Três Mestres para uma escrava
13 A segunda sessão na Sala Precisa – Parte I
Notas iniciais
Por volta de meia-hora. Era esse o tempo aproximado em que ela estava naquela posição desde o momento em que recebera a ordem do homem à sua frente. Após ela despir-se, ele mandou-a ajoelhar-se, instruindo-a sobre a postura que deveria manter. Hermione estava com seus olhos devidamente abaixados, sua visão fixada nos sapatos dele. “Não estão tão gastos como os sapatos de Remus na outra noite”, ela pensou. Ela se mantinha em silêncio, esperando uma nova ordem. Os joelhos doíam, a posição em que estava não favorecendo em nada o seu conforto. O seu corpo estava firmemente ereto, as mãos em suas costas, suas pernas bem espaçadas, permitindo uma ampla visão de sua boceta. Os bicos dos seios estavam empinados de tão duros. Seu pescoço, inclinado para baixo, a incomodava bastante agora. Ela estava impaciente por ele nada dizer, apenas olhando em silêncio para o seu corpo nu, analisando, apreciando. “Quantos pontos para a Grifinória eu mereço por esse corpo, Senhor?”, um leve sorriso se formando diante do pensamento. Ela tentou desmanchá-lo, tão rápido quanto tinha se formado, mas ele percebeu.
– Qual a razão para esse sorriso, Senhorita Granger? – ela notou o tratamento diferenciado, em relação ao dia-a-dia deles na escola.
– Eu... hã... me desculpe Senhor, foi um pensamento tolo da minha parte – Hermione dizia isso mantendo os olhos abaixados.
– Com certeza foi mesmo. Um pensamento tolo, para uma garotinha tola – ele retrucou, ficando quase um minuto em silêncio, antes de voltar a se dirigir a ela – você está aqui hoje porque uma parte importante do seu adestramento diz respeito a sua capacidade de controlar as reações do seu corpo. De ser capaz de suportar situações desconfortáveis para obedecer as ordens de seu futuro Mestre.
– Como assim Senhor?
– Uma boa escrava deve obedecer ao seu Mestre, mesmo que isso signifique abrir mão do seu conforto e do seu prazer. Uma boa escrava encontra o seu prazer na obediência absoluta, na renuncia – ele ergue a cabeça dela através do seu queixo – você está desconfortável nessa posição, não está, Senhorita Granger?
– Eu estou, Senhor – ela respondeu.
– Você pode sair dessa posição desconfortável a hora que quiser, mas escolheu livremente não fazê-lo – ele soltou o queixo dela, voltando a se acomodar na cadeira; parecia um rei no seu trono – você conhece a citação “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém?”.
– Sim Senhor – disse Hermione – é de uma das epístolas do Apóstolo Paulo; Coríntios, se não me engano.
– Você está certa Senhorita Granger, meu parabéns – a resposta dele provocou um efeito imediato em Hermione. Ela não foi capaz de reprimir um sorriso presunçoso, nem de evitar dizer o que estava passando por sua cabeça.
– Ganharei alguns pontos para a Grifinória por isso, Senhor?
Ela se deu conta do erro que cometeu assim que terminou de falar. Teria pedido desculpas a ele, mas o tapa em seu rosto veio quase instantaneamente, não como os que Remus lhe deu na outra noite, não de leve, mas uma batida forte, estalada. Ela sentiu no lado esquerdo de seu rosto, o barulho repercutindo em seu ouvido. O corpo dela se desequilibrou com o impacto, precisando fazer uso dos braços para não cair no chão. Hermione sentiu o coração disparar, a respiração acelerada. Ela voltou a assumir sua posição de antes. Seria a atitude de uma boa submissa, mas seus olhos traiam o desafio. Olhou diretamente para ele, talvez esperando tolamente um pedido de desculpas. Em vez disso, ela levou um novo tapa, tão forte quanto o outro, agora com a mão esquerda dele, no lado direito do seu rosto. Hermione conseguiu se firmar na sua posição dessa vez.
