Notas iniciais
Capítulo dedicado inteiramente a Bárbara Cristina que me presenteou com uma linda recomendação. Adorei Bárbara. Obrigada. Perdão pela demora. Recebi visitas na quarta feira e só hoje consegui corrigir o capítulo. Estou cochilando, então ignorem os erros, por favor.

Edward

— Responda-me, Edward. Por que minha filha tomou remédios para dormir? E por que ela está fazendo isso, exatamente, aqui no sofá e não na cama de vocês?

Vários sentimentos travavam uma luta interna dentro de mim, naquele momento. Alguns bem louváveis: amor por minha mulher, gratidão a Deus, pela graça com que fui presenteado, admiração por ela ser como é.

Porém, a guerra era quase que vencida pela: raiva por Charlie estar ali se intrometendo, a ira por achá-lo um hipócrita por me encarar de “peito aberto” como se não tivéssemos discutido ontem. E o pior, o ciúme por ele achar que minha esposa ainda era sua propriedade.

Contudo, eu sabia onde cada sentimento me levaria. Eu já havia passado por isso outras vezes. E apesar de ter errado, por não ter ido ao encontro de Bella ontem, eu tinha duas escolhas. As mesmas duas escolhas que tive das outras vezes quando erroneamente escolhi o caminho mais tortuoso.

Só que dessa vez não seria assim, eu estava começando a entender como Bella funcionava e se Charlie tivesse se portando daquela maneira justamente porque esperava que “o monstro” se manifestasse, ele “quebraria a cara”, dessa vez. Porque eu não estava disposto a deixá-lo tomar as rédeas de meu relacionamento.

— Bella chegou tarde e cansada, meu sogro. Nos deitamos e adormecemos, logo em seguida. Ela deve ter acordado hoje cedo e vindo para cá. Agora se me permite...

Eu não disse “bom dia”. Não cumprimentei, muito menos sorri para nenhum deles. Só me aproximei, me inclinei, passei os braços por baixo de minha princesa e a peguei no colo.

— Vou levá-la para cama e vamos nos deitar mais um pouco, ainda é muito cedo e vocês nos pegaram desprevenidos.

Foi com orgulho que vi suas sobrancelhas de juntarem em desgosto.

Rosie e Emm abafaram uma risadinha que só podia significar incredulidade e sarcasmo por eu estar enfrentando o magnânimo rei de Forkian.

— Você não está sendo um bom anfitrião.

Respondeu alisando o bigode e fechando mais a expressão.

Como se isso fosse me assustar. O único motivo de minhas preocupações e medos descansava tranquilamente em meus braços.

— Bá, por favor, acomode meus sogros, meu irmão e minha cunhada. Depois os sirva o café da manhã e tudo mais que eles desejarem e precisarem. Bella e eu vamos dormir mais um pouco. Estaremos disponíveis só mais tarde.

— Sim, senhor.

Donna não me olhou nos olhos, somente assentiu e voltou para a cozinha. Eu torcia a Deus para que ela ignorasse meu comportamento de ontem.

Com ela eu, definitivamente, precisava me desculpar.

— Irmão, se importa de cuidar de tudo para mim? Assim que Bella acordar, desceremos. Okay?

— Vá tranquilo, Ed. Pelas notícias que recebemos Bella deve estar exausta.

Assenti com um pequeno sorriso. Emmett não me olhava como quem me julgava, aliás, Charlie era o único que estava fazendo isso. Renée e Rosie contemplavam a nós dois com uma serenidade absurda.

— Ora! Quanta insolência! Deixe minha filha descansar e volte para cá, garoto. Nós temos que conversar.

Não, sogrinho.

Por esse caminho, não. Eu tinha prioridades agora. E ela, definitivamente, não era você.

— Por favor, fale baixo, Charlie. Minha esposa está dormindo e estamos em minha casa e ninguém grita aqui dentro.

Emm levantou a sobrancelha e disfarçou um risinho irônico. Desafiar Charlie não era uma coisa que fazíamos muito, nem Jasper, diga-se de passagem.

