Notas iniciais
Muito feliz pelo recorde de comentários no último capítulo. Muito obrigada a todas!!!

Bella

Levantei bem devagar da poltrona, peguei a maleta que descansava a meus pés e saí a passos lentos e ritmados do quarto, só parando já no beiral para apagar as luzes principais, deixando assim o ambiente na semi- escuridão só apaziguada pela luz baixa que se infiltrava sorrateiramente pelas frestas da grossa cortina de algodão marrom.

Era meio dia de sábado. A, exatos, cinco dias passados do ataque de Jasper.

— Ela dormiu? Como está hoje?

Fui abordada por Edward assim que adentrei nossa sala. Ele permanecia sentado, na mesma posição que o deixei há uma hora atrás, quando retornei ao quarto de Alice para continuar monitorando sua pressão.

— Dormindo agora. A pressão continua desregulada, mas um pouquinho mais baixa que ontem. Meus pais já chegaram?

— Chegaram. Sam foi buscá-los na pista de pouso. Assim que eles estiverem aqui, será que podemos almoçar primeiro e depois passarmos ao assunto chato? Você precisa se alimentar, baby.

Coloquei a maleta sobre a mesinha de canto e me encaminhei para os braços que ele me estendia.

Só quero saber até quando ele acha que vai conseguir me segurar no colo. Gêmeos, será que Edward entendia e visualizava a proporção disso?

— Não acho que minha família vá conseguir comer sem ver Alice antes, mas eu posso tentar.

Edward se encostou no assento e me levou com ele obrigando-me a me aconchegar totalmente em seu peito.

— Vamos tentar, tá bom? Alice precisa descansar e você precisa comer. Simples assim. A pressão dela está alta e nada para em seu estômago, vida. Temos que dar um jeito de controlar as coisas. Eu sabia que aquela doutorazinha não era de confiança.

— Amor, remédio nenhum compete com nosso estado emocional. Jacob e eu ainda vamos abordar esse assunto em nossas pesquisas. É preciso que estejamos em sintonia com nossas emoções para que reajamos melhor a qualquer medicação. Deixe a doutora Stanley fora disso.

— Não gostei dela. Não gostei mesmo.

Reprimi um “rolar de olhos”. Edward andava impossível.

Depois de todo o episódio com Jasper, observei que a pressão de Alice estava muito alta e por mais que eu tentasse não conseguia estabilizá-la sozinha. Então, quase duas horas depois do ocorrido, quando Edward chegou em casa, fomos para o hospital e a doutora Stanley nos examinou, em separado claro, já que Alice ainda não sabia de minha condição.

Até aí tudo bem, o problema maior e implicância de Edward é que as medicações que Jéssica receitara, tanto para mim quanto para minha irmã, não haviam surtido efeito. O que para ele era sinônimo de incompetência ou falta de atenção como os casos.

Haja paciência...

— Tá bom, amor. Vamos esperar até que a tal obstetra misteriosa que seu tio contratou, chegue e se estabeleça. Aí faremos uma consulta e você dá seu parecer, certo? Porque, pelo que parece, a decisão será sua, não é?

— Minha, totalmente minha. O melhor para meus bebês e minha rainha.

Passei as mãos pelo cabelo dele e acariciei, mimando-o para que só então pudesse adentrar no assunto tenso.

— Tem notícias do seu irmão?

— Não. Não tenho. Por que, está preocupada e perguntando sobre ele?

A voz dele emanava raiva e uma pontinha de ciúmes, porém Edward não se moveu um milímetro para me afastar.

— Não estou preocupada com ele. Estou preocupada com sua mãe.

— Minha mãe é uma mulher adulta, Bella. Ela sabe o filho que tem. Deixe que Esme cure suas feridas, sozinha. Isso não é problema seu. Não é mais um assunto com que precise se preocupar. Deixe que os nossos filhos a deixem de cabelo branco, só os nossos.

— Eu sei. Mas, ela é mãe, Edward. E mães sempre...

— Não! Chega! Não vamos falar sobre Jasper. Ele não merece sua preocupação. É uma ofensa para com sua irmã.

