Três Príncipes, Três Princesas
6 A ira de um rei
Notas iniciais
Narrador
Renée “fumegava” de tanta raiva. Cada sentido de seu corpo estava em alerta e um leve zumbido já lhe incomodava a cabeça.
Ela não conseguia acreditar no que havia acabado de ouvir, era impossível para ela imaginar que alguém em sã consciência desprezasse e renegasse seu bebê.
Por isso sem perder tempo, praticamente, correu pelos corredores do andar em que estavam alojadas e sem grandes cerimônias adentrou o ambiente e foi logo retirando uma grande mala de dentro do closet, depositando-a sobre a cama e atirando dentro dela todas as coisas que suas pequenas mãos alcançavam. A única coisa que Renée pensava naquele momento é que precisava, a todo custo, voltar para casa.
Charlie, que até aquele momento descansava, numa confortável poltrona na varanda, se assustou com o rompante da esposa. Renée era muito centrada para “perder a linha” e, sem exageros, sua rainha parecia a ponto de “torturar” alguém.
– Ei querida. Se acalme. O que houve? Por um acaso vai a algum lugar e não me convidou?
O nervoso da soberana era tanto que ela se negou a responder as “gracinhas” do marido..
Charlie percebendo que o assunto era sério se aproximou, agarrou a mulher pelos ombros e começou a indaga-la.
– O que aconteceu?
Renée não respondia, estava tão chateada que se sentia sufocada. E as grossas lágrimas que começavam a cair de seus olhos somente serviram para levar o rei de Forkian ao desespero.
– Por Deus, mulher! Responda. O que aconteceu? As meninas? Foi alguma coisa com as meninas? Você saiu daqui pra saber a opinião delas sobre os príncipes. Onde elas estão? Elas estão bem? O que foi? Eu exijo que você se contenha e me responda.
– Bella...
E bastou essa palavra para que a fúria de Charlie alcançasse níveis indescritíveis.
– O que aconteceu com Isabella? Ou melhor, o que fizeram com a minha filha? Onde ela está?
Charlie conhecia sua prole. Se o problema do descontrole de Renée respondia pelo nome de sua bebê, então era óbvio que alguém havia feito alguma coisa a ela.
Pois, Bella era incapaz de fazer mal a alguém.
– No passeio que elas deram agora a pouco nossa Bella conheceu o príncipe e ele a renegou. É exatamente isso que aconteceu, Charlie. Minha filha está inconsolável agora. E a culpa disso tudo é sua.
– Como é que é?
O rei já estava mais que exaltado.
– É isso mesmo, seu bastardo. Eu te avisei Charlie, que essa ideia “estafurdia” de casar às meninas a força era loucura. No entanto, você não quis me ouvir. Pois bem, agora arque com as consequências. Bella está no quarto se “desmanchando” de chorar nos braços das irmãs e você sabe que ela não pode ser pressionada psicologicamente. Por isso, querido, eu estou fazendo as malas, pois minhas filhas e eu estamos indo pra casa e quero ver quem vai ser o valente que vai nos impedir. Esses Cullens de “meia tigela” vão aprender que com uma Dwyer, não se brinca. E eu te digo Charlie Swan, que se você insistir nessa insanidade de acordo, que se case com os filhos de Carlisle você mesmo. Porque ninguém, mas ninguém mesmo, vai fazer minhas crianças de boba.
A mente de Charlie estava a “mil”, metade do discurso mal- educado da esposa ele nem chegou a escutar, na verdade ele ainda tentava processar a parte do “ele a renegou”. O rei não compreendia. Como assim renegou? Quem ele pensava que era?
Charlie se sentia enfurecido, enraivecido. Ele só queria pegar aquele “principezinho” pelo pescoço e esgana-lo. O rei prometeu a si, que o ensinaria uma lição e que fosse uma bela lição, pois estava pra nascer o homem que faria sua garotinha chorar.
Então sem mais delongas, o rei foi de encontro a uma explicação para aquela confusão toda e quando passou pelo quarto da filha e comprovou que a mesma estava aos prantos, não precisou de mais provas.
O filho de Caslisle havia cometido um crime e aquilo rompia com qualquer chance de acordo entre os monarcas, por mais que ele já tivesse sido assinado.
Por isso, o soberano de Forkian, se dirigiu rapidamente ao encontro do rei de Angelus, que coincidentemente, naquele exato momento confrontava, irritadamente, seus três filhos.
Emmett e Jasper não pouparam o irmão e Carlisle já imaginava o tamanho do problema que teria que enfrentar em poucos segundos.
Charlie, rugindo como uma “fera ferida”, correu de encontro a Carlisle assim que recebeu de Esme a informação de onde o outro rei se encontrava. Esme tremeu, sua mente já tentava adivinhar qual seria o tamanho do problema em que Edward havia se metido.
O rei de Forkian adentrou o local sem qualquer cerimônia, e já foi despejando e apontando para o rei de Angelus, que naturalmente e protetoramente, recuou dois passos ao notar fúria incontida que emanava do outro monarca.
– Eu vou matar o seu filho, Carlisle. Eu juro que vou. Onde o bastardo está?
Charlie estava tão nervoso e fora de si, que nem notou, que Edward, Jasper e Emmett se encontravam encolhidos no canto inferior do recinto.
– Se acalme, Charlie. Por Deus, homem! Sua pressão deve estar altíssima, amigo. Isso não é bom para você. Vamos conversar como duas pessoas civilizadas, que somos. Se controle.