— Não sei quanto tempo demoraremos lá em cima. Se precisarem de alguma coisa é só remeter a Bá, Sam ou Stephan. Mas, se ficarem entediados a casa dos meus pais é logo ali, sintam-se a vontade.

Foi a última coisa que disse antes de virar as costas e caminhar, com minha mulher nos braços, para nosso quarto.

Eu queria mesmo era me sentar e deixar que ela dormisse aninhada a mim, do jeitinho que estava, enquanto a ninava com calma.

Contudo, sabia que não seria confortável.Então a deitei em nossa cama, retirei seus chinelos. Puxei o edredom, a cobrindo, fechei as cortinas, ajustei o ar condicionado e por fim, liguei a televisão, bem baixinho.

Sem mais conter a saudade do corpo dela junto ao meu, me deitei e a puxei para o mais perto possível de mim.

Zapeei pelos canais até chegar ao mesmo telejornal que meu irmão assistia.

E ali, com Bella em seu lugar de direito, em meu lugar preferido, me interei melhor do que havia se passado ontem.

E com cada coisa que descobria, cada testemunho de desconhecidos e relatos de profissionais, que auxiliaram Bella nos resgates, um sentimento em si voltou a dominar os outros: o orgulho.

O orgulho de ser o dono do bem mais precioso que Deus havia colocado nesse mundo: minha linda e dedicada esposa.

Bella

— Hunf!

Gemi. Alguma parte de meu corpo sonolento doía como um inferno. Eu só não conseguia identificar onde era.

Eu me sentia pesada e nublada. Odiava o pós- efeito de remédios para dormir. Eles sempre me deixavam meio, zumbi, demais.

Por isso, os evitava. Preferia enfrentar uma insônia cruel a sofrer as consequências deles.

Eu precisava me lembrar disso das próximas vezes, se bem que com Edward ao lado era raro eu precisar de qualquer coisa para dormir. Ele fazia questão de cansar meu corpo ao extremo, todas as noites, para que quase nunca ficasse insone.

— Aí...

Gemi de novo.

— Que foi? Onde dói, amor? Algo está errado, princesa. Traga sua consciência para mim e diga o que posso fazer por ti, pequena.

Edward estava ao meu lado, e eu já imaginava porque a sensação de conforto não podia ser só por causa da cama quente e macia na qual eu repousava. Aliás, eu não dormira no sofá?

Enfim, a voz dele estava tão macia, tão baixa e delicada que parecia um bálsamo de tranquilidade. E sinceramente, não era essa reação que eu esperava dele, não depois da minha falha de ontem.

Será que ele estava tão preocupado que se prestava a esquecer de sua ira? Há quanto tempo eu dormia?

— Tudo bem, meu amor. Durma quanto tempo quiser. Estarei aqui quando se sentir preparada.

Era o que incentivo que eu precisava. Voltei a me concentrar na sensação de peso e cansaço e mais uma vez, apaguei.

Jasper

— Aonde vai?

Alice havia acabo de descer e já se dirigia para a porta. Esme e papai haviam feito a mesma coisa há poucos minutos atrás.

— Você nem comeu. Ainda é cedo.

Eu odiava como ela estava sendo negligente com sua alimentação. Sua barriga, que abrigava meu filho, já estava um pouquinho proeminente e eu queria vê-la se desenvolvendo a todo vapor.

Mas, para isso aquela “cabeça dura” precisava se alimentar. Não precisava?

— Vou para casa de Edward e Bella. Rosie me ligou. Eles acabaram de chegar lá.

Hum! Será que era para lá que meus pais haviam se dirigido também?

— Coma primeiro. Ainda é cedo. Bella e Edward ainda devem estar dormindo. Vocês serão inconvenientes.

Reprimi minha imaginação ao pensar em Edward e Bella na mesma cama.

Eu queria aquela mulher para mim.

— Eu vou agora. Quero ver meus pais.

— Alice...

