Touches You

21 Capítulo 20


Londres, 08:30AM, 22/06/2011

Miko ainda olhava para o envelope incrédulo. Ele tinha recebido a carta na noite anterior, mas não criara coragem para abrir o envelope e ler seu conteúdo. Sentia que, se lesse a carta, tiraria uma tonelada das suas costas, já que não tinha notícias concretas da alemã há um bom tempo. Respirou fundo e decidiu que já era pra ele ler a carta e dar alguma resposta, mesmo que mínima para a garota.

Leu a carta lembrando da voz de Astrid, imaginando ela falando todas aquelas palavras com o sotaque forte e grosseiro da menina. Não sabia exatamente como reagir àquilo. Queria sair correndo para a estação de trem e comprar uma passagem só de ida para Munique, mas ainda se sentia em dúvida sobre como Astrid iria reagir com a sua presença. Assim que terminou de ler a carta, Miko pegou uma folha de papel e começou a escrever uma resposta.

“Asta,

Não sei se você sabe, menina chucrute, mas eu estava louco pra voltar a falar com você. Desculpa por não ter tomado a iniciativa de quebrar o gelo. Não sabia como você ia reagir e fiquei com medo de receber um berrador recheado com grosserias e ofensas de volta.

Desde que você foi para a Durmstrang, as coisas deixaram de ser tão animadas. James e Lily continuam namorando, o que leva a bem menos gritos pelos corredores e mais uma companhia para os jogos de Quidditch, mesmo os da Ravenclaw. Marlene e Sirius continuam sem admitir que gostam um do outro, o que não é muito uma novidade.

Lily brigou muito feio com o Severus, porque ele se juntou com uns Slytherins e veio com aquelas ideias de “livrar a comunidade bruxa da influência Muggle”. Você pode imaginar o tamanho que a briga não teve. Frank, Alice, Marlene, Hestia e James (sim, o mesmo James Potter que vivia perseguindo e azarando o garoto) tiveram que interferir antes que Lily matasse Severus de uma forma bastante cruel. (O que, na minha humilde e sincera opinião, foi bom, mas seria interessante se ele tivesse ficado com alguma cicatriz das pancadas que a Lily dava nele)

Eu fiquei meio na mesma, sem nada de muito novo. Continuo com a velha cicatriz na mão, não me meti em encrencas e tive mais algumas aulas extras antes de Dumbledore achar que eu já estava aprendendo mágica avançada demais para alguém da minha idade. Fora isso, não tenho nenhuma novidade. Minha vida foi basicamente estudar para os OWLs e assistir os jogos de Quidditch, além de presenciar os dramas entre Lily e James.

Será que seria interessante eu conhecer Munique?

Sinto muito a sua falta, garota.

Até a próxima,

Miko”

Munique, 09:25AM, 30/06/2011

— Sabine! Preste um mínimo de atenção, por favor. — reclamou sra. Hoff pela milésima vez

— Oma, não dá. Eu não aguento mais ouvir falar dos vários tipos de dragão que existem e o que diabos eu faço com cada um deles.

— Você quer ou não quer ter algum emprego?

— Querer, eu quero, mas não sei se eu quero ser caça recompensas. É muito interessante e tudo mais, mas não acho que é isso que eu quero pra minha vida.

— Olhe, na atual situação, ou você acaba fazendo como seu pai, que foi fazer uma faculdade Muggle e trabalhou com arte, ou você se dedica a esse treinamento.

— Tá, talvez eu esteja cogitando fazer como a Leslie e vá de volta para uma escola Muggle e faça alguma coisa nessa linha. Talvez até vá virar advogada como a mamãe. Porque não sei se eu quero viver dependendo do meu conhecimento do nível de periculosidade de dragões ou de qualquer outra criatura mágica.

A avó da menina revirava os olhos. Não era a primeira vez só aquela semana que tinha que lembrar a garota de que aquilo definiria a capacidade ou não de conseguir um emprego. Tampouco era a primeira vez que a jovem levantava a possibilidade de ter uma vida da maneira Muggle. Mas na situação de uma guerra, não era possível abrir mão da vida bruxa, a matriarca Hoff sabia disso.

— Astrid, eu tenho uma proposta pra você. — ofereceu sra. Hoff

— Estou ouvindo.

— Vamos começar a definir algumas metas pra você atingir por quinzena. Se você atingir ou superar, pago o ingresso pra você assistir um jogo do Bayern. Mesmo que seja um jogo fora de casa.

— Oma, a senhora sabe o que está prometendo, não sabe?

— Posso ter ficado velha, mas ainda tenho bastante noção do que eu falo, garota. Então, vai querer ou não?

— Não precisa nem perguntar duas vezes. E pode preparar o bolso, porque o próximo jogo do Bayern é em Berlim.

— Onde em Berlim?

— Não sei exatamente ainda. Acho que é no Olympiastadion. Mas posso procurar depois. Agora vamos voltar aos dragões. Como é a conversa com o Verde-Galês-Comum, mesmo?

— Ele é o mais dócil e prefere se alimentar de carneiros.

Londres, 02:30PM, 30/06/2011

Miko ria das reações de Lily ao ler a mais nova carta de Astrid.

