Notas iniciais
Saudades daqui...

Comunicado Oficial

As Famílias Cullen’s e Swan’s respectivamente herdeiras dos reinos de Ângelus e Forkian vêm orgulhosamente através desta, informar a toda imprensa e principalmente a seus súditos e admiradores, a, tão sonhada, gestação de Isabella Cullen esposa do príncipe herdeiro, Edward Cullen.

O casal, assim como sua família, está em êxtase e deseja compartilhar com vocês, esta felicidade.

Conta-se também com o apoio de todos para que esse período seja de tranquilidade para os futuros papais, visto que, é uma gestação gemelar e que requer cuidados redobrados.

Obrigado, pela atenção, e tenham um bom dia.

Assessoria de Imprensa Cullen’s e Swan’s

Bella

— Ei, dá para desligar esse celular? Esse “vibradinho” está me irritando e tirando minha concentração. Estou querendo ouvir o que o chefe Aro tem a dizer.

— Tá. Idiota.

Cochichei irritada, da mesma forma que Jacob havia feito para mim, enquanto desligava, a porcaria, do celular e o colocava no bolso do jaleco.

— O que está acontecendo? Quem quer tanto falar com você? Por que não atende isso de uma vez?

— Meu pai e Edward, simultaneamente. Eles resolveram me enlouquecer hoje. Se me ouvir gritando, não se assuste.

“- E aumentar o quadro de profissionais em nosso hospital é importantíssimo para nosso crescimento e também para melhor atendimento dos nossos pacientes e é por isso que estamos sempre à procura dos melhores e mais bem treinados”...

Voltei a prestar atenção em Aro.

Já se passava das duas da tarde e essa reunião com o staff não acabava. Fazia mais de meia hora que o gestor do hospital discursava sobre novos profissionais, novas técnicas e constante aperfeiçoamento. Eu só não estava entendendo o porquê disso tudo principalmente para mim e Jacob que estávamos perdendo um tempo valioso, aqui sentados.

— Por que eles estão ensandecidos de vontade de falar com você? Sei que esses dois morrem por sua causa, mas hoje está fora do comum. O que andou aprontando, Bells?

— Hunf! Onde está seu celular, Jacob? Você já deu uma olhada nas notícias de hoje?

Murmurei lembrando-me da nota oficial que nossa assessoria de imprensa havia liberado logo de manhã.

Se minha vida já era um espetáculo, imagina agora?

Entrar no hospital, depois do almoço, foi um inferno. Juro que nunca vi tantos fotógrafos juntos.

Eu bem que avisei que não era preciso avisa-los agora, com o tempo, irremediavelmente, todos descobririam.

Porém, Carlisle foi intransigente dizendo que o povo idolatrava Edward e eu e que eles mereciam partilhar disso conosco.

O povo sim, a imprensa sensacionalista não. Será era demais pedir que eles entendessem isso?

— Acho que está no bolso, desligado. Desci do avião e vim direto para cá, nem me lembrei de liga-lo. O que está acontecendo, Bella?

“- Sei que meu assunto não é nada interessante, mas eu ficaria feliz se a doutora Cullen e o doutor Black parassem de cochicho enquanto estou aqui me esforçando para me fazer entender”.

— Desculpe-me, chefe.

Ajeitei-me na poltrona e olhei para frente, ignorando as risadinhas e os olhares de meus colegas de trabalho.

Estávamos de volta à escola?

Eu odiava ser do staff. Será que eu poderia requerer minha demissão dessa obrigação?

Perguntarei isso a Edward depois.

— Ele pode falar assim com você? Quer que eu o lembre de que o hospital é seu?

— Cale-se, Jacob. E, para sua informação, o hospital não é meu.

— É da sua família, dá no mesmo.

Ignorei-o e sorri para Aro, que ainda me encarava. Mas, foi em vão, a irritação do tio de meu marido estava no limite.

E isso só piorou quando bateram na porta o interrompendo pela “enésima” vez.

— Pois não, senhorita Tanner, em que posso ajudá-la? Estamos em uma reunião se ainda não percebeu.