– Eu não quero me acalmar, Carlisle. Quem tem que se acalmar é minha filha, que está nesse momento se contorcendo de tanto chorar, nos braços das irmãs. E tudo isso por culpa do idiota do seu filho. Diga-me de uma vez, onde ele está.
Edward compareceu-se e sentiu-se horrível por ser o culpado das lágrimas dela. Ele se recusava a acreditar que tinha cometido um erro tão grande, com sua própria prometida.
– Foi um mal entendido, Charlie. Meu filho brincou e sua filha acreditou, nada mais. Coisas de jovens, amigo. Tenho certeza de que no jantar, tudo se resolverá. Edward vai pedir desculpas a ela. Não vai, filho?
Carlisle, encarou seriamente seu caçula. Somente então, Charlie, notou a presença deles ali.
– Desculpe-me alteza?
Apesar de Edward odiar todas “essas pompas”, foi obrigado a por seus conceitos de lado e reverenciar Charlie dobrando o joelho e inclinando a cabeça respeitosamente. Ele tinha se encantado por Isabella e o que mais queria agora era poder encontrá-la e se desculpar, por ter sido tão mesquinho e infantil.
– Foi mesmo um mal entendido, eu não tive intenção nenhuma de magoar a minha futura esposa, alteza. Eu vou me desculpar, de joelhos, se assim ela preferir. Só, por favor, não tome uma atitude precipitada.
Edward fez questão de destacar a parte do “futura esposa”, assim quem sabe Charlie, não aliviava sua barra ao perceber que ele tinha boas intenções para com sua filha.
Ledo engano...
– Você é um garoto insolente, seu bastardo. Você não verá minha criança outra vez, você não merece a minha Isabella e por isso, saibam que estamos partindo para casa, nesse exato momento. Tenho certeza que o príncipe herdeiro de Pushian, ficará muito feliz em saber que repensei e aceitei sua insistente proposta.
Edward se pôs em alerta, ele precisava saber que história era aquela. Todavia foi Carlisle que na sua indignação, fez as perguntas.
– Jacob Black? Que proposta o filho de Billy Black, lhe fez, Charlie? “Cuspa, homem”.
Charlie não poupou os ouvidos da família real, ele queria porque queria mostra-los que sua Bella teria outra opção, muito melhor, a seu ver.
– O garoto estudou com Bella, desde sempre, e, aliás, eles são grandes parceiros de estudos e pesquisas. E como não poderia ser diferente, Jacob se encantou, pela minha garotinha e mesmo sabendo que ela já estava compromissada, foi até mim e implorou para que eu a lhe desse em casamento. No entanto, eu neguei, pois para minha infelicidade, ela já estava prometida a esse aí. Ah se arrependimento matasse! Mas, Deus está me dando outra chance. Ah se está!
Edward fechava as mãos em punho tentando absorver aquela informação, agora ele entendia todas as indiretas e palavras ácidas que Jacob lhe lançava, todas as vezes que se encontravam em algum evento oficial. O cachorro queria sua princesa.
– Por favor, Charlie, não seja tão severo, reconsidere. Edward cometeu um erro e se retratará com sua filha, e tudo se resolverá. Por Jesus Cristo! Pense no quanto um rompimento será desastroso para nossas economias. Não tome uma atitude desse tamanho levado, simplesmente, pela raiva.
Carlisle tentava, a todo custo, abrandar a situação e o coração do enervado rei e amigo. As contas com seu filho, ele acertaria depois.
– Por favor, alteza, eu me encantei por Isabella desde o primeiro momento que a vi, mesmo sem saber quem ela era, por isso eu lhe imploro, deixe- me consertar a besteira que fiz? De- me uma segunda chance, e eu prometo que não lhe decepcionarei.
Edward tentava de todas as maneiras e Charlie, mesmo sem querer, viu verdade nos olhos do príncipe.
Então, rendendo- se, suspirou e sentou-se em frente à Carlisle, expondo assim todas as suas condições para que o príncipe tentasse consertar a situação catastrófica em que havia se metido.
– Bella é minha joia, Carlisle. Eu quase a perdi no parto, ela era tão pequena. E ao contrário de Alie e Rose, ela ainda é frágil, sua saúde requer cuidados e por nada nesse mundo eu a faria sofrer ou seria contra uma de suas decisões. E por mais que isso me deixe em “maus lençóis” com minha esposa, vou falar com Isabella, e só se ela quiser lhe dar uma segunda chance, esse casamento se realizará. Por isso, reze para que minha “Florzinha” esteja em um bom dia, caso contrário, hoje mesmo, voltaremos pra casa. E se prepare Edward, Isabella é encantadora, mas tem o gênio difícil de minha mãe, não vá achando que a convencerá com seu charme e com algumas palavras bonitas. Minha filha espera muito mais de um futuro marido.
E antes de terminar seu desabafo, Charlie e se pôs de pé e olhou sugestivamente para os outros dois filhos de Carlisle.
– E que você a convença, do contrário, nossa partida inclui Alice e Rósalie também.
– Não!!!!
Jasper e Emmett, gritaram em uníssono. Mas foi em vão. Charlie arqueou uma sobrancelha,e Carlisle praguejou, baixinho, a sua sorte.
– E tenho dito. Ou são todas ou nenhuma.
E sem esperar por mais tentativas de persuasões, Charlie saiu, deixando os raivosos homens da família Cullen se enfrentando.
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