Três Príncipes, Três Princesas
46 Cinco dias sem ela
Notas iniciais
Edward
— Qual foi a desculpa, dessa vez?
— O entregador da floricultura disse, sem muitos detalhes, que ela resmungou um “odeio vermelho” e o mandou sumir com aquilo.
— Ninguém pode dizer que você não é insistente, Edward. Sua sala está virando um orquidário perfeito. E creio amigo, que nem usando a aquarela inteira, você acertará a cor favorita de sua esposa. Oh mulherzinha de atitude essa que arranjou!
— É, eu sou...
Olhei atentamente a minha volta e contemplei os cinco arranjos de flores dispersos por cada parte vazia dali. Riley não teria mais opção na segunda feira se Bella continuasse os devolvendo.
— O que vai fazer com elas?
— Você vai leva-las para o jardineiro. Já conversei com ele a respeito do assunto.
— Eu não sou seu secretário, você tem noção disso, não tem?
Sem paciência, soltei os papeis que tentava reler e encarei Stephan, sentado confortavelmente, a minha frente. Os pés dele estavam em cima de minha mesa.
— Stephan, você não tem mais a quem aporrinhar? Posso descobrir em que lugar Jasper se escondeu, se você quiser.
Ele sorriu de lado, mas nem se mexeu.
— Não, obrigado. Irritar você é mais divertido. Estou ansioso para que resolva partir para cima de mim, como fez com seu irmão “metido a soberano”. Estamos precisando de um pouco de ação esses dias. Olha, estou gostando dessa sua mudança. Se continuarmos assim, em menos de um ano você já poderá mudar de profissão. “Edward lutador de MMA”. Já imaginou os letreiros em neon? Um sucesso. Ficaríamos ricos.
— Idiota.
Ignorei a maioria das besteiras que ele disse, mas uma parte chamou minha atenção.
“Metido a soberano”, jocoso, mas verdadeiro para descrever Jasper. Há quatro dias, logo após nosso último embate, ele desapareceu. Escondeu-se em algum canto com Alice.
Para nossos pais, somente telefonou e disse que precisava de uns dias de descanso com a esposa.
Pura mentira!
Ele estava era esperando que os hematomas desaparecessem de vez. Não fora corajoso o bastante, para enfrentar nossos pais e contar que eu, o espancara.
Eu até queria que fizesse isso, seria o momento exato de dizer a todos, inclusive a Alice, o que ele tinha feito e falado a Bella, naquela mesma manhã. Eu ansiava por aquilo, na verdade.
— Stephan, faça um favor a nos dois. Saia daqui.
— Ah, não! Já que vou fazer trabalho escravo, carregando florzinhas para você. Tenho que receber um agrado. E te deixar mais irritado é meu pagamento e seu castigo por ter agido como um idiota. Isabella pode me agradecer por isso depois. Talvez, ela resolva me beijar em agradecimento. Vou gostar muito dessa parte.
Será que eu podia matá-lo? Afinal, eu era um príncipe. Devia haver algumas vantagens a quem carregasse esse título. Não é?
— Sabe, Edward... Eu estive pensando... Se você e Bella, chegarem a se separar, será que no futuro, seremos convidados para o próximo casamento dela? Afinal, vocês ainda terão que conviver por causa de Rosie e Emm e Alice e Jasper. Porque acho que Charlie não vai cumprir a promessa de levar todas, se uma quiser desistir.
Sem acreditar no que ouvia, joguei toda a documentação que avaliava, dentro de uma pasta, e lhe encarei com fúria.
Que “porra” era aquela que ele estava dizendo?
— Porque, você sabe não é, ela é linda e tudo mais... Logo, não ficará muito tempo sozinha. Ainda mais com toda aquela inteligência e um futuro promissor pela frente e sem falar no título que o futuro marido receberia. Um atrativo e tanto. Vários homens se renderiam aos pés dela rapidinho.
— Stephan! Saia...
— Ora, mas você está “irritadinho” demais. É por causa da falta de sexo. Sei que é. Mas, amigo, se eu fosse você iria me acostumando, porque, se continuar com esse mau- humor, aí é que sua mulher não volta para você mesmo. Será que Bella tem algum preconceito com seguranças gostosões? Eu daria um ótimo príncipe.