– Você acha mesmo que tem o direito de se dirigir a mim dessa forma? – a voz dele era calma e firme, nem um tom acima do necessário para ser ouvida por ela, não precisou gritar para imprimir-lhe um acento imperioso. Hermione sentiu o impacto da autoridade dele sobre si – o que tem a dizer sobre o seu comportamento, Senhorita Granger.
– Me desculpe Senhor – os olhos dela abaixados novamente; estavam lacrimejando enquanto falava – foi uma atitude inapropriada da minha parte Senhor, me desculpe.
– Esse é um problema seu que precisamos trabalhar. Essa necessidade que, de vez em quando, você tem de se afirmar – Snape inclinou o corpo para se aproximar do rosto dela – uma boa escrava não tem esse tipo de necessidade. Ela se alegra em sua submissão, orgulha-se dela. Reconhece a completa liberdade que esse estado pode lhe proporcionar, quando escolhe, por sua livre e espontânea vontade, se submeter completamente ao Mestre a quem entregou sua submissão.
Hermione ouviu as palavras de Snape com atenção. Ele estava certo. A sua atitude era mesmo uma tentativa de auto-afirmação. Uma parte dela lutando contra sua natureza submissa. Sua criação conservadora se rebelando contra a idéia da libertação total dos seus medos e pudores. A mulher que se pretende moderna, lutando contra a aparente contradição de se entregar a uma relação BDSM, enquanto afirmava sua independência pessoal nas outras situações de sua vida. Como conciliar todas essas aparentes contradições? Era possível separar, de maneira tão compartimentada, esses dois lados de sua vida?
– “Tudo me é permito, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada domine”. Essa é a frase completa da citação do Apóstolo Paulo – Snape disse a ela.
– Posso fazer uma pergunta, Senhor? – seus olhos mantinham-se abaixados, sua voz procurou dar um tom bem humilde ao seu questionamento.
– Desde que sempre se dirija a mim dessa forma, você pode fazer qualquer pergunta que achar necessária – ele retrucou.
– O Senhor não acha que utilizar a citação de um santo católico é um tanto curioso numa situação como essa? – mesmo com os olhos abaixados, ela percebeu que Snape se permitiu um sorriso sem alegria, a boca sem mostrar os dentes, como se os lábios apenas se contorcessem.
– Creio que podemos ter certeza de que o Apóstolo Paulo não estava pensando numa relação BDSM quando fez uso dessa citação, mas ela se aplica muito bem aqui, como em qualquer situação de vida que se imagine. Não é por acaso que essa citação ainda é utilizada nos dias de hoje – Snape levanta o queixo dela novamente, o toque delicado de suas mãos surpreende Hermione, do mesmo jeito que a surpreendeu durante sua iniciação na Comunidade BDSM – tudo nos é permitido dentro desta sala, pois só temos de dar satisfação a nós mesmos, mas nem tudo nos convém. Um Mestre tem poder absoluto sobre sua escrava, tem o dever de exercer esse poder, mas esse é um poder que a própria escrava concedeu a ele, e que pode tirar de seu Mestre a qualquer momento. Tudo o que ela precisa fazer é dizer uma palavra.
– O que impede um Mestre de recusar a retirada desse poder, Senhor? – Hermione sempre teve curiosidade de ver essa pergunta respondida.
– Em tese, nada impede. Nada além da convicção estabelecida na citação de que lhe falei. “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada domine” – a mão dele ainda em seu queixo, ela vê seu rosto aproximar-se do rosto dela, estão quase colados agora – você acha que foi fácil para Remus tirar os dedos de seu ânus naquela noite? Abrir mão do controle que tinha sobre você? Mas era o que convinha a ele fazer. Se não o fizesse ele não seria um verdadeiro Mestre, mas apenas um escravo de suas vontades. Foi isso o que Vitor Krum demonstrou ser, na noite em que tentou forçar sexo anal com você; mesmo depois do seu pedido para interromper o ato.
