Touken Ranbu - Espadas Guardiães
2 Capitlo 2
— Parem os dois!! — Ela falava mantendo a voz em um tom baixo porem firme enquanto pressionava as têmporas sentindo a cabeça latejar. — Tenho que pensar em como contar para Rafael e Akihito o que aconteceu... — Ela se virou para o menor. — Aizen você já conhecia o Nikkari Aoe?
— Já tivemos a mesma mestra, ela era uma Omniyouji. — Aizen guardou a lâmina e sacudiu a cabeça afirmando. — Há muito tempo atrás...
— Sim, mas... — O rapaz de cabelos desviou os olhos bicolores para a macha de sangue em seus dedos. — Não me lembrava de ser usado sangue para nos despertar...
— O sangue é um contrato entre a Saniwa e a espada...
Os três olharam assustados para a voz que vinha da porta do quarto que fora aberta deixando passar um frio facho de luz, Akihito estava em pé com os olhos cravados neles, um brilho triste tremulava nos orbes negros, após um longo tempo em silencio ele suspirou de forma pesada com resignação entrando no cômodo. Nikkari sentiu algo forte vindo dele, uma aura quase intimidante e superior de um sacerdote, seus olhos correram ate a morena que o despertara, sua energia era mais agitada descoordenada como se algo a suprimisse, de repente a voz mansa do homem chamou a atenção dele.
— A primeira Saniwa tinha o dom de trazê-los para a forma humana, invocando as energias que habitam em suas lâminas, porem após isso vocês não tinham como retornar a forma original, durante anos ela batalhou contra forças históricas e após a batalha final ela fez pôs todas as espadas em um estado de sono na forma original e para que não fossem forçadas e usadas por pessoas mal-intencionadas criou um selo espiritual. — Akihito encarou Nikkari — E apenas as Saniwas escolhidas poderiam comandar as espadas que aceitassem o contrato e assim elas voltariam a ter a forma humana...
Akihito se aproximou dela com um olhar profundo demostrando um grande conflito interno e com carinho levou uma das mãos ao rosto dela, sentindo o coração bater mais forte ela respirava cada vez mais forte.
— Mesmo não tendo meu sangue, você e a quarta Saniwa.
Ω
Nikkari e Aizen estavam em pé na sala olhando as três pessoas que conversavam a pelo menos duas horas na varanda, atrás de uma imensa porta de vidro, Rafael era o mais alto dos três e se mantinha com uma expressão carregada sem falar nada, apenas Akihito se pronunciava e Cristina falava agitando as mãos e batendo um dos pés enquanto franzia as sobrancelhas enrugando a testa de leve, Nikkari a observava com curiosidade.
— Ela é nossa... Mestra...?
Ele falou mantendo a voz em tom baixo e calmo, o ruivo o olhou rápido antes de desviar o olhara para os três lá fora cruzando os braços.
— Não a chame assim ela detesta... Ela prefere me tratar como membro de família... Bem, todos eles! — ele jogou a cabeça de lado suspirando. — Eu às vezes esqueço quem sou...
Nikkari olhou o menor lembrando-se da época que passaram com a mesma mestra, eram como uma família barulhenta e enorme, por isso não se conheciam muito e nunca tiveram uma conversa tão longa.
— Mas por que o selo nos pulsos?
Aizen franziu a testa e seus olhos tomaram um brilho forte e obscuro que assustou Nikkari.
— Por causa da mãe de Akihito... Ela... Detesta a família que Akihito-sama tem e tudo que ele renegou por causa de Rafael-Sama e Cris... — Aizen cruzou os braços na frente do corpo. — Por causa das ações de Akihito ela perdeu seu lugar no conselho dos sábios, se ela descobrisse os poderes de Cristina, com certeza a usaria para ter seu prestigio no conselho de volta...
Enquanto o ruivo falava Nikkari correu os olhos até ela, viu-a suspirar muitas vezes enquanto Akihito passava as mãos nervosamente nos cabelos, de repente sentiu algo ameaçador e sua mão foi para no punho da espada no mesmo instante que seu olhar encontrou o de Rafael, intimidador e frio, os dois ficaram segundos se encarando ate que a voz dela ecoou no apartamento.
— NÃO!!!
Cristina abrira a imensa porta entrando como um furacão na sala a passos largos e rápidos, estava com raiva tão evidente que as os olhos tinham um brilho intenso.
— Eu me recuso a deixá-los para trás! Poderia ser o Aizen lá! — ela falou gesticulando nervosa para os dois homens que a seguiam. — Elas estão lá confinadas em algum lugar escuro sem nem saber por que!!
