Touches You
12 Capítulo 11
Londres, 08:00 AM, 23/12/2010
Astrid estava sentada encolhida no canto da cama. Estava enroscada com o cobertor, observando o namorado dormir na cama ao lado. Conseguia ouvir o barulho da sogra mexendo nas panelas andares abaixo. Tentou imaginar como a sua mãe estaria lá em Manchester, somente com Leslie e Max como companhia para o Natal e Ano Novo. Astrid estava tão imersa nos seus pensamentos que não percebeu que Miko tinha acordado.
— Biene? Cê tá bem? — Miko perguntou, chegando perto da namorada.
— Oi? — ela voltou à realidade — To bem. Tava pensando na minha mãe.
— Ela sabe que você tá aqui em Londres. E o seu pai combinou que viria te pegar no dia da audiência ou se a tua mãe enlouquecesse de vez e decidisse passar lá. Além do mais, ela tem a Leslie e o Max pra ficar de olho.
— Quem dá trabalho pra minha mãe sou eu, não a Leslie. A Leslie sempre foi a santa.
— O Max está lá, esqueceu? Enfim, vamos descer, ou então a minha mãe vai pensar que eu estou fazendo alguma coisa inapropriada com você e eu estou morrendo de fome, fräulein Hoff.
— Tá falando alemão agora, é?
— Só sei falar fräulein mesmo.
— Então, Herr Thompson, lasst uns essen.
— O que você acabou de falar?
— Pra gente ir comer.
— Tem certeza de que não estava me insultando?
— Herr significa senhor.
— Ah, mais tarde eu posso te levar até a casa do seu pai. A gente pega um metrô e chega rapidinho.
— Não precisa me levar. Eu vou e passo mais ou menos uma hora por lá e volto.
— Sim senhora.
Miko puxou Astrid pelo braço e colocou ela nas costas. No mesmo instante, a menina deu um grito assustado.
— Michael Dawud Thompson! Me bota de volta no chão agora! — Astrid gritou apavorada
— Se ficar gritando eu não boto de volta.
Poucos segundos depois, se ouve uma batida vindo do alçapão que leva ao quarto.
— Michael, deixe de besteira e desça com a Astrid. O café está pronto. — falou Samira através da porta
— To indo, mãe — o menino respondeu rindo
Ele colocou Astrid de volta no chão e os dois foram para a cozinha. O cheiro de ovos com bacon e várias outras coisas reinava no ambiente. A menina sentou numa cadeira e olhou abobalhada para mesa a sua frente. Notando o espanto de Astrid, Samira riu.
— Acho que nunca vi tanta comida com uma aparência tão boa junta dentro de casa. — Astrid comentou — Minha mãe não tinha muito tempo pra cozinhar, então era cada um por si e Deus por todos.
— A mãe dela trabalha muito, sabe como é... — Miko tentou desculpar o deslumbre da namorada
— Tem problema não. Pode falar. Eu normalmente não cozinho tanto, só quando tenho folga da loja. — Samira falou
— Bacon, mãe? Bacon? — Miko questionou quando viu os ovos com bacon.
— Qual o problema? Eu não como, mas ela pode comer.
Astrid se serviu com um pouco de cada coisa que estava na mesa. A cada garfada ou mordida em cada coisa que ela dava, vinha um elogio novo. Mal sabia Astrid que, do outro lado da cidade, seu pai estava tendo que dar uma desculpa pra Sarah sobre a ausência da filha.
— Ela foi pra casa de uma amiga, Sarah. Não vou atravessar a cidade nesse frio pra buscar Astrid só pra você dizer “oi” e reclamar com ela. — Klaus reclamou — Aposto que você também ficaria em casa se estivesse no meu lugar.
— Você fala isso porque não tem capacidade o suficiente pra alugar um carro que seja.
— E você tem? Quem é que vive andando de trem e de ônibus? Carro é caro, Sarah, não sei se você sabe. E seria um gasto completamente inútil pra mim.
— Mas as cervejas do Leon não são gastos inúteis.
