Três Mestres para uma escrava
27 O Mestre de Hermione – Parte II
Notas iniciais
COMUNIDADE BDSM – TEMPO ATUAL
A lembrança dela agarrando suas pernas o deixava emocionado, mas esses eram momentos que só diziam respeito aos dois. Ali não era o lugar para isso. Aquele era o lugar para demonstrar, sem qualquer sombra de duvida, que ele era o Mestre da mulher prostrada aos seus pés. Neste lugar não havia espaço para demonstrações de ternura, pois não era isso que esperavam dele. Aqui ele era Severus Snape, um Mestre implacável; capaz de quebrar o resto de orgulho que qualquer escrava pudesse ter. O que todos queriam ver era até que ponto ele tinha o controle sobre a jovem mulher diante dele, até que ponto ela tinha sido devidamente domesticada. Ele sabia que teria de exigir muito dela, de confiar na sua capacidade de demonstrar até onde estava comprometida em ser a sua escrava.
– Levante-se, e caminhe até o centro do palco – ele ordenou, sendo imediatamente obedecido.
Hermione caminhou até onde lhe foi ordenado. Ela tinha uma postura bem elevada; orgulhosa por estar servindo ao Mestre que havia escolhido. Parou no local indicado; virada de frente para o salão, esperando uma nova ordem. Duas correntes desceram do teto em sua direção, cada uma com uma algema em suas extremidades. Duas escravas vieram até ela, prendendo seus pulsos nas algemas. Hermione sentiu a corrente esticar, seu corpo sendo puxado para cima. Ela só não teve os pulsos machucados porque as algemas eram muito acolchoadas na parte interna, mas teve que elevar seus pés, seus calcanhares perdendo o contato com o chão.
As escravas também trouxeram dois espelhos, colocados a partir de ângulos que refletiam a imagem de cada centímetro do corpo de Hermione. Não eram espelhos comuns. O feitiço que havia neles se revelando assim que foram colocados no lugar. A imagem da escrava de Severus Snape apareceu em todos os cantos do salão, permitindo uma ampla visão dela por parte de todos os que ali estavam. As escravas se retiraram, mas um outro escravo entrou. Era um homem alto e bem forte, o rosto coberto por uma máscara. Mas o que realmente chamou a atenção de Hermione foi o extenso e grosso chicote de couro que tinha numa das mãos.
Snape se aproximou dela, a frieza no olhar assustando Hermione, pois ela viu claramente neles aquele quê de crueldade que volta e meia aparecia; um resquício de seus tempos como Comensal da Morte. Ele deixou sua escrava de lado, como se não fosse importante. Hermione o viu caminhando em direção a mesma rampa por onde vieram, descendo por ela e ficando próximo das mesas onde estavam os outros Mestres. Ele se virou, dirigindo-se ao escravo com o chicote na mão, não lhe disse qualquer palavra, e mesmo assim o escravo se posicionou atrás de Hermione. As correntes que a prendiam começaram a se mexer, obrigando-a a caminhar com dificuldade, quase na ponta dos pés. A corrente parou de se movimentar, deixando Hermione próxima à beirada do palco. Ela voltou o olhar para seu Mestre, querendo o seu amparo e proteção, mas nada disso foi encontrado. Ele a ignorou, se dirigindo ao escravo, dessa vez falando com ele.
– Faça bom uso do chicote que tem em mãos – ele disse ao escravo – faça exatamente como lhe foi instruído. Você só deve parar quando eu mandar... ou caso ela diga a palavra de segurança – ele volta a olhar para Hermione, a frieza em seu olhar deixando-a mais assustada do que nunca – não quero que você seja condescendente com ela, escravo. Bata nela com o máximo de força que você puder empregar, em cada golpe que você der.
O coração dela estava aos saltos, sua respiração incrivelmente acelerada, borboletas pareciam se movimentar dentro de sua barriga, mas nada era tão evidente para os que a viam naquele momento do que os bicos dos seios duríssimos, a boceta tão inchada e úmida. Ela estava assustada e excitada ao mesmo tempo, tendo consciência de que todos os olhos naquele salão estavam voltados para a sua pessoa, mas ela só tinha olhos para o homem diante dela, em pé, um nível ligeiramente abaixo do palco onde estava. A frieza no olhar dele a fazia estremecer, ela amava esse efeito que seu Mestre lhe causava. A ordem dada por ele era cruel e impiedosa, cairia sobre ela como ferro incandescente, seu corpo sofrendo a indignidade de ser violentamente chicoteado, na frente de todas as pessoas ali presentes.