— Stephan...
Peguei o peso de papel, em forma de bola de baseball, e atirei nele, que sabiamente se abaixou. Fazendo com que eu quase acertando Riley e meu pai que entravam, no mesmo instante de meu arremesso.
— Edward, me perdoe. Eu não queria interrompê-lo, mas vossa majestade insistiu em falar com você e não tive como lhe dizer não.
— Tudo bem, Riley. Se acalme. Eu sei como papai pode ser persuasivo. Pode fechar tudo e ir para casa, eu me encarrego da minha sala.
Ele assentiu, meio sem graça. Enquanto me entregava o peso de papel em prata maciça, que minha avó me dera em alguma ocasião quem nem me recordava mais. O objeto era bem pesado, se pega em Stephan teria feito um estrago.
— Seu expediente já se encerrou? Não são nem cinco horas ainda. Sem Jasper aqui, você precisa se concentrar mais e não ficar de brincadeirinhas.
Os olhos de papai, se revezavam entre mim, Stephan e o peso de papel, enquanto se sentava a minha frente.
— Meu sogro está chegando e quero recebê-lo. Além disso, meus compromissos estão em dia. Se Jasper não tem responsabilidade com os dele, o problema não é meu.
Não alterei a voz, porém, não fiquei quieto. Na verdade, eu nunca mais ficaria. Seria um novo Edward para Bella, mas, seria para meu pai também.
— O que o senhor deseja, afinal? Podemos ser breves. Não quero e não vou me atrasar.
Ele me observou atentamente, com a testa franzida, por instantes. Contudo, logo depois voltou sua atenção para Stephan, que permanecia, de pé, perto da grande janela de vidro.
— Saia! Isso é assunto de família.
Rá! Não mesmo. Ele não daria ordens a meus subordinados.
— Fique.
Parei meu amigo, que já rumava para a porta.
— Stephan e eu não temos segredos. Nossa relação necessita de lealdade e verdade, para que ele possa fazer bem, o trabalho dele. Além disso, se sair, assim que puder o colocarei a par de nossa conversa. Somos amigos. Ele me salva de enrascadas, em vez de me colocar nelas. Então, não perca seu tempo, pai.
Enfrentamos-nos outra vez. Carlisle não cederia, eu tampouco.
— Como quiser. A maneira como trata seus empregados é problema seu. Mais uma coisa que consegui ensinar somente a Jasper, ser enérgico. Fico imaginando onde foi que errei com Emmett e você?
— Ok! Se o senhor veio até aqui para deixar claro sua preferência por seu herdeiro, não perca tempo. Emm e eu já sabemos disso. Agora, se não se importa, vou para casa. Tem um rei esperando para ser recebido como merece e isso, Esme ensinou a mim e a Emmett e, pelo que parece, não a Jasper.
Levantei-me dei a volta em minha cadeira e vesti o paletó que descansava no encosto. Não perderia nem mais um minuto, ali, com ele.
— Ousa me deixar falando sozinho? Ora, seu moleque...
Segurou-me, quando tentei passar e sair.
Stephan, imediatamente, deu dois passos em nossa direção. Parei-o com a outra mão estendida.
— Solte-me, pai. Minha esposa me fez repensar minhas últimas atitudes. Não agirei por impulso mais. O senhor é meu pai e meu rei e lhe respeito muito. Porém, não me teste, por favor. Ainda estou engatinhando nessa arte de controle.
Calei-me e esperei que ele usasse o bom senso. Eu queria tanto meu pai, justo, de volta.
— Tudo bem, mas, volte-se e sente-se. Eu quero conversar e prometo não me estender muito. Também quero receber Charlie. Preciso que ele não note que algo está diferente em nossa casa.
Respirando fundo, voltei a meu lugar. Se ele queria falar, eu ouviria.
Eu tinha saudades do pai que um dia Carlisle foi.
— Fale, pai.
— Filho, eu quero que faça as pazes com sua esposa. Na verdade, eu quero não, eu exijo que volte às boas com Isabella.
Stephan sorriu sínico para mim, do seu lugar.
Era só o que me faltava.
