. E...

Já da porta de saída me voltei para ele.

— Bella ama que massageiem as costas dela enquanto se banha, Edward. Ela sempre fica mais calma e sociável nesses momentos. Talvez seja uma boa hora para fazer as pazes.

Os olhos dele se iluminaram um pouco.

— Obrigada, Alice.

— Disponha, cunhadinho.

Satisfeita pela minha boa ação do dia os deixei e voltei para a companhia de Jasper.

Tudo estava silencioso pelos corredores. Sinal de que a conversa lá embaixo já havia terminado e pelo que parecia, todos haviam saído vivos.

— Pronto. Agora posso me deitar. Demorei porque Bella estava no banho.

Jasper levantou uma sobrancelha e levantou o edredom para que eu me deitasse.

Ele estava completamente nu e pronto para mim.

— Eles fizeram as pazes?

Aproximei-me, empertiguei na cama e me sentei em cima dele, segurando com força seus cabelos e buscando sua boca.

— Fizeram. Fizeram sim. Pelo rubor da pele de minha irmã e pelos gemidos que escutei antes de bater, creio que eles tenham selado a paz de um jeito muito bom.

Os olhos dele se fecharam e as mãos se apertaram em minhas costas. Eu tinha consciência de que estava provocando e mentindo. Mas, quem se importa? Cada um joga com as armas que tem.

— Que tal se esquecêssemos de nossos irmãos agora? Estou louco para estar dentro de você, Alice. Quero que me derramar, umas tantas vezes, se possível, para garantir que mês que vem, nós é possamos reunir nossas famílias para as boas novas.

Não o respondi. Eu não conseguiria. A boca dele era exigente demais na minha.

Duro. Possessivo.

Deixe-o com seus planos e ilusões porque, eu também tinha os meus. E isso era uma das poucas coisas que ele não poderia tirar de mim.

Edward

Pronto para testar a teoria de Alice e louco para fazer as pazes, tranquei a porta, pela qual minha cunhada acabara de sair, desliguei as luzes principais deixando o quarto na penumbra convidativa das luzes de cabeceira e por fim, corri para o encontro de minha esposa.

O banheiro estava também à meia luz. Essências de morango e hortelã o inundavam e o vapor da água quente, tonavam o ambiente muito mais propício a um banho a dois.

Porém, nada disso fora o bastante para ofuscar ou me distrair da linda mulher que reinava absoluta no centro da banheira.

Bella estava de olhos fechados, com aparência tranquila e relaxada, apesar das pequenas olheiras de preocupação, que no momento eram visíveis por causa da falta de maquiagem.

Seus lábios se mexiam devagar, o som saía baixinho e ritmado, o que me levou a crer que ela cantarolava algo. Desejei que ela fizesse aquilo um pouco mais alto, eu adoraria ouvir a melodia que ela entoava.

Alice estava certa, esse era o momento que eu precisava.

No pequeno percurso até ela retirei meus sapatos, meias e a camisa, porém, permaneci de calça. Não queria que ela pensasse que o desejo me guiava. Afinal, eu estava ali para agradá-la e fazer as pazes.

Devagar, evitando movimentos bruscos e barulhos altos, me aproximei e me sentei na beirada da banheira, bem perto do lugar onde sua cabeça descansava e ao melhor alcance de minhas mãos.

Assim que deslizei os dedos pela pele macia e bem cuidada, meu corpo imediatamente reagiu. Ele também sentia falta dela.

— Humm!

Um silvo baixo e satisfeito foi emitido, enquanto eu colocava um pouco mais de pressão, ao meu tímido, primeiro toque. Aquilo era um bom sinal, certo?

— Andou conversando com Alice, meu príncipe?

Sorri abertamente ao ouvir o pronome possessivo com que se referiu a mim. Isso sem falar no tom calmo e divertido escolhidos.

— Digamos que talvez a esposa de meu irmão tenha me dado algumas dicas de alguns pontos fracos de uma certa princesa linda.

— Hum! Devo me preocupar que isso seja usado contra mim em algum tribunal?

— Não! Num tribunal, definitivamente, não.

Ocultei onde exatamente eu usaria qualquer coisa nela.

Eu não estava ali para isso, murmurei como um mantra, tentando me convencer daquela afirmação.

— Você sabe que essa massagem melhoraria em muitos graus se você estivesse na mesma superfície que eu, não sabe?

— Ah! Isso é um convite?

Fingi desentendimento e fui presenteado quando ela endireitou a postura e se arrastou para frente, silenciosamente.

Aquilo era mesmo um convite.

Sem dar tempo para que ela mudasse de ideia, arranquei o restante de minhas roupas e logo entrei na água quente, me postando em suas costas, como ela indicara ser de sua vontade.

— Melhor assim?

— Muito melhor.

Puxei- a um pouco para trás e voltei a manusear os músculos rijos de seus ombros e costas.

— Já é uma boa hora para começar a me desculpar? Alice não disse quanto tempo precisava esperar até que esse método começasse a fazer efeito.

Bella riu baixinho e relaxou mais em minhas mãos.

Sim, aquela era uma boa hora.