Aizen sorriu, sabia que ela não desistiria até convencer o dois a fazer algo. Akihito a segurou pelos ombros e abraçou forte afagando os cabelos negros.
— Eu irei lá, eu os trarei para nossa casa! Confie em mim eu cuidarei de tudo.
Cristina o abraçou de volta, sabia que eles tentavam protege-la da ganância por poder da mãe de Akihito, mas não podia deixar aquelas espadas sozinhas apenas para se manter segura, Rafael observava tudo com um olhar enigmático.
Ω
Os dois haviam saído havia algumas horas após Akihito ter ligado para o conselho do clã pedindo uma reunião, Cristina permanecia inquieta sentada no sofá olhando varias vezes o celular esperando alguma ligação, com um suspiro irritado ela jogou o corpo caindo deitada, tentara tudo para se tranquilizar, tomara banho, vestira uma roupa confortável e tentara comer, mas nada descia.
— Cris-Chan...
Ela se levantou do sofá ao ouvir a voz de Aizen, ele estava apoiado nas costas do móvel e Nikkari estava trás dele.
— Aizen-kun o que houve? Estão com fome?
— Cristina-San você que não comeu nada... — Nikkari falara se aproximando e sentando-se ao seu lado. – Akihito-Sama disse que faria algo...
— Nikkari pode me chamar sem o honorífico... Só Cristina está bem.. — ela parou pensativa e levantou-se rápido do sofá indo em direção ao quarto voltando rápido com a caixinha nas mãos. — Nikkari venha cá! Tenho que limpar meu sangue da sua lamina ou você irá enferrujar.
Cristina se sentou no sofá e abrindo a caixinha e pegando todos os utensílios, tinha que ocupar a mente.
— Me dê sua...
Cristina estendeu a mão para Nikkari para pegar a espada e sentiu-o pega-la levanto até o tórax, ela se virou rápido e sentiu o rosto pegar fogo ao vê-lo sem blusa.
— N-N-Nikkari...
— Estou a seus cuidados...
Aizen deu um soco na cabeça do rapaz, fazendo-o soltar a mão de Cristina.
— Ela só precisa da sua lâmina!!
Ω
Cristina havia terminado de limpar a lâmina da espada de Nikkari que estava sentado no braço do sofá com um ar de decepção e cabisbaixo com a camisa desabotoada.
— Pronto, está como nova... — Sorrindo ela guardou-a na bainha e estendeu para Nikkari que pegou ajeitando-a na cintura. O sorriso dela se desfez ao imaginar as espadas trancafiadas.
—Ojou-Sama algo a incomoda? — Nikkari a encarava sério, Cristina suspirou.
—Não precisa ser tão formal, pode me chamar só pelo nome Aoe-san... Já lhe disse... — Ela suspirou se ajeitando no sofá apoiando as mãos ao lado do corpo. — Eu não consigo relaxar só de pensar nas outras espadas sozinhas, presas e a mercê dela... — Ela cerrou os punhos sentindo a indignação crescer. — Não ligo como me tratam, mas não posso deixar que façam o que querem sempre!
Nikkari se levantou e ajoelhou-se na frente dela pegando ambas as mãos as juntando e envolvendo-as com as suas, ela sentiu imediatamente as bochechas esquentarem quando os olhos dele cravaram nos seus quase como se visse sua alma por dentro, o viu levar sua mão a boca e sentiu o leve roçar nos dedos quando ele falou:
— Ordene que eu os cortarei como lanternas de pedra!
Ela não sabia se foi à sensação dos lábios dele na sua pele ou o sorriso que ele deu após, mas sentiu um calafrio invadir seu corpo arrepiando sua pele, na tentativa de retomar a realidade ela piscou varias vezes e desviou o olhara para Aizen, o rapaz lhe sorria com as mãos apoiadas nuca, seu coração acelerou quando uma ideia lhe invadia a mente e se levantou bruscamente puxando Nikkari enquanto falava com determinação:
— Vamos resgatar os outros e tira-los das mãos daqueles velhos!! — Ela correu e pegou a bolsa com documentos e pegou uma chave perto da porta. — Aizen, Nikkari vamos!
— Cris-chan o que você vai...?
— Eu vou dirigir até lá!
— Não seria melhor chamarmos um carro? — Aizen gaguejava enquanto sentia o frio subir pela espinha. — Poderíamos pagar a mais pela urgência.
— Não temos tempo!
