Três Príncipes, Três Princesas

95 Extra IV- Eu Reino, Você Reina, Nós Reinamos


Notas iniciais
Bom, depois de um Dezembro corrido e um Janeiro sem computador, hoje, Graças a Deus, chegamos ao fim... Apreciem lentamente, porque agora acabou de verdade. Capítulo dedicado a Franceska e a Gleice que me presentearam com lindas palavras de recomendação. Eu amei e me emocionei com cada linha. Nos vemos nas notas finais...

Edward

— Não estrague minha obra de arte, Cullen. Deixe para fazer o que vier a sua mente, quando toda cerimônia tiver acabado. Prometo que entreteremos as crianças e aí...

— Deixe de ser chata, pelo menos uma vez na vida, Alice. E só para você saber, não temos mais crianças. Ou suas crianças chegam em casa às cinco da manhã? Porque, pelo que fiquei sabendo, Lizzie e Annie andam chegando a essa hora.

— Elas estão só aproveitando as festividades... Deixe-as.

— Já deixei. É responsabilidade de vocês. Mas, com Lindsay não é assim. Ela é bem mais nova. Meta isso na cabeça da sua filha. Porque se eu pegar outra discussão entre Bella e Linda por causa das primas, proíbo as duas de entrar aqui em casa. Eu já disse isso a elas. Só estou informando a você, como fiz com Rosie, porque não quero que sejam pegas de surpresa.

Passei por ela e abri a porta do quarto por onde a mesma havia acabado de sair.

— A coisa foi feia ontem, não foi?

Acenei em concordância. Era óbvio que Bella já havia desabafado com a irmã, e mesmo que não tivesse feito, as olheiras não estavam tão disfarçadas assim.

— Foi. Lindsay, gritou e agiu como uma garota mimada, que não é. Tudo porque eu pedi a Bella que não a deixasse sair à noite. Eu sou incapaz de dizer não, mas Bella é. Agora, se eu soubesse que ela falaria tantas besteiras eu mesmo teria impedido.

— Eu lamento, Edward. Vou falar com Annie. E, ainda bem que Linda pediu desculpas.

— Depois de olhares assassinos dos irmãos? Até eu imploraria perdão. Agora se não se importa, você e eu precisamos terminar de nos arrumar.

Ela me olhou de cima abaixo e revirou os olhos... Ahh, aquele gesto... Será que era marca registrada dos Swan’s?

— Você já está pronto. Aliás... Quem assina essas vestimentas? Elas parecem costurados aos corpos de vocês.

Tentou, fracassadamente, devido a pouca altura, olhar por dentro da minha farda.

— Segredo de estado. Temos medo que você roube nosso costureiro. Anda, suma daqui! Deixe-me acalmar minha linda esposa, porque tenho certeza de que os nervos devem estar aflorados.

— Nem um fio fora do lugar, Cullen. Ou você será um rei morto. E olha, uma viúva nova, linda e ainda por cima rainha? Aposto que nem o príncipe Harry resiste. E ainda tem Jacob que espera uma oportunidade dessa há anos.

— Ah, sua anã! Meu primeiro decreto será banir você de Ângeles.

— Promessas, promessas...

Ela sorriu, estirou a língua para mim e saiu... Simplesmente assim. Como se ainda tivéssemos quinze anos...

Sacudi a cabeça e sai caminhando rumo ao banheiro.

Uma canção baixa e suave vinha lá de dentro.

Antes mesmo de vê-la fui inundado e inebriado pelo cheiro de Bella Cullen, a minha fragrância preferida, o meu tônico de vida.

Sem fazer barulho e segurando a vontade louca de suspirar, parei no batente da porta, me encostei e fiquei ali, apenas me embebedando com a visão mais linda com que fui presenteado.

Ela! A minha vida! A minha rainha! A minha dona...

Por Deus! Ela era linda! Eu agradecia todos os dias pela graça dela ser a terceira filha, mas hoje... Mas hoje, mesmo depois de tanto tempo... De quase 22 anos de casados, Isabella Swan ainda conseguia me surpreender.

— Vai ficar aí parado?

Pego no flagrante... Não fui capaz de falar, só sacudi a cabeça em confirmação.

Agora eu entendia as recomendações e ameaças de Alice.

— Está exagerado, não está? Pomposo demais. Eu sabia que era um erro deixar Alice fazê-lo.

Bella alisava o vestido e tentava passar a mão pelo cabelo, já prezo em um coque alto, pronto para receber a coroa.

Adentrei o lugar, me posicionei a sua frente e segurei suas mãos antes que ela “entrasse em parafuso” e estragasse mesmo a obra prima, como disse Alice.

— Princesa, você não poderia ter feito escolha melhor. Sua irmã é muito chata, porém trabalhou muito bem. Você está esplêndida. Está perfeito! Linda!

E eu não mentia. Tá certo que não era especialista em moda, porém entendia de realeza e rainhas. E Bella estava uma perfeita...

O vestido tinha um fundo azul marinho, mesma cor da minha farda, que começava no início dos seios.

A parte de cima, desde o pescoço, e sobrepondo toda a peça vinha um delicado tecido fino, acho que de tule, todo transparente, mas rebordado, se não me engano com fios de ouro, pequenas folhas e flores, dourado, bem dourado.

Em cima, uma pequena gola e mangas, no estilo japonês, ou quimono, como desejarem. Era justo, bem justo, até o quadril, depois se alargava um pouquinho e descia assim até os pés.