— O que as cervejas do Leon têm a ver com o fato de você estar implicando comigo por eu não ter um carro?
— Tem tudo a ver, Klaus. O dinheiro que é gasto com a cerveja de Leon poderia ser revertido para a manutenção de um carro.
— É? E quem iria usar o carro? Você?
— Não me venha com gracinhas. Já que você não usa meios de transporte convencionais, como você vai pro trabalho, hã? Voando num tapete voador?
— Não é uma má ideia. Mas eu uso uma coisa que você chama de tele... Tele... — ele estalava os dedos, como se estivesse tentando chamar a palavra certa.
— Teletransporte.
— Isso. Teletransporte. Não preciso de uma máquina pra isso.
— Então porque você não se teletransporta pra casa da amiga da Astrid, pega ela e volta, já que é tão simples pra você?
— Você está aqui, não está? Eu não posso fazer qualquer tipo de magia na presença de pessoas não bruxas. Parece que você nunca vai entender isso.
— Me prove que você não está mentindo.
Klaus se dirigiu até a estante no fundo da sala pisando duro e retirou um livro relativamente fino de encadernação em couro. Jogou na mesa entre ele e Sarah.
— Tá aí. Toda a legislação bruxa. A alemã e a britânica juntas. Todas as leis extras que eu tenho que obedecer. Não posso ir preso se for você que descobrir sozinha.
Sarah começou a ler o livro. A cada página lida, sua feição mudava. Ia de espanto a admiração e entendimento. Percebia que, em momento nenhum, Klaus estava tentando enganá-la. Muito pelo contrário. Estava tentando protege-la de uma possível punição dupla: perder o marido e a memória. Pouco antes de terminar de ler, derrubou as primeiras lágrimas.
Durante anos puniu Astrid por ser tão parecida com o pai. Fez com que a filha passasse por um inferno desnecessário só porque ela lembrava o homem que Sarah tanto amava e ela, Sarah, acreditava que tinha a traído. Fez com que Leslie também sofresse por coisas que nem Astrid nem Leslie tinham culpa. E agora estava prestes a fazer as filhas — mais especificamente a Astrid — ter que escolher entre o pai e a mãe por ela, Sarah, não saber perdoar um cumprimento de lei.
Sim, porque tudo o que Klaus fez foi cumprir a lei. Não falou sobre ou fez magia na frente de Sarah e das filhas para não ser preso e para não ter a memória de sua família apagada. Ela não conseguia colocar em palavras tudo o que sentia. Queria pedir perdão a Klaus por tê-lo feito sofrer longe das filhas por tanto tempo. A Astrid por todas as broncas e gritos causados por comportamentos que assemelhavam ao do pai. E a Leslie, assim como a Astrid, por tê-las privado de um contato com o pai e com o mundo que elas realmente pertenciam.
— Astrid não está estudando no St. Mary, está? — foi a primeira pergunta que Sarah conseguiu fazer
— Não. Ela está em Hogwarts.
— Que escola é essa?
— Uma das melhores escolas de magia oferecidas em toda a Europa. Melhor até do que a que eu fui.
— Que tipo de escola? E onde fica?
— Internato. Os alunos só podem sair pro Natal, pra Páscoa e pras férias de verão. Fica em algum lugar na Escócia.
— E porque ela e a Leslie não foram antes? Aqui diz que...
— Toda e qualquer criança com menos de onze anos tem o direito de cometer atos de magia sem punição, mas que a partir dos onze tem que ter a instrução necessária para controlar a magia. — Klaus interrompeu — Eu sei qual é a lei. Foi isso que me assustou quando percebi que nenhuma das duas tinha mostrado sinais de magia aos sete nem estava frequentando nenhuma escola de magia. Nem Hogwarts nem Durmstrang, que foi a que eu fui. Achei que elas tinham puxado a você nesse aspecto e simplesmente não tivessem nem uma gota de sangue mágico nas veias. — enquanto falava, Klaus parecia muito mais velho do que realmente é — No meu mundo, filhos de bruxos que não se tornam bruxos são chamados de Squibbs. Os Squibbs sofrem muito preconceito e eu tinha medo do que Astrid e Leslie poderiam sofrer. Mas o que eu só fui perceber depois foi que as duas tinham sim apresentado ter magia, mas de uma forma que eu não consegui identificar de cara.