O elevador mal abriu as portas e Cristina saiu a passos rápidos acionando o sistema de segurando de um dos veículos estacionados
— Espero que conheça um bom restaurador Nikkari. — Ele falou sem olhar para o rapaz ao lado que fez uma expressão interrogativa enquanto o menor suspirava. — Logo vai saber.
Nikkari viu um belo carro preto com um H em prata na frente, Cristina entrou na frente e Aizen abriu a porta de trás mostrando a ele pra entrar que se aproximou curioso para aquela máquina estranha, sentiu-se olhando ao redor, havia um pequeno espelho na frente pendurado, ele se moveu um pouco e viu que dava pra ver Cristina se ajeitando uma fita grossa de tecido que transpassou o decote do vestindo deixando um pouco dos seios visíveis.
— Cristina-San não quer vir aqui atrás me fazendo companhia. — Ele sussurrou inclinando-se no banco dela.
Cristina sentiu o rosto corar ele a encarava de forma intensa pelo retrovisor, Aizen entrou na outra porta do carro suspirando e puxou o cinto de segurança prendendo Nikkari no banco que quando ia protestar viu Aizen prendendo-se com outro.
— Você vai me agradecer...
Antes que pudesse pedir explicações escutou um barulho estranho e sentiu o carro acelerar, Cristina esticou a mãos apertando um botão e a frente deles um portão enorme se abriu e antes mesmo que abrisse todo ela acelerou fazendo fumaça sair dos pneus marcando o chão, Aizen se segurou na porta e Nikkari se agarrou na porta do seu lado.
— Cris-chan vá mais devagar, podemos acabar chamando atenção...
Aizen falou segurando o nervoso quando ela girou rápido o volante fazendo a curva de forma muito fechada fazendo com que Nikkari quase parasse no colo do ruivo.
Ω
Estacionado no meio da mata na lateral da estrada, um carro preto parecia camuflado, mais adiante três pessoas andavam rente ao imenso muro erguido em volta de um templo japonês, Aizen e Nikkari seguiam Cristina carregando cordas e ganchos de alpinismo, a menina levava um equipamento profissional de arco e flecha, silenciosamente ela agradeceu por ela e Rafael serem desleixados e sempre esquecerem os equipamentos no porta luva do carro.
— Aizen-kun que carroça infernal era aquela essa?
O Rapaz sussurrara para o menor ainda tendo a pele pálida e sentindo o estomago revirar, o ruivo o olhou com pena e sussurrou tapando a boca com uma das mãos:
— É um carro só se torna infernal quando a Cris-chan dirigi...
Aizen parou ao escutar os passos dela pararem, ao se virar encarou uma par de olhos castanhos avermelhados com um brilho raivoso, ela pegou uma ponta da corta e amarrou em um dos gancho.
— Vamos estamos perdendo tempo... — ela amarrou a corda no gancho e depois na flecha ajeitando a na base do arco, esticou lentamente acorda até seu limite elevando o arco mirando a parte de cima do muro, alguns segundos depois que ela largou e a flecha cruzou o muro rapidamente, os três escutaram o barulho de ferro bater no muro, Aizen deu um leve puxão se certificando que o gancho havia agarrado.
— Aizen você sobe primeiro e confere se está bem firme, eu... — Cris parou ao se lembrar de Nikkari e que estava de vestido, com certeza o pervertido ia tirar proveito, ela olhou para ele com o canto dos olhos e ele lhe sorriu, ela pigarreou e voltou a falar. — Nikkari você vai depois e me ajuda a subir...
Aizen se prontificou agarrando a corda e forçando o pé com segurança na parede, rapidamente subiu e ao chegar lá em cima amarrou a corda em uma das esculturas de concreto firme, fez um sinal para os dois lá embaixo. Nikkari olhou para cima e apoiou a mão no queixo enquanto falava.
— Seria melhor que a mestra fosse primeiro, caso pise em falso eu lhe segurarei...
Cristina sabia que ele estava pensando em sua segurança, mas não podia fazê-lo, ela passou as mãos inconscientemente pela saia do vestido, gesto que não passou despercebido que lhe lançou um sorriso sedutor, ela pegou uma flecha colocando-a no arco e começando a esticar a corda falando de forma ameaçadora mirando nele.
—Sobe Nikkari!
Ele ergueu as mãos dando uma leve risada, balbuciou um “como mandar” ao passar por ela e segurar a corda fazendo o mesmo que Aizen e logo chegando ao alto, em seguida Cristina fez o mesmo colocando o arco nas costas junto com a aljava, mesmo que não pretendesse machucar ninguém... “— Mas podia precisar.”
