Touches You
15 Capítulo 14
Londres, 09:30AM, 25/12/2010
Astrid e Miko estavam deitados na cama dele, abraçados e quase completamente cobertos pelo edredom. Miko olhava pra namorada com carinho.
— Você tá bem, Biene? — ele perguntou
— To. E você?
— Também. Não te machuquei, não?
— Não.
— Tem certeza?
Astrid se sentou na cama, deixando o edredom cair pelas suas costas, revelando o torso nu e ficou de frente pro namorado.
— Pareço machucada? — Astrid apontou pro próprio corpo
— Não. É que eu fico preocupado com você e ficou parecendo que eu estava te machucando.
— Michael Dawud Thompson. O que aconteceu não me machucou nem doeu. Em algumas meninas machuca, dói e sangra. Nas outras não acontece isso. Você não me machucou e não doeu. Foi muito bom, pra falar a verdade.
— Mas e o ...
— Por favor. Vamos para com isso? Sangrou. Não vou morrer por causa disso. Acontece.
Miko também se sentou e beijou a namorada.
— Pra quem reclamava de lugares apertados você foi ótimo, viu?
— E pra quem tem medo de altura, você está lidando bem com o fato de estar no sótão.
— Lembra não, por favor.
— Ok, você está bem. Não vamos cair daqui. Eu prometo.
— Agora eu vou me vestir. Sua mãe disse que uns parentes do seu pai vêm e eu não quero que eles pensem que eu sou uma doida.
— Os parentes do meu pai só chegam bem mais tarde, Biene. Temos tempo.
— Não sei se você lembra, mas somos dois dividindo o banheiro e eu sou mulher. Vou demorar um pouco no banheiro.
— Mas vá vestida. Minha mãe ainda está em casa.
Astrid riu e se vestiu. Assim que colocou os pés no andar abaixo, encontrou a sogra.
— Mais cedo eu tive a impressão de ouvir você gritando. Algum problema? — Samira perguntou
— Não, não. É que eu tenho acrofobia. Fico em pânico por causa de altura.
— Se você quiser, eu posso te colocar num quarto mais baixo.
— Não precisa. To tentando superar o medo. Mas obrigada.
— Tem certeza?
— Tenho. Muito obrigada pela oferta.
Astrid foi tomar banho e se arrumar para o almoço de Natal. No sótão, Miko começou a folhear o livro que tinha recebido como presente da namorada antes do jantar da noite anterior. Começou a ler de verdade e, quando já estava no segundo capítulo, o celular da Astrid tocou.
— Alô? — Miko atendeu
— Acho que eu liguei pro número errado. — falou Leon do outro lado da linha
— Não senhor. É que a Astrid está no banho, mas eu posso pedir pra que ela ligue de volta.
— Faça isso, por favor.
Nesse instante, Astrid aparece pelo alçapão.
— Senhor, Astrid acabou de chegar. — Miko disse, antes de passar o telefone para a menina — Teu tio.
— Onkel Leon, ein Problem? — Astrid perguntou preocupada (Tradução: Tio Leon, algum problema?)
— Sie wissen, wo Ihr Vater war? (Tradução: Você sabe pra onde seu pai foi?)
— Gibt. Er sprach mit mir. Vielleicht ist er mit Mama gegangen, um Weihnachten zu feiern. (Tradução: Não. Ele não falou comigo. Talvez ele tenha saído com a mamãe pra comemorar o Natal.)
— Dein Vater sieht Sarah und Leslie und Max mich verlassen? Wäre es seltsam von ihm. (Tradução: Teu pai saindo com Sarah e deixando a Leslie e o Max comigo? Seria estranho da parte dele.)
— Onkel, warum nennst du ihn? Ich glaube, Sie haben die Antwort leichter mit ihm als ich. (Tradução: Tio, porque você não liga pra ele? Acho que você teria a resposta mais fácil com ele do que comigo.)
— Wenn sie ans Telefon wäre wunderbar. Ich werde noch einmal versuchen. Frohe Weihnachten. (Tradução: Se ele atendesse o telefone seria uma maravilha. Vou tentar de novo. Feliz Natal.)
— Frohe Weihnachten für Sie zu, Onkel. Noch mehr. (Tradução: Feliz Natal pra você também, tio. Até mais.)