— Isso ainda não explica o porquê delas não terem sido chamadas antes.
— Foi um escândalo. — Klaus continuou como se não tivesse ouvido a queixa de Sarah — Duas alunas terem sido esquecidas de Hogwarts. Isso era considerado inadmissível e impensável. O velho Albus Dumbledore teve problemas. Questionamentos foram levantados a respeito da credibilidade da escola. Quando soube que as alunas eram a Leslie e a Astrid, não sabia se ficava feliz por saber que elas não sofreriam, em momento algum, o preconceito sofrido por Squibbs ou se ficava preocupado com qual seria a sua reação em relação a isso.
“O fato da Astrid pedir para passar as férias por aqui comigo e eu ter dito que a matricularia na St. Mary foi simplesmente uma forma de justificar a permanência dela longe de Manchester. A Leslie decidiu não ir. Ela bateu o pé dizendo que não queria ser uma excluída da sociedade. Astrid fez questão de me mandar cartas mostrando como estava lá em Hogwarts como forma de compensar a desistência da Leslie.”
— Posso ler alguma carta? — Sarah pediu envergonhada
Sentado no sofá, Klaus apontou pra escrivaninha que estava ao lado da estante. As cartas estavam empilhadas no centro na escrivaninha e todas tinham a caligrafia inclinada de Astrid. Sarah leu as cartas tentando imaginar a resposta de Klaus. A cada letra, palavra e frase, Sarah percebia que a filha estava bem e progredindo. Não entendia vários termos, isso era fato, mas conseguia entender a ideia da frase. Sentiu uma mão no ombro.
— Entendeu porque eu sempre quis que você me entendesse? Era por isso. Pra evitar que a Astrid tivesse que passar por isso. — Klaus apontou pra uma frase na carta. — “Estou morrendo de medo da reação da mamãe e da Leslie quando souberem que prefiro ficar com você.”. Esse tipo de pensamento que eu queria evitar. Sua filha está com medo da sua reação.
— Já to me sentindo mal o suficiente, Hans. Não precisa me lembrar que a minha filha me acha um monstro.
— Ela tão te acha um monstro. — Klaus passou o braço para abraçar a ex-mulher por trás — A Astrid só tem medo da sua reação, não de você. Ela sabe separar esse tipo de coisa.
Sarah recolocou as cartas em ordem e em cima da escrivaninha. Tentava não derrubar mais lágrimas, mas, em pouco tempo, não conseguiu mais e as derrubou. Há muito tempo ansiava sentir a segurança que só os braços de Klaus a proporcionavam.
— Desculpa, Hansi. — ela falou entre soluços.
Sentiu o abraço se apertar em volta da cintura e lembrou-se do tempo em que nada daquela confusão estava sequer para começar.
Haviam acabado em chegar de Londres e de desempacotar as coisas pra passar o Natal. As duas meninas corriam pela casa cantando canções natalinas alemãs. Klaus e Sarah, sentados no sofá, olhavam felizes as filhas correrem pela casa, e, volta e meia, mandando elas terem cuidado.
— E quando elas tiverem que ir pra escola, Hansi? Como é que vai ser? Não sei por quanto tempo mais vou conseguir adiar a minha vinda. — Sarah perguntou — E elas não sabem nada de inglês. Elas precisam aprender.
— Elas vão desenrolar. Principalmente a Astrid.
— Mama! — Astrid gritou de perto da árvore de Natal
— Oi, Astrid.
A menina apontou freneticamente pro embrulho colorido na sua frente e começou a gritar pelo papai Noel em alemão.
— Santa, mama, Santa!
Com a maior velocidade que seus pequenos dedos permitiam, Astrid rasgou o embrulho e viu, com alegria, que a boneca pedida foi entregue.
— Ich mag nach Santa danken? — perguntou a pequena menina (Tradução: Como faço pra agradecer a papai Noel?)