Após todos subirem, jogaram a corda para o outro lado preparando a descida, o templo estava silencioso e Cristina fez sinal para que não fizessem barulho, os dois consentiram, Aizen desceu primeiro e depois Nikkari que se afastou para ficar de guarda, Cris começou a descer, mas sentiu um leve solavanco e olhou para cima com o coração acelerado, a ponta da corda estava cedendo, ela olhou para baixo, Aizen e Nikkari estavam afastados e ela não podia chama-los, sentiu um novo solavanco e a corda cedeu rápido, ela sentiu o corpo ficar suspenso no ar e fechou os olhos tapando a boca para que não gritasse.
“— Eu vou morrer, por que tapei a boca!!?? Devia ter ficado em casa...Droga. Aizen...Nikkari!!” — Sentiu alguém lhe acolher nos braços seguida de uma fragrância perfumada.
— Pode abrir os olhos Ojou-Sama.
A voz de Nikkari soou em seu ouvido como um sussurro, ela abriu os olhos ainda quase sem respirar enlaçando-o pelo pescoço, tremia de medo enquanto ele acarinhava lhe os cabelos com um leve sorriso.
— Cris-chan tudo bem? — Aizen chegara perto preocupado. — Você foi rápido Nikkari!
Cristina largou o pescoço de Nikkari e afagou o cabelo de Aizen e fez sinal para seguirem em frente o templo onde as espadas estavam era logo em frente, o coração ainda batia forte e não era pela queda.
Ω
Akihito estava no salão principal do templo aguardando o sumo sacerdote, ele lhe disse que queria que a conversa tivesse o envolvimento de outra pessoa.
“— Quem será? Ele disse que era alguém acima dele...”
Ao escutar passos em sua direção ele se virou arregalando os olhos, sem acreditar na pessoa a sua frente.
Ω
Aizen ia à frente mostrando o caminho para Cristina e Nikkari, o trio estranhou, pois todo o caminho estava deserto, se as espadas eram tão preciosas por que não havia nenhum segurança?
Ao chegarem à frente do pequeno templo ela empurrou a porta lentamente para não fazer barulho e olhou para dentro do cômodo, estava tudo escuro e apenas a fraca luz de velas vinha de outro cômodo à frente. Os três entraram mantendo o silêncio, Nikkari se mantinha com uma das mãos na espada sem desembainha-la, Aizen permanecia alerta para qualquer movimento; quando chegaram ao cômodo Cris parou respirando fundo lá estavam as espadas, eram doze todas estavam em suportes únicos, mas haviam quatro juntas em um suporte quádruplo.
— São lindas... — falou aproximando do suporte — O que...
Ela começou a escutar vozes e olhou em volta, era como sussurros, Nikkari se aproximou sorrindo.
— São as vozes deles... — ele se virou para as espadas. — Já faz tempo companheiros... — Nikkari fez um leve aceno de cabeça e pôs a mãos na cintura de Cristina que corou olhando-o com desaprovação. — Essa é Cristina, uma Saniwa, ela veio aqui para liberta-los desse confinamento... Claro apenas aqueles que a aceitarem como sua mestra.
— Nikkari...
— Sim...
— Obrigada, mas sua mão pode permanecer longe da minha bunda!! – ela puxou a mão dele pela manga da blusa.
Cristina ouviu risos e algumas desaprovações e Nikkari apenas sorriu erguendo a mão, Aizen se aproximou sorrindo falando aos companheiros.
— Todos aceitam?
Um uníssono sim se fez na sala, Cristina sorriu e as espadas começaram a falar com mais entusiasmo.
“— Vamos aproveitar o mundo!” — Uma voz mais grave foi ouvida.
“—E-eu tenho cinco tigres comigo...” — a voz de criança era quase como um sussurro.
“—Se tivermos um pouco de chá e bolos, com certeza vamos ter um bom tempo juntos...” — A voz era calma como alguém de idade.
“— Tudo bem...vamos fazer isso!!” — A voz era mais enérgica.
“— Vai tudo dar certo de alguma forma.” — A voz era alegre
Cristina se virou para o ruivo sorrindo.
— Aizen ali na outra sala tem uma sacola podemos usar para leva-las.
