Trégua

1 Esquisito


Notas iniciais
Isso se passa depois do anime. Não é uma Shizaya por diversos motivos, mesmo que a capa possa ser sugestiva. Imaginem o Shizuo e o Izaya no modo zen. Tipo isso.

Acredito que não exista lugar mais esquisito do que Ikebukuro.

O pôr do sol não era lá muito grandioso, simplesmente iluminava a fumaça do cigarro, enquanto eu prestava atenção nos sons dos automóveis e das pessoas.

Um dia comum que terminava comum.

Um cigarro comum que também chegava ao fim.

Quando se sentou ao meu lado, puxou a respiração longamente, com um sorriso sarcástico:

– Trégua?

Era Izaya.

E acho que não tê-lo matado naquele momento significava que eu estava concordando.

– Dia bonito.

– E está acabando.

Ele riu

Eu ri.

Como eu disse, Ikebukuro é um lugar esquisito. E certamente nós dois também somos.

– Eu devia matar você – murmurei sem empolgação.

– Isso já está ficando entediante, Shizu-chan – reclamou Izaya, soltando um suspiro cansado. – Essa cidade perdeu a graça.

Estranho.

Ele sempre achava um jeito de sair do tédio e, normalmente, era importunando outras pessoas.

– Os humanos perderam um pouco a graça.

– Tudo um dia perde a graça.

Quando eu disse isso, ele riu. Acho que não era exatamente a risada sarcástica que ele costumava dar. Era só uma risada.

– Não – Izaya fechou os olhos e tombou a cabeça para trás, o sorriso ainda no rosto. Típico. – Um sempre tinha graça...

Franzi o cenho e ele riu de novo.

– Era sempre divertido provocá-lo. Nunca dava para saber como ele iria reagir. Eu poderia criar suposições, mas suas reações eram instáveis. Ás vezes eu acertava, ás vezes não. Era fascinante.

Ikebukuro é um lugar esquisito.

Quando você acha que não dá para piorar, me pego fumando pacificamente, enquanto a pulga está sentada do meu lado, comentando sobre o quanto era divertido provocar alguém.

Não havia nada de ruim naquilo.

Izaya não estava me provocando e eu não queria matá-lo.

Tentei achar um nome para isso.

Talvez fosse paz de espírito.

Sim, estávamos em paz, eu e ele.

Mesmo que eu soubesse que não fosse durar muito.

– Vou te contar um segredo, Shizu-chan – murmurou Izaya em voz baixa. – Sinto falta do Masaomi.

– E ele odeia você.

Novamente, Izaya estava rindo.

Sem escárnio, nem nada, apenas rindo.

– Você não entende, não é? – ele soltou um suspiro. – Ele também não entendia. Acho que nem mesmo eu entendo...

De novo, não pude deixar de reparar quão esquisita era aquela situação.

Izaya e eu estávamos conversando.

Mas talvez não soasse tão estranho, para falar a verdade.

– Masaomi e eu tínhamos uma química divertida, mas a verdade é que ele gosta de mim. E talvez... não, com certeza, ele é meu humano favorito.

Puxei o ultimo trago do cigarro e joguei-o no chão. Izaya levantou-se limpando a parte de trás da calça.

– Mas não fique com ciúme, Shizu-chan.

Ele sorria com escárnio.

Ah, sim.

Agora sim, estava normal.

Levantei e me espreguicei.

– Então... – disse ele, andando de costas, afastando-se lentamente de mim. – Agora somos amigos?

Amigos?

Era essa a definição?

Talvez fosse.

Amizade estranha essa.

Mas acho que sempre é.

– Quem sabe... – murmurei e estralei os dedos uns nos outros. – Mas eu ainda vou matar você.

E o dia terminava tão comum como havia começado.

Com uma esquisitice ao acaso.

Mas só.

Notas finais
Não curto muito escrever em primeira pessoa, mas... saiu assim e acho que mesmo estando um pouco OOC, eu gostei disso -.- Enfim, se alguém leu, aceito comentários com opiniões, xingos, conversa-fiada, etc, etc. É, isso, até uma próxima, hn o/
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