Adverti. Ela andava colocando as “asinhas de fora”. E eu precisava acabar com aquilo.

Eu sabia que aquela irmã mais velha era má influencia. Emmett não tinha pulso firme, assim como Edward. Todos herdaram a “frouxisse” de papai, que também se deixava dominar por Esme.

— Ah, Jasper! Deixe-me. Vou tomar café lá. Aproveite a solidão e veja se coloca suas ideias no lugar.

— Cale-se, mulher! E espere que vou também.

Disse já me levantando.

O que estava acontecendo? O que meus sogros e meus pais estavam fazendo se reunindo sem meu conhecimento? Eles estavam tramando?

Eu precisava ficar atento.

— Não vai não. Você não foi convidado. E além do mais, ligue a televisão e se situe. Bella e Edward não precisam de sua presença forçada lá neste momento.

Merda! Maldita mulher e suas mudanças de humor.

— O que está acontecendo, Alice?

— Ligue a televisão.

Deixando-me atônito com sua audácia, ela partiu.

E a incredulidade só duplicou de tamanho quando liguei a televisão e me coloquei a par do ela falava, do que estava acontecendo.

— Ah, Bella!

Eu não sabia se ria ou chorava.

Isabella era, mais uma vez, o centro das atenções da imprensa mundial.

Isso explicava a movimentação dos seguranças pelos jardins de casa.

E mesmo com a enxurrada de imagens dela e meu irmão rodando por cada canal que eu perpassava, minha mente só conseguia planejar o quanto ela ficaria bonita e apropriada como a rainha de Ângelus.

Bella

— Ainda nada?

Escutei, mais uma vez os cochichos. Agora eu me encontrava mais atenta e pronta para abrir os olhos e enfrentar a realidade que me esperava.

— Não. Mas, acho que não vai demorar muito. Ela já se virou duas vezes e começou a ficar inquieta.

— Está demorando demais. Por que você não nos deixa tentar acordá-la? Minha filha quer vê-la.

— Porque vocês duas não vão procurar o que fazer? Ninguém vai acordar minha mulher, Rosie. Eu não sou sua irmã, nem meu irmão, suas chantagens não funcionam comigo.

Eu quis gargalhar. Se Rosie era capaz de Jasper, em Edward ela encontrava um oponente a altura.

— Vê-se que você e Jasper são irmãos. São chatos e sem educação. Vamos, Alie. Vamos procurar na internet uma novena para libertar você e Bells desse carma.

— “Vão pela sombra”. E que Deus ajude o Emm. Porque se a filha dele for igual a você, meu irmão estará ferrado e mal pago.

— Vá se danar, Cullen.

Agora, sem conseguir mais segurar, soltei um risinho no mesmo instante em que a porta se fechava.

— Rá! Então você está acordada, senhora Cullen? E nem para me salvar de suas irmãs malucas? Isso não se faz. Sabia?

Continuei de olhos fechados. A brincadeira estava interessante e Edward parecia tão calmo. Será que ele já havia descontado sua ira em alguém?

Implorei a Deus que não.

— Abra os olhos, amor. Estou com saudades. Mal te vi ontem.

O colchão ao meu lado se afundou e logo senti seus lábios em meu rosto.

— Oi. Bom dia.

Abri os olhos para ele. Eu também estava com saudades.

— Boa tarde, princesa. Muito boa tarde.

Acompanhei no olhar de Edward a duas bandejas em cima da mesinha na sacada.

— Que horas são? Quanto tempo eu dormi?

— Três horas da tarde. Não sei quanto tempo você dormiu, visto que, não vi que horas você se deitou.

Afastei-me de seu toque e forcei meu corpo para cima, me sentando e encostando o corpo na cabeceira da cama, ele me acompanhou.

— Nossa! Já está tarde. O que Rosie e Alice estão fazendo aqui. Por Deus! Eu já a proibi de viajar ela vai ter aquele bebê dentro do avião e...

— Shiii! Pare de falar, Bells. Eu quero te beijar.

