Três Príncipes, Três Princesas
92 Extra I- Conhecendo a irmã
Notas iniciais
Bella
— Ela está mamando bem, filha. É pequenininha, mas suga de fazer barulho.
Sorri para Renée enquanto levantada Lindsay, que havia acabado de mamar.
Os quatro avós estavam comigo enquanto Edward havia ido até a casa de meu pai buscar meus pequenos. Que naquele momento estavam sob os cuidados de Rósalie e Emmet, e que Deus nos ajudasse.
— Ela é gulosinha, mãe. Fica fazendo caretinha quando tiro o peito.
— As suas caretas, você quer dizer?
Charlie olhava admirado para minha pequena. E quem poderia culpa-lo? Um dia depois do nascimento, já toda limpinha, desinchada e muito cheirosa, Lindsay estava inexplicavelmente linda em mais um de seus macacões rosa. Esse, aliás, havia sido presente da recém-esposa do herdeiro mais novo do trono da Grã Bretanha. Um mimo!
— Nisso tenho que concordar com seu pai, Bella. Se Andrew e Liam são todo Edward e os Cullen’s, Lindsay veio para nos desaforar e deixar-nos de “cabelos em pé” quando ficar mais velha. Nunca vi parecer tanto com você, Charlie e os Swan’s. E ainda diziam que seu pai era amaldiçoado. “Vai dominar a arte de fazer filha bonita assim lá em Forkian”.
— Ah, até que enfim você disse algo que salve, Carlisle. E olha que isso acontece raramente. Mas, fazer o que se sou mestre mesmo?
— Ah, seus bobos. Parem de pensar no futuro. Vamos curtir esse presente pequenino primeiro. A juventude e os rapazes, de corações partidos, são problemas dos pais. Os avós são para mimar.
— Mimar e estragar, não é, sogra?
Esme deu de ombros. Isso significava que concordava. E ai dela se negasse. Porque só Edward e eu sabíamos o quanto fazia todas as vontades das crianças.
Segundo Andrew, “o bolo de chocolate mais gostoso do mundo” era o da vovó “Emes” e ela fazia questão de ter um, sempre pronto para eles.
— Chegamos! E lembrem-se, não pode pular na mamãe, nem gritar. Irmãzinha é novinha e pode se assustar. Combinado?
— Combinado, papai.
— Combinado.
Voltei a deitar minha filha nos braços e esperei ansiosamente pela porta que se abria ao ouvir Edward dar as últimas instruções aos meninos.
Só havia passado um dia sem vê-los e eu já estava morta de saudade.
— Oi... Olha quem está aqui.
Sorri o meu maior sorriso ao o ver equilibrar dois filhos nos braços, que segurava cada um, um buquê de flores.
— Ah! Mamãe, estava com saudades.
Edward os colocou no chão. Veio até mim, beijou meus lábios e a testinha da filha.
— Papai já voltou tá, princesa.
— Eu “touxe pá” você, mamãe.
— Ah, filho! Que lindo! Obrigada, Andrew. Mamãe ama rosas brancas. Obrigada! Vovó Renée vai coloca-las na água e deixar naquela mesinha para o quarto ficar mais bonito. Agora venha aqui, que mamãe quer beijo e quer te apresentar alguém.
Imediatamente ele deu os braços ao pai, que o pegou e colocou sentado ao meu lado.
— Devagar, filho. Bem devagar.
Edward o ajeitou, mas não se afastou.
— Te amo, mamãe. Fiquei com “sodade”.
— Mamãe, também te ama, amor. Amanhã já vamos pra casa.
Beijei a testinha dele e me abaixei para receber um beijinho molhado.
Suspirei, mais apaixonada ainda por aquele pequenino.
— Essa é sua irmãzinha. O nome dela é Lindsay, querido.
Os olhinhos dele se arregalaram e instintivamente a mãozinha se levantou para toca-la. A guiei até o peito dela, querendo que ele sentisse a irmã.
— Ela é “pequeninha”, mãe. E “monita”. O cabelo é igual ao seu. E os olhinhos “tabém”. O papai falou que a gente pode “chamar ela” de Linda.
— Pode, Andrew, claro que pode. Ela vai amar o apelido. E é tão bonita quanto vocês. Olhe?... Liam? Filho? Vem conhecer a irmãzinha também?
Sem que ninguém pudesse prever, meu gêmeo caçula começou a chorar e estendeu os braços para o pai, que imediatamente o pegou entregando as flores que ele segurava para meu pai.
— Ei, campeão. O que foi? Não precisa chorar. Conta para o papai o que está acontecendo?
Edward tentou olha-lo nos olhos, mas como faziam quando choravam, Liam se escondeu no pescoço dele.