— Mesmo? Engraçado, porque, pelo menos nisso estamos de acordo, pai. Porém, se não me engano, o senhor foi o principal incentivador para minha mudança de atitude. Eu segui seus conselhos e me ferrei. E agora o senhor vem aqui e simplesmente me diz que: “quer que eu e Bella façamos as pazes”? Infelizmente, as coisas não são tão simples assim. Minha mulher está me odiando, pai. Ela renegou todas as minhas tentativas de aproximação. Ela nem me dirige um olhar, quanto mais à palavra. O senhor pode perceber isso durante as refeições.
Apontei para as flores a minha volta e voltei a me levantar.
Seguindo meu humor, ele levou a mão aos cabelos e os bagunçou. Esse meu mau- hábito era herança dele. Eu teria que me lembrar disso para quando tivesse um filho.
— Seja mais convincente. Você não está se esforçando o bastante.
— Quê? Não estou entendendo o senhor. Até poucos dias atrás, achava que Bella não era boa o bastante, que não era a certa. O que aconteceu com todos os defeitos dela?
— Eu me enganei, tá bom? Reis também erram.
Ele não me convencia. Eu sabia de sua briga com mamãe e das ameaças e condições dela. Porém, Carlisle nunca se renderia. Nunca cederia e diria que aquele pedido era por ele também e principalmente.
— Eu lamento, pai. Estou fazendo meu melhor para um início de reaproximação. Bella é doce, porém quando se zanga, se transforma numa fera. Não posso arriscar. Tenho que ir devagar. Reconquistá-la aos poucos.
— Eu não tenho esse tempo de espera. Sua mãe, ela não...
Pela primeira vez, em anos, vi os olhos, do poderoso rei, amedrontados. Ele estava com medo de perder Esme?
— O que tem mamãe?
O incentivei a desabafar, no entanto, foi em vão. Ele logo voltou à postura rígida e dona de si.
— A rainha não está feliz com essa briguinha “besta” de vocês. Esme sempre quis uma filha. E viu a oportunidade perfeita em Isabella, que é muito mais amorosa que Alice. Sua mãe não ficará feliz com uma separação. E não gosto de contrariá-la, garoto. Por isso, e não me importa como, resolva seus problemas com sua mulher urgentemente. E isso é uma ordem, portanto, obedeça-a.
A empáfia de Jasper não era roubada era herdada mesmo.
Voltei a passar por ele, sinalizei para Stephan e nos encaminhamos até a porta.
— Sabe, pai. Pensando bem, tenho dois meses para reconquistar minha princesa. Incrivelmente, não estou com pressa...
Menti, na cara dura.
Se ele queria fazer seu jogo sujo de “rei e súdito” eu faria o meu de “pai e filho rebelde”.
Carlisle não merecia minha compaixão.
— Creio que esse tempo seja necessário para que coloquemos nossas ideias no lugar. Contudo, se o senhor quiser que nos reconciliemos com mais urgência, talvez devesse pedir desculpas a minha mulher. Então, se ela o perdoar por ter agido tão mal, talvez ceda e me absolva também. Deste modo que agora é com o senhor.
Não o olhei, mas escutei seus resmungos de incredulidade.
— Agora, se o senhor não se importa, estou em cima da hora. Meu sogro me aguarda. Ah! E antes que eu me esqueça, o senhor prometeu controlar Jasper, mas, parece que sua tática não funcionou. Ele voltou a importunar e agora foi direto em Isabella. Minha esposa e eu, estamos possessos e isso não ajuda em nada numa reconciliação. O senhor compreende isso, não compreende? Mulheres são muito suscetíveis a se irritar com intromissões alheias. Isso não é nada legal.
Contemplei, com prazer, a raiva fluindo de meu pai para alguém que não fosse Emmett ou eu. Seus pulsos se fecharam e seus lábios se crisparam em uma careta de desgosto.
— Se concentre em reconquistar sua esposa, filho. Deixe Jasper comigo. Assim que aquele irresponsável voltar, colocaremos as coisas em ordem.
— Eu conto com isso, meu rei. Agora, vamos de uma vez, Stephan. Não quero perder a visão de Bella reencontrando os pais.
Sai da sala e fechei a porta atrás de mim. Eu havia dado a Carlisle o que pensar e se ele fosse tão esperto como eu imaginava que fosse, logo Bella receberia uma visita.