Astrid desligou o telefone e riu um pouco.
— Meu tio estava me perguntando onde meu pai tá.
— Isso tudo que você falou foi pra dizer que você não sabia?
— E mais algumas coisas.
— Astrid Sabine Hoff, você precisa me ensinar alemão urgentemente.
— Começo a te ensinar quando você descobrir o segredo do livro que eu te dei.
— Ou seja, até eu voltar pra Hogwarts, eu não vou saber nada mais além de Herr e Fräulein em alemão?
— Não necessariamente. Se você for um leitor rápido, vai ser em menos tempo.
— O nome disso é chantagem.
— Quem disse isso, menino do deserto?
— Adotasse mesmo o apelido que os meninos me deram, não foi?
— É fofinho.
— Sabe o que mais é fofinho?
— O que?
Miko puxou Astrid e a colocou nos ombros.
— Michael Dawud Thompson! Me bota no chão AGORA! — Astrid começou a gritar — Eu não estou brincando!
Miko gargalhava.
— Biene, calma. Você não vai cair. A não ser que... — Miko fingiu que ia derrubá-la
— Michael, pelo amor de Deus, não. Isso não tem a menor graça!
— Vai parar de gritar?
— Me bote de volta no chão!
— Tire as suas unhas das minhas costas e se acalme, por favor. Principalmente a parte das unhas. Tá doendo.
Astrid desencravou as unhas das costas de Miko e ele colocou ela no chão de novo.
— Nunca mais faça isso de novo! — ela reclamou — Ou então eu faço Peeves te colocar em algum canto pequeno.
— Cadê a Astrid fofinha que eu conheci?
— Você fez questão de mandar ela embora.
— Tá bom, desculpa. Eu não sabia que a sua fobia era tão grande.
— Na próxima vez se lembre que eu sou acrofóbica. Não tem graça.
— Prometo. Agora sou eu quem vai tomar banho.
Enquanto esperava o namorado, Astrid tentava parecer o mais feminina possível. Começou a se maquiar, até que levou um susto com uma coruja que bateu na janela. Ela foi ver o que era, já achando que era de algum amigo de Hogwarts, desejando feliz Natal. Quando viu o envelope, percebeu que não era bem assim. Parecia alguma coisa mais oficial, de um lugar que ela não conhecia. Começou a ler a carta meio incerta. No final da carta, teve certeza que teria que falar com o pai.
— Papa... — ela falou assim que ele atendeu o telefone — Acabei de receber uma carta. — Astrid nem se preocupava em falar alemão, tamanho o nervosismo.
— O que foi, Asta? — Klaus ficou preocupado
— A carta dizia que eu vou ter que ir pra uma tal de Durmstrang já nesse semestre. Não quero ir. Não depois de tudo.
— Calma, filha. Vou conversar com Dumbledore. Ele vai tentar negociar com o diretor da Durmstrang. Você só vai se você quiser. Willst du mit deiner Mutter reden? (Tradução: Quer falar com a sua mãe?)
— Sie will mit mir reden? (Tradução: Ela quer falar comigo?)
— Sie hat Angst um dich, Tochter. Kann ich das Telefon passieren zu ihr? (Tradução: Ela tá preocupada com você, filha. Posso passar o telefone pra ela?)
— Ok, können Sie weitergeben. (Tradução: Ok, pode passar.)
— Asta? Sind Sie okay? — perguntou Sarah (Tradução: Asta? Você tá bem?)
— Mehr oder weniger, Mama. Wenn es nicht unhöflich, kam ich nach Hause jetzt. (Tradução: Mais ou menos, mamãe. Se não fosse grosseiro, eu voltava pra casa agora.)
— Sein Vater sagt mir, hier über das, was das Problem ist. Wenn Sie möchten, werde ich Sie dort in den frühen Abendstunden zu bekommen. Was denken Sie? (Tradução: Seu pai tá me dizendo aqui mais ou menos qual o problema. Se você quiser, eu pego você aí no começo da noite. O que você acha?)
— Würden Sie es wieder tun? Es wäre toll. (Tradução: Você faria isso mesmo? Seria ótimo.)
— Dann später ich Samira zu sprechen und Sie dort gefangen. Versuchen Sie einfach zu halten, ein bisschen, okay? Ich liebe dich sehr. (Tradução: Então mais tarde eu falo com Samira e te pego por aí. Só tente aguentar um pouco, tá? Eu te amo muito.)