Como adereço, somente um par de brincos em formato de rosas delicadas, com uma pedra também azul no centro. E as duas alianças e o anel de formatura nos dedos. Somente isso... Uma visão de tirar o fôlego!

Como eu sabia de tudo isso? Não se esqueçam de que Bella e Rosie são sócias de Alice na empresa. E, como bom marido, eu me mantinha atualizado dos empreendimentos dela.

— Está tudo certo, amor. Formamos um belo par.

Postei-me atrás dela, tomando todo cuidado do mundo, para que a “maldita espada” adereço da minha vestimenta, não a machucasse.

— Fazemos mesmo. Você está lindo!

Não, eu não estava. Minha veste, era quase que a mesma de meu casamento, uma farda das forças militares de meu reino.

Azul, cor da minha especialização. E com medalhas, algumas a mais agora, a tal espada e o quepe que Stephan já colocara no carro, antes que eu o perdesse em algum lugar.

— Sabe, está dando uma vontade de tirar isso tudo de você... É pura tentação, Bella.

— Não se atreva! Não podemos nos atrasar no dia da coroação. Além do mais, você já teve o bastante hoje de manhã.

— Tenho dúvidas disso...

A virei para mim e acariciei seu rosto, segurando muito a vontade de beijá-la.

— Já disse que te amo hoje?

— Hum, deixa ver... Não me lembro.

Brincou, acariciando meus cabelos, já levemente grisalhos. Diferente dos dela onde se achava somente alguns poucos fios brancos em meio aquele mar castanho.

— Preciso reparar isso, minha rainha.

Escondi o rosto em seu pescoço e aspirei, mais ainda, seu cheiro inebriante.

— Te amo.

— Eu estava brincando, você disse isso hoje de manhã.

— Eu sei...

Passei a ponta do nariz pelo mínimo pedacinho de pele exposto, quase chegando à orelha.

— Mas é bom dizer em voz alta para que nunca esqueça.

— Te amo, Edward.

— Sei disso também.

Gargalhei quando a mão dela estalou, um tapa, em minhas costas.

— Agressiva... Não estava assim de manhã. E juro que não vai estar à noite quando fugirmos daquela festa enfadonha. Vou te sequestrar, vossa majestade.

— Conto com isso, meu rei.

Sem me conter e já sabendo que seria morto por Alice, segurei mais forte sua cintura e a puxei para perto. Eu só queria tomar sua boca na minha.

E teria feito se...

— Ei, casal! Tô entrando... Rá! Eu sabia que deveria vir buscá-los. Só a maluca da Alice para deixar os dois sozinhos num dia como hoje.

— A maluca é sua princesa, Stephan.

Comentei ácido ao ver Bella corar por ter sido pega.

— E quem te deixou entrar assim? Não se bate mais na porta nessa casa? Se isso virar rotina nos mudamos.

— Minha princesa é Lindsay. Alice é problema de Jasper. Agora, minha rainha...

Comentou já passando por mim e parando perto de Bella que voltara a se olhar no espelho e a desamassar o impecável vestido.

— Bellinha, quê que é isso?! Bonita é apelido, hein? Hoje o “cachorro” chora a noite toda.

— Não seja ridículo, Stephan! Jacob é casado e você também. Agora se comporte e vamos logo, porque é para isso que está aqui, não é?

Ele nem me respondeu, só se ajoelhou e fez uma mesura para Bella.

Eu sabia que o perdera no exato momento em que resolvera colocá-lo no lugar de Sam, na proteção dela.

Stephan deixara de ser leal a mim, para ser leal a ela. E quem poderia culpá-lo? Bella tinha esse poder de conquistar todos a seu redor.

— Minha rainha!

— Ah! Pare com isso, Steph. Você é meu amigo. Levante-se daí. Vamos logo!

Bella segurou sua mão e o puxou para cima, disfarçadamente, levantou a cabeça e segurou as lágrimas... Ah, se ela soubesse o que a aguarda hoje.

— Sim, respondendo a sua pergunta, Edward. Foi para isso que vim. Está tudo pronto. Emmett levou os meninos. Seus pais também já foram. Só faltam vocês.

Assenti e peguei a mão de Bella, já a guiando para fora. Ele vinha logo atrás.

— Precisam de alguma coisa? Comeram algo?

— Estamos bem. Tomamos café mais cedo e almoçamos na casa de mamãe.

— Certo! Então vamos lá.

Passamos pelo quarto e não pude deixar de olhar para os resquícios do café, preparado por nossos filhos mais cedo.

Era uma lembrança boa...

Lembranças on

— Ah Edward, levante-se. Temos um dia corrido pela frente. Não dá para atrasar. Vamos...

Levantei um pouco a cabeça, de minha confortável posição de braços por baixo do travesseiro. Eram só sete horas da manhã e um lindo sol de verão começava a entrar pela porta da sacada. Uma brisa leve e o barulho dos pássaros me alertavam que Bella a abrira.

Com muita atenção, observei cada traço dela sem nem respirar e sem perder o foco, já que ver Bella dentro de uma de minhas camisas e com os cabelos molhados e cheirosa de um banho recém- tomado, era sempre uma tentação.

Deus! Ela era muito bonita... Os anos só fazia bem. Cada dia que passava eu me sentia mais apaixonado e agraciado.

— Ahhh! Seu maluco!

Pegando-a de surpresa, saltei, peguei-a pela cintura, a joguei na cama e me deitei por cima prendendo-a abaixo de mim com pernas e braços.