Ótimo, porque era a hora dele ouvir umas verdades de minha Swan bravinha e predileta.
— Ora! Virou fofoqueiro agora, Cullen? Você agiu exatamente como Jasper. Não sei se gosto disso. Não parece você.
— É um jogo que dois podem jogar, Stephan. Está mais do que na hora de Jasper Cullen enfrentar a ira de Carlisle, o rei. E por Bella, meu amigo, eu faria qualquer coisa.
Qualquer coisa mesmo!
Bella
— Eles estão aqui?
— Estão, querida. O carro acabou de estacionar.
Desci o restante dos degraus de dois em dois. Eu acabara de chegar do hospital e correra para o banho. Nem havia visto quando Edward e o pai chegaram do trabalho também.
Isso de trabalhar meio período era uma correria e uma canseira só, mas, no fim estava sendo bom. Quando que eu poderia aproveitar de uma regalia dessas em outras épocas.
Eu receberia meus pais.
— Família, estamos em casa. Podem começar a festejar.
Emmett abriu a porta, antes que Charlote o fizesse.
Parei o passo enquanto os outros entravam.
Carlisle, Esme e Edward me observavam, com atenção, de seus lugares na sala. Creio que temiam o que eu faria quando estivesse segura nos braços de meu pai.
— Papai!
Voltei a correr e me joguei nos braços acolhedores de Charlie Swan, quase o derrubando no processo.
— Cuidado aí, cunhadinha. Num desses pulos você quebra o pescoço ou desmonta o rei.
Não dei importância ao falatório de Emmett, estava ocupada demais sentindo o cheiro de lar, de Charlie.
— Hei, hei... Isso tudo é saudade desse velho pai aqui? Princesa, olhe para mim. O que foi?
As mãos dele vieram urgentes, para meu rosto afastando o cabelo, molhado do banho recém- tomado.
Ele me beijava a testa, delicadamente e acariciava meu rosto. Acalentando os motivos de meu desespero.
— O que foi? Bells? O que está acontecendo filha?
Renée se aproximou e também me avaliou com atenção. Eu teria que parar de dar bandeira. Eles não precisavam saber que meu casamento estava em crise, aliás, minha vida estava em crise.
Respirei fundo tomando fôlego e impedindo que meus olhos marejassem. Eu era outra Isabella agora.
— Não foi nada, mamãe. Só estou ansiosa e morrendo de saudades. Queria tanto ver vocês.
Era a desculpa perfeita. Afinal, havia quase um mês que não nos víamos. Uma séria de coisas atrapalhou nosso cronograma de viagens a Forkian.
— Ah, irmãzinha. Eu que engravido e você que fica toda sentimental? Isso não é justo. Saia daí que a merecedora desses mimos todos é minha filha e eu. E além do mais, esse bebê está louco por um pouco de atenção extra da tia Bella dele.
Rosie percebeu. O olhar dela no meu, dizia tudo. E como boa irmã que era, desviou todas as atenções para si e para o bebê. Teria que agradecê-la depois, porque, era evidente que dela eu não escaparia.
— Ah querida! Deixe seus pais entrarem. Não seja uma má anfitriã. Ou Renée pensará que estou estragando a educação que ela lhe deu.
Sorri para minha sogra e obediente, puxei papai e mamãe para o sofá. Sentei ao lado de Rosie e alisei, descaradamente, sua barriga. Meu pai acreditava mesmo que ela estava só de um mês? Santa ingenuidade!
— Onde está Alice? E Jasper?
Edward e eu trocamos um meio olhar. Não havíamos conversado sobre o assunto, porque aparentemente eu estava o ignorando. Porém, ambos sabíamos que Jasper havia sofrido da ira do irmão. Pensei, em me preocupar com o tamanho do estrago do embate deles, mas, me recusei. Seja o que for que Edward tivesse feito a Jasper, foi merecido.
Só espero que Alice não nos condene por isso.
— Viajando. Inventaram uma desculpa de cansaço, mas, a verdade é que precisavam ficar sozinhos.
Carlisle respondeu sorrindo e tentando fazer brincadeira.
Charlie fechou a expressão. Informação demais para um pai de garotas.
— Ora! Sentem-se. Vamos deixar de formalidades. Somos uma família agora.