A referência ao seu antigo namorado deixou Hermione ligeiramente corada. Ainda era difícil pensar sobre o que acontecera naquela noite. Ela acompanhou a movimentação de Snape quando ele se levantou, sem tirar a mão de seu queixo, forçando sua cabeça a ficar inclinada para o alto. Ela o observava, agora que ele estava de pé; tão imponente. O seu olhar era duro e frio, havia um quê de crueldade espreitando em torno dele. Um olhar descuidado não veria vida naqueles olhos nigérrimos, mas ela sentia que por baixo daquela frieza, da aparente crueldade, havia um mundo de emoções escondidas.
Ele se agachou brevemente, apenas para poder pegar em suas mãos e ajudá-la a se levantar. Ela sentiu os efeitos das dificuldades por ter ficado numa posição difícil durante tanto tempo. Mas agora que também estava de pé, Hermione se dava conta, incrivelmente pela primeira vez, do quanto ele era mais alto do que ela. Snape agarrou-lhe o cabelo; uma mistura de firmeza e delicadeza, forçando a cabeça dela a ficar inclinada. Seus corpos estavam praticamente colados agora, os rostos tão próximos. “Será que ele vai me beijar?”, ela pensou, querendo muito. Apenas alguns centímetros separavam os lábios deles, ambos podendo sentir o hálito um do outro. Ela fechou os olhos e abriu a boca; a língua movimentando-se dentro dela, esperando, ansiando mesmo, por um beijo que acabou não vindo.
– Uma escrava só é verdadeiramente livre quando ela é escrava, apenas do Mestre a quem escolheu entregar sua submissão – Snape mantinha o rosto bem próximo dela. A voz dele apenas sussurrava, os lábios um do outro ainda tão próximos, quase tocando-se – uma escrava nunca será verdadeiramente livre se não tiver o comando de suas vontades; não para sua auto-satisfação, mas para pô-las a serviço do seu Mestre. De quem você quer ser escrava, Senhorita Granger, do Mestre que vier a escolher, ou de suas vontades?
– Do Mestre que eu escolher Senhor – ela não queria escapar daquele olhar frio sobre si, cada vez mais querendo ser beijada por ele.
– Para isso você precisa aprender a colocar suas vontades a serviço do Mestre que vier a escolher. Você quer aprender a fazer isso Senhorita Granger?
– Sim Senhor, eu quero – a voz dela é quase um sussurro agora.
– Sim Senhor o que, Senhorita Granger? – ela sentiu a mão dele puxando com mais força o seu cabelo.
– Sim Senhor, eu quero aprender a colocar minhas vontades a serviço do Mestre que eu escolher, Senhor. Eu quero muito, Senhor.
Ele quebrou o contato com ela, voltando a se sentar. Hermione suspirou, frustrada por perder a proximidade dele, seu toque, a chance de ser beijada por ele. Após pouco mais de um minuto de silêncio, Snape fez um leve sinal, indicando que se aproximasse. Ela o fez, contente por poder tê-lo mais próximo de novo, corando ao vê-lo concentrar o seu olhar na abertura no meio de suas pernas. Ele se levanta novamente, o rosto praticamente colado ao corpo dela. As duas mãos em seu rosto, inclinando a cabeça dela, seus lábios, mais uma vez, tão próximos um do outro. “Me beija, por favor”, ela pensou. O olhar dele sobre ela, sem nada dizer. Os lábios quase se tocando. Ela suspirou pelo contato, queria muito o contato.
– Você gostaria que eu a beijasse, Senhorita Granger? – ele fez a pergunta num sussurro, os lábios praticamente tocando os dela.
– Sim Senhor, eu quero, por favor – Hermione teve o impulso de beijá-lo ela mesma, mas se conteve. Não convinha a ela tomar a iniciativa.