Ah, droga! Senti meu rosto se avermelhar quando a face, também avermelhada, de minha secretária apareceu na porta.

As coisas não podiam piorar.

— Perdoe-me, chefe. Mas, é que o rei de Forkian e o príncipe Edward estão querendo a todo custo falar com a doutora Cullen e...

— Diga a eles que estamos ocupados e que assim que terminamos aqui a doutora entrará em contato. Agora se me der licença, Bree, tenho uma reunião para comandar.

— Mas, chefe...

Sem esperar pelos contra- argumentos dela, Aro fechou a porta e voltou para o centro da sala, recomeçando de onde parou com seu discurso mais do que chato.

— Você está grávida? De gêmeos? Quando pretendia me contar?

Voltei minha atenção para Jacob que agora estava com o celular em mãos e parecia muito irritado.

— Você tem um alerta do Google em meu nome? Para quê isso? É paranoia, Jacob Black. Terei que leva-lo ao terapeuta.

— Não banque a engraçadinha comigo nem mude de assunto. Quando pretendia me contar?

A voz dele aumentou um pouquinho, fazendo assim com que alguns médicos nos olhassem enviesados.

Sem graça, sorri para eles tentando disfarçar o desconforto da situação.

— Fale baixo.

— Por quê? É segredo? Deveria ter pensado nisso antes de divulgarem uma nota oficial. Era assim que pretendia que eu descobrisse?

Rá! Eu estava perdida mesmo. Só Charlie e Edward me pressionado não bastava. Eu precisava de mais um.

Nem me passou pela cabeça contar para Jacob.

— Droga, Jacob! Não faça disso grande coisa. Ficamos sabendo há poucos dias. Só contamos para nossas famílias no final de semana passado. Eu nem te vi nesse meio tempo, por isso não te contei.

— Graham Bell inventou o telefone sabia?

Eu estava pronta pare respondê-lo quando voltaram a bater na porta. Aro se dirigiu para lá com muita raiva e a abriu com força.

— O que você quer, senhorita Tanner? Eu já não te dispensei há poucos minutos?

Encolhi-me, outra vez, na cadeira, querendo que um buraco se abrisse para que eu me escondesse.

O que estava acontecendo com Bree?

— Desculpe-me mais uma vez, chefe Aro. Mas, é que o príncipe Edward, pediu para que eu trouxesse esse suco de laranja para a doutora Cullen. E o rei Charlie me instruiu a trazer também essa salada de frutas e...

Ah, não! O que eles estavam tentando fazer comigo?

— Diga a meu sobrinho e ao sogro dele que a doutrora Cullen está bem, viva e alimentada, e que quanto mais eles me interromperem, mais tempo ficarão sem falar com ela. E quanto a você, senhorita, bata nessa porta mais uma vez e seu próximo recado será direto com o RH. Espero que tenha entendido agora.

Aro bateu a porta e voltou seus olhos fulminantes para mim, mais uma vez.

Oh céus!

Jacob deu risadinhas a meu lado.

— Bem, devido às circunstâncias vamos mudar um pouco o rumo de nosso assunto.

Coloquei a mão na cabeça e esfreguei um ponto tentando aliviar a dorzinha de cabeça que estava vindo.

Quanto mais eu evitava o assunto, mais ele vinha à tona.

— Como todos já devem ter percebido, meu sobrinho e o pai da doutora Cullen estão quase vindo até aqui, atrás de notícias. E, apesar deles serem descontrolados por natureza, o crescimento da neura se deve ao fato de que a nossa doutora está grávida, e se isso já não fosse motivo mais do que suficiente para uma confusão das grandes, ainda é uma gestação gemelar.

Agora, sem exceção, todos voltaram sua atenção para mim.

A doutora Stanley dava seu sorrisinho cínico de quem já sabia daquilo.