Eu teria que recompensar Alice de alguma maneira. Aliás, minha lista de “Salvadoras de Enrascadas”, encabeça por minha mãe, vinha crescendo assustadoramente.

— Perdoe- me pelo mau comportamento de hoje mais cedo, amor. Fiquei louco quando Bree me avisou que Leah estava com você. E ainda tem essa necessidade de Jacob que não entendo, e olha que eu tento entender, mas simplesmente, não consigo. Isso é tão frustrante, Bella!

Instintivamente, afastei minhas mãos dela e passei a revirar meus próprios cabelos.

— Ei! Eu entendo, Edward. Não compreendo, mas entendo.

Com delicadeza, ela se virou para mim, levou as mãos a meu rosto e colou sua testa na minha.

— Jacob e eu somos amigos e...

— Droga, Bella! Eu não aguento mais ouvir isso. Você tem que entender que eu não...

— Shiii! Por favor, não grite. Deixe-me falar agora. Você já disse o bastante por hoje.

Comovido pelo remorso, beijei os dois dedos que ela forçava em minha boca, no leve intuito de manter calado, fechei os olhos com força e levei as duas mãos a sua nuca. Eu não iria gritar, eu precisava dela por perto, bem perto, para que meu controle voltasse.

— Jacob e eu somos amigos e parceiros de pesquisa e trabalho e nada mais do que isso. E...

— Mas, Bella...

— Por favor? Por favor?

Clamou suplicante me fazendo retroceder. Eu a estava magoando mais uma vez hoje.

— Só que hoje eu descobri, ou melhor, eu confirmei que se quiser que nosso casamento seja próspero e feliz terei que me abdicar da amizade e presença dele.

— Não é assim, princesa. Eu...

— É, Edward. É exatamente assim. E não estou te culpando. Você está certo, até certo ponto. Eu vejo Jake como um amigo, já ele...

A cabeça dela estava para o lado e sua expressão agora era triste e derrotada.

— Em algum momento eu achei que poderia dar conta de levar nossa convivência a três, mas eu me enganei e falhei miseravelmente. Se agora tenho que fazer uma escolha, eu escolho você, Edward. E peço que me desculpe se alguma vez não deixei claro o quanto nosso relacionamento é o principal para mim. Eu o amo, e farei qualquer coisa que achar necessário para que possamos ter uma vida calma, juntos.

Eu estava boquiaberto e muito comovido pelas palavras dela. Ignorei a parte de estar sendo egoísta ao deixar que Bella fizesse aquilo.

— Eu só preciso de duas coisas de você para que esse nosso objetivo seja alcançado.

— Qualquer coisa.

Murmurei enquanto escovava levemente meus lábios aos dela. Isabella Swan sempre me surpreenderia. Eu vim aqui achando que teria que aceitar qualquer coisa para receber outro perdão.

— Deixe claro o que quer de mim, sempre. Não use meias palavras, mas também não grite e pode ter certeza que farei o meu melhor para lhe agradar, do mesmo jeito com que faz comigo.

Acenei em concordância e com plena consciência de que estava prometendo não gritar mais. Aquilo não seria fácil. Eu perdia as estribeiras quando zangado.

— E também, me deixe usar o lado profissional de Jacob, pelo menos até que eu encontre alguém que possa substituí-lo. Prometo que não passará disso. Não haverá nenhuma brincadeira, nenhum toque, nenhuma conversa amigável. Porém, por enquanto ainda preciso das mãos e do conhecimento dele para as minhas crianças.

Peguei com a ponta dos dedos a única lágrima que escorreu do olho dela. Eu estava exigindo que ela abandonasse uma amizade de anos. Meu lado nobre me dizia que isso era errado, porém meu lado marido, me mandava aceitar tudo que ela me propunha. Adivinhem quem venceu?

— Você tem certeza disso? Eu não quero te obrigar a nada. Só quero que encontre um meio termo na relação de vocês.

— Não, você não quer. O que tenho agora, com Jacob, é um meio termo. Você não nos conheceu antes. Porém, você não consegue conviver com ele perto de mim, e eu entendo agora. Por isso, eu prefiro que seja assim. Uma ruptura abrupta e sem ferimentos maiores para ele. Vou convida-lo para trabalhar conosco, no entanto, deixarei claro que parceiro de trabalho será a única coisa que seremos a partir de agora.

Busquei alguma dúvida naqueles olhos, mas não encontrei. Bella estava decidida.

— Eu serei tudo que precisa, Bella. Prometo que não sentirá um pingo de falta dele. Estarei aqui para você, dia após dia.

— Eu sei. E te amo por isso, Edward.

— Você não vai se arrepender, princesa. Eu prometo.

A puxei para meus braços e a apertei junto ao peito. Ela estava se sacrificando por mim. Pedi a Deus que aquilo fosse certo.

Naquela noite nenhum de nós dormiu, ela porque parecia imersa em um mundo saudoso de últimas lembranças boas.

Eu por medo, de ter exigido e prometido mais do que poderia dar a ela.

Rezei para que não.

Notas finais
Então, me deixe saber o que acharam. Beijocas a todas.