Logo estávamos todos envolvidos numa conversa, sobre gravidez, bebês, cuidados e excesso de cuidados, por parte de Emm.
Era hilário ver como meu cunhado estava ficando louco com as peripécias de Rosie. Se eu bem conhecia minha irmã, aquilo era só o começo.
— Bells, podemos ir? Estou ansiosa.
— Claro que podemos. Bree reservou com a secretária da obstetrícia do hospital, a sala de exames. Já está tudo pronto para podermos ver esse bebê.
— Graças a Deus. Quero começar a fazer as compras logo.
Esse era o principal motivo da visita de toda família a Ângelus. Eu faria um ultrassom em Rosie para vermos o bebê e seu sexo.
Tentei argumentar dizendo que essa não era minha especialidade, que poderia fazer o exame em Forkian mesmo.
Foi em vão.
Ela insistia que “sua bebê” só se revelaria a mim, a tia predileta. Isso sem falar que, para Rosie, faríamos o exame só para confirmar, porque, teimava e insistia, que era uma menina.
De verdade? Eu torcia por isso. Precisava ver Emm pai de uma menina. Apesar de, querer muito que Charlie tivesse seu tão sonhado neto, já que filhos não foi um sonho realizado.
— Então vamos de uma vez.
Todos se levantaram, seria um exame em família.
Saímos de casa e meu primeiro teste veio aí, não havia como entrar num carro e Edward noutro. Meus pais perceberiam.
Fomos juntos, para deleite de Stephan.
— Como foi seu dia?
Eu não podia acreditar. Edward estava mesmo puxando assunto? Ele ainda não percebera que ignorá-lo era minha principal frente de ataque. Eu não seria tão forte se começasse a aceitar suas investidas.
Malditas flores! Eu as queria tanto.
A mão dele veio em busca da minha. Cruzei os braços.
Não! Não tão fácil.
Mas eu estava com tantas saudades. E aquelas flores todos os dias de manhã, uma de cada cor...
— Fale comigo, princesa? Estou com tanta vontade de ouvir sua voz se dirigindo a mim. Perdoe-me, Bella? Não vou mais cometer o mesmo erro, princesa. Eu prometo. Estou tentando mudar, eu juro. Fale comigo, por favor?
Olhei para o outro lado, admirando o trânsito. Promessas, promessas... Estava cansada delas.
Mas, a voz dele...
Parecia uma carícia, em noites frias. Eu precisava tanto dela para dormir. Cinco noites insone estavam acabando com minha sanidade.
— Tudo bem, meu amor. Será um monólogo então. Meu dia foi bom, sabia? Recebi orquídeas vermelhas de manhã. Você não gosta de vermelho, princesa? Enganei-me de novo então? Ah, mas eu tenho quase dois meses para acertar. Não é?
Minhas flores.
Não! Isabella Swan era forte e de palavra. Ela não se derreteria por meras florzinhas.
Mas, eram orquídeas raras e,.... não!
— Enfim, mesmo com a falta de ar que sinto por estar longe de você, consegui trabalhar muito. Tirando as vezes que Stephan me atrapalhou e...
— Ei! Eu não fiz isso.
— Cale-se e continue dirigindo, seu intrometido. Bella e eu estamos conversando e você está interrompendo e atrapalhando.
— Estou vendo e ouvindo. Boa conversa. Ninguém pode dizer que você não é bom de papo.
A brincadeira deles me divertia. Pareciam crianças encrenqueiras, contudo, não os deixei saber disso. Eu manteria minha postura. Porém, foi bom ver que Edward não havia se rendido a tristeza e desespero pela nossa separação.
— Sabe, Bella, Carlisle foi me ver hoje...
Surpreendi-me. Mas, continuei calada. Eu somente ouviria.
— E agora acho que irá até você. Ele está sofrendo com a ira de mamãe. Acha que a culpa é nossa. E está atacando para todos os lados. Se prepare para recebê-lo.
Edward continuou a falar e falar. Não o repreendi, mas também não dialoguei. No entanto, era bom ouvi-lo.
Eu estava com tantas saudades.
— Chegamos. Vou estacionar em sua vaga, Bella.
— Fique a vontade, Stephan.
O segurança sorriu para Edward pelo retrovisor interno. Meu marido fechou a expressão imediatamente. Aquilo era por eu ter falado com Stephan? O que eu havia perdido?