— Por isso, peço que tenham mais paciência e cuidado do que o normal. A segurança será reforçada em todos os setores do hospital. Uma equipe também virá conversar com vocês e quero que alertem, pessoalmente, seu pessoal. Nossa família não quer que essa gravidez se torne um espetáculo maior do que ela já é. Queremos um tempo de tranquilidade para que os futuros papais possam curtir esse momento. Entendidos?

Aro, agora mais calmo e agindo como da família e não como chefe, seguia por um caminho meticulosamente orientado pela equipe de segurança de Edward.

— E isso me leva ao outro assunto que tenho tentado abordar desde que nos reunimos. Com a gravidez da herdeira de Ângelus e Forkian a tendência é que o número de atendimentos em busca de assistência obstétrica em nosso hospital aumente. Vocês sabem como o principado é influente e idolatrado. E pensando nisso, resolvi, junto com o conselho diretor, que precisávamos de mais um profissional nessa área. E esse é o motivo principal de estarem aqui hoje. Quero que conheçam nosso mais novo membro do staff...

Dessa vez por um bom motivo, Aro voltou até a porta e a abriu.

Rezei a Deus para que o novo obstetra conquistasse a confiança de meu marido. Eu não suportaria mais uma consulta com Jéssica. Edward me enlouqueceria.

— Conheçam a doutrora...

— Ângela?

Jacob e eu gritamos, ao mesmo tempo. Atraindo, de novo, todas as atenções para nós.

Instantaneamente, três sorrisos inundaram aquele ambiente, e nem a cara feia de Jéssica Stanley seria capaz de ofuscar aquele momento.

Jacob, Ângela e eu estávamos no mesmo hospital, voltando a trabalhar juntos. Eu podia sentir a felicidade tomando conta de mim, eu teria mais um pedacinho de meu passado em meu futuro.

E algo forte me dizia que eu devia agradecer a meu marido por isso.

***

Edward

Droga de dia, improdutivo e grande!

Eu não havia conseguido me concentrar sem notícias de Bella. E Bree nem pudera me ajudar já que Bella e tio Aro se recusaram a cooperar.

— Você sabe que se continuar agindo como um idiota logo sua esposa o escorraçará de sua cama, não sabe?

Merda!

Bati com força a porta do carro e saí pisando duro, rumo a entrada da frente de casa. O crepúsculo começava a desaparecer dando lugar à noite clara e um pouco fria demais para um mês como esse.

— A única coisa que sei é que você deveria cuidar de sua vida, Stephan. Bella e eu não somos problema seu.

— Ok. Você é quem sabe. Quer continuar bancando o babaca, pode continuar. Melhor assim porque quando a princesa te deixar, serei forte candidato.

Fechei os punhos e cruzei os últimos passos na companhia dele. Aliás, quem é que deu tanta confiança ao idiota?

— Stephan, procure o que fazer. Vá dar uma volta, não melhor, te dou o restante da noite de folga vá se encontrar com Bree. Leve-a para dançar ou jantar, sei lá, leve-a para o motel. Só desapareça da minha frente, não estou com paciência para suas piadinhas. Tive um dia infernal, só quero descansar junto com minha família.

Nervosamente, passei as mãos pelos cabelos, completamente irritado.

Meu dia havia sido uma confusão. Na parte da manhã até encontrei a normalidade, fui para o palácio e trabalhei com tranquilidade sabendo que Bella estava em casa, dormindo, descansando e sob a supervisão de Báh. Porém, à tarde o inferno veio a terra.

Bella foi para o hospital, como vinha fazendo desde que decidiu que sua folga já estava no tempo de acabar. É certo que ela vinha mantendo sua palavra de concessões que fez quando resolveu me dar outra chance, trabalhar em um só turno. Porém, isso não me impedia de surtar por saber que ela não estava às vistas de alguém de confiança.

Sam, Zafrina e Bree não contavam. Bella os modelava como bem queria.

— Não vou sair. Bree e eu terminamos. Vou deixar você em paz, só queria que pegasse mais leve com Bella. Ela está levando você e o pai dela numa boa. Mas a conhecemos, e logo ela se irritará de verdade. Não faça isso com vocês, Edward.

