Touches You

28 Capítulo 27


Londres, 03:30 PM, 28/11/2013

Illya observava o sobrinho digerir a notícia.

— Como assim, tio? Como podem ter chegado lá no apartamento do vovô? — Miko questionou — Ele não estava em casa, estava?

— Não. Ele tinha saído, mas deixaram o apartamento praticamente aos pedaços. Por enquanto, ele vai ficar lá em casa, recebendo os cuidados de Cynthia, mas provavelmente vamos ter que arrumar algum outro lugar para ele ficar.

— Ok. Mas porque ele?

Illya olhou para os lados antes de responder quase num sussurro, para que só o sobrinho pudesse ouvir.

— Eu tenho uma teoria. Alguns aurores me acham maluco por ela, mas um bom número deles concorda comigo que faz algum sentido. Sua namorada é mestiça, não é? — Miko concordou com a cabeça — Acho que os seguidores desse Lorde das Trevas estão querendo atingir ela de alguma forma e acham que você é uma chave para isso. Porque, para eles, você instável, significaria ela desestabilizada por consequência. E algum deles deve ter descoberto o seu apego à família.

— Faz sentido. Já falou isso com o pai dela? Porque a gente pode tentar fazer um esquema de segurança um pouco mais robusto.

— Já falei com o Hoff. Ele pareceu bastante nervoso com essa situação, mas disposto a cooperar. Podemos estudar algum plano de segurança com ele mais tarde.

Os dois começaram a caminhar, tentando chegar a um acordo sobre como seria feito esse novo esquema de segurança, levando em conta os riscos que as duas famílias estavam levando.

Enquanto tio e sobrinho discutiam suas táticas de segurança, no Ministério, as fofocas em relação ao ataque à Astrid circulavam com toda força. Em alguns espaços, se especulava uma possível gravidez da jovem. Algumas das teorias que se formavam chegaram aos ouvidos do Ministro, que temeu que os boatos se transformassem em algo maior e aumentasse, ainda mais, a crise de confiança no seu governo.

— Hoff, teria alguns momentos para uma conversa? — Fudge chamou, batendo à porta — Garanto que o assunto é de seu interesse.

Klaus seguiu o ministro para seu escritório. Uma vez lá dentro, os dois se encararam seriamente.

— Como você já deve saber, uma de suas filhas foi atacada de maneira Muggle durante o treinamento do banco Gringotts e foi levada a um hospital Muggle no centro de Londres. — começou o ministro

— Sim, senhor. Já estou ciente disso. E também já estou ouvindo alguns dos rumores que correm sobre ela. Como deve imaginar, praticamente todos eles são falsos e sem um pingo de fundamento.

— Sim, sim, imagino. Mas também acredito que você queira saber que esses boatos podem ser muito danosos, não só para a sua filha, mas para o restante da sua família e podem até atingir o Ministério. Porque, para a sorte dela, os duendes não dão ouvidos às especulações e boatarias humanas, mas o restante da comunidade bruxa não compartilha do mesmo comportamento.

— Compreendo, ministro. Mas acredito que dei uma educação boa o suficiente para as minhas filhas, principalmente em relação ao que afeta não só a elas. E também acredito que a Astrid vai saber contornar a situação. Pelo que conheço da minha própria cria, sei que ela, mais cedo ou mais tarde, vai fazer algum tipo de pronunciamento para deixar as coisas claras.

— Espero que esteja certo, Hoff. E também espero que a sua filha escolha o momento propício para falar.

Godric’s Hallow, 07:40PM, 28/11/2013

Astrid subiu as escadas perecendo uma criança que estava voltando para casa depois de umas férias particularmente ruins.

— Astrid Sabine Hoff! Pare de agir feito criança! — ralhou Sarah, que ia em direção à cozinha — Você pode abrir os pontos desse jeito!

— Tá tudo tranquilo, mãe! — a jovem gritou de volta — Amanhã, logo cedo, passo no St. Mungus e não vou ter nenhuma cicatriz, pode ter certeza!

— Assim espero!

A garota se jogou na própria cama, feliz por estar de volta em casa. A experiência de ter que ficar num hospital o dia praticamente inteiro sem nenhuma novidade a deixou cansada, mas ainda assim estava orgulhosa de ter conseguido cumprir a missão que os duendes deixaram em suas mãos.

Lembrou-se da visita de Sirius e Remus. Pela forma que os dois agiam, Astrid começou a imaginar que já estariam rodando, por todo o mundo bruxo inglês, rumores sobre o atentado daquele dia. Sentiu que, daquela vez não poderia simplesmente ignorá-los, como fizera com tantos outros que já surgiram a seu respeito. Sabia que, em algum momento, teria que ir a público falar sobre o que tinha acontecido. Talvez até desmentir alguma coisa, que ainda não sabia o que era.

