Touches You

34 Capítulo 33


Londres, 06:30PM, 19/05/2014

Leslie andava com passos apressados. Não sabia exatamente para quem deveria contar aquele tipo de coisa. Não era pra ter acontecido, não naquele dia e não daquela forma. Para ser sincera, não era para ter acontecido nunca. Tinha acabado de dispensar Aaron na companhia pra casa. Obviamente, ele estranhou a recusa, mas Leslie não estava preocupada com aquilo. Tinha que arranjar uma solução para o seu problema.

Pensou no seu tio. Ele podia ajudar, não podia? Mas como explicar toda a confusão para ele se nem ela mesma conseguia entender?

Decidiu ligar para a irmã. Talvez ela pudesse dizer como explicar para Leon toda a confusão que tinha acabado de acontecer.

— Atende, por favor... — as primeiras lágrimas começaram a escorrer

— Leslie? O que aconteceu? — Astrid perguntou do outro lado, cheia de preocupação e ouvindo os soluços da irmã

— Acho que eu fiz uma merda muito grande. Sabe aqueles momentos que eu fico muito nervosa e acabo falando merda?

— Sei. — as duas ficaram em silêncio — Dessa vez você acabou fazendo magia? — Astrid chutou, numa tentativa de entender o desespero da irmã

— Foi. — Leslie começou a chorar mais forte — E foi na frente de todo mundo. Me mandaram dar uma palestra, fiquei nervosa e a luz explodiu. Mas não foi um explodiu e as outras continuaram funcionando ok. Foi um explodiu com um princípio de incêndio.

— Les, respira. Por favor. Primeiro, você já saiu de perto?

— Já. To tentando voltar pra casa do Onkel Leon.

— Pare. Era só pra você se afastar, não para ir direto pra casa assim no meio da rua. Você vai fazer exatamente como eu te disser, ok? Agora que você está distante o suficiente, você vai respirar fundo. Precisa se acalmar de verdade. Você está sozinha?

— Estou.

— Ótimo. Agora, essa parte você só vai fazer quando desligar o celular, por que precisa de muita concentração. Você vai mentalizar a casa de Onkel Leon bem forte. Rapidinho você vai sentir como se tivesse passando por um tubo de borracha extremamente desconfortável. Quando passar a sensação, vá direto falar com Onkel Leon. Não pare pra conversar com Claire nem brincar com Anke.

— E o que eu falo pra ele?

— Você vai dizer que fez mágica acidental, como se fosse uma criança de sete anos. A lâmpada explodiu e começou um pequeno incêndio. E peça ajuda. Quando eu voltar de viagem, vou ver se consigo te dar umas aulas básicas de autocontrole. Vamos recapitular. O que você vai fazer assim que desligar o telefone?

— Mentalizar bem forte a casa do Onkel Leon.

— E depois?

— Ir falar com ele, sem parar pra falar com a Claire ou com a Anke.

— Ok. Qualquer coisa que você precisar de mim de novo, me ligue. Eu arranjo um jeito de voltar.

As irmãs desligaram o telefone. Leslie o guardou no bolso e tentou focalizar no que seria a casa do tio. Assim que chegou, agradeceu mentalmente à irmã por ter avisado da horrível sensação de tubo de borracha.

Cambaleou um pouco antes de sair correndo escada acima para falar com o tio. Não prestou atenção quando a tia chamou com a prima no colo.

— Onkel Leon! Onkel Leon! — chamou assim que pôs os pés no andar superior

— Leslie, o que foi? Pra que tanto desespero? — o homem saiu do escritório, percebendo a tremedeira na sobrinha.

A jovem o empurrou de volta à sala e fechou a porta. Pediu que o tio sentasse antes de explicar toda a história. Assim que terminou o relato, deu uma pausa e esperou por um sermão que não veio.

— E como você chegou aqui tão rápido? — ele questionou

— Liguei pra Asta e ela me ensinou a me teletransportar, ou seja lá o nome que se dá. Só sei que eu estou desesperada. Não tem como eu controlar essas coisas acontecendo à minha volta não?

— Tem, minha querida. E você sabe muito bem a resposta. Você tem desde o dia que as corujas chegaram para você e sua irmã há três anos. Mas foi bom você ter vindo logo pra casa. Se alguém lhe perguntar, diga que passou muito mal e preferiu vir direto. Ok?

— Ok. Mas como eu já não posso voltar pra Hogwarts, como eu faço? A Asta me prometeu me ajudar quando voltasse de viagem, mas a gente sabe que temos grandes chances de ela ter que emendar uma viagem na outra.

— Eu posso lhe ajudar. Porque depois de hoje, você precisa dessa ajuda urgentemente. Amanhã eu vou ligar para o seu estágio dizendo que você está doente. Vamos ter que ir à Diagon Alley comprar uma varinha para você, porque assim não dá.