Edward aumentou o tom de voz e a tensão se instalou imediatamente, por precaução, tentei me soltar dele.

— Não, espere. Desculpe-me. Eu não devia ter me alterado. Só não quero que fique com isso na cabeça. Quero que você tenha uma gestação tranquila, princesa. Esqueça isso, por favor?

Os olhos dele eram pedintes e totalmente suplicantes.

— Tá bom.

Edward estava certo, claro que estava, mas a preocupação com a tristeza de Esme me carcomia.

Minha sogra tentava disfarçar, com seus sorrisos e postura de rainha-mãe dos desamparados. Atualmente, era comum vê-la em nossa casa, que agora era também atual morada de minha irmã, afinal Alice estava conosco desde segunda.

Às vezes Esme se perdia em pensamentos e deixava que uma sombra de dor tomasse sua face. Aquilo era preocupação pura. E eu me reprimia por não poder ajudá-la de alguma maneira.

— Eles chegaram. Vamos lá.

Os barulhos dos pneus rangendo na nossa entrada de piso, me deixaram em total alerta. Charlie Swan estava em minha casa. E eu já poderia imaginar com estava também seu humor.

Alice e eu havíamos relatado a todos o acontecido, era impossível esconder mais. E papai reagira como esperado, rugiu impropérios e gritos que deixaram a mim e a Alice tontas.

Depois ele quisera nos buscar, o que foi rapidamente retaliado por meu marido. Depois ele quisera vir para cá imediatamente, o que também lhe foi negado devido o adiantar das horas, por fim ele concordara em partir no outro dia bem cedo. O que também conseguimos cozinhar em banho- maria ao longo da semana. Papai precisava se acalmar antes de chegar a Ângelus ou teríamos grandes problemas.

Mas, ontem ele fora enérgico em dizer que hoje de manhã estaria aqui...

E agora ele estava...

— Filha?

— Mãe!

Assim que Bá abriu as portas da frente, Renée adentrou esbaforida e com aparência de quem não dormia há dias.

Corri para os braços dela ignorando o “não corra” de Edward.

— Como você está? E Alice? Não estou vendo-a. Aquele animal já foi preso? Viemos buscar vocês.

Renée perguntava enquanto me apalpava por todo o corpo em busca, acho eu, de algum ferimento ou hematoma.

— Está tudo bem, mamãe. Alice está dormindo agora e prefiro que continue assim. Tem sido dias difíceis para todos nós, mas principalmente para ela. Daqui a pouco peço que Bá a acorde, certo?

Não passou despercebido por mim que Edward imediatamente se pusera ao meu lado, com sua mão em minha cintura quando mamãe dissera algo sobre “levar-nos”.

— Renée, você está sufocando a garota e atrapalhando nossa entrada. Solte-a.

Relutantemente, mamãe se afastou dando passagem a papai, Rosie, com Lizzie no colo e Emmett.

O carro de Carlisle também estacionava na frente de casa.

Ótimo! Uma reunião na hora do almoço. Ainda bem que Edward e eu só revelaríamos nossa surpresa amanhã, porque pelo que parece o dia de hoje seria tenso e longo.

— Querida!

— Oi, pai.

Charlie se aproximou e me fechou por entre seus braços. A emoção de abraçá-lo, de matar as saudades, de fazer as pazes, de me sentir protegida misturada com os hormônios da gravidez me levaram as primeiras lágrimas do dia.

— Não chore, florzinha. Não chore. Não precisa disso. O papai está aqui. Ok? Vamos resolver isso. O papai promete. Vamos resolver. E, não pense que me esqueci de que precisamos conversar, eu não esqueci. Só vamos resolver uma coisa de cada vez. Tudo bem?

Assenti enquanto ele passava os dedos pelo trilho molhado e beijava minha testa.

— Onde está vovó e John?

— Foram ao encontro de Elizabeth. Não se preocupe com isso agora, ela estará aqui em poucas horas.

Busquei nos olhos de meu pai o que aquele ato de vovó significava, porém não encontrei nada, seja o que for que vovó estivesse tramando, Charlie também estava por fora.