Hermione Granger tinha consciência do que estava para acontecer. Ela sabia que ia doer muito, que gritaria até ser incapaz de agüentar sem implorar para que o sofrimento terminasse. Sabia que ele ia querer ouvir isso, ouvi-la implorar pelo fim do sofrimento, apenas para exercer o seu direito de negar. Severus Snape era um Mestre muito exigente com as demandas sobre sua escrava. Ele forçava seus limites até o máximo onde ela poderia ir. Ele faria isso, mesmo que ela, perdida nos delírios da dor, não fosse capaz de discernir o quanto esta estava lado a lado com o prazer, a ponto de uma parte ser indistinguível da outra. Como um bom Mestre, ele forçava os limites de sua escrava, até levá-la ao estado da completa liberdade na submissão. Era o seu dever levá-la até lá, guiá-la, ensiná-la, mostrar-lhe os extremos de seus limites, protegê-la, deixá-la segura de que tudo terminaria assim que os seus verdadeiros limites fossem atingidos.
Os espelhos, magicamente trabalhados para espalhar sua imagem por todo o salão, mostrariam seu corpo por inteiro. Hermione veria as marcas avermelhadas surgindo, contrastando com a extrema brancura de sua pele. Desde o seu primeiro dia como seu Mestre, ele a havia proibido de pegar muito sol, jamais permitir qualquer forma de bronzeamento no corpo. Mais de uma vez Severus Snape já havia dito a ela o quanto apreciava o contraste das marcas contra a sua pele, quase da cor de leite. Em todas as vezes ela sentiu a emoção no tom de voz dele, ao dizer isso. Hermione sorria feliz ao lembrar disso, sempre que apreciava as marcas em seu corpo, diante do espelho.
A primeira chicotada atingiu em cheio as suas costas, num ângulo vertical, mais para o lado esquerdo que o direito. A sensação de ser tocada com um ferro em brasa tomando conta dela, um grito lancinante sendo a única forma dela tentar abrandar a dor que sentia. O segundo golpe a atingiu da mesma forma, um pouco mais para a direita, a sensação de dor ainda mais forte, um novo grito enfatizando isso. O terceiro golpe a atingiu, entre os dois primeiros, ela podendo ver, através de uma das imagens transmitidas magicamente pelos espelhos colocados junto a ela. Os três golpes foram em sucessão, dando a ela uma falsa sensação de alívio, pois muitos segundos se passaram antes de um novo golpe. Não que a dor dos três primeiros golpes tenha sido aplacada, a dor continuava. O ligeiro alívio terminou quando a quarta chicotada, seguido da quinta, atingiu-a em cheio, em cada uma das nádegas.
– Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! – ela mal terminou de gritar, a sexta e a sétima chicotada vieram com extrema força, mais uma vez em suas nádegas, não nos mesmos pontos das chicotadas anteriores – Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
As lágrimas desciam por seu rosto, o sofrimento estampado nele de forma inequívoca para todos os que estavam naquele salão. Ela tentava conter o choro, mas era impossível. Novos segundos se passaram sem que nada acontecesse. Hermione olhou para o seu Mestre, ainda de pé, próximo a ela, olhando-a fixamente. A expressão em seu rosto parecia uma máscara de total indiferença com o sofrimento dela. Ela já havia apanhado de chicote antes, mas havia algo neste que o tornava especialmente dolorido. “Será que ele usou alguma poção nele?”, ela pensou, um segundo antes de sentir a oitava chicotada, no seu quadril direito, seguida da nona, agora no quadril esquerdo.
– Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! – mais alguns segundos se passaram, viu o escravo se deslocando um pouco, tomando um posicionamento quase paralelo a ela. A décima chicotada foi seguida pela décima primeira e pela décima segunda, todas dadas de um ângulo que marcou as suas costas com três riscos avermelhados, que iam do alto à direita, até o ponto mais baixo à sua esquerda – Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Oh! Merlin, Merlin.
A palavra de segurança veio à sua mente pela primeira vez, a vontade de dizê-la foi seguida pela vergonha por esta ter se manifestado. O choro dela era bem audível por todo o salão. Suas lágrimas podiam ser vistas através das imagens límpidas, transmitidas pela magia dos espelhos, o mesmo acontecendo com os bicos dos seios duríssimos, além da intensa umidade em sua boceta. Seu Mestre deu dois passos à frente, o corpo encostado no palco, tão próximo a ela que poderia tocá-la facilmente. Ela queria ser tocada por ele, queria tanto, mas ele não o fez.