Ele fez uma continência antes de sair correndo, Cristina sentia-se entusiasmada por tira-las dali, podia ouvia-las e sentir sua alegria, mas de repente Nikkari olhou para a porta e seu sorriso desapareceu de forma instantânea ele segurou o pulso dela que o olhou com preocupação, um silêncio tenso caiu sobre eles e o barulho de metal ressoou pelo cômodo vindo da outra sala, antes que os dois tivessem qualquer reação Aizen foi arremessado para dentro do cômodo até metade da sala só parando quando o corpo atingiu com força o chão de madeira provocando um baque surto que ecoou na sala, seu corpo estava coberto de cortes superficiais, Cristina tentara ir até ele mas a mão de Nikkari em seu pulso a impedia, ele se pôs na frente dela quando três homens entraram na sala. O primeiro a entrar vestia um fraque preto com um sode e um kusazuri, ambas do lado direito, ele passou a mão no cabelo jogando-o pra trás, usava luvas pretas, os cabelos eram pretos e uma longa franja caia do lado direito do rosto em cima de um tapa olho, ele tinha o olho dourado que a encarava com curiosidade.
— Estão aqui.
— O mestre ficara satisfeito...
O segundo homem entrara sua voz soou baixa e autoritária, os cabelos castanhos partidos ao meio caiam emoldurando o rosto fino e os olhos pequenos violetas, vestia uma blusa social branca fechada ate o meio do pescoço, com uma faixa de cetim na cintura. Uma calça social e um sobretudo azul marinho, por cima uma estola caqui dourado com duas sodes preta e dourada nos ombros, ele ajeitava as luvas brancas.
— Humpf.
Um terceiro entrou silencioso, envolto em uma aura ameaçadora, os olhos dourados eram frios, no braço esquerdo a pele morena era marcada por uma tatuagem de dragão.
— Ora ora...senão é a “filha” de Akihito... — um rapaz vestindo um longo sobretudo negro surgiu os cabelos loiros eram quase brancos e alguns fios caiando ao lado do rosto, ele ajeitou os pequenos óculos de grau seus imensos olhos azuis eram frios e com brilho de desdém enquanto falava — Que humilhação para a família Suzuki, a única neta se tornou uma ladra...
— Não estava roubando nada as espadas me aceitaram como mestra... — A voz dela soou ríspida e com raiva — Ren engula qualquer palavra que for dizer sobre meu pai.... Senão eu faço você engoli-las!!!
Nikkari soltou um assobio e sorriu satisfeito, essa mestra estava surpreendendo-o, Aizen se levantou na frente dela.
— Hasebe, Ookurikara, Shokudaikiri.... Ela diz a verdade nossos companheiros concordaram em aceita- lá ...
—Mas ela não foi escolhida pelo conselho, não recebeu autorização para entrar aqui e iria leva-las.... Você e uma ladra ao meu julgamento e como eu sou o responsável por guardar as espadas... Hasebe...
Cristina só pode notar um fino facho de luz a sua frente que foi interceptado pela espada de Nikkari, com a mão livre ele puxou Cristina pelo braço colocando-se a sua frente.
— Olá Hasebe me desculpe, mas não deixarei você tocar na minha mestra.
Cristina os olhou e percebeu que era uma luta injusta, ela fez um sinal com os olhos para Aizen mostrando algo, o ruivo sorriu, ela segurou uma das mãos de Nikkari entrelaçando os dedos forçando com que ela olhasse e apenas moveu os lábios: “janela”, o olhar dele foi dela para a janela larga atrás deles, viu também uma sombra correr pela escuridão, se virou rápido sorrindo e largou a mão dela segurando-a forme pela cintura no mesmo instante que ela o envolvia polo pescoço, Cristina e ele lançaram um largo sorriso para os quatro e antes que eles entendessem algo Aizen pulou pela janela , carregando uma sacola com algumas espadas seguido de Nikkari abraçado a Cristina, quando alcançaram o chão os três correram se embrenhando pelas construções, sem se virar Cristina escutou a voz de Ren tomada raiva rosnar palavras em russo.
Ω
Correndo o máximo que podiam os três avançam, Nikkari carregava Cristina no colo e Aizen à sacola com as espadas em um dos ombros, os dois rapazes se entreolharam sentindo os três perseguidores se aproximarem rapidamente, Aizen fez um sinal e Nikkari logo entendeu, sem esperar nada os dois correram em direções oposta, minutos depois Nikkari parou pondo Cristina no chão e observando em volta, ela respirou fundo sentindo as batidas do coração fora do ritmo, mesmo em silencio sentia atenção vindo do rapaz ao seu lado cuidadosamente estendeu a mão tocando-lhe no ombro com leveza. Nikkari se virou olhando a pequena mão que repousava em seu ombro e a olhou interrogativo.