Parei antes de entrar, abandonei os pensamentos que rondavam totalmente em torno de vim e voltei minha atenção para ele.

Por incrível que pareça, a face brincalhona de sempre, não estava mais ali.

Stephan parecia até triste.

— O que foi? Vocês terminaram? Ela parecia tão envolvida? Achei que a coisa estava rendendo.

— E estava.

— Então, não entendo. O que aconteceu?

Meu amigo, abaixou a cabeça e colocou as mãos nos bolsos da calça.

Stephan estava frustrado e nada contente de tocar naquele assunto.

— Não ia dar certo, Edward. Bree é uma garota incrível. Ela quer uma vida a dois, casar, ter filhos, sossegar. Não tenho tempo para isso. Não quero isso. Não posso ter isso agora.

— Como assim?

Agora ele tinha minha total atenção.

— Estamos em tempos difíceis. Você precisa de mim. Bella está grávida. Vem duas crianças aí. Se você já está surtando com eles bem protegidos no ventre da mãe, imagina quando eles nascerem? Não posso me comprometer com nada nem ninguém além disso, agora.

— Stephan...

Coloquei a mão em seu ombro pronto para rebater suas ideias insanas.

— Não, Edward. Eu prometi a você. Bree e eu não estamos na mesma sintonia no momento. Eu posso esperar. Se ela puder também, talvez algum dia possamos começar de novo, mas se não puder...

— Stephan...

— Não, Edward. Não vamos falar sobre isso. Sua esposa está em casa, vá se resolver com ela. Vou aproveitar a folga que você que me deu para jogar vídeo game com Sam.

— Stephan...

— Tchau, chefe.

Sem esperar, ele me deu as costas e saiu. Não dando a oportunidade para que eu continuasse a argumentar suas ideias loucas.

Acho que isso era serviço para minha esposa. Bella saberia lidar com os problemas de meu amigo e sua secretária.

— Báh?

Adentrei já colocando as chaves em cima do aparador. A casa estava silenciosa.

— Estou aqui.

— Onde ela está?

Entreguei-lhe minha maleta e o paletó que eu já havia tirado quando ainda estava no carro.

— Lá em cima. Chegou faz um tempo.

— Tudo bem. Vou até lá. Em uma hora descemos para jantar.

— Sim, senhor.

De dois em dois subi os degraus, como um menino ansioso. Eu estava louco de saudades dela.

Bella ainda me levaria a loucura.

— Oi.

Fui contemplado com a visão dela em nossa cama, já de banho tomado, e vestindo um pijama de seda de pernas e mangas compridas.

Vinho era uma cor que caia bem demais nela, teria que me lembrar disso mais vezes.

— Tudo bem?

Perguntei puxando assunto e tentando sondar seu humor. Segundo Stephan, eu havia exagerado.

Como resposta, ela tirou, por milésimos de segundos, os olhos do livro que lia, recostada a cabeceira da cama, e fez cara de pouco caso para mim.

— Vou tomar banho e então podemos jantar e depois, se você quiser, queria assistir com você alguma coisa na TV.

Ela não respondeu. Só levantou a sobrancelha esquerda e fez a faneca que sempre fazia quando estava irritada.

Droga!

— Vai, princesa, fale comigo. Não estamos brigados. Eu não fiz nada. Sou um anjinho de candura.

Cheguei mais perto e sentei a beira da cama, louco de vontade de tocar a barriguinha que começava a aparecer nela.

— Princesa...

Ela continuou em silêncio. Então resolvi apelar para a minha mais nova arma de execução, de corações, em massa.

Fingindo não notar a incredulidade dela, me curvei, dobrei a blusa de seu pijama até bem perto dos seios e então baixei minha boca sobre o pequeno volume.

— Oi, amores. Papai estava morrendo de saudades. Como foi o dia de vocês? Se divertiram naquele hospital chato? Ou também ficaram com saudades do papai?

Enquanto eu falava, me arrisquei a lhe dar pequenos beijos de boca aberta. E fui deliciado com a percepção de seus pelos se arrepiando. Eu amava saber como ela reagia a mim.