A garrota ficou vermelha e com uma expressão de culpa.

— Papai chegou a comprar uma pra mim. Ainda tenho ela guardada. — praticamente sussurrou

Leon fez um muxoxo e olhou irônico pra ela.

— Eu não to acreditando nisso, Leslie. Bist du verdammt dumm? Was ist, wenn Anke es durch Zufall erwischt? Du hättest mir das sagen sollen! — ele quase gritou com a sobrinha (Tradução: Você é imbecil? E se Anke pegasse por acidente? Você deveria ter me dito!)

Claire bateu na porta e colocou o rosto pra dentro da sala.

— Algum problema, Leon? — ela perguntou preocupada

— Nein, nein. Bleiben Sie mit Anke, bitte. (Tradução: Não, não. Fique com Anke, por favor.)

— Oi? Leon, eu não falo alemão. Traduza, por favor.

— Eu estou bem. Nenhum problema.

— E com você, Leslie? Alguma coisa a ver com a sua faculdade?

— Nada, Claire. Só que eu não estou muito bem e pensei que Onkel Leon pudesse ajudar. — a jovem respondeu

— Você vai melhorar, ok? Já, já eu termino o jantar. E pelo amor de Deus, mantenham a voz baixa. Anke passou o dia agitada hoje e por um milagre se acalmou agora.

— Ok, tia. Obrigada.

Claire saiu e Leslie encarou o tio.

— Nada de alemão? — a menina perguntou — Ela tem alguma noção da bagunça que é a nossa família?

— Ela sabe que seus pais são dois doidos, mas não sabe da parte mágica da conversa.

— E quando a Anke começar a fazer mágica? Porque daqui a pouco vão ser só vocês três dentro de casa e não vai ter como dizer “eita, a Leslie deve ter deixado isso espalhado” ou “deve se algum projeto maluco da Ames”. Você sabe disso, Onkel. Não seja feito o papai nesse quesito.

— Você quer que eu faça o que?! — ele perguntou com um olhar meio louco — Chegue pra Claire e diga “ei, sabe aquelas histórias que você conta pra Anke? Elas têm um fundo de verdade”. Não posso!

— Vamos lá. Eu ainda estou aqui, posso ajudar ela a lidar com as coisas. Até porque, como você mesmo lembrou, três anos atrás era eu quem descobria esse mundo. E isso tem que acontecer o mais cedo possível. Até porque se você vai começar a me ajudar a ter autocontrole mágico, algumas coisas que não deveriam acontecer vão estar escancaradas na cara de Claire.

— Ok, ok. Não acredito que estou concordando com isso tão cedo, mas vai ter que ser no jantar. Se não, eu que determino isso, viu?

— Sim senhor. Ah, quando a Anke tiver idade suficiente, você vai mandar ela para onde? Durmstrang ou Hogwarts?

— Isso não é hora de pensar nisso, não acha?

A garota levantou os braços em sinal de rendição no mesmo instante que o celular tocou. Assim que viu o nome da mãe no identificador, sentiu um peso no coração.

— Eu estou bem, o que aconteceu na faculdade não foi nada de mais. — Leslie disse antes que a mãe pudesse dizer qualquer coisa

— O que aconteceu na sua faculdade?

— Ainda não saiu no jornal? Quando saí de lá já tinham alguns bombeiros.

Leslie...

— Ok, ok. Eu acidentalmente provoquei um incêndio. Juro que não foi proposital. Eu estava em pânico e simplesmente aconteceu. Uma lâmpada explodiu e foi o suficiente para o auditório começar a pegar fogo.

— Klaus! Qual o problema das suas filhas com fogo? Segundo incidente mágico com fogo! Porque essas meninas não poderiam ter acidentes mágicos com flores ou coisas tão inofensivas quanto?

— Mãe! Pelo amor de Deus, não foi como se fosse proposital, tá? Nem o meu caso nem o da Asta! E pare de incluir o papai nessa conversa!

— Ok, mas eu não liguei pra falar disso. Eu queria saber se você vai estar livre amanhã.

— Mais ou menos. Eu tenho estágio e aula amanhã. A não ser que você queira marcar alguma coisa na hora do almoço ou no jantar.

— Ok, vamos fazer o seguinte: amanhã de manhã eu tenho uma audiência rápida aí em Londres. É só uma entrega de sentença. À tarde, você está dispensada da faculdade. Você vai ficar comigo.

— E como você vai fazer isso, dona Sarah Henderson? Eu só tenho direito a faltas no caso de doenças infectocontagiosas e funeral na família, o que, definitivamente, não é o caso.

— Acho maravilhoso que nem você nem o seu pai se lembram que eu sou advogada. Leslie, eu sou a sua mãe e uma advogada que vai te dar uma dispensa formal da faculdade.

— Ok, mãe. Mas posso saber o que foi?