— Bom dia, minha rainha. Não me lembro de ter ouvido essas palavras saindo de sua boca.

Salpiquei beijos por todo rosto e pescoço. Sim, ela estava muito cheirosa.

— Achei que nosso momento agora a pouco tinha sido um bom dia. Perdoe meu erro, vossa majestade.

— O quê? Aquele momentinho que me fez lembrar o quanto sou sortudo pela esposa bem disposta que tenho? Ah! É! Talvez eu possa considerá-lo um bom dia se pudermos repeti-lo agora, para refrescar minha memória.

Fechei mais as pernas dela, com as minhas, e passei a morder, de leve, seu pescoço.

Será que seria um escândalo se Bella fosse com o pescoço marcado na cerimônia?

Acho que vovó, mamãe, Charlie e Alice me matariam.

— Pode ir recolhendo seus argumentos, senhor meu esposo. Temos os minutos contados. Vamos, Edward, levante-se.

Suspirando, afundei mais o rosto e lamuriei. Porém, não me movi um milímetro sequer.

— Por que está estressada? Ninguém começara nada sem a gente. Fique calma. Não deixe que as mulheres paranóicas de nossa família te afetem.

— Edward, não é brincadeira. Hoje é um dia importante. Precisamos nos apressar e...

— Ei!... Estão vestidos? Podemos abrir os olhos? Ei moço, essa mulher aí é minha. Pode sair de cima?

Gemendo de novo, rolei para o lado e fiquei de bruços “me acalmando” e respirando longamente.

— Vinte anos e não aprendem a bater na porta. Demos tudo, menos educação. E para que se lembre, essa mulher é minha desde... Sempre.

Bella gargalhou baixinho, Liam não.

— Isso até nós chegarmos, não é, mamãe?

Foi a vez da risada dele reverberar pelo quarto, enquanto Lindsay só fez um “estalinho” de indignação com a boca.

— E bom dia para você também, papai. A culpa não é nossa se sempre deixam a porta destrancada. Soa-nos como sinal de que não precisa bater.

Levantei as sobrancelhas para ele a tempo de vê-lo se debruçar sobre a mãe e beijá-la no rosto.

Uma bandeja com muita coisa gostosa havia sido colocada aos pés da cama.

Era a maneira deles de marcar, ainda mais, nosso dia.

Lindsay não se mexeu. Bella e ela haviam tido uma discussão enorme na noite anterior, quando eu pedira, em segredo, a minha esposa que proibisse nossa filha de ir a uma das tantas festas, malucas, que o povo estava fazendo em comemoração ao dia de hoje.

Lizzie e Annie iriam, mas Linda não. Eu não estava pronto para perder minha garotinha ainda. Ela só tinha dezessete, a beira dos dezoito é verdade, mas para mim isso pouco importava.

O problema era que eu não conseguia dizer “não” para aqueles lindos olhos chocolates, muito menos quando ela me beijava e me chamava de “papaizinho”.

Então, cabia a Bella ser a “carrasco”. Se bem que Lindsay não era de levantar a voz, nem desobedecer, aliás, nenhum deles era.

Só que ontem... Não sei, talvez influenciada pela primas, minha caçula fora cruel e chegara a dizer para minha esposa que preferia ter sido filha de Alice ou Leah.

O que resultou no primeiro grito meu, destinado a ela.

Bella chorou... E Andrew e Liam quiseram “desabar sua cólera” na irmã, porém, socorrerem e mimarem a mãe, foi o primeiro instinto deles.

Em conseqüência, Lindsay estava de castigo até... Até a sua quinta geração.

— Andrew, foi para o hospital?

Sem preocupação, Liam se jogou entre mim e ela.

— Foi. Aquele caso das siamesas teve uma complicaçãozinha. E como fiquei ontem, ele quis ir pessoalmente hoje. Mas, não se preocupe ele estará lá.

Sim, eu tinha mais dois médicos em casa. E podem se pasmar, dois neuropediatras brilhantes, novos e pesquisadores. Tanto quanto a mãe.

Imagina como Bella se orgulhara disso e claro, eu também. Saber que seus filhos se formaram com 15 anos com louvores e honras só poderia me deixar mais do que orgulhoso.

Lindsay estava no mesmo caminho. Se formara, com todos os méritos, em administração pública e já se preparava para o mestrado. Trabalharia comigo... E confesso, as ideias dela eram muito boas.

— Hum... Dei uma olhada nos exames. Acho que estão...

— Ah, não! Trabalho não. Além do mais, você está oficialmente afastada do hospital, senhora Cullen! Outras funções te aguardam. E, hoje o dia é especial. Por isso, traga aquela bandeja para cá, pirralho. Já que atrapalharam, vamos ver se foi por algo compensador.

Baguncei, mais ainda, os cabelos rebeldes dele.

— Posso?

Nossa filha, perguntou, tímida e baixinho. Fiquei quieto deixando que Bella desse a autorização que ela esperava, tanto para entrar, como para trazer a bandeja até nós.

Bella não respondeu, só acenou em concordância.

— Mãe... Eu queria me desculpar por ontem. Fui cruel, a senhora não merecia. Fiquei irritada. Todo mundo ia naquela festa e...

— E você...

Interrompi suas desculpas.

— Não sou todo mundo. Eu sei, papai. Perdoe-me, mamãe. Eu não penso aquilo. Você é a melhor mãe do mundo. Eu não te trocaria por ninguém.