— Papai teve um dia nada legal. Eu queria estar com vocês e a mamãe aqui em casa. Será que poderemos ter um dia assim amanhã? Não seria bom? Podem falar com a mamãe sobre isso?

Já sabendo que eu estava “cutucando a fera com vara curta”, dei a cartada final. Aquilo não era uma briga e não se tornaria uma. Bella estava me dando um gelo e eu o derreteria. Simples assim.

— Não! Não podemos, filhos. Digam para o papai que o tio Jake está na cidade e que temos uma cirurgia de reparo de crânio amanhã. Aliás, digam para o papai que mamãe está muito brava e que ele não tem o direito de tocá-la. Não depois de ter sido um chato durante todo o dia.

Bella empurrou minha cabeça para longe e voltou a descer a blusa.

Sem conseguir manter aquela encenação, porque realmente eu não queria que aquilo virasse uma briga, me levantei, para enfim, encara-la de frente.

O livro agora jazia esquecido sobre o criado mudo.

— Eu fiquei preocupado, não pode me condenar por isso. Você não respondia minhas mensagens, nem atendia minhas ligações. Tive que apelar para o que tinha de opções.

Respondi já lembrando o quanto havia importunado Bree durante o dia.

— É lógico que eu não atendia. Edward, nós havíamos acabado de nos ver aqui em casa. Você me ligou enquanto eu ainda estava no trânsito e poxa, eu estava em reunião com o staff. Foi constrangedor. Seu tio chamou minha atenção.

— Não vou me desculpar, minha vida. Estou surtando por causa dessa gravidez, estou surtando por Jasper estar tão quieto e estou surtando por você estar trabalhando. Por favor, princesa, dê um desconto.

Acabando mais com minha graça, ela puxou o edredom, cobrindo o ventre totalmente e cruzou os braços por cima dele. Sinal claro de nervosismo e irritação.

— Não vou parar de trabalhar por enquanto. Não estou doente, Edward. Eu só quero levar isso na normalidade e precisava mesmo que papai e você me ajudassem. Isso já está ficando chato.

— Amor...

— Não! Não me venha com amor. Eu tenho tentado ser paciente. Mas, agora acabou. Ou você muda de atitude para que possamos curtir essa gravidez ou juro que te expulso para o closet e te proíbo de me tocar até que essa gravidez acabe.

— Você não pode fazer isso.

— Não posso? Me tente. Pague para ver.

Droga! Droga!

Levantei-me e passei a caminhar de um lado a outro no quarto.

Não me passou despercebido o copo de suco intacto no criado mudo. Segurei a vontade de indagá-la quanto aquilo.

— Amor, eu só quero participar. Fico louco de saber que pode não estar descansando, comendo ou bebendo direito.

— Mas, isso é insano, Edward. Estou ficando irritada em vez de me divertir...

Vi que a coisa começava a se descontrolar quando Bella aumentou o tom de voz e esfregou o rosto nervosamente.

— Eu não preciso que me cerque a todo instante. Sou adulta, sei que devo me alimentar, tomar as porcarias das vitaminas, tomar banho e...

— Eu estou com medo, porra!

Gritei mais alto que ela, fazendo assim que ela me olhasse e se calasse imediatamente.

— Quê?

Perguntou num fio de voz, fazendo com que o cansaço e o desespero tomassem conta de mim totalmente.

Não era para ser assim. Não era para desabafar e preocupa-la com meus medos, mas deixa-la nervosa com meu comportamento também estava fora de cogitação.

— É isso mesmo que você ouviu, princesa. Estou apavorado. Morrendo de medo.

— Medo de quê, Edward?

— Eu não sei, oras, não sei. É uma gravidez dupla, minha vida, você é tão pequena. Milhares de mulheres não conseguem levar uma gravidez simples até o final. O seu caso é duas vezes de maior risco. Eu pesquisei sobre isso e quanto mais me intero do assunto, mas quero fechar você aqui nesse quarto. Só Deus sabe como tenho me segurado para não amarrá-la nessa cama até o final da gravidez.