— Ich liebe dich auch, Mama. (Tradução: Também te amo muito, mãe.)
Assim que Astrid desligou o telefone, Miko entrou no sótão.
— Algum problema, Biene? — ele perguntou, vendo o rosto preocupado da menina.
Ela entregou pra ele a carta da Durmstrang.
— Eu não sei alemão, lembra?
— Vou ter que ir pra Durmstrang, ao invés de voltar pra Hogwarts.
— Mas eles não podem te obrigar a fazer isso. Ou podem?
— Tecnicamente, eles podem. Nasci na Alemanha. Não sou nascida inglesa como você. Virei inglesa há muito pouco tempo.
— Biene, você vai conseguir ficar em Hogwarts. Posso te pedir uma coisa?
— Pode.
— Bota um sorriso no rosto. Tenta esquecer isso por um tempo. Por favor. Vamos aproveitar o que resta do Natal. Meus tios e primos estão chegando e eu quero que eles conheçam o lado mais fofo da minha namorada. E eu prometo que você pode ir pra casa no momento que você quiser depois do almoço.
— Tá bom. Eu te amo. — ela deu um beijo na bochecha dele.
— Eca, batom pegajoso. — Miko limpou a marca do batom. — Vamos descer? Minha mãe muito provavelmente vai me mandar colocar uma gravata ou alguma coisa tão enforcante quanto.
— E porque você não coloca um dos lenços que você usa nos passeios a Hogsmeade? Ficariam legais.
— Com camisa social? Tem certeza?
— Essa camisa é branca. Dá certo. Confie em mim.
Miko pegou um dos lenços e entregou pra namorada. Ela ajeitou o lenço no pescoço do garoto.
— Pode ver. Ficou legal, pelo menos eu acho que ficou.
Miko se olhou no espelho e deu um sorriso.
— Gostei. Vamos?
Os dois desceram do sótão e foram para a cozinha. Um primo de Miko já tinha chegado e estava ajudando na cozinha.
— Joe? Já tá aqui? — Miko perguntou, parecendo surpreso.
— Mike, rapaz! Eu pensava que era você que ia pra casa da namorada hoje. — Joe respondeu, dando um abraço no primo. — Você deve ser namorada do Mike. Eu sou Joe Thompson, primo dele.
— Astrid Hoff. — Astrid respondeu, estendendo a mão.
— Gostei do cabelo à la Amelie Poulin.
— Obrigada.
— Não to conseguindo reconhecer muito bem o seu sotaque. É que eu sou muito ruim nisso. Você é alemã ou francesa?
— Alemã. De Munique.
— Munique? Eu quase que me mudava pra lá, mas circunstâncias me prenderam aqui.
— Que pena. A cidade é ótima. Você iria gostar.
— Vou tentar dar uma passada lá qualquer dia.
— Joe, você pode botar isso lá na mesa, por favor? — Samira pediu
— Claro, tia.
Joe foi para a sala de jantar colocar os pratos na mesa. Samira entregou copos e talheres pros dois colocarem na mesa.
— Não se preocupe com Joe. Ele é gay. — Miko contou — E ele é fissurado nessas coisas de moda. Provavelmente vai fazer algum comentário sobre a sua roupa durante o almoço.
Astrid olhou pra baixo pra conferir a roupa. Uma saia bege e um pulôver vermelho, com um sapato preto.
— Tá legal? — ela perguntou pra Miko
— Se você estiver falando de moda, tá perguntando pra pessoa errada. Mas se for só no quesito boa aparência, eu gostei. Joe, como ela tá?
— Bonita. Mas eu trocaria o pulôver vermelho por um amarelo ou preto. Não significa que vermelho esteja feio. Mike, empresta aquela tua camisa de botão preta pra ela. Ficaria legal.
— Mas ficaria grande. Sou muito menor que ele.
— Garanto que ficaria bom, mesmo sendo maior. Se você quiser eu te ajudo.
— Obrigada.
Astrid e Joe foram até o sótão. Ele vasculhou as roupas do primo até encontrar a camisa que queria.
— Aqui. Se quiser, posso descer pra você se trocar. — Joe falou, entregando a camisa.
