Três Mestres para uma escrava
30 Epílogo
Notas iniciais
Meu nome é Hermione Jane Granger. Eu completei 22 anos na semana passada, comemorando essa data num jantar especial com meus pais, uma das raras oportunidades que eu tive de vê-los ao longo do ano. Após o jantar eu fui até a casa dos Weasley, onde uma festa bem maior tinha sido preparada por meus amigos do mundo bruxo. Estavam lá praticamente todas as pessoas que passaram pela minha vida desde os meus onze anos, quando eu entrei para a escola de Magia de Bruxaria de Hogwarts. Foi uma noite em que eu, definitivamente, me dei conta das diversas camadas que venho criado em torno de minha vida. O jantar íntimo com meus pais mostrando que eles fazem parte de um lado meu cada vez menos presente no meu cotidiano. A festa na casa dos Weasley, deixando claro que a minha vida no mundo bruxo tinha se dividido em duas partes bem distintas.
Eu me tornei uma respeitada professora em Hogwarts, a mais jovem que a escola já teve. Antes disso eu já era uma heroína de guerra, fato ainda mais enfatizado após a divulgação dos eventos com os Comensais da Morte liderados por Dolores Umbridge. Se por um lado eu sou a jovem professora certinha de Hogwarts, havia também um outro lado meu. Era um lado bem diferente daquele, em que algumas das minhas amigas mais próximas vivem cobrando um namorado para preencher a minha vida, como se eu realmente precisasse disso. Desse outro lado estava a praticante do estilo de vida BDSM, tendo que lidar com o mais rigoroso, exigente, implacável e maravilhoso Mestre que uma escrava poderia desejar.
Eu tinha consciência das dificuldades em conciliar cada um desses lados, lidar com aqueles que não conheciam o estilo de vida nada convencional que eu levava às escondidas deles. Freqüentemente já me peguei tentada em contar para alguns mais próximos, Gina ou Pomona, por exemplo, sobre esse lado oculto da minha vida, mas entendo que esse não é um segredo só meu. É curioso como as sociedades bruxa e Trouxa, tão diferentes entre si, tenham esse ponto em comum. Eu diria que na sociedade bruxa a idéia de ser praticante do BDSM seja um tabu ainda mais pronunciado. Eu vejo isso após constatar que os costumes neste mundo não avançaram muito, em relação às décadas de avanço existentes no mundo dos Trouxas. Trata-se de um mundo ainda apegado demais a velhas tradições, principalmente às questões envolvendo sexo; um mundo onde o BDSM só pode mesmo ser praticado clandestinamente.
Esse meu entendimento só se consolida no momento em que estou sentada, assistindo uma cerimônia de casamento bruxo, mas não um casamento bruxo qualquer. Eu estou na primeira fila, como uma das convidadas de honra do casamento de Sirus Black e de minha antiga aluna Allison Yaxley. Como isso se deu, sendo que algumas semanas antes eu tinha visto Allison e Sirius, cada um dos dois numa situação muito diferente, na Comunidade BDSM em que eu estive com meu Mestre, é uma história bem interessante. Ainda consigo vislumbrar Allison naquela noite, nua, sentada no chão, aos pés daquela a quem tinha entregado sua submissão, ninguém menos do que a minha amiga Nynphadora Tonks. Eu vejo Tonks agora, bem ao lado de seu marido Remus, ambos como padrinhos dos noivos. Foi uma surpresa para mim quando eu soube dos arranjos para o casamento entre Sirius e Allison. Eu certamente não imaginei que era disso que meu antigo adestrador no BDSM estava tratando com Tonks, na mesma noite em que eu assumi publicamente a minha condição de escrava de Severus Tobias Snape.
Ainda me lembro daquele encontro que eu e outros professores de Hogwarts tivemos no Três Vassouras, pouco antes do ataque de Vitor, onde toda a história de um possível casamento de Sirius surgiu. Agora, quase um ano depois daquele encontro no Três Vassouras, estamos todos aqui para presenciar o casamento de nosso colega de Hogwarts, com uma jovem para quem todos demos aula. A tia de Sirius, também estava lá, o semblante transbordando de orgulho por ter conseguido fazer com que seu relutante sobrinho se casasse. Não tenho a menor dúvida que este orgulho estava diretamente ligado ao fato de ter conseguido que ele se casasse com a filha de uma tradicional família de sangue-puros do mundo bruxo.
O que ela diria se soubesse que tudo o que estava acontecendo agora fazia parte de um arranjo envolvendo um grupo de praticantes do BDSM? Feliz certamente não ficaria, o mesmo posso dizer do pai de Allison. Em momentos assim eu me alegro demais por vir de uma longa linhagem de Trouxas, sem um nome tradicional, mesmo no mundo em que eu e meus pais nascemos. Não havia nenhuma obrigação da minha parte de levar o sobrenome Granger adiante. Nenhum compromisso meu com minha família que me obrigue a um “bom casamento”. Esse é um luxo do qual Sirius não podia fugir, sendo o último varão dos Black, menos ainda Allison, em relação ao seu dever para com sua família. Somente um arranjo, no melhor estilo BDSM, poderia dar aos dois um elemento de fuga dessa pesada responsabilidade.