Respirei fundo e baixei a voz. O peso das palavras tomando conta da situação. O alívio de tê-las dito tomando conta de mim a ponto de fazer com que os músculos, que há muito tão tensos, doessem ao relaxar.

— Eu não vou conseguir sem você, Bells. Eu quero demais essa gravidez, Deus como eu quero. Mas, também quero você, mais do que tudo no mundo. Quero você para sempre.

— Tudo bem, venha aqui.

Ela jogou o edredom para o lado, abriu os braços e me chamou baixinho.

Corri para lá e me aconcheguei ali. Deixando que o conforto do corpo dela levassem todos os meus medos para longe.

— Estou aqui, Edward. E não vou a lugar nenhum. Eu te entendo. E prometo que serei cuidadosa e mais paciente. Teremos nossos bebês e seremos uma família muito feliz. Fique tranquilo, príncipe. Estou aqui... Não sairei daqui.

As mãos dela deslizavam por meu cabelo. Abracei-a mais apertado.

— Promete? Por favor, me prometa isso?

— Eu prometo, anjo. Juro que prometo. Mas, também preciso de sua ajuda, Edward. Irritar-me e enlouquecer -me não está em questão. Quero meu marido de volta. Quero seu apoio, amor. Te dou o direito de surtar de vez em quando, mas só de vez em quando. Todos os dias eu não consigo, nem levando na brincadeira. Ajude-me, por favor.

— Eu vou. Prometo que vou pelo menos tentar. Eu vou... Mas, por favor, só desacelere. Desacelere, um pouquinho. Por favor...

— Tudo bem, Edward. Vou ver o que posso fazer, ok?

Querendo que aquilo acabasse me sentei e puxei o corpo dela para perto do meu.

Busquei sua boca, de imediato levando minha língua para a dela.

Passei o corpo por cima do seu, firmando nos joelhos, para que ela não sentisse diretamente todo o meu peso.

— Hum...

Enfiei a mão por dentro da blusa do pijama e a puxei para cima, tendo o total deleite ao notar que ela estava sem sutiã.

— Ah, princesa má. Você estava de caso pensado a me provocar, não é?

Baixei a boca e abocanhei o bico sedoso do seio esquerdo, levemente maior, prova concreta de que eu teria que aproveitar enquanto podia.

— É claro que eu estava. Precisava dar um jeito de fazê-lo entender meu ponto. “Quando não se aprende pelo amor, se aprende pela dor”. Te provocar e te deixar sem sexo, é sempre uma boa escolha. Ai...

Riu alto, quando dominado pelas palavras dela, dei uma mordidinha na pele sensível.

— Quero ver você ficar sem sexo. Li a respeito do aumento da libido de grávidas. Acho que vou adorar essa parte.

— Posso resolver isso sem você, sabe disso, não sabe?

Para provocar, e provar seu ponto, ela tirou a mão de meus cabelos e baixou-a aos seios para logo depois descê-la pela barriga até a...

— Pode ir parando por aí, princesa. Esse lugar aqui é meu.

— É?

— É!

Justificando minha afirmação e dominado pelo desejo, pela luxúria e pela vontade de satisfazê-la tirei suas mãos dali, puxei seu corpo para baixo e me coloquei por cima dela, me esfregando, provocando-a, me sentindo provocado.

Nós faríamos amor e faríamos agora, porque palavras eram pouco para enfatizar e provar para ela o quanto eu era grato pela graça de ter alguém como Bella Swan em meus braços e a meu lado.

Por ela eu tentaria segurar meus medos, mesmo que aquela “tal sensação” estranha e irritadiça me dissessem para fazer completamente o contrário...

***

No outro dia de manhã...

Esme

— É aqui?

Perguntei, pelo simples ato de perguntar, porque só de olhar eu já sabia que estava na entrada do lugar certo.

— Sim, senhora, é aqui. Por favor, minha rainha, reconsidere. O rei e o príncipe vão me matar se souberem que estamos aqui.