— Uma coisa que se aprende em internatos de Manchester é a se trocar sem tirar a roupa inicial.
A menina vestiu a camisa de botão e conseguiu tirar a blusa inicial por baixo. Dobrou-a e colocou de volta nas suas coisas.
— Biene! — Miko gritou do andar abaixo — Meus tios chegaram e querem te ver!
Astrid desceu as escadas o mais rápido que conseguia sem sair correndo e, com o melhor sorriso que conseguia esboçar, cumprimentou os tios do namorado.
— Mãe, sabia que a Astrid é lá de Munique? — Joe puxou o assunto
— Sério? Quase nos mudamos para lá ano passado. — comentou a mãe de Joe, Cynthia — O que te trouxe a Londres, Astrid?
— É meio complicado explicar. Meus pais se separaram uns cinco anos atrás e meu pai veio morar em Londres com o irmão dele. Há uns dois, três anos, a minha mãe recebeu uma oferta de emprego em Manchester e ela decidiu voltar pra Inglaterra comigo e minha irmã. Só to em Londres mesmo agora durante as férias.
— Sua mãe é inglesa? E o que ela faz?
— A minha mãe é advogada. E é daqui sim. Ela foi pra Alemanha fazer um curso, conheceu meu pai e decidiu ficar.
— Então você conheceu Michael onde? — a curiosidade de Cynthia parecia ter aumentado
— Na escola. Somos da mesma turma.
— E porque seu sotaque é tão forte? — perguntou outro tio
— Eu tentei me manter falando alemão em casa e me esforcei pra manter, mesmo podendo perder. Gosto de ser de onde sou.
— Mas e... E o que os alemães fizeram na última guerra Muggle? Você sente orgulho disso também?
— Não. Eu acho que, como qualquer outro povo, nós, alemães, cometemos erros e recebemos a punição por eles.
Caiu um silêncio constrangedor na sala. Uma das crianças menores que brincavam na neve entrou correndo chamando pela mãe.
— Eu posso ajudar. A quantidade de acidentes que tive na neve ajudam de alguma coisa. — Astrid se ofereceu
Do outro lado da cidade, Sarah e Klaus terminavam de se arrumar para o almoço de Natal dos Henderson.
— Meu Deus, to com a mesma sensação que eu tive quando fui te apresentar pros meus pais. — Sarah comentou — Ainda não sei o que dizer. Fico com a impressão de que eles vão olhar pra minha cara com reprovação e dizer “de novo, Sarah?”
— Mas hoje você tem a vantagem de dizer que paga as próprias contas e teve a habilidade de criar duas adolescentes de gênios fortes. — Klaus lembrou
— Nem me diga. Lembra do primeiro Natal que a gente passou com seu irmão aqui em Londres, quando a gente ainda tava analisando se eu aceitava ou não a oferta de emprego de MacReady?
Klaus riu.
— Como me esquecer? A Astrid louca porque ganhou a boneca que queria, a Leslie pulando feito outra doida porque tinha tanta coisa numa língua que ela não conhecia, mas que queria aprender. E você, assim como agora, estava nervosa, sem saber como falar pros seus pais que tinha a possibilidade de voltar pra Terra da Rainha.
— Voltando pro agora, como eu digo pros meus pais, hein? Eu tinha ficado tão furiosa e cheia de ódio quando a gente se separou...
Sarah tinha acabado de colocar as filhas pra dormir quando decidiu ir atrás do marido. Já estava estranhando o comportamento dele nos últimos dias. Ele já não estava mais tão risonho como normalmente ficava durante as festas de final de ano e não falava mais tanto quanto antes.
Quando chegou no pé da escada, Sarah ouviu o som da voz do marido e a do cunhado vindo do porão.
— Já que Sarah tá cogitando vir por causa do escritório, tente conseguir um emprego no Ministério. Soube que eles estão atrás de alguém que possa ajudar no relacionamento com a Alemanha.
— Eu não vou procurar emprego no Ministério. Eu não preciso disso. — Klaus falou
— Vai ser sustentado por Sarah, então? Não se esqueça que você tem duas filhas, que daqui a pouco elas vão começar a demandar muito dinheiro pra roupas, maquiagem, escola, essas coisas.