Provando seu ponto, ele passou a mão em meu rosto e fechou os dedos em minha nuca, puxando minha boca de encontro a sua.

— Não, amor! Preciso me livrar do bafo matinal.

— E eu preciso me livrar da saudade de você. Fique quietinha e caladinha somente por uns minutinhos, por favor.

Ele me abriu aquele sorriso torto que amolecia qualquer coração. E eu não pude fazer nada se não, ceder. Qualquer um cederia qualquer coisa àquele homem quando ele sorrisse assim.

— Me beija, Edward.

Ele não precisou de mais incentivo. Logo as mãos estavam em minhas costas, me puxando para mais perto, enquanto a boca deslizava por sobre a minha. Doce e delicado, as línguas se explorando e buscando uma a outra.

Não era luxuriante, não era desejo, era saudade e necessidade pura em sua total essência e poder.

— Hum! Você é lindo demais, Edward. Eu o amo tanto.

Nossas testas estavam unidas e eu acariciava seu cabelo como todo carinho que eu podia.

— Senti sua falta ontem. Meu corpo e eu não gostamos de não ter você por perto.

— Eu sei e lamento por isso. Estávamos a caminho daqui quando nos deparamos com um acidente. Eu não pensei duas vezes. Eu tinha duas escolhas, amor. E fiz o que achei que é certo. Sei que tínhamos um compromisso, mas eram crianças. Eu fiz um juramento e...

— Eu sei o que aconteceu, aliás, todos sabem. Não precisa se explicar. Você fez o certo. Era somente um jantar bobo, não pode se comparar ao que você fez.

Encarei seus olhos imensamente verdes. Eles estavam bem mais intensos hoje. Transbordando algo que eu não podia identificar ainda.

— Um jantar bobo que você queria ir. Não precisa disfarçar, sei que está chateado e...

— Não estou chateado. Estava, não estou mais. Já passou, princesa. Pare de tentar adivinhar meus pensamentos.

— Nós tentamos te avisar. Sam ligou, mas nada funcionava. Depois ele contratou uma pessoa para ficar te esperando perto da rua. Assim que você passasse, eles te levariam até mim.

Um semblante triste tomou sua face.

As mãos dele agora em meus ombros massageava os pontos mais tensos e doloridos.

— Quando você não chegou eu desisti de ir. Só me deitei e apaguei.

Acordei hoje de manhã e quase enlouqueci por não te encontrar na cama. Achei que tivesse acontecido algo. Por que se deitou na sala, Bella? O sofá do closet é para essas situações. Aliás, ele é todo para mim, amor. Me expulse do seu lado, mas, não saia de lá. Eu preciso de você por perto, nem que seja somente para admirar.

— Cheguei tarde. Você já dormia e parecia cansado e chateado. Não quis te incomodar.

— Aí se dopou e dormiu no sofá.

Abaixei a cabeça e assenti. Não havia como nem por que negar.

— Eu não conseguiria dormir de outra maneira. A adrenalina estava alta demais. Meu corpo estava exausto, mas minha cabeça estava a mil, pensando muitas formas de salvamento e primeiros- socorros ao mesmo tempo.

Ele levantou minha cabeça e beijou entre meus olhos.

Era uma das melhores formas de beijo, em minha opinião. Transmitia carinho, amor e respeito.

— Estou orgulhoso de você. Muito orgulhoso. Você é preciosa demais. A minha preciosidade.

Passei os braços por seus ombros e o abracei.

Escondi o rosto em seu pescoço e inspirei, profundamente, seu cheiro.

— Agora que já respondi ao interrogatório, me diga o que Rosie está fazendo aqui? Emmett também veio?

— Sim. Todos vieram. Inclusive seus pais. Ele foi informado de madrugada, pela acessória de imprensa de Forkian, o que havia acontecido. Não pensaram duas vezes e embarcaram. Eles te encontraram no sofá hoje de manhã. Menti para seu pai, que você havia descido hoje cedo. Ele está desconfiado ainda.

Dei selinhos em sua garganta.