— Deixe meu marido e meu filho fora disso, Amum. Sou capaz de tomar minhas próprias decisões. Agora saia daqui e me deixe fazer isso sozinha.

— Minha rainha, infelizmente eu não posso eu...

— Não estou pedindo. Estou mandando. Saia agora!

— Majestade...

— Saia!

O encarei, sem levantar a voz. Eu não queria que Jasper descobrisse através de meu descontrole que eu estava ali.

Era pra ser uma visita calma e de recuperação. Por isso eu precisava fazer isso sozinha.

— Sim, senhora. Porém, esperarei bem aqui, é o máximo de espaço que posso conceder à senhora sem que eu precise avisar mais alguém ou colocar sua vida em risco.

Expirei fundo e saí caminhando sem respondê-lo.

Eu tinha consciência de que “o coitado”, estava somente fazendo o papel dele, porém minha ânsia por aquele momento me impedia de qualquer coisa.

— Faça o que bem entender.

Dei-lhe as costas e adentrei mais o ambiente bagunçado e mal- cheiroso que ultimamente abrigava e escondia meu filho.

— Quem diria...

Reclamei me desviando de tanta coisa jogada ao chão. Aquilo era a decadência em forma bruta. Um príncipe, um nobre, um herdeiro, um filho desejado e amado nascido e criado com todo o conforto, amor e carinho vivendo em condições miseráveis.

— Jas? Filho?

Eu ouvia o barulho da televisão, mas não via ninguém. O jeito foi seguir o som até entrar totalmente no “pandemônio” que parecia ser uma sala.

Ele estava ali, sentado numa poltrona, como os olhos vidrados da enorme tela de Led.

— O que veio fazer aqui? Conferir se já morri? Ou me informar da grande notícia? Lamento te desapontar nas três indagações, mamãe. Não preciso de você aqui, estou bem vivo e já sei das novidades.

Aproximei-me mais e foi preciso que sufocasse a vontade imensa de chorar.

Nem de longe, aquela criatura a minha frente, se parecia com meu filho. Meu Jas...

— Eu vim te ver, querido. Estou preocupada e...

— Me ver? Rá!

Num rompante de fúria descontrolada Jasper se levantou e jogou o copo que estava na mesinha de centro contra a parede. Os estilhaços se espalharam em todas as direções, inclusive caindo sobre mim e ele.

— Me poupe do seu discurso pré- preparado de mãe para filho. Eu não preciso de sua piedade, Esme. Vá embora!

— Filho, por favor...

— Agora eu sou seu filho? Agora que seu precioso Edward será pai, e de gêmeos ainda por cima?

Ele apontou para a TV e foi impossível não perceber que assistia a um desses programas de fofoca, que hoje estavam engajados em falar da gravidez de Bella.

Jasper já sabia. E não era assim que eu pretendia que ele ficasse sabendo, não tornava as coisas mais fáceis para mim.

— Agora que estou oficialmente fora dos planos oficiais do reino, agora que seu querido terá a chance em dobro de conquistar tudo pelo que eu lutei há anos, você tem a coragem de me chamar de filho?

— Jasper, eu...

Ele estava fora de si, caminhando de um lado para outro e esfregando o rosto e o cabelo constantemente. Não me dava à oportunidade de falar ao mesmo tempo em que repetia coisas totalmente fora de nexo.

— Não, mamãezinha. Eu não preciso de você, vá embora. Seu Edward deve estar precisando de seu colo. Volte para ele.

— Por favor, querido.

Dei mais alguns passos devagar até me aproximar totalmente e conseguir, muito lentamente, afagar seu braço tenso.

— Deixe-me ajuda- ló, ok? Vamos para casa. Você toma um banho, se alimenta, descansa um pouco e depois conversamos com seu pai para que consertemos as coisas. Não precisa ser assim, Jasper.

— Não há mais o que consertar, Esme. Alice espera uma menina, que eu reneguei, meu sogro me quer morto e meu irmão tem o que eu sempre quis. Não há nada que se possa fazer. Acabou...