Quando descemos todos já nos esperavam na recepção.
Lá fora, um mar de paparazzi tomava posição, esperando por novidades e um vislumbre nosso. A imprensa enlouqueceria com o anúncio da gravidez de Rósalie.
— Por aqui.
Agarrei a mão de Rosie e levei todos até a sala de Ultrassom. Aro não estava no hospital. O que foi um alívio, porque eu não queria que ele confrontasse Edward por causa de minhas mudanças na carga horária. Não com Charlie presente.
Aliás, esse era um assunto de meu marido e meu.
— Esperem aqui. Acomodem-se. Rosie e eu vamos nos trocar e já voltamos.
Os mostrei o cômodo adjacente.
Levei minha irmã até lá e a ajudei a colocar o conjunto hospitalar. Até naquilo Rosie conseguia ficar bonita.
— Você tem noção que papai perceberá, pelo tamanho do bebê e sua formação, que ele tem quase quatro meses, não tem?
Ela fez um caretinha e prendeu os cabelos em um coque alto. O dar de ombros significava que aquilo era irrelevante.
Ah se fosse comigo! Estaria apavorada, porque Charlie, com certeza, me mataria.
— Papai não pode fazer mais nada, Bells. Já “dei” mesmo.
Gargalhamos uma para a outra.
— Além do mais, ele vai é ficar derretido pela neta. Nem vai fazer as contas. Até parece que você não conhece Charlie Swan. Agora, pare de me enrolar e diga logo o que está acontecendo. Porque, você pode até enganá-los com essa história de cansaço e saudades, mas, a mim você não engana. “Desembuche” de uma vez.
A avaliei de cima abaixo. Não tinha como nem porque mentir. Aquela era Rósalie. Minha melhor amiga- irmã.
— Edward e eu estamos separados.
Disse de uma vez. Não havia como adiar o inadiável. E falar de uma vez, parece que fazia aquilo não parecer tão sério.
— Quê? Como assim? Separados? Separados mesmo?
Assenti com a cabeça. E dei-lhe as costas. Eu não suportaria ver tanta piedade nas expressões dela.
— O quê aquele, idiota, te fez? Porque, para você tomar uma atitude tão drástica alguma ele deve ter aprontado. Não acredito! Ele tem outra? É isso não é? Eu avisei para papai, que ele não era confiável. Ah, mas eu vou matar aquele babaca.
— Não! Espere, Rosie.
Parei-a quando já rumava para a porta com uma fera, uma mãe leoa.
— Edward não tem outra mulher. Nossos problemas são outros. Acalme-se. Lembre-se do bebê.
Então, passei uns dez minutos lhe explicando nossos problemas. E confesso, foi bom. Eu queria e necessitava falar sobre aquilo com alguém de minha idade e confiança.
— Tá, deixa ver se entendi: Ele agiu como um idiota que é. E você o colocou para fora do quarto e ainda deu a entender que vai se separar? É isso? Irmãzinha, você é muito má. Agora eu entendo as longas conversar dele e Emmett ao longo dessa semana.
Aquilo também era novidade para mim. Emmett não tinha cara de bom conselheiro amoroso. Só esperava que ele não desse ideias malucas a Edward.
— Basicamente, é isso.
Os intensos olhos verdes me avaliaram incrustadamente. Avaliando dentro de minha alma.
— Porém, você está sofrendo com isso, não é? Você está com olheiras? Há quantas noites não dorme, Bells?
Afastei as mãos dela de meu rosto e ousei me olhar no espelho. A maquiagem escondia, bem pouco, de meu estado verdadeiro. Um trapo!
— Eu o amo, Rosie. Não consigo dormir sem o corpo dele junto ao meu. Preciso do cheiro dele para viver.
— Então perdoe, irmã. Não perca tempo.
— Eu não posso. Você não entende, Rosie. Estava ficando fora de controle. Eu via a hora em que Edward me enclausuraria dentro de nosso quarto. Ele precisa confiar em mim, Rosie.
Sem esperar, ela voltou a me puxar e me afundou em seus braços.