Quando ouviu a porta de entrada bater, se sentou na cama, estranhando o barulho. Pela hora, Sarah já estaria no quarto, tomando banho antes de tentar assistir algum noticiário deitada na cama. Não esperava visitas, sua mãe avisaria se fosse sair e imaginava que, pelo horário, seu pai estaria em casa, provavelmente no quarto engraxando os sapatos para o trabalho no dia seguinte. Pegou sua varinha no cós das calças e desceu as escadas com a varinha empunhada, atenta a qualquer barulho que soasse estranho.

Assim que chegou no piso inferior, viu que era seu pai. No alívio, abaixou a varinha.

— Ich habe geschworen, dass Sie bereits in Ihren Zimmer glänzende Shuhe waren. — reclamou a jovem (Tradução: Jurava que você já estava no seu quarto engraxando os sapatos.)

— Astrid — Klaus suspirou, abraçando a pequena — Nunca mais dê um susto desses.

— Garanto que faço o meu melhor. Agora, o assunto sério e chato do momento que temos que falar sobre. Preciso saber os rumores sobre minha pessoa. Porque duvido que a Alemanha queira tanto assim os dragões e caldeirões ingleses a ponto de fazer você voltar a essa hora pra casa. — Astrid falou soltando o abraço — Quero e preciso saber o que esses rumores dizem.

Klaus se sentou no sofá mais próximo, tirando a capa e os sapatos.

— Basicamente, os rumores envolvem uma possível gravidez sua, algum tipo de traição de sangue com o cara que te atacou ou que você foi atacada num tipo de vingança qualquer.

— O que é tudo mentira. Não temos nenhum bebê no caminho, nenhuma vingança e, tecnicamente, nenhuma traição de sangue. E como eu faço pra desmentir tudo isso?

— Já pensou em mandar uma coruja pro Prophet pra ver se eles publicam?

— Sério? O Prophet? Eles já publicaram tantas mentiras e tantas coisas que eles sequer deveriam saber, sem contar que não deveriam ter ido a público que seria um pouco irônico demais eu ir anunciar a verdade neles.

— E qual a outra opção que você tem em mente?

— Sei lá. Talvez fazer um pronunciamento no St. Mungus amanhã de manhã quando eu for tirar os pontos. Ou então pedir aos duendes que, pelo amor de Merlin, eles me deixem botar a situação às claras. Porque também vai feder pra eles, se essa história sair do controle. O que eu sinceramente acho que não vai demorar muito para acontecer.

Klaus coçou o queixo.

— Agora, outro problema. O que a sua mãe sabe, efetivamente, dessa história toda?

— Acho que só o mínimo para ela tirar as conclusões dela. Eu me feri de faca durante o treinamento, o mesmo cara que me atacou foi quem me levou pro hospital e entrou em contato com você. Ela já acredita piamente que eu sou completamente doida por ainda querer ser caça-recompensas e não me ver em outra profissão. Inclusive, passou o caminho todo até aqui reclamando disso. Não contei nada sobre a visita de Illya Thompson ou sobre os possíveis rumores no mundo bruxo.

— Ótimo. Quanto menos ela souber sobre isso, menos ela vai se preocupar com as repercussões dos teus passos. Qualquer coisa, dê uma desculpa, diga que é um procedimento normal do treinamento. Mas em momento nenhum diga que você tá planejando um pronunciamento sobre rumores bruxos. E me conte da visita de Illya.

— Ele chegou, fez algumas poucas perguntas e logo depois saiu do quarto com Miko. Disse que as perguntas eram só de procedimento padrão do Ministério. Mas tenho a impressão de que ele terminou o interrogatório com Miko com as perguntas restantes que deveriam ter sido feitas pra mim.

— Não seria de todo estranho. Illya é tio do Miko, então é mais fácil ele ter as respostas que quer do próprio sobrinho do que de você.

— Como se eu fosse uma pessoa muito difícil de se obter respostas.

— Quando se trata de respostas diretas, você é horrível, Astrid.

— Isso é um absurdo, você sabe, não é? Melhorei infinitamente nesse quesito.

Antes que Klaus esboçasse uma reação, uma coruja passou voando pela cabeça do homem, pousando no sofá ao lado de Astrid. A jovem pegou a carta presa no bico do animal, que saiu pela mesma janela que chegou. Só pela caligrafia no envelope, Astrid reconheceu a carta como de Lily.

“Asta,

Fiquei sabendo do que aconteceu pelo James. Remus e Sirius também me contaram que você parecia muito bem, principalmente para alguém que tinha acabado de ter sido atacada. Agora, eu queria saber por você. Como você realmente está? Por favor, me responda com sinceridade, mesmo que isso inclua seus comentários sarcásticos.