— Me deixe, você lutara melhor se não se preocupar comigo...
A voz dela soou o mais baixa que conseguiu sentiu a mão dele envolver a sua e notou um brilho negativo nos olhos bicolores demonstrando que ele hesitava em aceitar seu pedido, Cristina sorriu e se aproximou segurando o rosto entre as mãos e sussurrou:
— Confie em mim... Leve às espadas junto com Aizen, eu permanecerei aqui ate você voltar...
Cristina sentiu os olhos bicolores se afundarem nos seus no mesmo instante que seu rosto corava, o rapaz estava relutante em deixa-la, mas antes que falassem ou fizessem alto um sibilo fino e metálico cortou o silencio tão estridente que Cristina se encolheu, em um movimento rápido ela a envolveu pela cintura puxando-a para si colocando a espada na frente deles, o brilho frio da lamina colidiu com outra soltando pequenas faíscas, usando a força que tinha Nikkari, usando o peso do adversário o repeliu, afastando-o. Cristina evirou olhando para direção onde Nikkari havia mandando seu agressor, viu o rapaz de cabelos castanhos, se bem se lembrava o nome era Hasebe, ele permanecia em pe na frente deles a uma curta distancia, seus olhos tinha o mesmo brilho frio que a espada que ele empunhava, aquele olhar espalhou calafrios e a fez estremecer, sentiu a mais de Nikkari aperta-la mais contra ele e os fios dos cabelos roçarem em seu rosto antes de escutara voz macia ecoar em seu ouvido.
— Corra!!
Cristina sentiu o corpo vacilar, mas sabia que tinha que sair dali ou seria um peso para ele, mas antes de ir ela puxou a barra da sua capa branca falando:
— Te ordeno que não perca e venha me encontrar!!
Nikkari a olhou com o rosto jogado de lado e com um sorriso languidos nos lábios finos ele acenou com a cabeça, Cristina sentiu o rosto queimar e se virou se virou saindo correndo em um caminho entre duas casas, tinha que encontrar Aizen!!
Ω
— Ookurikara...
O ruivo estava diante do moreno de olhos frios dourados, após alguns segundos se encarando o moreno atacou silencioso e mortal, porem o ruivo havia tomado lições de Kenjutsu com Rafael, com um sorriso confiante ele pôs em pratica e com destreza milimétrica fez a lâmina de o adversário escorregar pelo fio da sua espada enquanto sorria confiante.
“— Uma espada só e mortal com quem souber como empunha-la, a ferida de uma tantou pode ser mais letal que uma Tachi.”
As palavras de Rafael ressoavam nas suas lembranças, os dois continuavam em um embate, enquanto o moreno atacava o ruivo que apenas procurava uma leve brecha para contra atacar, alguns metros a sacola com as espadas estava largada, uma mão silenciosa se moveu lentamente agarrando-a. Aizen notou que a paciência do moreno estava por um fio, a luta não avançava como queria, mas algo tirou a concentração do ruivo, as espadas haviam sumido, a preocupação o fez perder a concentração por milésimos de segundos, tempo suficiente em uma luta para um golpe mortal, Ookurikara não esperou muito e com rapidez concretizou seu ataque, porem um sombra passou ao seu lado, puxando o ruivo pela gola da camisa desviando-o do ataque certeiro.
— Vamos Aizen!!
Ele arregalou os olhos ao reconhecer Cristina sua voz cansada ressoou nos seus ouvidos e ele sorriu por saber que estava bem e que ela tinha pegado a sacola com as espadas e a acomodara nas costas, os dois se embrenharam entre as arvores e arbustos se ocultando silenciosamente na escuridão da madrugada, Cristina virou o rosto rapidamente olhando para além do lugar onde estava o moreno que lutava com Aizen.
— Você aprendeu bem em ser furtiva kkkkkkk
Aizen falar correndo ao seu lado notando que os passos dela mal faziam barulho, ela olhou sorrindo e piscou com cumplicidade:
— Ano escutando atrás da porta ne...Aizen!
Ookurikara olhava para as sombras tentando rastreá-los mas sem sucesso, ele soltou um leve resmungo enquanto guardava a espada contrariado.
