Três Horas

2 Eu era um nerd.


Notas iniciais
Último cap.
Espero que esse esteja mais triste que o outro ou eu juro que desisto de fazer drama.
u.u
E quem disser que ninguém mandou eu nascer fofa, apanha. ¬¬
Sério, porque eu não consigo expressar minha tristeza?
Enfim, vocês não tem nada a ver com minhas dificuldades de escrever.
Aproveitem

Eu era um nerd.

Um covarde nerd.

Desses que ficava observando a menina de longe. Te observei desde sempre: quando estávamos na escolinha maternal e você odiava ser confundida com sua irmã, quando estávamos na terceira série e você era a loira que esbanjava ódio, a valentona do colégio. No ensino médio era a mulher mais sedutora da escola.

Uma vez sentou-se ao meu lado na cantina e comentou que um dia abriria um café só para poder comer o dia inteiro. Eu ri incrédulo e você disse que não engordava de ruim. Ou talvez fosse por que você ainda era a valentona da escola e batia em todos que te encaravam sem sua permissão e que quando se decidisse iria me avisar.

Eu esperei que você viesse me avisar. Mas esse aviso nunca veio.

O dia da nossa formatura chegou e quando eu soube que você recusou o convite do capitão de basquete e também do de footbal, eu desisti de te chamar. Dias mais tarde eu soube que você esperou por um convite que não veio e que ficou em casa comendo frango frito na hora do baile. Pensei pouco que eu deveria ter te chamado para ir comigo.

Me arrependi muito por não ter feito isso.

Cinco anos depois meus pais me contaram que você estava tendo problemas com o empréstimo para abrir seu café. Ainda gostava um pouquinho de você foi por isso que eu implorei ao gerente do banco que ele te cedesse o empréstimo disse que seria seu fiador.

Nunca precisei abrir mão de um centavo: você sempre pagou tudo em dia. Mas eu sabia disso. Sempre soube que você era do tipo vencedora na vida.

Eu soube da inauguração da sua loja. E estranhamente no dia, assim que acordei, vi uma espécie de carta que veio do futuro dizendo que eu deveria ir à sua loja às três da tarde.

Sem entender muito, eu fui no horário que estava escrito. Aquela pareceu ser a primeira vez que você me viu. Que você reparou em mim

“Um Caramel coffe, por favor” eu pedi com a voz meio falhando.

“Ele é bem doce” você avisou.

“Gosto de coisas doces.”. E você riu, assentindo

“Farei um bem caprichado. Para que você vire cliente.” E deu as costas para mim, preparando a máquina. Nem precisei tomar o primeiro gole de café para saber que eu já era seu cliente.

Certa vez briguei com meu chefe porque eu saia todo dia às três da tarde. Depois de muita briga, ele deixou que eu saísse às duas e meia e voltasse três e meia ao trabalho, desde que ficasse uma hora a mais no serviço.

Meia hora era o tempo que eu levava da empresa até o seu café. Só a ida.

Mas ainda assim valia a pena.

Um dia, fui convidado a ir para a sede da minha empresa para desenvolver um projeto lá. Pensei que iria por um tempo e arranjaria coragem para ao menos te convidar para sair.

Engano meu.

Os três meses lá se tornaram seis. Seis virou um ano. Um virou cinco. Detroit se tornou o lugar onde eu iria morar.

Em absolutamente todos os feriados e férias eu voltava para Seattle e ia ao seu café às três da tarde. Na esperança que você me notasse ou que arranjasse coragem para te chamar pra sair.

Mas eu era só um nerd. Um lento e covarde nerd.

Depois de um tempo eu soube que você abriu sua primeira filial fora de Seattle. E era em Detroit, no meio do caminho da minha casa até o meu emprego. Feliz, fui até lá às três da tarde e você estava lá, com a loja dos meus sonhos e sorrindo feliz como se me esperasse desde que abriu a loja ali.

Comentei que você estava crescendo e você disse que ficaria alguns dias na cidade. Quando recebi meu café, você tinha escrito que a vida era curta e que deveria aproveitar meu café. Pensei que no dia seguinte te chamaria pra sair com ou sem a coragem.

Mas no dia seguinte você não estava lá.

Pensei que você não me queria.

E foi por isso que eu bebi aquele dia, foi por isso que bati o carro num poste. Para que viver se a pessoa que eu sempre amei não queria sequer me dar uma chance? Tudo isso foi inconscientemente planejado e de propósito.

Eu esperei pela morte que não veio.

O que podia eu fazer a não ser continuar minha miserável vida, então?

Soube que assim que você ficou sabendo do que tinha acontecido comigo, você se fechou em um canto deixando sua irmã cuidando de tudo.

Me aposentei compulsoriamente. Sem família, sem ninguém. E agora também estava sem trabalho. Apenas ganhando o salário de uma vida infeliz para continuar infeliz.

Dias atrás soube que você simplesmente sumiu sem deixar rastros.

Penso no que aconteceria se um de nós dois tivéssemos conseguido voltar no tempo para modificar as coisas

E me pergunto porque só te amar não bastou para ser feliz.

E é por isso que eu to te enviando essa carta que eu sequer sei se você vai receber. Só para caso você me ame, que você me aceite.

Com amor,

Freddie

Escrita em março de 2067

Nunca foi lida.


Notas finais
SUPERBEIJOS pra quem conseguiu ler isso.
u.u
Próxima coisa que eu vou postar, prometo que será o cap 9 de ISAN DIEGO