— Er wird wissen, dass Sie dies gern. Es ist magisch. (Tradução: Ele vai saber que você gostou do presente. Ele é mágico.)
A sensação de agradar a filha era inexplicável e indescritível para Sarah. O presente teoricamente enviado por papai Noel e a alegria de Astrid em receber era extremamente gratificante. As horas gastas na procura da bendita boneca e na fila do caixa não pareciam nada em relação ao sorriso estampado no rosto da menina.
Mas aquela lembrança não era nada mais do que passado. Astrid não é mais a menina de cinco anos que acreditava em papai Noel e que pedia bonecas e livros infantis de presente. Sarah e Klaus não estavam mais juntos. Não formavam mais aquela família unida de dez anos antes.
— Sinto falta, Hansi. — Sarah murmurou, alisando o ventre liso.
— Do que você sente falta, Sarinha?
— Das meninas aqui.
— Sabe do que eu sinto falta, Sarah?
— Do que?
— Disso.
Klaus virou a ex-mulher e a beijou. O beijo foi correspondido e aprofundado, compensando todos os anos não compartilhados. Mãos bobas rolaram por toda a parte e logo Sarah estava desabotoando a camisa de Klaus. Mas antes que qualquer coisa fosse feita, a campainha tocou. O casal se afastou constrangido pela situação. Klaus se recompôs e foi abrir a porta.
— Papa? Sag nir nicht, dass dieser Kerl war geschwollen Getränk Onkel Leon. — Astrid falou (Tradução: Pai? Não me diga que essa cara inchada foi bebida do Onkel Leon.)
— Nein, nicht das Getränk der Leon. Deine Mutter ist da. (Tradução: Não, não foi a bebida do Leon. Sua mãe está aí.)
Ao ouvir a frase, Astrid avaliou o pai de cima a baixo.
— Ah, natürlich. Sind Sie wollen zu “alten Zeiten” zurück. (Tradução: Ah, claro. Vocês estão querendo voltar aos “velhos tempos”.)
Klaus ficou vermelho com o comentário da filha, mas fez com que ela entrasse em casa. Astrid tirou a neve que tinha caído no cabelo e o casaco. Os dois foram pro escritório, onde a lareira estava acesa. A visão de uma Sarah com olhos inchados e vermelhos, assim como os lábios, assustaram um pouco Astrid.
— Gee, Papa, Mama erforderlich, auf diese Weise zu zerstören? — Astrid tentou brincar com a situação. (Tradução: Poxa, pai, precisava destruir a mamãe desse jeito?)
Sarah ignorou o comentário da filha e a abraçou. Derramou mais algumas lágrimas.
— Mãe, tá bom. Eu estou inteira, tá vendo? Não perdi nenhum braço nem nenhuma perna. Não precisa chorar.
— Filha, desculpa.
— Desculpa pelo quê, mãe? Você não fez nada.
— Te separei disso tudo.
Astrid olhou confusa pra mãe. Sabia que a mãe havia a separado do pai e que, teoricamente, não tinha a menor noção da existência de Hogwarts.
— Seu pai me contou. — Sarah falou enxugando as lágrimas — Ele me explicou porque inventou que você estava no St. Mary. Eu te afastei disso. Afastei a Leslie também.
— Mãe. Você se sentiu traída pelo papai. Não vou dizer que a sua reação foi certa, mas foi justificada. Tirando o papai, acho que eu fui a pessoa que mais se chateou com a distância.
— Como é a escola?
— Você sabe de Hogwarts?
Astrid avaliou o rosto da mãe, que balançava a cabeça em concordância. Tentava arranjar algum traço de mentira ou de desafio, mas não encontrou nada.
— Melhor do que o internato, isso eu posso garantir. Não tenho aquelas mesmas aulas chatas nem as freiras me olhando torto. Ninguém fica gritando comigo pra que eu ajeite o meu sotaque nem me mandando ir rezar pra pedir perdão por um erro que eu não cometi.