— Vai passar, Bells. Edward também te ama. Ele vai mudar, você vai ver. Emmett disse que está desesperado. Vai dar certo, irmã. Eu só não consegui entender, onde Jasper e Alice entram nisso? Porque, que estão envolvidos nessa confusão, eu sei que estão. Então, me explique, por favor.
— Meninas? Está tudo bem aí? Estão demorando demais. Precisam de alguma ajuda?
Fui salva pela interrupção de minha sogra. Uma coisa era falar de minha intimidade, outra muito diferente, era falar da de Alice. Eu não era hipócrita.
— Só um minuto, Esme. Estamos terminando. Está tudo bem.
Rapidamente, coloquei o jaleco, prendi os cabelos e esterilizei as mãos. Há quanto tempo estávamos aqui?
— Podemos conversar sobre isso depois? Eles estão ansiosos a nossa espera.
— Tá bom, mas você não escapará mais tarde.
Concordei e então voltamos para a sala. Todos já estavam acomodados em algum lugar.
— Perdoe-nos pela demora, eu também precisava me preparar.
Emmett e Edward nos avaliaram intensamente. Os dois sabiam que estávamos mentindo.
Edward
Bella estava no modo médica. E aquilo me excitava e me deixava mais louco de saudades dela ainda.
Tão linda! Tão delicada! Tão profissional! Tão cheirosa! Tão doutora! Tão minha!
Por Deus!
Prometi a mim mesmo que quando fizéssemos as pazes que a obrigaria a se vestir assim para mim. Eu adoraria abrir aquele jaleco,a colocar em cima de uma mesa e...
— Você quer parar de desejar sua mulher, enquanto ela toca minha Rosie? Isso é doentio e nojento, irmão.
Emmett cochichou a meu lado, indignado.
Isso é porque, ele não sabia, de verdade, há quantos eu estava sem tocar aquela mulher.
— Se concentre em Rosie e Bella, Emmett. Olhe como elas são belíssimas juntas. Esqueça-me.
Bella já havia ajudado Rosie a se deitar e agora, depois de dobrar sua blusa até acima da barriga, depositava algo pegajoso na barriga, pouco volumosa, da irmã.
— Verdade! As mais bonitas. Tiramos a sorte grande. Nossa Edward, será que sua mulher toparia uns joguinhos? Ela é gostosa demais. De branco então? Eu pegaria uma médica sem pensar duas vezes.
Pensando exatamente no que fazia, desci a mão, em forma de tapa, em sua nuca.
— Ai! Bastardo! Foi só uma sugestão, não precisava apelar e...
— Hei, Emm. Se você puder ficar calado, só uns minutinhos, e talvez se sentasse bem aqui, eu ficaria muito agradecida. Estamos tentando ouvir um coraçãozinho aqui. Pode fazer isso por mim, por favor?
Até pedindo “por favor” Bella era desejável. E percebendo isso, Emmett sorriu sarcástico, para mim, e foi ao encontro delas.
— Claro que sim, doutora. Faço tudo que você quiser.
Levantei as sobrancelhas e disfarçadamente lhe mostrei o dedo do meio. Idiota!
— Edward, venha para mais perto, filho.
Esme estava sorrindo e Charlie também, provavelmente os dois haviam presenciado nossa brincadeira.
Sim brincadeira, porque, com Emmett eu tinha essa liberdade. Eu sabia que ele falava e fazia as coisas para me irritar e não com outro sentido. Emm e eu tínhamos essa cumplicidade. Aliás, antes das meninas entrarem em nossas vidas, Jasper também compartilhava dessa nossa relação de amigos- irmãos.
— Nossa, Rosie! Que lindo! Olha o tamanho dele. Os dedinhos, a mãozinha, as pernas, a boca. Está vendo?
Bella ia deslizando, devagar, o aparelho e descrevendo para irmã, o bebê. O equipamento era de última geração e com uma resolução de imagem indescritível.
— Parece com você, Rosie. “Pernudo e bocudo”.
Sem aguentar, sorrimos para as tiradas de Emm. Nem num momento tão íntimo, ele perdia o bom humor.
— A “boca grande” é sua, amor. Olha que linda, que ela é Emm. Menina tem que ter “pernão”. Oh mamãe ama demais essa princesa.