– Eu também tenho muita vontade de beijá-la – respondeu Snape. Hermione sorriu ao ouvi-lo dizer isso – mas isso não convém agora, e não posso deixar minha vontade me dominar. Você também deve aprender a dominar suas vontades, colocá-las a serviço do Mestre a quem decidir entregar sua submissão. Você quer aprender isso, Senhorita Granger?
– Sim, eu quero muito aprender isso, Senhor – ela respondeu.
– Pois então se prepare – ele disse – eu vou fazer algo agora e você deverá ficar imóvel. Não terá permissão para gozar antes que eu decida que pode. Você entendeu Senhorita Granger?
– Sim Senhor – disse Hermione.
Ele voltou a se sentar, os olhos fixados na boceta dela. Hermione acompanhava as suas ações. Ela viu a ponta de dois dedos dele tocando em sua abertura. Um toque de leve, passando por cima, separando os lados, abrindo a boceta dela de cima a baixo. Hermione inclinou sua cabeça para cima, fechou os olhos e gemeu. A boca fechada, os dentes cerrados, tentando controlar a respiração, fazendo de tudo para aplacar a vontade de se entregar às sensações que se formavam a partir daquele toque. Ela não tinha autorização para gozar sem a permissão dele, mas como isso era difícil pela maneira como ele a estava tocando. O indicador e o polegar se fecharam sobre o seu clitóris, enquanto o dedo maior entrava em sua boceta agora.
– Por favor, Senhor eu... por favor – estava cada vez mais difícil para ela se controlar.
– Não se atreva a gozar sem a minha permissão – ele respondeu enquanto continuava a tocá-la. A outra mão agarrando o seio esquerdo de Hermione com força, se fechando sobre ele como garras, torcendo e puxando o mamilo, até o ponto da dor.
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Ele podia senti-la se esforçando o máximo para controlar as sensações do orgasmo. O corpo dela tremia ao seu toque. Os dedos passando levemente pela abertura, dois deles se prendendo ao clitóris, um outro dedo penetrando-a. Sua outra mão não podia ficar sem função e ele agarrou firmemente o seio dela, logo torcendo e puxando o mamilo, ouvindo a dor dela sendo vocalizada. Um segundo dedo entrou na boceta dela, mas o clitóris não fora abandonado. A mão dele no seio esquerdo acariciava-o agora, mas sua boca se fechou no outro seio, os dentes se apossando da carne macia, a mordida fazendo-a gritar. Dor e prazer misturados agora.
– Por favor, Senhor, por favor, por favor – ela implorava pela permissão para gozar. A boca dele deixou o seio, a marca dos dentes ficando visíveis no local – por favor, Senhor, me deixa gozar, por favor.
– Não! – a firmeza com que a recusa se deu só tornou mais difícil a ela segurar o orgasmo, pois enfatizou ainda mais a sensação de estar sob o controle dele.
Seus dedos trabalhavam a boceta dela de maneira implacável agora. Snape estava de pé novamente. A outra mão segurando-a pelo cabelo, forçando-a a inclinar sua cabeça, mantendo seu rosto muito próximo do dele. Ele via o esforço no rosto dela, a luta para conter a vontade de se entregar ao prazer que estava sentindo. Ela continuava implorando, mas Snape se mantinha em sua cruel recusa, mesmo sabendo que ela não poderia aguentar por muito tempo. Um bom Mestre tinha que perceber a hora de dar a escrava a chance de sua liberação, não como se estivesse cedendo a ela, em vez disso, como um prêmio pelo esforço por ela desprendido.
– Você tem minha permissão para gozar agora – ele disse.