— Bells. Ah, Bells! Tanta coisa acontecendo e nós tão longe.

Rosie, com o lindo pacotinho rosa, se aproximou e empurrou Charlie para longe de mim. Não contive o sorriso. Lizzie e ela estavam lindas.

— Está tudo bem, irmã. Você não poderia fazer nada. O pior já passou. Vamos controlar isso.

Beijei a testinha da princesinha loira de olhos verdes que dormia como se o colo da mãe fosse o melhor lugar do mundo, o que de fato era.

— Ela está tão linda. Parece que cresceu um monte desde o ultimo dia que a vimos.

Edward beijou minha irmã, no rosto e acariciou a bochecha de nossa afilhadinha.

— Ela sente falta dos padrinhos. Fica resmungando e procurando vocês com os olhinhos.

— Ela sabe o que é bom.

Emm se juntou a nosso abraço conjunto de acalento.

Só me pergunto o porquê de Jasper ser tão diferente dos irmãos?

— Desculpe-me por isso, Bells. Vocês não mereciam, não mereciam. Quando eu encostar as mãos em Jasper eu vou...

— Tudo bem, irmão. Vamos falar sobre isso depois. Já que estão todos aqui, vamos para a sala de jantar, o almoço já está servido.

Afastei-me para que Esme e Carlisle entrassem, evitei maiores formalidades com eles, pois já os tinha visto hoje mais cedo quando vieram em busca de notícias de Alice.

— Oi mãe. Eu lamento. Lamento tanto, mãezinha.

Porém, Emmett não se conteve em estreitar a rainha em um abraço de urso. Nos braços dele ela parecia tão pequena e frágil.

Eu poderia jurar que ela estava chorando baixinho no pescoço do filho mais velho. Finalmente desabafando e se deixando dominar pelos sentimentos.

— Sei que chagamos tarde, Edward. Mas, se não se importa gostaria que você, seu pai, Emmett e eu tivéssemos uma conversa em particular agora. O almoço pode esperar um pouco mais.

Papai não pareceu, nem um pouco, comovido pelos sentimentos de meus sogros.

E quem poderia culpá-lo por isso? Não é?

— Quanto mais adiarmos o assunto maior ele ficará no meio da casa de vocês.

Os homens trocaram um olhar conciliador e eu sabia que nada que falássemos os faria mudar de ideia. Charlie vencera mais uma vez.

— Está certo, sogro.

Edward se virou para mim e segurou meu rosto entre as mãos. Focado e intransigente.

— Princesa, leve todas para almoçar. Não quero que perca mais tempo. Assim que pudermos nos juntaremos a vocês.

— Tá bom.

Respondi baixo e sem emoção. Pelo visto as notícias ruins começariam cedo.

— Coma um pouquinho mais do que ontem, tá? Force um pouquinho mais. Precisamos que a comida pare em seu estômago, princesa. Faça um esforço, sim? Por nós?

— Eu farei.

Respondi sem entusiasmo. Eu nem estava com fome.

Edward não pareceu feliz, nem convencido com minha resposta.

— Mãe?

— Vá tranquilo, querido. Cuidarei dela.

Ele me beijou na testa e se afastou levando todos os outros em seu encalço.

Imediatamente, Esme veio para meu lado e me guiou também para onde o filho mandara.

Era melhor mesmo obedecer e comer, pois o final de semana seria longo, muito longo.

Edward

— Sentem-se.

Gesticulei para todos mostrando as cadeiras e poltronas localizadas ao longo do escritório, o assunto seria sério e intenso.

Reviver aquele dia me levaria de volta ao inferno.

Passei para trás da mesa e me sentei na cadeira que Bella ocupava bem mais do que eu, em seus dias, ou noites, de estudos.

— Preciso saber se minhas filhas estão bem, antes de qualquer coisa, Cullens. Desembuchem.

— Elas estão, Charlie. Edward tem as duas sobre suas asas, sua proteção. Elas estão bem.