Isso não significa que eu, assim como qualquer outra pessoa, não fique imune às pressões do seu meio. Sinto isso toda vez que sofro a pressão amigável de pessoas como Gina e Pomona, dos meus pais, ou mesmo da senhora Weasley, para arranjar um namorado. Vejo Remus e Tonks juntos, ambos felizes de verdade, apaixonados de verdade um pelo outro, mas que jamais se sentiram seguros para expor publicamente a inclinação de ambos para o BDSM. Olho para Sirius e Allison, tendo de representar a perfeição de uma união, que por si só já é uma representação dentro de uma representação, envolvendo duas famílias tradicionais do mundo bruxo. Olho em volta e vejo Luna e Blaise, sentados longe um do outro. Ele junto de sua esposa, ela bem ao meu lado. O namoro baunilha com Ron tendo terminado. Eu vejo o meu antigo amor adolescente de Hogwarts, meu primeiro homem, sentando algumas cadeiras adiante, tendo reatado seu namoro com Lilá Brown. Ver os dois juntos me provoca um sorriso, entre nostálgico e melancólico, lembrando o tanto que sofri com o namoro deles no meu sexto ano em Hogwarts, quase uma vida atrás.
Próximo a mim, é claro, separado pelas figuras de Hagrid, Pomona e Flitwhick, estava ele, o meu Mestre. Aqui, no entanto, ele era o diretor da escola onde eu lecionava. Severus Tobias Snape mantinha seu semblante habitualmente rígido e imperturbável. Com suas vestes negras, ele se destacava enormemente, num ambiente onde o colorido das roupas predominava. Trocamos algumas palavras, sempre cercados por uma multidão. Às vezes imagino se as pessoas à nossa volta não desconfiam de alguma ligação a mais entre nós, ao menos um namoro escondido. Não é que demonstremos algum desconforto um público, ou mesmo alguma tensão sexual muito evidente, mas a linguagem dos corpos pode ser bastante denunciadora para um observador especialmente atento.
Eu volto a olhar para Tonks, não vendo nela nenhum tipo de incômodo com a situação, muito ao contrário. Ela entregou a aliança para Allison com um semblante bem tranqüilo. A vejo no fim da cerimônia, ela cumprimentando os recém-casados, murmurando um “cuide bem dela” para Sirius. Só quem conhecia a verdadeira realidade entre eles podendo captar o real sentido dessa recomendação. A recepção foi farta e luxuosa, como cabia num casamento desse tipo. Os noivos recebiam todos os cumprimentos, davam todas as indicações de que estavam felizes, deixando seus respectivos parentes maravilhados. Eu era uma das pessoas que sabia a verdadeira razão da felicidade deles com a situação, pois fui uma das testemunhas do verdadeiro acordo envolvendo esse casamento. Um acordo muito distante do que a tia de Sirius e o pai de Allison pensavam ser a verdadeira razão dele.
Foi numa noite na Comunidade BDSM, numa cerimônia particular. Nesta cerimônia estavam presentes, além de mim, o meu Mestre, mais Sirius, Remus, Tonks e Allison. Ali ficou formalizado que Allison Yaxley aceitaria ser a esposa de Sirius Black. Pelos termos do acordo, ela se comprometeria a lhe dar pelo menos um filho varão, tendo o prazo de um ano para ficar grávida. Tudo isso, entretanto, sem abrir mão de ser a escrava de Nynphadora Tonks, com tudo o que está implicado nesta situação. Sirius, da mesma forma, continuaria levando a sua vida normalmente, como um Mestre no BDSM. No mundo bruxo convencional eles seriam marido e esposa, cumprindo todos os “deveres” inerentes a esta situação, mas seguindo caminhos em separado, no estilo de vida BDSM. Eu não consigo deixar de imaginar como será para eles o desafio de conseguir separar esses dois lados de suas respectivas vidas. Só consigo imaginar do quanto irão precisar dos experientes conselhos de seus padrinhos.
LONDRES TROUXA – ALGUNS MESES DEPOIS
Era um raro dia de sol na Londres Trouxa, me permitindo aproveitar essa primeira visão da sacada do meu apartamento, próximo da universidade Trouxa onde começarei a estudar amanhã. Normalmente eu ainda precisaria atuar mais alguns anos como professora em Hogwarts, para conseguir os documentos necessários que me permitisse atingir esse objetivo, tão longamente acalentado. O Ministério da Magia, entretanto, decidiu que eu merecia uma recompensa pelos meus serviços prestados ao mundo bruxo e passou por cima da burocracia. O fato de eu ter entregado a minha pesquisa, com esta tendo recebido ótimas recomendações, também ajudou bastante. Eu não queria abrir mão do meu cargo em Hogwarts, por isso consegui que minhas aulas ficassem concentradas em apenas dois dias, me permitindo montar a minha grade de aulas na universidade. Meus pais ficaram felizes com a minha decisão, pois isso lhes permitiria que eu os encontrasse pelo menos uma vez por semana. Não por acaso eles me conseguiram esse apartamento, além de terem contribuído com um fundo para me ajudar a pagar os custos da universidade.