Ela gemeu e gritou em resposta, seu corpo tomado de tremores. Hermione só não desabou no chão porque ele a estava segurando. O corpo dela estava mole. Snape sabia que ela não conseguiria se manter de pé sozinha. Tratou de ampará-la enquanto a fazia deslizar até o chão. Ela estava de joelhos agora, o rosto virado para baixo, os braços caídos, como se estivessem sem vida. Ele ouvia os gemidos dela, sua mente se mantendo em estado frenético, pensando no que tinha planejado para ela durante a sessão. Snape era um homem que sempre soube controlar suas necessidades e emoções. Naquele momento, entretanto, ele sentia a dificuldade de se controlar diante de Hermione. O olhar dela, o corpo, a sua voracidade em aprender, as respostas que estava tirando dela. Estava ali para adestrá-la, mas sabia agora que Hermione Jane Granger seria também um grande desafio para ele; para sua capacidade como Mestre.
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A mão dele pousa suavemente na cabeça de Hermione, acariciando-a levemente, carinhosamente. Ela levanta a cabeça, certamente surpresa por essa suavidade, esse carinho. Nada disso parecia combinar com ele, mas ela sentia a delicadeza do seu toque, a mão deslizando pelo seu rosto, as pontas dos dedos roçando a sua pele. Ela sorri, enlevada com tudo isso. O olhar dela presa ao dele, quase como se estivesse hipnotizada pela figura altiva, austera e protetora. Sim, ela sabia que estava protegida com ele, segura. Sabia que seria guiada; que receberia dele a devida disciplina. Ela sentiu que estava no lugar certo, ali, ajoelhada diante dele, totalmente entregue, por sua livre e espontânea vontade, àquela figura toda de negro. Tão imponente e rígido, o olhar duro e implacável sobre ela, aquele quê de crueldade que o espreitava, despertando uma miríade de sentimentos nela. Medo, curiosidade, fascinação, excitação. Tudo ao mesmo tempo. Snape parecia ter o controle de tudo, o controle dela. Hermione continuou sorrindo para ele, dando-lhe um olhar de pura devoção, esperando uma ordem sua, ansiando por ela.
– Em breve você escolherá um Mestre para entregar sua submissão, Senhorita Granger. O que você espera dele? – ele fazia essa pergunta enquanto mantinha o queixo dela entre dois de seus dedos, o polegar roçando seus lábios semi-abertos, de um lado a outro.
– Eu não sei direito Senhor... eu... tenho tanto a aprender – ela respondeu, os olhos fixos no homem de pé diante dela.
– O papel de um verdadeiro Mestre é justamente o de ensinar, disciplinar, guiar e proteger a sua escrava, mas acima de tudo, deixar muito claro que ela está completamente segura sob os cuidados dele – ele disse – um verdadeiro Mestre tem o dever de forçar os limites de sua escrava, mostrar a ela que pode confiar nele até a entrega absoluta. É esse o Mestre a quem você deseja entregar sua submissão, Senhorita Granger?
– Sim Senhor, é exatamente a esse Mestre que eu quero entregar a minha submissão – ela respondeu. Lágrimas desceram pelo seu rosto, mas eram lágrimas de alegria, pela certeza que sentia em suas palavras.
– Um verdadeiro Mestre tem de ser capaz de ganhar a confiança absoluta de sua escrava. Só assim ela concederá a ele a honra de aceitá-lo como o senhor do seu prazer e da sua dor. Você quer um Mestre que seja o senhor do seu prazer e da sua dor, Senhorita Granger?
– Sim Senhor, eu quero – ele lhe dá um novo tapa em seu rosto, mais leve do que os anteriores, mas forte o suficiente para produzir um barulho estalado.
– Você quer o que, Senhorita Granger? – ele agarrou o queixo dela com força agora, utilizando um o tom de voz que exigia uma resposta completa da parte dela.
– Eu quero um Mestre a quem eu possa conceder o direito de ser o senhor do meu prazer e da minha dor, Senhor – ela respondeu.