Ω
Respirando de forma descompassada. Cristina e Aizen permaneciam encostados na parede do imenso muro do templo, ele deixou as costas escorregarem pela parede gelada. Cristina tinha certeza que todos do templo estavam sabendo que havia um invasor e mais certeza ainda que seus pais a matariam ao saber o que fez... “— Que bela confusão você se meter heim, Cristina!!!” — ela trincou os dentes e cerrou os punhos . “ — Realmente achou que seria fácil...que não haveria ninguém de guarda??”. Ela olhou em volta tentando reconhecer o lugar sem nenhum êxito, nunca tinha estado tão dentro do templo, o lugar parecia ter uma energia tão densa que era quase palpável, seus olhos pararam em uma pedra de mármore branca que reinava no meio de um imenso circulo desenhado com cimento no chão, sem saber por que ela se aproximou de vagar olhando primeiro os desenhos dentro do circulo como se fossem coordenadas ela se aproximou da pedra, seus olhos pararam e uma expressão de surpresa invadiu seu rosto, havia um imenso relógio prata com vários ponteiros, ele estava imóvel como se fosse uma peça quebrada, ela esticou a mãos e tocou-lhe com as pontas dos dedos e imediatamente escutou um leve zumbido, as tatuagens nos pulsos começaram a esquentar e pinicar.
— Devolva as espadas senhorita.
A voz macia e rouca invadiu o silencio do lugar, Cristina apenas olhou lentamente para o lado, Aizen se levantara e ficara na sua frente, um homem com uma trapa olho apareceu.
— Mitsutada- san, as espadas a escolheram...
O homem fica parado, sua íris dourada brilha como se as pondere de forma profunda.
— Shokudaikiri você tem ordens!
A voz monótona e grave vinha de suas costas, o moreno que lutava com Aizen surgiu lentamente nas costas do outro, seus olhares se cruzaram como se falassem por eles, porem o rapaz de tapa olha estendeu o braço na frente do outro pedindo silenciosamente que esperasse.
— Cristina foi aceita por elas, ela é a quarta Saniwa... Só que Akihito a escondeu de sua mãe... Vocês podem senti-la não é?!
Aizen falara chamando a atenção dos dois, sabia que tinha que convence-los nunca teria chance contra eles sozinho, mas antes que pudesse falar mais o som de palmas era escutado ressoando, junto com o som abafado de botas pesadas.
— Boa tentativa moleque... Hasebe!!
De repente um vento passou ao lado de Cristina e o brilho de uma lamina vinha na sua direção, ela piscou sentindo um calafrio e de repente a respiração quente em sua nuca lhe deu segurança, o som metálico de laminas se chocando era o único naquele lugar, Ren tinha uma expressão contrariada que beirava a raiva, diante de Cristina havia uma belíssima e reluzente lamina de wakizashi, as suas costas a capa branca do rapaz esvoaçava ao sabor do vento.
— Não toque na minha mestra Heshikiri Hasebe!!!
Lentamente ela virou o rosto na direção do rapaz que lhe sorria sentindo a mãos dele lhe envolver e puxar-lhe pela cintura colocando-se a sua frente, ela notou um filete de sangue no canto do seu rosto e no braço esquerdo, Aizen desembainhou sua lamina pondo-se em posição de ataque e estendeu a sacola para ela.
—Fique aqui !!
A batalha entre Hasebe e Nikkari recomeçara, os dois homens trocavam golpes precisos, ataque e defesa eram milimetricamente calculados, Cristina sentiu o coração acelerar enquanto abraçava as espadas, não ia desistir , iam sair de-la juntos, ela prometeu em silencio, seus olhos encaravam o rapaz de cabelos loiros e pele pálida, Ren mantinha os olhos nela, os dois se mediam, quando ela estreitou os olhos desafiando-o Ren estalou os dedos e na mesma hora Ookurikara desembainhou a espada e rapidamente se virou na direção de Cristina que foi imediatamente foi amparada pela lâmina de Aizen.
— Cristina!
Ela entendeu e se afastou deixando espaço para a batalha, só parou ao sentir o frio da pedra encostar-se às suas costas, o brilho e o som das lâminas se chocando ressoava no lugar ecoando pelo templo, logo saberiam da batalha, mas estranhamente Ren estava calmo e um leve sorriso nos lábios dele lhe deu calafrios, foi quando viu ele se virar para Mitsutada em um sinal firme ordenar que o mesmo atacasse... Cristina.
— Mestre... Ela e apenas uma menina...
Ren o olhou furioso e retirou uma das luvas encravando as unhas na palma da mão direita fazendo com que seu sangue escorresse até uma tatuagem no dorso, Shokudaikiri emitiu um grunhido de dor agarrando o uniforme na altura do peito Cristina cerrou os dentes, um misto de indignação e repulsa a invadiu.