Tão parecida fisicamente com Bella, contudo o gênio... Edward Cullen sem tirar, nem por.

— Até porque, Annie amaria ser filha de mamãe, ela já disse isso. Podem fazer a troca. Eu amaria ter uma irmã loira e...

— Liam!

— Ok. Perdão, papai. Não é hora para brincadeiras. Mas, só para constar, Andrew e eu, também não fomos à festa.

Pegou um copo de suco e levou a boca, evitando falar mais alguma coisa.

No entanto, não posso julgá-lo ou até mesmo Annie, Alice era centrada demais na carreira. Às vezes deixava a desejar como mãe. Já Jasper era um pai devoto, e marido também, já que agora fazia qualquer coisa pela esposa e pelo casamento.

Já Bella, não tinha comparação, dava conta de tudo. Sabia cuidar da carreira, de mim e dos filhos.

— Está tudo bem, filha. Só quero que pense antes de falar qualquer coisa que ofenderá quem quer que seja. Palavras não voltam... Sei que às vezes a sufoco, perdão...

Bella me olhou de esguelha. A culpa era minha...

— Não queremos te privar de nada. Só desejamos que espere o tempo certo das coisas. O mundo é seu, Lindsay. Seu pai o colocará a seus pés, se assim desejar. Só tenha paciência. Precisamos que tenha um pouquinho mais de vivência, idade e responsabilidade para que isso aconteça. E pense que é exemplo para tantas jovens no mundo inteiro. Só pense em como suas atitudes podem afetar seu pai e eu.

Nossa caçula concordou com a mãe e logo se aproximou mais se jogando nos braços dela em um abraço de perdão e reconciliação.

— Eu te amo, mãe. Você será a melhor rainha que Ângelus já viu. E prometo que vou me comportar como necessitam que seja. Já Andrew e Liam...

— Ah, não! O foco é você.

Liam jogou uma uva na irmã.

Lindsay sentou-se de frente a nós, estirou a língua para o irmão e fez aquela carinha de que os colocaria em perigo.

— Sabe, mãe, fofocas de corredores da universidade, informam que seus “PHDs gêmeos” andam frequentando aquelas instalações em horários que nada batem com as cargas horárias deles. E mais, a rádio fofoca, diz que andam tocando terror nas “Calouras peitudas” lideres de torcida, em sua grande maioria.

— Isso procede?

Bella olhou abismada para o “afilhado de Emmett”.

Eu? Fiquei quieto e escondi uma risada. Stephan e meu irmão, já haviam me confessado dos feitos dos afilhados por onde passavam. Eu não sabia qual dos dois parecia mais orgulhoso.

E sabia que era questão de tempo até Bella descobrir e surtar.

— Relaxa, mãezinha. Nosso coração é seu. As outras são só... Só.

— Liam Edward Swan Cullen!

— Vixe! Nome completo. Ferrou, irmãozinho!

Lindsay deitou em meu ombro e sorriu. E então foi a vez de nosso filho escutar um sermão de “como se respeitar uma garota”, “vocês têm que dar exemplo”, “a quem estão puxando” e por aí vai...

Não, não estávamos completos. Andrew não estava ali...

Mas, mesmo assim fechei os olhos e agradeci a Deus. Eu tinha feito tudo certo, nó éramos uma família. Tínhamos conseguido.

Lembranças Off

Bella

— Devagar, Stephan. O povo quer nos ver.

Segurei mais a mão direita de Edward e sorri para o lado de fora onde as pessoas se acumulavam e se espremiam, na grade de segurança, para ter, pelo menos, um vislumbre nosso.

— Certo! Teoricamente e perante Deus vocês já são reis graças à celebração na basílica de São Francisco ontem. Hoje passamos as formalidades jurídicas e a renuncia oficial de Carlisle, que aconteceu, antes de chegarem.

Agora é a vez de vocês. Edward fará a maior parte. Então, você estará do lado direito, na parte alta, juntamente com Esme e dona Elizabeth. E...

— Vovó Marie?

O interrompi...

— Eu lamento, princesa. O médico não aconselhou. A pneumonia não está regredindo.

Edward puxou meu rosto e me fez encará-lo.

— Não! Por favor, hoje não. Voamos para lá amanhã cedinho. Os meninos e você darão um jeito. Só não chore. Por favor, hoje não.

Assenti, respirando fundo e deixando que a dor só ficasse dentro de mim. Edward estava sendo otimista. Porém, Andrew, Liam e eu sabíamos a verdade...

Não tinha jeito...

As horas de Marie estavam contadas. Desde que John falecera ano passado, devido a complicações de um AVC, ela simplesmente desanimara... Minha avó se juntaria a ele em breve. E saber disso estava acabando comigo. Nosso “esteio”, nos deixaria.

Eu odiava a sensação de imcapacidade. Eu odiava pensar em como nossa família, principalmente papai e Edlizabeth, que também já estava debilitada devido à idade avançada, ficariam devastados com a perda de vovó.

— Continue, Stephan.

Edward beijou e fez círculos em meu pulso, depois influenciou nosso amigo a prosseguir, me acalmando e tentando tirar-me de onde meus pensamentos estavam.

— Era só isso. Só queria relembrá-los do ensaio de quinta-feira e matar o tempo para que não ficassem ansiosos. Viu? Deu certo! Chegamos.

Disse assim que adentramos os portões do palácio do rei em Ângeles.