– Está doendo muito escrava? – ele sempre preferiu chamá-la de senhorita Granger, como se ainda fosse o professor e ela sua aluna sabe-tudo, mas aqui ele adotava um tom que não deixava duvidas, a qualquer um no salão, sobre a posição de cada um deles neste relacionamento – você gostaria que eu mandasse parar com as chicotadas?
– Por favor, Mestre, está doendo muito, por favor – ela implorava num tom de voz bem alto, não só para ele ouvir, mas para que todos os presentes no salão também pudessem; tinha certeza de que era isso o que ele queria.
Hermione viu quando seu Mestre fez um discreto sinal para o escravo que a estava chicoteando. Viu consternada quando Snape lhe deu as costas, a indiferença dele machucando-a mais até do que as chicotadas. Ela abriu a boca para chamar o seu Mestre de volta, implorar por um olhar dele que fosse, mas tudo o que saiu dos seus lábios foram novos gritos, quando a décima terceira, a décima quarta e a décima quinta chicotada atingiram suas costas em sucessão. Todas foram dadas do ângulo contrário das anteriores. Ela viu, agora com uma expressão de horror e desamparo em seu rosto, quando três novas marcas surgiram, começando do alto à sua esquerda, indo até o ponto mais baixo de suas costas, à sua direita. A dor veio somada à sensação de abandono, a vontade de dizer a palavra de segurança crescendo dentro dela, mas tudo o que ela fez foi continuar implorando.
– Por favor, Mestre, por favor, faça-o parar, por favor – ela gritava agora, mas tudo o que recebia de volta era indiferença; um rosto sem expressão, olhos de uma frieza assustadora, e silêncio.
Ela podia ver as marcas das chicotadas nas partes do seu corpo que foram atingidas, mas a dor não era sentida apenas nelas, estava por toda parte, cada centímetro do seu corpo parecia doer. Seus braços estavam esticados, suas pernas vacilavam em sustentá-la. Mas nada disso doía mais nela do que vê-lo aparentemente indiferente à sua dor. O medo tomava conta de Hermione, pois temia não ser capaz de suportar a carga que lhe era imposta. Temia envergonhá-lo ao dizer a palavra de segurança. Ela sabia que podia dizê-la, sabia que tudo pararia se o fizesse, mas ela não queria. A lembrança de sua primeira noite como escrava dele veio à sua mente. Ela se agarrou a essa lembrança, olhou direto nos olhos do homem que escolhera para ser o seu Mestre, uma lembrança em especial se fixando nela.
FLASHBACK – HOGWARTS – 42 DIAS ATRÁS
Hermione estava deitada de bruços, no chão frio dos aposentos de seu Mestre. Havia um grande sorriso em seu rosto, ela estava bem relaxada. A mão direita dele alisava seu corpo com aquela suavidade que sempre a surpreendia, a deixava emocionada. Snape passava nela uma poção, provavelmente criada por ele mesmo, passava o seu conteúdo nas partes dela, que foram atingidas pelo cinto de couro. Toda a dor tinha ido embora, sobrando apenas uma sensação de conforto e relaxamento por todo o seu corpo. A mão esquerda dele alisava seu cabelo, transmitindo a ela uma sensação de ternura que a deixava totalmente entregue, confiante, sabendo que nada de mal poderia lhe acontecer enquanto estivesse sob os cuidados daquele homem, do seu Mestre, daquele que era agora, o senhor da sua dor, e do seu prazer.
– Estou quase terminando de passar a poção Curativa em você, senhorita Granger – ele diz – assim que eu terminar, você deve esperar um pouco até sua pele absorver todo o conteúdo, e então ir tomar um banho. Você pode usar o meu banheiro, e tome o tempo que precisar.
Ele termina de passar a poção e se levanta, limpando as mãos numa toalha, antes de ir se sentar numa cadeira próximo a lareira. Hermione o vê pegando um livro e começando a ler. Ela fica deitada no mesmo lugar por mais de um minuto, para então se levantar e seguir para o banheiro, como lhe foi ordenado. O banho durou um bom tempo, a água em seu corpo tendo um efeito tão relaxante quanto a poção que ele passou nela. Após o banho ela se olhou no espelho, feliz ao ver que a poção aplacou a dor, mas manteve intactas todas as marcas feitas pelo cinto de couro. Ela se orgulhava muito daquelas marcas, eram como distintivos de honra, a prova de sua devoção àquele a quem escolhera para seu Mestre.