“— Ele o estava obrigando...” — Cristina se lembrou dos livros que lia escondida de seus pais que contavam magias de restrições e obediência de servos mágicos, sentindo a raiva lhe tomar ela cerrou os punhos se virando para Ren gritando — Covarde, pare com isso!!— A vontade de socar aquele filhinho de papai narcisista a invadiu. — Você o está machucando... Pare!!!
Vendo que Ren não fazia qualquer menção que iria para ela se virou indo na direção de Shokudaikiri, sua pressa em anular a obrigação era tanta que ela não notou o brilho de satisfação e o sorriso de Ren. Ele sabia que ela faria isso, que seu tolo coração era sua maior fraqueza, assim que a viu se aproximar abriu a mão fazendo a obrigação parar e fez um gesto como se desembainhasse a espada, como em um espelho Shokudaikiri desembainhou sua espada contra sua vontade.
— Cristina se afaste!!!
A voz de Nikkari chegou ate ela carregada de desespero, pois notara as intenções de Ren, mas Cristina estava paralisada, os arregalados encarando a lamina brilhar na sua frente, seus olhos pararam no rosto do homem a sua frente, Shokudaikiri tinha um brilho suplicante, seus lábios se moveram em silencio, “Por favor, corra!!” , ela se virou correndo mas não a tempo e antes que conseguissem se afastar algo lhe atingiu nas costas, sentiu a lamina cortar sua pele e carne e logo depois uma dor latejante e quente a invadiu fazendo a gritar, o corpo foi arremessado com violência em cima do relógio respigando o sangue nas engrenagens antes que ela caísse de joelho diante das espadas, Cristina olhou as espadas sentindo o corpo inteiro latejar, sua visão estava fincando turva enquanto sentia algo quente escorrer pelas costas, ao longe conseguia escutar as vozes das espadas chamando, carregada de preocupação sorrindo estendeu a mão para toca-las, “— Só quero protege-los, tirando-os daqui...só peço isso...”, de repente sua mente afundou numa profunda escuridão e a fraqueza a consumiram fazendo seu corpo perder para frente, ela caiu inconsciente quase em cima da sacola, o sangue que escorria nas costas pingava molhando a sacola e as espadas dentro dela. Aizen estremeceu sentindo a agonia lhe invadir, seu coração quase parou ao ver a cena, totalmente paralisado ele não se defendeu do golpe certeiro de Ookurikara que o arremessou para perto dela. Sentindo sua visão nublar, Aizen se aproximou com o corpo doendo devido ao golpe, um nó se formou em sua garganta ao perceber o quanto que ela perdia sangue muito rápido, seus lábios tremiam quando falou com lagrimas molhando seu rosto.
— Cris-chan... — Lagrimas turvaram a visões do ruivo que lhe chamava em meio aos soluços, os olhos castanhos o fintavam quase sem brilho.
Nikkari conseguiu atingir Hasebe, cortando lhe o dorso arremessando lhe para perto de Ren, para rapidamente voltar para perto da sua mestra.
— Aizen consegue se levantar? — Viu o se esforçar para se levantar e se voltou para ela que estava sangrando muito. — Mestra... Cristina-san... Cristina...
Ela não respondia, apenas seguia-o com os olhos, castanhos cada vez mais sem brilho o rapaz sentiu a raiva tomar-lhe de tal maneira que seu olho esquerdo brilhava um tom de vermelho com maior intensidades ao encarar seus inimigos, aquilo fora um ataque covarde. Aizen conseguira se levantar e estava ao lado dele com o punho cerrado sentindo a raiva lhe consumir, trincando os dentes o menor empunhou sua lamina onde tinha uma pequena rachadura, mas ele não se importava com isso, ao seu lado Nikkari se levantara, seus olhos gravados nos ex-companheiros a sua frente, ambos sabiam que a desvantagem era bem grande levando em conta o nível deles, já que Nikkari acabara de ser despertado. Mas de repente um clique como o bater lento de um relógio soou perto deles e o chão começou a brilhar, um desenho se formou perfeitamente ocupando todo o terreno onde todos estavam, o tic tac se intensificava ficando com o bater mais rápido fazendo surgir uma cúpula de energia que os envolveu prendendo-os dentro.
— Cristina!!
A voz de Akihito ressoou aterrorizada ao ver sua filha imóvel no chão, mas quando tentou se aproximar alguém o segurou pelo colarinho e no segundo seguindo um clarão tão forte invadiu o local forçando a todos fecharem os olhos, quando ele se extinguiu e o som do relógio parou Cristina, Nikkari, Aizen, Ren e seus subordinados haviam desaparecidos.
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