— A segurança está reforçada em todas as esferas. Até o espaço aéreo está proibido para vôos comuns. Está tudo em ordem.

Abriu a porta de Edward.

Meu marido me estendeu a mão e logo fomos tomados por flashes da equipe oficial do evento.

— Vejo vocês mais tarde. Mas, não se enganem, estarei de olho.

— Conto com isso, amigo.

O cumprimentamos e a seguir já subíamos os degraus da entrada do lugar.

Passamos por alguns corredores, totalmente vazios, para em seguida chegarmos ao enorme salão de eventos.

Andrew nos esperava na porta.

— Minha linda rainha. Pai...

Ele me beijou na mão e imitou o gesto com o pai.

— Sua rainha vai te colocar no colo mais tarde e te dar umas boas palmadas. Iludindo mocinhas, Andrew?

— Ahhh, Lindsay! Quando eu a pegar...

— “Vingança é um prato que se come frio”, filho. Palavras da sua irmã.

Fechei mais a expressão para ele e Edward, que não parecia nada preocupado com as “proezas” dos filhos.

— Cara feia dá rugas, mamãe. E uma lindeza dessa não merece isso e além do mais, infelizmente “seus lindões” não fizeram essa pecialização também.

Agora venha, vou guiá-la para seu lugar enquanto esse cara feio aqui, te dá uma coroa e um título de presente. E o melhor? A senhora só precisa ficar sentadinha, bem pertinho dos príncipes mais simpáticos do mundo.

— Príncipes lindões, que também ficarão de castigo. E só para te lembrar, quem deu essa coroa a seu pai, fui eu.

Safado e brincalhão, como Stephan, ele deu uma piscadinha com aqueles olhos verdes que derretiam corações e...

O quê?...

Eu tinha consciência de que eram lindos, como o pai, e de que as mulheres e até alguns homens, babavam neles. Contudo, nunca os influenciaria. Eles já têm os padrinhos, Jasper e Jacob para isso.

— Estou bem aqui, pai... De olhos fechados. Vamos logo com isso.

Voltando a brincar, Drew se afastou dois passos, virou de costas, olhou para cima e ameaçou assoviar.

— Certo, Edward. Precisa falar com eles. Lindsay é por minha conta. Agora Andrew e Liam... Precisa ter com eles uma conversa séria.

Passei a mão por sua farda, retirando plumas invisíveis dali.

Ele, por sua vez, fechou mais os braços a minha volta, beijou, de novo, a ponta de minha orelha e sussurrou baixinho.

— À noite, quando eu tirar esse vestido de você, me peça isso de novo. Aliás, peça que os coloque naquele colégio interno e atenderei você. Peça o que quiser e será seu. Só me prometa que eu, é que terei a honra de deslizar esse zíper para baixo e...

— Eiii, eca! Dá para ouvir vocês daqui, sabiam?

— Combinado. Suíça, aí vamos nós.

Brinquei, olhando para Drew pela minha visão periférica.

Ele revirou os olhos, exatamente como eu fazia.

— Certo, vamos lá. Te vejo daqui a pouco. Prometo que será rápido. Depois passaremos pela festa, mais uma hora, e então... Casa.

Não seria bem assim, eu tinha certeza.

— Certo. Parece bom assim. Aguardarei ansiosamente. Estarei ao lado e sou a de azul. Te amo!

Sorri segurando seu rosto e o beijando de leve.

— Te amo! Até mais.

— Até parecem adolescentes. São só umas horinhas, mãe. Papai é muito pegajoso...

Tagarelou meu pequeno quando me estendeu o braço e nos guiou salão adentro.

Todos os convidados se levantaram e abaixaram a cabeça conforme íamos passando. O silêncio só era quebrado pela sinfonia lenta de uma orquestra ao fundo tocando o hino da monarquia.

— Isso é emocionante, mamãe. Estou orgulhoso.

Por que era Andrew que me guiava? Porque teoricamente, para os conselheiros, convidados e povo, ele seria o próximo na linha de sucessão. Minutos mais velho que Liam.

O segredo da nossa monarquia continuava em segredo para o mundo, mas não mais para minha família. Edward e eu fizemos questão de contar a eles, o que os esperavam. Não queríamos uma rachadura...

E pelo visto dera certo, porque os meninos não pareciam nem um pouco preocupados com o trono... Como Lindsay disse, meus “PHDs gêmeos” queriam mesmo era aproveitar a vida e as garotas que habitavam nela.

— Aqui, majestade.

Apontou-me para a esquerda, onde subimos três degraus até encontramos com nossa família.

Me sentei entre Esme e Elizabeth.

Meus pais estavam mais alguns degraus acima, num local reservado a eles.

Charlie Swan sorria, por baixo do bigode grisalho. Sua filha mais nova seria uma rainha.

— Todos de pé para recebermos o príncipe herdeiro e futuro rei de Ângelus: príncipe Edward Anthony Masen Cullen.

O mestre de cerimônia anunciou e logo todos se colocaram de pé e imitavam o gesto que fizeram na minha entrada. Abaixavam a cabeça, assim que Edward passava.

Agora o hino da monarquia tocava alto e forte.

Edward se colocou no centro do palco bem à frente e estendeu a mão para que todos se sentassem.

Carlisle, vestido formalmente como rei, com a coroa e tudo, em sua farda verde e cheio de condecorações, se aproximou.

Esme também usava a dela. E, graças a Deus, não era a com que Alice se casou.