— Tem a ver com a bagunça da nossa família.

— Mãe, a nossa família é bagunçada em vários aspectos, não sei se você sabe.

— Eu não vou dizer mais do que isso. Eu te amo, Ames. Até amanhã.

— Até, mãe.

A garota desligou o celular e encarou o tio.

— A minha mãe enlouqueceu de vez.

— Sarah nunca foi muito normal. Agora vamos jantar. Claire já chamou.

O celular de Leslie tocou de novo.

— Vai na frente. Vou logo.

Ela atendeu o telefone enquanto o tio ia descendo as escadas.

— Oi, Aaron. Tudo bom?

— Porque você sumiu daquele jeito? Fiquei preocupado.

— Desculpa. Eu não estava bem com aquela situação do incêndio. E já tava começando a ficar com uma dor de cabeça por causa da fumaça.

— Tudo bem. Agora eu queria te pedir um favor.

— O que?

— Vem pro lado de fora.

— Não acredito nisso. Você está na frente da minha casa? Ficou maluco?

— O que foi?

— Eu moro com meu tio. E, não sei se eu cheguei a te contar, mas ele é militar, assim como a mulher dele.

— Então eu fiz besteira?

— Das grandes. Mas passo ai na frente pra te dar um abraço antes de você ir. To descendo as escadas. Toca a campainha pra eu ter um motivo pra abrir a porta. Beijo!

Leslie deligou o telefone e desceu o restante das escadas correndo. Assim que a campainha tocou, se prontificou a atender.

— Ei, moça. — Aaron cumprimentou — Você perdeu de ver Hopkins surtando por causa do fogo.

— Wer ist da, Leslie? — Leon perguntou (Tradução: Quem é que tá aí, Leslie?)

— Aaron, ein Freund von mir aus dem College. (Tradução: Aaron, um amigo meu da faculdade.)

— Ich weiß auch, welche Art von Freund dieser ist. Das ist, was man auf einem Bett nackt wollen. (Tradução: Sei bem que tipo de amigo é esse. É do que te quer sem roupa em cima de uma cama.)

— Onkel! Ich bin nicht deine Tochter für Sie so neidisch haben! (Tradução: Tio! Eu não sou sua filha pra você ter tantos ciúmes!)

— Aber was ich sagte nicht aufhört wahr zu sein! Er fand heraus, wo Sie leben! (Tradução: Mas o que eu disse não deixa de ser verdade! Ele descobriu onde você mora!)

— Er weiß nur, wo ich lebe, weil es mir eine einfache Fahrt gegeben hat. (Tradução: Ele só sabe onde eu moro porque já me deu uma simples carona.)

— Leon e Leslie, modos! — Claire interferiu — Les, chame seu colega para o jantar. Posso colocar mais um prato.

Leslie abriu passagem para o amigo, que entrou meio constrangido pela situação.

— Onkel, Claire, esse é Aaron McFarlane. Ele estuda comigo na faculdade. — Leslie apresentou — Aaron, esse é o meu tio, Leon Hoff. A moça é Claire McDermott, minha tia. E esse bebê fofo é a minha prima, Anke Hoff.

— Você esqueceu um McDermott aí! — Claire lembrou

— É, desculpa por essa. O nome dela é Anke McDermott Hoff.

— Hmm. Prazer conhece-los. — Aaron disse, enquanto sentava — Leslie falou muito bem de vocês.

— Obrigada, querido. — Claire agradeceu — Leon! Preste atenção, por favor.

Leon olhou para a noiva meio aturdido, antes de perceber que estava alimentando errado a filha. Deu um sorriso amarelo e tentou continuar a dar o jantar de Anke.

— Então, Aaron, como você e a Leslie viraram amigos? — Claire perguntou

— Bem, acho que foi no primeiro dia de aula. — o menino respondeu — Ela foi a única pessoa que veio falar comigo, mesmo já tendo falado com a turma inteira e ganho o apelido nada legal de chucrute.

— Você ganhou o apelido de chucrute?! É sério isso?

— A Astrid ganhou o apelido de menina chucrute e ninguém fala sobre isso. Eu ganho o apelido de chucrute e todo mundo se choca. Como é isso? — Leslie questionou

— Quem é Astrid? — Aaron perguntou

— Minha irmã gêmea. Ela está em Berlin, com o marido dela.

— Agora eu fiquei confuso. Você tem uma irmã gêmea. — Leslie concordou — Que está em Berlim e é casada.

— Qual a dúvida? Se minha irmã é precoce?

— Só achei meio estranho. Casada aos 18.

— Acredite em mim, ela tem motivos o suficiente para isso.

Os três ficaram conversando enquanto Leon dava comida a Anke e tentava interferir o menos possível. Internamente, ele rezava para que o menino tivesse um mínimo de educação e fosse embora assim que a refeição acabasse.