— Venha aqui, filho. Venha conversar com a mamãe. O que foi?
— Não, papai.
Fechou mais os braços em volta de Edward.
O choro ficou mais intenso e sofrido quando o pai se aproximou da cama.
Meu coração doeu de pensar que algo, que eu nem sabia o que era, incomodava meu filho.
— “Iam”, num chora. Vai assustar a “rimãzinha”. O papai falou.
Andrew tentou. Mas, nada acalmou o irmão.
— Filho, o que foi? Conta para o papai? Fica difícil te ajudar se não disser o que está acontecendo. Alguma coisa dói?
— Aqui...
Soluçou, colocando a mãozinha no coração.
Logo me empertiguei em meu lugar, pensando que ele poderia estar sentindo algo grave, porém, Edward me recostou de volta ao travesseiro, me fazendo esperar.
— Tá doendo, amor? O que você quer para melhorar?
Ele sacudiu a cabecinha em concordância e parou de chorar. Porém, continuou soluçando e se escondendo no pescoço do pai.
— Eu “quelo” a mamãe.
Suspirei de alívio.
— Oh, amor. Venha aqui. Mamãe vai ajudar.
Para minha surpresa, ele se segurou mais ao pai, e negou com a cabeça.
Eu não estava entendendo e parecia que era só eu, porque Edward acariciava as costas dele, confortando-o.
Já nossos pais tinham sorrisos piedosos nos rostos.
— Você não quer a mamãe? Venha aqui, amor. Filho?
Ele mais uma vez negou intensamente. Como assim?
— Mamãe, vai pegar você. Você não quer colo de mamãe?
Voltou a acenar a cabecinha em concordância.
— Então, filho. O papai vai te colocar na cama com ela.
— Não, papai. Pede “pá vovó” pegar ela.
Apontou para a irmã e só então entendi o que todos já haviam percebido.
Ciúmes!
Liam estava com ciúme da irmã. Dividir o colo com Andrew era uma coisa, agora com uma pessoinha nova, era outra muito diferente...
Eu não estava preparada para isso. Na gravidez pode se contar os momentos que ameaçaram uma crise dessas.
— Edward, vamos fazer uma troca? Pegue Lindsay para mim e...
— Não! O papai não.
Voltou a se apertar, em volta de Edward.
O ciúme era do pai e de mim.
— Mãe... Por favor...
Renée veio até nós e pegou o bebê.
Andrew continuou a meu lado atento a todos os atos do irmão. Não parecia nada afetado pela presença da irmã.
— Pronto, filho. A mamãe é toda sua agora. Venha aqui.
Observando de lado, e só com uma “frestinha” de olho aberto, ele se certificou de que eu não mentia, para só então empertigar o corpinho e sorrir abertamente para mim.
Foi a deixa para Edward se aproximar e o colocar sobre a cama.
Logo eu já o puxava para meu colo.
— Devagar, Bella. Pelo amor de Deus, não faça extravagância.
— Tudo bem.
Coloquei Liam de frente para mim, e o abracei escondendo todo seu corpinho no meu peito.
— Oi, filhote. Mamãe sentiu sua falta. Eu te amo tanto, Liam.
Beijei sua testa e acariciei os cabelos claros desordenados.
— “Iam” sentiu “sodade” da mamãe dele.
O “mamãe dele” não passou despercebido.
— Eu sei, amor. Sabia que mamãe ama ser mamãe de Liam, de Andrew e da Lindsay também?
— Andrew ama a mamãe nossa.
Todos no quarto riram e foi inevitável não ter vontade de morder meu primogênito, que do seu jeitinho, mostrava que estava todo disposto a compartilhar.
— Isso mesmo, Andrew. A mamãe é de vocês. Ela gosta de todo mundo igual.
Edward o pegou e o levou até perto de mamãe para que ele pudesse ver de novo a irmãzinha.
Liam continuava abraçado a mim, mas agora me observava com total atenção.
— Você entende o que o papai disse, filho?
Ele acenou em concordância. É claro que entendia. A inteligência era demais ali.
— Então, querido. Não precisa ficar chateado. A mamãe continuará sendo sua. Por acaso, eu deixo de cuidar de você porque o Andrew existe?
Ele sacudiu a cabecinha em negação.
— Então. Com a Lindsay será do mesmo jeito. O coração da mamãe é grande. Cabem os três filhinhos lindos dela.
— O “Drew é gande”, mamãe. Do meu tamanho.
Justificou o porquê de não sentir ciúme do irmão.