— Alice e Bella estão bem. As levei ao médico para garantir isso e graças a Deus, não teve nada. Só o psicológico é que ainda está muito abalado.

Eles se sentaram, mas Charlie permaneceu de pé, bem a minha frente e nenhum pouco relaxado.

— Irmão, relate-nos o que aconteceu, mas comece do começo, por favor. Bella e Alice estavam nervosas demais, chorando. Não deu para entender mais do que Jasper fazendo a maior besteira de suas vidas. Eu ainda não consigo assimilar tudo.

Emm estava à direita de mim e sua expressão era um misto de incredulidade e tristeza.

A de Charlie era de raiva e muito ódio.

— Pois bem, não adianta ficar protelando. Vamos acabar com isso de uma vez.

Então papai narrou tudo que se passou na fatídica segunda-feira em que Jasper surtou e quase acabou com os sonhos de nossa família.

— Eu vou matá-lo.

— O que vocês fizeram com ele? Onde ele está agora?

Emm e Charlie nos indagaram quando Carlisle chegou ao fim da narrativa, então foi minha vez de contar o que havia se passado quando o levamos para o escritório de papai depois de toda aquela confusão.

Início das lembranças de Edward

— Me soltem, seus idiotas. Quem vocês pensam que são para encostarem um dedo em mim? Vocês estão demitidos, ouviram bem? Demitidos.

Jasper continuava a se debater, como um louco, dando o maior trabalho a Stephan e Demitri que, com um esforço hercúleo, tentavam contê-lo.

— Sente-se aqui e nos despeça depois que esfriar a cabeça, sua alteza.

Stephan usou do sarcasmo para jogar meu irmão sobre a poltrona mais longe da porta possível.

Papai a trancou assim que passou por ela.

— O que deu em você? Tem noção do que acabou de fazer? Tem ideia de que acabou com seu casamento e de que Charlie virá com tudo para cima de nós? Tem noção de que colocou o casamento de seus irmãos em risco também?

A raiva ainda minava minha mente ao lembrar o que o idiota falara de minha esposa, mas, eu já me descontrolara demais por uma noite. Eu não faria isso outra vez, eu precisava pensar em minha Bella grávida.

Eu precisava manter a calma por ela.

— Ora pai, não se faça de burro. O senhor ouviu, uma menina, uma menina. Eu aguentei esse tempo todo para ela me dar uma porra de uma menina. O que eu vou fazer com uma menina?

Imediatamente me levantei de meu lugar, porém Stephan se colocou a minha frente, firmando as suas mãos na mesa e tapando Jasper de minha visão.

— Pense nela, concentre-se. Não faça burrada. Não dê mais motivos a seu sogro, pelo amor de Deus, Edward.

Respirei fundo, crispei as mãos e voltei a me sentar.

— As Swan’s não valem o esforço, pai. Onde o senhor estava com a cabeça? Emm o primeiro, eu o segundo, se prepare Edward, você será o terceiro. Charlie estava certo, eles são amaldiçoados.

— Se você disser isso de novo, eu vou matá-lo. O que há de errado numa menina, Jasper? Explique-me, não consigo te acompanhar. O sonho de nossa mãe era ter dado a luz a uma menina. Por que isso é tão importante? Um filho, seja ele o que for, é uma benção.

— Uma benção? Uma benção? O que você sabe sobre isso?

Ele me olhou com atenção demais. Retesei e quase gaguejei... Eu não poderia revelar mais do que devia.

— Eu não sei, mas imagino. Charlie ama as filhas. Por que tanto ódio por uma garota? Por que um garoto é tão importante?

— Rá!

Gargalhou cínico se levantando e parando de frente a nosso pai.

Stephan se aproximou mais deles. Demitri permaneceu a meu lado.

— Conte a ele, papai. Conte a Edward porque um garoto é tão importante. Conte ao preferido de mamãe como ele tem todas as chances agora. A menos que eu roube a esposinha dele.

— Chega!

Carlisle gritou quando, em meu rompante, saltei de meu lugar e me aproximei dele perigosamente.

Uma fúria insana ameaçava me dominar.

