Toxic Desire - Petris
6 Nova - Pov Tris
Notas iniciais
Pov Tris
Meu pensamento é interrompido quando meu corpo se choca contra uma superfície, uma rede.
Sinto um puxão na rede e rolo para fora, antes que eu pudesse cair braços fortes me seguram e eu analiso o dono deles, pele morena clara e um olhar duro em seu rosto. Intimidante.
"Você foi empurrada" — ele pergunta com uma sobrancelha grossa arqueada, eu nego com a cabeça — "Certo, qual o seu nome?"
"Beatrice" — respondo simplesmente.
"Hm, é um nome difícil pra você? Você pode mudar se quiser, mas tem que ser bom depois você não vai poder trocar" — penso por um momento.
Uma nova facção, um novo nome, uma nova vida.
"Tris" — eu afirmo com um calor crescendo dentro de mim.
“Primeira a pular: Tris” – ele anuncia aos membros Audácia que estavam aguardando um nível abaixo de onde estávamos, eles fazem barulhos e levantam suas mãos em comemoração.
Pouco a pouco todos os iniciados vão se reunindo após pularem e aguardam instruções. A última a pular é uma garota, forte e alta, seu nome é Molly, ela é uma das amigas de Peter e pelo olhar que ela me direciona acho que não gosta de mim, não imagino o porquê, acredito que eu não seria alguém que ficaria em seu caminho de qualquer forma.
"Bom meu nome é Quatro, serei o instrutor responsável por vocês durante a iniciação, os transferidos vêm comigo, os nascidos aqui devem seguir Lauren, acho que vocês não precisam de um tour certo. Transferidos me sigam" – Quatro? Que nome esquisito, ele também é esquisito se levarmos isso em consideração então o nome combina com ele.
O seguimos durante todo o percurso, ele nos mostra o Fosso que é aonde acontece toda a ação por aqui, o refeitório, o Abismo que é um local com uma ponte de metal sobre um literal abismo com algo parecido com uma cachoeira. Fico impressionada com tudo que estava escondido abaixo dos prédios, por isso ninguém sabe sobre o Complexo Audácia. Nosso tour de reconhecimento se encerra no dormitório. Meninas e meninos iriam dormir juntos, isso não me parece uma boa ideia, nem em casa eu dividia o mesmo quarto com Caleb e ele é meu irmão. Meu irmão, sentirei saudades dele.
“Aqui estão os uniformes de vocês, se troquem e vão para o refeitório. Joguem as roupas de sua antiga facção fora” – Quatro diz e se retira.
Todos começam a se trocar, eu estou paralisada e envergonhada. Nunca vi ninguém sem parte de suas roupas, nem mesmo minha mãe. Infelizmente, ou não, sou curiosa por natureza e meus olhos inconscientemente começam a perscrutar meus colegas de iniciação. As garotas com seus corpos mais femininos e curvilíneos que o meu, os garotos com seus músculos em desenvolvimento. Meu olhar para em Peter, ele não se parece com um adolescente em desenvolvimento, seus ombros e peitoral largo, alguns pelos que começam no alto do seu estomago e seguem em direção ao cós da sua calça, o abdômen levemente definido e os sulcos que os ossos do quadril formam, sinto calor passar por mim e se instalar em meu baixo ventre.
Decido me desvencilhar das roupas que uso o mais rápido possível quem sabe assim ninguém repare em mim, doce ilusão, quando troco a camiseta cinza da Abnegação pela regata preta e colada da Audácia percebo que era melhor ter trocado as calças antes, a camiseta cinza cobriria parte de meu bumbum até as coxas. Sem pensar muito arranco meus tênis surrados e puxo a calça larga e cinza para baixo e antes que consiga deslizar para dentro das calças jeans escuras e pouco largas da Audácia escuto alguém passar por trás de mim dizer de forma sussurrada:
“Belas pernas Careta” – sei que é Peter por causa da voz e depois pelo calor que me atinge toda vez que ele entra em meu ângulo de visão ou quando penso sobre ele. Inesperadamente agradeço por todas as caminhadas que precisei fazer para ir ao colégio ou por qualquer outro motivo. Termino de me vestir rapidamente jogando a jaqueta escura sobre meus ombros e então solto meu cabelo do coque bagunçado e o prendo em um rabo como já vi outras garotas fazendo. Quando estou pronta procuro por Christina, a maior parte dos iniciados já foram para o refeitório, vejo ela conversando com um dos garotos transferidos da Erudição e me aproximo.
“Beatrice, esse é Will” – Ela nos apresenta, ele estende a mão e eu não sei como saudá-lo de volta. Não temos muito contato físico na Abnegação. Antes que a situação fique constrangedora eu estico minha mão e aperto com a dele, que sorri simpático.
“Vocês abnegados são tão engraçados, não entendo porque não ter contato físico com alguém, mesmo que seja só para cumprimentar” – ele diz levemente.
“Bom, eu também não sei muito sobre isso. Mas pode me chamar de Tris, esse é o meu nome agora” — respondo com um leve sorriso, já gostei dele.
“Tris? Gostei, combina com você”- diz Christina, ela passa seu braço sobre meus ombros “Vamos comer, estou faminta”.
Vamos em direção ao refeitório meus dois companheiros parecem estar interagindo de forma mais amistosa que o comum para duas pessoas que se conheceram a pouco.
“Vocês já se conheciam? ” — sou curiosa mesmo fazer o que.
“Nós tivemos uma ou duas aulas juntos esse ano” – respondeu Will.
“Entendo” – chegamos ao refeitório e nos sentamos junto com um garoto grande transferido da Franqueza que despois descobri se chamar Al e os outros dois eruditos Edward e Myra. Peter e seus amigos estavam um pouco mais afastados. Volta e meia sentia uma sensação de estar sendo observada e procurava saber quem era, nessa procura encontrei um par de olhos azuis escuros: Peter.
“Pare de encara-lo” – Chris diz.
“Hm” – volto meu olhar pra ela.
“Você e Peter” – ela assinala
“Ele que estava me encarando, não eu” – respondo defensivamente.
“Certo, só... Tome cuidado ok” – era a segunda vez que ela me avisava. O que poderia acontecer de tão ruim por encarar um garoto de dezesseis anos?
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