Ele se dirigiu a uma mesa no canto da sala. Vários instrumentos dispostos nela. Voltou com um chicote de couro, trançado, fino e longo. Parecia o mesmo chicote que usou contra ela na noite de sua iniciação na Comunidade BDSM. A visão dele encheu Hermione de pavor, mas também a deixou muito excitada. A idéia de apanhar com aquilo fazia seu coração acelerar. Ele esticou o chicote na sua frente, o olhar frio e implacável sobre ela.
– “Aceite como sendo rubis as marcas todas do chicote” – ele disse – você sabe de onde é essa citação, Senhorita Granger?
– É Willian Shakspeare, Senhor – ela respondeu – creio que de “Medida por medida”.
– Você está certa. Ato II, cena IV, para ser mais exato – ele puxava e esticava o chicote diante dela enquanto falava; o som que esse ato provocava reverberando em seus ouvidos – é a culminância de um diálogo importante na peça, pois indica até onde a pessoa está disposta a ir, em favor daquele a quem ama. E quem uma escrava ama mais do que ao seu Mestre.
– O que quer de mim, Senhor? – sua cabeça abaixada ao dizer isso, sabendo de antemão qual será a resposta.
– Dez golpes! – ele respondeu – você é capaz de resistir a dez golpes com esse chicote, sem dizer a palavra de segurança, Senhorita Granger?
– Eu... eu... eu não sei, Senhor – os olhos dela, ainda abaixados, mas fixados no chicote enquanto responde. Um misto de terror e excitação dominando seu corpo.
Hermione às vezes esquecia que estava na Sala Precisa. Por conta disso ela levou um pequeno susto quando os instrumentos de suspensão surgiram diante dela. Ela estaria disposta a experimentar sua capacidade de resistência a dor dessa forma? Ela era tão curiosa. Ainda se lembrava da dor intensa que experimentou em sua iniciação, quando Snape golpeou-a com um chicote do mesmo tipo, talvez até fosse o mesmo. Foram sete chicotadas antes dela ter dito a palavra de segurança naquela noite. De lá para cá, o que teria mudado para que ela resistisse a dez golpes dessa vez? Ela sabia o que havia mudado, é claro. Aquela não era mais uma iniciação, ela era uma submissa em treinamento. Já tinha vivido uma sessão de adestramento com Remus. Enquanto Snape amarrava seus pulsos nas algemas de suspensão, Hermione procurou se concentrar. Seus olhos se fecharam. Ela queira muito resistir a esse desafio.
Ela estava amarrada agora. Seus braços foram elevados pelo mecanismo de suspensão. Trevas cobriram seus olhos quando Snape amarrou uma venda nela. Hermione nada via agora, seus outros sentidos sendo ainda mais despertados pela escuridão que a cobria. Vários minutos se passaram e nada acontecia. A espera agonizante potencializou ainda mais os medos dela. Hermione queria que a dor do chicote viesse logo, pois a espera estava se tornando dolorosa também. Nenhum som era produzido no mundo escuro em que estava mergulhada agora. Ela pensou em chamá-lo, queria ouvir a sua voz, precisava dela para sentir-se segura naquele momento.
– Por favor, Senhor eu... – Hermione não teve tempo de terminar de falar. O impacto da primeira chicotada em suas costas, caindo sobre ela como um instrumento incandescente – Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! – a segunda e a terceira chicotada foram tão violentas quanto a primeira. A sensação de que suas costas estavam em carne viva enfatizando ainda mais a dor lancinante que sentia – Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Oh Merlin! Merlin! – ela gritou.