Anke ria das caretas que o pai fazia toda vez que aproximava a colher dela, o que dificultou muito para Leon, até o ponto em que ele perdeu a paciência.

— Claire, ajuda? Anke não para de rir. — Leon pediu

A criança riu para a mãe.

— Se você parasse de fazer caretas, com certeza ela pararia de rir. Passa a comida dela pra cá, então. — enquanto pegava o prato da filha, sussurrou para Leon — Fale com o garoto. Ele está quase fazendo xixi nas calças com medo de você.

Leon tentou se entrosar no restante da refeição, sem muito sucesso.

Assim que terminou de comer, Aaron agradeceu e se despediu, alegando que os pais estavam esperando em casa. Leslie o deixou na porta.

— Vai pra aula amanhã? — ele perguntou

— Não. Minha mãe tá vindo de Manchester só pra passar o dia e tem tempo que não a vejo. Vou passar a tarde com ela.

— Qualquer coisa, me avisa.

— Tá certo. Até mais.

Assim que Aaron entrou no carro, Leslie voltou para dentro de casa e subiu para o quarto. Vasculhou entre a papelada que tinha do estágio e encontrou o papel que queria. Enquanto descia as escadas, chamou os tios. Preferiu ficar em pé enquanto os outros três dividiam o sofá.

— Claire, tem uma coisa que a gente precisa te contar. — Leslie começou — Não sei o quanto você sabe sobre o divórcio dos meus pais.

— Les, eu entendo que você queira debater esse assunto com a gente, mas acho que prefiro não interferir no relacionamento dos seus pais. — Claire interrompeu

— Eu ia chegar no ponto em que isso tem a ver com você. Só me ouve, por favor. Como eu ia dizendo, quando eu e a Astrid tínhamos uns 10 anos, nossa mãe descobriu que tinha uma coisa errada com nosso pai. E, consequentemente, com Onkel Leon e nós duas. Na época, Onkel Leon já estava aqui em Londres e a família inteira morava em Munique. Não vou dizer o que é exatamente agora, mas garanto que não é nenhuma doença rara e maligna. Depois de alguns anos, quando fizemos 15 anos e já morávamos em Manchester, eu e a Asta recebemos essas cartas. — a jovem entregou para a tia — Eu sei, isso vai parecer como parte de algum trabalho elaborado que eu fiz para a faculdade, mas tenho como garantir que não é.

Claire leu a carta que já começava a amarelar nas pontas. Ainda não conseguia entender como ela se encaixava naquela situação toda. Tudo parecia ser muito estranho, para falar a verdade.

— Ok, onde eu entro nessa história? — ela indagou

— Sabe o que significa essa carta? — Leslie rebateu

— Uma convocação para uma escola, que mais me parece um acampamento de verão, se quer saber.

— É de uma escola. Uma escola que a Astrid frequentou. Eu optei por ficar, mas ela foi. Isso significa que os Hoff aos quais você está ligada através da Anke lidam com magia há séculos.

— Espera um pouco, você está me dizendo que vocês são feiticeiros, é isso? Leslie, eu não tenho tempo pra esse tipo de brincadeira.

— Claire, por favor, ouça a menina. — Leon interferiu — Ela realmente está falando sério. E quem me dera ser feiticeiro. Ainda não cheguei nesse nível de instrução mágica.

— Me poupe, Leon. Você entrando nessa brincadeira de adolescente?

— Você acha que o meu irmão teve que se mudar por causa de uma brincadeira de adolescente? Que a vida de todos nós está em risco por causa de uma brincadeira de adolescente? Você é mais inteligente que isso, Claire.

— Como você quer que eu acredite nisso? Leon Jähn Hoff, como você espera que eu encare o meu trabalho amanhã, por exemplo, se eu levar isso a sério?

— Do mesmo jeito que eu levei a minha vida a sério. Como a Astrid fez. Como a minha mãe fez quando soube que as filhas e o marido dela eram bruxos. — Leslie pontuou

— Não é esse o ponto! Vocês querem que eu acredite que mágica existe!

Leon tirou a varinha do cós das calças, apontou para um vaso que estava rachado e usou um feitiço silencioso. Claire arregalou os olhos.

— Acredita na gente, agora?

Ela levantou os braços em sinal de rendição, pegou a filha no colo e começou a ir em direção às escadas.

— Se você não me explicar direitinho o porquê de nunca ter me contado isso, vai dormir no sofá. — ameaçou apontando para Leon

— Como seu pai contou para a sua mãe mesmo? — ele sussurrou para a sobrinha — Quero saber se não fiz uma grande burrice.

— Constituição bruxa. Mas minha mãe é advogada. A Claire é relações públicas. Não acho que ela vá se apegar tanto a um livro constitucional.

— Mas lida muito com o pessoal da corte marcial. Muito obrigado pela dica, pirralha.