— Tá vendo? É só a gente rezar pra que esse time que a nossa menina chucrute torce vir pra Londres. — o garoto explicou

— Como sequer se fala isso? — Lily apontou para uma palavra no papel — Eu ainda morro tentando entender o que é isso.

— Lily, esse é o nome do time. E que tipo de nascida Muggle é você que não sabe o nome do Bayern?

— É O QUÊ?! A Astrid torce pro Bayern de Munique?! Essa menina é louca. Ela poderia torcer pro Bayer Leverkusen, pro Borussia Dortmund, qualquer outro time alemão.

— Até parece que tu não sabe que Astrid é completamente bairrista. E é óbvio que ela iria torcer prum time de Munique. E iria fazer questão de chamar pelo nome oficial. — o garoto torceu o nariz — Mas isso é meio que o charme dela.

— Para, Miko. Daqui a pouco me afogo nas suas babas. Já entendi que você é alucinado por ela desde antes dessa história toda de vocês ficarem sem se falar.

— Também te amo, Lily.

James entra no quarto da namorada batendo a porta, com o sorriso que era sua marca registrada.

— Notícias da nossa menina chucrute? — o moreno perguntou

— Só que a gente precisa rezar para que o Bayern München venha para Londres. — Miko respondeu — Aí a gente tem chances de ver a garota.

— E Bayern seja-lá-o-que-você-falou é...?

— Um time de futebol da cidade de Astrid, que por sinal, é o time que ela torce.

— E o que é futebol?

— Lily, por favor, explique o mundo Muggle pro seu namorado. Não quero ter que explicar o mundo da minha, infelizmente, ex-namorada pra ele.

— Vai, me explica logo o que é futebol, menino do deserto.

Miko respirou fundo, tentando fazer o caminho inverso do que sempre fez com seus primos menores nascidos Muggle.

— No quesito popularidade, futebol é o Quidditch Muggle. São dois times, cada um com onze pessoas em campo. O objetivo é fazer mais gols em dois tempos de 45 minutos cada um. Cada gol vale um ponto, e só é feito quando a bola entra na rede. Não se usam vassouras, varinhas ou bolas mágicas. Só uma bola. Pra chegar a fazer o gol, você tem que ir chutando a bola até o campo adversário e chutar em direção ao gol.

— A gente pode jogar isso aqui? Eu sei que somos só três, mas a gente poderia chamar o Moony e o Padfoot pra se juntar ao jogo. Talvez até o seu irmão e umas amigas da Lily.

— James, você tem certeza de que quer fazer mais um esporte? — Lily perguntou incerta

— Claro que eu quero. Principalmente se for divertido como Miko descreveu.

Lily olhou para Miko e decidiu ligar para os amigos. James começou a procurar pelo quarto da namorada por alguma coisa que pudesse ser usada como bola.

— James, vou pedir pro meu irmão trazer a bola. Relaxe aí, por favor. — Miko já estava com uma cara de quem não estava com muita paciência

— Então fale logo com o Max. Quero ver se futebol é tão bom quanto soa.

Miko tirou o celular do bolso e discou o número de casa. Antes do terceiro toque, Max atendeu.

— Residência dos Thompson, bom dia.

— Max, sou eu. Olha, to na casa de Lily e James tá aqui insistindo por um jogo de futebol. Quer vir? A Lily tá chamando os outros amigos de James e algumas das meninas.

— Pode ser. Vou ter que levar a bola, não vou?

— Pelo amor de Merlin, sim. Ou então James vai acabar revirando a casa de Lily e não vai achar nada.

Lily olhou ansiosa pro amigo, perguntando silenciosamente se tinha conseguido a presença do irmão.

— Lily, fique tranquila. Teremos o meu irmão e a bola. — Miko respondeu — Max, vamos realmente precisar da bola. Tem a que tá no meu quarto, perto da minha estante.

— Ok. Daqui a pouco chego aí. Só uma coisa. A irmã Muggle de Lily não tá aí não, né?

— Não. Ela foi sair com o namorado doido dela.

— Ok. Chego aí em uns 15 minutos.

Lily, James e Miko foram para sala. Os dois que já tinham conhecimento de futebol ficaram explicando detalhadamente as regras do jogo pro Marauter. Quando Max chegou com a bola, James quase arrancou da mão do garoto antes de sair correndo para o quintal.

O grupo começou a organizar um campo improvisado para a partida. Toda vez que chegava mais alguém, o grupo recomeçava a explicar as principais regras do jogo. O último a chegar foi Sirius, que rapidamente entendeu as regras.

— Nada de colocar o casal Potter no mesmo time! — gritou Sirius quando os times começaram a ser divididos

— E porque não, Padfoot? — James perguntou

— Ela vai te distrair e a gente vai perder.

O grupo riu da piada, mas ignorou completamente o conselho de Sirius na separação dos times. Apesar de jogar Quidditch, Sirius se saiu mal no futebol e foi motivo de piada por parte de James.

— Isso, veado. Vai rindo. O que é seu tá guardado. — reclamou Sirius depois de perder o quinto gol

— Ah, qual é, pulguento? Vai reclamar porque tá indo mal num esporte Muggle? E eu já disse que é um cervo, não um veado.

— Grandes merdas. Vamos parar de brigar, por favor? Quero voltar a jogar. — reclamou Miko

— Não se mete, furão! — James e Sirius gritaram em uníssono