Amanhã devo ir para Godric’s Hollow me encontrar com o James lá pela hora do jantar. Se você quiser, posso passar aí para a gente conversar antes ou depois do jantar. Você decide.

E sobre o curso de auror do Ministério: EU NÃO AGUENTO MAIS. É muita coisa! Nem na Ordem a gente aprende tanta informação. Mas por outro lado, estou com um pouco de medo das provas. Elas começam daqui a umas duas semanas. Estou estudando feito uma doida com o James e o Sirius, mas nada parece o suficiente.

Esperando a sua resposta,

Lily Evans”

— Pai, depois de uma interrupção dessas, acho que já dá pra gente encerrar a conversa. — Astrid comentou

— Vai logo responder essa carta, vai. — Klaus respondeu, como se já tivesse lido a mente da filha — Mas amanhã eu vou ter que te acompanhar até o St. Mungus, ok?

— Sem problema, apesar de eu achar que não precisa.

Astrid voltou pro quarto e começou a escrever uma resposta para a amiga.

“Lily,

Pode aparecer aqui em casa a qualquer momento amanhã, principalmente por que acho que não vou poder trabalhar, de todo jeito. E eu estou bem, de verdade. Os meninos não estavam mentindo. Só tive uma queda de pressão depois da facada, mas não foi nada que mereça muito alarde. Precisei levar alguns pontos, mas como disse antes, nada de mais.

Sobre o convite do James para jantar, minha opinião: ele tá tramando alguma coisa que pode envolver um anel caro e um pedido. Você é inteligente o suficiente para ligar os pontos e entender o que isso significa. Por isso, prefiro que você venha conversar comigo antes de ir jantar com ele. Não quero estragar a sua noite com o James.

O seu ataque de pânico para as provas do Ministério me lembrou de Karo Königsmann, que estudou comigo em Durmstrang. Assim como você, ela sempre foi a melhor aluna da turma, tirando as notas mais altas nas provas. Quando tivemos os OWLs, ela teve um acesso de insegurança, crente de que não ia sequer passar nas matérias que precisava para ser medibruxa. No fim, ela tirou uma nota boa o suficiente para pedir o cargo de assistente júnior do ministro alemão. Você é uma Karo nascida trouxa e inglesa. Então não me faça repetir pra você o que eu disse pra ela: você vai passar, Lily Marie Evans.

Até amanhã, ruiva,

Astrid

(AKA: menina chucrute)”

— Pai, onde está a Dorothy? — Astrid perguntou, batendo na porta do quarto dos pais

— Droga! Seu tio pediu ela emprestada para resolver um assunto. Tenta ver com aquele seu amigo que mora aqui do lado, o Potter, se ele pode emprestar a coruja dele.

— Tá certo. Volto já. — a garota deu meia volta e virou pra falar — E mãe, não se preocupa, tá? Eu to bem. Se quiser, a gente pode ter uma conversa com Oma Hoff pra ela explicar todo o funcionamento da carreira de um caça-recompensas.

— Só quero poder ter a certeza de que você volte o mais inteira o possível pra casa. É pedir demais? — Sarah reclamou

— Quando foi que eu cheguei 100% inteira em casa, mãe?

— A pirralha tem razão, Sarah. Vamos dar um crédito a ela?

— Ouve o papai, mãe. Amo os dois. Já volto da casa dos Potter.

Astrid desceu as escadas correndo e foi para a casa do amigo. Assim que tocou a campainha, Dorea Potter abriu a porta.

— Olá, senhora Potter. Tudo bom com a senhora? — Astrid cumprimentou

— Oi, Astrid. Entre.

— O James está?

— Ele está no quarto dele com o Sirius. Pode ir lá.

— Muito obrigada.

Assim que chegou no piso superior da casa dos Potter, Astrid pôde ouvir as vozes dos amigos, revezando piadas com risadas.

— Boa noite, meu amigo chifrudo e meu amigo pulguento.

— Adoro a sua sutileza alemã, menina chucrute. — brincou James — Senta aí. O que você quer a uma hora dessas da minha pessoa?

— Quem garante que eu quero alguma coisa de você? Eu poderia querer alguma coisa do Sirius.

— O furão sabe disso?! Que você tá corneando ele com o nosso pulguento?

— James, bem menos. Eu só quero uma coruja emprestada pra mandar uma carta pra sua namorada. Não tenho interesse em infectar meu furão com pulgas.

— Vocês tão me ofendendo! — Sirius protestou

— Qual foi a última vez que você usou a loção anti pulgas, Sirius? — Astrid perguntou

— Semana passada! Mesmo a informação não sendo do seu interesse.

— Também te amo, Padfoot. Sim, coruja, empresta, sim ou não?