Se ele falasse de Bella outra vez eu... eu...

— Saia daqui! Ouviu bem, saia daqui. Suma das nossas vistas. Saia de minha casa. Saia de nossas vistas. Eu não quero te ver tão cedo.

Carlisle batia na mesa com uma força descomunal. Sua face estava vermelha e transtornada de um sentimento que não era descritivo.

— Você? Você? Está me expulsando?

— Estou.

Papai voltou a se sentar e respirou fundo. Suas mãos foram para seu rosto. Ele parecia mais cansado e mais velho do realmente era.

— Você passou dos limites, Jasper. Todos os limites. E não estou falando pelo ataque que acabou de dar. Estou falando porque feriu sua mulher e o fruto do casamento de vocês. Feriu sua cunhada que, aliás, é sangue do sangue de sua esposa. E feriu sua mãe, Jasper. Esme deve estar se culpando, de todas as maneiras, pelo monstro que criou. Você acabou com nossa família. Em um minuto estragou tudo que lutamos tanto para construir.

— Você não pode fazer isso. Não pode me expulsar. Eu sou seu herdeiro. O futuro rei daqui.

Jasper voltou a gritar apontando o dedo para nosso pai.

— Eu já fiz, seu idiota. Não se renega um filho, Jasper. Eu te dei todas as chances que podia. Eu te protegi quando não devia eu te dei um voto de confiança quando deveria ter te recriminado por suas loucuras. Mas agora isso acabou. Vá embora. Suma daqui!

Papai voltou a gritar e o soluço de Esme pode ser ouvido do lado de fora.

— Eu... eu... Você não pode fazer isso. Eu sou seu filho. É sua obrigação ficar ao meu lado.

Papai vacilou e uma lágrima escorreu pela face dele.

Jasper estava incrédulo e parecia descontrolado.

— Papai precisa ficar ao seu lado igual você ficou ao lado de sua filha?

Não resisti. Se deixasse quieto papai e mamãe acabariam que o perdoariam e seria muito fácil Charlie nos julgar por isso.

Jasper não merecia complacência, não agora...

Caminhei até a porta e a abri.

— Stephan, Demitri...

— O quê?

Ele voltou a se debater quando meus seguranças tentaram o segurar.

— Você não pode fazer isso. Eu mando aqui. O palácio não é seu. Eu sou o futuro rei, se maldito.

— Eu já fiz. Agora suma de uma vez.

Meus seguranças o pegaram pelos braços.

Papai voltou a se sentar e a tampar o rosto com as mãos. Ele não me impediria. Ninguém me impediria de fazer justiça.

— Scot entrará em contato amanhã para saber para onde enviar suas coisas. Sua entrada aqui, em minha casa, no ateliê e no hospital, estão proibidas a partir de agora. Saiba que ordenarei que atirem para matar se você infringir a ordem. Quero ver se você é capaz de mostrar sua braveza com homens do seu tamanho.

Acompanhei a expulsão dele até que o carro passasse pelos portões.

Esme acompanhou tudo da sacada do segundo andar, porém, não ousei a encará-la eu não poderia deixar que a dor dela me enfraquecesse.

Jasper teria o que buscara: Sua destruição.

Fim das lembranças de Edward

— E onde ele está agora?

Perguntou Charlie quando cheguei ao fim de minha narrativa. A expressão dele continuava um misto de vários sentimentos, uns decifráveis outros... nem tanto.

— Em nenhuma residência oficial. Ele está num apartamento, no centro da cidade, que já era dele.

— Tem alguém o monitorando? O que estão fazendo para que ele não se aproxime de minhas filhas?

Papai, apresentando um estado de espírito muito ruim também, se levantou foi até a janela e observou, com atenção, os jardins dos fundos de minha casa.

Eu poderia imaginar o que eles estavam sentindo. Mamãe estava derrubada, a tristeza era visível. Já papai parecia decepcionado, raivoso. Antes eu não o entenderia, mas agora eu assimilava a imensa confusão que devia se passar em sua mente.

