Três Formas de Amar

1 Três Formas de Amar


Três Formas de Amar

Quando o sol visita a janela, o que estava escondido aparece. A cama, nem macia nem dura, exala o bege assim como os travesseiros. O piso, um cinza esverdeado, passa a esfriar menos os pés. Uma pedra prende a porta aberta, como se desejasse abrir este caminho pela eternidade. Uma, duas, três cadeira confabulam seus tamanhos: naquele lugar apenas as crianças sentavam. Allen e Alexy dormiam juntinhos, o menino tinha a cabeça pousada no ombro da irmã, e está avia enrolado seus bracinhos na cintura do irmão menor enquanto dormiam.

Quem não os conhecesse, pensaria que aquilo era improprio para dois irmãos, mas aquilo não passava de um simples toque, um abraço inocente e puro.

A primeira das duas crianças a acordar é a mais velha. Alexy Walker acordará assustada, e se levantou de supetão ao lembrar que tinhas coisas a fazer. Saiu logo depressa em direção ao banheiro, sem nem ao menos se dar ao trabalho de acordar o irmão.

Alexy era uma garota bonita. Tinha treze anos, o corpo ainda de tabua não a importava, ainda tinha muito tempo pra crescer, em sua opinião. Seus cabelos brancos e lisos caiam em cascatas sobre seus ombros, os olhos azuis acinzentados puxados ainda sentiam o efeito de uma boa noite de sono e permaneciam levemente fechados, a pele ligeiramente morena era o efeito do sol por trabalhar junto do irmão sobre os comandos de Cross Mariam. Lavou o rosto e escovou os dentes, e logo se pós a pentear os cabelos indo em direção ao quarto novamente para escolher uma roupa e acordar o irmão.

Allen Walker acordou depois de escutar a voz melodiosa da irmã cantar um trecho de uma música que aviam inventado junto de Mana, seu pai adotivo, morto a algum tempo.

E então o garoto caiu no sono

A Primeira, a segunda chama queima dentro de sua respiração

A onda flutuante, a doce folha que segue

Milhares de sonhos, sonhos que descem na Terra

Logo depois de prontos, Allen se preparou para sair do quarto quando sentiu seu braço ser puxado delicadamente pela irmã.

-Né, Allen, tenho algo pra te contar. Promete que não fica bravo comigo?- Perguntou dengosa, Allen riu, só a irmã mesmo pra agir daquele jeito.

-Prometo, fale o que é.

Ela realmente não sabia como dizer aquilo. Ficaria longe de seu irmão, de seu menino, de seu soldadinho por tanto tempo, mas era para protege-lo, o decimo quarto não ganharia aquela batalha, e Alexy faria de tudo para proteger Allen.

Sim, fazia anos que ela sabia sobre o decimo quarto. A anos Mana avia falado consigo sobre isso, avia contado tudo. Sobre os Noah's, sobre os Akuma's, sobre a Ordem Negra, sobre tudo. Inicialmente, achara que o palhaço estava louco, mas depois veio tudo pra cima dela como uma maldição. Primeiro seu irmão e ela aviam chamado Mana de volta a vida por meio do Conde do Milênio, em seguida seu pai foi transformado em demônio, depois lançara uma maldição em sima de seus próprios filhos e então... Então Allen o avia matado.

A linha em seus rostos não era coincidência, enquanto a de Allen era uma linha vertical que levava até a estrela em sua testa, a de Alexy era uma linha horizontal ligando seus dois olhos. Enquanto Allen podia ver Akumas com um olhos, Alexy podia ver as almas de todas as pessoas do mundo, identificando se eram boas, se eram más, se eram akumas disfarçados, ou se eram Noah's. Enquanto a inocenciense de Allen era seu braço vermelho deformado, a inocenciense de Alexy eram seu braço direito e sua mão esquerda.

-Você vai em bora não é?- Saiu de seus devaneios ao escutar a voz infantil de Allen. Abriu a boca, surpresa, como ele sabia?

-Vou... Allen. Imagino que esteja decepcionado comigo, né?- Não deixou o menino responder e o abraçou fortemente, não queria deixa-lo, não queria... mas era tão preciso.

Ficaram em silencio por um longo tempo, apenas abraçados, curtindo a companhia um do outro, embora nenhum dos dois estivesse confortável por sentir as lágrimas do outro em seus ombros.

A melodia da bela música criada a tempos passava pela cabeça deles, Alexy tinha os olhos abertos, lembrando de uma cena que aparecera em sua mente poucos dias antes da morte de Mana.

Na noite, quando os olhos cinzas aparecerem, o brilho que nasce é você

O tempo se vai através de meses e anos

Não importa quantos anos se passem,

Tragam os oradores à Terra

Era Allen, ele estava sentado de frente a um piano branco, e tocava a música com adoração e melancolia, e ela estava lá, sentada tristemente em sima do piano cantando a bela canção melancólica e triste.

-Você sabe que eu te amo, não é Allen?- Sussurrou em seu ouvido.- Te amo de três jeitos, e dos três jeitos sempre irei amar...

Allen sabia como a irmã o amava, conhecia bem as três formas de amor que existiam, fora justamente ela que avia uma vez lhe contado sobre essas formas belas de amar.

-Eu também te amo, Lexy, também te amo...- E então os dois caíram de joelhos no chão, chorando e se reconfortando um no outro.

No dia seguinte, Alexy partiu sem olhar pra trás.

...

Fim... ou não?

Notas finais
Essa fanfic é mais para demonstrar um amor entre irmãos, e eu queria faze-la para homenagear o meu irmão, que foi morar nos Estados Unidos e bem, faz um tempo que não o vejo e sinto muitas saudades dele...
Espero que tenham gostado, eu me diverti muito escrevendo-a e chorei um pouco enquanto imaginava os dois xD

- Miss May
♥ Kiss ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!