Não havia nada de pomposo, era delicada e de muito bom gosto.

Redonda, com pequenos brilhantes embaixo e gemas azuis escuras de benitoites maiores a toda sua volta, seguras por estrelaçados de ouro formando flores e folhas delicadas. Não combinava em nada com seu vestido verde escuro, parecia mais com... o meu.

Deus! Era para mim aquela coroa!

— Agora o atual rei de Forkian condecorará e passará sua coroa a nosso futuro rei. Pedimos que permaneçam sentados e só se levantem quando o príncipe Edward se ajoelhar.

Um moderno sistema de som fora instalado por toda dependência com microfones espalhados em lugares estratégicos, de maneira que se poderia falar normalmente, quem estivesse no palco, que o som reverberava por todo lugar.

Isso sem falar na estrutura externa. Inúmeros telões cercavam as redondezas do palácio. Para que a multidão, que acompanhava tudo do lado de fora, não perdesse nenhum detalhe.

— Só um minuto, pai.

Edward pediu, quebrando o protocolo, quando Carlisle se aproximou já com a espada, que usaria no ritual da cerimônia.

— Não reinarei sozinho. Aliás, se hoje estou aqui, devo única e exclusivamente a uma pessoa.

Devagar, porém com certeza, meu marido veio até onde eu estava parou de frente a mim e estendeu a mão.

— Reine comigo, princesa. Me dê a honra?

Deus! Ele já tinha dito aquilo outras vezes. Contudo, agora era muito real.

Corei de todas as cores, e sem saber o que fazer, olhei para Esme.

Minha sogra sorria orgulhosa e fazia sinais de concordância com a cabeça.

Não hesitei! Segurei sua mão.

— Podemos fazer isso?

Perguntei baixo, para mim era baixo. O som saiu alto para todos os convidados que riram.

Corei mais uma vez.

— Vai, mãe!

— Linda!

— Arrasa, mamãe!

Andrew, Liam e Lindsay me influenciaram em alto e bom som.

Edward segurou minha mão com mais força impedindo que eu caísse nos degraus que nos levava até o pai.

— Podemos qualquer coisa. Aliás, você é a rainha. Sou seu súdito.

Muitos “ohhhss” e “ahhhss” foram ouvidos. E eu quis demais que estivéssemos sozinhos para poder beijá-lo em agradecimento.

Juro que o faria repetir aquelas palavras enquanto tirava meu vestido mais tarde.

E dizem que os anos fazem mal ao casamento. Mera ilusão... Pelo menos para nós.

— Agora sim, pai. Continue.

Carlisle, que parecia não ter gostado da interrupção, retirou a espada da bainha, apontou para que Edward e eu nos colocássemos a sua frente e então, com a voz embargada, começou a falar, nos olhando com intensidade.

— Eu, Carlisle Cullen, hoje renuncio ao reino de Ângelus e a todo poder a mim concedido em honra e confiança a meu filho, mais novo, Edward Antony Masen Cullen.

Tenho certeza de que, como vem acontecendo a muitas gerações de Cullen’s, ele honrará nossa casa, nosso nome e nosso povo. Que seu reinado seja de abundância, felicidade, prosperidade, chuva e sol nas medidas certas. Eu o engrandeço...

Nessa hora Edward se ajoelhou, segui seu exemplo.

Esme se aproximou e ficou ao lado do marido.

Todos estavam de pé...

— Eu te abençôo como pai. Condecoro-te como cavalheiro. E te corôo como rei. Que Deus os abençoe...

Então, devagar, Carlisle tocou, com a espada, nossos ombros direito e o esquerdo. Esme tinha a mão por cima das dele.

— Seja o rei que Ângelus merece...

Mais uma vez a espada tocou meu marido, dessa vez na cabeça.

— Se levante.

Com olhos lacrimejantes, Edward se levantou, me ajudou a fazer o mesmo e mais uma vez ficamos frente a frente com seu pai.

— Faça jus a sua assinatura.

Então, a hora mais esperada veio, Carlisle retirou a coroa, de sua própria cabeça e a colocou na de Edward. No mesmo instante em que Esme retirava a sua e colocava em mim.

— Eu sonhei com isso, filha. Sabia que seria você.

De novo, quebrando os protocolos, sequei uma lágrima que escorreu de minha sogra e beijei suas mãos.

— Espero ser tão boa como você.

— Será mais, tenho certeza!

Edward segurou minha mão, acho que para ele mesmo se manter firme, quando seus pais deram um passo para trás e então... Ajoelharam-se.

— Meu rei! Minha rainha! Estamos à disposição de vocês para servirmos a coroa com todo nosso coração e comprometimento.

Disseram em uníssono, meu sogro e minha sogra.

Seguindo seus gestos, todas as pessoas que ali estavam também se ajoelharam.

— Obrigado! Eu os agradeço pelos ensinamentos e por me educarem bem conforme nossas culturas e tradições.

Estendeu a mão para os pais e os ajudou a se levantarem. Abraçou a mãe e a beijou no rosto enquanto Carlisle fazia o mesmo comigo.

— Ângelus está em boas mãos. Sei disso. Obrigado por meus netos.

Poucas vezes meu sogro me pareceu tão amistoso e emocionado.

Ele amava Andrew, Liam e Lindsay, não escondia isso de ninguém, mas sempre senti certa animosidade quanto a mim.

Agora as coisas mudavam...

— Obrigada, por ter convencido meu pai...