— Você fez bem em dizer isso. E deixe que eu acalme a fera depois. Charlie não pode comigo.

— Rá! E eu não sei?

Ficamos quietinhos por alguns minutos. Nossos corpos colados e saudosos. Só de estar nos braços um do outro já bastava.

— Você quer comer ou tomar banho primeiro? Deve estar faminta e ainda pulou duas refeições hoje.

Pesei as possibilidades. Fome ou banho? Me estômago pedia uma coisa, mas meus músculos...

— Banho. Estou dolorida, cansada e sonolenta ainda. Acho que preciso daquela banheira e de uma água bem quentinha em volta de mim. Se pudesse ter companhia... Braços em minha cintura e peito em minhas costas, ficaria melhor ainda.

— Acho que posso arranjar isso para você. Espere um pouquinho volto já, meu amor.

Ele se soltou de mim, beijou meus lábios devagar e depois partiu para o banheiro.

Edward não estava zangado o que era uma maravilha. Não havíamos brigado, nem discutido.

Creio que seja um bom sinal, não é?

— Ligue para sua avó. Pergunte a ela se podemos almoçar lá amanhã?

Pedi quando ele retornou ao quarto já com duas toalhas limpas nas mãos. Edward estava me mimando demais.

— Tem certeza? Não precisa fazer isso agora. Você ainda precisa descansar. Vovó entenderá.

— Posso fazer isso depois. Ligue para ela.

Ele pegou o telefone e se dirigiu a varanda. Observei enquanto falava e gesticulava entusiasmado.

— Pronto. Tudo acertado. Dona Elizabeth nos receberá amanhã.

Voltou já me pegando no colo e me carregando até o banheiro.

Sentou-me na pia, se despiu, me despiu e então, entrou comigo na banheira.

— Agora, relaxe e aproveite. Vou ligar a hidro para que a água não esfrie.

E foi o que fiz, deixei que o tempo, a água e a companhia fizessem maravilhas em meu corpo e mente.

Eu nem podia acreditar no que estava acontecendo. Não ouve embate, nem crises, muito menos brigas. Eu falei, ele escutou. Ele falou, eu escutei. Não havia o porquê se desculpar.

Nenhum de nós fez isso.

Ninguém havia errado, havíamos sido vítimas das circunstâncias e por fim, conseguimos nos resolver muito bem.

Isso era resultado de convivência, amor e confiança.

Óbvio que estávamos somente dando os primeiros passos, mas já era um começo e isso era o que importava para nós dois.

Esme

— Não há possibilidades disso, Charlie. O serviço secreto já confirmou. O que aconteceu foi um mero acaso, um acidente. E, coincidentemente, Bella estava lá.

Estávamos na sala de estar da casa de Bella e Edward, eles ainda não haviam descido.

Enquanto isso, Carlisle e Charlie tentavam decifrar o que acontecera ontem.

— Sei disso, Carlisle. Você já me explicou. Mas nada me tira da cabeça que os terroristas estão perto, muito perto. Fico louco só de pensar que Alice e Bells estão na linha da frente. Isso não é justo com elas nem comigo e Renée.

Nem com Edward, pensei.

Charlie, parecia mais tenso que o normal e a exclusão proposital que ele impunha a meu filho, mesmo em conversas de família, me deixava, chateada e preocupada ao mesmo tempo.

— Nada vai acontecer sogro, se acalme. Jasper, pode ter todos os defeitos do mundo, porém é muito competente no que faz. Logo pegaremos esses bandidos. Eu te garanto.

Emmett tentava ajudá-los. Renée e eu estávamos quietas somente escutando. Minha amiga parecia aflita, triste e muito distante. Creio que algo estivesse errado, contudo, ela negou qualquer questionamento meu quanto a isso.

Rosie e Alice estavam sentadas perto da janela, cada uma com a mão na barriga, acariciando seus bebês, meus netos.

Elas pareciam trocar confidências, pois sorriam e gesticulavam animadamente. E isso me aliviava, minhas noras estavam bem entre si. Como devia acontecer com todos os irmãos.