Não fiquei muito tempo na sacada, mesmo a luz do sol estando bem suave, com uma temperatura bem fresca. Eu sabia que meu Mestre não ficaria contente se percebesse que eu me expus demais, a ponto de ser possível detectar alguma marca, mesmo que muito leve, de bronzeado em minha pele. Ele sempre fazendo questão de deixar claro o quanto a queria mais imaculadamente branca possível. Eu sorri ao pensar nele, depois de passar boa parte daquele dia com os meus pais, o que provocou em mim um breve sentimento de luxúria. Ele viria esta noite, seria a nossa primeira vez nesse apartamento e eu estava nervosa. Olhei para a lareira instalada em minha nova moradia. Para muitos foi uma excentricidade da minha parte, apenas nós dois sabendo que esta estava devidamente ligada ao local de onde ele estava vindo. Percebo minha ansiedade ao me flagrar diante do espelho, analisando a minha aparência, enquanto contava o tempo para a sua chegada.
A noite caiu, junto com a temperatura. Fechei a janela e esperei a chegada dele. Estava ansiosa por isso, temerosa dele não vir por algum motivo. Quase um ano já tinha se passado desde que eu lhe ofereci a minha submissão. Um sorriso ligeiramente volúvel toma conta de meu rosto, ao lembrar de minhas amigas próximas me recomendando encontrar um namorado para preencher os meus dias. Às vezes sinto uma vontade enorme de contar a elas que esses dias estavam sendo muito mais do que bem preenchidos, mas sempre me contenho. Mas sei também que a vida é uma constante mudança, que talvez um dia o BDSM não seja suficiente, para mim ou para o meu Mestre. Já até conversamos sobe a possibilidade de assumir um namoro baunilha em público, mas é algo que ainda precisamos amadurecer antes. Deixo de lado essas reflexões, pois esse dia, pelo menos por agora, me parece distante. Uma conclusão que fica mais forte em minha mente ao ouvir o barulho muito familiar.
Ele emergiu da lareira do jeito que sempre me deixava encantada, emocionada, feliz e excitada. Meu Mestre estava tão imponente, rígido e dominante, como convinha ao Mestre maravilhoso que ele era. Estava vestido em suas habituais vestes negras. A expressão em seu rosto impossível de decifrar, o que sempre me deixava em dúvida sobre o que estava a minha espera. Os olhos de uma frieza que me impunha um tremor de excitação. Aquele quê de crueldade estava lá, deixando em mim a certeza de que fizera bem em dotar o meu apartamento com todos os feitiços de proteção que garantem, não só a minha segurança, mas uma completa privacidade. Nenhuma possibilidade dos vizinhos ouvirem os meus gritos, sejam os de dor ou os de prazer, menos ainda quando estes estivessem indistintamente misturados.
Tanto tempo juntos tornou a comunicação extremamente fluída entre nós. Palavras quase sempre eram dispensáveis. Apenas um gesto de meu Mestre foi suficiente para que eu me livrasse de minhas roupas, estando nua diante dele agora. Vislumbro um discreto gesto de sua varinha, fazendo com que a janela do apartamento se abra, trazendo o ar frio da noite para dentro, refletido em mim, no tremor que toma conta de meu corpo nu. O olhar de apreciação dele sobre a minha nudez me deixa incrivelmente excitada, apenas um olhar é o que ele precisa. A umidade em minha boceta tão pronunciada, ainda que ele sequer tenha feito qualquer menção em me tocar. Ele era o meu Mestre, o senhor da minha dor e do meu prazer, aquele a quem eu entreguei minha submissão. Eu era sua escrava, pertencia a ele, por um ato de vontade meu. Cheia de orgulho e felicidade, eu me ponho de joelhos perante ele, é a posição adequada para alguém na minha condição. Minha cabeça levemente inclinada para baixo, meus olhos voltados para suas botas de couro de dragão. Eu me dirijo a ele, empregando em minha fala, um tom de voz o mais humilde possível.
– Seja bem-vindo a meu apartamento, Mestre – eu disse. O vejo se aproximar de mim, sua mão direita erguendo a minha a minha cabeça através do meu queixo.
– Minha garotinha tola – no seu tom de voz há um claro sentido de posse e domínio, mas eu sinto também uma ternura que me deixa emocionada.
– Sim Mestre, é o que eu sou – meu olhar voltado diretamente para os seus olhos – e me sinto tão feliz por isso – sorrio para ele e me jogo aos seus pés, minha boca desejando sentir mais uma vez o gosto de suas botas de couro de dragão, meu corpo ansiando por tudo o mais que me aguarda pelo resto da noite.
FIM
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