Eu o agradeci, é verdade. E faria isso enquanto pudesse. Se não fosse por ele, nem sei se Edward e eu, estaríamos onde estamos. O acordo... Bendito acordo...

Ele sorriu, de orelha a orelha, e olhou em direção a meu pai.

Logo depois abraçou Edward enquanto eu, mais uma vez, era envolvida por Esme.

— Agora, nosso rei e nossa rainha, receberão a apoio de várias pessoas importantes e influentes de nossa comunidade e também da comunidade internacional.

Carlisle e Esme, ajudados por Jasper, se sentaram.

Nos viramos de frente para os convidados e enquanto nos era oferecido um copo com água, vária pessoas se colocaram a nossa frente, porém um degrau abaixo de nós.

— Podem permanecer sentados enquanto seguimos com a cerimônia.

Vários rostos conhecidos vinham até nós. Sabíamos dessa parte, só não sabíamos quem seriam as pessoas.

Seria difícil segurar o choro...

— Seguindo com a cerimônia, representando todas as pessoas que serviram ao antigo rei, apresento Stephan Romen.

Sorri abertamente, Edward também, porém não fomos retribuídos. Nosso amigo, todo modo sério e compenetrado, se ajoelhou de frente a nós e abaixou a cabeça.

— Servi quando eram príncipes, servirei ainda mais quando reis. Vossas majestades, eu vos honro...

Voltando ao protocolo, Edward retirou a tal espada da bainha, na cintura e tocou os ombros de nosso amigo.

Aí sim, quando se levantou, sorriu abertamente para nós, e piscou deliberadademente para mim.

Disfarçadamente, Edward fez sinal que o acertaria com espada.

Foi impossível não sorrir.

— Agora, representando a família, o amor e a integridade entre irmãos, eu os apresento Príncipe Jasper Cullen e sua esposa Princesa Alice Swan Cullen.

“Quem te viu, quem te vê”, Jasper e Alice se dobraram em joelhos e abaixaram a cabeça e dessa vez os dois falaram, cada um a sua vez.

— Com orgulho, irmão, coloco a mim e a minha família a seus pés. Nossa fidelidade e apoio são tudo que podemos oferecer.

— Com humildade e um pedido de perdão pelos erros passados, meu marido e eu, nos colocamos a vossos pés. Contem com nosso amor e seriedade sempre.

Dessa vez, eu quebrei o protocolo, assim que Edward os tocou com a espada, fechei os braços em volta dos dois.

— Parem com isso! Somo uma família. Reinaremos em concordância. Parem com isso... Não a nada a perdoar, Alice, sua boba.

Palmas foram ouvidas, mas efusivamente de Annie e Lizzie.

— Amamos vocês, irmão.

Jasper abraçava Edward.

— Assim como te amamos, irmão.

— Agora...

O mestre de cerimônia interrompeu nossa seção choro.

Lencinhos e mais água foram trazidos.

Edward, aproveitou secou minhas lágrimas e beijou minha testa, gerando mais uma rodada de “ohhs e ahhs”.

— Representando a fronteira norte, eu os apresento o rei de Forkian: Vossa Majestade Emmett Cullen Swan e sua esposa Vossa Majestade Rósalie Cullen Swan.

Emm e Rosie se colocaram a nossa frente, porém...

— Irmão, cunhada, meus reis, a legislação e tradição impedem que um rei se curve para outro. Porém, saibam que Forkian, seu povo, meu sogro, minha sogra, reis por direito, nossa filha Elizabeth, minha esposa Rósalie e eu, nos colocamos a sua disposição. Nossa coroa será sua coroa... Nossa família é sua família...

Edward, mais uma vez, os tocou com a espada e logo depois puxou o irmão para um abraço forte.

Dessa vez até assovios se ouviu da platéia.

Quem disse que Lizzie era uma princesa, como Rosie, se enganara. A menina era filha de Emmett mesmo, uma moleca.

— Te amo, irmão.

— Não te amo. Isso é coisa de boiola... Amo sua mulher.

Emmett quebrou o protocolo, como era de se esperar, e levou um tapa de Rosie, também fazendo todos sorrir.

— Aposto que mudará de ideia quando eu subir os impostos de exportação de bebidas. Nosso sogro não ficará nada feliz com você.

— Nem brinca.

— Não vou mesmo. Quero minha coroa de volta. Vou dá-la a meus netos.

— Isso aí, vô.

Edward falou com irmão, que se encolheu imediatamente e logo ouviu a voz de meu pai.

Andrew respondeu efusivamente.

Deus! Amanhã seríamos notícia no mundo inteiro. Aquilo era para ser uma cerimônia séria.

E foi isso que Rosie e eu pensamos, quando somente nos abraçamos forte.

Tínhamos que colocar as coisas no lugar.

— Representando a fronteira Sul, trago os monarcas de Pushian, rei Jacob e sua esposa rainha Leah.

Prendi a respiração ao perceber que ficaria,mais uma vez, frente a frente com minha... Minha... Deus! Era difícil demais pronunciar aquilo em pensamento alto.

Ela estava bonita em um vestido nude, os cabelos soltos e uma coroa pequena como adorno. Em nada combinava com Jacob vestido em uma farda branca cheia de medalhas também.

Podem falar o que quiserem, mas, eles não formavam um casal bonito. Leah não era a esposa que eu sonhara para meu melhor amigo.

Surpreendendo a todos, eles se ajoelharam...