O único não presente na casa, era Jasper. Eu odiava perceber o quanto ele se enveredara por caminhos diferentes do que planejamos. A princípio achei que a culpa fosse de Alice e sua empáfia. Porém, conversando com Carl, chegamos a conclusão de que erramos com ele. Claro que “o segredo” ajudou, mas não foi sozinho. Charlie e Renée criaram as três filhas sabendo qual seria o futuro e posição de cada uma e, apesar de alguns chiliques esporádicos de Alice, ela conviviam bem.

Já com nossos filhos a coisa se complicou quando Jasper cobiçou Isabella e depois descobriu o que os aguarda.

Creio que tenha perdido meu filho aí.

Penso que ele ainda tenha solução. Rezo para que esse bebê abrande seu coração e o mostre como a vida pode sem boa do jeitinho que está.

Mas aí, vejo Bella e Edward vivendo o mundo deles. Evitando uma gravidez, porque a mulher é altruísta demais, e enlouqueço.

Nós precisamos acabar com isso de uma vez. Carl e eu temos o dever de clarear as mentes deles. Mas não podemos, pelo menos por enquanto, não enquanto Edward e Bella não...

— Boa tarde, boa tarde...

— Oh, minha querida!

Fui tirada de meus pensamentos com a chegada deles.

Lindos, descansados e exalando amor, por todos os lados.

Eles não haviam brigado e isso era a melhor notícia de todos os tempos.

Bella

— Oi, mamãe.

Renée me abraçou apertado e alisou meus cabelos, ainda molhados.

Edward e eu, acabamos o banho e descemos. Ele estava receoso, porque meus pais estavam aqui. Ficar o dia todo no quarto não era uma opção, infelizmente.

— Você está bem? Dormiu demais e...

— E se “entupiu” de remédios, mocinha.

Charlie me arrancou dos braços de mamãe e me prendeu nos seus.

— Não fiz isso, papai. O remédio que tomei é altamente controlado. Tenho receita. Pode perguntar ao Jake se quiser.

— E desde quando aquele garoto é de confiança?

Sorri e aspirei o cheiro de Charlie Swan. Eu estava saudosa demais dele.

— Estou bem, paizinho. Só precisava dormir. Minha adrenalina estava alta. Eu não conseguiria sem uma pequena ajuda.

— Sei. Acho que um leite quente seria mais aconselhável, não acha?

Me soltei de seus braços e me encostei em Edward. Charlie o olhava sugestivamente, meio que insinuando que aquilo era missão dele.

— Não. Ontem não, pai. Depois de tudo o que vi, fiz e vivi, ou era o calmante ou uma bebida bem forte. Optei pela primeira opção ao pensar em como acordaria hoje.

Alice e Rosie sorriram de minha brincadeira e foi minha deixa para mudar o foco de nossa conversa.

— Rosie, Rosie... O que pensa que está fazendo aqui?

Me virei para elas fugindo do olhar de Charlie para as mãos de meu marido em minha cintura.

Não entendi. Será que ele achava que estávamos brigados?

— Eu já volto.

Edward aproveitou a distração de todos me beijou nos lábios e sumiu rumo à cozinha.

Fiquei sem entender e a mercê de nossas famílias.

— Pare de ser chata, Isabella. Estou bem e estamos aqui por sua causa.

— Nãoe estou sendo chata. Só precavida. Esse bebê vai nascer dentro de um avião se não tomar cuidado. Escreve o que te digo.

Me aproximei delas e me sentei em uma poltrona ao lado de Esme. Que prontamente pegou minha mão.

— Está tudo bem, querida?

Cochichou e só pude sorrir em confirmação. Eu amava como minha sogra me tratava. A preocupação com Edward e eu era evidente em seus olhos.

— Faltam dois meses, Bells. Lizzie ainda não está pronta. Não é, bebê do papai?

Emmett sorriu bobo enquanto acariciava a barriga da esposa.