Emmett, Rosie, mamãe e Renée, tinham os olhos marejados. Charlie sorria como um bobo. E papai parecia até meio aéreo. Lamentei por Alice e Jasper estarem perdendo um momento tão lindo de nossa família. Eu estava bem mais que emocionado.
— Vamos ouvir o coração agora? Devagar, devagar, aqui... Ouçam...
Bella também estava sorrindo como uma criança. Orgulhosa do sobrinho e orgulhosa por estar proporcionando e presenciado algo tão sublime.
— Nossa! É rápido... os batimentos... Está tudo bem com ele?
Todos olharam para mim, quando expus minha dúvida.
Porém, eu não conseguia desgrudar meus olhos de minha linda mulher. Em cinco dias, aquela era a primeira vez que ela dirigia um sorriso a mim.
— É normal, não se preocupem. O bebê ainda é muito pequeno e novinho. O coração tem que ser rápido e forte, para dar conta de tanto trabalho, que é bombear o sangue para os órgãos e o corpo em desenvolvimento.
— Que som maravilhoso. Grave para nós, Bells. Precisamos mostrar isso à vovó Marie e Elizabeth.
Bella sorriu e tocou em algumas teclas no computador a seu lado.
— E agora, querem saber o sexo? Ou preferem a surpresa? Eu já sei o que é. E não vou resistir ao impulso de comprar lindos presentes na cor certa.
— Ah, Bella! Sua traidora. Eu deveria ser a primeira.
Rosie e ela sorriam. Bella agora deixava uma lágrima cair.
— Não brigue comigo, irmã. São ócios do ofício. E então? Posso fechar mais no ângulo?
— Claro que pode. Mas, não feche tanto no ângulo, não quero que as pessoas fiquem vendo “as partes íntimas” de minha filha.
De repente, Rósalie, Charlie e Renée se olharam estupefatos e então voltaram sua atenção para Emmett. Eles compartilhavam de algo, ignorado pelo restante de nós.
— O quê? Por que estão me olhando assim?
— Emmett, filho, você acabou de dizer que é uma menina. Assumiu isso.
Emm, voltou a dar de ombros, segurou as mãos de Rosie e então lhe encarou, apaixonadamente.
— É claro que é uma menina, Charlie. Rósalie sempre sabe das coisas. Quem sou eu para discutir com ela. Minha rainha, dará a luz a nossa linda e amada primeira princesa de Forkian. Exatamente como a minha sogra fez há alguns anos atrás.
Esses minutos em que ele conseguia soar sério, só serviam para me fazer admirá-lo mais. Emmett seria um grande monarca. Talvez, eu queira estar em Forkian para ver isso. Talvez, eu devesse conversar com Charlie a respeito disso. Creio que Bella seria mais feliz em casa do que aqui...
— Vocês estão certos, Emm. É uma menina, uma linda, saudável e grande menina de aproximadamente, 12 semanas e meios.
— Mais uma menina, Charlie.
Renée caminhou até os braços do marido, onde se aninhou. Meu sogro agora, também chorava.
— Avô de uma menina. É minha sina, Renée. Somente mulheres.
Abracei minha mãe, que estava ao meu lado e senti muito, por ela e papai estarem brigados. Papai, parecia que precisava de um abraço para soltar lágrimas represadas. Eu queria ver esse rei chorando.
— Nossa menina, Rosie. Nossa Lizzie Marie Cullen Swan.
Emmett beijava a testa da esposa e eles choravam incoerentes e dominados pela emoção.
O Swan, por último, não me passou despercebido. Era uma cláusula do reino deles. A dinastia Swan nunca poderia chegar ao fim. Então, os herdeiros sempre carregariam a assinatura do rei ou da rainha regente.
Meu irmão mesmo, já era Emmett Cullen Swan e não ao contrário. E pela sintonia dele e dos sogros, creio que já tinha se adaptado totalmente ao papel de filho de Charlie e Renée.
— Nosso milagre, Emm. Nosso milagre...
Bella levantou os olhos e voltou a me encarar forte.
E foi ali, bem ali, naquele olhar que eu percebi que, nós dois, também queríamos aquela realidade para nós.
Uma família. Um lugar para voltar. Alguém por quem lutar. Um motivo, a mais, para fazer as pazes.
Nós queríamos paz...
Eu falaria com Bella e Charlie...
Nós queríamos paz.
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