Astrid começou a contar pra mãe um resumo do que aconteceu durante os meses que ela esteve em aula e separada da mãe. Klaus ficou sentado numa poltrona próxima, observando as duas conversarem. Quando percebeu que Astrid estava terminando o relato, decidiu ir na cozinha preparar chocolate quente. Sabia que tanto Astrid quanto Sarah amavam a bebida e que ficariam agradecidas em beber algo quente no frio que estava reinando.
Voltou pro escritório e encontrou Astrid encolhida na poltrona e Sarah mexendo em um livro que Klaus não reconheceu. Assim que viu o pai com as xícaras fumegando, Astrid esticou o braço e pegou uma das xícaras.
— Que livro é esse? Algum da escola? — Klaus perguntou
— Não. É um que a Astrid ganhou. — Sarah respondeu pela filha
— O irmão do Miko me deu de presente. Ele disse que parecia interessante pra mim. É sobre um bruxo alemão, acho.
— Ainda preciso saber a diferença entre os dois meninos. Como você diferencia os dois? — Klaus perguntou
— O cabelo e a mão. Max tem o cabelo um pouco mais curto e liso do que Miko e Miko tem uma cicatriz no polegar da mão direita.
— Quem são esses que vocês estão falando? — Sarah perguntou
— Miko e Max são filhos de Ivan, um amigo de trabalho meu. Miko é namorado da Astrid. Os meninos são gêmeos idênticos. — Klaus explicou
— Max, aquele que está lá em casa?
— É, mãe. Aquele mesmo. Eu namoro a xerox dele. — Astrid falou
— Asta...
— Que foi, mãe? É a verdade. Eu namoro o irmão gêmeo do Max. Miko até quis vir, mas eu achei que só o papai estaria aqui e seria uma coisa constrangedora como foi em Hogsmeade.
— Quem é Hogsmeade e que situação constrangedora foi essa?
— Sarah — Klaus falou, colocando a mão na perna da ex-mulher — Hogsmeade é um lugar, um vilarejo. Lembra de Rosmerta? — Sarah assentiu, bebericando do chocolate — Ela tem um bar por lá. Eu combinei com a Astrid de me encontrar no bar da Rosmerta no fim de semana que ela pudesse visitar o lugar. Astrid tinha passado mal no dia anterior por causa de peixe e tava insistindo em comer mais. Só fiquei sabendo por causa do namorado dela que me contou. Acabei tendo que dar uma bronca nela na frente do menino.
— Asta! Fisch? Ist das ernst? (Tradução: Asta! Peixe? É sério isso?)
— Sorry, mama. Quer conhecer o Miko? Posso marcar alguma coisa para agora de tarde. Talvez uma ida ao museu...
Klaus e Sarah se entreolharam, relembrando os momentos que passaram juntos nos museus de Munique antes de começarem a namorar e pensando que Astrid queria juntar os dois fazendo-os reviver os tempos que eram solteiros.
— Kleine Biene... — Klaus começou, tentando arranjar uma maneira de dizer que não daria certo sem magoar a filha.
— Vamos todos. — Sarah falou — Pode chamar mais algum amigo seu além do Miko, se quiser.
— Quem é você e o que você fez com a minha mãe? — Astrid estranhou.
— Vá logo antes que eu mude de ideia.
Astrid correu pro telefone na sala de estar e ligou pro namorado. No escritório, Klaus encarava a ex-mulher.
— Klaus Hans Hoff. — Sarah o encarava — Eu acho que estou pronta pra te perdoar e tentar voltar a ser o que era. Eu estava errada quando te tirei de casa. Achei que você tinha escondido de mim pra me provocar e pra me atingir de alguma forma. Depois de ver o quanto você está se dedicando pra cuidar da Astrid e de ver que você só escondeu de mim para que eu não sofresse nenhum tipo de punição, eu percebi que eu estive muito errada sobre você. — ela se ajoelhou na frente do ex-marido — Você me perdoa por ter sido tão injusta durante todos esses anos?
— Sarah, eu... — Klaus não sabia o que dizer. Simplesmente puxou a mulher para o próprio colo e lhe deu um abraço apertado.
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