— Dizem que um rei não se curva para o outro, porém, Pushian sempre esteve a serviço da coroa de Ângelus e Forkian e não poderia ser diferente, ainda mais quando seus monarcas são tão importantes para mim e minha família. Por isso... Eu me submeto, Isabella Swan e Edward Cullen.

Apesar do lindo gesto, não perdeu a chance de provocar Edward, citando-me primeiro e com meu nome de solteira.

Edward já ia condecorá-los quando a voz de Leah se fez ouvir.

— Eu sempre soube que esse dia chegaria. Não me orgulho de tudo de errado que fiz, porém peço que nos dê a chance de um novo começo. Por meus filhos... Por seus filhos... Por seu pai... Por isso, e com orgulho e humildade, eu me submeto à coroa de Ângelus...

Quebrando algo em meu coração, Leah me encarou com olhos suplicantes... Mais uma vez ela tentava se redimir... Que rainha eu seria se não desse um exemplo desses aos meus filhos?

— Levantem-se!

Disse com a voz forte. Então segurei a mão de Edward, e só para provocar Jacob também, condecoramos Leah primeiro e depois ele.

— Seja bem- vinda a família.

Puxei-a para meus braços.

Não foi fácil, não foi aconchegante... Porém... Era um primeiro passo meu para ela, já que ela já tinha dado muitos em minha direção.

Jacob e Edward também se abraçaram. Mas, quando chegou minha vez de abraçar meu amigo, Edward segurou firme em minha cintura e não se afastou um milímetro.

Jacob teve que abraçá-lo de novo também. O que gerou mais sorrisos de nossa platéia.

Meia hora depois, quando uma dúzia de conselheiros e representantes de várias nações também nos foram apresentados, e eu já estava com pernas e braços doendo de tantos abraços, meu íntimo foi mais uma vez abalado quando as três últimas pessoas se colocaram a nossa frente.

Edward também sufocou um soluço.

— Fechando nossa lista de convidados, eu os apresento os príncipes herdeiros dessa nova Monarquia. Representando a família Swan-Cullen, sua força, união e seu amor sem limites: príncipe Andrew, príncipe Liam e princesa Lindsay.

Com expressões sérias, lindamente bonitos e bem comportados, meus presentes de Deus se colocaram a nossa frente.

Estavam com olhos molhados de tão emocionados, como nós. E quando se ajoelharam, eu quis demais levantá-los e fechá-los em meus braços.

— Eu, Andrew Charlie Swan Cullen...

— Eu Liam Edward Swan Cullen...

— E eu Lindsay Carlie Swan Cullen...

Cada um disse seu nome e esperou que o outro dissesse o seu, para então proclamarem juntos...

— Não estamos aqui nos ajoelhando para os reis de Ângelus, estamos aqui para nos render e homenagear os pais que amamos e que nos ensinam, todos os dias, com exemplo, carinho e determinação a importância de uma família que cuida de seu povo, sua cultura, suas tradições... Submetemos-nos ao amor que nos transmitem e a educação com que nos presentearam. Ensinando que humildade, coragem, serenidade e respeito poderiam muito bem ser o lema de nossa família. Submetemos-nos, nos ajoelhamos e agradecemos pelo que fizeram por nós e por terem se dedicado a nossa família, em primeiro lugar. Submetemos-nos ao amor e ao carinho... Submetemos-nos a nossos pais!

Não ouve espada, não ouve mãos que os levantassem... Teve joelhos de pais dobrados.

Teve Edward e Bella se dobrando e fechando os filhos em um aperto só, misturado com lágrimas e emoção.

— Fico de joelhos para Deus, meu povo, meus filhos, meu marido... Fico de joelhos em agradecimento por tudo que tenho...

Beijei as testas deles...

E por fim, cravei os olhos em Edward, que começava a falar, enquanto éramos aplaudidos, de pé, ao som de assovios e também choros e muita emoção...

— Fico de joelhos em agradecimento a Deus e ao meu sogro pelas Três Princesas dos Três Príncipes. Fico de joelhos pelos meus filhos que amo, fico de joelhos por meus pais e irmãos. Fico de joelhos por minha avó que começou com tudo isso. Por fim...

Edward

Coloquei-me de pé, os ajudei a se levantarem e depois de nos colocarmos lado a lado, contemplei Bella, Andrew, Liam e Lindsay...

— Me coloco de pé e prometo que lutarei, comprometerei e honrarei a confiança de vocês. Ângelus não tem um novo rei e uma nova rainha, Ângelus tem uma família que sempre pensará em seu bem maior antes de qualquer coisa.

Ângelus tem Swan’s e Cullen’s lutando por seu bem maior.

Gritos e assovios mais uma vez foram ouvidos, o tal do protocolo fora por água abaixo. Mas, eu não me importava.

O que importava era que agora Bella e eu estávamos prontos para reinar.

— Reine para mim e comigo, Bella...

Murmurei baixo quando fechei meus braços em volta dela. Fechando-nos em nosso mundo como fazíamos sempre.

— Sim, meu rei. Contanto, que reine comigo e para mim...

— Juntos...

— Juntos...

Fim

“O mundo só será um bom lugar para se viver quando colocarmos o amor, a caridade e a humildade antes de nossos próprios interesses”!

Notas finais
Bom gente, é isso! Espero que tenham gostado. Agradeço demais a todas as leitoras fieis, pela paciência, comentários, recomendações, puxadas de orelha... Espero que possamos nos encontrar nas próximas. Beijos e até breve Carla Kodel
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!