— Espero que esteja certo, porém, isso é relativo, Emm. E, primeira gravidez costuma adiantar.

— isso é verdade. Você por exemplo, nasceu de oito meses.

— Rósalie também.

Carlisle, mamãe e Esme entraram em uma discussão ferrenha sobre tempo, demoras e expectativas.

Respirei aliviada ao ver que não era mais o centro das atenções.

— Aqui.

Edward voltou e equilibrou uma bandeja no braço da poltrona, a qual eu estava.

Depois me puxou de lá, se sentou e me colocou em seu colo.

— Você come e fala.

— Amor, isso não é necessário. Nem estou com fome.

— Rá! Isso é mais que necessário. Você não se alimentou hoje. E a anemia? Tenho resultados a mostrar para seu médico.

Puxou a bandeja para meu colo e passou a me alimentar diretamente na boca.

Corei de todos os tons de vermelho da palheta de cores.

Ele nem se importou.

— Posso fazer isso sozinha, sabia?

Respondi mordendo o bolo de chocolate, que ele me oferecia.

— E que graça teria?

Sorrimos conspiratoriamente.

Papai gemeu de desgosto no centro da sala. E eu não sabia se era de ciúmes ou de desgosto por estar no colo de meu marido.

Não me importei. Meu marido tinha livre acesso a mim. E Charlie que se acostumasse com isso.

— Mas, sabe Bells. Você não está de todo errada. Essa é minha última viajem. E tenho um pedido a fazer antes de me enfurnar, de vez, em Forks.

Edward vincou a testa.

— Se eu puder ajudar.

Tomei um gole de suco de laranja. Ele aproveitou e meu deu um selinho, sentindo o gosto da fruta em meus lábios.

— Vocês poderiam parar? Está me dando ânsia.

Estirei a língua para Alie e não me movi um milímetro. Estava bom demais ali.

— Não ligue para Alice e sua rabugice, Rosie. Fale.

— Bom, Bells. Como você disse, agora faltam dois meses. Estou começando a ficar com medo e preciso que você venha para casa conosco.

— Quê?

Senti Edward se retesar e enrijecer o corpo.

Merda! Eu não esperava por essa.

— Como assim, Rosie? Não estou entendendo. Eu... Nós...

Fiquei sem palavras revezando o olhar entre ela e meu marido.

— Calma, Isabella. Deixe sua irmã explicar.

Todos pararam com a conversa paralela e voltaram a atenção para nós.

Eu nem havia percebido que papai nos observava com tamanha atenção e intensidade.

— Estou com medo, Bells. E quero você comigo. E como você disse, pode adiantar. Por isso quero que venha para casa conosco e fique lá até Lizzie nascer.

O sangue deixou meu rosto e não fui capaz de engolir mais nada que Edward me oferecia. Se bem que, ele parecia tão atônito e surpreso quanto eu que nem tentou me fazer comer mais nada.

— Sei que tem seus compromissos. E que precisa resolver isso primeiro. Não importa se demorar uns dias, uma semana até que os ajeite.

Minha cabeça começava a zunir, de novo. A pressão das mãos de Edward, em minha cintura, só aumentava.

— Filha? Diga alguma coisa...

Charlie ostentava um sorrisinho na face. Ele sabia que eu estava perdida em contradições.

Rosie e Edward... O que eu faria?

Dois meses sem meu marido? Ou deixar minha irmã a deriva de uma primeira gravidez sem estar por perto?

— Acho que isso é uma decisão que não posso tomar sozinha. Nem mesmo assim tão de repente.

— Quê? Você está se negando a acompanhar sua irmã num período tão importante?

Sentindo um desconforto com aquela conversa, me coloquei de pé e encarei Charlie, de frente.

— Não estou me negando a nada, pai. Só estou dizendo que preciso pensar. Edward e eu temos que conversar a respeito. É a ele que devo explicações. E, além disso, tenho o hospital e meus pacientes, tenho responsabilidades, não posso sair assim, sem mais nem menos.