— E a Lindsay é pequenininha, filho. Lembra quando papai e eu conversamos com vocês? Falamos que iam ganhar uma irmãzinha que ia nascer, mas que precisaria de cuidados, proteção e muito amor, porque seria pequena, frágil. E que só o amor de irmão para fazê-la crescer rápido para brincar com vocês e as priminhas?
— “Lemblo”.
— É isso, filho. A irmãzinha chegou. Ela precisa de nós agora. Já conheceu seu irmão e quer conhecer você.
Meio de soslaio ele admirou o pacotinho rosa nas mãos de... Carlisle?
— E se eu não “gosta” dela? E se ela “chola” alto e feio?
— “Iam bobo”. Bebezinhos não “cholam” alto.
Todos sorriram de novo.
Seria certo acabar com a ilusão de Andrew agora?... Não!!!
— Andrew! Não fale assim com seu irmão.
— “Diculpa”, papai. “Diculpa”, rimão.
Edward o advertiu e todos se calaram.
Voltei a falar com Liam.
— Ela vai chorar, filho. Aí a gente cuida para que fique bem. E tenho certeza de que você vai gostar dela. Por que não olha bem para ver o que sente? Mamãe te ajuda.
— Mamãe vai “ama sempe” “Iam e Drew”?
— Sempre! Cada vez mais. Coração de mamãe só aumenta de tamanho cada vez que ganha um filhinho.
— “Tá” bom, então.
Deu de ombros e logo se soltou de mim e se posicionou a meu lado, onde a pouco Andrew estava.
— Podem nos deixar a sós um minuto?
Pediu Edward colocando Andrew do meu outro lado e já indo de encontro ao pai para pegar a filha.
Era evidente que ele queria que aquele momento fosse só nosso.
— Claro, filho. Estaremos do lado de fora se precisarem de algo.
Charlie ainda nos olhou por alguns segundos, incerto de que aquela ideia era boa, porém logo Renée o puxava para fora.
— Olha, filho. Essa é Lindsay. Ela não é linda?
Edward se sentou de frente para ele e baixou nossa filha para que conseguisse ver.
— Tudo bem... Tudo bem...
Acariciei seus cabelos, ao ouvi-lo arfar de surpresa assim que colocou os olhos nela.
Andrew se inclinou todo por cima de mim, para visualizar melhor também.
— Ela... Ela...
Embargou a voz e novas lágrimas voltaram a cair.
Edward fez menção de se levantar, porém segurei seu braço. Aquele choro era diferente e eu sabia identifica-lo.
— Ela o quê, amor? Fala, filho.
Ele levantou os olhinhos e me encarou.
— O “cabeio” dela, mamãe. É igual ao seu. Ela é “monita” demais.
— Dinho Stephan disse que bebês são feios. Ele mentiu, não é papai?
— É sim, Andrew. Seu padrinho mentiu. Nosso bebê é lindo não é, Liam?
Liam concordou e devagar levantou a mãozinha e tocou no corpinho da irmã, que agora cochilava preguiçosamente.
— Ai, mamãe.
— O que foi, príncipe?
Perguntei esfregando o peito dele, quando de repente, começou a segurá-lo e a gemer baixinho.
— Dói aqui. “Tá dodói” aqui...
Mais lágrimas desciam e os olhos nunca deixaram a irmã.
— É amor, filho. Só respire. Vai passar...
Esfreguei suas costas, maravilhada com a cena.
— Ela é linda, não é, Liam? Igual à mamãe. O que a gente prometeu fazer com a mamãe?
— “Cuidá, amá, e poteger”, não é, papai?
Atravessou Andrew.
— Isso, filho. E o que faremos com a Lindsay, Liam?
— “A gente vai cuidá, amá e poteger” com mais cuidado, papai. “Poque” ela é pequenininha.
— E porque somos uma família. Os Swan’s- Cullen’s. Que sempre vão se amar, cuidar e proteger. Aqui ninguém resolve nada sozinho, porque somos um só e cuidamos de todos.
Fechei meus braços em volta dos meus filhos e me aproximei mais de Edward. Eu tinha meus bens mais preciosos em volta de mim.
E como ele disse, nós cuidávamos uns dos outros. Nós cuidaríamos de nossos pequenos e não... Edward e eu não os daríamos num acordo. Muito pelo contrário, cuidaríamos para que crescessem com personalidade e responsabilidade para fazerem suas próprias melhores escolhas.
E que Deus ajudasse que tivessem a mesma sorte que meu marido e eu.
— Para sempre?
Perguntei emocionada.
— Para sempre.
— “Pala sempre”.
— “Pala sempe”.
Lindsay não poderia responder ainda, mas seu sono tranquilo me certificava de que concordava com nossa promessa...
Amor, união e cuidado, para todo o sempre...
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