Hermione voltou à sala para encontrá-lo no mesmo lugar onde estava, lendo o mesmo livro. Ela aproximou-se devagar, ajoelhou-se diante dele, assim permanecendo, em silêncio, como competia a uma boa escrava. A postura ereta, as pernas espaçadas, a cabeça inclinada para baixo, as mãos descansando suavemente em seus joelhos, os olhos voltados para os pés dele. Ela ficou um bom tempo esperando, esperaria a noite toda se precisasse, se esse fosse o desejo dele. O som do livro sendo fechado provocou um ligeiro tremor nela. Os dedos da mão direita dele tocando seu queixo, levantando-o, os olhares deles se cruzando. Hermione via no rosto dele uma expressão mais suave, os olhos um pouco mais calorosos do que o habitual.
– O que você espera de mim, senhorita Granger? – Hermione foi tomada pela surpresa com a pergunta dele.
– Eu... eu não sei, Mestre – ela se sentia confusa ao responder.
– Deixe disso, sua garotinha tola – a voz dele ganhou um tom impaciente dessa vez – eu a conheço desde os seus onze anos, você sempre foi uma sabe-tudo intrometida, sempre com uma pergunta na ponta da língua, ou uma resposta impertinente quando desafiada. Vou lhe perguntar de novo: o que você espera de mim, senhorita Granger? – Hermione baixou a cabeça durante alguns segundos, levantando-a de novo para responder.
– Eu quero que o senhor me desafie, Mestre – ela procurou dar um tom de voz bem humilde enquanto falava, ainda que traísse um ligeiro ar de desafio no rosto – eu quero que o senhor force os meus limites, me obrigue a sempre melhorar, do jeito que fazia comigo, no meu tempo de estudante.
– Sempre pensei que você, e seus amigos Potter e Weasley tivessem as piores lembranças do tempo em que eram alunos meus – ela viu um quase sorriso surgir no rosto dele, enquanto falava.
– Eles com certeza têm, mas eu sempre gostei de ser sua aluna – ela sorriu ao dizer isso.
– Porque? – havia emoção de verdade na voz dele, ela percebeu cheia de ternura.
– Porque o senhor me ensinava de verdade, me desafiava a ser melhor – ela se inclinou para ele, estreitando o contato ao pôr as mãos em seus joelhos – aprendi tanto com o senhor, quero me tornar Mestra em poções por causa do senhor. Depois da professora Minerva, o senhor era o meu professor preferido – um momento de intenso silêncio surge entre os dois, até ele decidir quebrá-lo.
– Em todos os anos que eu lecionei em Hogwarts, eu nunca encontrei uma aluna tão inteligente e dedicada quanto você, senhorita Granger – ele acaricia o rosto dela. Hermione não pôde evitar a surpresa, ao ver os olhos dele transbordando de emoção – eu sinto muito não ter tido a oportunidade de dizer que você foi a minha aluna preferida, em todo o tempo que fui professor em Hogwarts.
– Oh! Mestre – ela chora de emoção e alegria por ouvir aquelas palavras, beijando a palma da mão dele, tão grata se encontrava.
Snape se levanta, ainda mantendo contato visual com ela. Hermione sorri ao vê-lo de pé, imponente, como ela sempre esperou do homem que escolheu para ser o seu Mestre. Durante um tempo, tudo o que ele faz é acariciar-lhe o cabelo e o rosto, admirando-a. Hermione vê um pequeno sorriso surgir em seu rosto, as feições perdendo toda aquela rigidez habitual. Ela notou mais uma vez a expressão melancólica naquele sorriso, ainda surpresa por constatar o quanto ele não se considerava digno da felicidade que estava tendo. Tudo o que ela desejava naquele momento era mostrar ao seu Mestre o quanto estava errado sobre isso. Ele a faz se levantar, deixando Hermione emocionada ao ser ver sendo colocada no colo por ele, que a leva até o quarto dele, onde uma cama os esperava. Hermione é colocada delicadamente sobre o colchão macio, os lençóis delicados envolvendo seu corpo, a cabeça descansando sobre o travesseiro de penas. Ela podia sentir o cheiro dele na cama, o cheiro do seu Mestre, daquele que ela sabia, sempre a deixaria segura e protegida, não importa em que situação estivesse.
Fale com o autor