— Ele está sendo vigiado, dia e noite. Reforçamos a segurança em cada ponto onde Alice e Bella passam. E como Edward disse, todos tem ordem para atirar se ele se aproximar.

— Isso são medidas paliativas. Não poderemos usa-las para sempre. Ele é pai do filho de Alice. Ele é herdeiro e príncipe de Ângelus. Já pensaram quando a imprensa descobrir que ele não está dormindo mais no palácio? Quando se derem conta de que ele não trabalha mais com vocês? Vai ser um escândalo.

— Emmett! Cale-se! Não falaremos disso agora.

— Não, pai. Eu tenho razão e o senhor sabe que eu tenho. Jasper precisa de ajuda de um profissional. Ele não era assim. O sistema, o senhor, o deixaram assim. Nós o viraremos as costas agora? Como se ele fosse descartável? Como se o sangue dele não corresse nas nossas veias?

Emmett estava o defendendo? Eu não poderia acreditar naquilo.

— Ele pode ser seu sangue. Meu não.

— Edward, seja racional, irmão. Todos cometemos erros e...

— Racional? Racional? Você só pode ter perdido o juízo. Eu queria saber como você agiria se ele tivesse aliciado sua mulher. Se ele tivesse pegado sua filha e a apertado com tanta força, a ponto de deixar os braços dela com hematomas. Ele renegou uma criança, Emm. Uma criança inocente que também tem o seu sangue. E agora você está se compadecendo dele? Eu queria que você estivesse aqui para ver Bella e Alice “zumbizando” por essa casa a noite. Eu queria que você tivesse visto Bella segurando Alice pela testa enquanto ela dava crises de vômitos sem ter absolutamente nada no estômago. Eu queria que tivesse visto Bella passar horas e horas monitorando “a porra” da pressão da irmã de hora em hora, sem nem se preocupar com a própria saúde. Que mundo paralelo é esse que você está vivendo, Emm?

— Edward, filho, se acalme...

Nervoso, passei as mãos pelos cabelos, fechei os olhos e me encostei na cadeira. Eu não deixaria que as loucuras de Jasper me dominassem mais.

— Eu quero vê-lo.

— Quê?

Respirei fundo já imaginado a confusão que isso daria. Papai também...

— Eu preciso colocar meus olhos nele. Eu preciso entender o que se passa na mente dele. Eu preciso enroscar minhas mãos naquele pescoço até que as veias saltem.

— Eu o levo até ele.

— Edward! É nosso irmão.

Emmett gritou para mim, gritei de volta. Afinal, estava em minha casa.

— É minha mulher, minha cunhada, Emm. Se você está tão convencido de que ele é tão bonzinho, leve-o para você.

Emmett crispou os olhos em minha direção e papai ia dar sua opinião, quando alguém bateu a porta.

— Entre.

Respondi, sem tirar os olhos faiscantes dele. Eu não estava o entendendo.

— Desculpe-me atrapalhar. Mas, eu queria almoçar com meu marido e meu pai. É pedir muito que vocês deixassem esse assunto para depois? Acho que estou precisando de um momentinho de normalidade antes que mais intensidade.

E foi assim que o ar voltou a ficar puro, Bella...

A faneca e os lábios puxadinhos para frente, em forma de um adorável biquinho, seriam capazes de conseguir qualquer coisa de mim, de meu sogro e, por incrível que pareça, de meu pai.

Os hormônios estavam deixando-a mais manhosa e adorável.

— Podemos almoçar, sogro? Bella não tem se alimentado como deve. E se ela está com fome devemos aproveitar o momento.

Ela levantou as sobrancelhas. Eu estava insinuando, mas só nós dois sabíamos o que aquilo significava.

— Vamos almoçar. Minhas filhas vêm em primeiro lugar. Jasper Cullen é assunto para depois.

Senti um arrepio subir pela minha espinha.

Eu ainda não sabia o que meu sogro tinha em mente, contanto que não envolvesse minha princesa em um avião a caminho de Forkian, Também não me importava. Jasper merecia o que viria, seja ele o que for.

Notas finais
Beijinho a todas e até o próximo com vovós em cena.