Sarah percebeu que a luz que vinha do porão tinha um brilho diferente. Se aproximou para ver melhor e viu que vinha de um graveto que o marido segurava.
— Não, eu não vou ser sustentado pela Sarah. Tenho um diploma em arte. Posso trabalhar em museus. Se eu conseguir o emprego no Ministério, como vou dizer pra ela que eu vou trabalhar? Vou dizer “querida, consegui um emprego no Ministério da Magia inglês e vamos ter que nos mudar pra Inglaterra antes do que o previsto”? Não posso violar o Estatuto, Leon. Parece que você não entende.
— Eu entendo sim, mas parece que é você que não está me entendendo. Você não vai precisar violar nenhum artigo do Estatuto. Omita que é Ministério da Magia. Só diga que é num Ministério inglês.
— Já estou cansado de mentir por omissão. Ela é a minha mulher. Eu fiz votos de ser fiel a ela e já escondo coisas demais.
— O que você anda escondendo de mim, Klaus? — Sarah perguntou, entrando no porão — É por isso que eu não podia entrar aqui? Por causa disso? — ela apontou para a varinha acesa na mão do marido.
— Sarah, eu posso explicar. — Klaus tentou se explicar
— Não tem o que explicar, Klaus. Você mentiu pra mim e, pelo visto, ia mentir por muito mais tempo.
— Eu não estava mentindo porque queria. Só estava obedecendo regras.
— Regras que pedem que você minta pra sua mulher. Parece muito justo.
— Você acha mesmo que eu gosto muito de ter que mentir pra você? Que eu faço isso por diversão? Isso é pra te proteger, Sarah.
— Me proteger? Proteger de que, já que você mentia pra mim?
— Por favor, não me obrigue a fazer isso. Eu posso ir preso se contar a verdade.
— Eu te dou dez minutos pra me explicar o porquê desse graveto não ter queimado na sua mão e o porquê de você ter mentido pra mim por todos esses anos.
Antes que Klaus pudesse responder, Leon petrificou a cunhada. Klaus olhou pro irmão com ares de reprovação.
— Acredite, ela ia fazer um escândalo, você explicando razoavelmente ou não. — Leon se justificou
— Você vai preso. E ela vai ficar muito pior quando o efeito passar.
— Não, não. O pobre Cornelius acha que eu estou muito traumatizado pelas batalhas e que estou no mesmo nível de sanidade do Olho-Tonto.
— Sarah, eu sei que você pode me escutar e entender o que eu estou falando. Por favor, você precisa entender que eu não posso dizer tudo o que está acontecendo. O que eu posso te dizer que esse graveto não queimou a minha mão ainda por que isso é uma varinha. Mais ou menos como nos contos de fadas que a gente contava pras meninas quando elas eram menores. Não posso contar mais detalhes. Mas posso dizer que não contei pra você antes pra te poupar. Não queria que você e as meninas sofressem as consequências.
Leon bufou ao lado do irmão, puxando-o pra fora do porão.
— Não vai dar certo explicar, você sabe, não sabe? — comentou
— Tenho que tentar. Sei que Sarah não vai me perdoar assim tão fácil, principalmente depois de você petrificar ela.
— Se ela não conseguir entender que você fez isso pra protege-la, esse casamento já tava arruinado há muito, só vocês não sabiam.
Eles sentaram no sofá. Klaus ficou nervoso o tempo todo antes de Sarah sair do porão. Ela apareceu marchando e deu uma bofetada na cara dele.
— O casamento acabou. Assim que a gente voltar pra Munique, você sai de casa. O que você fez foi imperdoável. As meninas ficam sob a minha guarda. — ela murmurou ameaçadoramente
— O que eu expliquei não adiantou de nada?
— Você continua um mentiroso, Hoff.
— Vou apelar pro seu lado racional. Você quer a guarda das meninas? Fique. Mas pelo menos me dê a chance de visita. Por favor.
Os olhos de Klaus estavam marejados.
— Só nos finais de semana. E com supervisão. Nada de sair pela cidade com qualquer uma delas sem a minha permissão ou supervisão. Estamos entendidos?
— Sim.
— Ótimo. E nem invente de sair contando mentiras pras meninas.
— Você vai pelo menos pensar sobre o que eu te falei?
— Mentiras, Klaus. Você me contou muitas.
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