Toxic Desire - Petris
8 Louca - Pov Tris
Notas iniciais
Pov Tris
“Certo, só... Tome cuidado ok” – era a segunda vez que ela me avisava. O que poderia acontecer de tão ruim por encarar um garoto de dezesseis anos?
Não tive muito tempo para pensar sobre isso porque Quatro se sentou ao nosso lado, deu uma bronca nos outros por estarem falando de suas antigas facções e quando perguntei sobre ele ser um transferido ele falou algo sobre ele não querer conversar conosco, vai entender.
E então uma barulheira começou e do mesmo jeito que começou parou, abruptamente, quando os líderes da Audácia se reuniram no patamar superior e discursaram sobre a importância da facção. Depois disso senti mãos nos erguendo e nos fazendo andar sobre as pessoas, era bom estar ali, sendo exaltada de alguma forma. No meio daquela loucura senti uma mão quente e forte apertar a minha e uma corrente elétrica passar por todo meu corpo, meus pelos se eriçando, olhei a fonte do calor surpresa por ver os olhos azuis escuros de Peter, logo a multidão o afasta, mas ainda sinto a formigação da sua mão na minha.
Quando aquele momento de euforia passa vamos para o dormitório, eu deito na cama mas demoro a dormir, olhos azuis nas minhas pálpebras, e uma iniciação que promete não me permitem dormir rapidamente. Quando o cansaço me vence adormeço, mas sinto que se fosse somente por poucos minutos até Quatro estar nos mandando ir para o Fosso.
Assim que todos estão reunidos ele e Eric nos passam as coordenadas de como a iniciação acontecerá. Duas etapas, uma física e outra mental, não sei se vou gostar disso, principalmente depois que Eric falou sobre os cortes de acordo com a classificação. Estou concentrada o suficiente para ignorar a respiração mentolada de Peter atrás de mim, ok talvez não tão concentrada assim, seu hálito cheira maravilhosamente bem, e se me esforçar posso sentir o cheiro próprio dele e algo parecido como sabonete caseiro de laranja, mas eu estava tentando manter o foco aqui e não parecer uma garota louca.
Dada as explicações iniciamos o treinamento físico do dia, corrida e exercícios, novamente agradeço por todas as caminhadas pois minhas pernas, pelo menos elas, são mais resistentes do que eu imaginava, porém, o restante do meu corpo não pode dizer o mesmo, no treinamento de luta já estava acabada, mas tudo poderia piorar na minha vida, não é.
“Primeira a lutar” – eu e todos os outros olhamos em direção a Eric — “Pro ringue, última a pular, você também” – a última a pular foi Molly e ela não gostava de mim eu só não sabia o motivo.
“Isso é sério?” – Molly pergunta para Eric com desdenho me encarando, tenho vontade de gritar com ela.
“Sim, lutem até que uma de vocês não aguente mais lutar ou até que alguém desista” – Quatro diz, mas Eric o interrompe.
“Isso era nas regras antigas, novas regras ninguém se entrega. Podem começar” – oh merda, Molly é muito maior que eu, eu não vou durar muito.
Nos encaramos em posição para começar a luta, Molly avança e eu dou passos atrás recuando até sair do tablado. Ela levanta uma sobrancelha e eu volto para a posição da luta.
“Não fica com medo Careta” – ouço Peter gritar, e eu sei que ele não deveria ter feito isso porque um brilho feroz passa pelos olhos de Molly, ela me Tris e diz somente com os lábios “Ele é meu”, eu fico confusa, eles eram namorados e eu nunca percebi? Molly avança e me acerta, no próximo golpe eu consigo desviar, no outro sou acertada novamente, dessa vez próximo ao ouvido e eu fico tonta. Sei que Molly vai tentar me derrubar na próxima oportunidade, mas eu desvio antes que ela possa me acertar o próximo soco, passo por baixo de seus braços e a soco nas costelas, mas Molly se recupera rápido e antes de que eu possa tentar algo ela me derruba e com um soco certeiro na minha mandíbula eu apago.
Tento abrir meus olhos, mas minha cabeça dói, meu corpo inteiro dói. Finalmente consigo abrir meus olhos e encaro o teto, depois uma figura masculina, focalizo meu olhar. Quatro.
“Já era hora” – ele diz assim que percebe meus olhos o encarando “Tome isto, irá ajudar com a dor” – diz isto me entregando uma aspirina, um copo d’água e uma bolsa de gelo.
“Obrigada” – agradeço, e quando falo sinto meu maxilar estralar, coloco a bolsa de gelo nele.
“Não por isso” – ele me encara por mais alguns momentos e se levanta, antes que ele pudesse sair do dormitório, ele para e diz — “É bom tomar cuidado com aquela garota e manter distância do namorado dela, acho que o nome é Peter, fique longe dele.”
Outra pessoa me mandando ficar longe de Peter, isso já está ficando irritante, principalmente pelo fato de eu não ficar, de fato, perto dele. E Deus sabe o quanto eu gostaria de ficar perto dele. Meus pensamentos são interrompidos por uma Christina esbaforida acompanhada de Al e Will.
“Garota, você está acabada” – ela me diz com toda a sinceridade que só um transferido da Franqueza poderia ter.
“Obrigada” – minha voz sai irônica – “Quer dizer, isso não é algo que você precise me dizer, estou sentindo isso, em cada célula do meu corpo”.
“Certo” – ela solta uma risada – “Estamos indo fazer tatuagens, quer ir junto?”
“E perder a chance de sofrer a dor de ser espancada por uma namorada enlouquecida sozinha? To dentro” – dito isso Chris me ajuda a levantar da cama e penteia meu cabelo deixando ele solto, para que segundo ela, “possa chamar atenção de alguns gatinhos”.
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