Hermione tinha a nítida impressão que não seria capaz de resistir nem aos sete golpes dessa vez, antes de dizer a palavra segura. A dor das chicotadas parecia muito pior do que ela se lembrava. No entanto, por maior que fosse a dor, ela sabia que também estava excitada com tudo aquilo. Ela sabia disso, sentia em seu corpo a reação a toda essa dor, a sensação de estar a mercê dele, sob o seu controle. Saber que ele seria cruel e implacável, que não daria a ela nenhum tipo de misericórdia, só tornava toda a experiência ainda mais excitante. “O que há de errado comigo?”, ela se perguntou. Hermione tentava entender porque rejeitara Vitor. Foi através de um tapa que levou dele que descobriu o seu lado submisso. Porque então não estava tendo esse tipo de relação com ele agora? Ela sabia o porquê. Ela sabia o quanto estaria segura fora desta sala, após o fim dessa sessão. Sabia que Snape a trataria com absoluto respeito, como uma igual, do mesmo jeito que foi tratada por Remus, no dia seguinte a sessão que ambos tiveram nesta mesma sala. Ela sabia também que nada disso se daria com Vitor.
A quarta, quinta e sexta chicotada vieram em sucessão. A dor cada vez maior. A sensação de que sua carne estava sendo dilacerada só amplificando o terror diante daquela experiência. Mas era um terror que ela sabia, misturado ao desejo por mais dor, por novas chicotadas, para sentir sua carne sendo atingida até o ponto da ruptura. Hermione gritava a plenos pulmões agora. A sétima e a oitava chicotada continuavam atingindo suas costas, nenhum dos golpes no mesmo lugar. Ela pensou que vocalizar a dor poderia diminuir os efeitos das chicotadas, mas logo se deu conta de que isso não ia acontecer. O momento exato da chicotada era só o começo da dor, pois esta só crescia, à medida que o impacto era absorvido. A dor se espalhava após o chicote deixar suas costas, ganhando novos focos de expansão, quando uma nova chicotada a atingia. Ela não sabia mais em qual parte de suas costas estava localizada a dor. Isso significava que estava em toda a parte agora. A nona e a décima chicotada atingiram suas nádegas. Um golpe em cada lado delas. Suas pernas se dobraram enquanto ela gritava mais uma vez. Hermione só não caiu no chão por causa das algemas presas em seus pulsos.
– Oh Merlin! Merlin me ajude – ela dizia isso com um fiapo de voz, as lágrimas descendo abundantes pelo seu rosto, este uma máscara de dor agora, enquanto ela fazia um imenso esforço para firmar suas pernas novamente.
– Abrace a dor Senhorita Granger – era a voz de Snape, reverberando no mundo de trevas em que estava mergulhada – “Aceite como sendo rubis as marcas todas do chicote” – ele disse isso e atingiu sua nádega direita com a décima primeira chicotada – você aceita Senhorita Granger? Você aceita? – ele grita, dando a décima segunda chicotada, agora em sua nádega esquerda.
– Aaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! O que está fazendo? – ela grita em desespero – você disse que só seriam dez.... aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii – a décima terceira chicotada caindo sobre ela, novamente nas costas.
– Eu não disse que lhe daria apenas dez chicotadas, Senhorita Granger – ele retrucou – eu perguntei se você agüentaria dez chicotadas sem dizer a palavra de segurança – ele pontua sua fala dando-lhe a décima quarta e a décima quinta chicotada, agora em ambos os lados do quadril – meus parabéns por ter resistido – ele disse, um tom de ironia em sua voz que lembrou demais a Sirius.
– Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Por favor, Senhor, pare, pare, por favor – ela implorou a ele, a voz embargada pelo choro, o rosto banhado em lágrimas. A resposta dele foi a décima sexta chicotada, justamente no ponto de interseção entre suas costas e seu traseiro – Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
– Aceite a dor Senhorita Granger. Aceite-a como um presente. Se entregue a ela – ele grita. A décima sétima chicotada cai sobre ela, no mesmo local do golpe anterior, mas num ângulo diferente.
– Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Oh Merlin, Merlin, eu... eu...sim, sim... eu... eu aceito, Senhor, eu aceito – ela sorria em meio às lágrimas, a dor se tornando parte do seu prazer – eu aceito Senhor, eu aceito. Por favor, por favor, por favor, Senhor... me bata mais... me bata mais, Senhor... por favor.
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