Por incrível que pareça, nesse momento, a vulnerabilidade se apossou dele. Jasper escondeu o rosto com as mãos e passou a respirar em curtos intervalos de tempo, enquanto falava baixinho.

Mil maneiras erradas de criação se passando por minha mente. Carlisle e eu havíamos errado com ele.

— Estou cansado, Esme. Cansado de lutar contra a maré. Vocês venceram. Edward venceu. Ele será o que sonharam para ele. Agora vá embora e me deixe em paz.

— Não, filho. Não é uma competição. Não precisa ser assim. Edward não está numa situação melhor do que a sua foi. Ninguém sabe o que pode acontecer. Dê-se uma chance, Jas. Nos te apoiaremos, seu pai e eu e Emmett também. Sabemos que as coisas fugiram do controle, mas podemos resolver. É só você se desculpar e...

— Desculpar-me? Cale-se, droga! Cale-se! Eu não preciso de sua pena. Não preciso nada de vocês. Só vá embora e me deixe em paz.

Amedrontando-me e em mais um acesso de fúria, Jasper se afastou de mim e foi até a porta, de vidro, que ligava a sala a sacada, socando-a com força e rapidez descontroladas.

— Ai... Droga! Droga!

— Filho...

Não esperei, corri até ele e o peguei pelos ombros o abraçando enquanto o líquido escuro e viscoso banhava a nós dois.

Os cortes deviam ser profundos porque logo estávamos encharcados.

— Espere, amor. Só um minuto...

Com dificuldade, deslizei Jasper até o chão, o sentando. Corri até o sofá arranquei a manta que se encontrava no encosto dele e voltei e a enrolei sobre as mãos ensanguentadas.

— Amum! Pelo amor de Deus, me ajude, Amum.

Em menos de cinco segundos ele já estava a meu lado avaliando o caos. E completamente em dúvida do que fazer.

— Majestade, o que aconteceu?

— Não há tempo para explicações. Venha, me ajude. Precisamos colocá-lo no carro.

O sangue já começava a encharcar meu curativo provisório.

— Mas, minha rainha...

— Não me desobedeça, homem.

Vendo-me fazer força para levantar meu filho, ele veio até mim e me ajudou a arrasta-lo para fora e depois para o elevador.

Nem nos demos ao trabalho de trancar a porta, aquele ela um andar partícula e secreto, ninguém se arriscaria a entrar ali sem autorização.

— Deus, ele está sangrando demais.

Gemi enquanto o arrastávamos até o carro. Um rastro do líquido vermelho nos seguia. E eu tinha certeza de que a inconsciência estava a um segundo de alcançá-lo.

— Vamos, rápido. Nos leve ao hospital.

— Majestade, tem certeza? Sam tem me atualizado da situação. Aquele lugar está tomado de repórteres loucos por notícias da princesa. Não acha melhor irmos para outro lugar e...

— Só dirija e me obedeça. Eu sei o que estou fazendo.

— Sim, senhora.

Passei os dedos sobre a testa dele constatando o quanto ele suava. Provavelmente os cacos de vidro deviam ter alcançado alguma veia ou sei lá, algo importante, porque Jasper estava perdendo a cor.

— Me ajude, mãe? Eu não sei o que fiz, o que vou fazer. Estou perdido e sozinho. Não me abandone, mamãe.

A certeza de que ele pedia ajuda não só para os ferimentos fez com que meu coração sangrasse.

Eu salvaria Jasper dele mesmo. Isso era o que as mães faziam. Não era?

— Não abandonarei, querido. Confie em sua mãe. Farei a coisa certa dessa vez. Doa a quem doer.

Apertei a mão direita sobre as mãos dele e com a esquerda retirei o telefone do bolso, já ligando para alguém que estava se tornando uma base sólida em nossa família e que agora, mais do que nunca, entenderia meu ponto.

— Alô? Esme? Tudo bem?

No segundo toque ela já atendeu e só de ouvir sua voz já fiquei mais tranquila.

— Bella? Querida, estou precisando de sua ajuda.

Notas finais
Até semana que vem, amores. Fortes emoções nos aguardam.