Charlie bufou inconformado e indignado. O que ele queria que eu fizesse? As coisas não giram em torno de suas vontades.

— Hum, princesa?

Voltei minha atenção para meu marido que agora segurava a mão de Esme. Carlisle nos observava atentamente.

— O que você acha?

— Brilhante pergunta, irmão? Seja mais específico, por favor.

Emm tentou descontrair, mas foi em vão. O clima estava tenso demais e nem era Rosie, e seu pedido, o motivo da aura pesada.

Ignorei Emm e respondi Edward.

— Faltam dois meses ainda. Se Rosie mantiver as coisas calmas, ela finalizará bem essa gestação. Mas, é como eu disse, corre o risco de adiantar. Mas, cada caso é um caso.

— Adiantar dois meses? Isso é possível?

— Possível sim, comum não, meu amor. Ela está bem, a pressão controlada. Apesar das viagens, tem mantido uma rotina tranquila. É bem provável que chegue a mais um mês e meios, mais ou menos.

Cheguei ao lado dela, me abaixei e alisei sua barriga.

— Então porque não fazemos assim: Estamos a três semanas de seu aniversário. Fique aqui até lá. Resolva o que tem que resolver no hospital, vá ao ultrassom de Alice, me mime bastante...

Não resisti ao impulso de sorrir abertamente para ele.

— E depois vá para Forkian tranquila.

— Tranquila? E você?

Ele veio para perto me pegou pelo cotovelo, me colocou de pé e então voltou a me abraçar.

Eu não poderia me imaginar sem ele. Será que para ele era tão fácil assim?

— Estarei lá todo final de semana. Será como nos tempos de namoro, só que agora com uma saudade mais intensa. Porque, literalmente, não sei viver sem você.

Graças a Deus.

— Nem eu sem você.

Acariciei o rosto dele com os dedos. Será que eu conseguiria ficar uma semana inteira sem aquilo?

— Rá! Tudo muito bom, muito lindo. Mas, e se minha neta resolver nascer antes disso? Você vai estar a quilômetros de distância de sua irmã e não chegará a tempo. Isso é inadmissível.

— Ela não vai, sogro.

— E quem me garante?

— Eu garanto.

Emm voltou a tocar a barriga da esposa.

— Bella e Edward tem uma vida também. Nós não exigiremos mais deles do que podem nos oferecer. Certo, Rosie?

— Emm tem razão, papai. Eu confio nele e em Bells. E se eles acham que consigo levar isso mais adiante é porque consigo.

Rósalie aliviou a pressão que havia imposto a mim. Minha irmã me entendia e isso bastava para que fizesse a coisa certa.

— Não tem segredo querida. Só se mantenha calma e confiante e tudo correrá bem.

— Esme está coberta de razão, filha. Não se preocupe. E, além disso, estarei com você em todos os momentos.

Todos opinavam de alguma maneira, mas aquilo não importava. O que importava era o que Edward achava e eu faria exatamente o que ele achava.

— Vou aproveitar esses dias antes do aniversário da Bells para também me ajeitar. Quero ir com ela para casa. Preciso estar em Forks quando nossa Lizzie chegar.

— Faça isso, Alice. É um momento importante para vocês. Eu conterei Jasper. Não se preocupe.

Carlisle e Alice também estavam de acordo.

Meu sogro agindo com coerência era uma benção.

— Então, está decidido. Depois do meu aniversário eu vou. Até lá se contenha Rósalie Cullen.

Edward me apertou mais e sorrimos para nossa solução, apenas papai não concordou.

Charlie reclamou e saiu irritado rumo ao quarto que lhe era reservado.

Eu não estava entendendo as atitudes dele. Porém, pela primeira vez em tempos, não me importei.

Porque da minha vida e de meu marido cuidaríamos nós.

Notas finais
Responderei as MPs e comentários até domingo, ok? Se consegui escrever o capítulo até quarta, tem capítulo, se não... só na outra semana. E preparem seus trajes de festas temos um aniversário, bem quente, para comemorar no próximo.